domingo, 28 de fevereiro de 2010

O OCASO DO CORDEL DO FOGO ENCANTADO

É com tristeza que recebemos na última quarta -feira, o comunicado do encerramento das atividades artística da Banda Cordel do Fogo Encantado,através de sua assessoria. Ês a nota de esclarecimento do lider da Banda,Lirinha:
Com a permissão dos encantados,sempre:
Sempre anuncio a minha saída da Banda Cordel do Fogo Encantado. São 14 anos de trabalho ininterruptos (11 anos de banda e 3 de peça teatral de mesmo nome). O grupo que é independente desde sua origem,com integrantes do sertão pernambucano(Arcoverde) e do Morro da Conceição (Recife) se tornou uma das bandas mais ativa do cenário de shows da música brasileira. Isso aconteceu com a total entrega dos participantes e a verdade da mensagem emitida.
É com muita dificuldade que redijo essa informação,devido ao imenso amor que sinto pelo público e pelos meus companheiros/guerreiros do projeto.
Revelo,por respeito aos que me acompanham, a minha vital necessidade de trilhar por outros caminhos.
Ajudei a desenvolver um dos espetáculos mais originais da cultura pop do país e é com esse sentimento de orgulho que sigo em frente.
Com a certeza que o fogo da nossa poesia e da nossa música nunca se apagará e que nossa força é infinita.
Abraço forte.
José Paes de Lira,Lirinha.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

MOURÃO DI PRIVINTINA

A Meca dos Sertanejos,assim descreveu o escritor Euclides da Cunha no distante ano de 1902,a cidade Baiana de Bom Jesus da Lapa. Município banhado pelas águas do Rio São Francisco e que todo ano leva milhares de Romeiros Nordestinos a gruta aos pés do morro do Bom Jesus ,local sagrado para o sofrido povo sertanejo onde em romarias deslocam dos mais distantes rincões para louvar,agradecer e de onde enveredam na constante procura de respostas para seus problemas, e, é na Lapa e no campo místico que encontram a solução para as dificuldades do cotidiano. A cidade de Bom Jesus da Lapa,deu muito mais aos Nordestinos e a Música popular Brasileira,Saiu de lá Gutemberg Guarabira (da dupla Sá & Guarabira),Zeca Bahia e o Grupo Mourão di Privintina. O casamento artistico do poeta João Batista Fernandes Filho(João Filho) com o músico e compositor Paulo Sérgio Pereira de Araújo(Paulo Araújo),gerou no ano da graça de 1998 o Mourão di privintina. O grupo que surgiu com a proposta de resgatar a música e as lendas que vivem no imaginário do povo barranqueiro do médio são francisco,numa proposta sincera através da arte que manifesta a cultura do seu povo. o grupo toca uma música com misturas de Baião ,Rock,forró e MPB, com informações cosmopolita mais voltada para o umbigo. Fazer música no Sertão,longe dos grandes centro e da indústria cultural é um grande desafio para o grupo. A dificuldade para produzir um material era enorme no inicio da carreira da história da banda.Não tinham aceso a mídia e a grana para fazer um trabalho legal,mais valeu a persistência do grupo e a situação começou a mudar nos últimos anos,com o inicio da descentralização dos financiamentos e apoios culturais que valorizaram as expressões artísticas do interior baiano. Com um bom tempo de estrada Paulo Araújo aos 15 anos, ao ouvi as músicas de Chico Buarque. A vontade de cantar como o idolo,unida ao gosto pelas coisas da sua terra,fez o adolescente sair à procura de amigos e professores que pudessem ensina-lo a tocar algum instrumento musical e a ler e escrever sa notas musicais. Paulo nunca teve aulas formais,sempre aprendeu tudo na base da vontade e da amizade, e tomando livro emprestado sobre o assunto. Com o passar dos anos ele compôs várias músicas,mais não tinha um incentivo para criar a própria banda. Até que surgiu no final da década de 90 o CANTA VALE,projeto que surgiu em bom Jesus da Lapa com o intuito de divulgar a arte da região,por meio de festivais de músicas. e essa foi a grande oportunidade de Paulo Araújo. a história de João Filho se confunde com a de Paulo pelos festivais do vale,João Filho fundou pequenos jornais na região e sempre teve canções nos festivais. O curioso nome do grupo rende homenagem aos antepassados,os primeiros sertanejos cujo uso do arame farpado era despendioso,desta forma,valía a palavra do homem para demarcar as terras.Era o tempo da terra cantada. Fincava-se o mourão no chão para marcar o ponto onde a terra começava e terminava.Era um mourão de prevenção,uma corruptela,una variação do substantivo,daí Mourão di privintina. o Grupo está no seu segundo trabalho fonográfico,com a mesma proposta de levar além das barrancas do rio o seu som e sentimentos do povo ribeirinho.

William Veras de Queiroz 2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro - PE.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

SINHÔ PEREIRA/PARTE 2

Entrevista concedida a Luiz Lorena e Sá,em 1971, em Serra Talhada,Pernambuco. Com a palavra a baraúna:
LORENA-QUAL O MOMENTO QUE MARCOU SUA VIDA DE MANEIRA INDELÉVEL? SINHÔ -Foram tantos momentos dramáticos no meu trajeto que sería impossivel escolher um.
LORENA - QUAL SEU DIA DE MAIOR ALEGRIA ?
SINHÔ- Chegar em Serra talhada 50 anos depois e ser recebido por todos os parentes com carinho que me dispensaram,foi na verdade motivo de muita alegria.
LORENA - QUAL SEU DIA DE MAIOR TRISTEZA ?
SINHÔ-Estando em Lagoa Grande,distrito de Presidente Olegário/MG,recebi a noticia do falecimento de Luiz Padre.em Anapoles-GO,nem ao sepultamento Compareci
LORENA - VOCÊ TEM ALGUMA GRATA SATISFAÇÃO DO SEU TEMPO DE GUERRILHEIRO?
SINHÔ - Não,nasci para ser cidadão,casar-se e constituir familia.fui namorado da moça mais bonita do pajéu
LORENA -POR QUE SE ENVOLVEU NESSA TRAGÉDIA ?
SINHÔ - A impunidade em Vila Bela teve seu auge em minha juventude; do assassinato de Seu Né-meu irmão- nem inquerito foi aberto
LORENA - VOCÊ RECONHECE O QUE SEUS CONTERRÂNEOS FALAM DO SEU ESPIRITO GUERREIRO E DE SER O MAIS VALENTE ENTRE ESSES ?
SINHÔ - Havia homens valentes até a loucura,entretanto,brigavam para matar.Na hora de morrer,até fugiam do campo de luta.Naquelas circustancias,matar e morrer para mim,sería a mesma coisa;daí a diferença
LORENA - DESSES CONFRONTOS,QUAL VOCÊ TEVE MAIS PROVEITO ?
SINHÔ - A familia Pereira(Minha Familia) vivia atormentada em face de minhas ações,era imperativo mudar a face da história.
LORENA - QUAIS ODS FATOS QUE MAIS PERTUBAVAM VOCÊ ?
SINHÔ - Vários,no começo tudo que eu fazia errado dava certo,com o passar do tempo,tudo que eu fazia certo dava errado.
LORENA - ENTRE ESTES, VOCE PODERIA DESTACAR UM ?
SINHÔ - Sim, a morte de João Bezerra,em Bom Nome.Na forma que eu procedi.Acelerou minha decisão.O meu estado de espirito estava de tal forma que já não tinha condições de conduzir as ações do grupo que comandava.
LORENA- EM QUE CIRCUNSTANCIAS LAMPIÃO APARECEU EM SUA VIDA?
SINHÔ - Ele e os irmãos chegaram de Alagoas depois do assassinato do pai,disposto a confrontar com João saturnino,seu inimigo comum.Não tinham condições financeiras e nem experiências,procuraram-me e participaram de alguns combates com muita bravura.
LORENA - POR QUE VIRGULINO GANHOU O APELIDO DE LAMPIÃO ?
SINHÔ - Num combate, a noite, na fazenda quixaba, o nosso companheiro Dê Araújo,comentou que a boca do rifle de virgulino mais parecia um lampião.Eu reclamei dizendo que a munição era adquirida a duras penas.desse episódio,resultou no Lampião que aterrorizou o Nordeste.
LORENA - VOCÊ NÃO QUIS LAMPIÃO EM SUA VIAGEM PARA GOIÁS ?
SINHÔ - Ao despedir-me dele na Fazenda preá,municipio de Serrita/PE, pedi para não molestar ninguém da familia Pereira,ele prometeu e cumpriu,porém,não quis,entretanto,seguir viagem
para Goiás.
LORENA - DEPOIS DE INSTALADO EM GOIÁS,VOCÊ CONVIDOU LAMPIÃO PARA IR MORAR NAQUELA REGIÃO ?
SINHÔ - Sim,Quintas(meu irmão),foi o portador da carta,ele respondeu verbalmente,dizendo que não aceitava o convite para não me criar problemas.
LORENA-VOCÊ RECEBEU CONVITE DE ALGUÉM PARA ATACAR ANTONIO DA UMBURANA EM QUEIXADA(MIRANDIBA) ?
SINHÔ - Não,tudo aconteceu por minha conta e risco.
LORENA- E O SEU PROBLEMA COM ISNÉRIO IGNACIO, COMO ACONTECEU ?
SINHÔ - Naquele tempo chegou para se agrupar comigo o meu parente Luiz Pereira Nunes(Luiz do triangulo),acompanhado dos primos Chiquito e Teotônio do silveira,valente ao extremo.Depois várias refregas,explicou que estavam comigo porque foram escorraçados de sua propriedade na região de Santa Rita pelo primo Isnero Ignacio.Estavam se preparando para a desforra e esperavam o meu apoio .
LORENA - QUAL FOI A SUA REAÇÃO ?
SINHÔ - Ponderei que já bastavam as inimizades já existentes e que Sinhara,mãe de Isnero,era filha de tia Donana,figura considerada sagrada para minha mãe.
LORENA - E LUIZ DO TRIANGULO, COMO REAGIU ?
SINHÔ - Ficou contrariado,sem aceitar minhas ponderações,entretanto,concordou que eu fosse com Luiz Padre pedir a interferência de Antonio Ignácio de Medeiros,também primo de Isnero,Sr. Sebastião Ignácio de Oliveira,concordou.Isnero e Sinhara foram radicais,não aceitaram qualquer tipo de reconciliação,inclusive proibiram o primo Luiz do triangulo de voltar a sua propriedade.
LORENA - E DAÍ ,O QUE ACONTECEU ?
SINHÔ - Foi uma estupidez o que fizemos,ateamos fogo na fazenda Santa Rita,deixando em cinza o roçado,o canavial,o engenho,os currais e a casa da fazenda.
LORENA - DOS OFICIAIS DA VOLANTE QUE O COMBATERAM,QUAL O DE MAIOR RESPEITO ?
SINHÔ - O capitão José Caetano era um bravo.Intrépido e leal no mais duro da resfrega .
LORENA - QUAL O COMBATE MAIS DRAMÁTICO QUE VOCÊ PARTICIPOU ?
SINHÔ - Foi na serra da forquilha, numa semana que estavamos repousando.Éramos doze homens,cercados num casebre,por cento e vinte policiais. Sem outra alternativo bradamos para que segurassem as armas porque iriamos para a luta corpo- a- corpo e de corpo a punhal.
LORENA - O QUE ACONTECEU ?
SINHÔ - O que aconteceu? saltamos e fugimos ilesos.
LORENA - POR QUE A IDÉIA DE AVISAR AOS SITIANTES,NESSA E EM OUTRA OPORTUNIDADE,QUE CONTINUARIAM A LUTA ,MAS,NA VERDADE,ABANDONAVAM O REFÚGIO ?
SINHÔ - Enquanto aqueles prociravam entrincheira-se,nós fugiamos.
LORENA - VOCÊ VIAJOU PARA O PLANALTO CENTRAL DESPROVIDO DE RECURSOS FINANCEIRO ?
SINHÔ - Não, Isidoro Conrado e Né da Carnaúba financiaram a nossa viagem com dinheiro que comprariamos duzentos bois.
LORENA - EM DIANÓPOLIS,ONDE SE INSTALARAM,TUDO CORREU BEM ?
SINHÔ - Vivemos uma epopéia mais dramática do que aqui,expressar numa entrevista nem vale a pena...
.LORENA -POR QUE ESSA EXPRESSÃO ! "MINHAS NAVEGAÇÕES" QUANDO SABEMOS QUE NAVEGAR É PRÓPRIO DO OCEANO ?
SINHÔ - Ouviamos dizer que o mar é uma imensidão de água,e como a extensão de nossas desgraças não tinha limites, usamos a expressão de "nossas navegações."
LORENA - É VERDADE QUE VOCÊ PREVIU A GENEALIDADE DE LAMPIÃO ?
SINHÔ - Dos homens que deixei em armas no Pajéu,só Virgulino podia chegar a celebridade. Os demais eram formigas sem formigueiros.Minha profencia foi cabalmente comprovada.Lampião nada aprendeu comigo,já nasceu sabendo.

SINHÔ PEREIRA ERA UMA BARAÚNA!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

SINHÔ PEREIRA , O REI DOS SERTÕES

Ele foi o mais destemido dos cangaceiros,respeitado por todos,era uma verdadeira lenda no sertão do Pajéu,foi comandante de Lampião.Quando nasceu,em 20 de janeiro de 1896,em vila bela,hoje Serra Talhada,Sebastião Pereira(sinhô Pereira), recebeu a dura missão de vingar a morte dos integrantes da familia Pereira. Com o assassinato do Padre Pereira,um homem pacifico e caridoso,que vivia para fazer o bem, morto de maneira covarde e brutal,que havia assumido a liderança da familia após a morte do pai, o barão do pajéu. O assassinato do Padre - gerou uma das mais cantadas, sangrenta e histórica lutas de familias no sertões nordestino no inicio do século XX, Carvalho X Pereira. Nesses combates,que duraram mais de uma década,Luiz Padre e Sinhô Pereira tiveram Lampião sobre os seus comandos,antes desse se tornar o terrivel cangaceiro e reinar absoluto pelos sertões,após 1923. Aconselhado pelo Padre Cicero,que estava preocupado com o rumo que essa luta de familia tomava, Sinhô Pereira,atendeu o pedido do padim,entregou o bando a Lampião e resolveu mudar o curso da sua história,em 1920,deixando o nordeste,como combinado. Sinhô Partiu para a cidade de Dianapóles no sertão de Goiás,na companhia do primo Luiz Padre,lá mudou de nome,passou a se chamar Francisco Araújo e Silva.Depois mudou-se para Patos de Minas e depois Lagoa Grande ,também em Minas Gerais.Lá jamais se deixou fotografar com armas.Vestia se de maneira sóbria,não bebia,não fumava,não tinha vicios,e o passado de lutas era um tabu na familia que só vivia do trabalho,no interior de Minas. Os próprio filhos só tomaram conhecimento dos antecedentes de luta do pai quando rapazes. Em 1950/51 declinou-se do convite do Governador de Pernambuco,seu primo Agamenon Magalhães,para voltar a Pernambuco.E assim o fez,voltando a beber das aguas limpidas e saborosa do Rio Pajéu em 1971,no mês de Junho,quando veio visitar a familia em Serra Talhada. Naquela ocasião deixou uma histórica entrevista com seu brioso parente Luiz Lorena de Sá.entrevista esta,que será públicada na próxima edição deste fanzine. Sinhô Pereira faleceu numa manhã do final do ano de 1972,em Lagoa Grande,estado de Minas Gerais-,deixando para trás uma vida e uma história marcada de angustia,dores e vontade de viver feliz com sua familia e amigos.

William Veras de Queiroz D.C (Depois do Carnaval)-Santo Antonio do Salgueiro-PE.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010


VIDA E MORTE ARNAULD

Não bastasse a pobreza Franciscana por que passa o humor televisivo dos nossos dias,com restritas renovações nos quadros e com a ausência do genial Chico Anisio das telas,melhor rir para não chorar,com a trágica noticia que veio do planalto central, o desaparecimento do humorista,ator ,cantor e compositor Arnauld Rodrigues um dos mais subestimados artistas brasileiro. Fez a dupla Baianos e os Novos Caetanos,com Chico Anisio(paródia a Caetano Veloso e os tropicalistas),no qual interpretava o cantor "Paulinho cabeça de profeta" quando desfrutou de grande popularidade nos idos anos 70. Era um disco de humor,mais emplancou um grande sucesso com "Vou batê prá tú . " Era Pernambucano e conterrâneo de Lampião,da vizinha cidade de Serra Talhada. Arnauld,foi o maior redator de humor do País,foi o principal responsável por textos e personagens do antológico programa CHICO CITY(1973) , o melhor que o humorista cearense já realizou na TV. Além de bom compositor,Arnauld foi um ótimo ator.Teve grande atuação na novela "Roque Santeiro"(1985)como o ceguinho Jeremias e em Pão,pão,beijo,beijo,como soró. Arnauld participou de quatro filmes,três deles com os Trapalhões. No patético programa " A praça é nossa " fez personagens como O Povo Brasileiro,Coronel Totonho e Chitãozinho(cantor breganejo). Afastou do programa do SBT desde 2004,estava de volta este ano. Arnauld tentou sem sucesso uma incursão na politica em Pernambuco. Em 1988,filiado ao "PSB pré-Arraes",Arnauld disputou a Prefeitura de Serra Talhada,sua terra natal.Foi o último colocado entre os cinco candidatos com exatos 1.720 votos. Em 1999,após dois shows na cidade de Palmas,decidiu se mudar com a familia para o Tocantins,onde assumiu a função de dirigente do Palmas Futebol e Regatas. Em 2004 deixou a praça para se dedicar aos seus shows solo e ao futebol,mas em 2010 planejava seu retorno ao elenco humoristico,além da produção de um programa de variedades em um canal de televisão do Tocantins. No dia 16 de fevereiro de 2010, Arnauld estava num barco com mais oito pessoas no lago da usina de Lajeado, a 26 kms de Palmas,quando,por volta das 17:30, a embarcação virou enquanto navegava às margens da rodovia TO-01. Sete ocupantes do barco foram resgatados por moradores da região,mas o corpo de Arnauld só seria encontrado pelos bombeiros horas mais tarde,pontificando a história do grande artista brasileiro.

William Veras de Queiroz 2010 D.C Santo antonio do Salgueiro-PE.



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


GILBERTO GIL NO CAMPUS PARTY BRASIL, DEFENDEU FIM DA 'RIQUEZA DIGITAL'

(O Campus Party, é um dos maiores eventos de internet do mundo, portanto é itinerante. No evento ocorre o encontro de comunidades da Internet e tem a finalidade de colocar milhares de pessoas para pensarem e discutirem os rumos da internet, a organização do evento prepara muitas palestras, debates, discussões com grandes pensadores e pessoas influentes da internet. Aqui no Brasil o evento ocorreu no Centro de Exposição Imigrantes-SP, no último dia (28/01/2010), em uma rápida passagem pela Campus Party Brasil o músico e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, discutiu o Plano Nacional de Banda Larga. Para Gilberto Gil, no plano o Governo Federal precisa adotar caráter inclusivo. Gil defendeu o fim do que chamou de 'riqueza digital' no Brasil. Em mesa redonda que discutiu o Plano Nacional de Banda Larga, proposto pelo governo federal, Gilberto Gil foi enfático ao afirmar que o Estado tem obrigação de formatar e orientar a implantação do programa de forma a 'desacumular' a riqueza digital no país. A mesa foi composta por Franklin Coelho, coordenador do projeto Pirai Digital (programa que concedeu um notebook com conexão banda larga a cada estudante da rede municipal de Pirai do Sul, no Rio de Janeiro), Luiz Fernando Pezão, vice-governador do Rio de Janeiro, Célio Turino, da secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, Antônio Carlos Valente, presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) e Cláudio Prado, do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital. O programa do governo federal tem como objetivo universalizar o acesso rápido à web no país. Cálculos do Ministro das Comunicações, Hélio Costa, apontam que serão necessários cerca de R$ 10 bilhões em investimentos para a implantação do plano. Boa parte deste valor terá de ser aplicado em infraestrutura. Para o Ministro, é fundamental que sejam estabelecidas parcerias público-privadas (PPP) com operadoras de telefonia, que seriam responsáveis por oferecer às comunidades de baixa renda planos de acesso à internet com mensalidade de apenas R$ 9,90. Antônio Carlos Valente, da Telebrasil, reforça o interesse das companhias de telecomunicações em participar do plano, mas informa que será necessário resolver antes questões como licenciamento para implantação de novos serviços, como TV a Cabo e redes WiMax. Outra questão envolve tributação. Segundo Valente, uma conta telefônica comum, da qual até 50% do valor total representam impostos, e dos populares modems 3G para notebooks, cuja carga tributária chegaria a 75%.
Rosemary Borges Xavier, 2010-D.C-Cajueiro-Recife-Pernambuco

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010















"O BACALHAU DO BATATA" NO DIA CINZA SAI AS RUAS DE OLINDA-PE.

Mesmo com a ausência do seu fundador, Isaías Ferreira da Silva (que morreu em 1993), um garçom cujo apelido era Batata, juntamente com seus colegas fundaram a 48 carnavais o bloco Bacalhau do Batata que ainda sai as ruas da histórica Olinda. O bloco é o mais tradicional da resistência ao fim do carnaval em Olinda. E na manhã desta quarta feira de cinzas (17/02/2010) não foi diferente, o bloco arrastou centenas de pessoas pelas ruas históricas da velha Marins dos caetés. O bloco foi criado para que “Batata” e seus colegas pudessem curtir o carnaval na quarta de cinzas, uma vez que trabalhavam nos outros dias da folia. Como em todos os anos, foi feito um estandarte perecível que representa o bloco com bacalhau de verdade, legumes e verduras frescas, entre elas tomate, cebola, pimentão, cenoura e batata que não poderia faltar. Juntamente com o Bacalhau do Batata desfilam bonecos gigantes e uma orquestra de frevo com 45 músicos. Entretanto, a noite da quarta feira de cinzas também desfilam mais agremiações. Entre elas o Urso Maluco Beleza, do cantor e compositor Alceu Valença, que também costuma atrair grande quantidade de foliões que se esbaldam, pelas ladeiras da cidade histórica. E Alceu como bom folião sempre dar o ar da graça na sacada de sua casa no largo do Amparo. Mas como uma festa tem começo, meio e fim, e no Blog SOL VERMELHO não poderia fazer diferente, aqui estamos fechando mais um ciclo de matéria sobre a nossa cultura tão popular, mas que esperamos estar contribuindo para enriquecer os nossos leitores de uma boa leitura, até a próxima.

Rosemary Borges Xavier, 2010-Depois do Carnaval-D.C-Cajueiro-Recife-PE.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

MESTRE JAIME E O ZOO DE FOLIA.

Aos pés da ladeira do chalé,da Vila Maria(residência do coronel Veremundo Soares), Sobre um céu de tantos azuis, de uma tarde distante,desfilou pelas retinas daquele menino,um mundo novo de cores,e alegria, era a magia do carnaval. Eu de mãos dada com minha mãe,vi passar o bloco dos operários do curtume,catabi,calça frouxa,bloco das mulheres solteiras e lata véia. E o meu alumbramento de momo,não custou a chegar,entre o medo e alegria, vi passar o Bloco da Bicharada,foi amor a primeira vista,uma paixão dos sertanejos.Quantos carnavais,quantos verões, quantas rotações,e as voltas que o mundo deu.Foram 60 carnavais. e assim Jaime Conserva,alfaiate e talvez o último boêmio do sertão,recebe justa homenagem das autoridades que comandam o nosso carnaval.O SOL VERMELHO,ouviu de perto um pouco desta história,que se confunde com o destino comum do folião sertanejo.

BSV - Como o senhor ver o carnaval dos nossos dias? Uma festa que passa distante do que foi os grandes carnavais do passado.

BSV-O que não dá para encarar nos carnavais dos nossos dias ? As músicas não são de carnaval,o trio elétrico foi o grande responsavel por essa mudança,tomou o lugar do confete e da serpentina,nem parece mais carnaval.

BSV- Com o que mais o senhor se identifica no carnaval ? Com as marchinhas e o frevo.Principalmente de compositores antigos,com Levino , Nelson Ferreira e Capiba.

BSV - O senhor conheceu de perto o carnaval do Recife e Olinda ? Fui como homenageado e vi um carnaval autentico, conheci o de Olinda e seus Bonecos. o do Recife já conhecia em 1942 ,quando era soldado do exército,uma maravilha.

BSV - Quantos carnavais,onde encontra essa energia ? Hoje acredito qie minha vida é um novelo de lã,nos derradeiros fios.Por isso,me preparo para o carnaval como se fosse o último.

BSV - O que representa essa homenagem no carnaval de 2010 ? Na verdade, eu não esperava que esses anos de dedicação e amor ao que faço, fosse um dia reconhecido.

BSV - Essa homenagem trás motivação para manter viva essa tradição no carnaval de Pernambuco ? Vocês não imaginam o que isso representa prá mim e para os amantes da folia do interior que ainda fazem a beleza do carnaval.

BSV - Ainda carrega recordações dos antigos carnavais de Salgueiro ? É impossivel esquecer os Bailes da ACS e Centro Litero,O Catabi de Antonio Dédé,o Calca-frouxa de Orlando de Nanô,Lata véia dos Soares, o bloco do curtume.mas tudo isso se perdeu. o que a juventude de hoje gosta é do trio elétrico e o carnaval não é mais o mesmo.

William Veras de Queiroz Carnaval/2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-PE.

domingo, 14 de fevereiro de 2010





O CORDEL DO FOGO ENCANTADO,ABRE O CARNAVAL DE SALGUEIRO

A abertura oficial do carnaval de Salgueiro,aconteceu nesta sexta-feira,dia 12, com o desfile das Virgens,trio elétrico Cignus e outras atrações.Na verdade o carnaval da provincia teve sua prévia no domingo dia 7,com o bloco da Tabacaria,bloco Olindense que homenageia o poeta Lusitano Fernando Pessoa,e que todo ano faz sua prévia pelas ruas de Salgueiro.Na quarta -feira ,dia 10,aconteceu o cortejo cultural,pelas ruas da cidade,com bonecos gigantes de Olinda,Maracatú de Nação e Rural,Caboclinhos, Afoxé,bloco lírico ,escola de samba,agremiações de frevo,papangus da cidade de Bezerros,Caiporas da cidade de Pesqueira e caretas de Triunfo. Todos vieram reverenciar o homenageado do carnaval Pernambucano de 2010,Mestre Jaime,folião sertanejo de 80 anos e o bloco da Bicharada,que completa 60 anos. A abertura oficial aconteceu na sexta-feira,com o bloco das virgens que tomou conta do centro da cidade com figuras irreverentes em trajes femininos, o ápice da festa aconteceu no polo bomba com o desfile em passarela das virgens de Salgueiro,que seguiu noite a dentro pelas ruas acompanhados pelo trio elétrico Cignus e a banda soteropolitana "Patrichica"(um asa de águia genérico).No Palco do polo Bomba,foi dia de grandes atrações,a festa começou com a ortodoxa Orquestra Tropicaliente de Frevos,que mandou ver com seus Frevos tradicionais.A atração seguinte foi Lourenço Gato,que trouxe para o sertão a alegria e o som das ladeiras da velha Marim dos Caetés,apesar dos teclados usados em detrimento dos naipes de metais,que devem ter ficado pelas ladeiras histórica de Olinda. A surpresa veio com a desconhecida Alexia,que cantou e encantou com sua voz angelical e desfilou com um repertório de sambas conhecido do grande público,e o auxilio luxuoso de um competente acompanhamento de um grupo de samba de mesa do Recife,saiu sobre aplausos e com juras de amor reciprocas com o respeitavel público. A noite prometia, já passava de meia noite quando o locutor oficial anunciou o grupo de " música universitária." fiquei meio confuso,porém mais confuso estava o destinto apresentador,mas,a providencia foi imediata,e a produção mandou uma pequena bio do grupo de origem sertaneja da cidade de Arcoverde,na porta do sertão,e que há muito tempo está radicado em Sampa. Em seguida adentra o palco o trombonista Camaragibe e o baixista Sérgio,para meu espanto ,pois os dois não fazem parte da fauna do cordel,fizeram uma bela abertura, e em seguida aparece os percussionistas Emerson Calado,Nego Henrique e Rafa Rabelo e o Cavaleiro da Ordem do Deserto Cleiton Barros, em seguida José Paes de Lira,(Lirinha), que botou fogo na fiel platéia,que veio de toda região e inclusive, de Natal e Fortaleza,e que se misturaram aos sertanejos de bom gosto.Os tambores em tom de ponto de umbanda rufaram anunciando que o Cordel do Fogo estava na praça prá fazer a festa,e o show não parou,lirinha levitou, pulou e fez uma bela apresentação,com direito a bis no final e declamação de "Ai se sesse" do poeta Paraibano, Zé da Luz. O show do Cordel fica na história das grandes atrações da Fundarpe nos eventos do polo cultural de Salgueiro.Louvado seja a cultura popular e os homens de boa vontade.Viva Lirinha e o Cordel do Fogo Encantado,Salve a alegria,viva o Carnaval.

William Veras de Queiroz 2010 D.C Santo Antonio do Salgueiro -PE.

sábado, 13 de fevereiro de 2010


MARACATU CAMBINDA NOVA E PIABA DOURADA, ZONA DA MATA PERNAMBUCANA
José Gomes da Silva, o mestre Zé Pequeno, do grupo Cambinda Nova, nasceu e trabalhou em engenho de cana. Está no maracatu há 47 anos e afirma que continuará participando enquanto tiver forças para carregar o surrão (suporte do chocalho). Mas não consegue mais fazer as golas, porque a vista não permite. Quando criança, enfrentava a resistência da mãe, que considerava a brincadeira pesada demais. Naquele tempo, caboclos de grupos diferentes eram inimigos, e um encontro casual entre eles invariavelmente acabava em briga feia, com ferimentos graves feitos pelas pontas das lanças. Segundo Zé Pequeno, contudo, isso não existe mais: "Hoje, o importante é brincar", diz ele, acrescentando que agora o pessoal tem mais amor pelo que faz. Opinião bem diferente é a de Antônio Francisco dos Santos, caboclo há 50 anos e diretor do Maracatu Piaba Dourada. Na juventude, seu apelido era Rochedo, por ser bom de briga. Para ele, o amor pela brincadeira é coisa de antigamente. "Naquela época, o sol raiava e a gente continuava dançando, com os olhos vermelhos e cheios de entusiasmo para brincar. Agora, antes de vestir a gola, o caboclo quer saber quanto vai ganhar", diz, desencantado. Diante de pontos de vista tão diferentes, talvez nem seja importante saber quem tem razão. A verdade é que o mundo mudou e, atualmente, quem lidava com a cana trabalha na construção civil ou está desempregado. Aquela região também não é mais a mesma: até a Capela de São Francisco Xavier, do século 18, localizada no Engenho Bonito, foi saqueada.

William Veras de Queiroz, 2010-D.C-Santo Antônio do Salgueiro-Pernambuco

















CABOCLINHOS CAHETÉS - RITMO, CORES E COREOGRAFIA
Flauta de taquara, percussão e maracás. Quatro caboclos sobem ao palco, estão aparentemente sós. A multidão, expectante, tem olhos só para eles. Usam cocares, penas na cintura, nas pernas, braços, o pescoço cingido por colares de sementes; são o abre-alas da tribo que ficara para trás. A flauta dispara o ritmo “na guerra”, sincopado, ligeiro. A percussão acompanha, os maracás chiantes dão o equilíbrio. Vêm o porta-estandarte, o cacique, a mãe-da-tribo, o pajé, o matruá, capitão, tenente, perós (meninos e meninas), caboclos-de-baque, cordão de caboclos, de caboclas. O tocador de flauta, a inúbia, em geral um moço quase imberbe, hábil nos dedos; o instrumento é pouco maior que o palmo de sua mão, o som é telúrico, elétrico. Na rua do Sol, vizinha ao cemitério de Goiana-PE, a tribo de Caboclinhos Cahetés com aproximadamente 120 caboclos, marca a fundação da Associação dos Caboclinhos de Goiana. Em frente ao palco, o cortejo faz a primeira evolução; duas filas paralelas de caboclos voltam pelo interior do bloco, formando quatro filas. Os músicos mudam o ritmo para o “perré”, sincopado e lento, uma trégua. Os perós, cada um empunhando arco e flecha, dispara-os para cima e para baixo; o som do impacto da flecha no arco enriquece a percussão. A terceira variação de ritmo é o “baião”, mas só “na guerra” o delírio é recuperado. Os pés, na coreografia ligeira, não se deixam flagrar pelos flashes das câmaras. Os Caboclinhos Cahetés surgiram em 1904. Criados pelo cortador de cana, João de Melo Marinho, filho de escravos, então casado com uma índia. Conforme o pedreiro Pedro Gonçalves Ramos, sobrinho-bisneto de Marinho, o folguedo celebrava “a caça e a colheita, misturando ritmos;” ritmos festivos e animosos. “Hoje a caça é proibida. Na terça-feira de carnaval, o bodeiro mata um bode para a festa. À tarde, os caboclinhos vão para o desfile no Recife”, completa Ramos. Ele tem 63 anos, há trinta e seis é presidente dos Cahetés; está obeso, não pode mais desfilar. Por ser o mais antigo dos mestres, foi eleito presidente da Associação dos Caboclinhos de Goiana; lidera, além dos Cahetés, os 7 Flechas, Tupinambá, Potiguares, Tapuia Canidé. Canidé – base da dissidência do Tapuia -, Carijós, Caripó, Iraguara e Tabajaras. A sede da associação, também Ponto de Cultura com apoio da Fundarpe, foi construída por Marinho. Pedro Gonçalves Ramos é viúvo e mora com duas filhas e um filho, no pavimento de cima. O Ponto tem dois computadores, uma sala para reuniões. O filho, Pedro Júnior, tem 24 anos, opera o equipamento e diz-se “multimídia.” Nos fundos, há uma escola para crianças, herdada da falecida e gerida pelas duas filhas, ambas caboclinhas. Os estatutos dos Cahetés proíbem a venda da sede. “Há três anos, meu sobrinho vendeu a sede. O caso foi para a justiça. O juiz anulou a venda, mesmo o comprador já tendo pago 10 mil reais”, diz o presidente. Por ser do “grupo especial”, Cahetés recebe cachê da Fundarpe, para o desfile na capital e em cidades da Zona da Mata; afora o da Prefeitura do Recife – 12 mil reais pagos em duas parcelas. O mestre-de-cerimônias da apresentação dos caboclinhos foi o brincante Sérgio da Burra, um brincante de 28 anos, há dez no ofício. Todos os anos, no carnaval, veste-se de lantejoulas, chapéu dourado e monta uma burra de papelão tão brilhante quanto ele. Fuma cachimbo, é âncora de programa radiofônico – Canavial - na rádio comunitária local, tocando ritmos de maracatus e indígenas.
William Veras de Queiroz, 2010-D.C- Santo Antônio do Salgueiro-Pernambuco

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010


BLOCO CARNAVALESCO LÍRICO CORDAS E RETALHOS
Agremiação fundada em 15 de agosto de 1998, no bairro do Engenho do Meio, Recife. Participa do Encontro de Blocos do Recife Antigo desde 1999. Desde o ano 2000 participa do Encontro Aurora dos Carnavais, realizado na rua da Aurora duas semanas antes do carnaval. Tem participações diversas no carnaval do Recife, Olinda e outras cidades do Estado. Desde sua criação, o Cordas e Retalhos tem se destacado no movimento de valorização cultural do frevo-de-bloco e fortalecimento do carnaval pernambucano. A agremiação também cumpre um calendário de apresentações culturais ao longo do ano inteiro, em diversos eventos. No carnaval de 2007, o bloco recebeu menção de destaque na imprensa, por sua participação nas ruas e no palco, tendo sido ressaltada a excelência do trabalho do coral e orquestra pelo pesquisador e historiador Leonardo Dantas Silva, atento observador e crítico do carnaval do Recife. A agremiação tem dois Cds gravados: “Marchas de Bloco” (2003) e “Dez Carnavais” (2009), ambos com repertório próprio, mais algumas regravações de canções importantes do carnaval pernambucano. A orquestra do Cordas e Retalhos é regida pelo renomado maestro, compositor, instrumentista e arranjador EDSON RODRIGUES, professor do Conservatório Pernambucano de Música. O repertório da agremiação inclui autores consagrados do carnaval pernambucano, no gênero frevo-de-bloco (Raul Moraes, Edgard Moraes, João Santiago, Luiz de França, Luiz Faustino, Romero Amorim, Getúlio Cavalcanti, Bráulio de Castro etc.), além de canções especialmente escritas para a agremiação, por diversos artistas. O repertório inclui também autores mais conhecidos pela sua produção no gênero Frevo-canção, a exemplo de Capiba e dos Irmãos Valença.
William Veras de Queiroz, 2010-D.C-Santo Antônio do Salgueiro-Pernambuco

MARACATU PIABA DE OURO, MESTRE SALUSTIANO
O bairro da Cidade Tabajara, em Olinda (PE) é palco do tradicional Maracatu Piaba de Ouro, Maracatu Rural. Fundado no dia 11 de setembro de 1977, por Manuel Salustiano Soares, Mestre Salustiano (falecido 31 de março de 2008), Augustinho Pires e Manoel Mauro de Souza, com a necessidade de relembrar o que eles vivenciaram no campo da Zona da Mata Norte de Pernambuco durante a sua infância surgiu a idéia de fundar o Maracatu Piaba de Ouro. Sob a liderança do Mestre Salustiano o Piaba de Ouro conquistou por sete vezes consecutivas o título de campeão do carnaval pernambucano, além de diversos títulos. No, Ponto de Cultura Formação Continuada, o Piaba de Ouro ganhou o 2º lugar no Prêmio Cultura Viva na categoria Ponto de Cultura, Prêmio Escola Viva e Prêmio Culturas Populares 100 Anos de Frevo Maestro Duda. O legado construído por Mestre Salu é mantido pelos 15 filhos e pela comunidade de mais de 250 brincantes, que criam seus mamulengos, bordados e estandartes e perpetuam a Cultura Viva da história de luta e resistência dessa manifestação cultural. Atualmente dirigido por Manoel Salustiano Soares Filho (Manoelzinho Salustiano) que através de seu aprendizado de vida vem mantendo essa tradição de luta. Sede do Maracatu Piaba de Ouro e Praça Ilumiara Zumbi (Rua Curupira, 125, Cidade Tabajara Olinda)
. Na sede do grupo, crianças e jovens seguem os passos dos mais velhos e aprendem com a tradição oral e o reforço de oficinas, como as de dança e bordados. Portanto, a semente plantada por Mestre Salu brota e floresce a todo instante e destas sementes que já estão dando os frutos nascem Sambada Piaba de Ouro e Cambidinha de Araçoiaba -PE, o Piabinha que é a versão infantil do Piaba de Ouro, afinal cultura começa no berço.. Aqui fica registrada algumas palavras do Mestre Salú: Juntando nossos índios com a África, o maracatu de baque solto ou maracatu rural, é resultado da soma dos rituais indígenas brasileiros com a representação real das cortes africanas. A vida dura dos canaviais, berço e moradia do maracatu rural, que explode em cores, ritmos, passos e rituais, símbolo da história de resistência dessa manifestação de nossa cultura. Homens fortes e trabalhadores, que bordam suas próprias fantasias, ricas em bordados em vidrilhos, canutilhos, lantejoulas, plumas, veludos e cetins, miçangas e tudo que seu orçamento familiar de canavieiro permite representar com dignidade e beleza únicas.
William Veras de Queiroz, 2010-D.C-Santo Antônio do Salgueiro-Pernambuco

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

BLOCO DAS ILUSÕES
A história do Bloco das Ilusões se confunde com a trajetória de duas outras agremiações, sem dissidências, no entanto. Foi fundado em 1985 por esposas de diretores do Galo da Madrugada, simpatizantes do Bloco da Saudade. Sempre que visitavam a concentração do Galo deixavam uma ponta de saudade, então surgiu a idéia de criar outro bloco lírico, conta o atual presidente Gustavo Travassos Freire, filho do saudoso Enéas Freire criador do Galo da Madrugada. Gustavo Travassos também é o autor do primeiro frevo (Bloco das Ilusões). O desfile conta com coral feminino e orquestra. A orquestra é formada de instrumentos de cordas e sopro, portanto apresenta um som lírico das serenatas, dos sarais. A ORQUESTRA é composta por banjos, bandolins, violões, cavaquinhos, flautas, saxofones e clarinetas (alguns blocos maiores trazem ainda violinos, bombardinos, trompetes e tubas); além de uma percussão formada por surdo, pandeiros, caixa e, às vezes, ganzá e reco-reco. O Bloco das Ilusões é um bloco lírico ou de pau e corda. O CONJUNTO é aberto por um cartaz (flabelo), cuja alegoria traz o nome e o símbolo do bloco, sendo seguido da diretoria, das damas-de-frente, das fantasias de destaque, do cordão de homens e mulheres que fazem evolução procurando abrir a multidão, e pelo coral de vozes e a orquestra. Geralmente o Bloco traz um enredo no seu conjunto de fantasias, mas ao contrário das Escolas de Samba, as composições entoadas pelo conjunto nada tem haver com a estória, que é contada através das fantasias.
William Veras de Queiroz -2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-Pernambuco.



















MARACATU CORAÇÃO NAZARENO, A ROSA DO MARACATU
A Cultura do Maracatu de Baque Solto, só existe no Brasil. E é encontrada apenas no Estado de Pernambuco, mais precisamente na Zona da Mata. Porém a Zona da Mata Norte é a que detém um quantitativo maior destes grupos culturais. Quando partimos para Nazaré da Mata que é o município onde hoje tem o maior número de agremiações, um maracatu vem se destacando em vários espaços do Estado e também na mídia nacional e internacional. É o MARACATU DE BAQUE SOLTO CORAÇÃO NAZARENO. Este tem um diferencial dos demais, por ser formado unicamente por mulheres das faixas etárias, dos 07 aos 68 anos de idade. São mulheres que veem na expressão cultural uma oportunidade de garantir a continuidade deste folguedo popular para as novas gerações, além de estar em possibilidade a formação de agentes culturais. Através das oficinas de artes as mulheres confeccionam toda a indumentária e adornos necessários para o desfile do maracatu. É ao pregar as lantejoula que as mulheres discutem os motes a serem cantados nas apresentações. As principais temáticas escolhidas são “loas” que levem o público a refletir através de versos que falem de cidadania, gênero e violência. O Maracatu Coração Nazareno é umas das formas que a AMUNAM (ASSOCIAÇÃO DAS MULHERES DE NAZARÉ DA MATA) encontrou para levar a delicadeza, a leveza, feminilidade e a fortaleza da mulher a um ambiente formado prioritariamente por homens. Através da Associação a tradição foi quebrada. Elas queriam cantar, tocar, fazer as evoluções e vestir as roupas exuberantes do caboclo de lança e, principalmente, diminuir o preconceito social tanto sobre o maracatu quanto sobre o espaço da mulher nessa brincadeira. A idéia surgiu em 08 de março de 2004, dia internacional da mulher. Assim, o grupo pioneiro na luta pelos direitos da mulher, tornou-se pioneiro na cultura de Pernambuco. A presidente da instituição, Eliane Ferreira, lançou a idéia que foi rapidamente aceita pela associação de mulheres que definiu que iria formar um Maracatu 100% feminino. “Maracatu Coração Nazareno”, nome encontrado para traduzir a afetividade diferenciada que constituiria esse maracatu rural. Para a coordenadora do Maracatu, Marinalva Isabel, participar do grupo representa para ela alegria, virtude e entusiasmo. Com atuação através destes projetos sociais temos conseguido minimizar os índices de violência sexual e doméstica, drogas, prostituição infanto-juvenil. Incentivar o vínculo familiar estimulando a formação de cidadãs com consciência crítica para a discussão de políticas públicas e possibilitar uma formação para iniciação profissional, a fim de contribuir com o orçamento doméstico, seja confeccionando indumentárias, seja através dos cachês das apresentações artísticas. O Maracatu Coração Nazareno, teve sua primeira apresentação em 2005, no Encontro de Maracatus na Cidade Tabajara em Olinda. Vestir o surrão e a gola e desfilar de caboclo de lança foi o que atraiu Gil ao Maracatu Coração Nazareno. Não havia mais vestimentas de caboclo e a então baiana do Leão Formoso de Nazaré da Mata tornou-se Bandeirista (responsável por carregar a Bandeira -estandarte do grupo). No ano seguinte, seu destino no maracatu mudou, mudando também seu próprio nome: assumiu o vocal do grupo e passou a ser conhecida como Mestra Gil. Os versos da mestra refletem sua própria experiência pessoal. Quando era a baiana Givanilda Maria da Silva do Maracatu Leão Formoso, o sonho de cantar maracatu parecia inalcançável para uma mulher. Em 4 anos, ela não só aprendeu a cantar como já gravou seu primeiro CD. A produção e lançamento do CD Coração Nazareno integra as atividades do projeto A ROSA DO MARACATU, produzido por Afonso Oliveira e aprovado pelo funcultura 2007, com o objetivo de apoiar e dar maior estrutura e visibilidade ao projeto cultural da AMUNAM. Como parte do projeto, o grupo participou de oficinas com outros mestres de maracatu para aprimorar seu conhecimento sobre essa arte, produzir novas vestimentas e adquiriu seus próprios instrumentos musicais – inclusive os de sopro, o que poucos maracatus possuem, tendo que recorrer à contratação de músicos. Assim, o grupo cresceu, sendo composto por 60 integrantes, dos quais 16 são caboclos de lança. O crescimento do maracatu teve uma conquista não planejada: está atraindo mulheres de todas as idades para a Associação. As músicas, que foram compostas por Mestra Gil em parceria com Mestre João Paulo e Mestre Antônio Roberto, têm como tema problemas sociais, questões de conscientização dos direitos sexuais e valorização do papel da mulher na sociedade. A festa do CD Maracatu Coração Nazareno – A Rosa do Maracatu, reuniu o Coco Popular de Aliança, comandado por Mestre Biu do Coco, da Chã de Camará; o Caboclinho Sete Flexas, de Goiana e teve a participação dos Mestre João Paulo, Zé Duda e Luiz Caboclo. Sede da AMUNAM - Praça dos Estudantes, Nazaré da Mata, PE.
A mulher atualmente/ disputa cargo elevado/Pra governar o estado ser deputado agente/Cabo sargento ou tenente depende do seu estudo/Ensina lidar com surdo, no amor ele feitiça/Só não pode rezar missa mas o resto pode tudo Sou filha de Nazaré/terra de mestre bamba/Nunca cantei farra bamba nem canto o que Deus não quer/Sou a primeira mulher que brilhei cantando samba.Mestra Gil


William Veras de Queiroz. 2010, D.C Santo Antônio do Salgueiro-Pernambuco

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

TRADIÇÃO E PAIXÃO PELO CARNAVAL, BLOCO LÍRICO CARNAVALESCO MADEIRA DO ROSARINHO

O que dizer de um bloco carnavalesco que completou 83 anos de história e que já foi 27 vezes campeão do Carnaval do Recife? O clube foi fundado por Joaquim de França, no dia 7 de setembro de 1926, após divergências com os diretores do antigo bloco Inocêncio do Rosarinho, nasce o famoso Bloco Madeira do Rosarinho, um dos mais tradicionais do Recife. Antes teve o nome de Gogóia, (nome de uma planta), como não soava bem, mudaram para Madeira que cupim não rói, anos depois chegaram ao nome que ficou eternizado: Bloco Carnavalesco Misto Madeira do Rosarinho ou bloco Madeira do Rosarinho, é um dos blocos mais antigos em atividade, faz o público cantar e dançar ao som da canção ‘Madeira que Cupim Não Rói’, imortalizada por Capiba, que inicialmente foi criada com a intenção de protestar contra o resultado de um desfile que deu o título ao Batutas de São José e o segundo lugar ao Madeira do Rosarinho. “Naquela época havia muita confusão entre blocos. Teve um ano que o Batutas estava para acabar, mas eles tinham o apoio dos políticos, e foi quando fizeram a música ‘Não deixe o Batuta morrer’. Então o Madeira veio muito bonito, mas os jurados deram o primeiro lugar para o Batuta. Então, o pessoal daqui se revoltou e não quis buscar o prêmio de vice-campeão. Foi quando Capiba fez a música e trouxe para nós cantando o refrão: ‘Queira ou não queira o juiz, o nosso bloco é de fato campeão’ e imortalizou o bloco”, lembra o presidente Reginaldo Vaz, conhecido também como Dida do Madeira. Este ano, 2010 o bloco está ainda mais bonito, pois ressalta a cultura e prestar uma homenagem à Amazônia. Recentemente a sede do Bloco, o Clube Madeira do Rosarinho, foi totalmente reformada ganhando um novo piso para o salão principal, um memorial, acabamento em cerâmica nas paredes e pilastras, pintura total, reforma da portaria e sinalização, além de um banheiro e rampa de acesso para pessoas com deficiência. A entrega da sede se deu no dia 10 de janeiro de 2009 que contou com shows de diversos artistas. Segundo o presidente, para ser campeão é preciso que haja investimento. O Madeira do Rosarinho conta com um coral profissional, uma orquestra com 20 músicos e onze alas, compostas por quase 190 componentes além das fantasias, confeccionadas nas tradicionais cores do bloco: vermelho, verde e branco. “Temos que gastar cerca de 30 mil reais para vencer”, enfatiza o presidente Reginaldo Vaz (Dida do Madeira). Nosso enredo será ‘Bumba meu boi bumbá, nessa arena vamos brincar’ fazendo alusão à festa cultural do Amazônia. A preparação para o carnaval começa muito tempo antes da festa ocorrer e o Madeira, que está em busca do Bi-campeonato, aposta mais uma vez na sua experiência para a conquista. O Clube Madeira do Rosarinho abre todas as quintas-feiras e sábados a partir das 22h, o endereço: Rua Salvador de Sá, 64, bairro do Rosarinho, Recife-PE.

William Veras de Queiroz -2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-Pernambuco.



















TÁ FALADO, ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA
Foi lançado em 2008, o álbum tá falado que marcou a estréia da Orquestra Contemporânea de Olinda e se torna a mais recente prova da vitalidade da música pernambucana. Passa a ser mais um símbolo da intensidade e inventividade que o Brasil e o Mundo aprenderam a admirar na música pernambucana. Com inovadores arranjos de metais, cordas e percussão, cada faixa num total de 11, é de uma riqueza cada vez mais rara na atual música popular brasileira. Isso porque o projeto idealizado pelo percussionista Gilú é uma espécie de laboratório sonoro sediado nas ladeiras do Sítio Histórico de Olinda. Criado nos idos de 2006, a Orquestra experimenta novos caminhos dentro do universo da música pop, longe do reducionismo que o rótulo pop pode implicar. A Orquestra é formada por um elenco de 12 músicos que, pela primeira vez, tem a oportunidade de agregar diferentes formas de criação da música – da tradicional das ladeiras de Olinda, aos demais ritmos que compõem a atual World Music. São eles: Maciel Salú (vocal e rabeca), Tiné (vocal), Gilú (percussão), Hugo Gila (baixo e teclado), Juliano Hollanda (guitarra e viola), Raphael Beltrão (bateria), Maestro Ivan do Espírito Santo (sax alto, barítono e flauta), José Abimael (trombone), Lúcio Henrique (sax alto), Adriano Ferreira (trombone) e Alex Santana (tuba). Os seis últimos são integrantes da Orquestra Henrique Dias, Fundada em 30 de abril de 1954. A Orquestra Contemporânea de Olinda vem afinada de trabalhos anteriores como Bonsucesso Samba Clube, Academia da Berlinda, Variant, DJ Dolores e Orchestra Santa Massa e Terno do Terreiro entre outros vários projetos. Os músicos foram formados pela primeira escola profissionalizante de músicos de Olinda sem fins lucrativos que iniciou suas atividades em 1954 e realiza, até hoje, programas educacionais, culturais e de desenvolvimento comunitário na cidade Alta de Olinda/PE. Entre grooves latinos, afro beats e ritmos pernambucanos, a Orquestra Contemporânea de Olinda construiu identidade própria, concisa, bem definida. O elenco de músicos com diferentes origens e a mesma intenção de fazer uma música nova, em todos os sentidos. Desde releituras de clássicos em ambientes vanguardistas até a doçura de linhas melódicas primorosas, pontuadas por arranjos de uma orquestra de sopro incrivelmente “encaixada” no som.
A ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA SE APRESENTA DIA 14/02/2010-DOMINGO DE CARNAVAL A 0h30 NO PÁTIO DE TODOS OS RITMOS-PÁTIO DE SÃO PEDRO-RECIFE-PE, VAMOS LÁ PRESTIGIAR E APLAUDIR.
Texto adaptado por Rosemary Borges Xavier-2010-D.C-Cajueiro-Recife-Pernambuco-Brasil

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

BLOCO DA SAUDADE
O Bloco da Saudade, um dos mais tradicionais blocos líricos do carnaval pernambucano, foi criado em 1973, tendo como idealizador intelectual e estético, Antonio José (Zoca) Madureira e o jornalista Marcelo Varella. Nasceu de uma brincadeira entre amigos e a partir de uma marcha carnavalesca composta por Edgard Moraes, em 1962, intitulada Valores do passado, que pretendia reviver carnavais do início do século XX. Os ensaios até a mudança de Zoca para Campina Grande, na Paraíba, eram realizados no quintal da casa dele e de Sevy Madureira com quem era casado. No local, já aconteciam os ensaios do Quinteto Armorial, grupo musical ligado ao
Movimento Armorial, no qual Zoca era violonista. No carnaval de 1974, o Bloco da Saudade, com pouco mais de vinte pessoas, saiu à rua, passando antes na casa de Edgard Moraes para homenageá-lo. Entoavam a música Valores do passado que, com a devida autorização do autor, passou a ser o hino do Bloco. A partir daquele ano, era compromisso do bloco passar sempre na casa de Edgard Moraes antes do seu desfile Para que um bloco saia no carnaval é necessário todo um trabalho de administração e organização nos bastidores. Assim, para colocar o Bloco da Saudade na rua foi preciso montar uma orquestra e ter como pagá-la, confeccionar as fantasias, planejar o itinerário, ensaiar um coral. Nos primeiros anos, Sevy Madureira foi a responsável pela administração geral da agremiação. Providenciava o lanche para os acertos de marcha ou ensaios do Bloco, realizados na sua residência, além dos pagamentos das despesas e confecção das fantasias. Em 1976, juntaram-se à orquestra do Bloco da Saudade músicos instrumentistas como Antonio Jaime, Narciso do Banjo, João do Cavaco e Emiliano Araújo, que durante muito tempo deram suporte à orquestra, sob a direção musical de Zoca Madureira. A ordem dos componentes do Bloco nos desfiles era a seguinte: as crianças vinham na frente, seguidas pelas mulheres, depois os homens e por último a orquestra. O Bloco desfilava pelo centro do Recife: Praça Maciel Pinheiro, Rua da Imperatriz, Rua Nova, Pátio de São Pedro e visitava a casa de Badia, no Pátio do Terço. Seu itinerário abrangia ainda os bairros do Cordeiro, Água Fria, Várzea, Afogados, Casa Forte e também a vizinha cidade de Olinda. No início, utilizou-se muito o “assalto”, uma antiga tradição de blocos carnavalescos. Consistia em fazer visitas a diversas residências, cujos proprietários ofereciam bebidas e comidas aos participantes do Bloco. A organização fazia antecipadamente um levantamento de quem poderia ser “assaltado” e definia os locais onde o bloco deveria passar. Para a locomoção dos foliões alugou-se um caminhão e posteriormente um ônibus. Devido ao constante crescimento do Bloco, era preciso aumentar os recursos para bancar as despesas. Criou-se então o chamado livro de ouro, onde se homenageava as pessoas que contribuíam para a agremiação. Também eram realizadas rifas e vendiam-se discos para financiar o Bloco, uma vez que as doações dos membros não eram suficientes. Um short vermelho ou azul e uma camisa branca, com o nome da agremiação foi a fantasia apresentada pelo bloco no seu primeiro desfile pelas ruas do Recife e Olinda. O primeiro estandarte era em cetim vermelho, trazendo o nome do bloco e uma lágrima embaixo. Em 1977, foi confeccionado um outro, em cetim azul. Como, em sendo um bloco, deveria ter um flabelo ou abre-alas, e não um estandarte, o grupo, alertado sobre o equívoco, mandou confeccionar a peça que é sua marca registrada até hoje: uma máscara azul e vermelha com uma lágrima prata. Os blocos carnavalescos, de uma maneira geral, realizam seus acertos de marcha próximo ao período do carnaval. Os eventos servem como ensaios para repassar todo o repertório musical com a orquestra e o coral e arrecadar recursos para bancar as despesas do bloco. Os cinco acertos de marcha ou ensaios realizados pelo Bloco da Saudade são bastante concorridos. É uma das prévias carnavalescas mais importantes da cidade. Milhares de foliões comparecem para cantar frevos-de-bloco e canções que relembram antigos carnavais e celebram as belezas do Recife. O público é bastante variado e a grande maioria já conhece as músicas. Os que ainda não sabem podem aprendê-las comprando os livrinhos que são vendidos com todo o repertório do Bloco. Durante muito tempo os ensaios foram realizados no salão da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), no Recife. A partir de 2006, estão acontecendo nos salões do Clube Náutico Capibaribe, no bairro dos Aflitos. O último ensaio é o conhecido e concorrido Baile do Bloco da Saudade, que conta com a participação de diversos artistas, membros de outras agremiações convidadas, além da já tradicional apresentação de Claudionor Germano, hoje também conta com o compositor Getúlio Cavalcanti, que se tornou o cantor oficial do Bloco da Saudade, considerado um dos mais populares intérpretes da música carnavalesca de Pernambuco. Em janeiro de 2008, foi realizada no Serviço Social do Comércio (Sesc), no bairro de Santa Rita, no Recife, a mostra História do Bloco da Saudade, reunindo fotografias, fantasias, troféus e reportagens de jornais, para marcar os 35 anos da agremiação.
Rosemary Borges Xavier, 2010-D.C-Cajueiro-Recife-Pernambuco














FREVO, O RITMO DO CARNAVAL PERNAMBUCANO
O frevo nasceu das marchas, maxixes e dobrados; as bandas militares do século passado teriam dado sua contribuição na formação do frevo, bem como as quadrilhas de origem européia. Deduz-se que a música apoiou-se desde o início nas fanfarras constituídas por instrumentos de metal, pela velha tradição bandística do povo pernambucano. Portanto, o frevo possui uma música e uma dança própria e original, de origem urbana que surgiu nas ruas do Recife nos fins do século xix, e hoje toma conta de todo o estado de Pernambuco.O significado da palavra frevo vem de ferver, por corruptela, frever, dando origem a palavra frevo, que passou a designar: "Efervecência", agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas como pelo Carnaval. Pode-se afirmar que o frevo é uma criação de compositores de música ligeira, feita para o carnaval. Os músicos pensaram em dar ao povo mais animação nos folguedos de carnaval, e a gente de pé no chão, queria música barulhenta e animada, que desse espaço para extravasar alegria dentro daquele improviso. No decorrer do tempo a música ganha características próprias acompanhada por um bailado inconfundível de passos soltos e acrobáticos. Nas suas origens o frevo sofreu várias influências ao longo do tempo, produzindo assim variedades. Em reconhecimento à importância do ritmo e a sua data de origem-09 de fevereiro de 1907, ficou instituido como o dia do Frevo. E em
09 de Fevereiro de 2007, o estado de Pernambuco comemorou os 100 anos do Frevo durante o carnaval daquele ano. A década de 30 serve de base para a divisão do frevo em: Frevo-de-Rua, Frevo-Canção, Frevo-de-Bloco. FREVO-DE-RUA - É o mais comumente identificado como simplesmente frevo, cujas características não se assemelham com nenhuma outra música brasileira, nem de outro país. O frevo-de-rua se diferencia dos outros tipos de frevo pela ausência completa de letra, pois é feito unicamente para ser dançado. Na música é possível distinguir-se três classes: o frevo-abafo ou de encontro, no qual predominam os instrumentos metálicos, principalmente pistões e trombones; o frevo-coqueiro, com notas agudas distanciando-se no pentagrama e o frevo-ventania, constituído pela introdução de semicolcheias. O frevo acaba, temporariamente, em um acorde longo e perfeito. Frevos-de-rua famosos Vassourinhas (Matias da Rocha), Último dia (Levino Ferreira), Trinca do 21 (Mexicano), Menino Bom (Eucário Barbosa), Corisco (Lorival Oliveira), Porta-bandeira (Guedes Peixoto), entre outros. FREVO-CANÇÃO - Nos fins do século passado surgiram melodias bonitas, tais como A Marcha n° 1 do Vassourinhas, atualmente convertido no Hino do carnaval recifense, presente tanto nos bailes sociais como nas ruas, capaz de animar qualquer reunião e enlouquecer o passista. O frevo-canção ou marcha-canção tem vários aspectos semelhantes à marchinha carioca, um deles é que ambas possuem uma parte introdutória e outra cantada, começando ou acabando com estrebilhos. Frevos-canção famosos: Borboleta não é ave (Nelson Ferreira), Na mulher não se bate nem com uma flor (Capiba), Hino de Pitombeira (Alex Caldas), Hino de Elefante (Clídio Nigro), Vestibular (Gildo Moreno), entre outros. FREVO-DE-BLOCO - Se originou de serenatas preparadas por agrupamentos de rapazes animados, que participavam simultaneamente, dos carnavais de rua da época, Sua orquestra é composta de Pau e Corda: violões, banjos, cavaquinhos, etc. Nas últimas três décadas observou-se a introdução de clarinete, seguida da parte coral integrada por mulheres. Frevos-de-bloco famosos: Valores do Passado (Edgar Moraes), Marcha da Folia (Raul Moraes), Relembrando o Passado (João Santiago), Saudade (Irmãos Valença), Evocação n° 1 (Nelson Ferreira), entre outros. Os passos do frevo nasceram da improvisação individual dos dançarinos, com o correr dos anos, dessa improvisação se adotaram certos tipos ou arquétipos de passos. Existem atualmente um número incontável de passos ou evoluções com suas respectivas variantes. Os passos básicos elementares podem ser considerados os seguintes: dobradiça, tesoura, locomotiva, ferrolho, parafuso, pontilhado, ponta de pé e calcanhar, saci-pererê, abanando, caindo-nas-molas e pernada, este último claramente identificável na capoeira. AO SOM DOS CLARINS DE MOMO ACORDA PERNAMBUCO! COM TEU ESPLENDOR, PORQUE O FREVO VAI INVADIR A CABEÇA, E SÓ ACABAR PELAS PONTAS DOS PÉS. ISSO É BOM DEMAIS, BOM DEMAIS!

Rosemary Borges Xavier-2010-D.C-Cajueiro-Recife-Pernambuco

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010


A HISTÓRIA DO CARNAVAL DO BLOCO DAS FLORES
Bloco das Flores é o primeiro Bloco Lírico de Pernambuco, fundado em 1920. Em seu primeiro ano, a agremiação desfilou com 100 moças, todas de branco, portando luvas e leques, fantasiadas ao estilo belle èpoque, ao som dos acordes dos primeiros frevos de bloco. Inspirados pelos costumes franceses, que se notabilizavam pelas grandes festas em salões, os blocos líricos trouxeram para as ruas essas tradições, com toda sua riqueza e pujança. Dessa forma, deu-se um caráter mais elitista ao frevo e ao mesmo tempo abriu espaço para a participação da mulher no Carnaval de rua do Recife. Assim na década de vinte do século passado, um grupo de músicos, compositores e carnavalescos, liderados por Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon e Raul Moraes, entre outros iniciaram uma nova categoria de frevo, sendo o Bloco das Flores o primeiro do Recife. Este evento deu origem a diversas outras agremiações, consolidando tanto o ritmo frevo de bloco como música, como o bloco lírico enquanto agremiações firmaram-se como elementos fundamentais do Carnaval de Pernambuco. Fato curioso é que Raul Moraes, compositor oficial do Bloco das Flores realizou curso de especialização musical no Conservatório de Paris. Em 1937, com os falecimentos de Pedro Salgado, seu principal mantenedor e Raul Moraes, o Bloco das Flores parou de desfilar, retornando no ano 2000, quando foi restaurado por um grupo de intelectuais e amantes das tradições do Carnaval de Pernambuco. O Bloco das Flores agrega pessoas de todas as classes sociais e faixas etárias. Uma grande massa apaixonada pelo ritmo dolente da orquestra de pau e corda e do “coral de anjos” acompanha religiosamente o Bloco das Flores. Turistas de vários recantos do país e do exterior se encantam com esta modalidade de frevo, e a presença garantida a cada ano vai aumentando e se perpetuando no deleite do frevo de bloco. O bloco das flores está completando 90 anos, sendo a agremiação com o maior número de frevos, neste carnaval está lançado o CD cujo repertório apresenta músicas já conhecidas como Nostalgia, Regresso e Marcha das Flores e também gravações inéditas de composições de Raul Moraes. O CD traz mais de vinte composições de autores de ontem e de hoje. Com flores, perfume, lindas canções e fantasias, a agremiação desfila com graça levando a paz do lirismo aos amantes do Carnaval de Pernambuco! Em 2010 prepare seu coração para as emoções das comemorações dos 90 anos do Bloco das Flores.

Rosemary Borges Xavier, 2010-D.C-Cajueiro-Recife-Pernambuco

ALGUNS COMPOSITORES E ARRANJADORES DO FREVO PERNAMBUCANO
CAPIBA
- Nascido em 28.10.1904, em Surubim, Estado de Pernambuco, Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba, tem o mesmo apelido do seu avô materno. Em 1912, já fazia parte da Banda "Lira da Borborema", regida por seu pai Severino Athanásio. Em 1921, organizou a sua primeira Orquestra, a "Jazz Band Campinense". Uma das suas primeiras composições foi a valsa Meu Destino. Em 1918 compôs a Suíte Nordestina para Piano. Era o grande autor pernambucano de canções carnavalescas, denominadas frevos-canção, tendo composto centenas deles, conhecidos e mais frevos-de-bloco, maracatus, frevos de rua, sambas, chorinhos e outras. O seu grande intérprete é sem dúvida- o cantor Claudionor Germano. NELSON FERREIRA - Nelson Heráclito Alves Ferreira nasceu em Bonito, Pernambuco aos 9 de dezembro de 1902, tendo falecido no Recife, em 21 de dezembro de 1976. Filho de uma família que cultuava a arte musical, tornou-se, ainda menino, exímio pianista, tocando desde os 15 anos na Orquestra do Cine Royal, na Rua Nova. Em 1916, compôs sua primeira música, a valsa Vitória. Sua primeira valsa de sucesso, Milusinha, foi composta por volta de 1920, quando atuou como pianista da orquestra do Maestro Zuzinha, no Cine Moderno, a quem substituiu pouco depois, tornando-se, assim, o mais conhecido e admirado regente do Recife, de todas as épocas. Acompanhando a evolução dos ritmos e modismos musicais, compôs frevos de rua, frevos de bloco e frevos-canção, que até hoje encantam suas legiões de admiradores JOSÉ MENEZES - Nascido em Nazaré da Mata, aos 12 de abril de 1923, o Maestro veio para o Recife em 1943, iniciando sua carreira musical como saxofonista e clarinetista da Jazz Band Academica. Em 1949 integrava o cast da Rádio Clube de Pernambuco. Formou sua própria orquestra em 1961, tendo dominado por 31 anos os carnavais dos nossos clubes, principalmente o Português e o Internacional. Em várias ocasiões levou a música brasileira ao exterior. LEVINO FERREIRA - Nascido em Bom Jardim - PE em 2 de dezembro de 1890, Levino Ferreira começou muito cedo na arte da música, tocando trompa na banda do maestro Tadeu Ferreira. Aos 22 anos, começou sua carreira de regente. Aos 45, veio para o Recife, tendo participado da Orquestra da Rádio Clube de Pernambuco e da Orquestra Sinfônica do Recife (OSR), onde foi fagotista sob a regência do maestro Vicente Fittipaldi. Faleceu no Recife, em 9 de janeiro de 1970, deixando uma extensa obra da qual constam frevos, maracatus, peças folclóricas e religiosas. Dentre os seus grandes frevos-de-rua estão:Último dia, Diabinho de saia, Lá vai tempo e Lágrimas de folião. GETÚLIO CAVALCANTI - Nascido em pleno carnaval, no 10 de fevereiro de 1942, em Camutanga - Pernambuco, começou na música aos 8 anos de idade, tocando sax-soprano na Banda Musical da Sociedade Beneficente Monsenhor Uchôa, na sua terra natal. Em 1962, contratado como cantor de gêneros românticos, pela Rádio Clube de Pernambuco, Getúlio Cavalvante conheceu o Maestro Nelson Ferreira, gravando na Rozenblit o seu primeiro frevo-canção "Você gostou de mim". A partir daí, gravou grandes sucessos no gênero frevo-de-bloco, tais como: O bom Sebastião, Cantigas de Roda, Último regresso e outros. Passou a compor para vários blocos carnavalescos do Recife como Banhistas do Pina, Bloco das Ilusões, Eu quero mais, Aurora de Amor, Bloco do Amor e o famoso Bloco da Saudade. IRMÃOS VALENÇA - João Vitor do Rego Valença e Raul do Rego Valença, nascidos a 1890 e 1894, respectivamente. A família Valença cultivava a tradição de fazer representações de Presépio de Natal. Irmãos Valença, como ficaram conhecidos, publicaram cerca de trinta obras, além de outras inéditas. Em 1930, compuseram sua primeira música de carnaval, a marcha Mulata, na qual dois anos depois, Lamartine Babo, introduziu algumas modificações, principalmente na letra, transformando-a em Teu cabelo não nega. Foram três vezes campeões do carnaval do Recife, com o maracatu Ô, já vou; as marchas Nós Dois e Foi Você. J.MICHILLES - José Michiles da Silva é recifense nasceu em 1943. Aos 23 anos, ganhou seu primeiro concurso, com o belo frevo-de-bloco Recife, manhã de sol. Hoje é responsável por alguns dos maiores sucessos do carnaval pernambucano, muitos deles gravados por Alceu Valença. CLAUDIONOR GERMANO - O principal intérprete do nosso carnaval, começou como cantor de música romântica. Em 1960, gravou os pot-pourris de Capiba e Nelson Ferreira, que ficaram na história da música pernambucana e ligou para sempre o seu nome ao frevo. É também o cantor que leva a Frevioca, um bonde adaptado com uma orquestra de frevo, pelas ruas do Recife. Seu filho Nonô seguiu-lhe os passos e já é sucesso no carnaval de Pernambuco. JOÃO SANTIAGO DOS REIS - Nasceu no Recife em 1928 e morreu em 1985. Compositor e pesquisador do carnaval pernambucano, foi fundador da Secção de Pernambuco da Ordem dos Músico do Brasil e da Comissão Pernambucana de Folclore. Compositor de mais de 50 marchas de blocos e frevos, participou de diversas agremiações carnavalescas entre as quais Batutas de São José, Inocentes do Rosarinho e Flor de Lira. MAESTRO DUDA - Arranjador, instrumentista e regente, nasceu em Goiana-PE, onde começou, aos oito anos, na Banda Saboeira. Compôs sua primeira música – o frevo "Furacão"- aos 12 anos. Aos quinze, já atuava, no Recife, na Jazz Band Academic e na Orquestra Paraguari da Rádio Jornal do Comércio. Depois de alguns anos de trabalho intenso como arranjador, instrumentista e compositor no sul do Brasil, voltou ao Recife onde integra a Orquestra Sinfônica e atua como Professor-Arranjador do Conservatório Pernambucano de Música. O Maestro é, ainda, Regente-Arranjador e instrumentista da Orquestra Paraibana de Música Popular. CARLOS FERNANDO - Natural de Caruaru, Agreste do Estado, teve seu primeiro sucesso em "Aquela Rosa", vencedora do Festival de Música Nordestina, em 1969. Criador da série de discos "Asas da América", que reuniu os principais nomes da música brasileira gravando novas e antigas canções do carnaval de Pernambuco. Faz parte, com Alceu Valença, J.Michilles e Geraldo Azevedo, de um grupo de músicos tidos como responsáveis pela revitalização do frevo-canção. ANTONIO MARIA ARAÚJO DE MORAES - Nasceu no Recife em 1921 e morreu em 1964. Foi cronista, poeta, letrista e iniciou sua vida artística na Rádio Clube de Pernambuco. Foi parceiro dentre muitos de Vinícius de Moraes e Luís Bonfá. Autor de vários sucessos da música popular: Ninguém me ama; O amor e a rosa; Manhã de carnaval; Frevos n° 1, 2 e 3 do Recife, etc. ALCEU VALENÇA - Nasceu em 1946, em São Bento do Una, agreste pernambucano. Estudou direito, mas sua vocação sempre foi a música. Gravou seu primeiro disco, junto com Geraldo Azevedo, em 1972. Revelou-se nacional em 1975, no Festival Abertura, da TV Globo, com uma música que funde raízes nordestinas com rock. Carnavalesco, mora no foco da folia, em Olinda e costuma animar os foliões cantando da sacada de sua casa. EDGARD MORAES- Edgard Moraes nasceu em Recife, no dia 1 de novembro de 1904. Sua primeira marcha foi composta para o bloco Jacarandá. Ao longo de sua vida, Edgar Moraes fundou, dirigiu orquestras e participou de diversos blocos do Recife como Pirilampos, Príncipe dos Príncipes, Lobos de Afogados, Um Dia de Carnaval, Camponeses em Folia, Rebeldes Imperial, Corações Futuristas, Turunas de São José, Batutas de São José, Galo Misterioso e Madeira do Rosarinho, sempre tocando seu cavaquinho. O compositor faleceu em 1973, poucas semanas depois do primeiro desfile do Bloco da Saudade, idealizado por ele na marcha Valores do Passado (composta em 1962), que presta homenagem a vinte e quatro blocos extintos do Carnaval do Recife. Edgard Moraes foi um dos mais importantes compositores pernambucanos do século XX, tendo deixado um legado de aproximadamente trezentas composições, entre choros, valsas e, principalmente, frevos.
ADEMIR ARAÚJO- Recifense, nasceu em outubro de 1944. É sobrinho do lendário maestro Severino Araújo. Também conhecido como Formiga. Dentre suas composições, é possível encontrar, além de frevos, maracatus, cirandas, caboclinhos, bumba-meu-boi e outros gêneros. SPOK- Inaldo Cavalcante de Albuquerque, o Spok é natural de Igarassu, iniciou seus estudos musicais em Abreu e Lima com o professor Policarpo Lira Filho (Maninho) em 1984. Em 1986 veio para o Recife, e passou a trabalhar com grandes nomes da música pernambucana como: Maestro Ademir Araújo, Maestro Clóvis Pereira e Maestro Guedes Peixotos. MAESTRO NUNES-José Nunes de Souza, nasceu em 22 de junho de 1931, em Vicência-PE. O garoto humilde, aos 9 anos, já tocava em bandas de cidades do interior. Em 1950 veio para o Recife, onde integrou diversas bandas, dentre elas Banda Manoel Óleo, União Operária da Macaxeira e Banda do Liceu de Artes e Ofícios. GERALDO AZEVEDO- Nascido em Jatobá, na época distrito de Petrolina-PE, 11 de janeiro de 1945, Geraldo Azevedo de Amorim, herdou do pai o gosto pelo violão.
Rosemary Borges Xavier-2010-D.C-Cajueiro-Recife-PE