sexta-feira, 5 de agosto de 2011
EMBOLADORES
Embolada, Coco de embolada, Coco-de-improviso ou Coco de repente é uma espécie de arte surgida no nordeste, onde é especialmente popular. Consiste em uma dupla de "cantadores" que, ao som enérgico e "batucante" do pandeiro, montam versos bastante métricos, rápidos e improvisados onde um tenta denegrir a imagem do que lhe faz dupla com versos ofensivos, famosos pelos palavrões e insultos utilizados. O ofendido deve improvisar uma resposta rápida e ao mesmo tempo bem bolada. Caso não consiga, seu par é coroado triunfante. Não deve ser confundido com cantoria onde a música e a resposta são lentas melodiosas e o tema principal é a vida cotidiana.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Professor, historiador e folclorista. José Calasans Brandão da Silva nasceu em Aracaju no dia 14 de julho de 1915. Fez estudos primários no Colégio N.S.da Conceição e o curso secundário no Colégio Estadual de Sergipe, antigo Ateneu Sergipense, em Aracaju, concluindo em 1932. Diplomou-se pela Faculdade de Direito da Bahia em 1937. O pendor para a História e o magistério o tornou historiador e professor. Em sua terra foi Catedrático da Escola Normal Ruy Barbosa ensinando também em vários colégios. Ao mesmo tempo, desenvolve suas investigações no Instituto Histórico de Sergipe. Passando a residir na cidade do Salvador, em 1947, prosseguiu nas atividades de sua vocação, como escritor de assuntos históricos e mestre em diversos estabelecimentos de ensino médio (nos colégios Nossa Senhora Auxiliadora, Antonio Vieira e Santíssimo Sacramento) e nas duas universidades: Federal e Católica. Atua nas faculdades de Ciências Econômicas de ambas; e na de Filosofia, da Federal, com a cátedra de História Moderna e Contemporânea. Foi diretor do Departamento Regional do SENAC, na Bahia (1947/1961), onde incrementou o ensino profissionalizante em Salvador, com pioneirismo e a modernidade, que foi buscar na Europa. Hoje preside o Rotary Club. Em Salvador ele desenvolveu o seu lado de pesquisador de História e do folclore, cultivando uma obsessão, chamada Antônio Conselheiro, que começou com a tese O Ciclo Folclórico do Bom Jesus Conselheiro (1950). Obteve o grau de Doutor em Geografia e História em 1951, defendendo, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFBA, em concurso de livre-docência para História do Brasil, a tese O Ciclo Folclórico do Bom Jesus Conselheiro. Nesta mesma faculdade havendo concorrido à cátedra de História Moderna e Contemporânea, conquistando-a após a defesa e aprovação, em 1959, da tese Os Vintistas e a Regeneração Econômica de Portugal. Chefiou, por longo tempo, o Dep. de História dessa faculdade, tendo exercido sua direção, nos anos de 1974 e 1975. Foi vice-reitor da UFBA de 1980 a 1984. A fascinação pela figura do Conselheiro de Canudos levou o professor José Calasans por todos os lugares em que aquele líder messiânico andou, recolhendo escritos, missais, objetos e memórias de sobreviventes. O conjunto desse material acabou por constituir, em 1983, o Núcleo Sertão da UFBA, instalado no Terreiro de Jesus, em Salvador, e de onde o escritor peruano Mario Vargas Llosa retirou informações fundamentais para o seu romance histórico A Guerra do Fim do Mundo. O Núcleo Sertão, que integra o Centro de Estudos Baianos da UFBA é o centro de pesquisa que reúne o maior patrimônio documental sobre Canudos, em escala mundial, sobre os temas referidos, o qual custodia sua coleção particular e parte do seu arquivo. O Núcleo está instalado atualmente no 3º pavimento da Bib. Central da UFBA. Professor emérito da UFBA, é considerado a maior autoridade em todo o país na temática de Canudos, que estuda há quase 50 anos. Essas pesquisas resultaram nos livros No Tempo de Antônio Conselheiro (1959), Antônio Conselheiro e a Escravidão (1968), Antônio Conselheiro, Construtor de Igrejas e Cemitérios (1973), Canudos: Origem e Desenvolvimento de um Arraial Messiânico (1974), Canudos na Literatura de Cordel (1984), Quase Biografia de Jagunços (1986) e Cartografia de Canudos (1997). Outros livros publicados: Temas da Província (estudos de história e folclore de Sergipe, 1944), Cachaça Moça Branca (1951), A Santidade de Jaguaripe (1952), Euclides da Cunha e Siqueira de Menezes (1957), Os Vintinistas e a Regeneração Econômica de Portugal (1959), Folclore Geo-Histórico da Bahia e seu Recôncavo (1970), A Revolução de 30 na Bahia (1980), Aparecimento e Prisão de um Messias (1988), Miguel Calmon Sobrinho e sua Época (1991), Aracaju e Outros Temas Sergipanos (1992). "Ao lado de uma brilhante carreira acadêmica em todos os sentidos, constrói uma obra marcadamente voltada para o folclore e para a história. No conjunto de suas produções, tudo se centraliza na síntese cósmica em torno da figura messiânica de Antônio Conselheiro, Canudos, Euclides da Cunha, Nordeste e o ciclo dos jagunços. Canudos é o seu núcleo temático, sua linha de pesquisa, sua vida intelectual, sua paixão de estudos", comentou o professor Edivaldo Boaventura em um de seus artigos sobre o mestre José Calasans. Já aposentado, em 1984, o Banco Econômico conseguiu convencê-lo a dirigir o Departamento de Estudos e Publicações do Museu Eugênio Teixeira Leal - memorial do próprio banco. O sucesso deste empreendimento ultrapassou todas as expectativas em todos os setores ativados: arquivo e biblioteca, consultas e exposições, conferências e palestras, outras programações - tudo aberto ao público. Calasans também ocupou as presidências do Instituto Geográfico e Histórico de Sergipe, da Academia de Letras da Bahia e do Conselho de Cultura do Estado da Bahia. Ele tomou posse na Academia de Letras da Bahia em novembro de 1963, em março de 1971 foi empossado presidente. E em junho de 1993 recebeu da Prefeitura e da Câmara Municipal de Canudos o título de Cidadão da Cidade de Canudos. Embora retraído, o cidadão José Calasans Brandão da Silva, ganhou notoriedade e reconhecimento público, traduzido em medalhas e condecorações, a saber: Comendador da Ordem do Mérito da Bahia, Medalha Inácio Barbosa (Prefeitura Municipal de Aracaju), Medalha Visconde de Itaparica (Polícia Militar do Estado da Bahia), Medalha Euclides da Cunha - Casa Euclidiana (São José do Rio Pardo, São Paulo), Medalha Sílvio Romero (Prefeitura do Distrito Federal-RJ), Medalha do Mérito Cultural Castro Alves (Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia), Medalha do Pacificador (Ministério do Exército). Considerado a maior autoridade na História de Canudos e fascinado pelo rico folclore brasileiro, o professor José Calasans confessa que o que mais gosta de fazer é conversar e recitar poesias populares. |
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
POETA ILMAR CAVALCANTE
Ele sempre morou na musical cidade de Monteiro, no Cariri paraibano. Mas,o filho de Inácio Vieira da Silva (in memorian) e Lindalva Cavalcante da Silva,nasceu em João Pessoa, na capital paraibana,no dia 19 de outubro de 1970. Teve a infância dividida entre os estudos, as peladas de futebol e as férias no sítio Angico, dos avós maternos. A admiração de seu pai pela música regional, em especial pelo forró do Trio Nordestino, clareou-lhe a inspiração e fez surgir os primeiros versos em forma de canção. Com o passar do tempo, entre os 19 e os 20 anos de idade, já com alguns trabalhos desenvolvidos, Ilmar se sentia feliz tocando violão e mostrando as primeiras composições a amigos mais próximos. Vencendo a timidez, apresentou suas canções a alguns artistas monteirenses, em especial a Flávio José e a Dejinha de Monteiro, que gravou sua primeira música intitulada, "Me deixa entrar no seu mundo", de 1993. Primeiros sucessos - Depois dessa primeira vitória, a inspiração e a dedicação se redobraram. Em 1994, Ilmar teve a música "Poucas Palavras" interpretada pela cantora Eliane. Coube a Flávio José apresentar Ilmar à Eliane. A partir de então, as portas se abriram para o jovem compositor. Ainda em 1994, Ilmar conhece o cantor e compositor Nanado Alves e dessa parceria, nasceram grandes sucessos consagrados pelo povo. Na ocasião a Banda Magníficos, em início de carreira, gravou cinco músicas da dupla, entre elas "Xote de encomenda", "Charme especial" e "Todo dia te querer". No ano seguinte Flávio José grava duas músicas que se tornariam sucessos ("Um passarinho" e "O bom do amor"). Por seu lado, a Banda Magnificos lança seu segundo trabalho com mais três músicas da dupla: "Tenda", "Alguém", "Viver uma paixão". Começa então o reconhecimento em todo território nacional. Novos intérpretes - Em 1996, o cantor Gláucio Costa grava o xote "Cheiro de nós", uma música cheia de poesia em que a letra faz uma pequena homenagem ao grande poeta José Marcolino. A partir de 1997, Ilmar tem suas músicas executadas pelas rádios de todo o país, a exemplo de " Saudade que mata", com Genaro, e "Diálogo", com Flávio José.
No 1º MPB Cariri, um Festival de Música Regional realizado em Monteiro em 1998, Ilmar é o grande vencedor com a música "Quando escuto seu Luiz". Essa canção foi gravada por Flávio José no CD " Pra todo mundo", com o nome de "Sangue nordestino". Nesse mesmo disco, encontramos o baião "Só falta você voltar".Com o surgimento de novas bandas de forró, a Magníficos grava em 1999 a música "Muito pra te dar" (parceria com Nanado Alves e Jorge Andrade). Já em 2000, o cantor Flávio José entra na gravadora BMG e lança um novo CD, que tem como carro- chefe "Seu olhar não mente" e o xote "A vida é você" (Ilmar Cavalcante/Nanado Alves). Dois grandes sucessos lembrados pelo público. No ano seguinte, a música "Amor pra mais de mil" foi gravada por mais de 30 artistas inclusive o cantor Novinho da Paraíba e as bandas Mastruz com Leite, Raízes do Forró. Com essa canção vários desses artistas se apresentam em programas de TV (Xuxa Parque, Super POP e A Casa é Sua, entre outros). No mesmo ano, o cantor Adelmário Coelho grava "Chega de saudade", que foi carro-chefe do CD e teve grande aceitação popular.
Coletâneas - Em 2002, a gravadora BMG lança duas coletâneas de Ilmar Cavalcante: As Melhores do ano e 4 em 1. A música "Seu olhar não mente" (Ilmar/Nanado) fizeram parte destes dois discos, que teve a participação de grandes nomes da musica popular brasileira Fábio Jr., Leonardo, Daniela Mercury entre outros. O baiano Adelmário Coelho gravou, em 2004, "Farejador de forró", um autêntico pé-de-serra feito por encomenda. Nessa música, a parceria foi com o seu compadre João Batista. Em 2005, a Banda Magníficos, o cantor Novinho da Paraíba e Santanna gravaram em DVD sucessos de Ilmar Cavalcante. Dois anos depois o compositor foi um dos campeões do Forrofest (2° Lugar) com o baião, "Meu Lugar é meu Nordeste", interpretado por Osmando Silva. Depois de mais de 300 músicas gravadas, e muitas outras inéditas, o compositor monteirense lança o CD "Ilmar Cavalcante, meus amigos meu Forró". Neste trabalho grandes artistas da música regional interpretam o poeta-compositor abrilhantando cada vez mais seu belíssimo trabalho. No ano passado, Ilmar lança seu 2º trabalho, contando mais uma vez com a participação especial de seus amigos e admiradores. O trabalho surge naturalmente de uma aclamação dos admiradores da boa música nordestina, autêntica e de boa qualidade. Contando nesse trabalho com novas participações a exemplo de Jorge de Altinho, Cezinha, Flávio Leandro, Geraldinho Lins e outros.
Agradecido pelos sucessos alcançados, o poeta compõe em meio à vida cotidiana. Em casa ou no trabalho, Ilmar sempre encontra tempo para ler, buscar inspiração, ouvir e aprender com os grandes mestres da música e poesia, como Luiz Gonzaga, o cantor Lindú (Trio Nordestino), Dominguinhos, Guilherme Arantes, Chico Buarque.
Fonte: PB Agora.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
MESTRE MIGUEL
Miguel Francisco da Rocha, juazeirense,nasceu num distante 14 de dezembro do ano da graça de 1942, tocador de banda cabaçal, com 55 anos de atividade. Mestre Miguel, poeta, Mateu e Mestre de Banda, Cabaçal toca, canta e dança,Banda Cabaçal, Conjunto musical popular em todo Cariri cearense, composto por dois pífanos, tarol, zabumbada e prato, cujos integrantes dança coreografias relativas às melodias tocadas." como também fabrica seus próprios instrumentos. Já se apresentou em vários estados brasileiros,inclusive no exterior.Sua música tem servido como elemento de pesquisa para grandes nomes da música brasileira como Gilberto Gil, Fagner e Alceu Valença.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
CANTADEIRAS DO SOUZA
Cantadeiras do Souza, de Jequitibá – MG. Apurando o timbre e a afinação de suas vozes desde pequenas, as seis irmãs e primas da família Souza trazem um nível impressionante de elaboração na harmonização de cantos da tradição católica como as incelenças, ladainhas e cantigas de roda. O patriarca Joventino, aos 97 anos, é quem puxa o canto espectral das encomendações de alma, e acompanha ágil o cortejo das incelenças de chuva, um ritual extremamente simbólico para os pobres mortais dos grandes sertões de Minas Gerais.
quinta-feira, 21 de julho de 2011

GALEGO ABOIADOR
De origem nordestina, faz um trabalho que retrata o viver do vaqueiro e das vaquejadas que ocorrem nas diversas cidades nordestinas. Reproduz em seu canto o aboio do vaqueiro ao tanger o boi. Em 1977 gravou o primeiro disco, pela Beverly, com destaque para "O sofrer do fazendeiro quando há seca no sertão" e "Sou vaqueiro apaixonado", ambas de sua autoria. Em 1979 gravou um segundo disco, interpretando entre outras, "Mulher é laço que prende o vaqueiro", "Vaqueiro relaxado" e "Todo nordeste entristece quando se acaba um vaqueiro", de sua autoria. Em 1980 gravou "Abertura de vaquejada" e "Quero morrer pecador" e a toada "Cavalo bom foi palhaço" de sua autoria. Em 1982 lançou entre outras, as composições "A triste seca devora os campos do meu sertão", de sua autoria e "As tranças dos seus cabelos" dele e Maria Mercês. Em 1983 gravou uma homenagem ao locutor de vaquejadas José Petrúcio Batista, considerado por muitos um herói das vaquejadas, que foi assassinado, (e que também era conhecido como "O Imperador da voz") na música intitulada "Homenagem a Petrúcio Locutor", de sua autoria. Em 1985 gravou seu sexto LP, cantando entre outras, as composições, "A fazenda beira-rio" de sua autoria e J. E. Valença e "Pranto e morte de um vaqueiro". Em 2000, a EMI lançou o CD "Galego Aboiador", na série "Raízes nordestinas", com vinte sucessos do artista, com, entre outras, "O sonho de um poeta com os vaqueiros no céu", na qual presta uma homenagem a diversos vaqueiros nordestinos. Em 2005, seu clássico "Aboio" foi gravado por Raimundo Sodré no CD Dengo. Em 2009, participou, junto com Naldo Aboiador, do programa dedicado à cultura nordestina, "Cantos e contos", apresentado pela dupla " Os Nonatos", na TV Tambaú, afiliada do SBT, em João Pessoa (PB).
ObraA fazenda beira-rio (c/ J. E. Valença)
A triste seca devora os campos do meu sertão
Abertura de vaquejada
Aboio livre
As tranças dos teus cabelos (c/ Maria Mercês)
Cavalo bom era palhaço
Coração ingrato
Desprezo e ingratidão
Mulher é laço que prende o coração do vaqueiro (c/ Eufrásio Nascimento)
O sonho de um poeta com os vaqueiros no céu
Orgulho de Cariri
Pedi um beijo chorando, sorrindo ela me negou (c/ Zito Locutor)
Pranto e morte de um vaqueiro
Quero morrer pecador
Sofrer do fazendeiro quando há seca no sertão
Sou vaqueiro apaixonado
Todo Nordeste entristece quando se acaba um vaqueiro
Uma homenagem a Petrucio Locutor
Vaqueiro relaxado
Vaqueiro velho humilhado e o patrão sem coração
Discografia
(2008) Galego Aboiador • DVD
(2000) Galego Aboiador. Raízes Nordestinas • EMI • CD
(1985) Galego Aboiador • EMI • LP
(1983) Galego Aboiador • EMI • LP
(1982) Galego Aboiador • EMI • LP
(1980) Galego Aboiador • EMI • LP
(1979) Galego Aboiador • Beverly • LP
(1977) Galego Aboiador • Beverly • LP
terça-feira, 19 de julho de 2011
POETA ELIAS DE TIMBAÚBA
Elias A. de Carvalho,Nasceu na terra dos verdes canaviais,em Timbaúba,na zona da mata norte de Pernambuco,além de poeta, que com tanto entusiasmo contou e cantou as coisas do seu estado e do Brasil, foi também emérito sanfoneiro, repentista e versejador, sendo intensa a sua atividade, sem prejuízo para a profissão de enfermeiro, na qual era diplomado. Trabalhou no sanatório Alcides Carneiro, em Corrêas, na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, ligação que lhe permitiu preparar um importante trabalho intitulado "O ABC do corpo humano", entre os tantos outros que escreveu ao longo de sua vida.
domingo, 17 de julho de 2011
VAVÁ MACHADO E MARCOLINO
Como surgiu a dupla de toadeiros Vavá Machado e Marcelino:Muito já se falou a respeito da originalidade dos nomes das duplas. De músicas sertanejas, bem como da casualidade com que são formadas.E os “BRIDÕES DE OURO” não fugirão á regra .O encontro entre Vavá Machado e Marcelino deu-se na cidade Pernambucana de Garanhuns, quando Vavá machado estava servindo o exército . Durante uma exposição de gado, ambos encontraram – se e passaram e cantar juntos, pois a voz de Marcelino era aquela que Vavá Machado sempre procurara para interpretar suas músicas.O nome da dupla também surgiu por acaso , pois Vavá e Marcelino passaram a se apresentar em diversos locais e ainda não tinha escolhido um nome. Até que um dia , na Rádio Difusora Jornal do Comércio de Garanhuns, o apresentador Jota Soares batizou de “BRIDÕES DE OURO” .Neste dia, uma infinidade de duplas apresentaram – se no programa, sempre cantando toadas nordestinas e vaquejadas .E Jota Soares, que já os conhecia, resolveu deixá-los para o final do programa, fazendo com dessem um “breque” (bridão) nas outras duplas. porque talento era o que não lhes faltavam, sem dúvidas , conseguiriam fazer com que as participações fossem esquecidas depois daquela apresentação. E ele estava serto. Hoje , os “BRIDÕES DE OURO” são conhecidos em todo o país, e seu canto é imitado em toda região do norte . Suas músicas relatos de experiência vividas ou presenciadas , com toda aquela simplicidade tão comum á gente nordestina. A melodia, traz toda aquela tristeza e sentimentalidade que já faz parte do folclore nordestino. Agora, os “BRIDÕES DE OURO” estão seu 5º disco, intitulado “Vamos á Vaquejada,” sendo que esse é o primeiro lançado pela dupla pelo o selo Chantecler, que recentemente abrigou todas as duplas sertanejas de sua cor-irmã Continental. Em selo Continental os “BRIDÕES DE OURO” gravaram “Aboios e toadas”, “Isto é festa de Vaqueiro”, “Campeões da Vaquejada” e “O Acordar do sertanejo.”
ROSE GUIRRO
sexta-feira, 15 de julho de 2011
PATATIVA DO ASSARÉ
Uma das principais figuras da música nordestina do século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré,nasceu durante às águas de março,no cariri Cearense,num distante dia 5 de 1909 ,na pequena cidade de Assaré. Patativa foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença . Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passou a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, frequentava a escola local, em qual foi alfabetizado, por apenas alguns meses . A partir dessa época, começou a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebeu o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave. Sendo muito amigo da família Diniz.Indo constantemente à Feira do Crato onde participava do programa da rádio Araripe, declamando seus poemas. Numa destas ocasiões é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, lhe dá o apoio e o incentivo para a publicação de seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, de 1956. Este livro teria uma segunda edição com acréscimos em 1967, passando a se chamar Cantos do Patativa . Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas, Patativa do Assaré: novos poemas comentados, e em 1978 foi lançado Cante lá que eu canto cá. Os outros dois livros, Ispinho e Fulô e Aqui tem coisa, foram lançados respectivamente nos anos de 1988 e 1994. Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu. Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens (tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa). No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos. Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou (Cariri) no interior do Ceará. Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade. A transcrição de sua obra para os meios gráficos perde boa parte da significação expressa por meios não-verbais (voz, entonação, pausas, ritmo, pigarro e a linguagem corporal através de expressões faciais, gestos) que realçam características expressas somente no ato performático (como ironia, veemência, hesitação, etc.). A complexidade da obra de Patativa é evidente também pela sua capacidade de criar versos tanto nos moldes camonianos (inclusive sonetos na forma clássica), como poesia de rima e métrica populares (por exemplo, a décima e a sextilha nordestina). Ele próprio diferenciava seus versos feitos em linguagem culta daqueles em linguagem do dia-a-dia (denominada por ele de poesia "matuta"). Patativa do Assaré se vivo fosse completaría 93 anos,faleceu no dia 8 de julho de 2002,causando uma perda irreparável para a cultura popular brasileira.
segunda-feira, 11 de julho de 2011

PIFANO
Por Zé da Flauta
Gilberto Gil é um fã das bandas de pífanos e uma vez li entrevista sua dizendo que a Tropicália nasceu depois que ele viu a Banda de Pífanos de Caruaru ( a dos irmãos Biano) tocando. Caetano Veloso colocou uma letra em "Pipoca Moderna", de Sebastião Biano. Eu gravei um frevo de rua chamado "Bianos no Frevo" no LP Asas da América vol.3 que termina com "A Briga do Cachorro com a Onça", música tradicional das bandas - que é executada por quase todas elas. Nelson Ferreira, um dos grandes compositores de frevo, tem o seu famoso "Esquenta Muié", um explosivo frevo de rua que começa com uma alusão aos pífanos. Eu fiz muitos duetos de flauta e guitarras com o guitarrista Paulo Rafael imitando os pífanos quando acompanhávamos cantores em shows e gravações. Pífano, pífaro e pife são a mesma coisa. Um instrumento de influência indígena feito de taboca, uma espécie de bambu, com sete orifícios, um para soprar e seis para dedilhar. Às vezes também são feitos de canos de PVC ou de canos de metal, mas não têm a mesma sonoridade nem a mesma beleza. Existem duas maneiras tradicionais de tocar esse instrumento: em dueto (dois pífanos), acompanhado do ritmo da zabumba, pratos, caixa e contra-surdo, que são as famosas "Bandas de Pífanos"; e com o pífano solo acompanhado de sanfona, cavaquinho, violão de sete cordas, pandeiro e ganzá. No caso das bandinhas, os dois pífanos tocam em intervalos de terças, às vezes de quartas e em algumas passagens provocam dissonâncias incríveis. Às vezes é difícil acreditar como um instrumento tão simples é capaz de produzir uma música tão rica e bela, animar festas, procissões e ainda ser o sustento de muitos músicos no nordeste. Geralmente, os tocadores fazem seus próprios instrumentos, e uma quantidade maior para vender em feiras e apresentações. O som desses instrumentos influenciou muitos compositores e arranjadores brasileiros. Está marcados na música de Lenine, Quinteto Violado, Hermeto Pascoal, Xangai, Egberto Gismonte, Geraldo Azevedo, Naná Vasconcelos, Cascabulho, Orquestra Armorial, Antúlio Madureira, Carlos Malta (que não é nordestino mas tem um disco belíssimo chamado "Pife Moderno", que é simplesmente demais!) e outros tantos que não me lembro agora. As bandas também são conhecidas como "Esquenta Muié", "Terno de Pífanos" e "Zabumba", dependendo da região. As maiores características do tocador de pife é ser humilde e não entender nada de música. Faz por pura intuição e inspiração. Edmílson do Pífano, um dos maiores tocadores que eu conheço, me disse que fazia música no ônibus, quando viajava e via as músicas passando pela janela. Sebastião Biano me disse que sustenido era "meio dedo no buraco". Depois de "são as teclas pretas do piano", definição dada por um antigo professor de música, essa foi a melhor explicação que ouvi sobre sustenido. Agora, diga que não é !
Em julho de 1997, tive o prazer de dar uma canja com a Banda de Pífanos Dois Irmãos de Caruaru, no Central Park, em Nova York. Foi um momento inesquecível, os americanos não deixavam a gente sair do palco. No fim da apresentação, descemos e fomos pra cima do público, que caiu no forró fazendo a poeira subir. Pra encerrar, vai uma frase de João do Pife, de Caruaru:"Eu faço pife, toco pife, vendo pife, por isso estou assim pifado.
* Zé da Flauta é músico e produtor.
sábado, 9 de julho de 2011
BENDITO SEJA OS BENDITOS DE DONA MARIA DO HORTO
Ela nasceu em 19 de Junho de 1944,Mestre Dona Maria do Horto, é lavadeira de roupas e conhece um vasto repertório da tradição oral religiosa, sendo conhecida pela arte de cantar benditos manifestações de religiosidade popular da era cristã e que ainda persiste em cantos que acompanham procissões e as visitas do Santíssimo. Os Benditos que ela canta são todos de sua propria autoria. Reside no Ceará há mais de cinqüenta anos com endereço à rua Pedra do Joelho, s/n, no Horto, em Juazeiro do Norte, região do Cariri. Dona de uma voz potente, suas composições falam do universo religioso ligados ao Padre Cícero, seus milagres e a fé incontida do povo. Embora muito conhecida na cidade fez a sua primeira exibição pública em evento no ano de 2003 quando subiu a um palco para cantar com a Orquestra de Rabecas Cego Oliveira nos festejos de aniversário do Padre Cícero daquele ano. Em 2004 participou da Mostra de Arte do Sesc a convite do músico Francisco de Freitas, participando também da gravação do CD “Música do Povo Cariri”. Em 2005 o Sebrae financiou um projeto de CD onde Maria do Horto teve participação cantando um bendito. Ano passado fez apresentação no projeto Mostra de Música do Sesc em Juazeiro e também apresentou-se no Encontro com Mestres do Sesc, realizado no Crato
quarta-feira, 6 de julho de 2011
XAXADO, A DANÇA DOS CANGACEIROS
O xaxado é uma dança exclusivamente masculina (pelo menos em seus primórdios – atualmente há grupos de xaxado com membros do sexo feminino), originária do alto sertão pernambucano, e divulgada por outras regiões do Nordeste – principalmente no interior da Bahia – pelo cangaceiro Lampião e seu bando. A dança tem esse nome devido ao som do ruído que as sandálias dos cangaceiros faziam ao arrastarem sobre o solo durante as comemorações celebradas nos momentos de glória do grupo do “Rei do Cangaço”.
Tradicionalmente o xaxado é dançado em círculo, numa fila indiana, sem volteios, avançando o pé direito em trê e quatro movimentos laterais e puxando o esquerdo, num rápido e deslizado sapateado. Os cangaceiros também costumavam comemorar suas vitórias com uma pancada do coice do fuzil. Sobre a não-participação feminina na dança (e por causa disso o xaxado não pode ser considerado uma dança de salão) Luís Gonzaga chegou a afirmar que, na dança, “o rifle é a dama”. As músicas costumam ser simples e as letras caracteristicamente agressivas, belicosas e satíricas – nunca líricas. Sobre acompanhamentos, há duas vertentes: o tradicional, cantado sem nenhum instrumento como acompanhamento, e os xaxados com sanfona. Entre os anos 30 e 50 o xaxado chegou a ser bastante executado nas rádios nordestinas
domingo, 3 de julho de 2011
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