terça-feira, 14 de julho de 2015




Manoel D'Almeida Filho


Neste ano de 2015, tendo o dia 8 de junho passado como marco, celebram-se 20 anos de morte de Manoel D'Almeida Filho, o clássico poeta do cordel brasileiro. Sabemos que o filho da Paraíba, radicado em Sergipe, foi um poeta predestinado. Nascido na grota mais profunda, às margens da antiga Lagoa do Paó, hoje Alagoa Grande, viu e ouviu cantadores e poetas de cordel viventes no cinturão do Brejo Paraibano. Sabia ele da passagem por lá de Francisco das Chagas Batista, um dos pais do cordel brasileiro, na construção da estrada de ferro. Também sabia de todo o arsenal poético que o cercava no berço. Sabia, ainda, do polo poético existente na cidade de Guarabira, e de sua crescente importância em termos de impressão de cordéis. Esse aparato já seria suficiente para presenteá-lo com um céu mais lírico, um chão mais épico, uma escrita mais crítica.

Aqueles que hoje apregoam um cordel rústico, inocente, “puro”, não conhecem a obra de Manoel D’Almeida. Rigorosíssimo com a qualidade dos seus escritos, trabalhava diuturnamente na confecção, buscando a excelência, rebuscando o vernáculo, colecionando as rimas, urdindo as narrativas. Se não bastasse toda essa inquietação poético-pedagógica, pois ensinava aos neófitos os preâmbulos cordelísticos e não poupava a palavra mais dura àqueles já macetados que incorriam em atropelos do verso, da rima, da língua, do estilo e da vida, se não bastasse isso, era chegado a um desafio peculiar: escrever longas narrativas, sem perder-se em repetições, nem capengar na criatividade. Assim, escreveu "O Direito de Nascer", inspirado na radionovela do cubano Félix Caignet, já adaptada para o Brasil, na época.
"O Direito de Nascer" é, talvez, o maior romance, em termos quantitativos, do cordel brasileiro com aproximadamente 700 sextilhas. Quando a Prelúdio o lançou, abrangia 65 páginas, em colunas duplas de 5 e de 6 estrofes, fazendo 10 e 12 estrofes por página. Se alguns poetas de hoje, muitos não conseguem escrever 30 e se autodenominam “cordelistas”, chegassem a ler esse romance de Manoel D’Almeida, certamente mudariam sua visão sobre o cordel. A narrativa de ficção alcançaria nele um alto grau de tensão, flutuando entre a tragédia e o lirismo. Mas entenda-se que o desafio em escrever longas narrativas era uma inquietação da alma do poeta. Tanto que escreveria o mais extenso poema sobre a vida do Capitão Virgulino Ferreira da Silva: Os Cabras de Lampião. Esse também, muito conhecido, mas pouco lido pelos seus pares poetas atuais.
Os Cabras de Lampião foi um marco e uma marca. A forma épica, narrando as agruras do velho ícone do cangaço sertanejo transformou-se em desafio também para os leitores, obrigados que eram a retornar, sempre, na leitura para entender e esclarecer as minudências dos fatos históricos protagonizados por Lampião e seu bando. Almeida detinha a chave do cordel e a fechadura da poesia. Era o guardião da porta poética, lubrificando suas dobradiças com novos títulos, guardando os longos parafusos de sua tradição. Foi o carpinteiro mais minucioso, assim como Leandro, não temendo as armadilhas, mas, como já disse, desafiando-as. Foi assim que, certa vez, fã de cinema e de histórias de aventura, lembremos das velhas séries do cinema hollywoodiano, que adaptou para o cordel as aventuras de capa e espada do famoso Zorro, o herói vestido de capa e espada abalando a ordem e humilhando o Sargento Garcia em A Marca do Zorro.
Mas eis que resolve escrever em cordel a sua visão da novela Gabriela, Cravo e Canela, transmitida pela televisão em 1975, adaptada do romance homônimo de autoria de Jorge Amado. Como não poderia deixar de ser, aventura-se pela narrativa longa para apresentar seu filtro sobre a cidade de Ilhéus, seus personagens em conflito e suas mulheres exuberantes, oferecendo o calor de seus seios e a sedução de seus corpos no amor pago, entre as paredes do obsequioso Bataclã. Todos e tudo comandados pela mão de ferro e pelo ferro na mão do poderoso Coronel Ramiro. A história corre solta no estilo precioso do autor cujo narrador, a serviço da boa narrativa, aparteia o leitor sempre que quer mudar a cena observada ou os fatos apresentados.
Gabriela alcança picos de extrema beleza poética entre as quais queremos destacar a preparação e o anúncio da morte do Coronel Ramiro. O coração de Manoel D’Almeida ofereceu à sua razão um traço profundo de delicadeza, mesmo marcado pela objetividade, surpreendendo o leitor com seus manejos imagéticos:
Todos saindo, Ramiro
Pensou haver resolvido
A sua vida política
No que tinha decidido.
Subiu para a sua alcova,
Sentindo o dever cumprido.
Para dormir descansado,
Mandou abrir as janelas,
Suspendeu os cortinados
Que já não tocassem nelas
Para que, pela manhã,
O sol entrasse por elas.
Porque queria acordar
Debaixo do seu lençol,
Ao descobrir a cabeça
Ver o clarão do arrebol,
Sendo aquecido e beijado
Já pelos raios do sol.
Adormeceu como um justo,
Porém, enquanto dormia,
Alheio à sua vontade,
Muita coisa acontecia,
A sua missão findava
Nunca mais se acordaria.
Dessa forma, com o desejo de o sol acariciar-lhe a pele enrugada da face, a morte lhe abraça e o romance em cordel encaminha-se para o seu desfecho. O Coronel Ramiro vai para sua última viagem. E, logo mais, dois acrósticos fecharão o poema: um em "Jorgeamado" e o outro em "Almeida". O desafio foi vencido e mais um poema veio aumentar a já vasta obra do sempre bom Manoel D’Almeida Filho.
Mas não é só: o ano passado foi o ano do seu centenário. Nascido em Alagoa Grande em 13 de outubro de 1914, D’Almeida estrearia no cordel em 1936 com uma narrativa ligada ao maravilhoso: "A Moça Que Nasceu Pintada, Com Unhas de Ponta e Sobrancelhas Raspadas", publicado em João Pessoa, quando era operário na capital paraibana. Depois, em 1940, vai morar em Aracaju, onde se estabelece. Em 1955, conhece o editor Arlindo Pinto de Souza, dono da Editora Prelúdio, de São Paulo, e transforma-se no selecionador de textos de cordel para a editora. Fica no posto até 1995, exercendo o papel mais significativo do mundo do cordel, lançando clássicos e encontrando novos autores, trabalhando nos textos para corrigir-lhes algum percalço poético e dando vazão a sua vasta criatividade. A Paraíba precisa conhecer sua obra e render-lhe a merecida homenagem.
Aderaldo Luciano 

segunda-feira, 13 de julho de 2015



Oficina de Direção para Documentários está com inscrições abertas

Interessados na área de direção ‪#‎audiovisual‬ terão oportunidade de aprimorar conhecimentos no 8º Festival de Cinema de Triunfo, que acontece de 3 a 8 de agosto. Um oficina gratuita, ministrada pelo cineasta Marcelo Pedroso e promovida pelo Centro Audiovisual Norte-Nordeste (Canne/Fundaj), está com inscrições abertas.

domingo, 12 de julho de 2015



                  MARIA MARTHA

Nascida em São Paulo e criada em Campos do Jordão, filha de mãe pianista e compositora (conhecida no meio artístico como tia Mariinha), tinha também uma irmã atriz e poetisa chamada Bebel, sua parceira em algumas composições. Desde criança demonstrava os dons que a levaram a ser reconhecida por importantes nomes da nossa música como a grande cantora que é. Com 17 anos mudou-se com a família para Santo André em SP e logo estava representando a cidade em programas de televisão. Certa feita o compositor Geraldo Filme ao assistir uma apresentação sua se encantou com a sua forma de cantar e a levou até o produtor Walter Silva, o Pica-Pau.


Cantora de voz grave e dona de um dos mais belos timbres de nossa música, Maria Martha teve quatro músicas colocadas como temas de novelas de várias emissoras, sendo uma de sua autoria. Entre essas músicas destacamos "Flor Amorosa" e "Seresta", a primeira por ter sido sucesso nacional e a segunda por ter levado o nome de Maria Martha a virar placa na cidade de Conservatória, hoje nacionalmente conhecida como a Cidade da Seresta.

Seu primeiro disco teve arranjos do maestro Luiz Arruda Paes, e o segundo de César Camargo Mariano (que tocou em todas as faixas). Também gravou o álbum "Cantares Brasileiros" ao lado de Artur Moreira Lima, Rafael Rabelo, maestro Léo Peracchi e Orquestra.

Gravou Chico Buarque, Tom Jobim, Renato Teixeira, Edu Lobo, Ivan Lins, João Gilberto, Elton Medeiros, além de composições próprias vencedoras de vários festivais.

Fez diversas temporadas no Japão e ao voltar ao Brasil foi convidada por Ivan Lins para gravar a faixa "Barco Fantasma" no CD da novela "As Pupilas do Senhor Reitor".

Participou do Projeto Pixinguinha ao lado de Emílio Santiago, Altamiro Carrilho e Raul de Barros, com shows pelas capitais do Norte e Nordeste.

Se apresentou no Teatro Nacional de Brasília ao lado de Paulo Vanzolini e Adauto Santos. Também se apresentou em diversos shows de Eduardo Gudin, ao lado de Paulinho da Viola, Zélia Duncan, Hermeto Pascoal, Leila Pinheiro, Guinga e Chico César.

A convite de Paulo Vanzolini, gravou quatro faixas no álbum de quatro CDs que traz a obra completa do compositor, ao lado de Chico Buarque de Holanda, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Miúcha, Carlinhos Vergueiro, Inezita Barroso, Paulinho Nogueira, Eduardo Gudin, Marcia e Cristina Buarque.

Acaba de ser incluída no álbum duplo Lupicínio Rodrigues - 90 anos, ao lado de Paulinho da Viola, Arnaldo Antunes, Fagner, Fafá de Belém, Fábio Jr., Caubi Peixoto, Joana e outros. Interpretando a música "Esses Moços (Pobres Moços)".

Atualmente mora em Paraty e se apresenta na cidade. Sua mais recente apresentação foi em praça pública, com grande repercussão. Também fez o show de comemoração do aniversário da Rádio Nova Onda de Paraty.

Em janeiro de 2003 lançou seu CD "Simplesmente Maria Martha" no qual demonstra (com exceção óbvia de Chico Buarque) que existem grandes compositores completamente desconhecidos do público, criando lindas obras que merecem ser ouvidas. O CD se compõe de 14 músicas, tendo 13 arranjos do maestro Mario Campanha e um de Edmílson Capelupi. Traz as participações especiais das "Irmãs Galvão" e de Lula Barbosa (também compositor de três músicas). Podemos ouvir, também, uma obra raríssima com música de autor desconhecido e letra original do poeta Castro Alves (séc. XIX), músicas da própria Maria Martha, como a "Seresta", citada acima, "Cheiro de Terra Molhada" (lembranças da infância em Campos do Jordão, em homenagem à irmã Bebel), "Canta Bem-Te-Vi" que define o que pensa um cantor amante de sua arte. A música "Lola" de Chico Buarque sempre foi um sonho de gravação para a cantora. Maria Martha divulgou durante anos a beleza do Chico e só agora conseguiu registrar num CD sua interpretação belíssima, cheia de emoção.


sábado, 11 de julho de 2015

Dominguinhos encontra vaqueiros, em O milagre de Sta Luzia - JÁ NOS CINEMAS






                            FENEARTE

 
Nesta sexta-feira (10), a 16ª edição da Fenearte  recebeu no mezanino infantil, as 17h, o Mamulengo Riso do Povo. A partir das 18h, os cantadores Carlos Alberto e Damião Enésio, e a Banda de Pífano Zé do Estado, se apresentou no palco cultural do evento.

sexta-feira, 10 de julho de 2015


Mestre Pancho: a história do"marujo" que mantém vivo o fandango no Pontal

Ele herdou do pai, o saudoso mestre Isaldino, o amor à tradição e em 2012 foi reconhecido como Patrimônio Vivo do estado.

Bárbara Pacheco

Reconhecido como Patrimônio Vivo de Alagoas em 2012, Ronaldo da Costa representa a quarta geração a comandar o Fandango do Pontal da Barra, folguedo de origem portuguesa existente na localidade desde 1930. Mestre Pancho,como é conhecido,herdou do pai, o saudoso Mestre Isaldino, o amor pela tradição e a vontade de preservar a cultura popular. A quarta reportagem da Série Mestre do saber mostra a história desse “marujo” que mantém vivo o Fandango no bairro.

No grupo conduzido por Pancho, formado por 37 pessoas, figuram personagens que fazem alusão à Marinha, com trajes específicos e indumentárias que remetem as tripulações de antigos navios de guerra. Os participantes entoam peças cantadas que narram a trajetória, repleta de aventuras, de uma nau perdida no mar.


“O Fandango alagoano que vive aqui no Pontal tem uma identidade própria, chegou de um jeito e logo foi se adaptando ao local, à cultura e ao povo”, explicou o mestre, que participou do folguedo pela primeira vez aos 13 anos como marujo.

Há quatro décadas,desde quando assumiu o comando do grupo a pedido dos moradores da regiao Mestre Pancho incluiu as mulheres no Fandango, antes com restrito aos homens. “Foi comigo que as mulheres começaram a participar da brincadeira. Não tinha sentido deixar elas de fora já que também podem entrar na Marinha”, justificou o mestre.

A consciência de que a ‘brincadeira’ faz parte das tradições da cultura popular alagoana e corresponde às raízes de identidade do Pontal, segundo Ronaldo, veio junto aos ensinamentos do pai e, hoje, refletem nos filhos e netos. A família está sempre presente no mundo do folguedo,todos sabem as canções e participam de tudo o que o envolve, como as apresentações, ensaios e fardamento.


Aposentado e com uma renda extra que vem da pesca e da bolsa vitalícia que recebe como estímulo pela atividade cultural.Mestre Pancho considera o Registro de Patrimônio Vivo “uma conquista para o estado. É importante  reconhecer as suas origens, os folguedos e o seu povo”.

                                                                                   Fenearte
 
A 16ª edição do evento seguiu nesta quinta-feira (9),com apresentacao de folguedos populares,as apresentacoes teve inicio as 16h, com a itinerância do grupo de Caboclinhos da Tribo Indígena Tapirapé, abrindo com a Banda de Pífano Princesa do Agreste a programação cultural do evento. Já a noite, a partir das 18h, esteve se apresentando os cantadores Aldaci de França e Severino Pereira, além do músico Severino dos 8 Baixos. O evento esta acontecendo no Centro de Convencoes de Pernambuco,no Complexo de Salgadinho,Olinda.

quinta-feira, 9 de julho de 2015



                          FENEARTE


 O Reisado do Mestre Gonzaga, originado em Garanhuns, foi uma das tantas atrações culturais desta quarta (8), na 16ª edição da Fenearte. Além do grupo, esteve se apresentando a Banda de Pífano Alvorada e os cantadores Raullino Silva e Afonso Pequeno. As apresentações começaram às 15h. No Centro de Convensoes de Pernambuco,no Complexo de Salgadinho,Olinda.

quarta-feira, 8 de julho de 2015


Sargento De Luz, o matador do cangaceiroJurity 

Rubens Antonio
A localização de imagens relacionadas ao Cangaço é relativamente fácil. Mais difícil é a disposição de imagens em qualidade melhor, incluindo-se nitidez e resolução. O caminho é ainda mais pedregoso quando buscamos uma fotografia que mostre uma personagem determinada.

Uma delas é a do sargento De Luz.

Conforme Alcino Alves Costa, seu verdadeiro nome era Amâncio Ferreira da Silva, um pernambucano, nascido em 1905, que, passando ao Estado de Sergipe, acabou, neste Estado, integrando a sua polícia. Seu maior feito lembrado relaciona-o ao cangaceiro Jurity.

Jurity, em tempo de Cangaço
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Pós-Cangaço, já como o cidadão Manoel Pereira de Azevedo.
(imagem obtida por Rubens Antonio em suas pesquisas nos arquivos baianos)
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Localizando-o, o sargento De Luz, ironizou.
"- Não sabia que era tão fácil pegar um jurity!"

Apesar da exibição de documentação comprovando ser uma pessoa quite com a Justiça, valendo-se do mesmo estar desarmado, enquanto estava acompanhado de praças armados, não só lhe deu ordem de prisão. Em um dos atos mais covardes, em tempos já pós-cangaço, foi conduzido a lugar ermo onde executou-o, atirando-o vivo em uma fogueira.
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A única imagem, até agora, reconhecida, era aquela obtida por Alcino Alves Costa:


Porém a reobservação e reestudo de material disponível pode conduzir a revelações. A foto abaixo, publicada no "A Noite Ilustrada" de 08 de novembro de 1938, mostra a entrega do subgrupo comandando pelo cangaceiro Pancada.
                                     Em sua legenda uma identificação reveladora.

Eis, enfim, uma imagem em melhor qualidade e menos alegórica do temível Sgtº De Luz, uniformizado e aparatado, em um evento relacionado ao fim do Cangaço.
Conforme Alcino Alves Costa, De Luz foi executado em uma tocaia encomendada por seu sogro, em 1952.

Pescado no essencial  Cangaço na Bahia

terça-feira, 7 de julho de 2015


                              FENEARTE
                         
Um dos destaques nesta terça-feira (7), durante a programação cultural da 16ª Fenearte, será a apresentação do Maracatu de Baque Solto Pavão Dourado de Tracunhaém (foto). Além dele, o público terá a itinerância do Bloco Lírico Damas e Valestes de Olinda e o Cavalo Marinho Estrela Brilhante de Condado. As apresentações começam às 15h!



 Zé Manoel e Jomard Muniz de Britto juntos no ExcentriCidades

Quando poesia e música se encontram... o piano de Zé Manoel e os atentados poéticos de Jomard Muniz de Britto afinam suas poéticas na edição desta quarta (8) do ExcentriCidades . O projeto do Coletivo Sexto Andar vai unir dois importantes nomes da cena artística pernambucana, num encontro inédito. Também participam da noite a Jacaré Vídeo, que realizará um vídeo mapping nas paredes do Edf. Pernambuco, e o DJ INCIDENTAL. Será às 19h. Os ingressos começam a ser vendidos a partir das 14h de hoje.


                               José Bezerra

José Bezerra nasceu na cidade de Buíque, interior de Pernambuco, em 1952. Filho de agricultor, quando mais jovem foi lavrador, trabalhador braçal e carreiro, além de ter trabalhado em várias outras atividades. Há um pouco mais de uma década, José Bezerra teve um sonho em que era chamado a realizar os trabalhos que faz atualmente. A partir desse sonho ele passou a olhar as madeiras que o cercavam e a intervir nelas. Essa “intervenção” na madeira feita José Bezerra não ocorre na forma tradicional. Ele procura ver uma figura que já se insinua no lenho – em geral, umburana, seu tronco, galhos e raízes – e trazê-la à tona com a intervenção rude de um facão, grosa, formão e serrote.
Sua técnica confere a suas esculturas uma intensidade incomum. José Bezerra trabalha em geral com toras retorcidas, típicas da vegetação do lugar, como é o caso da umburana. Esse aspecto irregular, unido aos poucos talhos que as conformam, produz um resultado notável. A definição oscilante das figuras se une à tortuosidade da madeira, e essa relação faz com que percebamos formas que parecem lutar para emergir, em meio ao embate entre a matéria vegetal e a intervenção escultórica rude e parcimoniosa. Vem daí a expressividade singular de suas obras, que parece não derivar do conflito entre as paixões individuais e a avareza do mundo, como é corrente, e sim de uma realidade que, cindida e conturbada, revela um conflito interno que retarda sua definição e aparecimento.


Os bichos compõem uma parte considerável das figuras esculpidas pelo artista. São animais domésticos ou bichos da região, todos familiares a José Bezerra: cachorros, tatus, socós, tamanduás, bichos-preguiça. Suas escolhas se afastam dos animais imponentes ou carregados de simbolismo, como tigres, águias ou serpentes. No entanto, esses temas simples conduzem a soluções inesperadas, pois praticamente transfiguram a idéia corrente que temos deles.

 Na abundância de sua produção artística José Bezerra criou várias séries, ou famílias, de esculturas, como fez também Vitalino no Alto do Moura de Caruaru ao “inventar” a sociologia do agreste, temas figurativos herdados pela comunidade de oleiros que lá existe até hoje.


Fragmentos retirados do texto de Rodrigo Naves e de Raul Córdula. Catálogo da exposição José Bezerra – Esculturas, Galeria Estação, São Paulo, SP, 2009.










segunda-feira, 6 de julho de 2015



CulturaLivreNasFeiras‬ | Reuniões públicas

#‎Petrolina‬ recebe nesta segunda-feira (6), a partir das 19h30, na Biblioteca Municipal Cid Carvalho, o encontro do projeto que visa apresentar para gestores municipais, artistas e grupos culturais, o procedimento necessário à participação nesta iniciativa da Secult-PE e Fundarpe. Na terça-feira, ‪#‎Tracunhaém‬ também estará recebendo o ciclo de reuniões.

                           Fenearte
 
Abrindo a programação cultural do evento, nesta segunda-feira (6) o público que estiver no Centro de Convenções de Pernambuco,Complexo de Salgadinho,Olinda,terá a partir das 15h, a itinerância do Bloco Lírico Cordas e Retalhos! 
No decorrer da tarde, também irão se apresentar os cantadores Tindera e Daniel Olímpio, e o coquista Zeca do Rolete