quarta-feira, 31 de outubro de 2012

                                                           



                                 BEATA MARIA DE ARAÚJO


Maria Magdalena do Espirito Santo de Araújo,mais conhecida como Beata Maria de Araújo,nasceu em 23 de maio de 1863,em Juazeiro do Norte,Ceará,foi uma religiosa,declarada beata pela devoção popular,mas não pela igreja católica.

Era filha de Antonio da Silva Araújo e Ana Josefa do Sacramento.
Desde pequena já levava uma vida árdua,tendo os seus pais falecidos logo cedo. Trabalhava com artesanato,fiando algodão e fazendo bonecas de pano para a venda.Padre Cicero mandava-a ensinar artesanato para  outras crianças. Também trabalhou numa olaria fazendo tijolos. Em 1885,aos seus 22 anos,passou a usar os hábitos de freira.Passou a ser considerada " beata " pelo povo após um retiro espiritual administrado pelo padre Cicero e pelo padre Vicente Sóter de Alencar.Por ser órfã, passou a residir na casa de padre Cicero,que tinha uma dedicação especial por ela. O fato mais importante de sua vida foi o milagre da hóstia acontecido em 1 de março de 1889. Ao receber a hóstia,em uma comunhão oficiada pelo padre Cicero,na capela de Nossa Senhora das Dores,a "beata" não pôde degluti-la,pois a hóstia  transformou-se em sangue. O fato repetiu-se,e o povo achou que se tratava do sangue de Jesus Cristo e, portanto,era  um milagre. O povoado de Juazeiro passou a ser alvo de peregrinação,pois a multidão queria ver a beata e tratava os panos manchados de sangue como objetos divinos. O jornalista José Marrocos divulgou o fato ocorrido e se tornou um arforoso defensor do milagre.A noticia rapidamente chegou ao ouvido do Bispo D.José Joaquim Vieira que chamou o padre Cicero a Fortaleza para esclarecer o acontecido. O bispo ficou introgado com o relato ouvido,mas,pressionado por alguns segmentos da Igreja Católica  que não aceitaram o relato,enviou dois sacerdote de sua confiança,os padres Clicério da Costa Lobo e Francisco Pereira Antero,para investigar os acontecimentos.Depois de algumas experiências e de ouvirem relatos de testemunhas,deram o caso como divino.
O bispo não gostou do resultado e convocou uma nova comissão constituída pelos padres Antonio Alexandrino de Alencar e Manoel Cândido,a qual concluiu não haver milagre. O relatório do inquérito foi enviado à Santa Sé,em Roma,e esta confirmou a decisão tomada pelo bispo. Maria de Araújo passou os últimos dias de sua vida enclausurada até falecer em 17 de janeiro de 1914. O local onde estão seus restos mortais é desconhecido.



terça-feira, 30 de outubro de 2012





MEU PADIM CIÇO
                                                                       





Cicero Romão Batista,nasceu na cidade do Crato ,no vale do Cariri,no norte do estado do Ceará,foi sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular é conhecido como Padim Ciço ou Padre Cicero. Carismático,obteve grande prestigio e influência sobre a vida social,politica e religiosa do Ceará bem como do Nordeste. Em março de 2001,foi escolhido " O Cearense do Século" em votação promovida pela TV Verdes Mares em parceria com a Rede Globo de Televisão.
Em julho de 2012,foi eleito um dos "100 maiores brasileiros de todos os tempos" em concurso realizado pelo SBT com a BBC. Proprietário de terras,de gado e de diversos imóveis,Cicero fazia parte da sociedade e politica conservadora do sertão do Cariri. Sempre teve o médico Floro Bartolomeu como o seu braço doreito,e integrava o sistema político cearense que ficou sob o controle da família Accioli durante mais de 2 décadas.
 Nascido no interior do Ceará,era filho de Joaquim Romão Batista e  Joaquina Vicencia Romana,conhecida como Dona Quinô.Ainda aos 6 anos,começou a estudar com o professor Rufino de Alcântara Montezuma. Um fato importante marcou a sua infância: o voto de castidade feito aos 12 anos,influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales.Em 1860,foi matriculado no colégio do renomado padre Inácio de Souza Rolim,em Cajazeiras na Paraíba.Aí pouco demorou,pois a inesperada morte do seu pai,vítima de cólera em 1862,o obrigou a interromper os estudos e voltar para junto da mãe e das irmãs solteiras. A morte do pai,que era pequeno comerciante no Crato,trouxe sérias dificuldades para  à família de tal sorte que,mais tarde,em 1864,quando Cicero Romão Batista precisou ingressar no Seminário da Prainha,em Fortaleza,só o fez graças à ajuda de seu padrinho de crisma,o coronel Antonio Luiz Alves Pequeno.
 Durante o período em que esteve no seminário,Cicero era considerado um aluno mediano e ,apesar de anos depois arrebatar multidões com seus sermões,apresentou notas baixas nas disciplinas relacionadas à oratória e eloquência. Cicero foi ordenado padre no dia 30 de novembro de 1870. Após sua ordenação retornou ao Crato e, enquanto o bispo não lhe dava paróquia para administrar,ficou a ensinar no Colégio  Padre Ibiapina,findado e dirigido pelo professor José Joaquim Teles Marrocos,seu primo e grande amigo.
       No Natal de 1871,convidado pelo professor Simeão Correia de Macedo,o padre visitou pela primeira vez o povoado de Juazeiro(numa fazenda localizada na povoação de Juazeiro,então pertencente à cidade do Crato), e ali celebrou a tradicional missa do galo. O padre visitante,então aos 28 anos ,estatura baixa,pele branca,cabelos louros,penetrante olhos azuis e voz modulada,impressionou os habitantes do lugar. E a recíproca foi verdadeira.Por isso,decorridos alguns meses,exatamente no dia 11 de abril de 1872,lá estava de volta,com bagagem e família,para fixar residência definitiva no Juazeiro. Muitos livros afirmam que Padre Cicero resolveu fixar morada em Juazeiro devido a um sonho(ou visão)que teve,segundo o qual,certa vez,ao anoitecer de um dia exaustivo,após ter passado horas a fio a confessar as pessoas do arraial,ele procurou descansar no quarto contiguo à sala  de aulas da escolinha,onde improvisaram seu alojamento,quando caiu o sono e a visão que mudaria seu destino se revelou.Ele viu,conforme relatou aos amigos íntimos,Jesus Cristo e os doze apóstolos sentados à mesa,numa disposição que lembra a Última Ceia,de Leonardo da Vinci. De repente,adentra ao local uma multidão de pessoas carregando seus parcos pertences em pequenas trouxas,a exemplo dos retirantes nordestinos.Cristo,virando-se para os famintos,falou da sua decepção com a humanidade,mas disse estar disposto ainda a fazer o último sacrifício para salvar o mundo.Porém,se o homem não se arrependessem  depressa. Ele acabaria com tudo de uma vez.Naquele momento,ele apontou para os pobres e,voltando-se inesperadamente ordenou: - E você,Padre Cicero,tome conta deles!  
Uma vez instalado,formado por um pequeno aglomerado de casas de taipa e uma capelinha erigida pelo primeiro capelão-padre Pedro Ribeiro de Carvalho,em honra a Nossa Senhora das Dores,padroeira do lugar,ele tratou inicialmente de melhorar o aspecto da capelinha,adquirindo várias imagens com as esmolas dadas pelos fiés. Depois ,tocado pelo ardente desejo de conquistar o povo que lhe fora confiado por Deus,desenvolveu intenso trabalho pastoral com pregação,conselhos e visitas domiciliares,como nunca se tinha visto na região. Dessa maneira,rapidamente ganhou a simpatia dos habitantes,passando a exercer grande liderança na comunidade
.Paralelamente,agindo com muita austeridade,cuidou de moralizar os costumes da população,acabando pessoalmente com excessos de bebedeira e com a prostituição. Restaurada a harmonia,o povoado experimentou,então,os passos do crescimento,atraindo gente da vizinhança curiosa por conhecer o novo capelão. Para auxiliá-lo no trabalho pastoral,o padre Cicero resolveu,a exemplo do que fizera Padre Ibiapina,famoso missionário nordestino falecido em 1883,recrutou mulheres solteiras e viúvas para organização de uma irmandade leiga,formada por beatas,sob sua autoridade.Atuou sempre com zelo na recepção dos imigrantes,dentre eles pode-se destacar José Lourenço.jpgJosé Lourenço da Silva,líder do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto.
No ano de 1889,durante uma missa celebrada pelo Padre Cicero,a hóstia ministrada pelo sacerdote a religiosa Maria de Araújo se transformou em sangue na boca da religiosa.Segundo relatos,tal fenômeno se repetiu diversas vezes durante cerca de dois anos. Rapidamente espalhou-se a noticia de que acontecera um milagre em Juazeiro.A pedido de Padre Cicero a diocese formou uma comissão de padres e profissionais da área da saúde para investigar o suposto milagre. A comissão tinha como presidente o padre Clycério da Costa e como secretário o padre Francisco Ferreira Antero,contava,ainda,com a participação dos médicos Marcos Rodrigues Madeira e Ildefonso Correia Lima,além do farmacêutico Joaquim Secundo Chaves.Em 13 de outubro de 1891,a comissão encerrou as pesquisas e chegou à conclusão de que não havia explicação natural para os fatos ocorridos,sendo portanto um milagre. Insatisfeito com o parecer da comissão,o bispo Joaquim José Vieira nomeou uma nova comissão para investigar o caso,tendo como presidente o padre Alexandrino de Alencar como e como secretário o padre Manoel Cândido.A segunda comissão concluiu que não houve milagre,mas sim um embuste. Dom Joaquim se posicionou favorável ao segundo parecer e, com base nele,suspendeu as ordens sacerdotais de padre Cicero e determinou que Maria de Araújo,que viria a morrer em 1917,fosse censurada. Em 1898,padre Cicero foi a Roma,onde se reuniu com o Papa Leão XIII e com membros da congregação do santo ofício, conseguindo sua absorvição.No entanto,ao retornar a Juazeiro,a decisão do Vaticano foi revista e padre Cicero teria sido excomungado,porém,estudos realizados décadas depois pelo Bispo Dom Fernando Panido sugere que a excomunhão não chegou a ser aplicada de fato. Atualmente,Dom Fernando conduz o processo de reabilitação do padre Cicero junto ao Vaticano.
Em 1977,foi canonizado pela Igreja Católica Apóstolica Brasileira(diferente da Igreja Católica Apóstolica Romana).
 Era filiado ao extinto Partido Republicano Conservador(PRC). Foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte,em 1911,quando o povoado foi elevado a cidade.Em 1926 foi eleito deputado federal,porém não chegou a assumir o cargo. Em 4 de outubro de 1911,o padre Cicero e outros 16 lideres da região se reuniram em Juazeiro e firmaram um acorde de cooperação mútua bem como o compromisso de apoiar o governador  Antonio Pinto Nogueira Accioli. O encontro recebeu a alcunha de Pacto dos Coronéis,sendo apontado como uma importante passagem na história de coronelismo brasileiro.
Em 1913,foi destituído do cargo pelo governador Marcos Franco Rabelo,voltando ao poder em 1914,quando Franco Rabelo foi deposto  no evento que ficou conhecido como Sedição do Juazeiro. Foi eleito,ainda,vice-governador do Ceará.
Ao fim dos anos 20,o padre Cicero começou a perder a sua força política,que praticamente acabou depois da Revolução de 1930. Seu prestigio como santo milagreiro,porém,aumentaria cada vez mais.
Virgulino Ferreira da Silva, Lampião,era devoto do padre Cicero e respeitava as suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez,em Juazeiro do Norte,em 1926. Naquele ano,a Coluna Prestes,liderado por Luiz Carlos Prestes,percorria o interior do Brasil desafiando o governo Federal. Para combatê-la foram criados os Batalhões Patrióticos,comandados por lideres regionais que muitas vezes arregimentavam cangaceiros. Existem versões para o encontro. Na primeira,difundida por Billy Jaynes, o sacerdote teria convocado Lampião para se juntar ao Batalhão Patriótico de Juazeiro,recebendo em troca,anistia de seus crimes e a patente de Capitão. Na outra versão,defendida por Lira Neto e Anildomá Williams, o convite teria sido feito por Floro Bartolomeu sem que padre Cicero soubesse. O certo que ao chegarem em Juazeiro, Lampião e os 49 cangaceiros  que o acompanhava,ouviram padre Cicero aconselhá-los a abandonar  o cangaço.Como Lampião exigia receber a patente que lhe fora prometida, Pedro de Albuquerque Uchôa, único funcionário público federal no município, escreveu em uma folha de papel que Lampião seria, a partir daquele momento, Capitão e receberia anistia por seus crimes. O bando deixou Juazeiro sem enfrentar a Coluna Prestes. O padre Cicero faleceu em Juazeiro do Norte em 20 de julho de 1934,aos 90 anos.Encontra-se sepultado na Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro na mesma cidade do Ceará.













segunda-feira, 29 de outubro de 2012




BENDITOS

O Frei Pedro Sinzig OFM no seu "Dicionário Musical" define os benditos como cantos sacros populares.No Dicionário do Folclore Brasileiro,o folclorista Rossini Tavares de Lima no seu ABCÊ DO FOLCLORE,explica ainda que o bendito é uma oração cantada cujos versos fazem menção à expressão "Bendito louvado seja. "Conforme o professor Câmara Cascudo: " Os benditos são cantos religiosos com que são acompanhadas as procissões e, outrora as visitas do Santíssimo. Denomina o gênero o uso da palavra "bendito",iniciando o canto uníssono." Em outras regiões do país como o Vale Jequitinhonha,os benditos são cantos religiosos em geral,incluídos os mais recentes,por exemplo algumas músicas da Campanha da Fraternidade da CNBB. No entanto,mais frequente é a definição popular mais estrita que entende por benditos apenas os cantos populares da tradição oral,cantados em terços,novenas e procissões. Entre estes se destacam os cantos que começam com as palavras "Bendito  e louvado seja". No livro "Orações e Benditos" de Frei José Herberholf (Bahia,1939) tem o canto da Sagrada Paixão de Jesus Cristo.Neste livrinho também consta o popular Bendito do Santíssimo Sacramento. O "Cânticos Espirituais",editado pelos padres da Congregação da Missão Brasileira(Lazaristas Franceses),2ª edição,Rio de Janeiro,18976,além do anima citado Bendito da Sagrada Paixão,nos traz em sua coleção de 261 músicas uma curiosidade chamada "Bendito de Maria Santíssima",mas o texto é de linguagem difícil e nada tem a ver com os nossos benditos populares. os benditos são de preferência os cantos religiosos da tradição popular oral,patrimônio,sobretudo,do povo trabalhador rural.
MariaDoHorto
Dona Maria do Horto
Na região do Cariri Cearense,na cidade de Juazeiro do Norte,durante as romarias  é comum entre os romeiros os benditos ,que também são os cantos das viagens nos caminhões pau-de-araras da romaria. Nas imediações da estatua do Padre Cicero,banquinhas vendem  CDs com os benditos a Nossa Senhora das Dores  e ao Padre Cicero.No ano de 2007, a Secretaria de Cultura do estado do Ceará nomeou a lavadeira de roupas Dona Maria do Horto como Patrimônio vivo da cultura daquele estado.Dona Maria do Horto conhece um vasto repertório da tradição oral religiosa ,sendo conhecida pela arte de cantar benditos de sua autoria. Dona de uma voz potente,suas composições falam do universo religioso ligados ao Padre Cicero,seus milagres e a fé incontida do povo.




domingo, 28 de outubro de 2012






        ZABÉ DA LOCA, A DIVA DO PÍFANO


Com seu inseparável pífano, Isabel Marques da Silva, passou os dias da sua infância e juventude trabalhando no campo. Nasceu em 1924,na cidade pernambucana de Buíque, no vale do rio Ipanema, ainda menina, mudou-se para o município de  Monteiro no sertão da Paraíba.Sem chance de frequentar escola, aos 7 anos , aprendeu a tocar pífano com o irmão Aristides, do qual, já adulta, não soube mais do paradeiro. Dos 15 irmãos, Zabé viu morrer 8,de fome,sede e doenças. Pequena com 1 metro e meio de altura,olhos azuis,teve que conviver com o assédio dos donos das fazendas que trabalhou quando jovem.Por conta desta situação, engravidou e deu a luz uma menina.Mais tarde encontrou seu companheiro, Delmíro, de quem teve três filhos e ficou viúva em 1966. Logo em seguida perdeu a casa e foi morar com a família numa gruta(loca)
na serra do tungão (PB),onde passou longos 25 anos da sua vida. Precisando trabalhar na roça , e não tendo com quem deixar as crianças,cavava um buraco no chão,sob a sombra de uma árvores, cobrindo-os com trapos ,para que ficassem ali protegidas até o fim da jornada de trabalho. Dali surgiram o apelido que carrega até hoje e também a inspiração para sua música. A artista ,também conhecida como a "Rainha do Pífe". Atualmente mora no assentamento Santa Catarina, no município de Monteiro, porém, sua casa fica a 10 minutos da loca que ainda hoje costuma frequentar, o local continua intocável e deve se transformar num ponto de visitação turística e de preservação cultural.
Na roça,Zabé,tocava nas festas sem nada receber.Até ser descoberta pelo programa Biblioteca rural Arca das letras,do Ministério do Desenvolvimento Agrário(MDA) que no processo de implantar bibliotecas e incentivar a leitura no campo,também identifica as potencialidades culturais das comunidades rurais. O reconhecimento do seu talento,lhe rendeu um CD. Patrocinado pelo MDA, por meio do projeto Dom Helder Câmara que atua no sertão nordestino. O CD é parte da série Cantos do semi-árido,do MDA e contou com a produção do Quinteto Violado. O disco foi gravado no assentamento,em estúdio móvel. O disco foi lançado em dezembro de 2003 ,numa grande festa em Afogados da Ingazeira,no sertão do Pajeu,durante o lançamento nacional do programa Arca das Letras e da série cantos do semi-árido,com a presença do então ministro Gilberto Gil. Dona Zabé é apreciadora de uma boa "dosa",cachaça, não consegue fazer uma refeição se não tiver feijão na mistura e não fica sem o seu cigarrinho. Fala bem pouco,mas não perde a oportunidade de dar " umas cantadas" nos "moços" que dividem palco com ela. Que o diga o multi-instrumentista carioca Carlos Malta que produziu o último disco dela. Segundo a própria Zabé, "é buníto todo". Além de produzir, Malta faz participação no álbum, assim como Maciel Salu,filho do saudoso Mestre Salustiano,Cacau Arcoverde, junto com os músicos do grupo River Douglas ( zabumba), Pito ( prato) setenta(caixa) e Júnior (caixa). Durante as gravações faleceu o pífeiro e compositor Beiçola,filho adotívo dela. É justamente com Beiçola que também era conhecido como o "músico de mãos tortas" que Zabé tocava uma das melhores faixas do álbum ," Queima." E assim, pequena,frágil, carregando no rosto os longos anos de exposição ao sol e na mão uma enxada, Zabé da loca é o retrato da nossa cultura popular e das tradições que parte
 do país teima em querer esquecer. E hoje Zabé anda pífando por outras bandas. Foi uma das atrações em 2003 do festival de Brincantes no Recife ,no ano seguinte fez parte do projeto " Da idade do mundo ", neste mesmo ano tocou com Carlos Malta no (CCBB) centro cultural Banco do Brasil,em Brasilia, e em junho com Hermeto Pascoal no forum mundial de Cultura, em São Paulo onde foi efusivamente aclamada,merecendo atenção especial dos participantes estrangeiros,no mesmo período,apresentou-se no espaço Cultural Sérgio Pontes, na cidade do Rio de Janeiro, em 2008 tocou no Sesc-Pompéia em Sampa e no planetário da Gávea na cidade maravilhosa, em 2009 aos 85 anos, Zabé ,ganhou o prêmio da música Brasileira,categoria revelação pelo CD " Todo Bom" no canecão no RJ, emocionando a platéia,que a aplaudiu efusivamente de pé. A artista já é sucesso nas pistas de dança do Rio de Janeiro; através das produções do DJ Mam, tem uma página no myspace e vários videos no you tube,comprovando que não existem barreiras de geração, e geografia na sua arte. A vida de Zabé da loca sem a música, seria um erro.


William Veras de Queiroz-Santo Antonio do Salgueiro-PE.

MATÉRIA PUBLICADA NESTE BLOG NO DIA 9 DE NOVEMBRO DE 2009


sábado, 27 de outubro de 2012

GracilianoRamos.jpg



GRACILIANO RAMOS


O famoso escritor Alagoano Graciliano Ramos de Oliveira - hoje se comemoram os 120 anos do seu nascimento(cidade de Quebrangulo,27 de outubro de 1892),o autor de "vidas secas " - teve uma experiência política como prefeito. Em 1927,foi escolhido para governar a cidade de Palmeira dos Índios,Alagoas.De gestão austera,revolucionou o ensino do município. A literatura só o descobriu pelos seus impressionantes relatórios oficias.


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Carequinha


Prêmio Funarte Petrobras Carequinh a de Estímulo ao Circo – fase de habilitação






Os proponentes de projetos que concorrem ao Prêmio Funarte Petrobras Carequinha de Estímulo ao Circo 2012 já podem consultar as relações de habilitados e inabilitados, referentes à primeira fase do processo seletivo. Conforme estabelece o edital, os candidatos não habilitados terão um prazo de 2 (dois) dias úteis, a contar da publicação das listas, para interpor recursos à Comissão de Habilitação. Estes recursos deverão ser enviados para o endereço eletrônico circo.funarte@gmail.com, não cabendo a apresentação de documentos não enviados no momento da inscrição. Serão contemplados neste edital 159 projetos voltados para a área de Circo, em sete categorias: Circos de lona, Mérito artístico, Números, Espetáculos, Eventos, Formação e Pesquisa. O aporte financeiro é de R$ 6 milhões.Podem concorrer pessoas físicas ou jurídicas, com ou sem fins lucrativos, de natureza cultural, de todo o Brasil, à exceção das categorias B (Mérito artístico), E (eventos) e F (Formação), abertas apenas para pessoas jurídicas. Os projetos habilitados serão avaliados por duas Comissões de Seleção, nomeadas pelo presidente da Funarte e compostas por sete membros, sendo um da Funarte, um da Petrobras e cinco especialistas em arte circense. Foi publicada, na quarta, 15 de agosto, no Diário Oficial da União, a portaria referente ao edital do Prêmio Funarte Petrobras Carequinha de Estímulo ao Circo / 2012. Os projetos deverão ser encaminhados para o endecirco.funarte@gmail.com
reço abaixo, com a identificação da categoria, conforme o edital.  PRÊMIO FUNARTE PETROBRAS CAREQUINHA DE ESTÍMULO AO CIRCO /2012  Av. Rio Branco, 179 / 7º andar – Centro Rio de Janeiro (RJ)
20040-007

.Acesse ao lado o edital e demais documentos, em “arquivos relacionados”
  Mais informações
Tel.: (21) 2279-8034












terça-feira, 23 de outubro de 2012

Silvério Pessoa no Clipe Carreiro Novo

                      


           POETA JOSÉ PACHECO


Há controvérsia sobre o lugar de nascimento do poeta de  literatura de cordel José Pacheco da Rocha. Para alguns,ele nasceu em Porto Calvo,município da Zona da Mata do estado de Alagoas;há quem afirme ter sido o autor de " A Chegada de Lampião no Inferno",pernambucano da cidade de Correntes,município do Agreste Central de Pernambuco. A verdade é que José Pacheco,que teria nascido em 1890,faleceu em Maceió,capital Alagoana,na década de 50,havendo quem informe a data de 27 de abril de 1954,como a do seu falecimento.Seu gênero preferido parce ter sido o gracejo,no qual nos deu verdadeiros clássicos.Escreveu também folhetos de outros gêneros. 



segunda-feira, 22 de outubro de 2012






                              SIL

Maria Luciene da Silva Siqueira,nasceu  no dia  14 de agosto de 1979 ,em Cajueiro,município do estado de Alagoas.Filha de cortadores de cana,foi criada na cidade de Capela,região canaviera,Sil trabalhou no corte da cana até os vinte anos de idade. A usina proprietária das terras da casa onde Sil morava com o marido André encerrou as atividades e o casal teve que abandonar o local. Mudaram-se para  o centro urbano de Capela,em busca de trabalho.No início ,ela conta que o marido fazia bicos ,enquanto ela cuidava da casa e das crianças,tempo de muitra dificuldades. A inquietação e o desejo por um trabalho levaram Sil a procurar o Sebrae. Ali participou de várias oficinas de crochê,tapeçaria e bordados. Um certo dia surgiu a oportunidade de uma oficina com barro;foi aí que ela encontrou pela primeira vez em sua vida o mestre João das Alagoas.Na primeira visita que fez ao ateliê fo mestre já foi para ficar.Deste encontro nasceu uma artista de notável talento,uma das melhores aparições da arte popular do Brasil dos últimos tempos. Com João das Alagoas já se vão mais de dez anos de uma relação de trabalho e de amizade.O mestre mantém um ateliê na cidade de Capela,onde trabalha de domingo a domingo junto com seus discípulos e agora colegas de trabalho.Além de Sil trabalham no ateliê a sua  esposa,seu filho Nena,João Carlos,Gisé,Leonilson dentre outros ;são dez no total.O mestre conta que não ensinou a arte a nenhum deles,apenas deu oportunidade para que cada um expressasse a sua. Sil revela que quando entrou no ateliê de João das Alagoas foi a primeira vez que viu um boneco de barro em sua vida. As figuras que tinha visto até então eram todas de gesso,ela lembra de uma pequena estatua de  Padre Cicero que tinha em sua casa. Sua primeira obra foi um cavalinho. No começo eram bois,cavalinhos e pequenos bonecos. O nome de Sil vem do tempo de criança,era assim como era chamada pelos seus pais;meus pais não conseguiam  chamar o nome completo dos meninos,aí cada um tinha seu apelido. Aí em começou a assinar como Sil.Ao longo dos anos Sil imprimiu um estilo  próprio à sua obra. Sua experiência de vida e os costumes do seu povo são transmitidos às peças com um realismo e um esmero que impressiona.Todas apresentam expressões fortes;são namorados passeando de cavalo, mulheres e homens do povo,festa de casamento matuto,brincadeiras de criança e vivências da vida na roça retratadas com suavidade e uma impressionante riqueza de detalhes. A jaqueira,árvore abundante na zona da mata alagoana,transformou-se num elemento onipresente da sua obra e,como ela mesma afirma,sua marca registrada. Do casamento com André,Sil teve três filhas.Andressa de dez anos já segue os passos da mãe e,diga-se de passagem,com um talento aparente. E o que parece a arte de Capela e os ensinamentos do mestre João das Alagoas terão certamente uma vida muito longa. As obras de Sil já fizeram parte do acervo de várias exposições realizadas no Brasil e podem ser encontradas nas mais concluidas galerias de arte de cidade como: Recife,Belo Horizonte,São Paulo,Maceió,Porto Alegre e Rio de Janeiro. Elas podem ainda ser adquiridas diretamente com a artista em Capelas,Alagoas


sábado, 20 de outubro de 2012


          GERALDO JUNIOR - MÚSICA CARIRI


...Afirma a tradição que o Cariri era o território mítico de Badzé - o deus do fumo e civilizador do mundo. No principio era a Trindade: Badzé era o Grande - Pai. Poditã era o filho maior e Warakidzã (senhor do sonho), o filho menor...
 
A região do Cariri cearense é um oásis, o verde coração do semi-árido nordestino, com uma grande quantidade de grupos e mestres de cultura popular tradicional; Reisados, lapinhas, pastoris, bandas cabaçais, forró pé-de-serra, maracatu, coco, maneiro-pau, embolada e cantoria. Centro geográfico com eqüidistância para as principais capitais do Nordeste, desde meados do século XVII até os dias de hoje, continuam a chegar multidões sertanejas, em um fluxo constante, atraídas pela fertilidade e pela sagração do território como espaço mítico.
O trabalho do cantor e compositor Geraldo Júnior desenvolve-se nesse contexto, como aglutinador das artes populares através de uma leitura contemporânea, aliada a diversas influências da música do mundo e da própria música brasileira.
Geraldo Junior e sua banda utilizam esses elementos tradicionais como ferramenta para fundir e resignificar todas essas linguagens. A misticidade que gira em torno do imaginário popular, é apresentada nos diversos aspectos que envolvem o espetáculo, performances munidas de figurino característico que representam suas tradições, lendas, folguedos, história e personagens locais.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Maria Benedita - Mestra de Mané do Rosário - Coruripe  - Foto Neno Canuto.jpg



MESTRA MARIA BENEDITA


Maria Benedita dos Santos,nasceu no dia 26 de outubro de 1954,na cidade de Coruripe,município situado no leste do estado de Alagoas e um dos  grande produtor de cana de açúcar daquele estado. Mestra Benedita é moradora do povoado de Poxim onde foi trabalhadora rural desde os 8 anos de idade.E hoje exerce o oficio de  pescadora do litoral sul, e nas horas de folga é  brincante do folguedo popular Mané do Rosário. Ela conheceu o Mané do Rosário com sua avó,Dona Josefa do Carmo,uma remanescente de escravo do Quilombo dos Palmares. Mestra Benedita lidera o folguedo a 30 anos nos festejos de Poxim.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012






CATUPÉ DE MILHO VERDE


O Grupo Catupé de Milho Verde ,da cidade de Serro,município da microrregião Conceição do Mato Dentro,Minas Gerais,   é um dos grupos mais importantes dessa tradição na região e um dos últimos que sabem os vissungos,cantos de despachar mortos da época da escravidão,que canta em português e língua africana. O grupo é presença marcante durante os festejos de  Nossa Senhora do Rosário,em Serro,numa das mais antigas festas do  nosso país,que começou no início do século XVII ainda no ciclo da mineração,época de ouro e muitos escravos para extraírem esse ouro da terra.Esses escravos começaram o louvor a santa e seus descendentes ainda mantém vivo no Brasil. O Capitão Ivo,é o grande mestre do Catupé de Milho Verde conhecedor dos vissungos,e uma biblioteca viva e de muita sabedoria.
                                                                             



BANDO ANUNCIADOR


Na Bahia  a exibição do bando anunciador tem lugar,normalmente,no domingo que antecede o início da programação propriamente dita. O bando distribui a programação da festa e costuma ser acompanhado pelas filarmônicas locais. Como comemoração das seus feitos bélicos,a Bahia reproduzia anualmente esse epílogo brilhante - a entrada do exército libertador - no dia 2 de julho. Para que es festas tivesse mais relevo,oito dias antes o bando anunciador prevenia à população,convicta de sua nova soberania,que o préstito simbólico aparelhava-se,que as arcarias triunfais e os palanques vistosos ergue-se-iam ma praça de palácio e no terreiro com deslumbramento indizíveis,cumprindo aos habitantes da cidade a iluminação e adornos das fachadas de suas casas durante as três noites do pátrio regozijo. Moços da mais alta nomeada,formando o bando,saiam montados em lindos cavalos,de crinas e cauda tramadas de fitas verdes e amarelas,soando,aos peitorais de veludo e cabeçadas,chocalhantes guizos. Os cavaleiros vestiam de branco,traziam folhas de fumo e café enlaçadas aos chapéus de palha,vintém;pendiam-lhes do ombro capelas de viçosas flores,e ostentavam a tiracolo larga fita achamalotada,das cores brasileiras.
Em duas longas filas marchavam dois a dois,alteando nos ares profunda e verdejante abóbada,constituída por arcos de folhas e flores,sustentados nas extremidades pelos sucessivos pares.Essa manifestação folclórica é tradição no município de Maragogipe - em agosto,por ocasião da festa do padroeiro,São Bartolomeu e na cidade de Cachoeira,na festa de Nossa Senhora da Ajuda,de data móvel entre outubro  e novembro.





terça-feira, 16 de outubro de 2012

                                                                           



DONA NICINHA DO SAMBA DE RODA RAÍZES DE SANTO AMARO


Maria Eunice Martins da Luz - este é o verdadeiro nome de Nicinha do Samba,como é conhecida no recôncavo baiano.Ela é  uma das mais importantes personagens da história de Santo Amaro da Purificação e do samba de roda da bahia,principalmente por sua personalidade alegre,descontraída e brincalhona. Nicinha transita desde pequena no universo da cultura afro-baiana,típico do Recôncavo: nos terreiros de Candomblé,no Maculelê,e preferencialmente no Samba de Roda,onde ela se exibe como eximia sambadeira,dona de um requebrado inigualável. Nicinha é a matriarca responsável pela manutenção do grupo de samba de roda Raízes de Santo Amaro,que conta com uma quantidade impressionante de sambadeiras,todas senhoras negras com roupas ao estilo baianas do candomblé e com  aquele sapateado miudinho e o requebrado na cintura.
Nicinha,que embora continua vivendo uma vida humilde,na comunidade do Pilar,sabe preservar as amizades com pessoas ilustres da cultura de Santo Amaro,como a familia Veloso,Dona Canô e filhos, o etnomusicólogo Tiago Oliveira Pinto,radicado na Alemanha,que foi parceiro de pesquisa do Mestre Vavá da Capoeira e do Maculelê,falecido esposo de Nicinha. O grupo Raízes de Santo Amaro,levou a cultura popular de matriz africana do Recôncavo para diversos lugares do Brasil e do exterior,tendo realizado apresentações na Europa e nos Estados Unidos ao longo de mais de três décadas.Dona Nicinha que é conhecida também por ser nora do lendário Mestre Popó,que era condutor de bonde ,porém se dedicou principalmente a preservação da dança-luta Maculelê,que andou esquecida. Popó fundou nos anos 50, o Maculelê de Santo Amaro.  O grupo Raízes de Santo Amaro,lançou um CD virtual  Samba de Nicinha, no repertório inclui principalmente "samba-corridos",modalidade mais participativa e "festiva" de samba de roda," sambas de viola",chulas,barraventos,ladainhas de capoeira e toques de Maculelê,mostrando a diversidade musical do contexto cultural em que Nicinha e seu grupo estão inseridos.Demonstram ,acima de tudo, a preocupação de Nicinha do Samba em manter vivas,dentro das novas gerações de sambadeiras do Recôncavo,algumas das tradições herdadas por seus familiares,tal como o fizeram Popó do Maculelê e Mestre Vavá de Popó.

Por Katharina Doring

segunda-feira, 15 de outubro de 2012





                        DE PAI PARA FILHO

filme ''Gonzaga - De Pai para Filho'' abriu na quinta-feira(11/10/12) a 14ª edição do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, que durante 15 dias exibirá mais de 400 filmes, 74 deles nacionais.Dirigida por Breno Silveira, a produção percorre toda a vida de Luiz Gonzaga, desde sua adolescência em Pernambuco nos anos 20 do século passado, de onde foge quando o pai da jovem pela qual está apaixonado o ameaça de morte, até um reencontro definitivo com seu filho, quando já era conhecido como o Rei do Baião.O filme relata as peripécias de Gonzagão após fugir de casa, quando se alistou no Exército, e seu retorno ao lar, quando conhece o amor e lança seus primeiros sucessos musicais no Rio de Janeiro dos anos 40, época na qual a cidade era capital do Brasil.Instalado no Rio nasce seu filho, o futuro Gonzaguinha, a quem deixaria aos cuidados de amigos quando este tinha dois anos de idade, para viajar pelo país e ganhar a vida com sua música.Criado no Morro de São Carlos, Gonzaguinha tenta reencontrar-se com seu pai quando completa 12 anos e topa com a rejeição de sua madrasta, Helena.Formado como diretor de fotografia em Paris, Silveira contou que teimou com esta história quando escutou as conversas que Gonzaguinha e seu pai gravaram no início da década de 80 para tentar reconstruir a história que lhes levou a reconciliar-se e apresentar-se juntos.O filme foi baseado no livro ''Gonzaguinha e Gonzagão, Uma História Brasileira'', da jornalista Regina Echeverria, e seis atores interpretam Gonzagão e seu filho nos diferentes períodos de suas vidas, que são recriados com uma cuidadosa ambientação pelos diferentes lugares por onde passaram os protagonistas.Luiz Gonzaga é vivido por Land Vieira (dos 17 aos 23 anos), o sanfoneiro Nivaldo Expedito de Carvalho, o Chambinho do Acordeom (dos 27 aos 50), e Adélio Lima (aos 70).O filme, que estreia no circuito oficial no dia 26 de outubro, é a quarta colaboração entre Breno Silveira e a roteirista Patrícia Andrade, que escreveu seus filmes ''2 Filhos de Francisco'', ''Era Uma Vez...'' e ''À Beira do Caminho''.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

                                           Irineia Rosa Nunes da Silva - Mestra Artesão - União dos Palmares  - Foto Neno Canuto.jpg



            IRINÉIA ROSA NUNES DA SILVA


A Dama do Barro do Vale do Mundaú,nasceu nos primeiros dias de janeiro de 1949,na cidade de União dos Palmares,município situado na Zona da Mata do estado de Alagoas,micro região serrana dos Quilombos.
Dona Irinéia é artesã de cerâmica.Faz parte de um grupo de remanescentes quilombolas.Começou fazendo cabeças de barro para ajudar na renda familiar.Tornou-se conhecida apo participar de feiras de artesanato pelo Brasil afora. Hoje seus trabalhos contam de catálogos da cultura popular elaborados pelo MINC,e é considerada como uma das melhores artesãs do barro,em Alagoas.Faz parte do Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas,desde  2005.

                                                       




                POETA  JOSÉ COSTA LEITE


José Costa Leite nasceu em Sapé,Paraíba,aos 27 de julho de 1927.Diz que nunca frequentou a escola,tendo aprendido a ler soletrando folhetos de cordel.Escreve desde os 20 anos de idade e é autor de centenas de títulos.Em 1938,muda-se com a família para Pernambuco,fixando residencia  em Condado,cidade onde mora até hoje. Ainda criança,trabalha nas plantações de cana de açúcar e faz seus primeiros versos imitando o cordel. Em 1947,começa a vender folhetos nas feiras do interior e, em 1949,publica seus primeiros títulos: Eduardo e Alzira e Discussão de José Costa com Manuel Vicente.Logo em seguida,improvisa-se É também um festejado xilógrafo,com técnica muito pessoal e apurada. Torna-se,assim,um profissional polivalente,exercendo todas as atividades ligadas à literatura popular: é poeta,editor,ilustrador e continua a vender  folhetos,de feira em feira.Dentre os títulos de sua produção destacam-se " A FILHA QUE MATOU O PAI POR CAUSA DE UMA PITOMBA", " A MOÇA QUE PISOU SANTO ANTONIO NO PILÃO PRA CASAR COM O BOIADEIRO", " A VIDA DE JOÃO MALAZARTE ", " O CONSELHO DA MOCIDADE ",entre outros. Foi eleito patrimônio vivo de Pernambuco.

domingo, 7 de outubro de 2012

                                                                           Foto de Banda de Pífanos de Caruaru

      VIVA OS  "BEATLES" DE CARUARU

Formada em 1924,na cidade de Mata Grande,sertão de Alagoas,a Banda de Pífano de Caruaru atravessou o século vivendo para cantar várias histórias. O precursor foi um caboclo chamado  Manoel Clarindo Biano, Trabalhador rural de oficio,zabumbeiro de vocação,que herdou do pai quatro instrumentos:um bombo(tambor afinado a corda) um prato e dois pífanos de taboca.Mais do que instrumentos,entretanto,seu Manoel herdava a obrigação de não deixar morrer a tradição zabumba cabaçal,criada por seu avô,e que seu pai preservava com todo carinho.Tratou logo de ensinar os antigos toques - muitos dos quais apreendidos com os índios - aos filhos Sebastião,de 5 anos e Benedito de 11.Recrutou depois o amigo Martinho Grandão pra assumir a caixa e o próprio Manoel se ocupou do bombo.Isso,  quando o país da história oficial convivia com os efeitos da contundente e controversa Semana de Artes Modernas de 1922, com sua peleja entre cultura tupininquim e tendência antropofágica,a tradição do pífano,já então há décadas mantida pela família Biano. "Diferentes espaços,intenções conectadas". Manoel,mais os filhos Sebastião e Benedito,formaram a Banda de Pífanos. A bandinha enfrentava longas caminhadas para levar sua música em renovações religiosa e novenas,além de enterros de "anjos," uma marca da influência afro no Brasil,que ainda nos nossos dias é o país de milhões de concidadãos.No dia 15 de julho do ano da graça de 1939,o clã dos Biano trocam a cidade de Mata Grande,Alagoas,pelo agreste azul de Caruaru,onde foram morar na comunidade de Contendo,nas proximidades da zona urbana.Por lá continuaram com as apresentações,já sob o nome de Zabumba de Contendo.   No ano de 1955,no seu leito de morte,o patriarca dos Biano,em suas últimas horas,pediu aos seus dois filhos que honrassem a tradição dos seus antepassados e se juntassem aos familiares Luiz de 9 anos,Amaro,de 10 anos,(filhos de Sebastião)Gilberto,de 15 anos,e João,de 11 anos(filhos de Benedito) e formassem uma nova bandinha,prontamente batizada de Banda de Pífano de Caruaru. Aos 93 anos de idade,Sebastião Biano continua soprando os pífanos da banda e com autoridade de   único remanescente da formação original do grupo. Para melhor conciliar a agenda corrida de apresentações,no ano de 1980,o grupo se estabeleceu na terra da garôa,em São Paulo,apesar de todos os esforços e de sempre na ativa,a banda de pífano passou longos 17 anos sem um registro fonográfico.Até que,o grupo foi convidado em 1999,para produzir um CD pela gravadora Trama,intitulado "Balão Azul",com a preocupação em ampliar o público em potencial,levando o "forró de tradição" de volta às emissoras de rádios. A banda de pífano de Caruaru é hoje um dos grupos instrumentais mais tradicionais do país.Na trajetória do grupo consta que tocaram até mesmo para o cangaceiro Lampião e seu bando.Os integrantes mais novos são todos sobrinhos e filhos dos primeiro fundadores. Os primeiros discos foram gravados em 1971,quando a banda foi para o Rio de Janeiro e fez shows.A inspiração,tirava da vivência sertaneja; o ronco remoente do carro de boi,o canto do bem-te-vi,brigas entre bichos,todos os motivos alegóricos do Nordeste vociferavam pelas suas rupestres flautas. A sonoridade única da banda, composta por percussão e pífanos,foi descoberta durante o movimento Tropicalista,por alguns astros da Música Popular Brasileira,a exemplo do cantor baiano Gilberto Gil,que gravou a música "Pipoca Moderna"(com letra de Caetano Veloso),no seu disco Expresso 2222 (1972),foi também o cantor baiano que batizou o grupo carinhosamente de "Beatles de Caruaru".No biênio 79/80 a bandinha assinaria contrato com a Discos Marcus Pereira,selo responsável por um dos melhores documentários em vinil, a série "Música Popular Brasileira",editada em 16 volumes(cada região com quatro volumes)Dois discos foram lançados neste período:"Banda de Pífano de Caruaru", de 79 e " A Bandinha vai tocar",de 1980.A origem dos pífanos remonta aos beduínos orientais e berbere norte - africanos,que legaram aos colonizadores nos 800 anos de dominação na ibéria este formato,logo copiado por toda europa. A banda de pífanos de Caruaru até o final dos anos 70,se apresentaram na Suiça e nas principais capitais brasileira sendo o destaque do projeto Pixinguinha,em 1974.


Virgulino Lampião, Deputado Federá - Jessier Quirino

Amazan- Carona de candidato. Visite no Orkut, Amazan- O Melhor do Forró

sexta-feira, 5 de outubro de 2012



ZÉ DO MESTRE  E O LEGADO DO COURO

Sob uma atmosfera ressequida no sertão,quando o semi-árido nordestino conviveu com um dos mais drástico ciclo de estiagem, num dia distante, do ano de 1932,nascia num berço pobre do sitio Cacimbinha,zona rural de Salgueiro,o menino José Luiz Barboza. A história deste cidadão se confunde com a de todo sertanejo. Logo cedo o menino Zé,enfrentou as adversidades do universo caatingueiro, e assim, o seu sol nascia mais cedo para as atividades da roça e com o gado. Vaqueiro nato,ele  aboiava as agruras do seu tempo.Herdou do velho pai, Mestre Luiz,como era conhecido na ribeira da Cacimbinha, o oficio da arte no couro e do curtume,legado que agora transfere para Irineu Barbosa,um dos seus rebentos. Zé do Mestre se especializou na confecção de peças da indumentária do vaqueiro,tornou-se um dos mais conhecido artesão de Pernambuco, vive numa luta constante pela preservação da arte e da própria existência do vaqueiro. Com 77 anos de idade,dos quais 72 dedicado ao oficio,ele  produziu mais de três mil indumentárias,muitas delas para Luiz Gonzaga(rei do baião),alguns presidentes da república,rei Juan Carlos ,da Espanha,cantores e artistas famosos e tem peças expostas em galerias de artes e no museu Missionário,no Vaticano. Na sua  casa,a 14 kms de Salgueiro, plantou uma pedra pontiaguda no quintal,que segundo ele,  representa Mestre Luiz, o patriarca dos Barboza,sobre o olhar distante de uma imponente baraúna. Zé do Mestre é um ambientalista,conhecedor da fauna e da flora da caatinga como poucos,sábio e de visão futurista sua casa no sitio cacimbinha é muito frequentado por pesquisadores,alunos e curiosos da região pelo fato de possuir uma biblioteca com 1200kg de livros especificos e raros,doados por um empresário,que atendeu o pedido de Zé do Mestre que não teve oportunidade de estudar. Com a escassez de encomenda de  peças para vaqueiros,ele direcionou seu trabalho a miniaturas,onde é vendindo em Caruarú e na feira de Salgueiro. Ele está sendo homenageado numa exposição audivisual " O Sertão de Zé do Mestre"sobre sua obra e sua arte no Memorial do Couro ,em Salgueiro. A exposição vai passar por Petrolina,Serra Talhada e Gravatá. A exposição foi dividida em quatro ambientes. No primeiro,os visitantes serão apresentados a uma reinterpretação museológica  do ambiente da caatinga. Na segunda sala,aparece o registro do processo de  criação da indumentparia de couro,realizada pelo fotografo Josivan Rodrigues. Já no terceiro ambiente,o foco se desloca para o vaqueiro,sua fé e uso,como proteção  contra a vegetação de caatinga,do traje que o caracteriza. Por fim o quarto espaço traz um olhar sobre a vida cotidiana de Zé do mestre,que é mostrado junto à sua  familia. A produção e direção da mostra pe de Alice Chitunda. A exposição tem o apoio da Secretaria municipal de Cultura,Funcultura,projeto do pesquisador do artesanato Ticiano Arraes. A exposição ficará até o dia 9 de novembro,no Memorial do Couro.

William Veras de Queiroz 2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-PE. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

                                                       Helder Vasconcelos - Carnaval 2008    Helder Vasconcelos



 HELDER  VASCONCELOS CONTEMPLADO NO RUMOS DANÇA ITAÙ


O músico(ex Mestre Ambrósio) e bailarino pernambucano Helder Vasconcelos teve seu projeto Foco aprovado na categoria Desenvolvimento de Pesquisa para Criação,do edital 2012/2014 do Rumos Dança,do Itaú Cultural. Com uma bolsa de R$ 29 mil,Helder vai se dedicar à pesquisa que dará base ao terceiro trabalho da trilogia de solos que iniciou em 2004. Em 2007,ele também ganhou o edital para realizar Por si só, o segundo dos três trabalhos. Helder vai se aprofundar na relação direta entre música e dança.Inclusive para buscar novos instrumentos com recursos da tecnologia: microfone,Sensor,computador. Na comissão julgadora do prêmio estava a também professora da UFPE Roberta Ramos,bailarina e pesquisadora. A lista completa dos selecionados está no site www.itaucultural.org.br

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Elomar - A pátria véia do sertão

                                                                    Foto de Elomar — http://www.flickr.com/photos/laphotografia/47242291/sizes/l/
                                                                     


A PÁTRIA VÉIA DO  SERTÃO DE ELOMAR


 Nos primeiros dias de setembro,Elomar Figueira Mello,lançou no Teatro Escola Lírica Mineira,na Fazenda Casa dos Carneiros,em Vitória da Conquista,onde possui duas pequenas fazendas,cria cabras e carneiros e compõe.No concerto,pré-anuncia o último disco que encerra a fase de canções. Elomar se dedica ultimamente à criação de recitais,concertos e ópera.Ensaiando o Riachão do Gado Brabo reúne canções inéditas de Elomar,como Naquela favela e Samba do jurema - no estilo clássico dos sambas -,além de obras que integram a trilha sonora de suas peças teatrais e outras que foram gravadas ainda na década de 1970,mas que chegaram a ser lançadas,como o robot e a mulher imaginária.Ensaiando o Riachão do  Gado Brabo além do titulo do concerto é o nome de uma composição de Elomar. Nesta apresentação,o músico divide o palco com o maestro,violonista e compositor João Omar de Carvalho Mello,seu filho.No palco em que a companha o pai,ele também apresenta parte de seu recém-lançado disco solo João Omar interpreta  Elomar: peças para violão solo. Baiano nascido na Fazenda Boa Vista,em Vitória da Conquista,Zona da Mata,Elomar cresceu nas fazendas  dos avós no Sertão,que só deixou quando foi estudar ma capital e para onde regressou logo depois de formado em arquitetura.É nesse universo ancestral que vai buscar as bases para seu extenso trabalho. Na sua peculiar e bela união entre o regional e erudito,Elomar já compôs antifonas,óperas,galopes estradeiros,concertos de violão,piano e saxofone. Debruçado sobre o imaginário e a realidade do homem sertanejo, a obra de Elomar retoma temas religiosos e medievais,retratando o homem sertanejo dentro da paisagem sócio-histórica que  marca essa gente,embalado por um olhar romântico. Elomar está recluso em sua fazenda há a tempos.Pelo pricipio que defende que a obra é mais importante do que o artista,embora não pare de produzir,o cantador  optou por se afastar dos grandes centros e se dedica apenas  ao seu trabalho e à vida junto à natureza e do universo que tanto ama: A Pátria véia de Sertão.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

                                                                 






                       O BURRO ERRANTE



O escritor egípicio  Habib Zahra lançou o livro infanto-juvenil O Burro Errante.A chegada do titulo às livrarias será  marcada  também  por uma exposição com ilustrações usadas na obra assinada por  Valeria Rey Soto e de uma peça de teatro baseada no primeiro capitulo do livro. O enredo conta as histórias e aventura das mudanças de um jovem burro que deixa  a terra onde nasceu e parte para um passeio pelo mundo. Cada novo lugar e a vivência trazem questionamentos inéditos ao burrinho e quebram seus paradigmas éticos e sociais. A narrativa proporciona ao público reflexões sobre identidade,diferenças e exclusão.



                                                                            



BOI OURO FINO


O Boi Ouro Fino surgiu na cidade de Ourém,no estado do Pará,no bairro pobre de Porão,no ano de 1993,junto com a chegada à cidade do seu comandante José Ribamar Cardoso.Por volta de 1954,aos 21 anos de idade,migrou para o estado do Pará,vindo da cidade de Parnaíba,no litoral do estado do Piauí,em busca de trabalho.Foi lavrador e vaqueiro na região do Salgado.Mestre Cardoso foi amo de boi pela primeira vez,ainda na sua terra natal, garoto,aos 14 anos de idade,com o boi "Dominante" de Parnaíba. São quase  seis décadas colocando o boi pra brincar. Em 2005,gravou seu primeiro disco - "Galo de Campina." O ritual do boi-bumbá é uma espécie de teatro cantado,que segue uma estrutura fixa.ditada pela cultura popular.Narra a história do boiadeiro Pai Francisco que mata um boi atendendo a um desejo da esposa grávida Catirina. A estrutura da brincadeira é dividida em atos como a prisão do boi,sua captura e morte,cada qual com uma música tema e um pequeno esquete.





                                                                       Festival Cariri da Canção

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

                                                      legends-regias.jpg

                                      LENDA DA VITÓRIA-RÉGIA


Em uma tribo indígena da Amazônia vivia uma bela índia chamada Naiá. Ela acreditava que a lua escolhia as moças mais bonitas e as transformava em estrelas que brilhariam para sempre no firmamento. A índia Naiá também desejava ser escolhida pela lua para ser transformada em uma estrela.
Todas as noites ela saía de sua oca a fim de ser vista pela lua mas, para sua tristeza, a lua não a chamava para junto de si.
Naiá já não dormia mais. Passava as noites andando na beira do lago, tentando despertar a atenção da lua .
Em uma noite, a índia viu, nas águas límpidas de um lago, a figura da lua. A pobre moça, imaginando que a lua havia chegado para buscá-la, se atirou nas águas profundas do lago e morreu afogada.
A lua, comovida diante do sacrifício da bela jovem, resolveu transformá-la em uma estrela diferente, daquelas que brilham no céu. E ainda resolveu imortalizá-la na terra, transformando-a em uma delicada flor: a VITÓRIA-RÉGIA (estrela das águas).
Curiosamente as flores desta planta só abrem durante a noite. É uma flor de perfume ativo e, suas pétalas, que ao desabrocharem são brancas, tornam-se rosadas quando os primeiros raios do sol aparecem