terça-feira, 29 de dezembro de 2015


Janeiro de Grandes Espetáculos abre inscrições para oficinas cênicas

São quatro opções voltadas tanto para atores e atrizes já experientes, como para iniciantes. O festival conta com o incentivo do Governo de Pernambuco, através da Empetur, Secult-PE e Fundarpe.


Foto: Ralph Fernandes/divulgaçãoO músico, poeta e declamador pernambucano Paulo Matricó é um dos facilitadores da Oficina Lua Alegria, que será oferecida gratuitamente pelo festival, nos dias 14 e 15 de janeiro.
A 22ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos, que acontece de 8 a 24 de janeiro,  disponibiliza ao público interessado as inscrições para quatro oficinas, que serão ministradas durante o festival. As atividades formativas agregam opções voltadas tanto para atores e atrizes já experientes, como para iniciantes.
O prazo e o valor de inscrição dependem de acordo com a opção de oficina desejada. O processo de inscrição pode ser feito pela internet, através do link: www.janeirodegrandesespetaculos.com/2016/Oficinas, ou presencialmente, na sede da SATED, localizada na Casa da Cultura do Recife, Raio Oeste, no 2º andar. Outras informações sobre as oficinas podem ser obtidas através do telefone: (81) 3424-3133.
O festival é promovido pela Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco), através dos produtores culturais Carla Valença, Paula de Renor e Paulo de Castro, e possui patrocínio do BNDES, Prefeitura do Recife, Empetur e Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco/Fundarpe.
Opções de oficinas disponíveis para inscrição:
Oficina Para Atores
Instrutor: Moacir Chaves (RJ)
Período: dias 16 e 17 de janeiro de 2016 (sábado e domingo), das 14 às 18h
Valor: R$ 50
Local: Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457, Boa Vista. Tel: 3184 3057)
Carga horária: 8h
Nº de vagas: 20
Público alvo: atores com experiência, a partir de 18 anos
Resumo: Estudo da relação dos atores com o material sonoro, seja ele de um texto clássico, de uma fonte literária ou qualquer outra, como documentos históricos, jornalísticos, etc., para, através disso, chegar a uma compreensão do funcionamento do corpo no intuito de atingir maior alcance e controle da sonoridade.
Pré-requisito: Para obtenção da vaga, os participantes precisam apresentar um texto qualquer, com duração de cinco a dez minutos, decorado, a ser trabalhado na oficina.
Inscrições: até 13/01/2016 – Baixe a ficha de inscrição no site, preencha e envie para janeiro.oficinas@gmail.com junto com o comprovante de depósito. A confirmação será por e-mail (por ordem de inscrição). Ou inscrição e pagamento direto na sede do SATED/PE (Casa da Cultura, Raio Oeste, 2º andar. Tel. 3424 3133).
- Lua Alegria
Instrutores: Paulo Matricó (Literatura de Cordel), Maestro Adelmo Apolônio (Música) e Viviane Victtorin e Karin Mellone (Dança e Teatro) (PE/SP)
Período: dias 14 e 15 de janeiro de 2016 (quinta e sexta), das 9 às 13h,
Valor: gratuito
Local: Paço do Frevo (Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Bairro do Recife. Tel: 3355 9500)
Carga horária: 8h
Nº de vagas: 20
Público alvo: maiores de 15 anos, iniciantes como artistas (atores, bailarinos, escritores, músicos) e interessados, etc.
Resumo: Trata-se de um intensivo artístico com a abordagem das linguagens que compõem a Ópera Cordelista Lua Alegria: literatura de cordel, música, teatro e dança.
Inscrições: até 13/01/2016 – Baixe a ficha de inscrição no site, preencha e envie para operaluaalegria@gmail.com . A confirmação será por e-mail (por ordem de inscrição).
- A Poética do Equilíbrio: O Método Kum Nye na Criação Artística
Instrutor: Júnior Sampaio (Portugal)
Período: de 11 a 22 de janeiro de 2016, de segunda a sexta, das 14h30 às 17h30 (sendo no dia 22 aberto ao público)
Valor: R$ 100,00
Local: Espaço Vila (Rua Radialista Amarílio Nicéas, 76, Santo Amaro)
Carga horária: 30h
Nº de vagas: 20 (caso ultrapasse o número de inscrições, serão realizadas entrevistas com os candidatos no dia 7 de janeiro de 2015, juntamente com a análise dos currículos)
Público alvo: atores com experiência, todos maiores de 18 anos
Resumo: Esta oficina para atores vem dar continuidade às coproduções e aos intercâmbios culturais realizados pelo ENTREtanto TEATRO (Portugal) e a cena teatral pernambucana, iniciados ainda em 1999. Em 2014, o ENTREtanto TEATRO, através do seu diretor artístico, Júnior Sampaio, realizou, em coprodução com o 20º JGE, uma residência artística, resultando no exercício teatral A Troiana Hécuba. Neste 22º JGE, o ENTREtanto TEATRO e o Festival reforçam seus laços culturais e realizam esta oficina ministrada por Júnior Sampaio após a conclusão do seu Mestrado em Interpretação e Encenação na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo – ESMAE, em Porto, Portugal. Pretende-se trabalhar com o texto Os Filhos da Festa, do próprio Júnior Sampaio, escrito a partir de Lisístrata, de Aristófanes, e realizar experimentos artísticos para uma futura montagem.
Inscrições: até 08/01/2016 – Baixe a ficha de inscrição no site, preencha e envie para janeiro.oficinas@gmail.com junto com o comprovante de depósito. A confirmação será por e-mail (por ordem de inscrição). Ou inscrição e pagamento direto na sede do SATED/PE (Casa da Cultura, Raio Oeste, 2º andar. Tel. 3424 3133).
- Introdução ao Bufão – A Partir do Processo de Pesquisa da Trupe Artemanha
Instrutor: Luciano Santiago (SP)
Período: dias 23 e 24 de janeiro de 2016 (sábado e domingo), das 14 às 18h
Valor: R$ 50,00
Local: Paço do Frevo (Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Bairro do Recife. Tel: 3355 9500)
Carga horária: 6h
Nº de vagas: 20
Público alvo: atores, bailarinos ou interessados, com ou sem experiência, a partir de 18 anos
Resumo: Trata-se de uma introdução aos códigos corporais do tipo bufão e em sua presença cênica: a disponibilidade do atuador através da escuta, visão e percepção no tempo presente, além da preparação para o trabalho a partir de sua própria vivência, construindo e constituindo o bufão (marginal). Fundamentada na livre criação corporal do indivíduo, as aulas serão mescladas com materiais de importantes pesquisadores e de manifestações de figuras que surgem no cotidiano urbano. O objetivo é criar cenas temáticas com experimentos, realizando paralelos com os exercícios oferecidos.
Inscrições: até 20/01/2016 – Baixe a ficha de inscrição no site, preencha e envie para janeiro.oficinas@gmail.com junto com o comprovante de depósito. A confirmação será por e-mail (por ordem de inscrição). Ou inscrição e pagamento direto na sede do SATED/PE (Casa da Cultura, Raio Oeste, 2º andar. Tel. 3424 3133)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015


Um ídolo sem rosto

Where Is Billy Jaynes Chandler?


por Bárbara de Medeiros e Honório de Medeiros       



Era hora do almoço quando papai pediu que eu traduzisse uma reportagem pra ele. Nessas horas, os quatorze anos de estudo de inglês geralmente se pagavam, e foi com prazer e uma certa confusão que li para ele uma reportagem policial de uma criança, Billy James Chandler, que fora assassinada por um de seus pais. O mistério estava em qual dos dois fora o responsável pele monstruoso ato, mas os testemunhos levavam a crer que o pai, William Chandler, tinha sido o verdadeiro algoz do pequeno ser de apenas seis meses.

Claro, a minha curiosidade não podia permitir que eu realizasse tal trabalho sem perguntar o quê papai queria com aquele casal louco e seu falecido filho. Balançando a cabeça com uma expressão de decepção, ele me disse que não era isso que ele procurava, e começou a me contar acerca de Billy James Chandler, o pesquisador, que teria escrito alguns dos livros mais importantes acerca do cangaço. Era ele quem meu pai procurava.

Bastou uma rápida procurada no Google pra descobrir que o nome do historiador era, na verdade, Billy Jaynes Chandler, e obviamente ficou claro que não havia nenhuma relação entre esse homem e a notícia que ele me colocara para ler.

Eu ainda não tocara na comida.

Fui atrás do meu computador para procurar mais acerca do homem que meu pai queria encontrar na rede social. Mas uma rápida pesquisa do seu nome apenas indicava sites onde os seus livros mais conhecidos estavam disponíveis para compra.

Foi aí que meus conhecimentos das ferramentas do Google vieram a calhar. Tirando as palavras chaves relacionadas às suas obras, sobraram poucos sites disponíveis, mas que aparentemente seriam mais importantes na minha pesquisa.

O primeiro deles foi o da editora Record, responsável pelos livros de Chandler (doravante denominado BJC) aqui no Brasil. Ela mantém uma página com informações de todos os escritores que publicam pelo seu selo. Obviamente, fui para a página do historiador, mas qual não foi a minha surpresa ao descobrir que nela não havia qualquer palavra. Nenhuma. Só o nome inteiro do americano como título, o resto era completamente branco.

Meu primeiro instinto foi encontrar a página de contato da editora e escrever pedindo informações sobre Mr. Chandler. Embora sabendo que a maioria das companhias brasileiras têm o péssimo hábito de ignorar seus leitores, não custava nada pedir. Feito isso, prossegui na minha pesquisa. Nada obtive.

O próximo passo foi procurar a editora americana responsável pela primeira impressão dos seus trabalhos. Depois de pesquisar na Amazon, descobri que era a Texas A&M University Press, e foi para o site dela que parti. Não consegui achar nenhuma informação na página deles, mas me atrevi a lhes mandar um e-mail pedindo alguma informação que pudessem me conceder. Até o presente momento, nada.

Ainda mexendo nas páginas da web descobri o site da faculdade onde Billy Jaynes fez seu bacharelado em história: a Austin Peay State University. Na parte da Alumni, seu nome consta na lista de “perdidos”, e pede-se que qualquer pessoa que tiver alguma informação a seu respeito (e outros que também se encontram na lista), favor entrar em contato. Lá consta que o ano da sua graduação foi 1954. E agora eu sabia pelo menos mais uma pequena informação sobre esse homem que agora começava a me fascinar (mais pelo seu mistério, devo admitir, que pelo seu trabalho).

O próximo passo foi olhar no site da Universidade onde ele lecionou história - a Texas A&M University - Kingsville. Foi lá que descobri que o homem por quem procurávamos havia se tornado professor emérito em 1995. Dez anos atrás. Escrevi um e-mail pedindo informações, sem maiores expectativas. De todos os que eu enviara, esse era o que eu menos esperava que fosse respondido.

A única outra menção a Billy Jayne Chandler na história da Universidade na qual fora professor era em um livro de Cecilia Aros Hunter e Leslie Gene Hunter, contando a história da universidade. Algumas páginas estavam disponíveis no Google Books e foi lá que eu encontrei o nome do professor, no último parágrafo da página 155, contando que ele fizera circular uma petição para uma associação dos professores universitários americanos pedindo que um tal Robins explicasse a crise financeira que a escola enfrentava. A petição dele, segundo consta no livro, dizia que a secretaria da administração estava causando um sério declínio na moral da instituição.

Avisei papai do estado da minha pesquisa e agora só me restava esperar pelas respostas aos meus e-mails. Honestamente, a expectativa não estava alta.

Até hoje somente recebi uma resposta, um e-mail, surpreendentemente do único órgão do qual não esperava resposta: a universidade onde Chandler trabalhara. Robert C. Peña, diretor assistente de serviços da web, me respondeu dizendo que não fora possível encontrar nenhum tipo de informação de contato de Mr. Chandler, já que registros pessoais eram mantidos apenas por alguns anos. Ele sugeriu que eu tentasse contactá-lo pela Amazon (e anexou o fórum online do autor) ou pela editora que publicava seus livros.

Como já disse antes, eu já tentara essa segunda alternativa, e o fórum de Billy Jayne Chandler é constituído por duas pessoas tentando encontrá-lo: algum brasileiro, aparentemente, e alguém denominado Elizabeth, representando um antigo colega de trabalho (também ex-professor de história). Após uma conversa com papai, decidimos mandar um e-mail para essa mulher pedindo qualquer informação que ela pudesse nos repassar.

Os dias se passaram e eu não obtive retorno, mas para a minha surpresa o Robert C. Peña, da antiga faculdade onde Billy trabalhou entrou em contato novamente comigo, para me avisar que ele tentara encontrar no campus alguém que tivesse alguma informação a respeito do historiador, mas que ninguém parecia saber onde ele se encontrava.

Tendo agradecido a informação, só me restava aguardar alguém mais responder, quem sabe Elizabeth, do fórum de BJC na Amazon. E talvez por julho ter sido um mês tão bom, os meus pensamentos positivos se concretizaram e em dois ou três dias recebi uma resposta dela.

O e-mail não trazia grandes informações. Informou que ela trabalhava com esse tal professor que trabalhara com Chandler e que ele estava muito interessado em retomar o contato. Ela me avisou que não havia muito a ser dito sobre BJC, que estava na Europa, e quando voltasse responderia meu e-mail com as poucas informações às quais tinham eles acesso.

Eu preferi não responder nada por alguns dias, pois meu longo conhecimento em troca de e-mails assegurava que quase sempre as pessoas tendiam a esquecer de responder uma pergunta quando diziam que fariam isso depois. Então eu deixei para enviar um e-mail agradecendo sua prontidão em compartilhar suas informações praticamente uma semana depois, quando eu ainda não tinha recebido qualquer o retorno dela.

Foi o que fiz. E, até agora, nada.

Oh, my God, where is Billy Jaynes Chandler?



P.S. Billy Jaynes Chandler é um dos mais importantes escritores acerca do cangaço e coronelismo. Suas obras “Lampião, o Rei dos Cangaceiros”, e “Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns”, são canônicas, seminais. Tentando localizá-lo para uma entrevista via internet, esbarrei nessa dificuldade relatada acima, a meu pedido, por minha filha Bárbara de Medeiros. Ficou uma imensa curiosidade acerca de onde anda Chandler. Terá morrido? Por que se esconde?

Encontrei no blog http://estoriasehistoria-heitor.blogspot.com.br/2012/12/livros-em-que-familia-feitosa-e-tema.html um artigo de Heitor Feitosa Macêdo que publico abaixo, parte dele, acerca de Chandler:

“O norte americano Billy Jaynes Chandler era um doutorando em história pela Texas A & University, tendo despertado seu olhar para o Brasil, como campo de estudo, em 1963, durante o curso de Introdução à Língua Portuguesa na Universidade da Flórida, pois era pré-requisito para o doutorado pretendido.

Inicialmente o autor cogitou o México para servir-lhe de objeto para a dissertação, contudo, durante um curso de Sociologia ministrado pelo Dr. José Arthur Rios, professor visitante da Universidade da Flórida, Chandler fora dissuadido, e terminou optando pelo Brasil.

Segundo o próprio autor, o Brasil oferecia outros tópicos de maior relevo do que os Inhamuns, porém Chandler queria familiarizar-se “com um aspecto mais amplo ou pelo menos diferente da vida brasileira.” Sendo seu objetivo estudar “uma comunidade fiel às tradições”, isolada ou isenta dos avanços do século XX, “onde tudo fosse como antigamente”.

Logo, em face desse anseio por um corpo social que fosse culturalmente mumificado, o Ceará apresentou-se bastante adequado, segundo a indicação do professor Rios.

A região dos Inhamuns foi escolhida depois de leituras adicionais, porque, conforme Chandler, esse espaço sertanejo caracterizava-se por ser uma “área rural, isolada e tradicional”, além disso, também era “a terra de uma numerosa família que mais de uma vez atraíra a atenção local e até do País inteiro”.

Desta forma, depois da escolha, partiu para aquele rincão, chegando em novembro de 1965, onde foi ciceroneado gentilmente pelos filhos daquele sertão. Por isso ficando o autor admirado e agradecido pela gente que o hospedou e conduziu pelas sendas dos Inhamuns, citando-se Antônio Gomes de Freitas, Antônio Teixeira Cavalcante, Lourenço Alves Feitosa, Aramando Arrais Feitosa etc.

A obra, publicada no Brasil no ano de 1981, é considera a segunda [17] a ser forjada em moldes de verdadeira ciência, pois, em sendo tese de doutoramento em história, consubstanciou a aplicação do método científico frente a antigos fatos registrados nos alfarrábios e na oralidade. O estudo é considerado suficientemente amplo por compreender aspectos administrativos, econômicos e políticos.

A análise recai sobre o início da colonização em 1700, e vai até o ano de 1930, considerado como marco final da perda do poder hegemônico dos Feitosa sobre grande parte dos Inhamuns.

Paralelamente sob a ótica do conflito entre o público e o privado, esquadrinha as instituições sociais, sobretudo a família, e a sua relação com o poder estatal. Igualmente identificando causas e consequências, do apogeu ao declínio político-econômico, dos Feitosa no seu feudo continental.

Assim, parece que o declínio relativo dos Feitosas foi acelerado por dois fatores: a importância que davam às prestigiosas atividades pecuárias, mesmo quando outros haviam conseguido constituir uma base econômica mais sólida através da agricultura, e a destruição periódica de seus únicos recursos produtivos – os rebanhos de gado – pelas secas (Billy Jaynes Chandler)”.

Encerro fazendo minhas as palavras de Bárbara de Medeiros: “where is Billy Jaynes Chandler?

Pescado no Blog do cumpadi Honório

domingo, 27 de dezembro de 2015

Pra Sempre - Nilson Ribeiro



                        NILSON RIBEIRO

A origem interiorana natural de Sorocaba - SP, o coração mineiro e a alma universal. Os ingredientes vão se mesclando a uma sonoridade valorizada pelos detalhes dos arranjos. O primeiro CD do compositor Nilson Ribeiro traz sabores vários da matriz musical da raiz da MPB. Desde a sonoridade inconfundível da viola caipira, magicamente orquestrada por Ivan Vilela, à surpresa oriental da tabla, um instrumento de percussão que inesperadamente compassa a última canção do CD. "Ninho das Coisas", portanto, é um título mais que sugestivo para esse primeiro trabalho, onde elementos quase esquecidos da nova MPB são muito bem valorizados. Assim, as letras carregam o ritmo natural da poesia quase cabocla das canções, com ritmo próprio. As melodias, quase sempre simples e fáceis, são moduladas por ritmos que passeiam das velhas cantigas de ninar ao inconfundível xote, passando por valsinhas e baladas, mas sem perder o tom urbano, como no caso da canção Sangra São Paulo, um retrato poético, mostrando outra cidade que se esconde por trás do caos metropolitano. Ninho das coisas tem a mão de Sérgio Turcão na direção musical e arranjos, garantindo uma brasilidade em doses corretas dos instrumentos acústicos.


O trabalho é todo acústico. Dos violões às flautas, dos bandolins ao piano, os lamentos das cordas do cello e do violino e até mesmo o contrabaixo. Todos acústicos, dando ao clima das canções um ambiente intimista, quase individualista, capaz de tocar os sentimentos e emocionar.

Por isso, as 14 canções têm uma identidade entre si, seja pela sonoridade acústica, pela linha melódica ou pelo estilo das letras, que mergulham nas lembranças do compositor, em "Velhos Retratos", divertem com paixão, como em "Mel e Limão" e "As três mais belas", mostram a mineirice de suas influências, como em "Mariana" e "Confidências Mineiras" ou simplesmente exploram o universo lúdico, como em "Lua no Ar" (com participação luxuosa de Gabriel Lima, de apenas 6 anos), "Raphaela", "Estrela que eu nem mereço" ou "Fantasia". É, em última análise, um CD para se ouvir com atenção, para poder saborear todos os tons, as particularidades de cada arranjo e se enternecer com as poesias.

Nilson Ribeiro tem formação jornalística. Venceu vários festivais universitários na década de 80 e é figura fácil nos palcos dos bares de Campinas e Sorocaba. Foi no ano de 1999, contudo, que decidiu investir definitivamente na carreira artística. O CD "Ninho das Coisas" é uma produção totalmente independente, gravada sob o selo da Carambola Discos, que foi responsável pela produção artística.

Apesar de ser o primeiro trabalho do compositor, mostra uma maturidade adquirida em muitos anos de estrada musical, uma seleção feita entre mais de uma centena de composições até então engavetadas. Foi o próprio Sérgio Turcão (ex-Tarancón, atualmente realizando apresentações com Jica) um dos grandes incentivadores para a gravação do CD. "O trabalho conta uma história, transpassada pelas músicas, cuja identidade é logo e facilmente identificada. É algo de novo na MPB, diferente da regionalidade de Renato Teixeira ou Almir Sater, mas que esbarra nas mesmas influências", diz Turcão.

O compositor Nilson Ribeiro já foi repórter e editor nos dois jornais de Campinas. É premiado também pelo Concurso de Poesia de Piracicaba e tem alguns outros trabalhos publicados em jornais e revistas. "Até 1999 eu fazia da música uma diversão. Então, decidi me divertir com o trabalho e mergulhei de cabeça nessa produção. O resultado me satisfaz muito, principalmente pelo clima que foi conseguido pelo Turcão nos arranjos", diz o compositor.

Nilson Ribeiro acredita que ainda há espaço para o que ele considera a "boa MPB". "Apesar da insistência da mídia, em geral, valorizar o que há hoje de mais pobre na nossa produção musical, ainda existem alguns redutos de boa música, rádios que mostram que é possível manter a relação entre o comercial e o artístico, sem apelar para a baixaria. Alguns programas de TV ainda arriscam mostrar artistas brasileiros com verdadeiro talento. E nomes como Chico César, Zeca Baleiro, Guinga, Celso Viáfora e outros vão ganhando seu merecido espaço entre um ou outro tcham da vida", diz ele. 

sábado, 26 de dezembro de 2015

Cabo, Olinda e Recife recebem o 16º Encontro Pernambucano de Coco

Programação acontece de 14 de novembro a 30 de dezembro, abrangendo a Praia de Gaibu, Praia do Carmo e Pátio de São Pedro. 

O Centro Cultural Farol da Vila promove, entre os dias 14 de novembro e 30 de dezembro, a 16ª edição do tradicional Encontro Pernambucano de Coco. A programação, que terá sua abertura na noite deste sábado (14), na Praia de Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho, também contempla a Praia do Carmo, em Olinda e o Pátio de São Pedro, no Recife, com shows, exposições fotográficas, roda de mestres, homenagens, lançamentos, exibições de filmes, entre outras atividades gratuitas.
“O festival é detentor de prêmios pelo Ministério da Cultura e reconhecido nacionalmente como um evento pioneiro da cultura popular do coco de roda, que prioriza o movimento do coco em todas as suas vertentes, indo da música e formação cultural, até a cadeia do artesanato da matéria prima do coco”, ressalta o produtor cultural Marcos Moraes, gestor da iniciativa criada em 1998.
Ao longo dos seus 16 anos de existência, o festival possui como principal intuito, resgatar, fomentar e preservar a tradição do coco de roda no Estado. Originado em Pontezinha, no Cabo de Santo Agostinho, o evento também é detentor de um vasto acervo fotográfico e de audiovisual, possibilitando que a cada ano o mesmo seja repassado ao público interessado nas raízes culturais do segmento. A iniciativa conta com o incentivo do Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura e Fundarpe, além das prefeituras de cada cidade onde a programação acontece.
Programação:
Cabo de Santo AgostinhoSábado, 14 de novembro
Na Praia de Gaibu,  a partir das 19h, o espaço cultural da Associação dos Moradores de Gaibu recebe o Cine Cocada Exibe, com o documentário ‘Mestre do Coco de Pernambuco’;
Às 20h, tem apresentação cultural do Coco de Roda Cabo de Santo Agostinho.
Quinta-feira, 10 de dezembro
Às 10h,  lançamento da exposição fotográfica ‘Memória do Coco PE’, na sede do Centro Cultural Farol da Vila, em Gaibu;
Às 15h, acontece a solenidade de reabertura e revitalização do Ponto de Cultura Farol da Vila Coco de Pontezinha, onde ocorrerá também a participação acústica de vários artistas populares no espaço, em formato pocket show.
Às 18h, tem o Cine Cocada Exibe, com o ’12º Encontro Pernambucano de Coco II’
Sábado, 19 de dezembro
No Palanque do Coco de Pontezinha, a partir das 21h, acontecem as apresentações de coco de roda, com a participação de grupos e artistas como os Mestres da União Olindense do Coco de Roda, Coco Renascer, Coco do Mestre Goitá e Mestre Ricco Toadas.
Olinda
Sábado, 12 de dezembro
Na Praia do Carmo, em frente à colônia de pesca (beira-mar), o Cine Cocada Exibe levará ao público, a partir das 20h, o documentário ‘Mestre do Coco Pernambucano’;
Às 21h, começa a Sambada do Coco de Roda, com shows dos Mestres da União Olindense do Coco de Roda Pernambucano, Coco de Praia e Mestres do Coco Pernambucano.
Recife
- De 16 a 30 de dezembro, o Pátio de São Pedro recebe a exposição ‘Memória do Coco PE’, no Núcleo da Cultura Afro-Brasileira

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Sábado, 26 de dezembro
Às 15h, tem apresentação do grupo Roda de Mestres do Coco PE, no Pátio de São Pedro;
Às 17H30, será exibido na Casa do Carnaval de Pernambuco, localizada no Pátio de São Pedro, o documentário ‘A Hora do Coco – Selma & Convidados.




Convocatória do Carnaval 2016 recebeu propostas até 24/12

Inscrições para atrações musicais, de dança e de cultura popular foram prorrogadas


Bernardo Soares/Secult-PE
Bernardo Soares/Secult-PE
Maracatus e outras expressões características do período estarão na programação
O Governo de Pernambuco – através da Secretaria de Cultura, Fundarpe, Secretaria de Turismo e Empetur – lança a Convocatória do Carnaval 2016 que irá selecionar propostas de atividades artísticas e culturais para compor a programação do Ciclo Carnavalesco. A prioridade é promover apresentações de artistas, grupos, orquestras e agremiações tradicionais do período momesco, nas 12 Regiões de Desenvolvimento do Estado. Este ano a Convocatória traz duas novidades. Uma delas é a permissão para que grupos de dança popular – ligados à cultura carnavalesca ou que a tenham como fonte de pesquisa no trabalho a ser apresentado – também possam se inscrever.
Jorge Farias
Jorge Farias
Caboclinho 7 Flexas do Recife, patrimônio vivo de Pernambuco
Outra inovação é a não obrigatoriedade de inscrição para os Patrimônios Vivos de Pernambuco. Para garantir, no carnaval, a presença destes artistas e grupos detentores do saber da nossa cultura, considerando a consagração de sua arte, os Patrimônios estão habilitados pelo quesito do mérito cultural, de acordo com a Lei Estadual do Registro do Patrimônio Vivo. As demais propostas estaduais serão habilitadas pelo critério da relevância para a valorização do Ciclo Carnavalesco, observando a necessidade de promover, prioritariamente, a participação de artistas e grupos tradicionais do carnaval pernambucano.
As inscrições estão abertas até 24 de dezembro de 2015 e poderão ser feitas na sede da Seturel / Empetur (Av. Professor Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho, Olinda), das 09h às 12h e das 14h às 17h, no caso das atrações nacionais. As atrações estaduais devem realizar sua inscrição na sede da Secult-PE / Fundarpe (Rua da Aurora, 463/469, Boa Vista), das 08h às 15h. No ato da inscrição, é preciso apresentar o Formulário de Inscrição, devidamente preenchido e assinado pelo proponente (anexo III do edital), os documentos da empresa (no caso de pessoa jurídica) além de release do artista/grupo, currículo, CD, DVD ou outro material que comprove a consagração ou relevância artística do grupo.
A programação do Ciclo Carnavalesco 2016 – que levará o colorido e a alegria da cultura pernambucana para todos os cantos do estado . 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015


21º Festival Nacional de Cavalo Marinho abre festejos natalinos da Casa da Rabeca

Programação é gratuita e agrega apresentações de 11 grupos regionais. 


Foto: Ana Lira/divulgação
Foto: Ana Lira/divulgação
Pedro Salustiano, um dos organizadores do festival iniciado pelo saudoso Mestre Salu.
Reunindo 11 grupos culturais originados em Pernambuco e na Paraíba, a 21ª edição do Festival Nacional de Cavalo Marinho inicia na sexta-feira (25), a programação natalina da Casa da Rabeca, em Olinda. As apresentações, que são gratuitas e começam às 19h, pretendem animar o público até o amanhecer do sábado, mantendo viva a tradição do folguedo no Estado.
No evento, são demonstradas as variações do Bumba-Meu-Boi, atreladas às performances musicais, coreográficas e teatrais típicas de cada região, foi iniciado em 1995, através do Mestre Salustiano. A reafirmação das raízes culturais no ciclo natalino é uma de suas principais características. “Este ano, em particular, o Festival será especial, visto que o Natal cai numa sexta-feira, então poderemos conferir apresentações completas dos grupos, que vão representar e dançar até o sol raiar”, destaca Pedro Salustiano, um dos organizadores do festival.
Encerrando a programação do ciclo natalino no espaço cultural, a 21ª Festa de Reis será realizada no dia 6 de janeiro, agregando programação regional gratuita, nos mesmos moldes do Festival de Cavalo Marinho. O evento conta com apoio cultural do Governo de Pernambuco para a sua realização, através da Secretaria de Cultura e Fundarpe.

Confira os grupos participantes:
Cavalo Marinho Estrela Brilhante do Mestre Antônio Teles – Condado/PE
Cavalo Marinho Boi Brasileiro do Mestre Biu Roque – Condado/PE
Cavalo Marinho Estrela do Amanhã – Condado/PE
Cavalo Marinho Estrela do Oriente do Mestre Inácio Lucinda – Camutanga/PE
Cavalo Marinho Boi Maneiro – Itambé/PE
Cavalo Marinho Boi de Ouro do Mestre Araujo – Pedra de Fogo/PB
Cavalo Marinho Boi Ventania do Mestre João de Pixica – Feira Nova/PE
Cavalo Marinho Boi Tira Teima do Mestre Zé de Bibi – Gloria do Goitá/PE
Cavalo Marinho Boi Teimoso do Mestre Borges Lucas – Lagoa de Itaenga/PE
Cavalo Marinho Boi Coroado do Mestre Aicão – Araçoiaba/PE
Cavalo Marinho Boi da Luz do Mestre Dinda – Olinda/PE


           
          O Reisado ligado às raízes do povo

Não se sabe ao certo em que ano iniciou-se a brincadeira do reisado na região de Caraíbas,comunidade situada no município de Arcoverde,no Vale do Ipanema,Sertão do Moxotó,no estado de Pernambuco,porém,foi no ano de 1938,que este folguedo popular começou a se estruturar,com os mestres,os músicos e os dançarinos. Desde o surgimento do grupo até hoje,o reisado vem sendo mantido com muitas dificuldades,existe pouco incentivo financeiro e o maior desafio é manter a tradição das gerações.


 No inicio o reisado era visto apenas como uma diversão,após as novenas,as pessoas se reuniam para tocar e dançar e passavam por todas as casas do povoado. Os mestres recebiam uma lembrança(presente) dos donos das casas.

Museu do Trem celebra um ano de funcionamento

Mais de 44 mil pessoas visitaram o equipamento cultural desde a sua inauguração

Costa Neto
Costa Neto
A Estação Central Capiba – Museu do Trem foi inaugurada em dezembro do ano passado
Inaugurado no dia 22 de dezembro de 2014, a Estação Central Capiba/Museu do Trem celebrou nesta terça-feira um ano de funcionamento. Com a visitação de 44.800 pessoas, o equipamento cultural abriga a exposição fixa Chegada e Partida – A Memória do Trem em Pernambuco, que reconstrói parte da memória ferroviária de nosso Estado, e apresenta as inovações tecnológicas, com ênfase na Revolução Industrial. Além disso, a mostra reúne mais de 500 peças sobre a memória ferroviária pernambucana, como cadeiras, bilheterias, carimbadores, sinalizadores, apitos, relógios, além de fotografias, cartazes, textos e diversos outros aparelhos relacionados no contexto do trem.
“Por ser localizado em uma área central da cidade, há um fluxo intenso de visitantes em nosso Museu. Além disso, recebemos alunos de várias partes do Estado, graças ao nosso sistema de agendamento de visitação mediada”, disse Adriane Alves, que coordena o Departamento de Ação Educativa da Estação Central Capiba/Museu do Trem. Segundo ela, 1.884 estudantes visitaram o equipamento cultural só neste primeiro ano. “Atendemos de terça a sexta-feira, e os nossos educadores estão preparados para apresentar todo o acervo e, depois dos percursos, promover atividades relacionadas à memória ferroviária pernambucana”, contou. Para agendar uma visita guiada à Estação Central Capiba/Museu do Trem, basta entrar em contato com a equipe do educativo, através do e-mail: educativomt@gmail.com ou pelo telefone (81) 3181.3098.
Histórico
Tendo Gilberto Freyre como patrono, o Museu do Trem foi inaugurado em 25 de outubro 1972 e desativado em outubro de 1983. Mais de R$ 2,5 milhões foram investidos nas reformas, requalificações e compra de equipamentos da Estação Central Capiba/Museu do Trem. Atualmente, o espaço funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 15h.
Visite a Estação Central Capiba – Museu do Trem
Endereço: Rua Floriano Peixoto s/n, São José – Recife
Visitação: Terça a sexta, das 9h às 15h
Telefone: (81) 3184.3197
Entrada Gratuita