sexta-feira, 9 de novembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012

HERMES VIEIRA UM POETA DO PIAUI
Hermes Rodrigues Cardoso Vieira ,nasceu no dia 23 de setembro de 1911,na Fazenda Caiçara,município
de Elesbão Veloso,no Centro-Norte do estado do Piaui. Fez apenas o primário,as dificuldades financeira da família não permitiu a continuidade dos estudos. Ainda criança foi com a família morar na cidade de Palmeiras,de lá foram para Parnaíba e em seguida foram para Teresina,onde reside até hoje. Poeta regionalista dos mais festejados,autor de vários poemas cantados por todo nordeste brasileiro,tem aquela verse contagiante de Catulo da Paixão Cearense e o lirismo fascinante e simples de Hermínio Castelo Branco. Foi no contato com a natureza que descobriu sua poesia durante as pescarias nos rios Parnaíba e Poty ou nas caçadas nas noites de enluaradas na caatinga.Constituía tudo isso em pano de fundo para que nos jogos sutis do raciocínio aflorasse a espontânea,habilidosa e atraente poesia,na linguagem expressiva do homem do campo. Na conclusão dos versos,observa-se a eficácia de estilo próprio,fruto de criação inata,que da escola da vida o tornou autodidata.
Da mágica e do improviso,sua poesia brotava,celebrizando o folclore de sua região: Vosmincê, doutô, conhece,
Ou já viu falá no nome Desse bicho qui aparece
Nos camim quando anoitece,
Qui se chama lubisome" ?!
Nesse cantarolar de estrofes e versos , herdeiro de vocações do homem sertanejo , traduz a expressão ingênua e resignada do sofrido homem do campo, que para amenizar as agruras da vida, carrega no bornal da esperança o terço da fé:" E o mais triste, seu doutô
Pra nóis pobe fregelado
Si acabando aqui e ali,
É si sê fíi dum Brasi,
Dum Brasi civilizado,Dum Brasi riligioso
Dum Brasi de tanto nome
Dum Brasi tão rico e forte
Dêrna o Su até no Norte
E morrê gente de fome !!!A poesia de Hermes brotava nessas circuntâncias,que na visão dos acadêmicos,como J.Miguel de Matos,é " a maior expressão da poesia folclorica do Piaui". Arimatéia Tito Filho fez análise aprofundada do lirismo de Hermes Vieira quando disse" (...) abrangendo aspectos da vida e da natureza,psicologia das gentes,bichos,episódios amorosos e trágicos,cerimônias,amores escondidos,mitos,lendas,supertições,doenças,músicas e anedotas". O professor Josias Clarence Carneiro da Silva também reconheceu a poética: "... o mundo fantasioso de Hermes Vieira é uma colcha de retalhos da vida campestre..." . O professor e escritor Nineas Santos,quando na apresentação do livro PIAUI SERTÃO,desse poeta decantado,fez uma sintese da obra em verso:
Quem já viveu no sertão
Ao ler os versos de Hermes,
Sente brotar emoção
Calada, adormecida,
Nas brenhas do coração."
O poeta e professor piauiense,residente em Fortaleza,Gerardo Carvalho Frota(Pardal),em versos saudou o inesquecivel poeta:
"Fiquei muito impressionado
Quando li Hermes Vieira
É um poeta popular
Que traz em si a verdadeira
E a mais legítima expressão
Cravada neste Sertão
De uma cultura altaneira.
Eu com seu conterrâneo
Me sinto muito orgulhoso
Pena que pessoalmente
Eu não tive o precioso
Prazer de ter conhecido
Hermes Vieira e sentido
Seu poetar valioso
Como aqui no Ceará
Tem a voz do Patativa
No Piauí também tem
Uma voz forte e ativa
Que cantou a vida inteira
O poeta Hermes Vieira
Que se manterá bem viva...
Quando li Hermes Vieira
É um poeta popular
Que traz em si a verdadeira
E a mais legítima expressão
Cravada neste Sertão
De uma cultura altaneira.
Eu com seu conterrâneo
Me sinto muito orgulhoso
Pena que pessoalmente
Eu não tive o precioso
Prazer de ter conhecido
Hermes Vieira e sentido
Seu poetar valioso
Como aqui no Ceará
Tem a voz do Patativa
No Piauí também tem
Uma voz forte e ativa
Que cantou a vida inteira
O poeta Hermes Vieira
Que se manterá bem viva...
Trovador da Roça
Eu sou fio do alto do sertão
Fui vaquêro e tombém fui caçadôr.
Na viola, chorando no meu peito,
No terrêro, ao luá, fui trovadô.
Muitos tôros bravio na caatinga
Com o aboio sereno eu dominei;
Muitos brabo e rebelde coração,
Na viola, ao luá, eu conquista.
Muitos tigre valente, na floresta;
Abati cum certêra pontaria;
Muitas fera de saia de argudão
Dominei cum as minhas canturia.
Té qui um dia, caçando num forró,
Atirei bem no zói de meu afeto;
Desse tiro hoje vejo im meu redó
Quinze fio e noventa e nove neto.
Fui vaquêro e tombém fui caçadôr.
Na viola, chorando no meu peito,
No terrêro, ao luá, fui trovadô.
Muitos tôros bravio na caatinga
Com o aboio sereno eu dominei;
Muitos brabo e rebelde coração,
Na viola, ao luá, eu conquista.
Muitos tigre valente, na floresta;
Abati cum certêra pontaria;
Muitas fera de saia de argudão
Dominei cum as minhas canturia.
Té qui um dia, caçando num forró,
Atirei bem no zói de meu afeto;
Desse tiro hoje vejo im meu redó
Quinze fio e noventa e nove neto.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
ZAMBIAPUNGA
O termo tem origem,provavelmente,no nome do Deus supremo dos Candomblés,ou seja,Zamiapombo.É caracterizada pelo uso de búzios gigantes,enxadas e outras ferramentas agricolas,que são tocadas como instrumentos de percussão pelos componentes Zambiapunga caracteriza-se,também,como um divertimento das pessoas envolvidas,que saem,de madrugada,com o intuito de acordar a população com sons dos instrumentos.Por quase quatro séculos a economia do Brasil colô,e posteriormente imperial,foi sustentada pela exploração da mão-de-obra escrava africana. Estes africanos foram trazidos à força para o novo mundo e, por não serem culturalmente homogêneos,trouxeram sua diversidade de linguistica,religiosa,social e politica para o Brasil, o que contribuiu decisivamente para nossa riqueza cultural.O Zambiapunga de Nilo Peçanha,é uma manifestação atual da cultura popular baiana cuja origem liga-se profundamente a aspectos culturais importados do continente negro. Zambiapunga é um grupo de homens mascarados que saem às ruas de Nilo Peçanha tradicionalmente na madrugada do 1º de novembro,dia de todos os santos,véspera de finados,vestindo roupas coloridas feitas com panos e papeis de seda e percutindo instrumentos peculiares como enxadas enxadas,cuícas rústicas,búzios e tambores. É provável que o Zambiapunga do baixo-sul baiano era ou integrava um ritual religioso de uma parcela dos africanos escravizados.Para entendermos esse aspecto é necessário fazermos uma análise etimológica do termo "zambiapunga" e enumerarmos alguns aspectos da religiosidade dos povos cujo termo citado se liga:os Bantos. Zambi ou Nzambi-a-Mpungu é o deus supremo do povo bantos do Baixo Congo.A relação entre a palavra "zambiapunga" e o Deus supremo de africanos é a primeira evidência da origem religiosa do folguedo atual. Para compreendermos a segunda evidência da origem religiosa do Zambiapunga é necessário falarmos um pouco sobre os bantos e sua religiosidade. Os bantos,cujas línguas possuem uma origem e,por isso,o termo "Banto" delimita um grupo linguístico africano e não uma etnia,vivem em todo o território abaixo do equador. A data tradicional do Zambiapunga ir às ruas de Nilo Peçanha é a madrugada de 1º de novembro,dia de todos-os-santos e véspera de dia de finados.Nestes dois dias a população local volta sua atenção para a lembrança de seus mortos que são homenageados com flores ,velas e missas.Não existia momento mais propício do calendário católico para um cortejo que refletia uma religiosidade baseada na ancestralidade ir às ruas. Outra evidência do caráter religioso inicial do grupo é o significado do termo "Mpungu" de Nzambi-a-Mpungu. Segundo vocabulário por Aires Machado Filho e reproduzido por Nei Lopes,a palavra "Mpungu" é provavelmente sinônima de "defunto". Yeda Pessoa traduz,por sua vez,"nzambi" ampungu" como o grande espirito e "saami ampunga" como os grandes ancestrais. "Mpungu","ampungu" ou "anpumga" são palavras bantos que se refere aos mortos,aos antepassados,o que evidencia a relação da origem do Zambia APUNGA atual com a religiosidade Banto. Com o tempo o caráter religioso se perdeu e permaneceu uma bela manifestação da cultura popular. O Zambiapunga ficou inativo em Nilo Peçanha cerca de 20 anos(entre as décadas de 1960 e 1980) sendo revitalizado em 1982 pela professora Lili Camardelli e seus alunos do Ginásio de 1º Grau Adelaide Souza. Após essa revitalização o Zambiapunga nilopeçanhense tornou-se uma das maiores manifestações folclóricas do Estado da Bahia.Sua importância é refletida na participação do grupo em eventos internacionais(ECO 92 e PERCPAN); por ter sido capa de periódicos internacionais(New York Times) e por ter sido tema de diversos documentários e programas de TV("Brasil Legal " ,produzido pela Rede Globo e exibido em 01/07/1997; "Caretas e Zambiapunga", produzido pelo IRDEB; "Nilo Peçanha e o Zambiapunga," produzido pela TV Salvador e exibido em maio de 2001; " Na Carona ", produzido pela Rede Bahia e exibido em 2001,entre outros.
Por Alexandre Guimarães
MORRE CARMÉLIA ALVES,A RAINHA DO BAIÃO
A carioca Carmélia Alves era filha de nordestinos,ela cresceu ouvindo os ritmos do nordeste,e,nos anos 50,ganhou o titulo de Rainha do Baião,na Rádio Nacional,pela interpretação de músicas de compositores como Zé Dantas,Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga e gravações de instrumentistas como o acordeonista paraibano Sivuca,a que "descobriu" no Recife e levou ao Rio de Janeiro.Ela morreu aos 89 anos,no domingo,no Rio de Janeiro. Sua grande inspiração foi Carmem Miranda ,nos anos 40. Carmélia Alves foi eleita a melhor crooner do Rio,quando fazia shows no Copacabana Palace,o palco mais elegante da cidade maravilhosa. Foi nas rádios Nacional e Mayrink Veiga onde participou dos mais importantes programas de rádio,além de filmese gravou os conjuntos de Severino Araújo e Benedito Lacerda.A "corte do baião" era então formada por Luiz Gonzaga,o rei,ela e Claúdette Soares,a princesa. O baião Saviá na gaiola(Mário Vieira/Hervé Cordovil)lhe deu sucesso nacional,e os LPs que viriam(mais de 50,vários por ano) a consagraram como uma das intépretes mais populares do brasil na época.Mas ela também cantava marchas,polcas,chulas ,frevos e sambas.
Com o marido,o cantor Jimmy Lester,fez seguidas turnês internacionais. Eles foram casados por mais de 50 anos e não tiveram filhos. A morte de Jimmy,em 1998,fez Carmélia cair em depressão,mas nos anos 2000 ela estaria de volta com Carminha Mascarenhas,Ellen e Violeta Cavalcante no show Cantoras do Rádio - Estão voltando as flores.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
SEU DECA DO SÃO GONÇALO
José Ricardo dos Santos Neto,este é o nome do Seu Deca do São Gonçalo,nasceu no dia 15 de janeiro de 1952,na cidade de Água Branca,município do Sertão Alagoano. Mestre Deca,é mestre de dança de São Gonçalo desde a década de 60.Aprendeu com o Beato Pedro Batista(Padrinho Pedro) e a Beata Maria das Dores(Madrinha Dodó). Formou um grupo de Dança de São Gonçalo junto aos devotos da região,mantendo assim a tradição cultural da roda de São Gonçalo no município de Água Branca. O grupo de Seu Deca é composto por seis homens e 20 mulheres,e realizam a jornada completa da dança em 8 partes.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012

LENDA DO UIRAPURU
Conta a lenda amazônica que um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique. Como não poderia se aproximar dela,pediu a Tupã que o transformasse em um pássaro.
Tupã transformo - o em um pássaro vermelho telha,que à noite cantava para sia amada. Porém foi o cacique que notou seu canto. Ficou tão fascinado com o canto que o perseguiu para prendê-lo. O Uirapuru vôou para floresta e o cacique se perdeu.
À noite,o Uirapuru voltou e cantou para sua amada. Canta sempre,esperando que um dia descubra o seu encanto. É por isso que o Uirapuru é considerado um amuleto destinado a proporcionar felicidade nos negócios e no amor.
domingo, 4 de novembro de 2012
Ceguinhas de Campina Grande
"A PESSOA É PARA O QUE NASCE "
Esmolando por décadas vida a fora, pela agonia e alegria das feiras livres de pequenas cidades e arruados ,sobre o sol inclemente dos sertões,elas levaram sua música e sua arte mambembe aos também necessitados e pobres mortais do semi-árido nordestino. Elas não conhecem o alegre coloridos das feiras, limitações que as levaram a mergulhar num mundo de sonoridades, e assim enchergaram a arte que ajuda a sobreviver. São três vozes,três Marias e três canzás,num ritimado coco de embolar. Maria das Neves(Maroca),Maria Regina(poroca) e Maria Francisca da Conceição(Indaiá). Elas já nasceram cegas,em Campina Grande,na região da Chapada da Borborema, na Paraíba. A vida nunca foi fácil para elas. Para sobreviver,sua mãe fazia artesanato,seu Pai trabalhava como mão-de-obra temporária para os grandes proprietário de terras e as três muito cedo foram cantar nas feiras e portas de igrejas em troca de esmolas. Quando seu pai morreu,vitima do alcoolismo,o talento das cantoras cegas passou a ser a única fonte de renda da família. Houve um tempo em que as esmolas arrecadadas pelas três irmãs tinha que sustentar 14 pessoas,entre irmãos,sobrinhos ,a Mãe e o novo marido,que violentou uma das enteadas. Maria das Neves(Maroca), a única que casou,teve dois maridos e ficou viúva dos dois. O último deles foi assassinado a facadas. A filha de Maroca ficou em poder de uma tia distante que se recusava a devolvê-la. Quando o cineasta Carioca Roberto Berliner as conheceu, em 1997,elas viviam praticamente sós,numa casinha em Campina Grande e não cantavam. Elas nem tinham mais os seus ganzás,espécie de chocalho de metal hermético cheio de areia,instrumento que marca o ritmo de sua cantoria e que sem o qual elas não se sentem a vontade para cantar. Fascinado pelo trio,Berliner providenciou a compra de novos ganzás e as pôs de volta ao antigo oficio. Ele filmou as três cantando e contando sua história, o que foi exibido num pequeno programa de TV. Em 1998,ele transformou esse material num curta-metragem chamado " A pessoa é para o que Nasce," sentença que elas não se cansam de dizer. O filme ganhou diversos prêmios no Brasil e exterior,em festivais de curtas-metragens. Elas já haviam aparecido no "Programa Legal ",de Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães,mas a repercussão não tinha sido tão grande quanto a do curta. Através do filme, a música das três irmãs cegas chegou até os ouvidos de Gilberto Gil e Naná Vasconcelos,que as convidaram a se apresentar no festival de música PERCPLAN.Foi a primeira vez que elas receberam um cachê para cantar. Mais tarde, elas fariam a sua primeira turnê. Em 2004,depois de passar sete anos acompanhando as cantoras,filmando sua vida conforme os parcos recursos permitiam,Berliner concluiu um documentário de longa-metragem sobre elas. O filme,que também se chama " A pessoa é para o que nasce," levou as três irmãs a Brasilia,onde elas receberam a Ordem do Mérito Cultural. No 15° Cine Ceará,o filme ganhou o prêmio principal do festival.Em 2005,o longa fez uma bela carreira nos cinemas do país. E agora elas são respeitadas como artistas e seres humanos,com direito a aparição em novela global no horário nobre. A vida delas nunca mais foi a mesma,participaram do programa "Som da Rua" da TVE e de diversos festivais de cunho cultural pelo país.
William Veras de Queiroz -2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro-Pernambuco.
OBS -Matéria publicada no bLoG soL vERmeLHo em 31 de julho de 2010
sábado, 3 de novembro de 2012

CANGACEIRO JARARACA
Durante a desastrosa investida do bando de Virgulino Ferreira,Lampião ,em 13 de junho de 1927,a cidade de Mossoró,no estado do Rio Grande do Norte,a resistência potiguar orquestrada pelo prefeito Rodolfo Fernandes causou importantes baixas nos quadros do bando de Lampião.No combate cerrado o bando de Lampião perdeu dois dos seus destemidos homens,ouve o recuo do bando,os cangaceiros Colchete,que foi atingido por um tiro e veio a falecer e Jararaca atingido no peito e braço e foi capturado pela volante.Com a captura,assim teve início o calvário de José Leite dos Santos (Jararaca),que tinha 26 anos de idade. O cangaceiro penou por 4 dias na cadeia pública da Mossoró,ferido e sofrendo torturas,na noite de 18 de junho,foi levado para o cemitério. O seu algoz e a guarda que o conduziu,obrigaram o cangaceiro a cavar a própria sepultura,o soldado João Arcanjo o sangrou,mas a noticia que correu sertão afora é que Jararaca foi enterrado vivo.Alguns dizem que o cangaceiro morreu de sede,clamando por um copo de água. Mesmo tanto tempo depois de sua morte,seja pelos diferentes rumos que a história toma,seja pela religiosidade pura e simples de povo,Jararaca é venerado por milhares de pessoas no nordeste que acreditam que o cangaceiro é milagroso. Todos os anos no dia 2 de novembro,dia de finados o túmulo de Jararaca é, de longe o mais visitado da cidade. Apesar de mais pomposo e imponente,o túmulo do herói da resistência o ex prefeito Rodolfo Fernandes,pouco é lembrado pelo povo. Ainda hoje é possível ver as marcas de balas na torre da igreja e em outros prédios da cidade,deixando esse registro para a história,o que foi a resistência ao bando de Lampião,e a saga de José Leite dos Santos,Jararaca.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012

BEATA MOCINHA
"Minha Santa Beata Mocinha
Eu vim aqui,vim vê meu padim
Meu padim fez uma viagem,ôi
Deixou juazeiro sozim
Meu Padrim padre Cicero
Foi pro céu vendo o povo sem sorte
Pro senho foi pedir
Proteção pros romeiros do Norte "
Há controvérsia quanto à cidade de origem, de Joana Tertuliana de Jesus,mais conhecido por Beata Mocinha.
alguns dizem ter sido Quixadá outros Jaguaribe,ambos municípios do Ceará,no final do século XIX.
Após ser adotada por João Mota e sua esposa,conhecida por,Dona Professora(nome atribuído a ela por ter sido a primeira a montar uma escola,paga pelo governo,naquela região),foi conduzida a Juazeiro.Poucos após a doação,Dona Professora teria sido transferida a Quixadá.Tendo em vista a fragilidade da saúde da jovem Joana Tertuliana,que nos seus 11 anos vivia tossindo e sofrendo hemoptises,Dona Professora ressentia-se dos riscos que a viagem causaria a frágil saúde da jovem adotada. O casal submeteu o impasse ao parecer do Padre Cicero,que dirimiu a questão,sugerindo ao casal deixar a jovem sob seus cuidados.A índole conciliadora, da jovem Joana e seus dotes administrativo,a conduziria,em futuro próximo ao gerenciamento da casa de padre Cicero. Segundo o pároco Azarias Sobreira,durante decênios seria como um "...anjo de boa inspiração..." para o padre Cicero,em horas das mais aflitivas de sua existência.Era ela que conseguia que o padre tomasse os medicamentos prescritos pelo médico,convencê-lo a fazer as parcas refeições de cada dia,nos momentos críticos de sua saúde,era ela também,que impedia que a multidão,chegada de terras distantes e desejos de um contato com o padre Cicero entrasse de roldão casa adentro - eram homens e mulheres de todos o Nordeste.
Joana,com sua capacidade de coordenar, sua voz firme e poder de comando,foi providencial na organização da vida econômica e administrativa do lar de padre Cicero,assim como exímia zeladora de sua saúde.
O codinome Beata tem a ver com a realidade da época e da região.Nessa período não existia congregação Religiosa de mulheres,alguns padres,naquela região,conferiam mantos,véus e hábitos de monja e jovens que desejassem consagrar a Deus a sua virgindade. E a essas moças eram dadas a qualificação de Beatas,através de cerimônia pública e vestidura de hábito.A jovem Tertuliana de Jesus,ainda jovem,passou a fazer parte desse seleto grupo.
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