sexta-feira, 29 de maio de 2015




                   29 de maio de 2008.

Há exatos 7 anos calava-se uma voz. Uma voz firme, forte, com uma força que chegava a tocar nossa alma e nosso coração.
Há exatos 7 anos partia TOINHO ALVES. Ficava órfão o Quinteto Violado. Um dos seus fundadores, aquele cara que adorava rir com os amigos, e com aquele sorriso contagiava a todos que o cercavam, dormiu pra sempre.
Partiu o Toinho amigo, o músico, mas ficaram as lições de grande Maestro, do querido amigo, do Pai, do avô e do excelente arranjador.
Hoje não é dia de lamentos e tristezas pra nós. É dia de comemorar a sua vida, e o faremos da forma que ele mais gostava: no palco. Esta noite, em Maceió, reverenciando sua memória e agradecendo o tempo que o tivemos conosco.
Um viva a Toinho Alves!!!

Você sabe o que é Itacoatiara? São inscrições rupestres entalhadas nas pedras de Ingá. Reza a lenda que quando os colonizadores europeus perguntaram aos índios potiguaras sobre o que significavam os sinais inscritos na rocha, os nativos usaram esse termo. A Pedra do Ingá,fica no agreste paraibano,no municipio do mesmo nome,na microrregiao de Itabaiana. E foi o primeiro monumento arqueológico tombado como patrimônio nacional e pertence a todos os brasileiros.

quinta-feira, 28 de maio de 2015


















                                            
                           
              




A nau-catarineta é uma dança dramática com enredo tragicômico de uma nau sem rumo. Os personagens são o tenente-general, o capitão-patrão, o imediato, o piloto, o capitão-de-artilharia, o médico, o capelão, o contramestre, o gajeiro, o vassoura e o ração — os dois últimos, personagens cômicos. Melo Morais Filho menciona também um personagem por nome surjão (cirurgião).


Alguns participantes, vestidos de marinheiro e carregando nos ombros pequeno navio de velas içadas, desfilam no centro de um cortejo, que atravessa as ruas dançando e cantando uma marcha. Enquanto caminham, os personagens imitam o andar balançado, característico dos marujos de longo curso, e vão entoando uma canção que prenuncia os combates.

Chegados a um ponto determinado ou a uma casa, o navio é depositado, e começa a representação. O contramestre, de chapéu na mão, apresenta sua infantaria, e o auto desenvolve-se em torno do navio, sob a direção do capitão, que marca com apitos o início e o fim de cada um dos numerosos episódios, às vezes mesclados com fatos relativos a lutas contra os mouros. Isso ocorre no Ceará, na Bahia e na Paraíba, enquanto que em Pernambuco e Rio Grande do Norte não aparecem mouros nem lutas.

Num desses episódios, os marinheiros “cosem o pano” (isto é, cosem a vela do navio que havia sido destruída pela tempestade), após fingirem luta; no fim, há o episódio do gajeiro, durante o qual são cantados os versos da Nau catarineta, de origem portuguesa.

Embora em certas localidades se recitem loa e, em outras, tudo seja cantado, existe sempre unidade de ação: a história de uma nau em perigo de naufrágio. Às vezes ocorre uma briga, e os marujos terminam lastimando-se da vida no mar. Por fim, a nau segue viagem, e todos cantam despedidas para irem dançar em outro lugar.

Nos antigos fandangos de Pernambuco, havia uma cena final do aparecimento do Diabo, que se apossava do gajeiro da gata (marinheiro da gávea do mastro da mezena). No Rio Grande do Sul, o gajeiro recebe o nome de chiquito, por ser sempre representado por um jovem (castelhano chico). Também chamada marujada, fandango, chegança-de-marujos, barca.

quarta-feira, 27 de maio de 2015


Codevasf doa área para ampliação da Grota do Angico e contribui para preservação da Caatinga em Sergipe

O Monumento Natural Grota do Angico, uma unidade de conservação entre os municípios sergipanos de Canindé de São Francisco e Poço Redondo, será ampliado em 85,3 hectares. O termo de doação que transfere a área à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) foi assinado pelo superintendente regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Sergipe, Said Schoucair.




A assinatura do termo de doação, que contou também com a participação do secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Olivier Chagas, ocorreu em solenidade realizada na 4ª Superintendência Regional da Codevasf, em Aracaju. A Companhia adquiriu a área no mês de março, um investimento de R$ 181 mil. Com essa ação, a Codevasf contribui para a preservação da Caatinga no Alto Sertão de Sergipe.

Said Schoucair destacou a importância de as ações da Codevasf estarem em sintonia com as políticas do governo estadual. “É um dia histórico para a Grota do Angico. Com essa doação, além da preservação do meio ambiente, estamos contribuindo para o turismo da região, por conta da história do cangaço. Temos hoje essa parceria importante com o governo do estado, que tem demonstrado uma atenção especial com a região do Baixo São Francisco”, afirmou.

Olivier Chagas, secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, disse que a Codevasf é um agente importante para as ações ambientais, e citou as de gestão de resíduos sólidos, para as quais a Codevasf está elaborando projetos de engenharia que beneficiarão 11 municípios sergipanos. “Assinar esse documento que vai triplicar a nossa área de preservação é uma grande satisfação, é uma oportunidade histórica de deixarmos um legado para o planeta. Vamos cuidar desse terreno com o zelo, carinho e o amor que o meio ambiente merece”, disse.

O investimento para a compra da área é uma ação de compensação ambiental que contribui para reduzir o impacto ambiental provocado pela implantação do projeto de irrigação Jacaré-Curituba, localizado na mesma região. A doação da área é uma das etapas necessárias para a transferência do perímetro irrigado ao governo estadual, conforme compromisso firmado em 2014 entre a Codevasf e o Estado de Sergipe.

A Codevasf também iniciou as tratativas para formação de reserva legal dos perímetros Propriá, Cotinguiba/Pindoba e Betume, com o objetivo de adquirir de novas áreas para serem incorporadas à Grota do Angico, totalizando mais de 1.000 hectares. A ação está adequada ao atual Código Florestal, que permite a formação de áreas de reserva legal em localidades fora do perímetro irrigado, dentro do mesmo bioma.

Participaram da reunião o diretor-presidente do Sergipe Parque Tecnológico (SergipeTec), Marcos Wandir, o chefe de Gabinete da 4ª Superintendência Regional da Codevasf, Antônio Porfírio - autor de estudos sobre o cangaço na região Nordeste -, o gerente regional de Revitalização, Oscálmi Porto, o chefe da Unidade Regional de Meio Ambiente, Sérgio Hughes, a chefe da Assessoria Jurídica, Maria da Salete Freire, além de técnicos da Semarh.

terça-feira, 26 de maio de 2015



Maracatus de Baque Solto e Cavalo Marinho recebem título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

Ato foi realizado na zona rural de Nazaré da Mata,municipio da Zona da Mata Norte do estado de Pernambuco,mais precisamente no terreiro do Maracatu Cambinda Brasileira,uma agremiacao de Maracatu Rural ou Maracatu de Baque-solto fundado em 1918.


A festa foi marcada pela presença de vários grupos da cultura popular da Mata Norte de Pernambuco.





                 Laurentino Rosa dos Santos

Laurentino Rosa dos Santos nasceu em 1937, na vila de Lancinha, em Rio Branco do Sul, Paraná. Filho de gente da roça começou a trabalhar com madeira aos oito anos de idade, após a morte do pai, que fabricava cestos e também violinos. Laurentino trabalhou ainda como jardineiro, mas é conhecido em todo o País e no exterior por causa de seus “sinaleiros do vento”, um boneco de madeira, cujos braços se movem à maneira de uma rosa-dos-ventos. Eu inventei essa brincadeira com mais ou menos 7 anos. Eu queria fazer um aviãozinho, por isso fiz as asas e acabei colocando no boneco, contou certa vez o artista. Durante muito tempo trabalhou como pipoqueiro e seus sinaleiros faziam parte de seu carrinho. Os “sinaleiros do vento” ou “homens-catavento” criados por Laurentino encantaram o público por nada menos do que seis décadas. Precisava de um dia para confeccionar cada uma e não raro se via assoberbado pelos pedidos. Fãs do homenzinho de madeira espalharam a peça pelo país e há quem a considere um dos símbolos do Paraná. Um exemplar gigante durante duas décadas pontificou no Alto da XV em Curitiba, até se desintegrar.

                                                      Laurentino Rosa dos SantosHomem sinaleiro, madeira. Reprodução fotográfica "Em Nome do Autor", Proposta Editorial, São Paulo, SP, 2008.

O sucesso no mundo da arte popular, contudo, não o colocou em berço esplêndido. Ficou conhecido no meio cultural como "Pipoqueiro". No início dos anos 2000 passou a dividir o tempo entre as goivas e um novo trabalho, a jardinagem - seu ganha-pão. Saía de bicicleta de manhã e só voltava à noite. Aos poucos, passou o segredo do cata-vento para seus dez filhos e netos - os filhos Francisco e Denise se destacaram na produção. Francisco já esteve no Canadá e na França mostrando o legado do pai. Toda produção é realizada no terreno onde vivem no bairro Santa Cândida em Curitiba. Denise conta que o pai não ficou amargo por causa da dificuldade de viver de arte. Laurentino faleceu na manhã do dia 15 de junho de 2009 em Curitiba.

                                           Laurentino Rosa dos SantosHomem sinaleiro, madeira. Acervo da coleção Guy Veloso, Belém, PA.

                                             Laurentino Rosa dos SantosHomem sinaleiro, madeira. Reprodução 

segunda-feira, 25 de maio de 2015



LIVRO CONTA VIDA DE ZÉ MARCOLINO
– O AUTOR DE “SALA DE REBOCO
A festa de lançamento do livro “Zé Marcolino – Conversas sem protocolo”, organizado pelo poeta e escritor Marcos Passos, será na casa de shows “Sala de Reboco”, Rua Gregório Júnior, 264 - Cordeiro, Recife - Pernambuco, (81) 3228-7052) no sábado dia 30 de maio de 2015, aberto ao público a partir do meio dia.

Atrações: Astier Basílio, Bia Marinho, César Amaral, Chico Pedrosa, Ed Carlos, Galvão Filho, Gilmar Leite, Irah Caldeira, Júnior Vieira, Luizinho Sanfoneiro, Maciel Melo, Paulo Matricó, Sevy Nascimento, Em Canto e Poesia, Walter Marcolino, Tonfil.

sábado, 23 de maio de 2015




A Turnê Brasil da Orquestra Criança Cidadã aporta no Sertão pernambucano neste final de semana. No próximo sábado, 23, a performance acontece em Salgueiro, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, às 19h.
Fundada em 2006, a Orquestra Cidadã é um programa da organização não governamental Associação Beneficente Criança Cidadã. O projeto, que busca promover a inclusão social e a profissionalização por meio do ensino da música clássica, atende a 230 crianças e jovens com idades entre 5 e 21 anos, oriundos da comunidade do Coque.
A entrada em ambos os eventos é gratuita.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

                                                 Foto: Paulo Rios



               MESTRE VEVEL DO BOI

 Everaldo Lins,Mestre Vevel, Nasceu no dia 11 de setembro do ano da graca de 1951 ,em Maceió,capital do estado de Alagoas. Coordenou e foi entoador do grupo Bumba-meu-boi Paraná, Everaldo também orientava e assessorava outros grupos de folguedo popular, quanto as composições musicais, rítmicas e também em relação aos figurinos. Era conhecido no mundo da cultura popular como  Vevel ou Mestre Vevel do Boi.
No ano de 2012 foi agraciado pelo governo do estado de Alagoas,atraves da Secretaria de Educacao  com o titulo de Patrimonio Vivo da Cultura Alagoana.  Everaldo era uma figura muito querida entre os grupos folclóricos e participa ativamente das apresentações do grupo que coordena. Faleceu durante as aguas de marco,no dia 3, de 2014. Mestre Vevel deixou um legado e compromisso com  a cultura popular ,atraves de uma nova geracao de brincantes na capital Alagoana

quinta-feira, 21 de maio de 2015



Poeta João Sapateiro


João Silva Franco. Negro, quase dois metros de altura, teve a vida marcada pelo sobrenome postiço. Profissionalizou-se como sapateiro, remendando o couro, trocando o salto, pondo meia sola nos sapatos da população. Discreto, mas de boa conversa, o sapateiro exibia na sua oficina de trabalho, folhas de papel pautado, repletas de palavras escritas em letras de forma, fixadas nas paredes e nos poucos móveis do seu canto laboral. Eram trovas, pequenos e longos poemas, que surpreendiam a freguesia. João Silva Franco passou a ser conhecido como João Sapateiro, e reconhecido como o sapateiro poeta.
Vimos um pouco da biografia deste autor. Com isso pudemos refletir como este homem, sem condições (em se tratando de condições financeiras) conseguiu produzir tantas poesias em meio à correria da vida de trabalhador e chefe de família. Sendo, portanto, um vencedor, um exemplo de persistência, de amor a arte.
Pesquisando as expressões culturais de Sergipe, vimos que é de uma grandeza relevante, visto que somos o menor Estado da Federação. Pesquisamos e vimos a literatura folclórica, com seus versos, cordéis, cantoria de improviso, as lendas, os mitos, adivinhações, contos, nomes de famosos como Tobias Barreto, Silvio Romero, enfim, vários nomes, várias manifestações, mas de tudo que pesquisamos, nada, ou quase nada encontramos  para situar o nosso poeta João Sapateiro nessa cultura. Subtende-se que este modesto e brilhante poeta não foi reconhecido o suficiente para ter seu nome estampado em livros, situando-o como pertencente à cultura de elite ou popular. Restando o questionamento: Suas poesias são consideradas literatura? Lembrando que “literatura” é arte que tem por matéria prima a palavra, e utilizando-se de técnicas faz-se da palavra um instrumento poderoso na construção do que se pretende - recriar a realidade.
Separamos, para análise reflexiva, o poema abaixo, a fim de entendermos o fundamento das produções de João Sapateiro. Este que reproduziu em seus trabalhos, seus sentimentos, suas ideologias.  Sendo, portanto, um brilhante poeta, ainda que não reconhecido no meio literário.



Cântico
Aos Laranjeirenses

Minha terna  Laranjeiras,
Terra das lindas palmeiras,
Adoro tudo que é teu;
Admiro os belos prados,
E adoro os lindos trinados,
Das aves que Deus te deu.

O teu passado eu bendigo,
E adoro o “Bom gosto” amigo,
Aonde vou me banhar;
Adoro a meiga corrente
Que canta canção dolente
Andando em busca do mar.

Adoro a tua Matriz,
Aonde a velhinha feliz
Vai rezar o seu rosário;
Amo o teu belo Cruzeiro
Que lá no cimo do outeiro
Nos lembra o Monte Calvário.

Amo a tua marujada,
E adoro a Pedra Furada,
Que nos encanta e fascina!
Gosto da policromia
E da coreografia
Da Taieira de “Bilina”.

Amo os sinos  maviosos
E os teus jardins olorosos
Que te dão tanta beleza!
Amo as igrejas dos montes,
Amo as tuas velhas pontes
Que fazem lembrar Veneza.

Admiro o candomblé,
E o zabumba do José,
Torrentes de poesia!
Amo a face angustiada,
Da imagem cobiçada
Do Senhor da Pedra Fria.

Admiro a Matriana,
Aonde em fins de semana
O povo vai repousar;
E adoro o Barro Vermelho,
Que fez do rio um espelho
Onde vive a se mirar.

Eu gosto dos Penitentes
Que contritos, reverentes,
Rezam por todos do além.
-  E é com orgulho que falo
Na dança de São Gonçalo,
Que nos encanta e faz bem.


Eu adoro as procissões
Que povos de outros rincões
Não deixam de acompanhar;
E os teus velórios cantados
Que nos deixam encantados
Esquecidos de chorar.

Amo ao Samba de Tropelo,
Coco, Forró e Martelo,
Bacamarte e Batalhão;
E as tuas garotas belas,
Cantando trovas singelas
Nas rodas de São João.

Amo a vista deslumbrante,
E a brisa acariciante
Do morro de Bom Jesus;
O Serra-Velho, dioso,
E o mês de doloroso,
Que aos namorados seduz.

Adoro o teu céu de anil,
Amo o teu povo gentil,
Amo tudo que é de ti;
Eu amo os tamarindeiros
Eu amo os velhos coqueiros
Onde canta o bem-te-vi.

Admiro os Caboclinhos,
E os Negros do Rei  Raminho,
Lamentando o cativeiro;
E a cantoria bonita
Da turma de João de Pita,
No dia seis de janeiro.

Adoro os velhos sobrados,
Aonde em tempos passados
Se cultivava o lirismo;
E os bancos da Conceição,
Onde sentou-se a paixão
No tempo do romantismo.

Adoro a rua Direita,
Porque quanto mais se ajeita,
Fica bem mais sinuosa;
E o Alto do Xavier
Que mostra pra quem quiser,
O quanto és  majestosa!

Minh’alma também é louca
Por ti, cidade barroca,
Residência do saber;
Terra de João Ribeiro,
Meu amor é verdadeiro,
E te adoro até morrer!.

Percebe-se que o poema “Cântico aos Laranjeirenses” trata-se de um poema laudatório, que João, filho adotivo da cidade de laranjeiras, produziu enaltecendo sua terra querida.
João inicia os versos exaltando a terra de lindas palmeiras, com belos campos e aves mandadas por Deus. Ele fala da Igreja  Matriz com seu belo cruzeiro, que o faz lembrar o Monte Calvário, das manifestações artísticas – a taieira, o candomblé, a dança de São Gonçalo; expressa ainda seu  carinho pelo rio com seu  barro vermelho que vivia a mirar,  pelo povo daquela terra- povo gentil,  os prédios antigos com sua beleza lírica encravada em sua história. Enfim, João expressa em cada verso seu amor pela terra que o acolheu, e em gratidão o tornou um filho ilustre.
Finalizando este singelo trabalho, temos então o conhecimento de quecultura, ou manifestações artísticas, são inerentes à prática social, não havendo sociedade, portanto,  que não às manifeste. Sendo, portanto, um elemento necessário para a efetivação da  expressão humana.  E  que poesia é uma arte literária em forma de versos que tem como objetivo expressar e evocar sensações, emoções. Conhecemos, ainda, um pouco deste ilustre sergipano - João Silva Franco - que com sua arte compôs muitos poemas em meio à sua rotina de sapateiro, utilizando-se da arte para expressa-se e manifestar seus mais profundos desejos e pensamentos acerca de diversos temas. Podemos então concluir que este sergipano, adotado por uma cidade rica em cultura, soube aproveitar cada elemento a ele oferecido transformando em arte e revelando-se através de suas poesias. Podemos, então, responder ao questionamento proposto anteriormente: Suas poesias são consideradas texto poético? Ou apenas um trovador que compunha ao exercer seu ofício de sapateiro?

As poesias de João são consideradas parte da cultura popular sergipana. Embora não tenha se tornado um nome famoso entre os nomes de literários como Silvio Romero, Tobias Barreto, Hermes Fontes, sua poesia  é de grande importância para a consolidação de nossa cultura. A exemplo desse reconhecimento lembremos que seu nome foi o escolhido para  estampar o I Prêmio de Poesia Popular João Sapateiro em 2009.


quarta-feira, 20 de maio de 2015


As pisadas de João de Sousa Lima

A morte de Antonio Ferreira


Dia 19 de abril de 2015, saí de Paulo Afonso na companhia dos amigos Josué Santana e Leide Soares, para nos encontrarmos com o casal de amigos Marcos de Carmelita e a professora Silvana, residentes na cidade de Floresta, Pernambuco, onde iríamos realizar uma visita técnica para registrar mais um dos pontos históricos que farão parte dos roteiros apresentados durante o evento Cariri Cangaço, encabeçado por seu curador, Manoel Severo. A pesquisa de campo teve como objetivo o mapeamento geográfico e histórico de um dos mais importantes fatos que marcam as histórias do cangaço na região pernambucana.

Um dos pontos mais visitados por Lampião e seus cangaceiros foi a fazenda Poço do Ferro, de propriedade do coronel Ângelo da Gia. A fazenda, na época do cangaço, pertencia a cidade de Floresta e hoje pertence a Ibimirim. A fazenda não teria tanta importância para os pesquisadores do cangaço se lá tivesse sido apenas mais um dos inúmeros coitos dos cangaceiros. Nessa fazenda o Rei do Cangaço perdeu seu irmão Antônio Ferreira. Dirigimo-nos para Poço do Ferro, sendo guiado por Marcos de Carmelita, porém sem conhecermos ninguém da localidade, assim como parentes que ainda residem por lá.

Quando avistamos a pequena placa com o nome da fazenda, paramos em uma cancela, abrimos e seguimos a estreita estrada. Mais a frente encontramos um casebre onde reside o senhor João David da Silva, sua esposa Maria das Graças e os filhos Joaquim e Graziela. O João David nos recepcionou, serviu água e nos levou ao lugar onde foi enterrado o Antônio Ferreira.


Formação de pedras e uma cruz marcam o local

Marcos de Carmelita, João de Sousa e Josué.

Uma pequena formação de pedras e uma cruz marca o local da sepultura. Marcos de Carmelita, João de Sousa Lima e Josué sendo recebidos pelos descendentes de Angelo da Gia.

Fizemos algumas fotos e fomos até a casa grande da fazenda, onde estavam  neta, bisnetos e tri-netos de Ângelo Gomes de Lima, o Ângelo da Gia. Na casa grande fomos recebidos por Washington Gomes de Lima, bisneto do coronel. Um fato interessante é que disseram que não seriamos bem recebidos pela família e confesso que de todos esses anos de pesquisas e entrevistas, nunca tive uma receptividade tão calorosa como a que recebemos da família.

Travamos um diálogo em uma festiva roda de conversas, tendo por depoentes a neta do coronel e matriarca da família, a senhora Eunice Gomes  Lima e suas filhas Ruth Gomes Lima Laranjeira e Maria do Socorro Gomes Lima Cordeiro e ainda, do tri-neto João Vítor Gomes Lima. As histórias foram muitas mais sempre voltávamos ao episódio principal: a morte de Antônio Ferreira e a perseguição sofrida pela família e imposta pelas volantes policiais.

Coronel Ângelo da Gia
Caravana Cariri Cangaço na Casa Grande da Fazenda
Uma das informações importantes nos forneceu Washington que contou que dois dias depois da morte de Antônio, uma volante chegou na fazenda Poço do ferro, descobriu o túmulo do cangaceiro morto, desenterrou-o e cortou a cabeça e colocou em uma estaca da porteira do curral do casarão do coronel. Quando a polícia saiu o coronel mandou enterrar a cabeça no antigo cemitério da família. Antônio Ferreira tem, portanto dois túmulos, sendo um para o corpo e outro pra cabeça.

Antonio Ferreira

Local onde foi morto Antonio Ferreira
 Fala-se que foi ai o juramento que Luiz Pedro fez dizendo que seguiria Lampião até sua morte. Se verdade ou não a promessa, eles morreram juntos na fria manhã do dia 28 de julho de 1938. Na fazenda Poço do Ferro ainda restam as velhas pedras escuras que circundam covas das pessoas de várias gerações da família e duas dessa simbolizam a passagem do cangaço em suas terras.
No final da conversa nos convidaram para um farto almoço regado a galinha cabidela, bode assado, arroz e feijão de corda. Porém o que mais me marcou nessa visita foram os sorrisos dos membros da família, que mesmo tendo sofrido os abusos e as injustiças de uma época tão marcada pela violência, não perderam suas essências de sertanejos valorosos e, sabem como poucos, receber calorosamente, aos que buscam os filetes de suas memórias históricas... Dona Eunice, Washington, Ruth, Maria Socorro e João Vítor, Deus proteja sempre vocês.
 
João de Sousa Lima, Historiador e escritor Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo AfonsoMembro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Conselheiro Cariri Cangaço
 
Matéria pescada no Sítio do Coroné Severo