terça-feira, 23 de dezembro de 2025
O CANGAÇO NAS ALAGOAS
OS QUATROS DE MATTA GRANDE
Por Jaozin Jaaozinn
Nos anos de 1935, a campanha contra o banditismo fervilhava por todos os sertões. Não só contra eles, mas também contra aqueles que mais lhe apoiavam: os coiteiros. Em Alagoas, na fazenda Aroeirinha, das imediações da cidade de Mata Grande/AL, vivia Félix Alves Rocha, coiteiro de cangaceiros. Por sinal, era o senhor o qual Lampião tinha mais apreço nas redondezas, tanto pela lealdade quanto pela amizade que este tinha com seus “meninos”. Mas esta fama ia longe e, como um pássaro, notícias de seus trabalhos para bandidos voou até aos ouvidos do tenente José Joaquim Grande, onde deu o ultimato para o fazendeiro.
Se não entregasse e cooperasse para a apreensão ou morte dos cangaceiros, seria ele quem arcaria com as consequências. Quem também sofria com esta angústia era o coiteiro Antônio Manoel Filho, conhecido Antônio de Amélia, do sítio Promissão, em que recebeu a mesma mensagem pelo dito militar. Afirmavam que Antônio se juntava com os cangaceiros e saía com eles para fazer estripulias, porém, em depoimento dele para a revista Região (1980) e ao Diário de Pernambuco (1935), disse que penetrou no bando entre os dias 16 e 17 de setembro, junto com o primo Sebastião Alves e o amigo Antônio Tiago — falaram que liquidaram um soldado para que os cangaceiros os aceitassem —, para vingar o compadre Antônio Mizael, sangrado por Corisco, e outras desavenças. Nessa tramoia, antes mesmo de entrar no grupo, combinou com Félix e seus filhos (Sebastião, João, Benedicto, e José Alves, o Zeca) e seus sobrinhos (Alfredo e José Alves da Silva, o Zuza) que iriam dar cabo dos bandidos, livrando, assim, dos crimes de “acoitagem”.
No dia 18 de setembro, Virgolino deu os afazeres para os sub-grupos e outros pequenos bandos. O bandoleiro Suspeita foi incumbido de pegar algumas encomendas que estavam na fazenda Aroeirinha, de Félix, e depois matar os homens de nome Alfredo Curim, Zé Horácio da Ipueira e 6 ou 7 da família Bento. Para a missão, Suspeita chama os cabras Medalha, Fortaleza e o valente Limoeiro, além de Antônio de Amélia e cia. Com a certa desculpa de que iria preparar tudo, Antônio Manoel partiu primeiro para a casa do compadre, com toda certeza que iria avisar sobre a chegada dos homens.
O grupo finalmente se arrancha no local. Faz as prévias saudações e ficam no terreiro da casa. O dia vai caindo e a noite vai se levantando; preparam então uma fogueira para se esquentarem. Alfredo e José Alves, o Zeca, já estavam postos; Zeca traz consigo uma rabeca para divertir mais ainda os cangaceiros, pois já estavam bebendo, comendo e jogando cartas descontraidamente. Estavam eles contando causos e relembrando alguns combates. Medalha estava em pé, "encorado" em uma catingueira; Fortaleza tinha colocado o seu embornal em um toco e escorou nele, ficando voltado ao fogo; Limoeiro ao lado de Tiago, ouvindo os assuntos; e Suspeita longe, conversando com Sebastião. Quando bem bêbados, os Alves botam o plano em ação.
O de Amélia combinou que o primeiro a morrer seria Fortaleza, matado por ele, e que depois seria os demais. Aproveitou o cochilo do bandido e, com o fuzil em mãos, foi por trás, mira na cabeça e o tiro falha. Rapidamente, coloca o fuzil nas costas e passa por debaixo do galho, para despistar. Limoeiro, apreensivo, pergunta o que foi aquilo. Antônio de Amélia diz que a arma detonou na hora que passou pelos galhos. Assim, o cangaceiro voltou a repousar. Descarta a bala e coloca outra, deixando o fuzil preparado. Já estava amanhecendo, umas 04 horas da manhã; o proprietário da fazenda Promissão vai na fogueira e prepara o café. Antônio novamente pega o fuzil, vai até as costas do cabra, mira na sua cabeça e o armamento não nega fogo. Morre o primeiro. O bando acorda e se levanta rapidamente, mas não dão conta.
Tiago já havia se pegado em Limoeiro, enquanto Sebastião se atracou com Suspeita e Alfredo com Medalha.
Sebastião enrola-se com Suspeita, e vendo que o cangaceiro iria puxar o seu longo punhal, pede para que alguém matasse o bicho, senão morreria rapidamente. Antônio de Amélia, então, dá uma coronhada na boca do bandoleiro, onde conseguem dominar e matar o rapaz. Morre o segundo. Correm até onde estava Tiago com Limoeiro que, mesmo ferido a bala, lutava feito uma fera. Sebastião pega nos cabelos do bandoleiro, afirma que foi ele quem matou Antônio Mizael, e atira contra o primo de Dadá. Morre o terceiro. Todos se juntam para onde Alfredo estava com Medalha, impedindo que o parente matasse o cangaceiro, com o objetivo de tirarem dele alguma informação.
Em breve diálogo dele (Medalha) com Sebastião, pergunta: “como é que você faz uma coisa dessas; chamar seus parceiros para vir matar a gente?”. Tião responde: “vocês já estão acostumados a matar com facilidade, nós também podemos matar vocês com facilidade”. Porém, no meio da discussão, reparam que havia outro corpo inerte no chão. Era de Félix, pai de Alfredo e dos demais, que morreu ao se aproximar do local. Louco e sedento de sangue, Alfredo saca a pistola do bandido Limoeiro e atira bem na cabeça de Medalha. Morre o quarto.
Os mortos são levados em cima de animais até Inhapy — pertencente à Mata Grande/AL —, apresentando o resultado do combate e da perda lastimosa de Félix Alves para o tenente Joaquim Grande. Encomendam um caixão para o fazendeiro, enquanto simples mourões eram colocados para que fossem amarrados os cangaceiros. Chamam José Uchôa — o mesmo que fotografou o corpo do cangaceiro Cirillo de Engrácia no mesmo lugar e ano —, para imortalizar o momento com suas chapas iconográficas. Primeiro dos quatro sozinhos e depois os seus batedores. Depois desta, os corpos foram enterrados no cemitério municipal do local: o de Félix certamente em cova familiar; os dos bandoleiros, em cova coletiva. Uma quantia de 4:070$000 foi achada em posse dos sequazes; o dinheiro foi dividido com todos.
Festa total com os moradores, e todos queriam ver a famosa foto. Os Alves ficaram conhecidos como “os matadores de cangaceiros”; alguns até pensaram em se alistar na volante. Porém, a tempestade maior viria. Corisco não deixaria isso passar impune, tampouco Lampião que foi traído por seu coiteiro. O corretivo chegaria, e seria feio.
𝐹𝑂𝑁𝑇𝐸𝑆: 𝐽𝑜𝑟𝑛𝑎𝑙 𝐷𝑖𝑎́𝑟𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝑃𝑒𝑟𝑛𝑎𝑚𝑏𝑢𝑐𝑜, 1935; 𝑟𝑒𝑣𝑖𝑠𝑡𝑎 𝐴 𝑁𝑜𝑖𝑡𝑒 𝐼𝑙𝑙𝑢𝑠𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎/𝑅𝐽, 1935; 𝐽𝑜𝑟𝑛𝑎𝑙 𝐴 𝑇𝑟𝑖𝑏𝑢𝑛𝑎/𝑆𝑃, 1935; 𝐽𝑜𝑟𝑛𝑎𝑙 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑖𝑜 𝑃𝑎𝑢𝑙𝑖𝑠𝑡𝑎𝑛𝑜, 1935; 𝐽𝑜𝑟𝑛𝑎𝑙 𝑅𝑒𝑔𝑖𝑎̃𝑜/𝐶𝐸, 1980; 𝐿𝑎𝑚𝑝𝑖𝑎̃𝑜, 𝐴 𝑅𝑎𝑝𝑜𝑠𝑎 𝑑𝑎𝑠 𝐶𝑎𝑎𝑡𝑖𝑛𝑔𝑎𝑠 — 𝐽𝑜𝑠𝑒́ 𝐵𝑒𝑧𝑒𝑟𝑟𝑎 𝐿𝑖𝑚𝑎 𝐼𝑟𝑚𝑎̃𝑜; 𝑆𝑟. 𝐺𝑢𝑒𝑟𝑟𝑎; 𝐶𝑎𝑛𝑔𝑎𝑐̧𝑜 𝐸𝑡𝑒𝑟𝑛𝑜 — 𝑐𝑎𝑛𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝑌𝑜𝑢𝑡𝑢𝑏𝑒; 𝑁𝑎𝑠 𝑃𝑒𝑔𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑑𝑎 𝐻𝑖𝑠𝑡𝑜́𝑟𝑖𝑎 — 𝑐𝑎𝑛𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝑌𝑜𝑢𝑡𝑢𝑏𝑒.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
TRACUNHAÉM VAI GANHAR ESCULTURA CARNAVALESCA EM HOMENAGEM À LA URSA.
Tracunhaém, reconhecida como a Capital do Artesanato em Cerâmica, vai ganhar uma escultura carnavalesca em homenagem à La Ursa. Localizada na Zona da Mata Norte de Pernambuco, a cerca de 60 quilômetros do Recife, a cidade inaugura neste sábado, 20 de dezembro de 2025, o monumento “Cabeça de La Ursa Gigante”, criado pela artista Cíntia Viana. A data marca os 62 anos de emancipação do município. O projeto conta com incentivo do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, a PNAB-PE.
A obra está sendo construída em espaço público, diante da população, na Praça Costa Azevedo, no centro da cidade. A escultura mede três metros de altura, quase o dobro da altura de uma pessoa adulta, e dois metros de largura, e levou quase um mês para ficar pronta. O trabalho utiliza papel reutilizado, papelão, arame e outros materiais simples, o que reforça a proposta de arte sustentável e de reaproveitamento.
Além do impacto visual, a obra oferece uma experiência sensorial. Moradores, turistas e visitantes poderão acessar a escultura e entrar na cabeça da La Ursa Gigante. No interior, o público encontrará registros fotográficos que contam a história cultural de Tracunhaém. As imagens mostram festas, tradições e momentos importantes da cidade. A proposta é que a escultura funcione como uma cabeça cheia de lembranças e boas memórias, além de atuar como um pequeno museu popular instalado na praça.
A criação é assinada pela artista plástica Cíntia Viana, que celebra 25 anos de carreira com a instalação artística. Essencialmente artista, ela pinta e produz desde a infância. Artesã desde muito jovem, construiu sua trajetória unindo sensibilidade, trabalho manual e compromisso com a cultura popular. “A ideia é mostrar que a arte pode ser feita com o povo. A praça é o lugar certo para criar, conversar e dividir histórias com quem passa todos os dias por aqui”, afirma a artista.
A obra dialoga com a identidade de Tracunhaém, conhecida pela tradição do barro. Mesmo sendo feita de papel, o modo de produção lembra o trabalho dos artesãos da cerâmica local. O processo acontece em camadas, com paciência e cuidado, respeitando o tempo da matéria, assim como ocorre na arte do barro.
A população também participa do processo criativo. Estão previstos encontros abertos ao público para a colagem das imagens históricas no interior da escultura. Alunos da rede municipal participam de visitas guiadas e oficinas, onde aprendem a técnica da papietagem e vivenciam a arte de forma prática.
A cultura da La Ursa – A La Ursa é uma cultura presente há muitos anos em Pernambuco. Ela faz parte do Carnaval de rua e nasceu das brincadeiras populares do povo. Durante décadas, grupos saíram pelas ruas com a figura da La Ursa, acompanhados por música, versos e animação. A escultura resgata essa tradição e transforma a brincadeira em alegoria permanente, acessível ao público durante todo o ano.
A tradição da La Ursa tem origem na Europa, onde imigrantes apresentavam ursos treinados para dançar em circos e festas populares. No Brasil, essa prática foi adaptada pelo povo e ganhou novos sentidos. Com o tempo, a La Ursa passou a simbolizar diversão, brincadeira e herança folclórica, além de assumir, em alguns momentos, um sentido mais malicioso ligado às relações amorosas. Hoje, a manifestação é reconhecida e valorizada como patrimônio cultural popular.
Sobre a artista – Formada em Arquitetura e Urbanismo, Cíntia também atua como diretora de arte, artista gráfica e produtora cultural. Desde a formação, desenvolveu identidades visuais para artistas, grupos culturais e festivais ao longo de mais de duas décadas de atuação. Parte desse trabalho está reunida no perfil profissional @cinvianadesign. Mulher, mãe e artista do mundo, escolheu Tracunhaém para viver e criar. Na cidade, fortaleceu sua atuação na produção cultural, sendo produtora executiva do Tipoia Festival por mais de dez anos. Ao longo da carreira, aprovou projetos em editais como o Funcultura Pernambuco e a Lei Aldir Blanc, além de produzir bandas em circulação pelo estado de Pernambuco e ações realizadas pelo Sesc Pernambuco e pelo Sesc São Paulo.
MESTRE RUBÉRIO
Natural de Piranhas, município do sertão alagoano, Rubério de Oliveira Fontes teve seu primeiro contato com o artesanato ainda na adolescência, se dedicando à carpintaria, ao construir canoas com outros jovens da sua idade. Posteriormente, ele conseguiu uma vaga como ajudante na oficina de carpintaria de Elias Barbosa, onde pôde aperfeiçoar suas habilidades e desenvolver seu talento. Hoje, aos 83 anos, Rubério continua a praticar seu ofício, sendo um dos principais representantes culturais do Baixo São Francisco. Com um estilo único, ele incorpora em cada peça traços de suas memórias afetivas, especialmente as do pai, que trabalhava como serralheiro na rede ferroviária. Suas criações são dignas de uma reprodução fotográfica, capturando com precisão os detalhes da ferrovia.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
TERCEIRO DIA DO FESTIVAL DE CINEMA DE TRIUNFO APROFUNDOU DEBATES SOBRE AFETOS,TERRITÓRIO E POÉTICAS DA ÁGUA.
Programação reuniu ações formativas, mostra temática e exibição de longa-metragem no Theatro Cinema Guarany
O terceiro dia da 16ª edição do Festival de Cinema de Triunfo foi marcado por uma programação que articulou formação, diversidade e sensibilidade estética. Nesta terça-feira (16), as atividades tiveram início pela manhã e seguiram ao longo do dia no histórico Theatro Cinema Guarany, com ações formativas, debates e mostras que evidenciaram o cinema como espaço de pertencimento, escuta e resistência, encerrando a programação noturna às 20h com a exibição do longa-metragem Timidez.
A agenda formativa começou das 9h às 12h, na Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho, com o workshop Territórios de Afetos: Roteiros LGBTs e Cinemas Negros, conduzido pelo roteirista e cineasta Rafael Nascimento. A atividade propôs uma imersão criativa em narrativas negras e LGBTQIAP+ ambientadas no Sertão, estimulando a escrita a partir das experiências afetivas e explorando o cinema como linguagem de pertencimento, identidade e resistência.
“Eu já venho participando do festival em outras edições, como realizador e jurado, e agora estou tendo a oportunidade de ministrar essa oficina. Gosto muito dessa troca com os realizadores e com o público daqui. Acho muito importante que existam esses espaços formativos, para que a gente possa fomentar novas narrativas, pensar personagens mais complexos e também valorizar o território”, ressaltou o oficineiro.
No período da noite, o festival apresentou a mostra Cinemas que Soam como Águas, cujo título anuncia a poética que atravessa os filmes exibidos. A água, elemento que molda territórios, culturas e trajetórias de luta, surgiu como metáfora de fluxo, memória, movimento e cura. A sessão reuniu os curtas Afluir, de Gabi Holanda; Salam, de Bruna Tavares; Ô Celina, Ô Celina – Biu Neguinho, de Jadson André e Sheilla Moreno; Mal Sagrado, de Tandie Sogo e Pedro Lacerda; e O Céu Não Sabe Meu Nome, de Carol Aó. As narrativas percorrem caminhos de espiritualidade, ancestralidade, reinvenção e afeto, abordando a força das mulheres, dos mestres da cultura popular, da resistência cotidiana e das pequenas epifanias que atravessam a vida.
“Meu filme é um filme muito afetivo, feito por muitas mulheres que abraçaram esse projeto. Estou muito feliz de estar aqui, neste festival tão bonito, às margens do rio Pajeú. E não é à toa que a gente está aqui, porque este é o primeiro festival em que o filme está sendo exibido”, comemorou a diretora Gabi Holanda antes da exibição dos filmes.
Encerrando a programação do dia, às 20h, foi exibido o longa-metragem Timidez, de Susan Kalik e Thiago Gomes Rosa. A obra propõe um mergulho delicado na intimidade, nos silêncios e nas relações que moldam o amadurecimento emocional, refletindo sobre afetos possíveis, medos que paralisam e a coragem necessária para existir no mundo.
Fotos - Juana Carvalho - Secult PE (5)
Foto: Juana Carvalho/Secult PE
Realizado pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o Festival de Cinema de Triunfo segue até o próximo sábado (20), com uma programação que inclui mostras de filmes, oficinas, ações educativas e encontros formativos.
Em sua 16ª edição, o festival se consolida como um dos principais eventos audiovisuais do interior de Pernambuco, promovendo o encontro entre realizadores, estudantes, público e profissionais do setor, além de fortalecer o cinema como linguagem artística, educativa e ferramenta de transformação social. Mais informações estão disponíveis no Instagram @festivaldecinemadetriunfo.
OFICINAS - As atividades formativas do festival reúnem, entre 16 e 19 de dezembro, uma programação diversa que inclui oficinas de elaboração de projetos e portfólios culturais nos quilombos Águas Claras e Santa Rosa, com Sandra Silva e Iyadirê Zidanes, voltadas ao fortalecimento das identidades quilombolas; a masterclass de Feane Monteiro sobre o novo cinema indígena e o autoagenciamento dos povos originários; um roteiro cultural com estudantes das escolas municipais guiado pela museóloga Rosélia Adriana; e a oficina do Coletivo #CineRuaPE, com Priscila Urpia e Bruna Tavares, dedicada às estratégias de retomada dos cinemas de rua e sua importância como espaços culturais ativos.
MESTRA SÔNIA
A artesã Sônia Maria de Lucena teve o seu contato com o bordado de renda singeleza ainda na infância, com uma senhora chamada mestra D. Filó, no município alagoano de Marechal Deodoro. Anos depois, com a oportunidade proporcionada pelo projeto “(Re)bordando”, Sônia confeccionou algumas peças com o bordado de renda Singeleza e transformou o seu conhecimento como complemento da renda da sua casa, além de uma terapia para a fase difícil que vinha enfrentando na sua vida.
Mesmo diante de inúmeras tribulações em sua vida, a artesã nunca desistiu do seu dom de bordar, e começou a compartilhar o seu conhecimento com outras mulheres que buscavam aprender o bordado da renda Singeleza, e assim transformaram o aprendizado em ofício e fonte de renda. Hoje, a mestra reside no município alagoano de Barra de Santo Antônio, localizado na região metropolitana de Maceió, onde continua a cultivar e disseminar essa tradição.
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
PROJETO SERTÃO SEM NÓ LANÇA SÉRIES SOBRE CONTOS FOLCLÓRICOS E POESIA FEMININA SERTANEJA.
O projeto cultural Sertão Sem Nó lança, entre 24 de novembro e 18 de dezembro de 2025, duas séries originais em formato ampliado e definitivo no feed de seu podcast homônimo: “Histórias de Cabeceiras” e “Poetisas do Pajeú”. As produções, veiculadas pela Rádio Frei Caneca FM no primeiro semestre de 2025, chegam às plataformas de áudio em versões completas, com textos integrais transcritos, descrições dos blocos como recurso de acessibilidade e uma nova etapa de circulação nacional e internacional.
Os episódios estreiam sempre às 4h da manhã, começando pelos programas de “Poetisas do Pajeú”. As duas séries contam com patrocínio master do Edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) 2024, da Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco (Secult-PE).
Ao todo, serão 24 episódios, sendo 12 de Histórias de Cabeceiras e 12 de Poetisas do Pajeú, publicados diariamente. As duas séries integram o ecossistema criativo do Sertão Sem Nó, projeto idealizado pelo jornalista e cineasta pernambucano Jefferson Sousa e dedicado à preservação e difusão das culturas populares dos sertões nordestinos em múltiplas linguagens, como podcasts documentais, filmes, jogos digitais, animações, pesquisas, oficinas e ações formativas.
Acumulando dezenas de prêmios e reconhecimentos nas áreas de cultura, memória e audiovisual, entre os quais o 10º Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho, ofertado pelo Governo de Pernambuco, através da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), e o Best Screenplay do Viva Film Festival 2019, na Bósnia, o Sertão Sem Nó reúne também atuações e uso de seus conteúdos em escolas, universidades, rádios públicas e eventos culturais de mais de 20 países, consolidando-se como um dos mais importantes projetos contemporâneos de salvaguarda da cultura popular nordestina.
A chegada das séries na íntegra às plataformas de áudio por streaming amplia o acesso às narrativas, aproximando-as ainda mais de ambientes educacionais, familiares, acadêmicos, rádios e demais manifestações comunitárias de comunicação, além, é claro, de ouvintes de todas as regiões do Brasil.
Histórias de Cabeceiras
A série reúne 48 contos populares infantis em 12 episódios, criados, escritos, produzidos, narrados e editados por Jefferson Sousa, com narração complementar da jornalista Vivi Maria. Cada programa apresenta quatro narrativas seguidas por um bloco de contextualização histórica que revela origens geográficas, literárias e folclóricas, além dos caminhos de circulação oral que levaram essas histórias aos sertões do Nordeste.
“Histórias de Cabeceiras” nasce do projeto “Contos Populares Infantis: Tradição e Diversã”o e se baseia em estudos e recolhas feitas por autores como Luís da Câmara Cascudo, Sílvio Romero, Teófilo Braga, Consiglieri Pedroso, João da Silva Campos, Lindolfo Gomes, Adolfo Coelho e Aurélio Espinosa. Entre as histórias estão: Couro de Piolho, A Princesa Sisuda, A Festa no Céu, A Princesa de Bambuluá, Bicho de Palha, A Princesa Serpente, O Papagaio Real e outras narrativas de raízes ibéricas e nordestinas.
Com linguagem oral, clima intimista e ambientação sonora centrada na voz, o programa preserva o ambiente das histórias contadas nas cabeceiras das camas, nos quintais e nos alpendres do sertão, ao mesmo tempo em que dialoga com formatos contemporâneos de podcast. Cada episódio mantém compromisso com acessibilidade, pesquisa e uso pedagógico, servindo como material de referência para famílias, professores, bibliotecas e projetos educativos.
Poetisas do Pajeú
Dirigida, roteirizada, produzida e apresentada por Vivi Maria, com edição e co-produção de Jefferson Sousa, a série traz entrevistas profundas com 12 mulheres que fazem da poesia sua forma de existência e resistência no Sertão do Pajeú. Com cerca de uma hora por episódio, o programa reúne memórias, afetos, processos criativos e reflexões sobre temas como identidade, gênero, território, maternidade, educação, ancestralidade e música.
Participam da série Maria Farias, Elenilda Amaral, Erivoneide Amaral, Isabelly Moreira (Belinha), Verônica Sobral, Dayane Rocha, Jéssica Caitano, Francisca Araújo, Monique D’Angelo, Milene Augusto, Izabela Ferreira e Thyelle Dias.
Os episódios incluem declamações inéditas e conversas que registram trajetórias individuais e coletivas, formando um documento sonoro sobre a presença feminina na poesia do Pajeú. A condução de Vivi Maria, poetisa, jornalista cultural, glosadora e pesquisadora da tradição oral, reforça a dimensão afetiva, política e territorial das entrevistas. As transcrições integrais dos episódios ampliam a acessibilidade e o alcance para estudos, pesquisas e usos educativos.
Um projeto raiz: feito no território e para o território
As duas séries foram produzidas integralmente no Sertão do Pajeú, em home studios nos municípios de Itapetim e São José do Egito, a partir de uma perspectiva territorial, não apenas sobre o sertão, mas a partir dele. Essa abordagem fortalece a economia criativa local e reafirma a importância de narrativas produzidas por quem vive o território e seus modos de vida.
O lançamento amplia o diálogo com famílias e crianças, escolas, professores, bibliotecas e clubes de leitura, pesquisadores de cultura popular, folclore e tradição oral, coletivos culturais, grupos de poesia, rádios públicas e ouvintes interessados em cultura, memória, educação e documentários sonoros.
Acessibilidade e preservação
Todos os episódios contam com transcrições completas e textos organizados dos blocos, além de material compatível com leitores de tela. O conteúdo também pode ser utilizado como base para projetos educativos, acadêmicos e jornalísticos. As séries reforçam o compromisso do Sertão Sem Nó com a inclusão e o registro permanente das narrativas do sertão.
Sobre o Sertão Sem Nó
Criado por Jefferson Sousa, o Sertão Sem Nó é um projeto multidisciplinar dedicado à preservação e à difusão da cultura popular dos sertões nordestinos, reunindo produções sonoras, audiovisuais, educativas e de pesquisa. Seus conteúdos circulam em escolas, universidades, rádios públicas e eventos culturais dentro e fora do Brasil, compondo um universo criativo que integra documentários, podcasts, jogos digitais, animações e ações formativas.
Disponibilidade
As séries “Histórias de Cabeceiras” e “Poetisas do Pajeú” estarão disponíveis gratuitamente nas principais plataformas de áudio a partir de 24 de novembro de 2025, com publicação diária até 18 de dezembro de 2025, sempre às 4h da manhã, no podcast Sertão Sem Nó. . Além disso, ambos os programas integraram a programação do primeiro semestre de 2025 da Rádio Frei Caneca FM por meio do Edital de Apoio à Ocupação da emissora, promovido pela Fundação de Cultura Cidade do Recife.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
FESTIVAL CANTA LUIZ COMEMORA ANIVERSÁRIO DE REI DO BAIÃO NO RECIFE
No dia 13 de dezembro é celebrado o nascimento do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que se estivesse vivo, completaria 113 anos. O dia também é considerado o Dia Nacional do Forró. Gonzagão, como ficou conhecido, foi responsável pela popularização dos ritmos nordestinos que compõem o forró por todo o Brasil, como o xote, xaxado, baião, o arrasta-pé e o pé-de-serra. O Projeto Canta Luiz tem incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura.
Para celebrar, o Festival Canta Luiz, idealizado pelos produtores Milena Gomes e Odilon Lima, acontecerá no próprio dia 13, sábado, no bairro do Poço da Panela, a partir das 19h. A Banda Regente Joaquim será anfitriã da grande celebração musical, recebendo Forró Rabecado, Forró Dona Rebeca e Arthuzinho dos 8 Baixos — três forças vivas do forró pernambucano que se unem em um espetáculo de homenagem ao Rei do Baião.
O público acompanhará três arrastões simultâneos pelas ruas do bairro, conduzidos pelos grupos convidados, até o palco principal no Largo da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, onde todos se encontram para a apoteose musical do Festival Canta Luiz. Será o nascimento simbólico do Dia de Luiz Gonzaga no Recife — uma celebração feita pelo povo e com o povo.
Durante o mês de novembro, o Festival realizou três ensaios/shows abertos, para divulgar e esquentar o público para a grande apoteose do dia 13/12. Os ensaios ocorreram no Morro da Conceição, no município de Goiana e em Arcoverde, e contaram com a participação de músicos locais e mestres da cultura popular como os mestres de coco Assis Calixto, Damião Calixto e Cícero Gomes e os sanfoneiros Regis Moreira, Yago Santana e Orlandinho Melo.
O Canta Luiz nasceu do desejo de celebrar a vida e a obra de Luiz Gonzaga com uma programação popular e gratuita. “Nosso objetivo é criar em Recife um dia dedicado ao Rei do Baião e manter viva a tradição do pé-de-serra e fortalecer o sentimento de pertencimento cultural, além, claro de comemorar a data de nascimento de Gonzagão, tão importante para a divulgação da cultura pernambucana e que se eternizou com suas músicas que falam da vida do povo pobre nordestino, com seu sotaque e sua sanfona”, afirma o produtor Odilon Lima.
Festival Canta Luiz – Aniversário do Rei do Baião
13/12/2025 (sábado)
Horário: 19h às 22h
Local: Largo do Poço da Panela (Estrada Real do Poço, Poço da Panela, Recife-PE)
Entrada gratuita
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
O Grupo de Reisado de Maria Jacinta, nasce como um brinquedo popular, no terreiro da casa de Maria Jacinta e seu Pedro Belo, a mais de cinquenta anos. Juntando cantigas e “partes” que “assuntava” de outros reisados vistos desde sua infância, ela, na década de 60, montou com suas filhas, um cortejo. Saiam da igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, e de porta em porta acordavam as famílias desfiando as cantigas de saudação, “Me abra essa porta por nossa senhora”.
No ano de 2017 a Mestra Maria Jacinta foi contemplada no Prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura, e em 2021 recebe o Titulo de Patrimônio Vivo de Pernambuco.
A transmissão dos saberes relacionados a esse brinquedo esteve presente em toda história da mestra, realizou encontros em escolas, grupos jovens, universidades. Em 2019 iniciou o projeto Sementeira de Reis em parceria com o programa AABB Comunidade, em 2022 em parceria com a EREM Padre Maurilo Sampaio realizou oficinas de iniciação com estudantes do ensino médio, deste ciclo de atividades nasce o Reisado Juvenil. Outro exemplo da transmissão é o grupo juvenil “ Reisado da Irmandade” que bebe da fonte da mestra pra fazer uma homenagem aos reisados da região.
Cinco gerações dos “Belos” cultivam essa tradição. Existe um sentimento religioso muito grande entorno do Reis de Maria Jacinta, segundo ela “o Reisado anuncia a vida, o milagre do nascimento” fala da bondade, respeito, solidariedade, valores caros e necessários em nossos dias.
O Reisado da Mestra Maria Jacinta é resistência, sinal de esperança, atualizou-se todos esses anos com a força de vontade dos participantes e eventuais apoios de instituições. Importante lembrar o papel da mestra e do grupo no Movimento Viva Reis. Em 2010 o grupo era praticamente o único em Santa Maria da Boa Vista que continuava suas atividades, articulado com entidades culturais e com o sentimento de fortalecer essa tradição nasce o Encontro de Reisados do Sertão do São Francisco que começou pequeno com dois grupos apenas, já em 2019 recebeu 14 grupos de diversas cidades. Nesse mesmo ano as mestras se reuniram com o secretario de cultura Gilberto Freyre, pra sugerir e cobrar ações de valorização do ciclo natalino, como retorno a Secult criou o Natal das Tradições e Santa Maria da Boa Vista foi polo desse ciclo.
Hoje o grupo é composto por trinta pessoas. Donas de casa, agricultores, aposentados, estudantes, se transfiguram em personagens deste espetáculo. Três gerações se encontram neste espaço, Avó mãe e neta, dos treze aos oitenta e seis anos, também os amigos e mais chegados. Constroem seu figurino, aprendem de ouvido a tocar seus instrumentos. Reinventando a tradição a cada apresentação.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
16º FESTIVAL DE CINEMA DE TRIUNFO ANUNCIA ATIVIDADES FORMATIVAS
Programação formativa do festival valoriza a formação, o diálogo entre territórios e o fortalecimento das políticas culturais, com oficinas, masterclasses e ações voltadas a diferentes públicos e linguagens
Entre os dias 14 e 20 de dezembro, o município de Triunfo volta a se tornar o epicentro do cinema pernambucano. Realizado pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), em parceria com o Sesc Pernambuco, o 16º Festival de Cinema de Triunfo chega em 2025 reafirmando seu caráter plural e descentralizado, com uma programação formativa que aproxima o audiovisual dos territórios e das pessoas.
Mais do que um evento de exibição, o festival se consolida como um espaço de aprendizado, partilha e construção coletiva, articulando diferentes olhares sobre o cinema, a memória e as identidades culturais do Estado. Ações formativas como oficinas, workshops e masterclass ampliam o alcance do festival, estimulando a reflexão crítica, o protagonismo das comunidades e a valorização da diversidade.
“O Festival de Cinema de Triunfo tem um papel fundamental na política cultural do Estado. Ele consolida o Sertão como território de produção e reflexão audiovisual, levando formação, oportunidades e debate para dentro das comunidades. É um festival que conecta o cinema às pessoas, e as pessoas às suas histórias. Essas oficinas representam o nosso compromisso com uma cultura acessível, plural e descentralizada, que forma, transforma e projeta novos olhares sobre o mundo”, ressalta a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula.
Para a presidente da Fundarpe, Renata Borba, o Festival de Cinema de Triunfo fortalece as políticas públicas estaduais que valorizam os territórios e ampliam o acesso ao audiovisual. “Ao promover capacitação, difusão de metodologias e qualificação técnica nos territórios, reforçamos o compromisso da gestão Raquel Lyra com o desenvolvimento do audiovisual em Pernambuco. Essas iniciativas ampliam a capacidade produtiva das comunidades, fortalecem a participação social nos mecanismos de financiamento e ajudam a construir um ambiente cultural mais forte, mais participativo”, afirma.
Workshop “Territórios de afetos: roteiros LGBT’s e cinemas negros”
No dia 16 de dezembro, das 9h às 12h, na Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho, o roteirista e cineasta Rafael Nascimento conduz um workshop que propõe uma imersão criativa nas narrativas negras e LGBTQIAP+ ambientadas no Sertão. Com abordagem prática e sensível, a oficina estimula a escrita a partir da experiência afetiva, explorando o cinema como linguagem de pertencimento e resistência. Com 15 vagas disponíveis, o processo seletivo prioriza pessoas negras, indígenas, LGBTQIAP+ e estudantes da rede pública, com inscrições via formulário on-line.
Oficina de portfólio cultural e elaboração de projeto
Em uma ação inédita de descentralização e valorização dos territórios tradicionais, o festival leva formações para os quilombos Águas Claras (17/12) e Santa Rosa (18/12), em parceria com a Gerência de Educação e Direitos Humanos (GEDH/Secult-PE). Nos dois dias, das 9h às 12h30 e 13h às 16h, acontecem as oficinas “Da Ideia ao Projeto: Modelagem Criativa e Escrita de Projetos Culturais, ministrada por Sandra Silva; e “Da Trajetória à Apresentação: Organização e Construção de Portfólio Cultural”, ministrada por Iyadirê Zidanes. Ambas abordam temas como representatividade, escrita de projetos culturais e fortalecimento das identidades quilombolas. As ações buscam promover o acesso a ferramentas de elaboração de projetos, estimular a autonomia criativa e ampliar a presença das comunidades nos editais de fomento.
Masterclass “Um novo cinema indígena? Reflexões sobre produção audiovisual e autoagenciamento dos povos originários”
No dia 17 de dezembro, das 9h às 12h, na Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho, a artista, realizadora e pesquisadora Fulni-ô Feane Monteiro conduz uma masterclass sobre o surgimento de um novo cinema indígena, baseado na autoafirmação e no autoagenciamento dos povos originários. A atividade propõe uma reflexão sobre o cinema como instrumento de resistência, educação e reconstrução da memória coletiva. A entrada é gratuita e não requer inscrição prévia.
Roteiro cultural com alunos da Escola Municipal São Vicente de Paulo e Escola Governador Eduardo Campos
Nos dias 17 e 18 de dezembro, das 14h às 16h, a museóloga Rosélia Adriana irá acompanhar alunos das escolas municipais São Vicente e Governador Eduardo Campos, em uma visita guiada aos museus, equipamentos culturais e às casas de mestres da cultura popular de Triunfo.
Oficina: Estratégias de Retomada de Cinemas de Rua na Atualidade
No dia 19 de dezembro, das 10h às 12h e 13h às 16h, na Fábrica de Criação Popular, as realizadoras Priscila Urpia e Bruna Tavares, do Coletivo #CineRuaPE, ministram a oficina voltada a gestores e agentes de salas de cinema. A atividade discute o papel contemporâneo dos cinemas de rua e suas possibilidades de reocupação como espaços culturais vivos, dialogando diretamente com a história do Theatro Cinema Guarany, símbolo da resistência da exibição cinematográfica no interior pernambucano. Serão apresentadas experiências de gestão comunitária, programação colaborativa e sustentabilidade no circuito exibidor independente.
PROGRAMAÇÃO FORMATIVA COMPLETA – 16º FESTIVAL DE CINEMA DE TRIUNFO
16/12/2025
Workshop de roteiro |Territórios de Afetos: Roteiros LGBTs & Cinemas Negros
Ministrante: Rafael Nascimento
Local: Espaço Cultural Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho (Sesc Triunfo)
Horário: 09h às 12h
Público-alvo: pessoas negras, indígenas, LGBTs, estudantes da rede pública e interessados
em cinema, audiovisual, escrita criativa e diversidade.
Vagas: 15
Carga horária total: 3h
Inscrições no link: https://forms.gle/wFri2VVJKaUWkdn97
17/12/2025
MASTERCLASS | Um novo cinema indígena? Reflexões sobre produção audiovisual e autoagenciamento dos povos originários
Ministrante: Feane Monteiro
Duração: 3h
Horários: 09h às 12h
Local: Espaço Cultural Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho (Sesc Triunfo)
Aberto ao público, não é necessária inscrição prévia
Da Ideia ao Projeto: Modelagem Criativa e Escrita de Projetos Culturais
Ministrante: Sandra Silva
Local: Quilombo Águas Claras
Horário: 09h às 12h30
Da Trajetória à Apresentação: Organização e Construção de Portfólio Cultural
Ministrante: Iyadirê Zidanes
Local: Quilombo Águas Claras
Horário: 13h às 16h
Roteiro cultural com alunos da Escola Municipal São Vicente de Paulo
Com: Rosélia Adriana
Local: Visitas mediadas aos museus, equipamentos culturais e às casas de mestres da cultura popular de Triunfo
Horário: 14h às 16h
18/12/2025
Da Ideia ao Projeto: Modelagem Criativa e Escrita de Projetos Culturais
Ministrante: Sandra Silva
Local: Quilombo Santa Rosa
Horário: 09h às 12h30
Da Trajetória à Apresentação: Organização e Construção de Portfólio Cultural
Ministrante: Iyadirê Zidanes
Local: Quilombo Santa Rosa
Horário: 13h às 16h
Roteiro cultural com alunos da Escola Governador Eduardo Campos
Com: Rosélia Adriana
Local: Visitas mediadas aos museus, equipamentos culturais e às casas de mestres da cultura popular de Triunfo
Horário: 14h às 16h
19/12/2025
Oficina: Estratégias de Retomada de Cinemas de Rua na Atualidade
Ministrantes: Priscila Urpia e Bruna Tavares
Data: 19 de dezembro de 2025
Horário: 10 às 12h e 13h às 16h
Local: Espaço Cultural Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho (Sesc Triunfo)
Público-alvo: Gestores culturais, gestores de salas de cinema e representantes de equipamentos de exibição.
Menu CulturaPE
“O Festival de Cinema de Triunfo tem um papel fundamental na política cultural do Estado. Ele consolida o Sertão como território de produção e reflexão audiovisual, levando formação, oportunidades e debate para dentro das comunidades. É um festival que conecta o cinema às pessoas, e as pessoas às suas histórias. Essas oficinas representam o nosso compromisso com uma cultura acessível, plural e descentralizada, que forma, transforma e projeta novos olhares sobre o mundo”, ressalta a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula.
Para a presidente da Fundarpe, Renata Borba, o Festival de Cinema de Triunfo fortalece as políticas públicas estaduais que valorizam os territórios e ampliam o acesso ao audiovisual. “Ao promover capacitação, difusão de metodologias e qualificação técnica nos territórios, reforçamos o compromisso da gestão Raquel Lyra com o desenvolvimento do audiovisual em Pernambuco. Essas iniciativas ampliam a capacidade produtiva das comunidades, fortalecem a participação social nos mecanismos de financiamento e ajudam a construir um ambiente cultural mais forte, mais participativo”, afirma.
Workshop “Territórios de afetos: roteiros LGBT’s e cinemas negros”
No dia 16 de dezembro, das 9h às 12h, na Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho, o roteirista e cineasta Rafael Nascimento conduz um workshop que propõe uma imersão criativa nas narrativas negras e LGBTQIAP+ ambientadas no Sertão. Com abordagem prática e sensível, a oficina estimula a escrita a partir da experiência afetiva, explorando o cinema como linguagem de pertencimento e resistência. Com 15 vagas disponíveis, o processo seletivo prioriza pessoas negras, indígenas, LGBTQIAP+ e estudantes da rede pública, com inscrições via formulário on-line.
Oficina de portfólio cultural e elaboração de projeto
Em uma ação inédita de descentralização e valorização dos territórios tradicionais, o festival leva formações para os quilombos Águas Claras (17/12) e Santa Rosa (18/12), em parceria com a Gerência de Educação e Direitos Humanos (GEDH/Secult-PE). Nos dois dias, das 9h às 12h30 e 13h às 16h, acontecem as oficinas “Da Ideia ao Projeto: Modelagem Criativa e Escrita de Projetos Culturais, ministrada por Sandra Silva; e “Da Trajetória à Apresentação: Organização e Construção de Portfólio Cultural”, ministrada por Iyadirê Zidanes. Ambas abordam temas como representatividade, escrita de projetos culturais e fortalecimento das identidades quilombolas. As ações buscam promover o acesso a ferramentas de elaboração de projetos, estimular a autonomia criativa e ampliar a presença das comunidades nos editais de fomento.
Masterclass “Um novo cinema indígena? Reflexões sobre produção audiovisual e autoagenciamento dos povos originários”
No dia 17 de dezembro, das 9h às 12h, na Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho, a artista, realizadora e pesquisadora Fulni-ô Feane Monteiro conduz uma masterclass sobre o surgimento de um novo cinema indígena, baseado na autoafirmação e no autoagenciamento dos povos originários. A atividade propõe uma reflexão sobre o cinema como instrumento de resistência, educação e reconstrução da memória coletiva. A entrada é gratuita e não requer inscrição prévia.
Roteiro cultural com alunos da Escola Municipal São Vicente de Paulo e Escola Governador Eduardo Campos
Nos dias 17 e 18 de dezembro, das 14h às 16h, a museóloga Rosélia Adriana irá acompanhar alunos das escolas municipais São Vicente e Governador Eduardo Campos, em uma visita guiada aos museus, equipamentos culturais e às casas de mestres da cultura popular de Triunfo.
Oficina: Estratégias de Retomada de Cinemas de Rua na Atualidade
No dia 19 de dezembro, das 10h às 12h e 13h às 16h, na Fábrica de Criação Popular, as realizadoras Priscila Urpia e Bruna Tavares, do Coletivo #CineRuaPE, ministram a oficina voltada a gestores e agentes de salas de cinema. A atividade discute o papel contemporâneo dos cinemas de rua e suas possibilidades de reocupação como espaços culturais vivos, dialogando diretamente com a história do Theatro Cinema Guarany, símbolo da resistência da exibição cinematográfica no interior pernambucano. Serão apresentadas experiências de gestão comunitária, programação colaborativa e sustentabilidade no circuito exibidor independente.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
VINGANÇA, NÃO: A FATALIDADE HISTÓRICA DERROTADA
ÂNGELA BEZERRA DE CASTRO
Editado em 1960, pela Livraria Freitas Bastos do Rio de Janeiro, "Vingança, não" foi um livro marcante. Recuperava um episódio da história do cangaceirismo por uma ótica duplamente original: pela mensagem de perdão e pelo envolvimento emocional do autor, na sequência dos fatos.
Com a beleza de sua palavra, com a coragem de expor as entranhas de um drama que poucos ousariam passar a limpo, com a severa imparcialidade que se impôs, padre Chico Pereira Nóbrega conquistou o público. Principalmente a juventude estudantil, tanto secundarista quanto universitária, de quem ele se tornou um líder.
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdao
Éramos todos seus leitores e corríamos para ouvi-lo em conferências inesquecíveis. Trazia uma pregação inovadora, questionamentos que vinham ao encontro de nossas inquietações. Não falava de céu, nem de inferno, nem de castigos ameaçadores. Falava da construção do ser, da vida e do amor, tema de sua predileção. E nos ensinava a pensar, a duvidar das verdades sacramentadas, das verdades ditas inquestionáveis.
O sucesso do livro trouxe logo a segunda edição, no ano seguinte ao lançamento. E, depois, as reedições permaneceram suspensas por quase três décadas. Era a consequência de revelações que alteravam substancialmente a história contada pelos vencedores. Por fim, a terceira edição veio em 1989 e a quarta, em 2002, patrocinada pela FUNESC.
O autor segue a clássica distinção aristotélica de que a história narra o que realmente aconteceu em determinado tempo e lugar. A arte, o que poderia ter acontecido, o possível de acontecer em qualquer tempo e lugar. Define seu livro como depoimento e não, romance. Sendo categórico na Introdução: "Poderia escrever em forma de romance, mas não quis. O real constrói mais que o imaginário". É uma declaração de princípio que se completa com outras duas afirmações: "Tomo, agora, a imparcialidade de quem não tem partido. Não é o filho, é o historiador quem fala".
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoChico Pereira
Francisco Pereira Dantas (1900—1928)
Fonte ▪ Lampião Aceso
Ler com atenção o preâmbulo é pré-requisito para a compreensão do livro, na perspectiva do autor: como "trabalho de precisão histórica". Essa precisão ele construiu, recolhendo a pluralidade dos pontos-de-vista através dos quais lhe foi contada a história, ao longo de muitos anos. Retirando da tradição oral a parte lendária. Buscando a confirmação dos fatos, através da pesquisa em processos criminais de seis comarcas, pertencentes a três Estados, e confrontando as versões com os jornais da época.
Também lhe serviu de subsídio um folheto autobiográfico, deixado pelo pai. Além da carta do Tenente Coronel da Reserva da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Genésio Cabral de Lima, relatando a execução de Chico Pereira, da qual ele participou, com outros policiais daquele Estado, em 28 de outubro de 1928, perto de Currais Novos. Espancaram, até a morte, o prisioneiro algemado. Desfiguraram-lhe o rosto. E simularam um acidente de automóvel para esconder O crime.
Esta carta constitui o documento de maior impacto, pela crueldade dos detalhes rememorados e pelo convencimento do Tenente, afirmando-se, ainda, um benfeitor da coletividade. Nele, o filho encontra a resposta para o mistério que envolveu, por mais de trinta anos, o desaparecimento do pai. Pode, enfim, ler o atestado de óbito e visitar a cova. Simbolicamente, consegue sepultar o pai.
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoJardaJardelina Esmerina Nóbrega
Esposa de Chico Pereira e mãe do padre Chico Pereira Nóbrega
Fonte ▪ Mulheres do Cangaço
É o objetivo do depoimento: reconstituir os fatos, preencher lacunas, restaurar a memória que as paixões deformaram. Sem fazer de Chico Pereira um herói.
A heroína é Jarda, a mãe que soube compreender, amar, resistir, perdoar e educar para o perdão. A mulher sábia e forte que se opôs ao que parecia fatalidade histórica, encaminhando os filhos para um outro destino.
Localizado no espaço e no tempo, o relato inclui as pessoas com os nomes próprios. Presidentes, coronéis, juiz, delegados, comerciantes, famílias, cangaceiros, etc., cada um com seu papel no tempo sociológico que o autor metaforiza pela semelhança com a geologia: "A era em que tudo era fogo, larvas devoradoras, explosões contínuas, desagregações. Era dos vulcões vomitando maldições". E logo se impõe a correlação: nas entranhas da sociedade, o sectarismo da política partidária, gerando o arbítrio, promovendo a impunidade e a injustiça, com a mesma força destruidora das explosões, do fogo e das larvas.
Começa a história com o assassinato do Coronel João Pereira, avô do autor, provocado dentro de seu estabelecimento comercial. Era o tempo das obras contra as secas, na Presidência de Epitácio Pessoa. O sertão encontrava, no atendimento aos operários das construções, um mercado consumidor significativo. E foi a disputa de poder político e financeiro, entre os proprietários de dois barracões, que originou o conflito.
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoCoronel João Pereira
Pai de Chico Pereira e avô de Chico Pereira Nóbrega, autor do livro "Vingança, Não"
Fonte ▪ Blog do Mendes
Afirma o autor que "não é imaginação nem exagero". Depois da luta, o sangue "descia o batente, fazendo burburinho de água corrente". O Coronel João Pereira morreu, pedindo aos filhos Chico, Aproniano, Abdias e Abdon que entregassem à Justiça. Vingança, não.
Mas a Polícia, a serviço da política partidária, não prendeu o criminoso, sempre com desculpas evasivas que revelavam a cumplicidade. Então Chico Pereira, num gesto inusitado, pede permissão ao Delegado para trazer Zé Dias. E entrega o assassino do pai à Polícia.
Dentro de uma semana, recebe a notícia de que Zé Dias está em liberdade. Era a deformação do Estado de Direito na provocação insuportável. Chico Pereira passa a não enxergar outra saída, além da vingança. E, meses depois, Zé Dias é achado morto no meio da estrada.
Perseguido pela mesma Polícia que favoreceu o assassino de seu pai, Chico Pereira se fez cangaceiro.
"Vingança, não" reconstitui a trajetória dessa vida que, como tantas outras, as circunstâncias históricas e a injustiça precipitaram no desespero, na loucura da violência extrema.
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoChico Pereira
Fonte ▪ Cariri Cangaço
O filho, padre e escritor, recupera os fatos. Com o poder da linguagem, atualiza episódios, diálogos, gestos que agora se perpetuam para o julgamento da história.
O domínio da linguagem permitiu ao historiador que utilizasse em seu depoimento todos os recursos da narrativa de ficção. Fazer viver os personagens, imprimindo-lhes identidade. Dar força e movimento às ações. Reconstituir a intensidade dramática dos fatos. Recuperar o tempo.
Rachel de Queiroz identificou essa qualidade do livro. E, no prefácio, registra, como ninguém mais poderia, o mérito do autor que escreve história, literariamente. Afirma a grande escritora:
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdao
Rachel de Queiroz
"É um depoimento que impressiona pela honestidade. — e se às vezes, como obra de arte que é, se alça às puras alturas da beleza, nunca perde a severa imparcialidade que representa sua marca principal".
Pelos recursos da expressão, se fazem inesquecíveis para o leitor: os tocantes diálogos e monólogos interiores dos personagens; o desassombro dos homens, na violência das lutas; a insólita entrega de Zé Dias à polícia; a invasão de Sousa pelo bando de Lampião; a falta de saída, o isolamento, a desgraça e a resistência do cangaceiro; a deformação do aparato policial do Estado; a reação silenciosa e heróica de Jarda.
E que dizer do cavaleiro misterioso, em seu cavalo branco, aconselhando o perdão e desaparecendo para sempre no pingo do meio-dia? E do grito desesperado da mãe de Chico Pereira, ecoando à noite nos descampados e nas serras,
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoD. Maria Egilda Dantas Pereira
Esposa do coronel João Pereira, mãe de Chico Pereira e avó do padre Chico Pereira Nóbrega
Fonte ▪ Blog do Mendes
chamando pelo filho que ela não sabia já executado e enterrado no Rio Grande do Norte?
Há muito se coloca a impossibilidade do limite entre a realidade e a ficção, sob a forma do questionamento repetido: se é a vida que imita a arte ou a arte que imita a vida. Constatando-se muitas vezes que a realidade vivida se apresenta bem mais fantástica e surpreendente do que a imaginação.
O depoimento do professor Francisco Pereira Nóbrega reitera esta conclusão.
E não é sem motivo que tantos leram essa narrativa, como se fosse um romance, apesar de todas as explicações do historiador e do ponto de vista adotado.
A evidência é que, entre a história e a ficção, os núcleos temáticos se correlacionam. De tal modo que, lendo Vingança, não somos naturalmente impelidos a lembrar Pedra Bonita e Cangaceiros de Zelins. E a constatação é de que a história vivida ratifica, em muitos aspectos, a verdade romanesca.
Comparando Aparício, o cangaceiro criado por Zelins, com Chico Pereira, grandes semelhanças podem ser apontadas entre os dois, desde a entrada no cangaço por imposição das circunstâncias.
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdao
Casarão da Fazenda Jacu, em Nazarezinho ▪ Paraíba, onde Chico Pereira nasceu e cresceu / Imagem de 1930 / Local atualmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba
Fonte ▪ Tok de História
A partir daí, a vida nômade, o isolamento, a solidão, o desespero sem saída. Não existe caminho de volta para o cangaceiro porque o poder de polícia se exerce como vingança e a justiça está morta.
Outro aspecto relevante nos dois enfoques é a humanização do personagem de ficção e do personagem histórico. Uma visível contestação à ideologia que reduz o cangaceiro a um ser monstruoso, a um bandido sanguinário.
Esse livro é único. Em parte reconstitui a tragédia de um cangaceiro, mas não se encontra aí o seu tema. Na verdade, é um livro sobre o perdão. E mais que isso. Sobre a felicidade de perdoar.A profunda relação com a família é o argumento incontestável. O cangaceiro amoroso, solidário, preocupado com os seus. O que mais é realçado na ascendência da mãe sobre o filho.
O confronto com a polícia reforça essa perspectiva pela descrição da perversidade como são tratados os cangaceiros, deixando sempre para o leitor a indagação: quem é o bandido?
O desassossego que recai sobre a família dos cangaceiros é outro ponto de convergência entre a ficção e a realidade. Ser irmão, filho, parente de cangaceiro é não ter lugar no mundo. É ser proscrito.
Na ficção de Zelins, é pela ótica da mãe de Aparício que esse problema se caracteriza como maldição. Personagem trágica,
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdao
sinhá Josefina vai do desespero à loucura, matando-se, enforcada, por não poder mudar a sina da família.
Se os dois escritores se assemelham na colocação dos núcleos temáticos, são diametralmente opostos na visão-de-mundo que conduz o tratamento das questões. Zelins, filiando-se à tradição da tragédia grega, submete seus personagens à fatalidade. Ninguém se salva, todos são vítimas do destino impiedoso e absoluto.
O livro do padre Chico Pereira Nóbrega pertence a outra família do espírito. É uma contestação à fatalidade histórica. A comprovação de quanto pode a consciência humana.
É preciso dizer que o subtítulo não corresponde à dimensão do livro. E me perdoe a ilustre prefaciadora que tanto admiro. É uma injustiça classificá-lo de "mais uma história do Nordeste".
Esse livro é único. Em parte reconstitui a tragédia de um cangaceiro, mas não se encontra aí o seu tema. Na verdade, é um livro sobre o perdão. E mais que isso. Sobre a felicidade de perdoar.
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoJarda
Fonte ▪ Cariri Cangaço
Evitando que os filhos se tornem produto do meio violento, Jarda se torna o símbolo de um poder para o qual o mundo ainda não despertou. O poder da mãe na educação dos filhos. O poder da "professora rural de esmolada mensalidade" capaz de evitar a desgraça e mudar o Destino.
No Brasil conflagrado de hoje, quando as grandes cidades se transformaram em "sertões", "Vingança, não" ganha atualidade e faz pensar. É, ao mesmo tempo, a palavra que convence e o exemplo que arrasta.
Deveria chegar a todas as escolas e a todos os presídios, patrocinado pelo Estado e pela Igreja.
Postado originalmente no carlosromero.com.br
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
O sertão pernambucano volta a ser cenário e protagonista do audiovisual com a realização do 16° Festival de Cinema de Triunfo, promovido pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco (Fundarpe). Entre os dias 14 e 20 de dezembro, o município serrano recebe uma programação intensa e inspiradora, que reafirma a força do cinema como linguagem de imaginação, poesia e transformação.
Com o tema “No sertão o cinema já nasceu encantado”, a edição de 2025 propõe um mergulho no poder simbólico da imagem e na potência criadora do território. O festival reconhece o Sertão como espaço de encantamento, onde a arte se entrelaça com a oralidade, a música, a memória e a ancestralidade. É desse encontro entre o real e o imaginário que o cinema sertanejo se reinventa, devolvendo a poesia aos olhos e a sensibilidade ao olhar.
“Triunfo é um território de criação e resistência, onde o cinema pulsa como espelho da nossa diversidade e das histórias que o povo nordestino tem para contar. Quando o Estado investe na produção e na difusão audiovisual em todas as regiões, ele reafirma o cinema como direito, expressão e patrimônio vivo da nossa cultura”, destaca a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula.
A programação reúne seis mostras – longa-metragem nacional; curta e média-metragem nacional; curta e média-metragem pernambucano; curta e média-metragem infantojuvenil; curta e média-metragem dos Sertões; e filme experimental – contemplando produções de ficção, documentário, animação e videoclipes realizadas entre 2023 e 2025.
Entre os destaques, estão obras que entrelaçam ancestralidade, território e imaginação, como o longa “Originárias”, de Marcilia Cavalcante Barros, que abre a mostra nacional com uma potente narrativa sobre as vozes indígenas e femininas silenciadas pela colonização; “Timidez”, de Susan Kalik e Thiago Gomes Rosa, que aborda as delicadezas das relações humanas; e “Gravidade”, de Leo Tabosa, longa pernambucano que encerra o festival em tom de mistério e renovação.
As mostras de curtas e médias-metragens revelam a pluralidade das narrativas sertanejas e brasileiras: de “Pé de Chinelo”, da diretora petrolinense Cátia Cardoso, à videodança “Afluir”, de Gabi Holanda; do documentário “Ô Celina, Ô Celina – Biu Neguinho”, sobre o mestre do samba de coco de Arcoverde, à ficção “Boiuna”, de Adriana de Faria, que mistura mitologia e resistência feminina amazônica.
Renata Borba, presidente da Fundarpe, reafirma o papel do Estado na valorização do audiovisual e na ampliação do acesso à cultura em todo o território pernambucano. “O Festival de Cinema de Triunfo fortalece a produção audiovisual em todas as regiões. Ao apresentar uma programação que valoriza a diversidade de narrativas que emergem dos territórios, o festival consolida Triunfo como um polo estratégico para a difusão e a circulação do cinema pernambucano”, pontua.
Outros títulos reforçam o caráter diverso e sensível do festival: “Encruza”, filmado em Salgueiro, retrata o sincretismo religioso do Sertão Central; “Noé da Ciranda”, dirigido por João Marcelo, celebra a força da cultura popular pernambucana; e “Jamary”, de Begê Muniz, traz a floresta amazônica e seus encantados para o centro da narrativa.
Cada sessão do festival foi pensada como um ato poético: “As encantarias movem os olhos do cinema”, “Cinemas que soam como águas”, “Cinemas para encadear outros mundos”, “Fabricando imaginações do futuro” e “Toda terra guardará nossas vozes”. Juntas, essas curadorias reafirmam o compromisso do evento com um cinema que emociona, provoca e transforma.
Mais do que exibir filmes, o Festival de Cinema de Triunfo é um convite à escuta, à partilha e ao encantamento. No alto da serra, o cinema encontra sua morada ancestral, e o público, a oportunidade de redescobrir o mundo através da arte.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA DE FILMES – 16° FESTIVAL DE CINEMA DE TRIUNFO:
14/12/2025 (domingo)
ABERTURA
16h
Natália do Espírito Santo (Curta-metragem, Triunfo-PE, Livre), dirigido por alunos do EREM Alfredo de Carvalho.
15/12/2025 (segunda-feira)
13h30 às 15h – Theatro Cinema Guarany
Natália do Espírito Santo (Curta-metragem, Triunfo-PE, Livre), dirigido por alunos do EREM Alfredo de Carvalho.
A Moreninha (Ficção, 2025, Triunfo-PE, Livre), dirigido coletivamente pelos estudantes da Escola Alfredo de Carvalho.
Sinopse: A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, conta a história de Augusto, um estudante que faz uma aposta com os amigos: ele afirma que nunca se apaixonará. Durante uma visita à ilha onde mora Carolina, uma jovem encantadora apelidada de “A Moreninha”, Augusto acaba se apaixonando por ela. No final, ele descobre que Carolina é a mesma menina por quem havia prometido amor eterno na infância.
Dom Quixote (Ficção, 2025, Triunfo-PE, Livre), dirigido coletivamente pelos estudantes da Escola Alfredo de Carvalho.
Sinopse: Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, conta a história de um homem chamado Alonso Quixano que enlouquece de tanto ler livros de cavalaria e decide se tornar cavaleiro, adotando o nome de Dom Quixote. Ao lado de seu fiel escudeiro Sancho Pança, ele vive várias aventuras, imaginando enfrentar monstros e gigantes que, na verdade, são situações comuns. A obra mistura humor e crítica, mostrando a diferença entre sonho e realidade.
Senhora (Ficção, 2025, Triunfo-PE, Livre), dirigido coletivamente pelos estudantes da Escola Alfredo de Carvalho.
Sinopse: Senhora, de José de Alencar, conta a história de Aurélia Camargo, uma jovem bela e rica que compra seu antigo amor, Fernando Seixas, em um casamento por interesse. Ela faz isso para se vingar, pois ele a abandonou no passado por ambição. Com o tempo, porém, os dois enfrentam o orgulho e o ressentimento até redescobrirem o verdadeiro amor.
Auto da Compadecida (Ficção, duração variável, 2025, Triunfo-PE, Livre), dirigido coletivamente pelos estudantes da Escola Alfredo de Carvalho.
Sinopse: Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, é uma comédia ambientada no sertão nordestino que mistura humor, fé e crítica social. A história acompanha João Grilo e Chicó, dois amigos pobres e espertos que usam a inteligência para sobreviver. Após várias confusões, João Grilo morre e enfrenta um julgamento no céu, onde a Compadecida (Nossa Senhora) intercede por ele.
SESSÃO: AS ENCANTARIAS MOVEM OS OLHOS DO CINEMA
17h30 às 19h | Mostra de curtas, médias-metragens e filmes experimentais
Ressonância (Drama, 20 min, 2025, Caicó-RN, Livre), dirigido por Anna Zêpa
Sinopse: O desejo de liberdade ainda ressoa em Margarida e a ideia de ficar presa em uma rotina cotidiana a deixa sufocada.
Plantis da Vida – Frevo Rural (Musical, 5 min, 2025, Upatininga-Aliança-PE, Livre), dirigido por Clarissa Azevedo
Sinopse: Obra vibrante à resiliência e à força vital da cultura do frevo rural, nova modalidade do frevo criado pela Orquestra de Frevo Zezé Corrêa, em Upatininga Aliança – PE, conectando as raízes da brincadeira popular da terra dos canaviais com a efervescência da festa do frevo. A narrativa se desdobra em um manifesto, costurando a metáfora do plantar e colher da cana-de-açúcar com a cultura popular pulsante em Upatininga, celebrando o nosso frevo, o frevo rural.
Akaîutĩ (Documentário, 17 min, 2025, João Câmara – RN, Livre), dirigido por JP Mello, Kaline Cassiano e Sylara Silvério
Sinopse: Entre o fogo que torra a castanha do caju e os cantos sagrados, Akaîutĩ narra a trajetória do povo Mendonça Potiguara. Guiado pelas vozes entoadas que cuidam da terra, o filme mostra uma ciência viva – onde cada gesto é resistência, cada melodia, proteção.
Pé de Chinelo (Ficção, 19 min, 2024, Petrolina-PE, Livre), dirigido por Cátia Cardoso
Sinopse: Antônio, conhecido como Burrego, é um menino de doze anos, sonhador e resiliente, que vive com sua avó, Dona Toinha, em uma pequena comunidade ribeirinha. Em suas travessias de barco para vender verduras ao lado da avó e nas longas caminhadas até a escola, Burrego se depara com escolhas e tentações que testam sua determinação em realizar seu maior sonho.
Encruza (Videoclipe, 11 min, 2024, Salgueiro-PE, Livre), dirigido por Guilherme Cavalcante e Rafael Costa
Sinopse: O projeto visa apresentar a cidade de Salgueiro, sertão central de Pernambuco, através do recurso audiovisual, exibindo o seu entroncamento geográfico e a ligação ancestral com a religiosidade. Exibindo desta forma um recorte espiritual de sincretismo religioso, onde Santo Antônio é Exu, o orixá da comunicação e senhor das encruzilhadas.
20h | Mostra longa-metragem Nacional
Originárias (Documentário, 72 min, 2025, Salvador-BA, 12 anos), dirigido por Marcilia Cavalcante Barros
Sinopse: “Originárias” é uma refabulação contracolonial que entrelaça ancestralidade, feminismo e luta indígena. O filme propõe uma retomada simbólica das vozes silenciadas pela colonização, evocando a mitologia e a força espiritual das mulheres que resistem.
16/12/2025 (terça-feira)
SESSÃO: CINEMAS QUE SOAM COMO ÁGUAS
17h30 às 19h | Mostra de curtas, médias-metragens e filmes experimentais
Afluir (Videodança, 16 min, 2025, Olinda-PE, Livre), dirigido por Gabi Holanda
Sinopse: Afluir é um cine-dança que entrelaça corpo, água e memória em uma narrativa sensorial entre o real e o onírico. Em meio à crise hídrica, uma mulher vivencia o reencontro com a água como alívio e encantamento, acionando gestos cotidianos, mitos e memórias ancestrais. O filme evoca a presença mítica das mulheres d’água e reflete sobre a desigualdade no acesso à água, destacando a centralidade das mulheres no cuidado com esse bem comum. Um mergulho poético na existência aquática da humanidade.
Salam (Documentário, 10 min, 2025, Afogados da Ingazeira-PE, Livre), dirigido por Bruna Tavares
Sinopse: Uma jovem tem seu encontro de fé no sertão de Pernambuco.
Ô Celina, Ô Celina – Biu Neguinho (Documentário, 21 min, 2025, Arcoverde- PE, Livre), dirigido por Jadson André e Sheilla Moreno
Sinopse: Ô Celina ô Celina -Biu Neguinho, narra um pouco dos 95 anos de Severino Amaro dos Santos ou simplesmente mestre Biu Neguinho, o criador e introdutor da batida do surdo do samba de coco de Arcoverde. O filme percorre sua jornada desde sua passagem pelo futebol, sua contribuição para o carnaval arcoverdense com as escolas de samba, suas dificuldades até a revolução cultural que nasce da sua batida imortalizada pelos grupos de sambas de coco de Arcoverde.
Mal Sagrado (Drama, 24 min, 2025, Petrolina-PE, 12 anos), dirigido por Tandie Sogo e Pedro Lacerda
Sinopse: “Mal Sagrado” acompanha a jornada de Ciça, lavadeira que encontra no rio Velho Chico sustento e também a essência de sua existência. Quando sua vida é atravessada por um acontecimento doloroso, ela precisa enfrentar a situação e buscar reconciliação com o rio que sempre a sustentou. Uma narrativa que une silêncio, inspiração na dança contemporânea e simbolismo para refletir sobre luto, identidade, espiritualidade e reconciliação com a natureza.
O céu não sabe meu nome (Drama, 20 min, 2024, Salvador-BA / São Paulo-SP, Livre), dirigido por Carol AÓ
Sinopse: Uma neta ressignifica a morte de sua mais velha através das memórias antes não ditas.
20h | Mostra longa-metragem Nacional
Timidez (Drama, 83 min, 2025, Rio de Janeiro – RJ, 10 anos), dirigido por Susan Kalik e Thiago Gomes Rosa
Sinopse: Jonas, mora com seu o irmão, Nestor, com quem tem uma relação afetuosa, mas, por vezes, abusiva. Porém, esta noite, Lúcia, a vizinha, virá para o jantar e Jonas precisa enfrentar seu irmão e o fantasma de sua “Timidez”, se quiser viver esse amor.
17/12/2025 (quarta-feira)
SESSÃO: CINEMAS PARA INCANDEAR OUTROS MUNDOS
17h30 às 19h |Mostra de curtas, médias-metragens e filmes experimentais
Sertão 2138 (Ficção, 19 min, 2024, Recife-PE, Livre), dirigido por Deuilton B. Junior
Sinopse: Em uma Terra distópica, uma brilhante cientista tem finalmente sua entrada liberada na Estação Espacial. Quando está tudo pronto para a tão sonhada partida e nova vida, uma misteriosa missão interrompe seus planos.
Quando em tuas veias (Experimental, 9 min, 2025, Garanhuns-PE, Livre), dirigido por Roberta Laleska e Felipe Espíndola
Sinopse: Três personagens vagam por uma cidade em dissolução. Suas histórias, fragmentadas por ausências e afetos partidos, se entrelaçam enquanto a própria urbe, viva e pulsante, se insinua como quarta presença — íntima, sufocante, reveladora.
Cana queimada de desejos (Videoclipe, 4 min, 2025, Carpina-PE, Livre), dirigido por Sávio Sabiá e Ricardo Sékula
Sinopse: Em seu primeiro videoclipe, Sávio Sabiá, cantor e compositor da Zona da Mata Norte pernambucana, faz um registro poético de sua trajetória enquanto artista LGBTQIAPN+ da cultura popular, apresentando-se como um sujeito que resiste através da arte.
Um dia de todos os dias (Experimental, 8 min, 2024, Belo Horizonte-BH, 10 anos), dirigido por Fábio Narciso
Sinopse: O racismo é um dia comum.
Boiuna (Drama, 20 min, 2025, Belém-PA, 14 anos), dirigido por Adriana de Faria
Sinopse: O filme acompanha Mara (Jhanyffer Santos) e sua mãe, Jaque (Naieme), em uma jornada marcada por mistérios e encantamentos que atravessam a floresta e as mulheres ribeirinhas. Com uma estética profundamente ligada ao universo amazônico, “Boiuna” constrói uma atmosfera de encantamento e ancestralidade. Entre memória, território e imaginação, “Boiuna” reafirma o protagonismo nortista e feminino no audiovisual brasileiro.
Recife – Enquanto os monstros dormem (Documentário, 9 min, 2023, Recife-PE, 16 anos), dirigido por Widio Joffre
Sinopse: O que acontece nos primeiros minutos de cada manhã em uma cidade grande como Recife? Quais jornadas começam quando suas ruas ainda estão quase vazias? Que segredos e magias seus elementos escondem? Recife – Enquanto os Monstros Dormem é um documentário experimental que faz da cidade sua protagonista, explorando-a para além dos clichês habituais. Inspirada por uma linguagem contemplativa e sensorial, a obra transita entre a ficção e o documentário, evocando momentos de introspecção sobre espaços que se tornaram parte do cotidiano. Ao revelar uma Recife rara e silenciosa, a obra nos conduz a um território de transição — entre o real e o imaginado.
Ecos do Tempo (Experimental, 10 min, 2025, Recife-PE, 16 anos), dirigido por Renato Izaias
Sinopse: No coração do Ibura, em Recife, um jovem se vê entre dois tempos: o presente marcado pela luta cotidiana e um futuro distópico em que inteligências artificiais controlam narrativas e silenciam comunidades inteiras. Ecos do Tempo costura afrofuturismo, poesia e ancestralidade para revelar a potência da memória coletiva e da espiritualidade periférica como forças capazes de atravessar séculos. Entre o real e o onírico, o filme é uma fábula sobre resistência, identidade e a urgência de preservar nossas vozes diante do esquecimento imposto.
20h | Mostra longa-metragem Nacional
Uma estrada que corta o território do Xerente (Documentário, 72 min, 2025, Palmas-TO, 10 anos), dirigido por Túlio de Melo
Sinopse: “Uma estrada que corta o território do Xerente” é um documentário indígena que tem como objetivo provocar uma reflexão sobre o conceito de território a partir da realidade do povo indígena Xerente, cuja terra, o seu território é cortado por uma estrada que é utilizada durante a narrativa do documentário como um chamado para reflexão sobre o conceito de território indígena.
18/12/2025 (quinta-feira)
SESSÃO FABRICANDO IMAGINAÇÕES DO FUTURO
15h30 – 16° Festival de Cinema de Triunfo Convida CineSesc – Mostra Infantojuvenil
Menina Semente (Aventura, 10 min, 2023, Caruaru-PE, Livre), dirigido por Túlio Beat
Sinopse: Numa cidade poluída e repleta de contrastes, brota uma semente singular: uma menina indígena do passado.
Lá na frente (Drama, 10 min, 2024, Recife-PE, Livre), dirigido por Márcio Andrade
Sinopse: Quando Pedro e sua mãe recebem a notícia de que Raula não vai mais chegar, ambos encontram seus meios de atravessar a perda.
Queimando por dentro (Drama, 16 min, 2024, Recife-PE, Livre), dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias
Sinopse: Nascido em uma família evangélica neopentecostal, Samuel cresceu no coração de uma religião que ganhou grande influência no Brasil nas últimas décadas. Enquanto começa a explorar sua sexualidade e abraçar sua identidade queer, seu mundo é abalado quando seu pai, de forma abrupta, o proíbe de dançar na igreja. Um ponto de virada em sua vida é iminente.
Babalu é carne forte (Ficção, 18 min, 2025, Recife-PE, Livre), dirigido por Xulia Doxágui
Sinopse: Diana retorna à comunidade onde cresceu durante a festa de São Cosme e Damião. Uma criança misteriosa a convida para brincar.
Catarse (Drama, 4 min, 2025, São Paulo-SP, Livre), dirigido por Nicole Carvalho Fukushima e Théo Álan de Sá Bugelli
Sinopse: Preso em uma rotina sem cor, Théo abandonou sua paixão pela arte, vivendo uma vida corporativa e solitária. Mas, ao se deparar com A Noite Estrelada, uma onda de sentimentos reprimidos transborda, rompendo as barreiras entre sonho e realidade.
20h | Mostra longa-metragem Nacional
Jamary (Ficção, 94 min, 2025, Manaus-AM, Livre), dirigido por Begê Muniz
Sinopse: Ane, uma influenciadora de 12 anos, passa as tardes brincando na vila Jamary, na região Amazônica. Desafiada por seus primos, ela entra na floresta e acaba encontrando o Anhangá, um “encantado espírito” indígena que luta pela preservação da floresta.
19/12/2025 (sexta-feira)
SESSÃO: TODA TERRA GUARDARÁ NOSSAS VOZES
17h30 às 19h |Mostra de curtas, médias-metragens e filmes experimentais
Mar de dentro (Documentário, 8 min, 2024, Recife-PE, Livre), dirigido por Lia Letícia
Sinopse: A incansável insubmissão ao poder de Preto Sérgio e sua busca pela história do que não foi revelado, desamarrando os nós a partir dos bons ventos que o levam ao mar de fora e ao mar de dentro.
Areias do céu (Documentário, 17 min, 2024, Santa Cruz do Capibaribe-PE, Livre), dirigido por Virgínia Guimarães
Sinopse: “Areias do céu” é um documentário que mergulha nas comunidades serranas da Vila do Pará e Palestina, em Santa Cruz do Capibaribe, revelando as conexões entre esses dois lugares.
As duas faces de Eva (Documentário, 19 min, 2025, Itacuruba-PE, Livre), dirigido por Coletivo Cinema no Interior
Sinopse: Na aldeia indígena Tuxá Campos, na margem pernambucana do rio São Francisco, duas mulheres com o mesmo nome compartilham lembranças de um tempo que se perdeu nas águas da represa de Itaparica.
Noé da Ciranda (Documentário, 12 min, 2024, Surubim-PE, Livre), dirigido por João Marcelo
Sinopse: O filme celebra a vida e a obra de Mestre Noé da Ciranda, um ícone da cultura popular pernambucana. Agricultor, poeta e cirandeiro, Noé transforma o cotidiano em arte, improvisando versos entre os passantes de uma feira livre no interior. Através de causos vividos e memórias afetivas, sua música transcende o simples entretenimento, consolidando-o como um dos grandes nomes da arte popular do Nordeste. Uma jornada que une poesia e ritmo, revelando a ciranda em sua forma mais pura: dançante, comunitária e cheia de vida.
Iluminação Especial 7.0 (Documentário, 19 min, 2025, Santa Cruz do Capibaribe-PE, Livre), dirigido por Mayara Bezerra
Sinopse: Por meio de um olhar ensaístico em voz off e de depoimentos, o filme retrata o significado da emancipação de uma cidade movida a trabalho, e que é atravessada por uma identidade cultural intimamente ligada à economia da região. Essa narrativa sobre o trabalho e os trabalhadores é entrecortada pela tradução dos desejos desta classe através da arte, essa expressão simbólica que faz nascer e retomar identidades.
Presente de Aniversário (Documentário, 15 min, 2025, Afogados da Ingazeira-PE, Livre), dirigido por Uilma Queiroz
Sinopse: O cantador de viola e repentista Anízio Queiroz está perdendo a memória. Como um presente de aniversário, sua filha, então diretora de cinema, remonta, junto com ele e com a família, suas lembranças e sua poesia através deste filme.
20h | Mostra longa-metragem Nacional
Gravidade (Ficção, 72 min, 2025, Recife-PE, 12 anos), dirigido por Leo Tabosa
Sinopse: Durante uma tempestade solar que ameaça colapsar a gravidade da Terra, quatro mulheres confrontam mistérios enterrados numa mansão à beira do fim. Entre segredos, memórias e rancores, nasce uma nova chance de reordenar o mundo
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