segunda-feira, 25 de setembro de 2017


                                   


                                       LENDA DO MORRO DO PAI INÁCIO

Conta a lenda de um escravo chamado Inácio, que tinha como proprietário um poderoso fazendeiro da região de Lençois na Bahia, nos tempo do Império antes da promulgação da Lei Áurea. A sinhazinha filha do fazendeiro e o escravo se apaixonaram e tiveram um romance às escondidas por um certo tempo, até que alguém desconfiou e descobriu tudo, fazendo chegar aos ouvidos do pai da sinhazinha toda história. O grande fazendeiro enfurecido com o fato, ordenou ao capataz que tirasse a limpo aquele absurdo e caso fosse confirmado era para torturar e depois dar cabo da vida do maldito escravo que estava abusando de sua filha.
Esta ao saber do decisão do pai de punir o seu amado, correu ao seu escravo para contá-lo e impedir que lhe fosse feito algum mal, pois ela o amava. Inácio no início resistiu, pois queria enfrentar a situação. Mas por insistência da sinhazinha aceitou fugir com a promessa de que iriam se encontrar e ficar juntos para sempre. Esta lhe fez tal promessa de amor eterno se jogando aos seus braços com lágrimas nos olhos e pedindo desesperadamente que tomasse todo cuidado. Que fugisse por algum tempo até as coisas esfriarem. Depois dariam algum jeito de se ver. Como prova de seu amor deixou com Inácio, sua linda e querida sombrinha comprada na Europa, para que ele sempre recordasse dela. Se despediram rapidamente antes que o capataz pudesse surpreendê-los. O escravo Inácio deu início a sua fuga o mais rápido possível.
Quando o capataz chegou à senzala com uma tropa de capangas fazendo o maior alvoroço na busca do maldito escravo, indagou a todos que não souberam informar o paradeiro de Inácio, torturou alguns mais chegados e não conseguiu nada. Voltou para a casa grande e informou da fuga ao fazendeiro, que ficou muito bravo. Este interrogou a filha, que sob pressão, confirmou a fuga do amante. O pai enfurecido, determinou ao capataz e aos capangas pistoleiros que capturassem o fugitivo o mais depressa possível, estes deveriam trazê-lo até a fazenda para ser torturado e morto na frente de todos para servir de exemplo. Os capangas sob o comando do capataz da fazenda um sujeito muito cruel e enciumado de Inácio por ter um caso com a filha do fazendeiro, saiu em disparada em busca do fugitivo. Inácio que era muito esperto e conhecia bem a região ficou muito tempo escondido nas matas fechadas da Chapada Diamantina, comia frutas, leguminosas, raízes, pequenos animais, aves e peixes que conseguia capturar.
Passaram-se meses de um lugar para o outro em grutas, cavernas, acampado na mata, sempre próximo de rios e cachoeiras onde se banhava e se alimentava com facilidade. Mas sempre atento para não ser capturado pois seria o seu fim. Pensava muito em sua amada sinhazinha e isso era o que dava forças para continuar fugindo e se escondendo na esperança de um dia viver em paz com sua amante querida. Ao mesmo tempo a caçada ao fugitivo aumentava a cada dia, pois o fazendeiro passou a nutrir um ódio cada vez maior pelo escravo, por que passou a ser motivo de escárnio entre os fazendeiros locais e populares.
Então chegou ao capataz uma notícia segura do paradeiro do escravo, que ele havia sido visto num riacho próximo e abaixo de um morro. E lá foi visto com uma senhorinha branca a passear. O capataz raivoso viajou com sua tropa de pistoleiros seguindo a pista do escravo, que se encontrava descansando numa pequena gruta perto de uma bica que leva o seu nome hoje, pensava até que já tinham se esquecido dele quando de repente, ouviu barulho de cavalos e gritos se aproximando pelo mato.
Correu em disparada só pegou a sombrinha da sua amada e começou uma fuga louca pelo mato fechado sentindo os inimigos em seu encalço, determinados a captura-lo de qualquer jeito. Quando teve a ideia de se esconder no topo do morro a sua frente. Como era uma tarde chuvosa e escurecida, ele conseguiu se distanciar e escapou, logo ao anoitecer começou a subir morro acima.
Os capangas não conseguiram nada e retornaram para a grande fazenda de mãos vazias. O fazendeiro ficou irado e ofereceu até recompensa pela captura do escravo fugitivo vivo ou morto. Dias depois retornaram ao local com a notícia que o escravo estava escondido no alto do grande morro. Todos estavam muito bem armados e determinados a receber uma gorda recompensa. Enquanto isso a pobre sinhazinha tinha sido confinada em casa, no quarto e proibida de sair.
Os pistoleiros então seguiram morro acima para dar um fim aquela história de uma vez por todas. Mas o escravo Inácio que era muito esperto e conhecia aquele morro como a palma da sua mão, planejou uma fuga muito mais espetacular e definitiva, caso fosse surpreendido pelos capangas do coronel. Conhecia aquelas pedras e grutas escavadas nas rochas como ninguém e poderia engana-los facilmente e foi o que fez. Pensou em se apresentar ao capataz e aos capangas para que estes tentassem alveja-lo e simularia uma queda do morro para que pensassem que ele teria morrido e assim o deixariam viver em paz. E tudo ocorreu como havia pensado. Quando ele percebeu a chegada da tropa de capangas fingiu que estava assustado e correu sobre as pedras saltando de um lado para o outro, os facínoras começaram a disparar suas armas tentando atingi-lo, mas o escravo era um negro rápido, ágil e destemido.
Os capangas sob ordem do capataz se espalharam pelo morro, eram mais de vinte pistoleiros armados, contra apenas um homem desarmado, mas com um sonho inabalável de viver um grande amor com a sua sinhazinha. Grudado em sua sombrinha, o negro Inácio correu para a beira do morro que ficava a uns trezentos metros de altura. E ao sentir que os capangas se aproximavam atirando cada vez mais, deu um salto fantástico para o precipício e a sombrinha se abriu em sua mão sumindo de vista dos capangas que o perseguiam.
Estes ficaram atordoados, pois nem sinal do escravo, ele simplesmente tinha sumido no ar. Nenhum tinha a coragem de ficar tão próximo a borda da pedra do morro para verificar a queda e o paradeiro do corpo do escravo, nem mesmo o capataz conseguiu pois ventava muito e uma queda seria fatal.
Como não encontraram o corpo, decidiram voltar ao coronel e dizer que o escravo havia se jogado morro abaixo e que ao bater nas pedras haveria morrido e o corpo ficara em pedaços espalhados morro abaixo. Como foi dado como morto o escravo parou de ser perseguido pelo fazendeiro. Porém, o negro Inácio, nosso herói, continuou vivinho como havia planejado. No local onde ele fez o pulo daquela borda saliente da pedra, há alguns poucos metros abaixo, havia uma outra borda de pedra onde ele amorteceu o salto e se encolheu encostado em um vão junto a parede do pedra do morro, para evitar que fosse localizado pelos inimigos dando a eles a impressão que teria se precipitado morro abaixo. O fazendeiro de início não acreditou muito não e foi até lá no morro para verificar, mas quando viu o local onde o escravo que havia pulado se convenceu da morte do infeliz.
Algum tempo depois a sinhazinha voltou a sair de casa e a encontrar com seu amante numa grutinha junto ao morro. Tomava muito mais cuidado para não serem descobertos. Só que a sinhazinha havia engravidado do escravo seu amante. O pai da moça que já estava doente de tanta raiva que passou, piorou muito mais a sua saúde, que já era debilitada pela idade.E em pouco tempo veio a morrer. Foi então que os sonhos do escravo Inácio e sua sinhazinha se realizaram, pois assumiram o relacionamento amoroso, tiveram um lindo filho e viveram felizes pelo resto de suas vidas. Daí surgiu o nome para aquele lindo morro, em homenagem ao escravo Inácio que se tornou pai do filho de sua sinhazinha. Por isso Morro do Pai Inácio, um dos cartões postais mais lindos da Chapada Diamantina.

domingo, 24 de setembro de 2017

Guadalupe - Flora (Clipe Oficial Full HD)

                                                                                     

                         GUADALUPE

Guadalupe Mendonça é uma cantora de família tradicional do agreste pernambucano que pouca gente conhece, mas tem uma carreira artística importante no cenário musical do Brasil. Começou seus registros fonográficos em 1980 quando lançou o LP “Princesa do Meu Lugar”, pela RCA, com direção artística de Osmar Zan e direção de estúdio de Dominguinhos (com quem acabou se casando) que ainda fez arranjos de base e participou das gravações tocando acordeon.



O disco contou com a participação especial do diabo louro Hermeto Pascoal, na flauta e sax-tenor. Os destaques deste trabalho foram as composições “Levanta Seu Moço” de Gonzaguinha, “Francamente (A Razão Me Diz Que Não)” de Toquinho e Cacaso, “As Moças” de Ivan Lins e Victor Martins, “Muriama” de Hermeto Pascoal, “Anjo Forasteiro” de Dominguinhos e Rita Lee, além da faixa-título de Belchior e “Velha Amiga” de Toquinho e Vinícius.




Ainda nos anos 80 – em 1984 – participou do especial “Danado de Bom” de Luiz Gonzaga na Rede Globo de Televisão, que marcou a despedida artística do “Rei do Baião”. Em 1987 lançou o LP “Rubi Grená”, um disco que fez sucesso, lançado pela gravadora Continental e que contou com a participação de Dominguinhos no acordeon, Toquinho, na música “Minha Rainha” (de Dominguinhos, Dom Tronxo e Rubem Valença), além da participação de Fagner na música “Queira ou Não Queira”, de Clodô e Dominguinhos.



Destacam-se ainda “Cheiro de Alecrim” e “É Difícil Esquecer Você” de Nando Cordel e “Rela Rela no Chinelo” de Bastinho Calixto e Ana Paula. Em 2003, Guadalupe participou do CD “Duetos”, do sanfoneiro Dominguinhos cantando com ele na faixa “Gostoso Demais”, música de Nando Cordel em parceria com Domingos de Moraes.

Guadalupe - Paraíso

sábado, 23 de setembro de 2017


Capibaribe de La Plata promove encontro musical entre Pernambuco e Buenos Aires

Projeto com incentivo do Funcultura convidou a banda Ensamble Chancho a Cuerda para trocar experiências com os músicos Isadora Melo, Juliano Holanda, Rafael Marques e Zé Manoel.


Reprodução/Internet
Reprodução/Internet
Os músicos pernambucanos Juliano Holanda, Isadora Melo e Zé Manoel, além de Rafael Marques, participam do intercâmbio cultural com a banda argentina
A música pernambucana tem um encontro marcado com a sonoridade argentina durante o projeto Capibaribe de La Plata, que acontecerá da próxima terça (26) até o sábado (30), numa semana intensa de atividades com os hermanos. O grupo argentino convidado para essa experiência foi o Ensamble Chancho a Cuerda, de Buenos Aires, que fará uma troca – entre debates, intercâmbios culturais e apresentações musicais em diversos espaços do Recife e Olinda – com destaques da atual cena independente de Pernambuco, nomes como Isadora Melo, Juliano Holanda, Rafael Marques e Zé Manoel.
Com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura, o projeto é idealizado e realizado pelas produtoras Mery Lemos, Laura Proto e Renata Gamelo, com apoio do Paço do Frevo, Estúdio Oráculo e a Embaixada do Brasil em Buenos Aires. “Tudo começou quando a Renata passou uma temporada em 2012 numa residência artística na área do design em Buenos Aires. Durante esse período, ela considerou as várias conexões que existiam entre a capital argentina e Pernambuco, e trouxe pra cá essa bagagem. Como já desenvolvíamos juntas alguns projetos na área da música, calhou da gente realizar um intercâmbio com uma abordagem, desta vez, musical”, explica Mery Lemos, que adianta que o grupo já discute a possibilidade de edições com outras linguagens, como o cinema, por exemplo.
Rodrigo Ramos/Secult-PE
Rodrigo Ramos/Secult-PE
Durante o FIG deste ano, Isadora Melo esteve no palco ao lado dos músicos Rafael Marques (bandolim), e Juliano Holanda (guitarra), além de outros artistas
“A ideia é fazer com que o grupo Ensamble Chancho a Cuerda, que é uma banda bem legal e articulada na Argentina, troque experiências com os artistas pernambucanos. Queremos mesmo é misturar os sons, mas o evento prevê também uma mesa de debates pra falar um pouco sobre como funciona o mercado na Argentina e no Recife”,adianta a produtora. O encontro será na terça (26), às 18h, no Coletivo Sexto Andar, e terá a presença dos músicos Juliano Holanda e Nahuel Carfi, com mediação de Carlos Gomes (revista Outros Críticos). Na sequência, haverá um pocket show da Ensamble Chancho a Cuerda, às 20h.
Septeto iniciado em 2006, a Ensamble Chancho a Cuerda tem a proposta de realizar um trabalho colaborativo, que vai das composições próprias, arranjos canções e improvisações livres, criando uma musica popular contemporânea sem gênero. O grupo é formado pelos músicos Manuel Rodríguez Riva (clarinete, clarón e harmônica), Lautaro Matute (violão, guitarra, bandurría e voz), Nicolás Rallis (guitarras, ronroco e voz), Joaquín Chibán (violin e viola), Julián Galay (contrabaixos), Nahuel Carfi (pianos, sintetizador e voz) e Agustín Lumerman (bateria e percussão).
A banda já lançou três albuns: Contrastes (2010), Subversiones (2012) eDeconstrucción (2014) – este último indicado ao Prêmio Gardel de Melhor Engenharia de Gravação, em 2015. Além disso, Integram curadorias de festivais de musica e ações colaborativas de promoção de carreria, como o coletivo Elefante en la Habitación, onde conseguem gravar, editar e distribuir seus discos. Atualmente, estão em processo de gravação do seu quarto albúm, ainda sem título.
Durante a semana, a programação segue com a residência artística e troca de experiências sonoras e de estratégias de gestão de carreira no campo da música, no Pequeno Latifúndio, projeto da jornalista Aline Feitosa, e no Casbah, em Olinda. O encerramento será no Paço do Frevo, no sábado (30), às 16h, com a apresentação do repertório nascido desse intercâmbio cultural entre os músicos recifenses e argentinos. Na ocasião, o Capibaribe de La Plata (formado por Isadora Melo, Juliano Holanda, Rafael Marques e Zé Manoel) e o Ensamble Chancho a Cuerda visitarão as obras dos pernambucanos que, de sua parte, farão um passeio pelos três discos da banda argentina. A culminância será com frevo, seja por meio de revisitas aos clássicos ou apresentação de novas composições dos músicos. Para este momento, algumas participações especiais estão confirmadas, entre elas, os músicos Henrique Albino e Gilú Amaral – que participam ainda de uma jam do projeto na sexta, 28, no Casbah.
Divulgação
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De acordo com Juliano Holanda, montagem do espetáculo começou há um mês, via internet
“Faz um mês que a gente está nessa conversa do formato do show pela internet, discutindo os pontos e partindo de uma lógica que é fazer com que o repertório tenha um diálogo musical. É importante antes se reconhecer pra depois criar algo junto, e percebemos que há coisas nossas que parecem com as deles, e deles com coisas nossas. Combinamos que, no Paço do Frevo, vamos tocar umas seis músicas nossas e eles seis deles. A proposta é que seja um espetáculo construído em conjunto, que haja um diálogo, e estamos bem abertos para isso”, explica Juliano Holanda, que assina a direção musical do espetáculo.
De acordo com Mery Lemos, a segunda etapa do projeto será realizada em novembro, quando o Capibaribe de La Plata viaja para Buenos Aires. “O objetivo basicamente é esse: Que Recife possa conhecer a música argentina e vice-versa. Quando formos pra lá, a articulação dos shows e debates será toda feita pelo pessoal da Ensamble Chancho a Cuerda, que já está produzindo e fechando os locais. Vai ser uma troca interesante”.
CAPIBARIBE DE LA PLATA | Etapa Recife
PROGRAMAÇÃO:
Terça-feira (26) | 18h 
Coletivo Sexto Andar (Edf. Pernambuco – Av. Dantas Barreto 324, 6o andar)
Roda de Conversa sobre empreendedorismo musical com Juliano Holanda, Nahuel Carfi e demais integrantes do projeto com mediação Carlos Gomes (revista Outros Críticos)  + Pocket Show da Ensamble Chancho a Cuerda, 20h
Entrada Gratuita e sujeita a lotação do espaço
Quarta-feira  (27) | 20h
Pequeno Latifúndio (Rua Gomes Pacheco, 426, Espinheiro, Recife) – Pocket Show de Nahuel Carfi (lider) e Juliano Holanda.
Sexta-feira (29) | 20h
Casbah (Rua 27 de Janeiro, Carmo, Olinda)
Jam session do Ensamble Chancho a Cuerda + Capibaribe de La Plata (os quatro) e músicos convidados
Entrada Gratuita e sujeita a lotação do espaço
Sábado(30) | 16h
Paço do Frevo
Show do Ensamble Chancho a Cuerda + Capibaribe de La Plata.
Ingressos: Acesso comum ao Museu R$ 8 (inteira) e R$ 4(meia entrada)

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

José Patrício lança catálogo da exposição “Precisão e Acaso” no MEPE

O lançamento será na sexta-feira (22), às 17h. O acesso é gratuito

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300 unidades do catálogo serão distribuídas gratuitamente durante o lançamento
O artista plástico José Patrício lança sexta-feira (22), no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE), o catálogo da sua exposição Precisão e Acaso, que está em cartaz no equipamento cultural desde julho. O evento, que acontece das 17h às 19h, inclui um bate-papo com o artista e com o curador da mostra Felipe Scovino. O catálogo terá 300 exemplares distribuídos gratuitamente no local. A mostra, que conta com incentivo do Funcultura, reúne cerca de 40 obras produzidas pelo artista nos últimos sete anos – muitas já exibidas em feiras de arte, mostras coletivas e individuais no Brasil e no exterior, porém, na sua quase totalidade, inéditas no circuito artístico do Recife – , além de outras do início de sua carreira nunca antes apresentadas.
A última mostra individual de José Patrício na cidade aconteceu em 2006, na extinta Galeria Mariana Moura. De lá para cá, ele vem trilhando caminhos diversos, utilizando outros materiais, indo além dos dominós que se tornaram um ícone dentro de sua produção. Segundo Felipe Scovino, a exposição pode ser compreendida como uma espécie de antologia, termo que ele julga adequado por estar ligado à criação e produção de poesias, de imagens. “A curadoria quer que o público conheça e reflita sobre as fases mais recentes da produção do artista; o seu interesse por novos materiais; as pesquisas cromáticas e cinéticas que vem investigando assim como as características centrais do seu trabalho que passam pela ampliação do termo construtivo, o caráter lúdico e participativo e a ideia de coleção ou arquivo de materiais cada vez mais difíceis de serem encontrado”, explica.
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José Patrício reuniu em “Precisão e Acaso” obras produzidas nos últimos dez anos
Nos últimos anos, Patrício vem utilizando materiais diversos, como botões, peças de quebra cabeças de plástico, dados, pregos, tachas, alfinetes, fios de eletricidade e de telefonia. São objetos simples, de pequeno valor (alguns fadados ao desaparecimento), garimpados por ele nos mais diferentes lugares, que, ressignificados em obras, terminam formando um painel rico sobre a cultura brasileira e seu dia a dia. “Trata-se da apropriação de elementos modulares encontrados na vida cotidiana. Interessam-me na medida em que contribuem para compor as obras a partir da sua acumulação, deslocamento das suas funções originais e inserção no contexto da arte”, comenta o artista que completa: “o lúdico permeia toda a minha produção. Seja na escolha de materiais diretamente relacionados com os jogos, seja nas estratégias que utilizo para a criação artística”.
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O artista utiliza em suas obras materiais diversos, como botões, peças de quebra cabeças de plástico, dados, pregos, tachas, alfinetes, fios de eletricidade e de telefonia
As suas obras realizadas nos últimos anos refletem o desenvolvimento de uma pesquisa que discute os conceitos de diferença e repetição, por meio de estruturas fixas passíveis de variação formal a partir das características dos elementos que as compõem e das inúmeras possibilidades de configuração. Scovino diz que a produção de Patrício pode ser categorizada como uma forma de pintura, que não é feita com tinta, mas com as mãos e a experiência performática e evocadora de uma sensibilidade muito própria.
Em seu processo de criação, o artista parte sempre de uma regra, cria uma espécie de “método” de trabalho. Apesar dessa precisão, o resultado final é desconhecido, é o acaso, daí o nome da mostra (Precisão e Acaso) ter se centrado nesses dois polos aparentemente antagônicos. “Outra forma de aparição do acaso é a qualidade cinética dessas obras. O acúmulo, a ordem e o excesso provocam um distúrbio. Somos ‘sequestrados’ pela obra, pois ao querer desvendar a sua organização lógica, somos duplamente surpreendidos: por uma vibração óptica das intermitentes figuras virtuais e pela larga quantidade de pequenos objetos acumulados que deixam o nosso olhar à deriva. O foco não está mais no centro da obra, mas perdido, tentando dar conta das várias possibilidades de entrada que a obra oferece para decifrarmos sua lógica interna. E dependendo da perspectiva que adotamos em relação a obra, somos surpreendidos com novas qualidades cromáticas e estruturais. O trabalho se faz também pela qualidade em ser dinâmico, veloz e mutante”, explica o curador.
Para ele, a obra de José Patrício segue um caminho de coerência dentro da história das linguagens construtivas no Brasil, mas vai além contribuindo no alargamento do conceito de construtivo nas artes no mundo contemporâneo. A produção do artista possui um pensamento racional, uma precisão, regras e modos muito próprios de construção e observação das peças e elementos do qual faz uso. Mas, a despeito disso, o acaso também se faz presente. A pesquisa de Patrício se dá numa estrutura de obra aberta, suas escolhas no uso da cor, dos objetos, da organização e articulação entre eles, proporcionando ao espectador uma experiência vigorosa.
“Sua obra, portanto, é um constante acontecimento. Cabe ao espectador escolher se a sequência numérica está crescendo ou decrescendo, e ainda em que ponto do trabalho se apreende essa velocidade e faz essa escolha. Estamos constantemente envolvidos por escolhas, caminhos, formas e cores que induzem movimentos, traços, rumos e territórios. E é exatamente essa qualidade de caos que particularmente me anima. Experimentar o fato de que a razão também pode provocar novos caminhos e sentidos, muitas vezes não esperados, ainda mais se levando em conta que essa experiência parte (supostamente) de um dado concreto, matemático e assertivo”, conclui Scovino.
A mostra Precisão e Acaso se encerra no domingo (24), e o público poderá conferi-la de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e aos domingos, das 14h às 17h.
O artista
Nasceu no Recife, Pernambuco, Brasil em 1960. Formou-se em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pernambuco em 1982. Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pernambuco / Universidade Federal da Paraíba, 2014. Estudou na Escolinha de Arte do Recife, 1976/1980. Vive no Recife.
Serviço
Lançamento do catálogo Precisão e Acaso – José Patrício e bate papo do artista com o curador Felipe Scovino
Quando: sexta-feira (22), das 17h às 19h
Onde: Museu do Estado de Pernambuco (MEPE) – Av. Rui Barbosa, 960 – Graças, Recife – PE, 52050-000
Visitação da exposição até o dia 24, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 14h às 17h.
Telefone: (81) 3184-3174

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

                                                       
Maria José da Silva, conhecida com Zeza do Côco,  começou a dançar o coco roda de raízes aos cinco anos de idade, quando acompanhava seus pais nas tapagens das casas de taipa, em fazendas Zona da Mata Alagoana. Nora da saudosa Mestra Hilda, em 1975 participou da fundação do grupo de pagode “Comigo Ninguém Pode” como brincante até aperfeiçoar seus conhecimentos na arte.



Aprendeu muito ao lado da mestra Hilda Maria,  durante anos que dividiu o palco nas participações e apresentações em festivais culturais em Alagoas, Ceará, Paraíba e Pernambuco. Para as pessoas de talento a cultura popular oferece condições de dias melhores e reconhecimento. O Pagode “Comigo ninguém pode”, do bairro de Bebedouro é mais uma tradição de Alagoas que nasceu nos bairros da capital.



Mestra Zeza do Côco, nasceu em 10.07.1955, em Cajueiro,município situado na Zona da Mata,Mesorregião Leste,do estado de Alagoas, a terra que tem orgulho de oferecer a cultura popular mestres do guerreiro, do côco e embolada, além da beleza do seu artesanato. Como reconhecimento de seu valor foi contemplada como Patrimonio Vivo de Alagoas e teve seu registro no Livro de Tombo nº 05, à folha 26 frente, a partir de 01 de outubro de 2015, conforme a Lei nº 6.513, de 22 de setembro de 2004, alterada pela Lei nº 7.172, de 30 de junho de 2012

quarta-feira, 20 de setembro de 2017


Curta-metragem revela paisagens sonoras criadas por Erasto Vasconcelos

Produzido com incentivo do Funcultura, filme foi realizado pela Produções Ordinária através da técnica de stop motion.


Reprodução/Filme
Fazenda Rosa se debruça sobre a paisagem sonora composta pelo poeta olindense e pouco conhecida pelo público em geral
A obra do músico Erasto Vasconcelos ainda é desconhecida pra muita gente, e é consenso entre o meio artístico que há ainda muito a ser explorado. Neste sentido, o curta-metragem Fazenda Rosa, realizado pela Produções Ordinária, com incentivo do Funcutura, coloca a obra do poeta olindense em evidência ao fazer um recorte da paisagem musical do artista através da técnica do stop motion. O filme segue inscrito em diversos festivais de animação do país, e em breve terá sua data de lançamento anunciada.
Fazenda Rosa se debruça sobre a paisagem sonora composta pelo poeta na primeira das fases da música Pio tagarela. “Na primeira, o poeta evoca a fauna e a flora de um lugar chamado Fazenda Rosa, os bichos do dia e da noite, os peixes do rio, os pássaros e bichos do mangue”, afirma a sinopse do filme. A música originalmente é dividida em três partes (Pio tagarela, Cantigas de roda e Nau catarineta) e tem duração de 49 minutos.
A diretora do filme, Chia Beloto, conta que a produtora nasceu a partir de um grupo que se conheceu na Faculdade AESO quando ainda existia por lá o curso de Animação, em 2011. “A gente tinha um professor que nos apresentou o Erasto Vasconcelos e na ocasião foi feito um convite pra que fizéssemos um clipe de alguma música dele. A princípio, ele queria outra, mas contamos que éramos apaixonadas pelo Baile Betinha e ele topou fazer na hora”, explica a diretora do curta.
Depois desse projeto, a equipe foi se envolvendo com Erasto, que abriu sua vida e, numa das conversas, apresentou um livro que havia feito nos anos 70, o Cantigas de Roda. “Ele mostrou um exemplar que tinha produzido artesanalmente, acompanhado de um disco, e ficamos impressionadas com todo esse enredo que ele tinha na cabeça dele. Daí tivemos a ideia de fazer esse trabalho audiovisual e ele participou de toda a fase inicial, da inscrição do projeto até a idealização do roteiro. Mas quando a ideia foi aprovada no Funcultura ele já estava abatido e sua participação ficou mais limitada, mas sempre dávamos feedbacks pra ele”, detalha Chia Beloto.
Reprodução/Filme
Na primeira, o poeta evoca a fauna e a flora de um lugar chamado Fazenda Rosa, os bichos do dia e da noite, os peixes do rio, os pássaros e bichos do mangue”, afirma a sinopse do filme
Para a diretora do curta, Fazenda Rosa é uma obra muito extensa, um pouco deixada de lado. “Este trabalho é apenas um pequeníssimo recorte da larga trajetória artística de Erasto. Meu sonho é que um dia outros fazedores de artes peguem esse trabalho e o transformem em outras coisas, como musicais e peças de teatro”, opina.
Confira a ficha técnica do curta-metragem Fazenda Rosa:
Animador, Pesquisa e fotografia: Mateus Simon
Arte: Chia Beloto
Produção: Rui Mendonça
Voz, Flauta e trilha original: Erasto Vasconcelos
Edição e Correção de cor: Zé Diniz
Desenho de som e mixagem: Johann Brehmer
Desenho Gráfico: Simone Mendes
Assessoria de mídia: Olivia Souza
Direção: Chia Beloto
Legendagem Descritiva: Acessibilidade.com
Produtora Associada: Carnaval Filmes
Laboratório de Correção de Cor e Mixagem Som 5.1: Porto Digital



Irmã do cangaceiro Jararaca vive em Sertânia, Pernambuco 


Irmã do célebre cangaceiro Jararaca , do bando de Lampião, Quitéria Sá, ou Quitéria Zuza como é mais conhecida no Povoado Moderna, município de Sertânia, Sertão do Moxotó completou cem anos de idade no dia 27 de Outubro. Na celebração do seu centenário de existência houve uma grande festa no Povoado, com música, poesia , entrevistas, conversas, além de muita comida e bebida, é claro.

Antônio Amaral , Cantor e compositor sertaniense, acompanhado da Banda Acordes fez um show de Música e poesia, com participação especial do Poeta Josessandro Andrade. Antônio trouxe músicas como “Cangaceiro”, vencedora do Festival de Música de Afogados da Ingazeira, No final dos anos 1980, na voz de Chico Arruda , acompanhado do Sexteto Tamba, cujo versos musicais certamente lembrarão à aniversariante o seu irmão famoso: 

“ Não tenho a conta dos perigos que passei/Não faço média das vezes que já morri/ um cangaceiro mouro e bárbaro sem lei/ nos altiplanos condoreiros do Sertão/ A cor do sangue é a cor do guerrilheiro/ corpo ligeiro, olhar de corvo fatal/ Bandoleiro de batalhas nas volantes/ aço malhado ,estilhaços de um tiro/ se refez retiro no silêncio da prisão/ (...) Corisco doido, Jararaca Aluvião..”. 



Dona Quitéria Santana é filha de Manuel Leite de Santana, (Mané Zuza) e Maria Luiza de Santana, pais adotivos de Jararaca, que o criaram , Já que o mesmo era filho de um irmão de Mané Zuza. Lúcida, forte, Dona Quite´ria é descrita pelos familares, amigos e conhecidos no povoado pertencente ao Município de Sertânia como uma pessoa espirituosa, bem-humorada.

“Ela Ainda dança e bebe. Aliás sempre bebeu, mas tem uma saúde de ferro”, atesta o Agrônomo Cicero Paulo Sampaio, sobrinho-neto de Quitéria Zuza. “As farras que participei nas festas com ela eram atrativas não pela bebida, mas pela inteligência e sabedoria de Tia Quitéria ”, garante Sampaio.
Há outra irmã do cangaceiro Jararaca, Germana Sá, com cerca de 80 anos. Ela e Quitéria Zuza são as que ainda restam vivas. Haviam ainda José de Sá , Tatái, falecido em 1997 e Félix Sá, que se foi há alguns anos, ambos na casa dos 90 anos, sendo que o último faleceu em um acidente de moto. Todos eles iam anualmente no dia de finados, 02 de novembro, em caravana com outros parentes visitar o túmulo do Irmão em Mosoró-RN. Os irmãos daquele que foi um dos cabras mais valentes do bando de Lampião mantém este costume até hoje.



Além da família, a localidade faz questão de manter o vínculo com o histórico filho do lugar. No Parque aquático Oásis Nordestino, entre suas piscinas há uma estátua do famoso cangaceiro, que jorra água, espécie de bica criativa e o lugar já é ponto turístico da região.

De acordo com O Professor João Lúcio, Secretário de Cultura e Juventude do Município de Sertânia, Jararaca é filho natural da Moderna, povoado pertencente ao município sertaniense, mas foi registrado em Buíque, pelo fato de ser mais próximo o cartório daquela localidade. Mas a vida de Jararaca foi em solo sertaniense, a sua casa ainda está lá, conservada. “Temos todo interesse que o Município de Sertânia estreite esta relação com a Memória de Moderna e a trajetória de Jararaca. Todo isto é História”, afirma João.



Segundo ele está sendo mantido entendimento com o agrônomo Cicero Paulo Sampaio, que é Secretário de Agricultura do município para estudar a possibilidade de instalação de um ponto de memória, na Casa de Jararaca, um espécie de Museu do cangaceiro e suas origens, que se confundem com as raízes de Moderna. Cícero Paulo é proprietário do espólio de Jararaca, casa e terra. Cicero Paulo, que é um entusiasta do turismo rural, acrescenta que já estiveram no local, pesquisadores do Rio Grande do Norte, que fotografaram a casa, filmaram o local e entrevistaram dona Quitéria Sá e outros parentes.


                                                          Cangaceiro Jararaca

Créditos para Danilo David Carvalho