quarta-feira, 31 de julho de 2013



                           LUIS CABOCLO



Pajé Luís 'Caboco' é um representante genuíno da antiga tradição dos pajés, tendo sido preparado por seu pai (o 'Caboco Sororô', também pajé) desde a infância. Nasceu Luís Manuel do Nascimento,na aldeia Tremembé da Varjota, em 13 de setembro de 1951,localizada no distrito de Almofala,municipio de Itarema,situado no noroeste,na micro regiao do litoral de Camocim estado do Ceara,. Começou sua atividade  de cura com ervas medicinais aos 18 anos.No ano de 2008,Luis Manoel do Nascimento(Luis Caboclo),recebeu da Secretatia de Cultura do Estado do Ceara o titulo de Tesouro Vivo da cultura Popular.

terça-feira, 30 de julho de 2013



#‎Funcultura‬ audiovisual

Prazo para entregar documentação acaba amanhã

Encerra, nesta terça-feira (30/7), o prazo para entrega da documentação dos projetos aprovados no 6º Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisua
l de Pernambuco – Funcultura Independente 2012/2013. Quem perder esse prazo poderá perder o direito aos recursos. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013




 Janduhy Finizola, Uma história de vida
Por:  Luciana Queiroz  e Thereza Leal
Uma história de vida marcada pela contribuição a medicina, música e literatura. Descendente de italianos, Janduhy Finizola adotou como "religião" a cultura de um sertanejo, ele se auto-define católico, apostólico, sertanejo. Ele é de Jardim do Seridó (RN), mas mora em Caruaru desde 1959, foi nesta cidade que conheceu alguns de seus grandes parceiros, como Luiz Gonzaga, Jacinto Silva e Plínio Pacheco, "Caruaru é uma cidade cantante e que me inspira até hoje", conta Janduhy. 
São de sua autoria composições famosas, como Nova Jerusalém, Ana Maria e todas que são entoadas na Missa do Vaqueiro, em Serrita. Na literatura, ele já lançou dois livros: Oficina de Infinitos e Sementes, o terceiro já está quase pronto.
Gravação de CD
Atualmente Janduhy Finizola também se dedica à gravação de um CD, suas canções serão interpretadas por grandes nomes da música, como Silvério Pessoa e Junio Barreto. O CD está sendo produzido por seu filho Daniel Finizola e Herbert Lucena. Com informações da ATA Solução Empresarial Núcleo de Comunicação.
"O sustento do corpo é a medicina e da alma é a poesia."
Janduhy Finizola da Cunha é descendente de italianos, mas adotou como religiãoos costumes de um sertanejo da gema - ele se auto define católico, apostólico, sertanejo. Um genuíno jardinense (quem nasce em Jardim do Seridó-RN). Na infância, o pequeno Finizola só saia de casa para à escola ou então pra soltar pipas e bater uma bolinha com os colegas da pequena Jardim. Hoje, reconhece que um dos maiores legados vem dos pais Manoel Orago da Cunha e Maria Lilia Finizola da Cunha, deles herdou o gosto pela música e leitura.
"Meu pai mexia com tudo, loja, padaria, peça de automóvel..." lembra Janduhy, que segue a risca a multiplicidade do velho Orago. Virou médico por vocação, poeta e compositor por paixão. A avó também não pode ser esquecida, Dona Inácia Nóbrega encantava a família tocando bandolins.
O tempo passa e o poeta jardinense se aventura desbravando os rincões Brasil a fora. Sempre desafiou o tempo. Em 1949 foi morar em Recife, onde se preparou para o vestibular e ingressou no curso de medicina, lá teve que se moldar aos trejeitos de uma cidade grande. Em 1956 concluiu medicina e partiu para o Rio de Janeiro, onde fez residência em clínica médica e de quebra foi apresentado a boêmia carioca.
E uma data especial marca a sua trajetória: final de 1959. Foi quando ele mudou-se para Caruaru, 'cidade bonita, cantante, muitos violeiros e cantadores...' um prato cheio para alimentar seu cerne artístico. Sua primeira morada no Agreste de Pernambuco foi no Hotel Central. Seu primeiro emprego: no Hospital São Sebastião, onde Dr. Janduhy começou a trabalhar de graça, depois foi contratado e dedicou 32 anos de sua vida aos pacientes deste hospital.
A Caruaru Janduhy só tem o que agradecer, na cidade conheceu aqueles que se tornariam seus parceiros, seus compadres no meio cultural. Luiz Gonzaga, Jacinto Silva e Plínio Pacheco são apenas uns da farta lista de amigos.

Com vocês, o Doutor Baião
O médico Jandhuy Finizola é um compositor da era clássica do forró, fornecedor de sucessos para os maiores intérpretes do gênero.  Ana Maria é um xote que seu autor, Jandhuy Finizola, fez no começo dos anos 70, ele nem lembra a data exata. Deu a música para Os Três do Nordeste, que a gravou em 1973, sem sucesso. Em 2006, a música foi relançada por Santanna e se tornou o maior sucesso da carreira do cantor cearense, radicado no Recife. A maioria das pessoas acha que Ana Maria é uma música recente, e a quase totalidade desconhece o nome do autor. O médico Jandhuy Finizola, de Jardim do Seridó (RN), radicado em Caruaru desde 1960, é um dos raros compositores vivos da era, digamos, clássica do forró. Foi fornecedor de sucessos para Luiz Gonzaga, Marinês, Jacinto Silva, nos anos 60, e, nos 70, para Jorge de Altinho. "A oposição diz que tenho 80 anos, mas não é verdade. Não sinto esta idade, que completei em abril", brinca Finizola (o sobrenome vem do avô italiano), que continua clinicando. Ele veio para Caruaru depois de concluir a residência médica no Rio de Janeiro. Foi na Capital do Forró que começou as duas profissões, a de médico e a de compositor, mas primeiro veio o poeta, ainda adolescente (publicou três livros de poemas). Seu sonho era ter uma música gravada por Luiz Gonzaga, que Jandhuy considera o seu Roberto Carlos: "Mas cadê que eu conseguia chegar perto dele? Eu estava com uma música pronta que era a cara dele. Uma noite em que eu ia ter a oportunidade de falar com Gonzaga, foi o meu plantão no hospital. De madrugada, fui acordado por um servente, avisando que Luiz Gonzaga estava ali, pensei que fosse uma brincadeira. Mas ele insistiu tanto que me levantei e fui ver se era verdade. Era Gonzaga, que foi logo perguntando, se eu era o doutor do baião", conta Finizola. Foi o começo de uma parceria e de uma amizade. Uma amizade que levou Gonzagão a encomendar o que seria a obra mais importante de Jandhuy Finizola: "Fui com ele para Serrita, para a Missa do Vaqueiro. No sábado que antecede a missa, Gonzaga sempre fazia um show para os boiadeiros. Eu estava ali, em cima da carroceria do caminhão com ele. Gonzaga era de rompante. Ele olhou para mim e perguntou porque eu não fazia uma canção para a Missa do Vaqueiro. Eu, na hora, estava ligado naquela emoção e disse que ia fazer uma missa inteira", lembra o compositor. Luiz Gonzaga passou a cantar a missa de Finizola, que recebeu uma gravação definitiva do Quinteto Violado, em 1976 (o grupo a regravaria, com participação de D. Hélder, em 1991). Missa do vaqueiro à parte, Jandhuy Finizola assina pelo menos dez clássicos do forró, Cavalo crioulo, (sua preferida gravada por Luiz Gonzaga) Frei Damião,Nova JerusalémVivênciaVida violaNa corda do feijão. Foi gravado por dezenas de intérpretes, nem todos nordestinos. O fluminense Ruy Maurity, por exemplo, fez sucesso em 1978 com Bananeira mangará (lançado por Marinês). Jandhuy Finizola, no entanto, não esconde a preferência pelos seus antigos intérpretes: "Bom era quando você fazia uma música e sabia com que cara ela se parecia. Tinha uma que era Marinês, outra que era Gonzaga, outra, Jacinto, uma, Jorge de Altinho", comenta o compositor, que de vez em quando desova sua produção engavetada, convidando intérpretes para cantá-las, bancando o disco. O próximo está na agulha para ser lançado. 
Finizola não se acanhava de correr atrás
Quando conheceu Jandhuy Finizola e o chamou de Doutor do Baião, Gonzaga provavelmente pensava em Zé Dantas (falecido em 1962), que era chamado assim nos anos 50. O Rei do Baião não era fácil de fazer amizade, mas com os dois compositores de Caruaru, Jandhuy Finizola e Onildo Almeida, ele se tornou amigo de suportar certos comportamentos que não admitia em outras pessoas: "Eu sempre fumava conversando com ele, que não gostava disso. Uma vez me perguntaram se eu não sabia disso. Não sabia porque ele nunca reclamou. Gonzaga tinha uns rompantes. Uma vez teve um show na frente da minha casa. Ele ficou olhando um rapaz cantando e me perguntou como eu permitia que aquele mau caráter tocasse na frente da minha casa. De outra vez, num show, ele observava mais um cantor. Pensei que fosse falar mal. Pelo contrário, fez os maiores elogios. Das minhas músicas gostava mais, como eu gosto, de Cavalo crioulo. Sempre que a gente se encontrava, antes de falar, ele já vinha cantando a música", conta Finizola. Mas Luiz Gonzaga não foi a única pessoa que Finizola encontrou dificuldade para conhecer. O outro foi Plínio Pacheco, de A paixão de Cristo, de Nova Jerusalém: "Eu ia muito lá querendo falar com Plínio, mas sempre me diziam que ele estava muito ocupado. Eu pagava para entrar na Paixão de Cristo e nem era mais pela peça, era para mostrar a Plínio uma música que eu tinha feito há algum tempo, Nova Jerusalém. Um dia, desisti e fui embora. De repente, ouvi alguém me chamando. Era ele. Mostrei a música. Ele não gostou, sugeriu que eu fizesse outra. Fiz, ele gostou, muito. E foi sucesso com Marinês". (JT)


domingo, 28 de julho de 2013


              O MASSACRE DE ANGICO

Na madrugada 28 de julho de 1938, uma sanguinária madrugada entrava para a história. Naquele dia, um grupo de policiais pegou de “assalto” Lampião e seu bando em Sergipe, matando o rei do cangaço, sua mulher, Maria Bonita, e oito homens e uma mulher de seu bando. Todos foram decapitados e suas cabeças foram exibidas como prêmio nas escadarias da igreja de Piranhas (AL)

A palavra cangaceiro é uma derivação de “canga”, estrutura de madeira que se encaixa nas “costas” de bois de carga para que os animais façam a tração de carroças. Os cangaceiros levavam seus pertences nos ombros em suas andanças, daí o nomeO cangaço é fruto da miséria e do abandono social que dominavam as regiões mais remotas do país. Já no período das Regências e do II Império, esse quadro provocara revoltas como a Cabanagem, no Pará (1835-1840),e a Balaiada, no Maranhão (1838-1841). Também resulta do coronelismo, regime baseado no poder político e econômico dos latifundiários, característica da República Velha (1889-1930

O processo de transformação de cidadãos em “foras-da-lei”, causado pela pobreza, é chamado de banditismo social. São pessoas que pegam em armas por não encontrar outros meios de inserção social ou de sobrevivência.

Os primeiros cangaceiros trabalhavam como jagunços matadores para os coronéis. Os primeiros grupos de bandoleiros aparecem no final do século XIX. Diante da miséria e dos abusos dos coronéis, surgem quadrilhas que vagam pelo sertão, assaltam sertanejos isolados, vilas e fazendas.

Histórias sobre os crimes dos cangaceiros passam a fazer parte da cultura popular, revestidas da aura de aventuras, e teriam fascinado Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Nascido em 1897, no sertão de Pernambuco, ele cresceu ouvindo relatos sobre o cangaceiro Antônio Silvino. Após assumir a liderança do grupo do cangaceiro Sinhô Pereira, Lampião passou a ocupar um lugar de destaque na história do cangaço, que estava vazio desde a prisão de Antônio Silvino, em 1914.

O cangaço chega ao fim durante o governo de Getúlio Vargas (1930-1945), que moderniza o país e reforça o aparato policial sob controle do Estado.
Lampião e seus cangaceiros morrem em uma emboscada noturna na fazenda de Angico, em Sergipe. Um coiteiro torturado pela polícia teria denunciado o esconderijo de Lampião. Aproximadamente 50 soldados da Polícia Militar teriam participado da ação, partindo de Piranhas (AL) para encurralar o cangaceiro e o seu bando. Pegos de surpresa, os comandados de Lampião não teriam conseguido reagir diante do fogo cruzado de fuzis e metralhadoras.

Os cadáveres decapitados foram exibidos como troféus da vitória da ordem e das instituições – de forma semelhante ao ocorrido com Zumbi, do Quilombo dos Palmares, e Tiradentes. Durante mais de 30 anos, a cabeça de Maria Bonita e a de Lampião permaneceram expostas no Museu da Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador, até ser definitivamente sepultada, em fevereiro de 1969.





Aos 28 de julho
Eu passei por outro lado
Foi no ano 38
Dizem que fui baleado
E falam noutra versão
Que eu fui envenenado
Sergipe, Fazenda Angico
Meus crimes se terminaram
O criminoso era eu
E os santinhos me mataram
Um lampião se apagou
Outros lampiões ficaram } bis
O cangaço continua
De gravata e jaquetão
Sem usar chapéu de couro
Sem bacamarte na mão
E matando muito mais
Tá cheio de lampião
E matando muito mais
Tá assim de lampião
E matando muito mais
Na cidade e no sertão
E matando muito mais
Tá sobrando  lampiao.





Eu tenho o sol, a terra, a serra
O tempo, o vento, até tormento
sofrimento e dor
eu tenho o mundo que encandeia
das areias sem nascentes, quentes
vivas de calor.

Eu quero João e devoção
sertão, Maria e família
destes meus irmãos
todos comungam pra Raimundo Jacó
irmão vaqueiro
morto sem explicação.

Aqui no fundo da caatinga tem,
missa e oração
vaqueiro, Deus e o sertão estão,
em tempo de comunhão
devoção, união e o perdão
é pra Raimundo Jacó
nossa comunhão.

Nem bem a barra vem quebrando
aboiando e pelejando
no trabalho estou
aqui no coice da boiada
esta vida estrupiada
dá-me força e destemor.
Eu quero Deus que me alimenta
e que me faz tá na pobreza
sem dizer um não;
quero também ser um vaqueiro
das caatingas o primeiro
a chegar pra comunhão.

Quero abraçar e comungar
participar e ser palavra e lavra
do sertão.
Dar um aboio de tristeza
que o mundo e a natureza
vejam a minha solidão.
O pão divino vem na missa
e no alforje do vaqueiro
o pão da terra está,
tem carne assada, tem farinha
tem queijo com rapadura
vida dura pra contar.

Rezas de Sol /Missa do Vaqueiro
Janduhy Finizola

sábado, 27 de julho de 2013



43ª Missa do Vaqueiro tem lançamentos de livro e CD





Dentro da programação da 43ª Missa do Vaqueiro, em Serrita, no Sertão pernambucano, que segue até este domingo (28), estão os lançamentos do CD ‘Rezas do Sol’ e do livro ‘Missa do Vaqueiro - 40 anos’.
O disco traz as músicas que formam a trilha sonora da missa desde o início do evento. Com onze faixas, duas canções em especial resumem bem o coração e a história da tradicional celebração, são elas: ‘A Morte do Vaqueiro’, interpretada por Fagner, e ‘Canto de Despedida’, cantada por Josildo Sá. As músicas foram compostas por Vavá Machado, Arlindo Marcelino, Luiz Gonzaga, Nelson Barbalho e Janduhy Finizola, que assina a maioria das canções. ‘Rezas do Sol’ tem produção de José Milton e Roberta Jansen.
O livro ‘Missa do Vaqueiro - 40 Anos’ foi escrito por Adriana Victor, Frederico Pernambucano de Melo e Janduhy Finizola. A publicação é dividida em três partes: O Vaqueiro, A História e As Músicas. 
A primeira parte, assinada por Frederico, fala sobre a importância do vaqueiro, abordando os aspectos históricos e sociológicos envolvidos no evento e na figura do homem valente e temente a Deus. Adriana, por sua vez, retrata a história da missa e de um Sertão que se alegra para celebrar a sua gente e suas tradições, ao reproduzir em texto todas as impressões registradas durante a 40ª Missa do Vaqueiro. Ela fala, inclusive, sobre a história do amor proibido do padre João Câncio e de Helena, por quem ele largou a batina. Traz também a importância de João, que ao ver a pobreza e as injustiças cometidas contra os sertanejos passou a pregar a palavra de Deus vestido de gibão, fundando, posteriormente, a Pastoral do Vaqueiro. Já o texto escrito por Janduhy é mais poético, e revela a profunda relação do artista com o evento e reúne suas composições musicais, que formam a trilha sonora da missa até hoje.
Todas as fotos do livro, feitas por Hans von Manteuffel, Joana Calazans e João Rogério Filho, receberam versos em cordel do poeta Pedro Bandeira, atualmente com 83 anos, e de Beto Brito. Com apoio do Funcultura, “A Missa do Vaqueiro – 40 anos” é uma realização da Publikmagem Projetos e Marketing. O livro tem produção executiva de Bruno Herbert e Roberta Jansen e design de Edlamar Soares. Parte da renda arrecadada com a venda dos livros será doada a instituições públicas ou carentes.



PADRE JOÃO CÂNCIO, ERA O PADRE VAQUEIRO 

João Câncio dos Santos, nasceu na cidade de Petrolina (PE), em 21 de outubro de 1936. Consciente de sua vocação saiu da sua cidade ainda muito jovem, rumo ao seminário do (CE). Prosseguiu os estudos em Salvador (BA) e João Pessoa (PB), onde se formou padre em 1965.
Foi ordenado em Petrolina,Pernambuco pelo Bispo Dom Avelar Brandão. Sua primeira paróquia foi Serrita,no Sertao Central do estado de Pernambuco, onde iniciava seu trabalho pastoral, uma grande história de fé e coragem. Com a consciência de que a religião e a fé estão presentes em todas as pessoas, o Padre João Câncio não impôs a comunidade a sua oratória de seminário, muito pelo contrario, aproximou-se de todos, vivenciando e praticando seus hábitos, com o propósito de entendê-los melhor.
O Padre João Câncio em suas conversas com o amigo Luiz Gonzaga, onde o assunto quase sempre era forró e vaquejada, descobriu que Luiz tinha um primo vaqueiro, chamado Raimundo Jacó, conhecido por sua bravura e que fora assassinado por um companheiro de trabalho. Essa história deu origem à idealização da Missa do Vaqueiro, rezada pela primeira vez em julho de 1971. João Câncio faleceu no dia 10 de fevereiro de 1989.
 (Texto de Thiago e Helena Câncio da Fundação Padre João Câncio)


sexta-feira, 26 de julho de 2013




FESTA DOS ESTUDANTES DE TRIUNFO


Com uma programação que valoriza tradições culturais do Sertão do Pajeú como o pífano, o reisado e os caretas, o Festival Pernambuco Nação Cultural retorna a Triunfo em formato especial, celebrando com a população a 55ª Festa dos Estudantes.
Oficinas gratuitas, polo de cultura nordestina, mostra de artes cênicas e shows de Targino Gondim, Adilson Ramos, Quinteto Violado e Fafá de Belém são destaques do festival.
Marcada pelo envolvimento dos moradores em sua organização, a Festa é resultado da parceria entre o Governo do Estado, através da Secult-PE e Fundarpe, Prefeitura Municipal de Triunfo e o Grupo Amigos Estudantes Triunfenses.
De 27 de julho a 04 de agosto, a cidade, que é importante polo cultural da região, será inteiramente ocupada por ações gratuitas de formação cultural, entre oficinas e debates, grandes shows, cortejos de cultura popular, mostra de teatro e dança, encontro de poetas e declamadores, sanfoneiros, repentistas e forrozeiros de todo o Pajeú.
De acordo com Leo Antunes, coordenador do FPNC, “o norte deste festival é a valorização do rico repertório cultural do Pajeú e da bela cidade de Triunfo, atividades culturais durante o dia complementam a programação este ano”. Ainda segundo o coordenador do festival, “iluminar as tradições culturais de todo o estado e permitir a circulação dos nossos artistas são alguns compromissos que o FPNC assume com a população e reforça neste festival”.
POLO CULTURA NORDESTINA
Espaço para as diversas manifestações populares, shows e recitais poéticos, o Polo Cultura Nordestina do FPNC vai oferecer uma vasta programação diurna aos moradores e turistas. Robério Vasconcelos, do Grupo Amigos Estudantes Triunfenses, responsável pelo Polo, também ressalta o caráter de valorização da cultura regional que o FPNC cada vez mais assume: “A nossa festa dos estudantes começou com apenas um dia, ganhou um fim de semana e agora dura nove dias. Os grandes artistas no palco são importantes, mas também sentimos necessidade de divulgar a cultura local. Por isso, 60% das atrações do Polo Cultura Nordestina são artistas de Triunfo, 20% são de outras cidades da região do Pajeú e outros 20% de outros municípios e estados”, comenta.
SHOWS
Todos os estilos sonoros cabem na programação musical desta edição especial do FPNC. No sábado, 27 de julho, Targino Gondim é o grande nome da noite no Pátio de Eventos, que começa com as apresentações de Só Triscando e As Severinas.
Na quinta-feira, 1º de agosto, Ambrosino Martins, Combo X e Quinteto Violado sobem ao palco Nação Cultural. Abrindo o fim de semana, a noite de sexta-feira (02/08), será comandada por Edição Extra, Liv Moraes (filha do mestre Dominguinhos) e pelo romantismo de Adilson Ramos.
No sábado (03/08), moradores e turistas vão poder conferir as texturas musicais e a poesia da banda recifense Rua, que vai apresentar as composições do CD “Rua do Absurdo”, incentivado pelo Funcultura. A última noite de shows no Palco Nação Cultural leva ainda a Triunfo o desacerto de marcha da Orquestra do Sucesso, liderada pelos músicos Zé Cafofinho, Cláudio Negão e Parrô. E encerrando a noite, Fafá de Belém sobe ao palco para arrebatar o público com os diversos hits românticos que marcam a trajetória desta que é uma das maiores vozes da música popular brasileira.
MOSTRA DE ARTES CÊNICAS
Movimentando o Cine Teatro Guarany, o FPNC aporta em Triunfo também com uma rica programação de teatro e dança. Companhias cênicas de Triunfo, Recife, São Paulo e Olinda farão apresentações gratuitas em um dos mais belos equipamentos culturais do Estado. O público infantil é convidado especial do espetáculo “As Sete Saias da Lua”, uma livre adaptação do livro de Joana Cavalcanti por Adriano Cabral e Hilda Torres, que será encenado às 16h do sábado, 03 de agosto.
CULTURA POPULAR
Terra de manifestações populares que dignificam a cultura pernambucana, Triunfo vai ser palco mais uma vez para apresentação das bandas de pífanos da região e do cortejo dos Caretas com participação da Orquestra de Frevo Isaías Lima, que acontece às 19h do sábado (03/08). No dia anterior, sexta-feira, a cidade vai abrigar ainda um encontro de reisado e dança de São Gonçalo.
Repentistas, declamadores, sanfoneiros e forrozeiros também ilustram a programação do Polo de Cultura Nordestina, que começa neste sábado (27/07) e segue até o domingo, 04 de agosto.


Pontos de Cultura


Casarão dos Pontos de Cultura abre suas portas hoje no FIG

O Programa Mais Cultura em Pernambuco participa do 23º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) com o Casarão dos Pontos de Cultura. Este é o terceiro ano da ação que congrega atividades de formação, apresentações artísticas e rodas de debate. Em 2013, o Casarão está instalado na Escola Estadual Henrique Dias, ao lado do Parque Euclides Dourado. O espaço será aberto nesta sexta-feira (26), às 17h, com apresentação de xaxado da Companhia de Arte e Cultura do Renascer do Sertão (Triunfo - PE). O acesso é gratuito.



             Ariano Suassuna falando do forró atual... 


‘Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!’. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma plateia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são ‘gaia’, ‘cabaré’, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.
Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.
Porém o culpado desta ‘desculhambação’ não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando- se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de ‘forró’, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo est tico. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.
Aqui o que se autodenomina ‘forró estilizado’ continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem ‘rapariga na plateia’, alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é ‘É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!’, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Ariano Suassuna

quinta-feira, 25 de julho de 2013

CANDEEIRO





     Morre Candeeiro, último membro do grupo de Lampião



Morreu, aos 97 anos, o último cangaceiro do grupo de Virgulino Ferreira, o Lampião. Pernambucano de Buíque, no Agreste do Estado, Manoel Dantas Loiola tinha o codinome de Candeeiro e estava internado há cerca de uma semana devido a um derrame cerebral no Hospital Memorial de Arcoverde, no Sertão, onde faleceu na madrugada desta quarta-feira (24).

O ex-cangaceiro, que atualmente era mais conhecido como Seu Né, conviveu diretamente com Maria Bonita, mulher de Lampião. Em entrevista ao NE10, no ano passado, disse lembrar de quando entrou para o bando de Lampião ainda adolescente e que o apelido de "Candeeiro" lhe foi dado pelo rei do cangaço devido à energia e disposição apresentados pelo jovem cangaceiro, no ano de 1937. "Ele esteve em Angicos (AL) e sobreviveu por um golpe do destino: na noite do ataque, Lampião o mandou pegar uma encomenda de armas e munições. Poucas horas depois, acontecia o cerco das volantes", narrou o texto.

Após ser velado em sua residência, na vila Guanumby, zona rural de Buíque, o corpo de Candeeiro foi sepultado na tarde desta quarta-feira, no cemitério da cidade. Candeeiro deixou esposa e seis filhos.

No Facebook, a sobrinha de "Tio Né", Mayanna Dantas, deixou o seguinte comentário: "Existem pessoas que nascem para fazer e ser história. Pessoas que nascem para virar lenda, lenda essa que merece ser seguida, merece ser ouvida e sem dúvida alguma lembrada, seja por histórias, que os outros contem sobre ela, ou ainda melhor, que ela mesma conte sobre marcos de sua vida.
Lembrada, por aquelas gargalhadas marcantes que dava no decorrer das suas conversas, suas danças que demonstravam o quão alegre era sua vida. Sem dúvida alguma são momentos que irão ficar na memória de centenas de pessoas que tiveram a honra de conviver com essa lenda, pessoa que cativava pelo simples sorriso de uma chegada, pelo brilho no olhar de uma pessoa que tinha vivido na juventude histórias que seriam lembradas por todo um País, e porque não?, pelo mundo".
Fonte NE10

quarta-feira, 24 de julho de 2013




DOMINGUINHOS

José Domingos de Morais nasceu no interior de Pernambuco, na cidade de Garanhuns, em 12 de fevereiro de 1941. Oriundo de família humilde, seu pai, mestre Chicão, era um conhecido sanfoneiro e afinador de sanfonas. Dominguinhos interessou-se por música desde cedo, começando a aprender sanfona com seis anos de idade, quando ganhou um pequeno acordeão de oito baixos e chegou a se apresentar em feiras livres e portas de hotéis em troca de algum dinheiro junto com seus dois irmãos, com quem formava o trio Os Três Pingüins. Praticava o instrumento por horas a fio, e logo tornou-se proficiente nas sanfonas de 48, 80 e 120 baixos, e acabou por tornar-se músico profissional ainda garoto.
Em 1950, aos nove anos de idade, conheceu Luiz Gonzaga quando tocava na porta do hotel em que este estava hospedado. Luiz Gonzaga se impressionou com a desenvoltura do menino e o convidou a ir ao Rio de Janeiro. Dominguinhos o fez em 1954, então com treze anos de idade, acompanhado do pai e dos dois irmãos, indo morar em Nilópolis. Ao encontrar-se com Luiz Gonzaga no Rio, este deu-lhe de presente uma sanfona e o integrou à sua equipe de músicos, e Dominguinhos passou a fazer shows pelo Brasil e participar de gravações. Em uma dessas viagens, em 1967, conhece a cantora de forró Anastácia (nome artístico de Lucinete Ferreira), com quem se casa e forma uma parceria artística que duraria onze anos. Dominguinhos já tinha um filho, Mauro, nascido em 1960 de seu primeiro casamento. Em 1976, Dominguinhos conhece a também cantora Guadalupe Mendonça, seu terceiro casamento, do qual nasceria uma filha, Liv.
Separaram-se, mas mesmo após a separação, os dois mantiveram a amizade até a morte do cantor.1
A sua integração à equipe de músicos de Luis Gonzaga fez com que ganhasse reputação como músico e arranjador e ele aproximou-se de músicos do movimento bossa nova. Fez trabalhos junto a inúmeros músicos de renome, como Gilberto GilMaria Bethânia,Elba Ramalho e Toquinho, e eventualmente acabou por consolidar uma carreira musical própria, englobando gêneros musicais diversos como bossa novajazz e pop.2 3

Problemas de saúde

No fim de 2012, Dominguinhos teve problemas relacionados à arritmia cardíaca e infecção respiratória e foi internado no Recife, sendo posteriormente transferido para o Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Os médicos informaram que o cantor não deverá mais retornar do coma em que se encontra.4 5
Apesar das declarações feitas por seu filho, Dominguinhos está minimamente consciente e apresenta leve quadro de melhora. 6
Em 13 de julho, o cantor deixou a UTI, mas ainda permaneceu internado, com quadro considerado estável.7

Morte

Dominguinhos estava internado no hospital Sírio-Libanês em São Paulo e morreu às 17h50 do dia 23 de julho de 2013 após sofrer complicações infecciosas e cardíacas. O músico morreu após perder uma batalha que durou seis anos contra um câncer de pulmão 8.

Prêmios

Em 2002, Dominguinhos foi vencedor do Grammy Latino com o CD Chegando de Mansinho.
Após cinco anos sem lançar um trabalho solo, Dominguinhos voltou em 2006 a gravar pela Eldorado na qual Conterrâneos 2006, agraciado no Prêmio TIM (2007) na categoria Melhor Cantor Regional.
Em 2007, Dominguinhos, concorreu ao 8º Grammy Latino com mesmo álbum na categoria melhor disco regional.
Em 2008, Dominguinhos foi o grande homenageado do Prêmio Tim de Música Brasileira.
Em 2010, foi o vencedor do Prêmio Shell de Música 2010.9

Discografia

  • 1964 – Fim de Festa
  • 1965 – Cheinho de Molho
  • 1966 – 13 de Dezembro
  • 1973 – Lamento de Caboclo
  • 1973 – Tudo Azul
  • 1973 – Festa no Sertão
  • 1974 – Dominguinhos e Seu Acordeon
  • 1975 – Forró de Dominguinhos
  • 1976 – Domingo, Menino Dominguinhos
  • 1977 – Oi, Lá Vou Eu
  • 1978 – Oxente Dominguinhos
  • 1979 – Após Tá Certo
  • 1980 – Quem me Levará Sou Eu
  • 1981 – Querubim
  • 1982 – A Maravilhosa Música Brasileira
  • 1982 – Simplicidade
  • 1982 – Dominguinhos e Sua Sanfona
  • 1983 – Festejo e Alegria
  • 1985 – Isso Aqui Tá Bom Demais
  • 1986 – Gostoso Demais
  • 1987 – Seu Domingos
  • 1988 – É Isso Aí! Simples Como a Vida
  • 1989 – Veredas Nordestinas
  • 1990 – Aqui Tá Ficando Bom
  • 1991 – Dominguinhos É Brasil
  • 1992 – Garanhuns
  • 1993 – O Trinado do Trovão
  • 1994 – Choro Chorado
  • 1994 – Nas Quebradas do Sertão
  • 1995 – Dominguinhos É Tradição
  • 1996 – Pé de Poeira
  • 1997 – Dominguinhos & Convidados Cantam Luiz Gonzaga
  • 1998 – Nas Costas do Brasil
  • 1999 – Você Vai Ver o Que É Bom
  • 2001 – Dominguinhos Ao Vivo
  • 2001 – Lembrando de Você
  • 2002 – Chegando de Mansinho
  • 2004 – Cada um Belisca um Pouco(com Sivuca e Oswaldinho do AcordeonBiscoito Fino)
  • 2005 – Elba Ramalho & Dominguinhos
  • 2006 – Conterrâneos
  • 2007 – Canteiro (participação especial no CD de Margareth Darezzo)
  • 2008 – Yamandu + Dominguinhos

terça-feira, 23 de julho de 2013


Noemisa
Noemisa Batista dos Santos é uma das mais conhecidas ceramistas do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Ela juntamente com outros nomes como, Isabel Mendes da Cunha e Ulisses Pereira Chaves são responsáveis pela enorme projeção nacional e internacional da arte do Vale do Jequitinhonha, alguns autores chegam a considerá-la uma espécie de mestre Vitalino de Minas Gerais. Noemisa nasceu em 1947 em Ribeirão do Capivara, Município de Caraí, Minas Gerais. Filha de um lavrador e de uma respeitada ceramista, Joana Gomes dos Santos, Noemisa aprendeu sua arte com a mãe, quando tinha apenas sete anos. Apesar de sua mãe trabalhar com cerâmica utilitária, Noemisa nunca gostou de fazer panelas, potes ou jarras; desde muito pequena gostava de criar pequenos animais de barro para suas brincadeiras. Noemisa se tornou um dos mais requisitados nomes da arte figurativa do Vale do Jequitinhonha; ainda na década de 70 seu trabalho já era exposto no Brasil e no exterior e fazia parte do acervo de museus e de importantes coleções particulares.O barro usado por Noemisa é o mesmo utilizado pelos demais ceramistas de Caraí. De coloração rosa, vermelha e branca, o barro é extraído da fazenda Senhor Serafim; sua irmã Santa é a responsável pela extração. O preparo do barro e as técnicas utilizadas foram provavelmente aprendidos com os nativos da região e são os mesmos utilizados pelos demais artesãos. O barro depois de extraído e seco ao sol é triturado e pulverizado. Depois de misturado com água é armazenado em locais escuros e sem ventilação até ser usado na modelagem. Concluída a modelagem, as peças são pintadas e decoradas usando sempre a técnica do engobe nas cores vermelha e branca. Os temas dos decorados são quase sempre motivos florais ou figuras de animais. 
A temática do universo artístico de Noemisa é bastante diversificada: vai das cenas cotidianas à arte religiosa. Ritos religiosos, como casamentos, batizados e funerais, igrejas e santuários são temas sempre presentes na sua obra. As “mulheres de Noemisa” são mostradas em atividades consideradas como respeitosas e necessárias. Elas normalmente usam vestidos estampados e assessórios como brincos, sapatos e bolsas. Os homens, normalmente em poses viris usam chapéu, relógio, botas e esporas. São mostrados como caçadores, soldados ou médicos. Noemisa também cria uma variedade enorme de animais,cachoros,cavalos         
Apesar de os trabalhos de Noemisa terem alcançado um alto preço no mercado, ela continua vivendo precariamente; quem lucra com seus trabalhos são os intermediários. Ela conta que pelo fato de ser analfabeta, não soube administrar com eficiência uma das melhores fases de sua produção, a década de 80, quando vendeu muitas peças para a CODEVALE. Ela continua produzindo, mas não com a mesma intensidade de antes.