quinta-feira, 4 de julho de 2019

Célio Roberto


Célio Roberto nasceu na cidade de Pedra, Pernambuco, mas hoje mora no povoado de Guanumbi, município de Buíque-PE, a 290 km da capital Recife. Célio se descobriu artista aproveitando os restos de barro de uma olaria fundada por seu pai quando ele ainda tinha oito anos de idade. O que começou como uma simples brincadeira, acabou revelando o talento que possibilitou transformar essa brincadeira em ofício. Esse talento foi revelado, sobretudo, através da capacidade que tinha Célio de fazer caricaturas de moradores da região. A caricatura de um senhor chamado “Zé de Lixandre” foi a primeira delas; foi a peça que abriu caminho para tantas outras que viriam a posteriori. Hoje, depois de ter aperfeiçoado suas habilidades com o barro, impressiona a todos pelo seu perfeccionismo nas feições e no detalhe característico de cada uma das pessoas que retrata. Tornou-se um retratista do barro.

Célio divide seu tempo entre a criação de gado e a sua arte. É fiel aos métodos tradicionais de manejo com barro; sem qualquer mecanização, apenas a enxada, as mãos e umas poucas ferramentas improvisadas. Ele próprio é o responsável pela extração e pelo preparo do barro dentro de uma pequena propriedade rural que possui. Com o talento nato e o aperfeiçoamento de suas habilidades ao longo dos anos vem retratando figuras conhecidas do mundo da arte, da política e algumas personalidades, como Dominguinhos, Patativa do Assaré, Luiz Gonzaga, Lampião, Ariano Suassuna e o presidente Lula, que recebeu uma imagem sua quando visitou a cidade de Buíque.



Célio RobertoAriano Suassuna, cerâmica. FOTO: Tiago Henrique Silva.

Célio RobertoLampião, cerâmica. FOTO: Tiago Henrique Silva.

Célio RobertoPatativa do Assaré, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida.

Hoje, com o reconhecimento pela sua arte e após algumas edições da FENEARTE (Olinda-PE), segue com seu trabalho, confeccionando lindas obras de arte, onde algumas podem ser vistas em seu atelier, no povoado de Guanambi, Buíque-PE.

Contato com Célio Roberto
Fone: 87 99826 0106 / 99931 3634
Email: celioroberto.art@hotmail.com

Célio trabalhando em uma das suas criações. FOTO: autoria desconhecida

O mestre Ariano Suassuna retratado por Célio. FOTO: Tiago Henrique Silva.


Fonte: Arte Popular do Brasil.

quarta-feira, 3 de julho de 2019



O 4º Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia já tem seus vencedores. Com o objetivo de reconhecer, valorizar e incentivar práticas de transmissão de saberes e fazeres da #culturapopular, bem como da #dramaturgia, o Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia, honra da melhor forma a memória de Ariano Suassuna que, enquanto gestor público de Cultura, defendeu e ressaltou as expressões populares como prioritárias para o foco da política de Cultura do estado. Confira a lista dos premiados: http://abre.ai/premioarianosuassuna

terça-feira, 2 de julho de 2019

Lampião na Serra Vermelha

trágico e covarde assassinato de JoséNogueira

Por: Luiz Ferraz Filho


Os livros sobre a história brasileira sempre trouxeram no capitulo sobre a Coluna Prestes o simbolismo da liberdade. Porém, nada foi mais aterrorizante para a população do Sertão do Pajeú, no mês de fevereiro de 1926, do que esses revoltosos sulistas. Vinda da Paraíba em direção ao Pajeú sob o comando do general Isidoro Dias Lopes, a Coluna Prestes contou com o "reforço" da boataria que estava alinhada ao bando de Lampião, para assim aterrorizar ainda mais o sertanejo. 
General Isidoro Dias Lopes


E foi esse boato que fez muitos fazendeiros da região abandonarem suas casas para se embrenhar na caatinga como esconderijo. Somada a isso, tinha também um batalhão patriótico para combater os revoltosos e que confundia ainda mais a população. Ao passarem por Betânia (PE), onde esfomeados saquearam o comercio local, os revoltosos marcharam em direção ao povoado de São João do Barro Vermelho (Tauapiranga), distrito de Serra Talhada. De lá, desceram pelas margens do Riacho São Domingos em direção a lendária vila de São Francisco, também distrito de Serra Talhada. 


Serra Vermelha vista da Fazenda de Zé Nogueira

Entre essas duas localidades, os revoltosos encontraram a Fazenda Serra Vermelha, na época fonte rica para o abastecimento da tropa composta de seiscentos ou oitocentos soldados. Com a barriga cheia, precisavam eles de uma pessoa da região para servir como "guia dos revoltosos" e nada melhor que um homem conhecido e respeitado por todos para usarem como "escudo". E foi assim que o influente dono da fazenda, José Alves Nogueira, acabou "sequestrado" pelos revoltosos. Três dias sem nenhuma regalia, andando a pé sob olhares dos soldados até ser libertado próximo ao povoado de São João do Barro Vermelho (Tauapiranga). 

Cruz no terreiro da casa demarcando o local 
onde foi covardemente assassinado 
Zé Nogueira pelo cangaceiro Antônio Ferreira.


Aliviado, mal podia imaginar José Nogueira que voltando para sua Fazenda Serra Vermelha passaria por situação ainda pior. Ao chegar, José Nogueira pediu para um dos moradores ir avisar aos parentes e familiares que estava tudo bem com ele e que estava em casa. E nisso, aproveitou para ir na vazante (plantação no baixio) olhar uma cacimba que abastecia o lugar. Depois de algum tempo lá, José Nogueira recebeu um recado de Antônia Isabel da Conceição (Isabel de Luis Preto) que inocentemente disse que a força volante de Nazaré (comandada por Manoel Neto) estava no terreiro da casa esperando ele. Desconfiado, José Nogueira ainda perguntou: - Tem certeza que é a força ?. Tenho sim, respondeu Isabel. 

O fazendeiro João Nogueira (neto de Zé Nogueira 
e bisneto do major João Alves Nogueira), 
na calçada onde foi assassinado o avô em fevereiro de 1926.
Domingos Alves Nogueira 
(neto de José Nogueira) 

Ao subir da cacimba em direção ao terreiro da casa, José Nogueira avistou o bando de Lampião com 45 cangaceiros enfurecidos após saírem derrotados na tentativa de invasão ao povoado de Nazaré do Pico. Homem de firmeza, continuou José Nogueira o trajeto mesmo sabendo que dificilmente escaparia da morte. Nisso, o cangaceiro Antônio Ferreira, aproximou-se dele e falou: - É hoje José Nogueira. Ele ele respondeu: - Seja o que Deus quiser. 



Lampião mandou todos baixarem as armas e começou a conversar com o velho fazendeiro. Após a palestra, Lampião observou ele muito cansado, doente e asmático, liberando o fazendeiro. Deu voz de reunir e começou a seguir no destino da caatinga quando escutou um tiro. Tinha sido o cangaceiro Antônio Ferreira que havia covardemente atirado nas costas de José Nogueira. Vendo o ocorrido, Lampião reclamou dizendo que o velho estava doente e quase "morto". Então, Antônio Ferreira (que era irmão mais velho de Lampião) falou:


- Matei , tá morto e pronto. 


Era 26 de fevereiro de 1926. Calçou Antônio Ferreira as alpercatas (sandálias de couro) do falecido e seguiu junto ao bando caatinga a dentro. Segundo o fazendeiro João Nogueira Neto (neto de José Nogueira), durante anos o local onde o avô paterno foi assassinado ficou manchado com o sangue nas pedras. No local, os filhos do fazendeiro depois fincaram uma cruz para demarcar a tragédia. O corpo de José Nogueira foi enterrado no dia seguinte, do outro lado do riacho, no cemitério da Serra Vermelha. 
Deixou ele a viúva Francisca Nogueira de Barros (Dona Dozinha, tia dele) e sete filhos. 


Luiz Ferraz Filho, é pesquisador, Serra Talhada - Pernambuco
FONTE: (LIRA, João Gomes de - Memórias de Um Soldado de Volante) 
- (AMAURY, Antônio e FERREIRA, Vera - O Espinho de Quipá) - (FERRAZ, Marilourdes - O Canto do Acauã) - (SOBRINHO, José Alves - Zé Saturnino - Nas Pegadas de Um Sertanejo).  
FOTOS/ENTREVISTADOS: 
João Nogueira Neto e Domingos Alves Nogueira (netos de José Alves Nogueira).
Pescado no Cariri Cangaço

segunda-feira, 1 de julho de 2019



Filme sobre sanfoneiro Bié é selecionado para festival internacional
O filme “Bié dos 8 Baixos” que conta a história do sanfoneiro feirense Francisco da Silva Sena (Bié), de 75 anos e do samba que ele comandava no Centro de Abastecimento de Feira de Santana, será exibido em um dos mais importantes festivais de documentário musical do mundo.
Entre os dias 12 e 23 de junho, em diversas salas de cinema de São Paulo, será realizado o 11º Festival Internacional do Documentário Musical In-Edit e o doc dirigido por Eduarda Gama e Uyatã Rayra está entre os selecionados.

O filme sobre Bié será exibido nos dias 16 (Spcine Lima Barreto – 18 horas) e 21 (Cine Matilha – 16 horas) e em streaming no Spcine Play a partir do dia 13. A programação completa do festival In-Edit pode ser conferida no endereço eletrônico:http://br.in-edit.org
O Festival nasceu em Barcelona em 2003 e hoje é realizado em diversos países como Espanha, Chile, Grécia, Peru e Colômbia. No Brasil, o evento acontece desde 2009.
Segundo Uyatã, o samba de roda de Bié sempre foi muito peculiar, por ser realizado com a sanfona de oito baixos e a utilização da zabumba, no lugar do surdo, algo incomum e extraordinário. Ele ainda enaltece o significado da manifestação popular a partir da presença das pessoas da zona rural e dos feirantes.
Em abril o documentário sobre Bié dos oito baixos foi exibido na África do Sul e em Moçambique durante o projeto Circulação da Música Afrobaiana.
Ficha Técnica “Bié dos 8 Baixos”
Fotografia: Augusto Bortolini, Daniel Sales e Ícaro de Oliveira
Som Direto: Brenus Tsokas
Edição de Som: Pedro Patrocínio
Cor: Augusto Bortolini
Montagem: Augusto Bortolini e Eduarda Gama
Edição: Augusto Bortolini
Produção Executiva: Uyatã Rayra
Direção: Eduarda Gama e Uyatã Rayra
Apoio: Jânio Rego

sábado, 29 de junho de 2019



Em Pernambuco, as comemorações dos santos juninos se iniciam no mês de março. A partir de então, timidamente, começa o período de preparação dos festejos. No mês de junho, ocorrem as Trezenas de Santo Antônio e no dia 13 tem lugar a Procissão dos Lírios. Nesse mesmo período do ano, estende-se o olhar para as casas de culto afro-brasileiro e percebe-se que as festas juninas foram transfiguradas por uma releitura dentro da especificidade do processo histórico e do contexto sociocultural brasileiro em que a população afrodescendente encontra-se inserida. Essa releitura, que tinha com referência o ano litúrgico católico, produziu um novo modelo festivo. No dia de São Pedro, o guardião das chaves, o estado se (re)veste de devoção e festa. Dia esse regado à muita bebida e forró, afinal, o ciclo junino só termina em 26 de julho, Dia de SantaAna. É possível encontrar um programação extensa de atrações culturais nos municípios pernambucanos. Ainda resta fôlego? Então vamos cair no forró.

sexta-feira, 28 de junho de 2019




Cheiros,sabores,saberes. Partindo do pressuposto de que culinária e ser humano mantém íntima relação desde os primórdios, acredita-se que os alimentos estão visceralmente ligados a cultos religiosos, a festividades, implicações mágicas, a simbologia e a superstições. A finalidade não é só a alimentação, é, sobretudo, a recorrência a tradições e rituais. O ciclo junino apresenta uma culinária com características bem típicas, e se espalhou por todo o país com intensidades diferentes. No nordeste, coincide a culminância da colheita do milho, plantado três meses antes, nos festejos de São José. Portanto, o cardápio da festa junina não pode passar sem o cereal, consumido em múltiplas apresentações: assado, cozido na água e sal, sobre a forma de bolo, de canjica, de pamonha. Em Pernambuco, por exemplo, se come milho em qualquer época do ano. Neste momento, certamente, tem um um milho quentinho saindo para viagem.

quinta-feira, 27 de junho de 2019




Tu pensa que acabou, foi? Acabou não, tem forró que só a gota. Já imaginou caminhar ao som do forró pelas ruas do Recife Antigo? ACaminhada do Forró vai encher de música as ruas do bairro, amanhã (27/6). Este ano o evento homenageia a figura do sanfoneiro, ícone da música nordestina. A concentração começa às 17h, na Rua da Moeda, e, às 19h, o grupo de sanfoneiros inicia o cortejo até a Praça do Arsenal. No palco, haverá um sexteto sanfônico formado por Cezzinha, Terezinha do Acordeon, Luizinho de Serra, Nenén Oliveira, Zé Bicudo e Derico Alves, às 20h. Se ainda tem forró? Tem muito!

sexta-feira, 21 de junho de 2019



São João: Senhor do Bonfim homenageia cantor Flávio José


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Imagem: Divulgação
Conhecida como “A capital baiana do Forró”, a cidade de Senhor do Bonfim, distante 380km de Salvador, programou cinco dias de muito arrasta-pé no parque que leva o nome de Gonzagão. Por lá, entre 20 e 24 de junho, passarão atrações como Flávio José, Dorgival Dantas, Cicinho de Assis, Caninana, Fulô de Mandacaru, Flávio Leandro, Geraldo Azevedo, Arreio de Ouro, Renan Mendes, além de outros forrozeiros e atrações regionais.
Mas não é só no Espaço Gonzagão que terá festa. Outros três circuitos animarão os moradores e turistas de Bonfim. São eles: Forró da Feira, que homenageia Thomaz do Acordeon, a Praça Nova do Congresso, que abrigou o palco principal até o início dos anos 2000 e hoje se chama espaço Assis do Acordeon e o Trem do Forró, que percorre os trilhos da cidade com muito arrasta-pé a bordo.
Quem já passou o São João em Bonfim sabe que a cidade respira forró. Durante o dia é fácil ver grupos de pífanos pela cidade e também estabelecimentos comerciais com o som nas alturas, tocando músicas de  forrozeiros como Adelmário Coelho, Alcymar Monteiro e Flávio José.
E por falar em Flávio José, o paraibano será o homenageado deste São João na “Capital Baiana do Forró”. Intérprete de canções que mararam época nos festejos juninos da cidade, Flávio José já coleciona mais de 20 participações no São João bonfinense, ele disse estar emocionado com a homenagem promovida pelo prefeito Carlos Brasileiro.(São João na Bahia)

quinta-feira, 20 de junho de 2019



                         Bacamarteiros
Lúcia Gaspar






Bacamarte é uma arma de fogo, de cano curto e largo, também conhecida comogranadeira, reiuna, reuna ou riuna, principalmente, no Nordeste brasileiro. As granadeiras ou bacamartes que serviram na Guerra do Paraguai, em 1865, foram modificadas para que as armas se adaptassem ao uso dos bacamarteiros nas festas do interior de Pernambuco. Desde os fins do século XIX, grupos de bacamarteiros se exibem em Caruaru durante as festas juninas.

De um modo geral, o folguedo se constitui de homens portando bacamarte, que são disparados com cargas de pólvora seca, em homenagem aos santos padroeiros ou em cerimônias cívicas e políticas.

Em Caruaru, os bacamarteiros reúnem-se em grupos, troças ou batalhões, sob a chefia de um sargento e o controle geral de um comandante, que responde, perante às autoridades, pelos atiradores durante as apresentações.

A forma como os bacamarteiros se agrupam é bastante primitiva. Não há formalidades ou regulamentos. Só é necessário possuir um bacamarte, obedecer ao sargento e saber manejar a arma. A sanfona de 8 baixos, o triângulo, o zabumba de couro curtido e a banda de pífanos, acompanham os bacamarteiros de Caruaru, ao som de uma melodia de xaxado, que é acelerada nos desfiles ou lenta nas evoluções, na apresentação das armas, na frente das Igrejas e antes do início das salvas. O vestuário compõe-se de roupa de zuarte (algodão azul), lenço no pescoço, chapéu de couro, alpargatas e cartucheiras de flandre. Os bacamarteiros oriundos dos brejos, usam chapéus de abas largas, quebrado na frente, enfeitados com flores silvestres. Eles também colocam flores nos canos das armas.

Os comandantes exibem estrelas nos ombros e nos chapéus e usam bengalas ou guarda-chuvas como símbolo de comando. Apesar de Caruaru ser o maior pólo de bacamarteiros no Estado, existem também grupos em outros municípios pernambucanos como Cabo, Limoeiro, Belo Jardim.


TRIO NORDESTINO - Grande Sucessos




                TRIO NORDESTINO



O Trio Nordestino original foi formado no início de 1958,em Salvador ,Bahia,o trio surgiu após a separação do grupo que acompanhava Luiz Gonzaga,formado  por Lindú (voz e sanfona), Coroné (zabumba) e Cobrinha (triângulo).[1] Na época, tiveram a ajuda do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. O nome Trio Nordestino foi dado por Helena, esposa de Luiz. Este foi o Trio Nordestino original, seguido depois por todas as variações do trio comentadas neste artigo até a formação atual.
Fazendo o circuito de casas noturnas de Salvador, quando estavam trabalhando para a boate Clock, conheceram o recém-contratado Gordurinha, músico e compositor que iria abrir as portas do Rio de Janeiro. Com a promessa de gravar um disco, Gordurinha levou-os a Odeon Records e a RCA, onde não tiveram oportunidade. Numa nova tentativa, desta vez na Copacabana Discos, passaram no teste dirigido por Nazareno de Brito. Contratados, gravariam dali a dez dias um álbum completo com 12 músicas.
Em busca do sucesso, o Trio resolveu tentar uma participação no famoso programa O Trabalhador Se Diverte, da Rádio Mayrink Veiga, comandado por Raimundo Nobre. Ao chegarem no auditório do programa, encontram Luiz Gonzaga e imediatamente lhe pedem para que mostre o caminho das pedras no Rio de Janeiro. Gonzagão se recusa a dar ajuda e continua a ensaiar. Frustrados com o ídolo, apelam para Raimundo que, depois da insistência de Gordurinha, concordou com a apresentação de apenas uma música, "Carta a Maceió", sucesso instantâneo entre o público do auditório, que aplaudia com fervor pedindo bis. A partir daí tudo mudou; Raimundo pediu à Ângela Maria, a atração seguinte, que cedesse para o Trio Nordestino cinco dos seus dez minutos de apresentação. Ela, que tinha adorado "Carta a Maceió", aceitou o pedido e transformou-se na madrinha do Trio, que pôde apresentar mais dois números. Isso garantiu um contrato com a rádio para se apresentarem em programas ao lado da própria Ângela e de artistas como Luiz Gonzaga e Nelson Gonçalves.
Com o sucesso da canção e de "Chupando gelo", presentes no primeiro disco, o Trio passou a gravar um LP por ano, lançando vários sucessos. Famosos, partiram para o Nordeste junto com Luiz Gonzaga por 75 dias, para fazer a propaganda de uma marca de cachaça. Foi nessa ocasião que, jantando no Recife, Gonzagão relembrou o pedido de ajuda feito pelo Trio no auditório da Rádio Mayrink e disse: Se eu tivesse ajudado, vocês teriam se acomodado e hoje não teriam alcançado a marca de vendas que ultrapassa a minha. Desde então Gonzagão passou a ajudá-los e uma longa amizade foi selada. Depois de 11 obras na Copacabana Discos, migraram para a CBS em 1967. Em 1969, Lindú sofreu um acidente de carro que requeria mais de um ano de tratamento. Mesmo assim, a nova gravadora resolveu dar continuidade ao trabalho, levando o sanfoneiro de ambulância para os estúdios de gravação. Em 1970 saiu o disco com a música "Procurando tu", de Antônio Barros, que se transformou no maior sucesso do Trio Nordestino, alavancando mais de 1 milhão de cópias vendidas e levando-os das paradas sertanejas para as rádios dos mais diversos segmentos em todo o país. O sucesso nacional levou o Trio a permanecer no primeiro lugar do programaSílvio Santos, na TV, durante 90 dias e a receber da CBS o troféu Chico Viola pelo segundo lugar na vendagem de discos de 1970. O primeiro lugar foi de Roberto Carlos.
O sucesso continuou durante toda a década e trouxe Luiz Gonzaga e o forró de volta às principais rádios. Ainda foram responsáveis pelo enriquecimento do ritmo, introduzindo no forró de raiz (zabumba, triângulo, sanfona) uma segunda sanfona e a bateria. Em 1982, já de volta à Copacabana Discos, Lindú morre devido a uma insuficiência renal. Decididos a continuar com o forró, em nome de um pacto feito quando tinham acabado de formar o Trio Nordestino, Coroné e Cobrinha encontram em Genaro o substituto para o sanfoneiro. Assim atravessaram a década de 80, até a saída de Genaro, no início dos anos 90, sendo substituído por Beto Souza, afilhado de Lindú. Em 1994, o Trio Nordestino sofreu outra baixa. Dessa vez, um câncer de intestino levou Cobrinha e seu triângulo. Deprimido, Coroné quase abandona a zabumba. Porém, um sonho e a lembrança do pacto feito há mais de 30 anos em nome do forró, o manteve na estrada. O substituto de Cobrinha foi encontrado em Luís Mário, que outrora era adepto do rock, mas que herdou a voz e o talento do pai, Lindú, e se bandeou de vez para o forró.
Pouco tempo depois, em 2000, confirmando a profecia de Gonzagão quando estava perto da morte, o forró voltou a ser sucesso nacional, alavancado por Gilberto Gil e os hits da trilha sonora do filme Eu, Tu, Eles e com o surgimento de grupos novos como o Falamansa e o Forróçacana. Isso permitiu que o Trio Nordestino voltasse às paradas com sua nova formação, prestigiada por um público renovado e jovem. Levados pela nova onda, foram quatro vezes à Europa, onde fizeram concorridos shows em Paris, no famoso restaurante Favela Chic, e em Londres, por intermédio do Bar do Luiz, frequentado pela colônia brasileira.
Em 2017, o álbum Trio Nordestino Canta o Nordeste foi indicado ao Grammy Latino de 2017 de Melhor Álbum de Raizes Brasileiras.

Integrantes

Formação Original

  • Lindú - voz e sanfona
  • Coroné - zabumba
  • Cobrinha - triângulo

Formação atual

  • Luís Mário - triângulo e voz
  • Beto Souza - sanfona
  • Coroneto - zabumba

Discografia

  • 1963 - Trio Nordestino (Chupando Gelo)
  • 1964 - Pau-de-Arara é a Vovózinha
  • 1965 - Aqui Mora o Xaxado
  • 1966 - O Troféu é Nosso
  • 1966 - Prece ao meu Sertão
  • 1967 - Vamos Xamegá
  • 1968 - É Forró que Vamos Ter
  • 1969 - Nós Estamos na Praça
  • 1970 - No Meio das Meninas
  • 1971 - Ninguém Pode com Você
  • 1972 - Renovação
  • 1973 - Primeiro e Único
  • 1974 - Trio Nordestino (Chililique)
  • 1975 - Forró Pesado
  • 1976 - O Alegríssimo Trio Nordestino
  • 1977 - Estamos Aí para Balançar
  • 1978 - Os Rouxinhos da Bahia
  • 1979 - Trio Nordestino e o Homem de Saia
  • 1980 - Corte o Bolo
  • 1981 - Ô Bicho
  • 1982 - Dia de Festejo
  • 1983 - Amor para Dar
  • 1984 - Com Amor e Carinho
  • 1985 - Forró de Cima a Baixo
  • 1986 - Forró Temperado
  • 1987 - Forró de Categoria
  • 1988 - Na Intimidade do Trio Nordestino
  • 1989 - Festa do Povão
  • 1990 - Trio Nordestino Somos Nós
  • 1991 - Vale a Pena Ouvir de Novo, vol. 1
  • 1994 - Vale a Pena Ouvir de Novo, vol. 2
  • 1997 - Xodó do Brasil
  • 1999 - Nós Tudo Junto
  • 2001 - Balanço Bom
  • 2003 - Baú do Trio Nordestino
  • 2004 - Baú do Trio Nordestino, vol. 2
  • 2006 - Meu Eterno Xodó
  • 2007 - Nova Geração
  • 2008 - 50 Anos
  • 2009 - O Povo Quer Forró
  • 2011 - Tá Ligado Doido
  • 2012 - A Bahia do Trio
  • 2017 - Canta o Nordeste