sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Elias Vitalino

Elias Rodrigues dos Santos (Elias Vitalino) é um dos artesãos da nova geração de artistas populares do Alto do Moura em Caruaru, Pernambuco. Elias é neto do Mestre Vitalino e desde pequeno descobriu sua intimidade com o barro, o que o mantém até hoje no caminho traçado pelo seu avô na arte figurativa popular.
 Elias Vitalino. FOTO: Francisco Moreira da Costa.
 Elias Vitalino, Banda de pífanos, cerâmica, coleçao pessoal


 Elias Vitalino, Cangaceiro, cerâmica. Acervo Museu de Arte Popular do Recife. Foto autoria desconhecida


Elias Vitalino, Vaquejada, cerâmica. Acervo Museu de Arte Popular do Recife. Foto autoria desconhecida

As obras de Elias retratam personagens ou cenas comuns do interior do Nordeste, assim como fazia seu avô e como fazem muitos dos artesãos que vivem no Alto do Moura, são bois, cavalos, cangaceiros, banda de pífano, trio de forrozeiros, cenas cotidianas, etc. Entretanto, sua obra apresenta um estilo próprio e bastante característico. São peças normalmente pequenas, com personagens que não passam dos 10 cm de altura e feitas com grande capricho.
Contato com Elias Vitalino:
Rua Mestre Vitalino, sn, Alto do Moura.
55040-010, Caruaru-PE
Tel: (81) 3725-0805

  Elias Vitalino, Trio de forró, cerâmica, coleçao pessoal


 Elias Vitalino, Lampiao, cerâmica. Acervo Museu de Arte Popular do Recife. Foto autoria desconhecida

Elias Vitalino, Noivos a cavalo, coleçao pessoal

  Elias Vitalino, Casa de farinha, cerâmica, coleçao pessoal


Elias Vitalino, Vendendor de lenha, cerâmica. Acervo Museu de Arte Popular do Recife. Foto autoria desconhecida

  Elias Vitalino, Homem a cavalo, cerâmica, coleçao pessoal

 Elias Vitalino, Engenho de cana de açucar, cerâmica, coleçao pessoal


 Elias Vitalino, Família de retirantes, cerâmica, coleçao pessoal


  Elias Vitalino, Vaqueiro, cerâmica, coleçao pessoal


  Elias Vitalino, Mulher cozinhando, cerâmica, coleçao pessoal


 Elias Vitalino, Vaqueiro, cerâmica. Acervo Museu de Arte Popular do Recife. Foto autoria desconhecida

Fonte: Arte Popular do Brasil

quinta-feira, 5 de outubro de 2017




P oeta de cordel Antônio Ferreira da Cruz 

Ele nasceu na cidade de Ingá (PB), em 1876. Foi operário e contramestre de tecelagem numa fábrica de tecidos até os anos 30, quando se tornou cantador e poeta.
Há pouca bibliografia sobre esse cantador, visto não ser, naquela época, comum a feitura desses registros. O que se tem são informações transmitidas oralmente por outros poetas e também por pesquisadores interessados. Algumas de suas obras foram catalogadas sem a referência de autor, diante do fato de ter, muitas vezes, assinado com Antonio F. da Cruz ou simplesmente Antonio Cruz.
Usou o acróstico ANTONIOFERREIRA, o que gerou ainda mais controvérsias sobre a autoria de seus folhetos. Inspirou vários outros poetas que compuseram, de memória, muitas cantorias, desafios e pelejas envolvendo suas apresentações. A mais conhecida, composta pelo poeta João Ferreira de Lima - Discussão de dois poetas, Antônio da Cruz com Cajarana.
É constantemente citado em vários folhetos como um dos maiores cantadores de sua época. Autor de inúmeros folhetos, composto de 8, 12, 16, 24 e 32 páginas, setissilábicas. Entretanto, destacou-se como glosador em décassílabos, na modalidade de martelo agalopado e mourão de oito pés dentre outras.
Também abordou temas e personalidades religiosas como Frei Damião em A grande profecia de Frei Damião ao povo brasileiro; e dentre as pelejas encontramos Peleja de Antonio F. da Cruz com Manoel dos Santose Peleja de Antonio F. da Cruz com Manoel Barauna Neto. Sua verve de poeta não deixou de fora os grandes romances, como Nequinho e Adelina ou a marreca encantada.
O poeta Manoel Camilo dos Santos, no folheto Os dois amantes no cárcere, de 1954, fez, em sua última página, uma advertência intitulada A um mentiroso, em que cita o nome de Antonio da Cruz, dentre outros que tiveram sua autoria usurpada.

Por Maria Rosário Pinto

quarta-feira, 4 de outubro de 2017



Lenda da Besta-Fera

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Conta a lenda da Besta-Fera, que o demônio pra poder se locomover mais rápido aqui no plano terreno trocou seu corpo de bípede por um quadrúpede, podendo desta maneira se locomover de cemitérios em cemitérios rapidamente, afim de colher as almas dos espíritos que vão para o limbo. Sua forma lembra um centauro da mitologia grega, mas sua fisionomia é infinitamente mais assustadora.
A Besta-Fera procura sempre caminhos rurais para se locomover, atravessa as noites escuras em velozes galopes, provocando alvoroço na cachorrada que encontra pelo caminho. Há narrativas que contam que quando alguém o encontra e vê o seu rosto, enlouquece por semanas.
A Besta-Fera percorre todo o nordeste do Brasil em seu eterno destino de colhedor de almas penadas de cemitérios.

terça-feira, 3 de outubro de 2017


Nota de pesar – Dona Lindaura, do Boi Tira-Teima

Matriarca do Boi Tira-Teima faleceu no último sábado (30), aos 81 anos.


No último sábado (30), Pernambuco perdeu um dos mais importantes símbolos da resistência e da cultura popular do estado. Aos 81 anos, faleceu Dona Lindaura, matriarca do mais antigo boi de Caruaru, o Boi Tira-Teima, que este ano completa 95 anos de fundação.
Viúva do Mestre Gercino, Dona Lindaura também presidia a Associação dos Moradores do bairro Rendeiras e, junto ao filho Roberto Gersino, seguia na luta pela continuação da tradição dos boizinhos do Agreste pernambucano. Uma missão de preservação que também deve ser de todos os pernambucanos.
Viva a memória de Dona Lindaura! Salve o Boi Tira-Teima de Caruaru!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017


Irmã do cangaceiro Jararaca vive em Sertânia, Pernambuco 


Irmã do célebre cangaceiro Jararaca , do bando de Lampião, Quitéria Sá, ou Quitéria Zuza como é mais conhecida no Povoado Moderna, município de Sertânia, Sertão do Moxotó completou cem anos de idade no dia 27 de Outubro. Na celebração do seu centenário de existência houve uma grande festa no Povoado, com música, poesia , entrevistas, conversas, além de muita comida e bebida, é claro.




Antônio Amaral , Cantor e compositor sertaniense, acompanhado da Banda Acordes fez um show de Música e poesia, com participação especial do Poeta Josessandro Andrade. Antônio trouxe músicas como “Cangaceiro”, vencedora do Festival de Música de Afogados da Ingazeira, No final dos anos 1980, na voz de Chico Arruda , acompanhado do Sexteto Tamba, cujo versos musicais certamente lembrarão à aniversariante o seu irmão famoso: 

“ Não tenho a conta dos perigos que passei/Não faço média das vezes que já morri/ um cangaceiro mouro e bárbaro sem lei/ nos altiplanos condoreiros do Sertão/ A cor do sangue é a cor do guerrilheiro/ corpo ligeiro, olhar de corvo fatal/ Bandoleiro de batalhas nas volantes/ aço malhado ,estilhaços de um tiro/ se refez retiro no silêncio da prisão/ (...) Corisco doido, Jararaca Aluvião..”. 





Dona Quitéria Santana é filha de Manuel Leite de Santana, (Mané Zuza) e Maria Luiza de Santana, pais adotivos de Jararaca, que o criaram , Já que o mesmo era filho de um irmão de Mané Zuza. Lúcida, forte, Dona Quite´ria é descrita pelos familares, amigos e conhecidos no povoado pertencente ao Município de Sertânia como uma pessoa espirituosa, bem-humorada.

“Ela Ainda dança e bebe. Aliás sempre bebeu, mas tem uma saúde de ferro”, atesta o Agrônomo Cicero Paulo Sampaio, sobrinho-neto de Quitéria Zuza. “As farras que participei nas festas com ela eram atrativas não pela bebida, mas pela inteligência e sabedoria de Tia Quitéria ”, garante Sampaio.
Há outra irmã do cangaceiro Jararaca, Germana Sá, com cerca de 80 anos. Ela e Quitéria Zuza são as que ainda restam vivas. Haviam ainda José de Sá , Tatái, falecido em 1997 e Félix Sá, que se foi há alguns anos, ambos na casa dos 90 anos, sendo que o último faleceu em um acidente de moto. Todos eles iam anualmente no dia de finados, 02 de novembro, em caravana com outros parentes visitar o túmulo do Irmão em Mosoró-RN. Os irmãos daquele que foi um dos cabras mais valentes do bando de Lampião mantém este costume até hoje.





Além da família, a localidade faz questão de manter o vínculo com o histórico filho do lugar. No Parque aquático Oásis Nordestino, entre suas piscinas há uma estátua do famoso cangaceiro, que jorra água, espécie de bica criativa e o lugar já é ponto turístico da região.

De acordo com O Professor João Lúcio, Secretário de Cultura e Juventude do Município de Sertânia, Jararaca é filho natural da Moderna, povoado pertencente ao município sertaniense, mas foi registrado em Buíque, pelo fato de ser mais próximo o cartório daquela localidade. Mas a vida de Jararaca foi em solo sertaniense, a sua casa ainda está lá, conservada. “Temos todo interesse que o Município de Sertânia estreite esta relação com a Memória de Moderna e a trajetória de Jararaca. Todo isto é História”, afirma João.

Segundo ele está sendo mantido entendimento com o agrônomo Cicero Paulo Sampaio, que é Secretário de Agricultura do município para estudar a possibilidade de instalação de um ponto de memória, na Casa de Jararaca, um espécie de Museu do cangaceiro e suas origens, que se confundem com as raízes de Moderna. Cícero Paulo é proprietário do espólio de Jararaca, casa e terra. Cicero Paulo, que é um entusiasta do turismo rural, acrescenta que já estiveram no local, pesquisadores do Rio Grande do Norte, que fotografaram a casa, filmaram o local e entrevistaram dona Quitéria Sá e outros parentes.

                                                          Cangaceiro Jararaca
Créditos para Danilo David Carvalho

Teatro de Santa Isabel recebe ‘O Contrato de Casamento’, primeira ópera do ano

Realizada pelo Governo de Pernambuco, através da Secult-PE e Fundarpe, em parceria com a UFPE, apresentação será na próxima terça-feira (3), às 20h


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Espetáculo será encenado por integrantes da Academia de Ópera e Repertório da UFPE, sob a direção artística e regência do maestro Wendell Kettle
O Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura e da Fundarpe, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), leva ao Teatro de Santa Isabel, na próxima terça (3/10), a ópera O Contrato de Casamento, do italiano Gioacchino Rossini. Baseado na comédia de Camillo Federici, o espetáculo será encenado por integrantes da Academia de Ópera e Repertório da UFPE, sob a direção artística e regência do maestro Wendell Kettle. A apresentação, a primeira ópera realizada no Santa Isabel este ano, terá início às 20h. Já os ingressos poderão ser retirados uma hora antes da apresentação, às 19h, na bilheteria do teatro.
Numa parceria com o projeto Outras Palavras, uma iniciativa da Secult-PE e Fundarpe, haverá ainda uma sessão especial voltada exclusivamente para professores e estudantes da rede pública de ensino de Pernambuco, marcada para começar às 16h. Ao todo, seis escolas da Região Metropolitana do Recife foram convidadas para assistir ao espetáculo.
O Contrato de Casamento foi a primeira ópera de Rossini, feita quando o compositor tinha apenas 18 anos. A peça estreou no dia 3 de novembro de 1810, em Veneza, e até hoje é muito encenada no mundo inteiro. São seis personagens principais, com os cantores se revezando entre caras e vozes, durante 50 minutos de espetáculo.“Escolhemos essa ópera porque ela é muito boa para se trabalhar a questão da formação de púbico, por ser uma história leve. A gente queria uma produção que servisse tanto para atender à demanda educacional do Outras Palavras, como a retomada da tradição operista no Recife. Para o público que nunca foi a uma ópera, será um ótimo exercício de familiarização”, explica o regente Wendell Kettle. Quem assina a direção cênica da apresentação é Rose Mary Martins, professora do Departamento de Teoria do Teatro CAC/UFPE.
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“A gente queria uma produção que servisse tanto para atender à demanda educacional do Outras Palavras, como a retomada da tradição operista no Recife”, explica o regente Wendell Kettle sobre a escolha da ópera
Na trama, encenada em 16 cenas, o negociante canadense Slook viaja até a Inglaterra para conhecer a futura esposa, encomendada para Tobias Milque por meio de uma carta e uma nota promissória. As confusões começam quando os criados de Tobias Milque contam a sua filha Fanny que ela será oferecida como esposa. Só que a jovem está apaixonada por Edward Milford. O casal resolve ameaçar Slook para desistir da negociação.
A iniciativa tem o objetivo de apresentar uma montagem que una todas as artes de origens populares, contrariando a ideia de que ópera é voltada apenas para uma determinada classe social. Neste sentido, Márcia Souto, presidente da Fundarpe, destaca a realização da primeira ópera no Santa Isabel este ano. “A chegada de uma ópera gratuita a este equipamento cultural é uma oportunidade imperdível de aplaudirmos nossos artistas e vivenciarmos nossa cultura em um espaço que é patrimônio de Pernambuco e que precisa ser cada vez mais conhecido e prestigiado por todos”.
Para Marcelino Granja, secretário de Cultura, “é motivo de alegria garantir mais um momento de fruição através da ópera para também fortalecermos o sentimento de orgulho e multiculturalidade nacional, quando prevalecem ameaças à soberania e à democracia brasileiras e, ao mesmo tempo, apresentar ao público pernambucano o talento de instrumentistas e cantores da UFPE, que revigoram a cena musical do estado”.
Serviço
Ópera “O Contrato de Casamento”, de Gioacchino Rossini, com a Sinfonieta e Coro de Solistas da Academia de Ópera e Repertório da UFPE, sob a regência do Maestro Wendell Kettle
Terça-feira, 3 de outubro | 20h
(sessão extra às 16h para estudantes da rede pública de ensino)
Teatro de Santa Isabel (Praça da República S/N | Santo Antônio)
Gratuito | Distribuição de ingressos a partir das 19h
Academia de Ópera e Repertório da UFPE:
Fanny: Natália Duarte e Kellyta Martins (sopranos)
Slook: Anderson Rodrigues (barítono)
Tobia Mill: Rodrigo Cruz (baixo-barítono)
Edoardo Milfort: Elias Marques e Lucas Melo (tenores)
Clarina: Mariane Mariz (soprano)
Norton: Fernando Almeida (baixo)
Sinfonieta UFPE:
Wendell Kettle: Direção geral e regência
Rose Mary Martins: Direção cênica

domingo, 1 de outubro de 2017

Túlio Borges - Coco do Pé de Manga

                       


TÚLIO BORGES

Natural de Brasília, pianista por formação, Túlio Borges compõe desde a adolescência. Em 2010, é premiado em diversos festivais nacionais e lança seu primeiro disco . O álbum Eu venho vagando no ar apresenta canções autorais e rende elogios de grande parte da crítica nacional, como Tárik de Souza e Zuza Homem de Mello, além do prêmio de melhor cantor independente pela Rádio Cultura de São Paulo e a nominação de um dos 50 melhores discos do ano pela Revista Manuscrita

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Em 2014 grava seu segundo álbum, Batente de Pau de Casarão. Dedicado à cidade pernambucana de São José do Egito, conhecida com capital da poesia, o disco é repleto de parcerias com poetas nordestinos, como Climério Ferreira (PI), Jessier Quirino (PB), Afonso Gadelha (PB) e José Chagas (MA).O trabalho é escolhido como um dos 3 melhores discos brasileiro do ano,pelo site " Melhores da Música  Brasileira.



Produtor musical em diversos projetos,Túlio Lança em 2017 o seu 3º álbum,"
Cutuca meu peito incutucável",exclusivamente sobre a paixão. Ainda em 2017,entra em estúdio com seu mais novo projeto "O Maior beliscão de alicate",arranjado com inequivocas influências  da música eletrônica,do rock aleternativo e do jazz.
O tradutor brasiliense Túlio Borges cultua a musa como no tempo da delicadeza. “Nunca quis trabalhar com música com medo de perder o prazer de tocar”, confessa ele, que estréia, aos 29 anos, no belo e multifacetado disco “Eu venho vagando no ar”, após um longo namoro com a arte. Estudou piano na Escola de Música de Brasília, gravou jingles, integrou uma jazz band e um grupo vocal escolar quando morou nos EUA, onde excursionou e ganhou festivais. Embora compusesse desde a infância, só aos 23 anos, morando em Londres, começou a compilar a obra (tinha quase 40 canções) que gravaria na volta ao Brasil. Aqui, passou a participar de festivais e, dentre outros prêmios, ficou em primeiro lugar no Sesc de Brasília e em segundo na Semana da Canção Brasileira, em SP. Com seu primeiro CD, foi escolhido pela Rádio Cultura de São Paulo, o melhor cantor de 2010, entre as produções independentes.

Em um destes festivais conheceu a cantora carioca Vytória Rudan com quem passou a dividir o palco. No disco, ela é sua parceira tanto no sedutor samba “Paraty” (“Ela tem algo mais/ coisa que nada no mundo faz/ trazer paz pra um coração”), cevado por cuíca, tamborim e violão, quanto no fado/tango “Zorro” (“Eu quero amar você e vou/ mas tenho que aprender quem sou/ achar dentro de mim o mapa”), onde a dupla contracena no vocal de forma intensa.
Quem também divide o microfone com Túlio é D. Inácia, que o criou e trabalha com a família há 35 anos. “É na vida talvez quem mais tenha me influenciado”, analisa. “Era ela quem trazia o negro e o popular, o nordeste e as histórias para dentro de casa”, conta. Ela abre o disco com Túlio em “Pontos”, de domínio público; “músicas que eu a pegava cantando enquanto trabalhava, canções que ela nem sabia que sabia de cor, tão doces e melodiosas”.

A piauiense D. Inácia Maria da Conceição sola no último dos pontos. “A idéia era gravá-los com acompanhamento que os valorizassem e que a gravação fosse um agradecimento em vida pela força que Dona Inácia me dá, tão simplesmente com um abraço e um beijo que limpam a alma de tão sinceros e puros”, define o solista.
“Eu venho vagando no ar” (título tirado de um dos pontos) aposta nesta pureza depurada pela urbanidade do talentoso Túlio. Como no abaionado “Trem”, aberto por uma percussão que imita este meio de transporte, e tem um trecho de voz projetada, versado como nas cantorias (“o fogão dos meus desejos fala/ é tão linda que a lindeza estala”). Do regional, Túlio salta ao universal na “jazzy” “Shirley”, profusão de imagens sensuais pontuadas pelo próprio violão do cantor e a guitarra de Genil Castro. Deste clima, ele salta para a não menos envolvente “Birosca”, um samba de cuíca, cavaco, clarineta, violões e o piano de Leandro Braga. “Não pode essa princesa/ da sandália e dos pés lindos demais/ da blusa tomara que caia/ repare o tamanho da saia/ e o estrago que ela faz”.


O samba, a urbanidade e o misticismo são as coisas nossas de “Altar”, pontilhada de imagens fluídas (“Tantos morros e só um Redentor”) e duetada com o compositor fluminense Fred Martins. “Há muito choro em mim/ por mil razões que eu sei/ e mais dez mil que herdei” soma “Toca aí”, etérea, no vocal sensível de Túlio, cerzida pelos violões de Rafael dos Anjos. Já a canção “Sua”, pavimentada pelas teclas do próprio autor em diálogo com as digressões do acordeon de Toninho Ferragutti, está entre as mais arrebatadoras do disco. A teia de palavras de “Cicatriz” (“que saudade me dói, devora/ as lembranças do outono outrora”) atada pelo piano de Leandro Braga, sublinha a comunhão do cantor/autor com sua arte (“as lembranças enramam raízes/ por toda parte”).


O insinuante choro “Oi/ Rio demais”, onde dialogam inesperadas trompa (Yuri Zuvanov) e clarineta (Ademir Junior) com o pandeiro de Amoy Ribas (o mesmo que alicerçou a percussão dos iniciais “Pontos”), prepara o impacto devastador da faixa título, que finaliza o disco. Prefaciada por um pífano suspenso, a letra brilha como uma jóia reluzente, um manifesto deste novo artista singular.
  

Batente de Pau de Casarão (2015) - Túlio Borges (CD completo / Full album)