sábado, 13 de novembro de 2010




 

 BATALHA DOS GUARARAPES -  O ESPETÁCULO
BATALHA DOS GUARARAPES- O ESPETÁCULO

Foram duas as principais batalhas travadas entre as tropas invasoras
holandesas e os defensores portugueses: uma em 19 de abril de 1648 e a outra em 19 de fevereiro de 1649.Para os historiadores,o episódio é a primeira expressão do nacionalismo brasileiro.personagens negros,indios e mestiços uniram seus interesses em defesa do Brasil. e não de Portugal.É o caso do senhor de engenho João fernandes Vieira,do brasileiro de origem portuguesa André Vidal de Negreiros,do indigena Felipe Camarão e do filho de escravo Henrique Dias. Com texto e direção de José Pimentel  BATALHA DOS GUARARAPES- ASSIM NASCEU A PÁTRIA está de volta a cena pernambucana,teve inicio ontem(sexta-feira) e vai até segunda-feira,às  20:00no Parque Histórico Nacional dos Guararapes,em jaboatão. a montagem narra passagens históricas que culminaram com a expulsão dos holandeses  de Pernambuco,no século 17. Fazem parte da montagem, 54 atores do teatro pernambucano e 250 figurantes das comunidades circunvizinhas. Fazem parte do elenco,nomes como iIvonete Melo,Didha Pereira,José Pimentel,Paula de Renor,Reinaldo de Oliveira,Georgia Meirelles,Manoel Constantino entre outros. A Empetur e Fundarpe  apoiam a edição 2010.

William Veras de Queiroz 2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro-PE

quinta-feira, 11 de novembro de 2010


VOA VIOLA  ATERRIZA NA MANGUECÉIA

Apesar de não ter a tradição de violeiros,a capital pernambucana teve o privilégio de receber a primeira etapa do "Festival Voa Viola, " que aconteceu no Teatro Santa Isabel. A viola por cá é um instrumento empregado  no  apoio do repentista para seus improvisos.Mas,com a opulência e diversidade cultural que respalda o estado em todo país,como um centro de valorização das tradições musicais,a cidade  recebeu esse presente. O festival passa em seguida por Belo Horizonte,São Paulo e Brasilia. No Recife teve a participação de Roberto Corrêa,um dos mais importantes violeiros do país e curador do festival,o violeiro baiano Paulo Freire,Pernambuco está representado por Adelmo Arcoverde e Antonio Carlos da Nobrega, o paulista Passoca,Daniel de Paulo (matogrossense),tocador e estudioso da viola de cocho(entalhada  num pedaço de madeira maciço), o mineiro José Mauro,de 14 anos,o mais jovem entre os músicos selecionados para este Voa Viola de estréia. O experiente Pereira da Viola  divide o palco com o também mineiro Wilson Dias. O festival tem o apoio cultural da Caixa Economica Federal.

William Veras de Queiroz  2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro-PE.


terça-feira, 9 de novembro de 2010


TORQUATO NETO, O ANJO TORTO

Em 9 de Novembro de 1944 nascia em Teresina o Anjo Torto.Assim era conhecido um dos maiores intelectuais do Movimento Tropicalista,o piauiense Torquato Pereira de Araujo Neto.Foi poeta,jornalista,compositor,experimentador da contracultura brasileira. Torquato era filho de um promotor público e de uma professiora primária de Teresina. Mudou-se para Salvador aos 16 anos para os estudos secundários,onde no Colégio N.S  da Vitória foi contemporâneo de Gilberto Passos Gil Moreira e trabalhou como assistente no filme Barravento,de Glauber Rocha. Ele se envolveu ativamente na ceba cultural Soteropolitana,onde conheceu Gal Costa,Bethania e Caetano Veloso. Em 1962,mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar jornalismo,porém,nunca chegou a se formar. Trabalhou para diversos jornais carioca,com coluna sobre cultura no Última Hora, Correio da Manhã e Jornal dos Sports. Atuava como um agente cultural e polemista  defensor das manifestações artisticas de vanguarda,como a Tropicália, o Cinema Marginal e a Poesia Concreta,circulando no meio cultural efervescente da época, ao lado de amigos como os poetas Dércio Pignatari,Augusto e Haroldo de Campos,o cineasta Ivan Cardoso e o artista plástico Hélio Oiticica. Visto nesta época como um dos participantes do Tropicalismo,tendo escrito o breviário "Tropicalismo para principiantes". onde defendeu a necessidade de criar um "pop" genuinamente Tupiniquim. No final da década de 1960,com  o AI-5 e o exilio dos amigos  e parceiros Gil e Caetano,viajopu pela Europa e EUA com a mulher Ana Maria e morou em Londres por um breve periodo. De volta ao Brasil,no inicio dos anos 1970,Torquato começou a se isolar,sentido-se alienado tanto pelo regime militar quanto pela "patrulha ideológica" de esquerda. Passou por uma série de internações para tratar  do alcoolismo,e rompeu diversas amizades. em julho de 1971,escreveu a Hélio Oiticica:" O chato,Hélio,aqui,é que ninguém tem mais opinião sobre coisa alguma. Todo mundo virou uma espécie de Capinam(esse é o único de quem não gosto mesmo:é muito burro e mesquinho), e o que eu chamo de conformismo geral é isso mesmo,a burrice,a queimação de fumo o dia inteiro,como se isso fosse curtição,aqui é escapismo,vanguardismo de Capinam que é o geral,enfim,poesia sem poesia,papo furado,ninguém está em jogo,uma droga.Tudo parado,odeio."  Torquato se matou um dia depois do seu  28° aniversário,em 1972.Depois de voltar de uma festa,trancou-se no banheiro e abriu o gás. sua mulher dormia  em outro aposento da casa. O escritor foi encontrado na manhã seguinte  pela empregada da familia. Sua nota suicida dizia: Tenho saudade,como os cariocas,do dia em que  sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar,Prá mim ,chega ! Não sacudam demais o Thiago,que ele pode acordar". Thiago era o filho de dois anos de idade.
38 anos depois, na madrugada do dia 27 de setembro de 2010,seu pai. o defensor  público Dr. Heli Rocha Nunes,morreu em Teresina,após uma parada  cardiaca. A familia aguardou a chegada do único rebento do poeta piauiense,Thiago de Araújo Nunes(piloto  de aeronave em uma companhia áerea brasileira),para realizar o sepultamento do avô.

William Veras de Queiroz  2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro-PE.  

domingo, 7 de novembro de 2010


ZECRINHA

Acabo de receber via ECT,um presente de final de ano do multiartista Bonfinense José Batista da Silva Sobrinho,um álbum recém saído do forno,  ZECRINHA PERFIL DE CANTOS.Uma coletânea que integra parte da vasta obra musical do Menestrel do Piemonte Norte Baiano. Um disco em formato de CD com 14 composições,interpretadas por um escrete composto por 12 craques da musica regional,composta por Binha Campelo,Miguel Araújo,Clarissa Torres,Marcos Canudos,Nilton Freitas,Vanni,Georgia da Paz,Ubiratan Ferraz, Dee Farias,João  Energia,Claúdio Barris e o cantador do sertão de Piritiba Wilson Aragão. Esse timaço comandado pelo dono da bola,Zecrinha, que joga nas  onze e ainda bate o escanteio e corre para cabecear,neste trabalho,o dito cujo produziu,fez arregimentação,cantou e soltou os bichos na viola. A obra de Zecrinha daría para uns dez álbuns de perfil,neste ele trás as parcerias de Cardan Dantas,Márcio Salgado,Régis Gonçalves,Nilton Freitas,Gilberto Lima,Miguel Araújo e João Energia. Um disco semi-acústico com fusões de bossa nova,xote,samba,coco,baião e galope. A música Flor de Laranjeira,caiu como uma luva para a interpretação de Wilson Aragão,uma melodia alegre com solos e distoções de guitarra,algo pertinente aos galopes. Zecrinha interpreta a bela canção "Guetos" do disco Janela de Trem  de 1997 e a música Instrumental "Aurora" do disco Aurora Instrumental de 2003. Esta é a segunda coletanea de Zecrinha, a primeira  é de 2004. Ao ouvir este "novo trabalho de boas  velhas canções" (quase todas regravadas),fica a grata certeza que nem tudo está perdido no combalído universo da Música Popular Brasileira. 

William Veras de Queiroz - 2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro-PE. 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010


LÚCIA PEQUENA, A DIVA DO BARRO JAGUARIBANA

Nas terras dos tabuleiros do rio Jaguaribe, a natureza foi muito mais que  benevolente com aquela  gente,deu um dos melhores solo do nordeste para o cultivo e mãos hábeis para do barro construir pobres  sonhos, resumidos em obras de artes.  Foi no vale do jaguaribe,em Limoeiro do Norte,que numa noite  de Natal de 1959  nasceu Lúcia Rodrigues da Silva,Ceramista, hoje com 40 anos de atividade. A  artesão conhecida popularmente por   Lúcia Pequena é especialista na fabricação de peças de barros desde os 10 anos.Artesanato de barro e de origem indigena espalhado por todo vale do Jaguaribe,cujos agentes,as famosas louceiras de barros,que trabalham a argila,moldando objetivos vários.  Atualmente suas peças estão espalhada por todo país e expostas no Centro Cultural Dragão do Mar,no Centro de Artesanato de Fortaçeza e na Central de Artesanato de Limoeiro do Norte sua terra natal.

William Veras de Queiroz 

quinta-feira, 4 de novembro de 2010


CAVALO MARINHO /BOISADO

É um auto popular,tratando de assuntos religiosos e profanos. Auto popular porque tem enredo teatral e danças que representam uma encenação. É classificada como auto popular,folguedo e dança dramática. Chegou ao brasil com os colonizadores Portugueses que conheciam este quadro como TOURINHAS PORTUGUESAS.As Tourinhas Portuguesas Constituiam numa patomima em que um rapaz metido sob uma armação de cipós encoberto de panos,imitando um touro,procurava atingir seus companheiros que alegremente esquivavam-se dos ataque e cornadas do falso animal,numa tourada de brincadeira. apresentam em seu conteúdo, trechos religiosos  principalmente em suas letras. A litigiosidade medieval é encontrada nas cores  vermelhas e azuis. O vermelho encarnado representa os mouros(o mal) o azul  representa os cristões(o bem). Os adereços tipo espelhos são uma forma de escudo protetor,pois todos os males direcionados as pessoas portadoras destes adereços,batem nesses espelhos,voltam e atingem as pessoas que direcionam tais males. Os brilhos são para ofuscar os olhos dos inimigos/mouros.Auto tradicional em cidades do interior Paraíbano.   O enredo do boi gira em torno da representação da vida,morte e ressureição do boi.

William Veras de Queiroz  - 2010 D.C - São José de Piranhas-Paraíba.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010


MACIEL SALÚ

Um verdadeiro segredo de estado ,o nome do novo disco de Maciel Salú que está no forno.  Mas adiantou que seu novo trabalho,que estará nas boas casas do ramo em novembro,e que tem a participação especial do Paraíbano  Chico César na faixa Rabeca no merengue que faz referência aos mestre rabequeiros Mestre Salustiano(Seu Pai),Mestre Luiz Paixão e Pitunga. A idéia da parceria surgiu no verão de 2009,num encontro dos dois no Recife. Chico César gravou sua participação no Estúdio Peixeboi,em João Pessoa. Este é o terceiro disco de Maciel Salú que tem a herança do folquedo  popular correndo nas veias,ele cresceu em contato com as brincadeiras do cavalo-marinho,as sambadas de maracatú ,cirandas,coco e forró. Neto de João salustiano e filho do Mestre Salustiano. Maciel iniciou cedo a carreira com o grupo  "Sonho da Rabeca". Em 1997,entrou para o "Chão e Chinelo",como compositor,vocalista e rabequeiro.Com o grupo participou do Festival de Nantes-França, (2000). Integrou a Orquestra Santa Massa.Desde 2003,Maciel Salú está em carreira solo.Este terceiro disco tem a produção de Jr.Areia e foi gravado no Estúdio fabrica e tem o patrocinio do SIC Recife.

William Veras de Queiroz 2010D.C -Santo Antonio do Salgueiro-PE.

sábado, 30 de outubro de 2010


ZÉ DO MESTRE  E O LEGADO DO COURO

Sob uma atmosfera ressequida no sertão,quando o semi-árido nordestino conviveu com um dos mais drástico ciclo de estiagem, num dia distante, do ano de 1932,nascia num berço pobre do sitio Cacimbinha,zona rural de Salgueiro,o menino José Luiz Barboza. A história deste cidadão se confunde com a de todo sertanejo. Logo cedo o menino Zé,enfrentou as adversidades do universo caatingueiro, e assim, o seu sol nascia mais cedo para as atividades da roça e com o gado. Vaqueiro nato,ele  aboiava as agruras do seu tempo.Herdou do velho pai, Mestre Luiz,como era conhecido na ribeira da Cacimbinha, o oficio da arte no couro e do curtume,legado que agora transfere para Irineu Barbosa,um dos seus rebentos. Zé do Mestre se especializou na confecção de peças da indumentária do vaqueiro,tornou-se um dos mais conhecido artesão de Pernambuco, vive numa luta constante pela preservação da arte e da própria existência do vaqueiro. Com 77 anos de idade,dos quais 72 dedicado ao oficio,ele  produziu mais de três mil indumentárias,muitas delas para Luiz Gonzaga(rei do baião),alguns presidentes da república,rei Juan Carlos ,da Espanha,cantores e artistas famosos e tem peças expostas em galerias de artes e no museu Missionário,no Vaticano. Na sua  casa,a 14 kms de Salgueiro, plantou uma pedra pontiaguda no quintal,que segundo ele,  representa Mestre Luiz, o patriarca dos Barboza,sobre o olhar distante de uma imponente baraúna. Zé do Mestre é um ambientalista,conhecedor da fauna e da flora da caatinga como poucos,sábio e de visão futurista sua casa no sitio cacimbinha é muito frequentado por pesquisadores,alunos e curiosos da região pelo fato de possuir uma biblioteca com 1200kg de livros especificos e raros,doados por um empresário,que atendeu o pedido de Zé do Mestre que não teve oportunidade de estudar. Com a escassez de encomenda de  peças para vaqueiros,ele direcionou seu trabalho a miniaturas,onde é vendindo em Caruarú e na feira de Salgueiro. Ele está sendo homenageado numa exposição audivisual " O Sertão de Zé do Mestre"sobre sua obra e sua arte no Memorial do Couro ,em Salgueiro. A exposição vai passar por Petrolina,Serra Talhada e Gravatá. A exposição foi dividida em quatro ambientes. No primeiro,os visitantes serão apresentados a uma reinterpretação museológica  do ambiente da caatinga. Na segunda sala,aparece o registro do processo de  criação da indumentparia de couro,realizada pelo fotgrafo Josivan Rodrigues. Já no terceiro ambiente,o foco se desloca para o vaqueiro,sua fé e uso,como proteção  contra a vegetação de caatinga,do traje que o caracteriza. Por fim o quarto espaço traz um olhar sobre a vida cotidiana de zé do mestre,que é mostrado junto à sua  familia. A produção e direção da mostra pe de Alice Chitunda. a exposição tem o apoio da Secretaria municipal de Cultura,Funcultura,projeto do pesquisador do artesanato Ticiano Arraes. A exposição ficará até o dia 9 de novembro,no Memorial do Couro.

William Veras de Queiroz 2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-PE.      

quinta-feira, 28 de outubro de 2010


JOÃO DO MORRO,E O TELEFONE CONFISCADO

João, o sociólogo do cotidiano brasileiro,o antropólogo da periféria. Há cinco carnavais atrás,ele ganhava a vida como açougueiro. Malandro sangue bom,com sua ginga e tiradas bem humorada, sambista carismático e irreverente, caiu na graça da galera descolada da manguecéia.Esse é João Pereira da Silva,30 anos,Pernambucano do Recife,filho de um percussionista da Escola de Samba Galeria do Ritmo,onde aos 14 anos deu os primeiros passos na bateria mirim da escola de samba da comunidade  onde nasceu e vive até hoje Ele desceu o  Morro da Conceição e levou seu som para o asfalto,João é dono de uma visão única e irreverente acerca dos habitos sociais  que o cercam,a um ano formou uma banda "João do Morro e os Cara" e  se tornou cronista da comunidade. Suas letras versam sobre mulheres interessadas em caronas, homossexualidades,alisamento de cabelos,celulares potentes-porém pré pagos,foi assim que se tornou o Rei do Morro,disseminou sua música através de rádios comunitárias e carrocinhas de CDs piratas. Assim,João do Morro Ganhou fama e  virou até personagem de um curta. No Inicio de Novembro,ele desembarca no Rio de Janeiro para participar do Festival Audiovisual Visões Periféricas 2010, onde o documentário " DO MORRO",dirigido por  Rafael Montenegro vai passar na mostra competitiva. Comemorando cinco anos de carreira,ele acaba de lançar na internet sua mais nova canção,Telefone Confiscado.

William Veras de Queiroz 2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro-PE

quarta-feira, 20 de outubro de 2010




CEGO  ZÉ OLIVEIRA E A LUZ DA RABECA


  Zé Oliveira,faz parte de uma estirpes de cegos cantadores que esmolam pelas feiras livres de arruados e pequenas cidades nordestina. Filho de país alagoanos,que como tantos um dia vinheram em devoção ao "Padim Ciço" e não retornaram mais para sua terra. A prole dos Oliveiras aportou no sertão do cariri,em 1904,foram morar no sitio Baixio Verde. Zé Oliveira,foi batizado em Juazeiro do Norte,pelo então paroco local,Cicero Romão Batista. Nasceu cego e na pobreza,muito cedo conheceu o sofrimento.Um  certo dia pediu aos céus,uma luz uma guia para afastar o sofrimento de pedir esmola de porta em porta,e num verdadeiro milagre enxergou a música e a arte para aliviar o sofrimento. No ano de 1929,ganhou de um generoso Tio um presente inesquesivel e  que mais tarde se tornaría   um instrumento de trabalho,uma rabequinha. Dedicou-se ao instrumento,enquanto o único irmão alfabetizado fazia leituras dos versos de romances de cordel e assim Zé ia decorando as quadras , passou mais de 75 "rumance",entre tantos O Romance do Pavão,Princesa Rosa,João de Calais,O Capitão do Navio,Coco verde e Melancia,A peleja de Zé Pretinho com o Cego Aderaldo,O Preguisoso,Zezinho e Mariquinha,Negrão André Cascadura,Juvenal e o Dragão e tantos outros, para os frequentadores das feiras,com a trilha sonora da inseparável rabeca, nessa época viveu num mundo de poesia,apesar do cartão de memória visual está sempre vazio num mundo sem animação e imaginário que povoa a realidade dos cegos. Zé  Oliveira, tocou por muitos tempo nos reisados do vale do cariri,na companhia de um dos filho que era brincante,com a morte do filho perdeu o gosto pelo folguedo e deixou de tocar em reisados.  Era apaixonado pelo som das bandas Cabaçais,resolveu aprender a tocar pifano,  numa certa ocasião tocou um dia e uma noite,mas, a paixão de Oliveira era a rabeca. Com a rabeca fazia cantorias,particpava de festas de casamentos,batizados,renovações de santos,aniversários e em sentinelas,tocando "incelenças". Acredita que as emissoras de rádio ajudaram a minguar a farta agenda  dos   cantadores, diz que hoje só toca em romarias. Já tocou no Rio de Janeiro,São Paulo e Fortaleza,tocou na televisão,e diz que isso atrapalhou a carreira, pois muitos se recusa a dar uma contribuição acreditando que "por ter tocado na televisão o cego está rico". Em 1992,lançou pelo selo Cariri Discos,um LP duplo,Cego Oliveira,Rabeca e Cantoria. Considerado  um patrimônio vivo da cultura Cearense, Zé Oliveira segue a vida num vasto mundo de Privações além da luz dos olhos.

William Veras de Queiroz D.C -2010 - Santo Antonio do Salgueiro-PE.

  

domingo, 17 de outubro de 2010


ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA,PRÁ TCHECO OUVIR...

 O Som da Orquestra Contemporânea de Olinda,desceu a ladeira do amparo na velha marim dos caetés e seguiu os ventos de além-mar e foi mostrar com quantos acordes se faz o novo som da Original Olinda Style. Na República Tcheca, o primeiro álbum do grupo foi para o forno e ganhou nova prensagem e roupagem em formato vinil. Na capa do nosso conhecido CD foi estampado um chique "Latin Grammy Nominee", por aqui,a vibração foi total pela boa receptividade dos Tchecos por uma boa causa,uma música nova e diferenciada . debaixo da linha do Equador o Disco será lançado com pompas e circunstância na Terça do Vinil. No point dos notivagos descolados da Marim,na Bodega do Véio(Rua do amparo,Olinda). Nesta Terça,19,a partir das 19 horas. 

William Veras de Queiroz 2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro-PE.

sábado, 16 de outubro de 2010


CARTA DE DESPEDIDA DE ANTONIO CONSELHEIRO

Arraial do Belo Monte,outubro de 1897

MEU POVO DE BELO MONTE,É CHEGADO O MOMENTO DE ME DESPEDIR DE VÓIS,QUE PENA, QUE SENTIMENTO TÃO VIVO,OCASIONA  ESTA DESPEDIDA EM MINHA ALMA,À VISTA DO MODO BENÉVOLO,GENEROSO E CARIDOSO COMO ME TENDES TRATADO,PENHORANDO-ME ASSIM, BASTANTEMENTE. SÃO ESTES OS TESTEMUNHOS QUE ME FAZEM COMPREENDER QUANTO DOMINA EM VOSSOS CORAÇÕES TÃO BELO SENTIMENTO,COM QUANTO EM ALGUMAS OCASIÕES PROFERI PALAVRAS EXCESSIVAMENTE RIGIDAS COMBATENDO A MALDITA REPÚBLICA,REPREENDENDO OS VICIOS E  MORRENDO O CORAÇÃO E O SANTO TEMOR E AMOR DE DEUS,TODAVIA NUM CONCEBO NUTRIR PELO MINIMO DESEJO DE MACULAR VOSSA REPUTAÇÃO.  ADEUS AVES,ADEUS ÁRVORES,ADEUS CAMPOS. ACEITAI MINHA DESPEDIDA QUE BEM DEMOSTRA AS GRATAS RECORDAÇÕES QUE LEVO DE VÓIS,QUE JAMAIS SE APAGARAM DA LEMBRANÇA DESSE PEREGRINO QUE ASPIRA ANCIOSAMENTE A VOSSA SALVAÇÃO E O BEM DA IGREJA.

Antonio Vicente Mendes Maciel. 

PS- Material sobre o massacre de Canudos,está no arquivo deste blog,materia  de outubro de 2009. CANUDOS, A TRAGÉDIA SERTANEJA

quarta-feira, 13 de outubro de 2010


CINEASTA CAMILO CAVALCANTE

VAI TER  CINEMA NO SERTÃO

                                                                  O  Cinema vai invadir o Sertão.Alô Serrita,Trindade,Moreilandia,Exu,Bodocó,Cedro,Ouricuri,Araripina e Parnamirim,Levem a pipoca, pois vai ter filme na praça e quem garante é o Projeto Cinema Volante Luar do Sertão,dirigido pelo cinesta Pernambucano Camilo Cavalcante,Funcultura e Governo do Estado. Serão realizadas exibições gratuitas de dez curta-metragens em nove municipios do  Sertão do Araripe e sertão Central.  A Caravana Cinematografica apresentará exibições sempre às 19:00h. Na programação  estão o documentário Ave Maria  ou a mãe dos Sertanejos,do próprio Camilo Cavalcante,que faz um registro poético do imaginário popular do sertão,às 18:00h, quando toca na rádio a Ave Maria Sertaneja. Também tem animação em 3D  Até o sol raiar,dos diretores Fernando Jorge e Leandro Amorim,em que personagens de barro criados por um artesão ganham vida própria e agitam uma pacata vila sertaneja numa noite de festa. Entre os destaques estão a ficção Recife frio,de Kleber Mendonça Filho,que aborda uma estranha mudança climática que faz Recife passar a ser uma cidade fria. e Muro,de Tião. ompletam a programação Miró,preto,pobre,poeta e periférico,de Wilson Freire, O homem da mata,de Antonio Carrilho, Vida Maria,de Marcio Ramos; Terral,de Eduardo Nunes; O Som da luz do trovão,de Petrônio Lorena e Tiago Scorza,e A Canga,de Marcus Vilar. O lançamento do projeto Cinema Volante Luar do Sertão ocorreu em janeiro de 2009,em Serrita durante a oficina de realização audiovisual ministrada por Camilo para a produção do filme Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos. Diante da carência de exibição no sertão de filmes que trazem à tona questões poéticas e instigam o olhar a refletir sobre a realidade do país,o projeto surge como uma alternativa para a circulação de obras significantes da cinematografia nacional.

William Veras de Queiroz 2010 D.C Santo Antonio do Salgueiro-PE.

terça-feira, 12 de outubro de 2010




CARTOLA,O MUNDO  É UM MOINHO...

 Se vivo fosse,hoje ele completaria 102 anos,"mas quis o destino,tão ferino,desalmado fez finado" o maior sambista da história da Música Popular Brasileira. Agenor de Oliveira,(seu nome de pia),nasceu no bairro  do catete,na cidade do Rio de Janeiro,em 11 de Outubro de 1908,porém passou toda infancia no bairro de Laranjeira. Ainda moleque tomou gosto pela música e pelo samba e aprendeu a tocar violão e cavaquinho com o Pai. A dificuldade financeira fez a nomerosa familia mudar para a Mangueira,onde então começava a despontar uma incipiente favela. Foi na Mangueira que conheceu Carlos Cachaça-seis anos mais velhos e outros bambas-e se iniciaria no mundo da boemia,da malandragem e do samba. O apelido veio aos quinze anos,quando sua Mãe faleceu,abandonou os estudos-tendo terminado apenas o primário,no oficio de ajudante de pedreiro  usando um inseparável chapéu-coco,para proteger do cimento que caia de cima. Por usar esse chapéu,ganhou dos colegas de trabalho o apelido de Cartola.  Em 1928 fundou a Estação Primeira da Mangueira. seus sambas se popularizaram na década de 1930,sendo interpretados por Silvio Caldas,Araci de Almeida,Carmem Miranda,Mário Reis e Francisco Alves. Desapareceu no cenário musical na década seguinte e chegou a ser dado como morto. Pouco se sabe daquele periodo,além do sambista ter brigado com os colegas da Mangueira,contraído uma doença-especula-se que seja minigite-ter ficado abatido com a morte de Deolinda,a mulher com quem vivia. Cartola so deu o ar da graça em 1956,encontrado por Stanislaw Ponte Preta,trabalhando de lavador de carro em Ipanema. Graça a Stanislaw, Cartola voltou a cantar e compor e a fazer apresentações no rádio. A partir dai foi descoberto por uma nova safra de intérprete. Zicartola,foi o nome do restaurante que abriu com sua esposa Dona Zica,na rua da Carioca, por muito tempo foi o point de intelectuais ,jovens da zona sul e sambistas dos morros da então cidade maravilhosa. Tempos depois o Zicartola fechou as portas e Cartola seguiu a vida com seu  emprego público e compondo seus sambas. Aos 66 anos,em 1974,Cartola gravou o primeiro dos seus quatros discos-solo,e sua carreira tomou inpulso novamente com clássicos intantâneo como "As Rosas não Falam", "O Mundo é um Moinho", " Acontece","Alegria", "O Sol Nascerá", "Alvorada","Cordas de Aço  " e tantos outros sucessos. No final da década de 1970 mudou-se da Mangueira para Jacarepaguá,onde morou até a morte em 1980. Como dizia o bamba " O Mundo é  um moinho", Cartola vivia de um emprego público e umas migalhas de direitos autorais,morreu pobre,da mesma forma em que nasceu,porém, deixou um rico legado para a Música Popular Brasileira.

William Veras de Queiroz-2010 - Santo Antonio do Salgueiro-PE.