domingo, 24 de abril de 2016



                  Thamires Tannous

 Natural de Campo Grande (MS), a cantora e compositora Thamires Tannous apresenta seu álbum de estreia, “Canto para Aldebarã”. A obra encanta por se apresentar como proposta singular no cenário da música brasileira contemporânea.

As 11 músicas do CD atravessam os diferentes universos que ajudaram a compor a história da cantora, desde sua descendência libanesa até sua essência tipicamente brasileira. Grande parte das canções foi criada sobre ritmos e melodias árabes, o que dá ao disco um caráter inédito. Nove das canções são de autoria de Thamires, incluindo parcerias com importantes letristas como Luiz Tatit, Kléber Albuquerque, Estrela Leminski e o português Tiago Torres da Silva.


Composições que falam de amor, natureza e vida moderna passeiam por pandeiros e derbaques, violões e violinos, acordeons e guitarras, djembes e daffs. Tudo isso amarrado pela delicada e intensa voz da cantora, que traz em sua sensibilidade um estímulo a conhecer mais do que há em nossas próprias raízes.


O disco conta com a participação de músicos como Dante Ozzetti, Ivan Vilela, Toninho Ferragutti, Sérgio Reze, Ricardo Herz e William Bordokan.

A produção e os arranjos do trabalho são assinados por Dante Ozzetti, músico e arranjador que já contribuiu com nomes como Itamar Assumpção, Duofel, Ceumar e Ná Ozzetti, dentre outros artistas.

sexta-feira, 22 de abril de 2016


Cultura negra pernambucana circula pela Europa

Oito países vão receber as oficinas de do percussionista recifense Pitoco de Airá


Entre os dias 27 de abril e 05 de junho, quinze cidades da Áustria, França, Portugal, Itália, Irlanda, Suíça, Alemanha e Inglaterra, receberão as oficinas do projeto Vivência com a Cultura Pernambucana de Matriz Africana, ministradas pelo percussionista Pitoco de Airá. O projeto, que conta com o apoio do Ministério da Cultura, propõe a difusão de tradicionais saberes e fazeres populares pernambucanos.
Victor Max
 Victor Max
O percussionista é membro do Maracatu Estrela Brilhante do Recife
Serão realizadas atividades de formação sobre a história e as práticas musicais de folguedos como o maracatu e o afoxé, de religiões como o candomblé e a Jurema Sagrada, além da capoeira. O público será composto por músicos, simpatizantes da cultura pernambucana e coletivos de maracatu que desenvolvem suas atividades em países do velho continente.
O encerramento da turnê, no dia 05 de junho, será na cidade de Brightom, na Inglaterra. Pitoco irá reger mais de 300 percussionistas de vários países em um grande encontro europeu de música percussiva. Além disso, os grupos que participarão das vivências nas diversas cidades irão apresentar seus trabalhos e os resultados das oficinas. Todas as atividades desenvolvidas serão registradas e irão se transformar em um documentário e uma exposição fotográfica.
Carlos Alberto Teresio de Araújo, o ‘Pitoco de Airá’, é um percussionista recifense nascido e criado no bairro do Alto José do Pinho. Iniciou sua carreira aos quatro anos de idade no Afoxé Ylé de Egbá e no Maracatu Estrela Brilhante do Recife.
Além de ministrar aulas em projetos sociais no Alto José do Pinho e Olinda, Pitoco de Airá já formou batuqueiros em diversas cidades do Brasil e do mundo. É membro ativo do Maracatu Estrela Brilhante do Recife e ogã do terreiro Yemoja Ogunté, do bairro de Água Fria. Tem trabalhos com diversos artistas, entre eles Naná Vasconcelos, Lenine, Alceu Valença, Milton Nascimento, Diogo Nogueira, Marisa Monte, Marcelo D2.

quarta-feira, 20 de abril de 2016


Nesta segunda-feira (18),aconteceu em Salvador, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia,   às 15hs, lançando da  mais nova obra do escritor e poeta baiano Oleone Coelho Fontes: ''Sergipe na Guerra de Canudos''. Um escrito memorável da participação e influencia do sertanejo Sergipano na fundação e no ocaso do Arraial do Belo Monte, do Beato Santo Antonio Conselheiro,nas terras do Vaza Barris,no sertão baiano. 

quarta-feira, 13 de abril de 2016



     INAUGURADO EM MONTEIRO MEMORIAL QUE PRESERVARÁ A HISTÓRIA DE ZABÉ DA LOCA

o Complexo turístico Zabé da Loca,inaugurado neste domingo (10) resgata a história de Zabé,a pifeira pernambucana que viveu por 25 anos numa loca na zona rural da cidade de Monteiro,cidade encravada no Cariri paraibano.
A inauguração aconteceu durante as festividades do 7º Festival de Cultura Popular do Cariri Paraibano Zabé da Loca,realizado desde sexta-feira(8),na cidade. Aos 92 anos,Zabé parou de tocar, mas seu legado permanece.

O complexo inclui um restaurante,um memorial à pifeira e  uma visita a loca onde ela morou grande parte da sua vida.
O festival de Cultura Popular Zabé da Loca encerrou no domingo com a 3ª Noite de Poesia no Teatro Jansen Filho. 



 Muitos com certeza já ouviram falar em campo de concentração. Mas poucos sabem que aqui no Ceará também teve um lugar assim. Foi na seca do quinze, quando os retirantes que se aglomeravam em Fortaleza tiveram que ser isolados da população da capital. Saiba mais em 1915: a história dos sertanejos cearenses no ano da seca, novo livro do pesquisador cearense Cicinato Ferreira Neto.
A obra é resultado de ampla pesquisa em arquivos do Ceará e de outros estados – jornais, revistas, fontes primárias e secundárias, além de manuscritos. O objetivo do trabalho é entender como foi o cotidiano dos sertanejos e dos próprios cearenses, de maneira geral, no ano de 1915, marcado por grande estiagem, a qual ficou celebrizada na literatura através do romance da cearense Raquel de Queiroz.
Na publicação, de 304 páginas, Cicinato Ferreira Neto escreve um ensaio sobre a história da seca, analisa a postura do governo e das autoridades, descreve a postura dos cearenses na quadra de dificuldades, fala sobre trabalho e migrações, enfim, tenta dar uma contribuição à historiografia cearense, ainda com poucos escritos dessa natureza. As fotos e ilustrações ajudam a contar um pouco mais sobre período de grandes privações para o povo cearense.
Cicinato Ferreira Neto já lançou outros livros: “Estudos de História Jaguaribana” (2003), “A Tragédia dos Mil Dias: a seca de 1877-1879 no Ceará” (2006), “A Misteriosa Vida de Lampião" (2008), "A História do Fisco Cearense" (2011) e “A História do Ceará: fontes e bibliografia” (2013).
O livro “1915” pode ser adquirido diretamente com autor através dos seguintes e-mails:cicinato.neto@sefaz.ce.gov.br ou cicinatoneto@zipmail.com.br.

segunda-feira, 11 de abril de 2016


Nova temporada do ‘Cinema no Interior’ já percorre o sertão pernambucano

Oficinas preparatórias em cinco municípios vão resultar na produção de curtas-metragens, que serão exibidos no Festival. 


A caravana de formação do projeto Cinema no Interior está percorrendo, mais uma vez, o sertão pernambucano. O projeto conta com incentivo do Governo do Estado, através do Funcultura, e vai contemplar mais de 350 moradores de Afogados da Ingazeira, Serra Talhada, Exu, Cabrobó, Belém do São Francisco e cidades vizinhas.
Na bagagem desta edição, destaque para as oficinas de Roteiro, Interpretação, Produção, Fotografia, Som para Cinema e Direção.
Como resultado das oficinas, cada cidade irá produzir, em média, três roteiros. Pelo menos um destes roteiros deles será selecionado para realização do filme que vai representar o município no próximo Festival de Cinema no Interior e nas próximas Mostras Cinema no Interior. Os outros roteiros poderão ser aperfeiçoados e inscritos pelos alunos nos próximos editais do Funcultura.
Divulgação
Acervo Cinema no Interior
Roteiro dos filmes é selecionado após oficina em cada cidade
Durante o Festival, culminância do projeto, as comunidades e demais fazedores de cultura envolvidos vão conferir os filmes, produzidos coletivamente. Na ocasião, um júri técnico e um júri especial (formado por integrantes dos próprios filmes) vão eleger e premiar os principais destaques da temporada.
Mais sobre o projeto
Além de fomentar a produção audiovisual dos sertões, a ideia do projeto é revelar e projetar novos talentos locais, valorizando a classe artística sertaneja. Em 2014 o Festival de Cinema no Interior foi realizando no antigo Cine Art, na cidade de Serra Talhada. Em 2015, foi a vez do Cine são José, em Afogados da Ingazeira. Nesta nova temporada, o Festival de Cinema no Interior será realizado no Cine Teatro Guarany, na cidade de Triunfo, desenvolvendo assim um painel representativo dos cinemas de rua do interior pernambucano.
Divulgação
Acervo Cinema no Interior
Em 2015, o Cinema São José acolheu o público do festival
O projeto conta com a parceria do Festival Internacional de Cinema de Contis, França, onde anualmente alunos do Cinema no Interior participam representando os seus filmes. Como estratégia de intercâmbio, o projeto também recebe realizadores franceses, que tornam-se integrantes da equipe de produção do festival. O Cinema no Interior estabelece relação de cooperação técnica e aproveitamento de alunos formados pelo Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias e, para esta edição, foi iniciado um trabalho de aproveitamento dos alunos formados pela UFPE, oriundos do curso de Cinema e Audiovisual; além de incentivo à profissionalização de alunos iniciados e descobertos em edições anteriores do projeto.
A VI edição do Cinema no Interior conta com os colaboradores: Tairone Feitosa, Cláudio Gomes, Antony Dunes, Mary Elen Abrantes, Lorena Arouche, Mauricio Alexandre, Camilla Lapa, Pedro Severien, Sálua Oliveira, Petrônio Lorena, Mannoel Lima, Ângela Câmara, Hermila Guedes, Adriano Loiola, Tiago Scorza, Charles Lima, André Dib e Raphaela Oliveira

domingo, 3 de abril de 2016

 O Fantástico Mundo das Sanfonas

Amigos amantes da fotografia e da sanfona, neste sábado(2) a Casa da Cultura Veremundo Soares,em Salgueiro, abriu às 20 h a exposição fotográfica -coletiva - O Fantástico Mundo das Sanfonas - sob a curadoria e pesquisa de Emanuel Andrade. São trabalhos dos talentosos Ivan Cruz Jacaré,Regina LimaHéliton Filgueira de AraujoDiego Fernandes e Gilson Pereiraque registraram grandes momentos de shows em festivais, rodas de sanfona e intimidade de artistas novos e veteranos. Imperdivel. Aqui é só uma canja.Depois a exposição chegará a Petrolina-Juazeiro.

terça-feira, 29 de março de 2016

                                                   Lunildes

Lunildes de Oliveira Abreu nasceu no município de Pirenópolis-GO no dia 12 de dezembro de 1953. O despertar pela arte veio ainda na infância, quando recolhia telhas velhas para pintar. Já adulta conheceu o trabalho de Maria de Beni (1919-1984), uma importante artista goiana, que se dedicava a reproduzir em cerâmica os personagens da cavalhada de mouros e cristãos, encenada todos os anos na Festa do Divino de Pirenópolis. Maria de Beni deixou vários seguidores, dentre eles a mais conhecida, Lunildes de Oliveira Abreu

Lunildes trabalha com arte há muitos anos. É profunda conhecedora da cultura e das tradições de Pirenópolis, onde encontra inspiração para produzir suas peças. Além dos mouros e cristãos da cavalhada da Festa do Divino, produz caras de boi de vários tamanhos, enfeitadas de flores de cerâmica, estandartes e pombas do Divino. A arte de Lunildes é conhecida internacionalmente e seu trabalho já foi exposto em importantes galerias de arte e em museus, como o Museu Casa do Pontal (Rio Janeiro, RJ).


Lunildes, cavaleiros mascarados, cerâmica policromada. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Lunildes, cavaleiro mouro, cerâmica policromada. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Lunildes, cavaleiro (detalhe), cerâmica policromada. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Lunildes, cavaleiros mascarados, cerâmica policromada. Foto: Sergio Araújo.

Lunildes, cavaleiros mascarados (detalhe), cerâmica policromada. Foto: Rômulo r,Propos

segunda-feira, 21 de março de 2016


Mote dos Poetas : Valdir Teles & Fenelon Dantas 
Glos
a: Nivaldo CruzCredo
O sol nasce mais bonito
Lá por cima da caatinga,
O orvalho que respinga
Gotas com seu gabarito,
O voar do periquito
Pelo céu na amplidão,
O verão é mais verão,
É beleza de todo lado,
Quer Ver Um Reino Encantado,
Passe Um dia No Sertão!
Meio dia lá no lajedo,
Corre calango e lagartixa,
O bode velho de barbicha,
Debuia o seu segredo,
Pula e berra de dar medo
Parece ter parte com cão
Mas é só mesmo impressão,
Quer botar ordem no cercado,
Quer Ver Um Reino Encantado,
Passe Um dia No Sertão!
O gado lá na pastagem
Come e berra de dá gosto,
Já na seca é o oposto,
Sem achar se quer ramagem
Perdem mesmo a coragem
O berro é só lamentação
Que se tranforma em oração,
Aí a chuva cai um bucado,
Quer Ver Um Reino Encantado,
Passe Um dia No Sertão!
De noite é rasga mortalha,
Que ritmeia toda a terra,
Menino de medo berra,
Puxa da mesa a toalha,
No chão tudo se espalha,
Quase quebra o lampião,
A mãe dá logo um carão,
Ele fica mais assombrado,
Quer Ver Um Reino Encantado,
Passe Um dia No Sertão!
Xilogravura “Amanhecer no Sertão” autor desconhecido. 

sábado, 19 de março de 2016

sexta-feira, 18 de março de 2016


                       Manoel Xudu Sobrinho

, Manoel Xudu, conforme Zé Marcolino, um cantador de versos fáceis, nasceu na cidade paraibana de São José do Pilar, aos 15 de março de 1932. Foi uma pessoa humilde, tratável e considerava todo cantador maior do que ele.
A análise descritiva da poesia Xuduziana é tão profunda, que nos surpreendemos sempre com a riqueza de detalhes dos seus versos. Parece que estamos vendo os quadros poéticos pintados pela genialidade de Xudu. Admirado pelos colegas de viola e por todos os amantes da arte do improviso, tinha como marca registrada a humildade, que o tornou maior ainda, tanto como poeta, quanto como homem honrado que era.
Da Antologia Ilustrada dos Cantadores colhemos as seguintes sextilhas:
Xudu cantava com determinado companheiro sobre as coisas sertanejas. O colega falando do comportamento do touro diante do perigo:
O touro fica de guarda
Só rodeando a malhada.
Xudu:
Uma novilha amojada
Ao se apartar do rebanho,
Quando volta, é com uma cria
Que é quase do seu tamanho;
Ela é quem lambe o bezerro,
Por não saber lhe dar banho.
Prosseguindo, o parceiro fala do porte avantajado dos animais de sua terra:
Não exagero o tamanho
Dos bichos do meu sertão:
Existe, lá, cada bode
Maior do que um caminhão,
Que o chifre encosta nas nuvens
E a barba arrasta no chão.
Xudu foi mais realista, exaltando os animais que sua terra cria:
Carneiro do meu sertão,
Na hora em que a orelha esquenta,
Dá marrada em baraúna
Que a casca fica cinzenta
E sente um gosto de sangue
Chegar à ponta da venta.
Estrofe de Xudu, que me foi passada pelo poeta Luís Homero, filho de Zé de Cazuza:
Vê-se o sertanejo moço
Com três meses de casado;
Antes de ir pro roçado,
Da mulher, beija o pescoço.
Ela lhe traz, no almoço,
Uma bandeja de angu,
A titela de um nhambu,
Depois lhe abraça e suspira.
O sertanejo admira
As manhãs do Pajeú.
Do livro Poetas Encantadores, de Zé de Cazuza, retiramos os seguintes versos do mestre Mané Xudu:
Na deixa de um parceiro de cantoria:
Eu gosto da claridade
Do olho do pirilampo
Xudu improvisou:
O meu amor pelo campo,
Cada vez mais, continua.
Eu não troco a claridade
Embaraçada, da lua
Pelas lâmpadas de mercúrio
Que clareiam aquela rua.
Outra deixa:
Pra tão longe a ave voa,
De volta, não erra o ninho.
Xudu arremata:
A arte do passarinho
Nos causa admiração:
Prepara o ninho no feno,
No meio, bota algodão
Para os filhotes implumes
Não levarem um arranhão.
O genial Manoel Filó fala de sua admiração pelo repentista:
Com vate do teu tamanho,
Eu nunca tinha cantado.
Xudu retribui o sincero elogio:
Com você canto apertado
Que só cobra de cipó.
Que, com três dias de fome,
Tenta engolir um mocó,
De tanto forçar a boca,
Finda estourando o gogó.
Com Furiba, que lhe dá a deixa:
Cisca o pinto, no terreiro,
Numa manhã que serena.
Xudu:
Uma galinha pequena
Faz coisa que eu me comovo:
Fica na ponta das asas,
Para beliscar o ovo,
Quando vê que vem, sem força,
O bico do pinto novo.
Com Job Patriota cantando numa cidade do sertão, este referiu-se à diferença entre o povo sertanejo e o brejeiro:
Do sertanejo, o costume
Difere daquele povo.
Xudu:
Lá, brigam até por um ovo
Que acham na camarinha,
Já aqui, uma raposa,
Quando pega uma galinha,
Leva pra dentro da toca,
Cria a ninhada todinha.
Discorrendo sobre a natureza, o repentista nos brinda com mais esta obra-prima:
Tem coisa na natureza
Que olho e fico surpreso:
Uma nuvem carregada,
Se sustentar com o peso,
De dentro de um bolo d’água,
Saltar um corisco aceso.
Glosando nos motes:
Chapéu de couro, o retrato
Do vaqueiro do sertão.
É uma bola de ouro
Pra todo humilde vaqueiro,
Que ganha do fazendeiro,
Um belo chapéu de couro.
Conduz aquele tesouro
À noite, para o colchão;
Para, na escuridão,
Não ser roído do rato.
Chapéu de couro, o retrato
Do vaqueiro do sertão.
Salta fogo das nuvens de momento,
Cai a chuva na terra, o trovão zoa.
Quando Deus, que é juiz pra todo jugo,
Molha as terras sedentas e vermelhas,
O corisco por cima abala as telhas,
Cai a água, me molho e me enxugo.
Vê-se um sapo escanchado num sabugo,
Como um cabra remando uma canoa...
Sai cortando as maretas da lagoa,
Chega os braços parecem um cata-vento.
Salta fogo das nuvens de momento,
Cai a chuva na terra, o trovão zoa.
É, bonito, é saudoso, é natural
O cenário do campo sertanejo.
No sertão, todo dia, bem cedinho
Vê-se um galo descendo do poleiro,
Um cabrito berrando no chiqueiro,
No terreiro, fuçando, um bacorinho.
Um preá sai torcendo o seu focinho,
Como um cego tocando realejo;
Na cozinha, uma velha espreme o queijo,
Um bezerro pulando no curral.
O retrato do corpo natural
É a veste do homem sertanejo.
Um bueiro, mal feito, fumegando,
Representa o sertão de antigamente.
Um ferreiro suado numa tenda,
Agarrado no cabo da marreta,
Consertando algum dente da carreta
Que quebrou e precisa duma emenda;
Um crioulo no pé duma moenda,
Já um pouco queimado de aguardente;
O bagaço espirrando pela frente
E uma bica de caldo derramando,
Um bueiro, mal feito, fumegando,
Representa o sertão de antigamente.
De acordo com o livro Mané Xudu – O Imortal do Repente (Halley S.A.Gráfica e Editora,1996 – Teresina/PI), do poeta e escritor Pedro Ribeiro, seguem as seguintes estrofes do gênio:
O extraordinário repentista assim externa sua própria maneira de versejar:
O meu verso é como a foice
De um brejeiro cortar cana.
Sendo de cima pra baixo,
Tanto corta, como abana,
Sendo de baixo pra cima,
Voa do cabo e se dana.
Xudu e Diniz Vitorino pelejavam, quando este lhe dá a deixa:
Ponho sebo no cocão
Para o carro não cantar.
Remexendo nas cavernas do juízo, Xudu dispara:
E o boi tristonho a puxar
O carro pela rodagem,
De tanta fome e de sede,
Chega a lhe faltar coragem,
Se vendo a listra de lágrimas
Correr na cara selvagem.
Numa cantoria com Sebastião da Silva, em Timbaúba/PE, o grande repentista observa um detalhe somente conhecido pelo sertanejo:
Botei espora nos pés,
Pulei em cima do bicho,
Entrei na mata fechada
Coberta de carrapicho,
Dando manobra na sela,
Chega rangia o rabicho.
Notável observador da natureza, onde suas estrofes são retratos da paisagística sertaneja, Xudu refere-se à vaca leiteira:
São quatro peitos roliços
Que, unidos, fazem cama.
Todos quatro são furados
E o leite não se derrama,
Mas sai com facilidade
Depois que o bezerro mama.
Outras estrofes extraordinárias desse repentista admirável:
O ligeiro mangangá
Passa, nos ares, zumbindo;
As abelhas do cortiço
Estão entrando e saindo,
Que, de perto, a gente pensa
Que o pau está se bolindo.
A raposa arrepiada
Se aproxima do poleiro,
Espera que as galinhas
Pulem no meio do terreiro;
A que primeiro descer,
É a que morre primeiro.
Feliz está o vaqueiro
Ordenhando a vacaria;
Já bebeu o leite quente,
Comeu da coalhada fria
E quando sai para o campo,
Canta, aboia e assovia.
O ‘imortal do repente’ faleceu no ano de 1985, em Salgado de São Félix, onde residia




terça-feira, 15 de março de 2016