sábado, 29 de dezembro de 2012






 XILOGRAVURADOR ERICK LIMA



Erick Lima,nasceu na capital Potiguar,Natal,Rio Grande do Norte,especializado na xilogravura,técnica da gravura em que se utiliza uma matriz em madeira para obtenção de reprodução da imagem gravada. O suporte em geral é o papel. Erick Lima vem desenvolvendo suas atividades junto aos poetas cordelistas da casa do cordel. Em seu ateliê o xilógrafo produz gravuras para ilustrações de livros,folhetos,camisetas ,discos,cerâmicas decorativas,além de trabalhos sob encomenda. Erick Lima ministra oficinas para turmas de até 20 alunos em empresas,escolas,universidades,e oficinas individuais.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

                                          JUAZEIRO - BAHIA



O Jumento Santo (PARTE 1)





 O JUMENTO SANTO E A CIDADE QUE SE ACABOU ANTES DE COMEÇAR


O Jumento Santo e a Cidade que se Acabou antes de Começar é um curta metragem  produzido em Pernambuco,no ano da graça de 2007,gênero animação,colorido,com 11 minutos de duração,dirigido por Leo D e William Paiva.Utilizando personagens criados a partir de recortes de personagens de papelão.O curta destacou-se nos principais festivais nacionais.Construída com elementos de uma tipografia inspirada em literatura de cordel,a história conta a tentativa de Deus de criar uma cidade,Noite Feliz,como protótipo de mundo.
Quando Deus resolveu criar o mundo,as coisas não saindo como planejado. O sertão nunca mais será o mesmo,depois que o jumento Limoeiro vem a terra dar um jeito na humanidade,que depois de sucumbir à tentação do capeta,acaba botando o mundo em desordem.
O filme foi produzido no Estúdio de Animação Barros Melo,no Recife,Pernambuco.Com fotografia de Sebba Cavalcante e Ricardo Bicudo.Roteiro de André Muhle e Leo Falcão.Animação de William Paiva ,Sebba Cavalcante,Pedro Augusto e Leonardo Domingues.Música de Claúdio da Rabeca,William Paiva e Leo D.Montagem,Produção Executiva e Edição de Som de Leo D e William Paiva.Produção Executiva: Izabella Barros Melo e  Cleide Farias. O filme foi premiado no Festival de Vídeos de Florianópolis,em 2007.Melhor Animação,Prêmio Teleimagem e Melhor curta no Festival de Vídeo de Santa Maria-RS,em 2006.Foi premiado como Melhor Vídeo,Melhor direção , Melhor Roteiro e Prêmio da Crítica  no Cine Pernambuco em 2007. Menção especial no Federação Internacional de Cineclubes em Lisboa e Menção honrosa no CINEPORT-Festival de Cinemas de Países de Língua Portuguesa em 2007. O curta participou do Festival Internacional de Curtas em São Paulo,CURTA-SE - Festival Luso-Brasileiro de Curtas Metragens de Sergipe,Festival de Cinema de Maringá,Paraná,Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis,Cine Esquema Novo,Em Porto Alegre-RS,Mostra de Cinema de ouro preto-MG,MOSCA-Mostra Audiovisual de Cambuquira e festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.






      TERNO DE REIS E CONGO NA BAHIA

Na Bahia a denominação  de "reisado",sem especificação maior,refere-se sempre aos ranchos,ternos,grupos que festejam o Natal e o dia de Reis. 
O reisado tanto pode ser apenas uma cantoria como também pode possuir um enredo ou uma série de pequeninos atos,encadeados ou não. 
Os participantes costumam usar roupas de tecidos vistosos,com ornamentos com areia brilhante,miçangas e outros detalhes. Os foliões de Reis imitam os Reis Magos,que viajaram guiados pela estrela de Belém.
O grupo pode sair todas as noites,do Natal até o dia de Reis,percorrendo as ruas,sítios ou residencias,sendo sempre bem recebido com seus cânticos. Compõe-se de tocadores de viola,caixa e pandeiro.
O congo é um auto popular brasileiro,de motivação africana,representando,no seu aspecto original,a coroação dos reis congos,que desfilam,cercados do bailado dos guerreiros. Não se tem pormenores sobre a dança dos congos ou reisados dos congos na Bahia.Mas,sabe-se que, em 6 de junho de 1760,foi apresentada a dança dos congos no paço do conselho da cidade de Salvador,festejando-se o casamento da princesa real,D.Maria I com D.Pedro III.
 O reinado de congo se compunha,então,de mais de 80 máscaras,com fardas ornamentadas de ouro e diamantes. 
as representações do Congo eram comuns em Portugal,durante as comemorações de Nossa Senhora do Porto.
 Na Bahia,atualmente,existe apenas o congo na cidade de Juazeiro,com adaptações que afastam do formato tradicional,entoando cânticos em louvor à virgem do Rosário,durante as suas comemorações,no último domingo do mês de outubro.
Estas manifestações são encontradas nos municípios de Alcobaça,Aratuípe,Barreiras,Conde,Conceição do Almeida,Ituaçu,Jacobina,Ibotirama,Morro do Chapéu,Lençóis,Palmeiras,Mucuri,São Felix,Porto Seguro,Santana,Santo Antonio de Jesus e Vitória da Conquista.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

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                     SERGIO RICARDO


O mariliense João Lutfi, que o Brasil todo conhece pelo pseudônimo de Sergio Ricardo (aí ao lado, em foto comigo no começo dos 90), está completando hoje 80 anos de idade.
Sérgio é um dos mais completos artistas brasileiros.
Ele praticou e ainda pratica um monte de profissões, entre as quais a de ator, instrumentista, locutor de rádio, cantor, compositor, roteirista e diretor de cinema.
Dentre seus filmes, talvez o mais conhecido - e aplaudido - seja A Noite do Espantalho, de 1974.
O primeiro que ele fez - um curta de 35 mm - data de 1962 e ficou em 2º lugar num festival realizado em San Francisco, Estados Unidos. Título: O Menino da Calça Branca.
Em 1964, ano do golpe que torturou, matou e fraturou o pensamento civil do País, Sérgio, a pedido de Glauber Rocha, compôs em 20 minutos a trilha sonora do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol.
Uma façanha, não?
Isso ele nos disse em 2008, durante encontro em que debatemos música, comportamento e política.
O encontro intitulado 1968: Cenas da Rebeldia, concorrido, ocorreu no Centro Cultural do BNB, em Fortaleza.
Como profissional da música, Sérgio Ricardo começou substituindo Tom Jobim numa casa noturna no Rio de Janeiro. 
No disco, pela extinta RGE, ele estreou cantando a toada Vai Jangada, de Geraldo Serafim e Newton Castro, e o samba canção Sou Igual a Você, de Alcyr Pires Vermelho e Nazareno de Brito, em setembro de 1957. 
Zelão, um de seus sambas mais famosos, lançado pela Odeon, foi gravado pela primeira vez, e por ele mesmo, no dia 31 de março de 1961.
Um dos momentos polêmicos e marcantes da vida de Sergio ocorreu na conturbada noite de 21 de outubro de 1967, durante a realização do III Festival da Música Popular Brasileira, no extinto Teatro Paramount, em São Paulo, quando sob uma tormenta de vaias ele transformou seu violão em cacos e o jogou à plateia em turbulência.
Parabéns, Sérgio, mais 80 procê.




DISCUSSÃO POLITICA CARACTERIZA O FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO DE RUA DO CEARÁ


A VIII edição do Festival Nacional de Teatro de Rua do Movimento de Agitação e Resistência da Cultura Popular  de Aracati no Ceará – Festmar que foi realizada no período de 05 a 08 de dezembro na cidade litorânea  Aracati tem como diferencial esse ano a defesa de 2% no orçamento do Município destinado para a cultura. Em diversas cidades do Ceará, os movimentos de culturas estão se articulando neste sentido, como é o caso da cidade do Crato. Outro ponto defendido no Festival é a criação de uma rede de grupos e coletivos de artistas da região nordeste com o caráter de contribuir no intercâmbio entre os artistas e o fortalecimento político e organizativo dos grupos.  

O Festmar vem se consolidando no Estado do Ceará. Esse ano reúne grupos de teatro dos Estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul.

O evento reúne 22 companhias e ocupam os espaços públicos da cidade como Praças e monumentos históricos do Patrimônio Artístico e Arquitetônico Nacional.

Para Teobaldo Silva, coordenador do Festmar, o evento surgiu em 1999, como um festival da cidade e posteriormente foi tendo uma abrangência nacional. Ele destaca que o evento ainda realizado com dificuldades financeiras. “Resistimos fazendo arte, pois acreditamos que ela é um instrumento político e desenvolvimentista importante para a população”, frisa Teobaldo.

Para Alexandre Lucas que integra o Programa Nacional de Cultura – PIA, uma rede de coletivos e artistas que trabalham com intervenções e performances,  é imprescindível a criação de canal de diálogo e mobilização política entre os artistas, como é a intenção do Festmar esse ano.     

O evento é apoiado financeiramente pelo Fundo Estadual da Cultura – FEC e conta com algumas parcerias locais, como  Casa da Cultura e uma empresa de contabilidade.                 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

PASTORIL PROFANO - VELHO DENGOSO - RECIFE - PERNAMBUCO







      POETA LEANDRO GOMES DE BARROS




O paraibano Leandro Gomes de Barros,pioneiro na publicação de folhetos rimados,é autor de uma obra vastíssima e da mais alta qualidade,o que lhe confere,sem exageros,o título de poeta maior da literatura de cordel. Nascido na Fazenda Melancia,Pombal,Paraíba,em 19 de novembro de 1865,faleceu no Recife,Pernambuco,em 4 de março de 1917,segundo alguns pesquisadores,vitimado pela  influenza espanhola.Deixou um legado de cerca de mil folhetos escritos,iniciada em 1889,embora centro cultural algum registre tal façanha. Foi ,porém, o maior editor antes de João Martins de Athayde,que o sucedeu. O vigoroso programa editorial de Leandro levou a Literatura de cordel às mais distantes regiões,graças ao bem sucedido projeto de redistribuição através dos chamados agentes.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Câmara Municipal de Muqui




                         BOI  PINTADINHO


Folguedo do boi registrado em algumas localidades de Minas Gerais,sul do Espirito Santo,vindo provavelmente do estado do Rio de Janeiro,onde é mais conhecido. Os brincantes,organizados em cordões - azuis e encarnados -, representam personagens como amos,filhas,vaqueiro,caboclo,doutores,vigário,criados,doutores,sargentos e padres,além de Pai Francisco e Catirina, e entes míticos e animais: damas e galantes,babao e papangu,burrinha,caboré,ema,urubu. Durante o folguedo,batem maracás,cantam versos e podem dramatizar o episódio da morte e ressurreição do boi.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012



Cena de O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho,

O FILME O SOM AO REDOR ENTRA NA LISTA DOS MELHORES DO ANO DO NEW YORK TIME


O filme O Som ao redor,do diretor pernambucano Kléber Mendonça Filho,foi incluído na lista dos dez mais relevantes produzidos este ano  promovida pelo jornal norte-americano The New York Times. A premiada produção de uma relação composta por películas dirigidas por nomes como Steven Spielberg(Lincoln),Quantin Tarantino(Django Unchained) e Kathryn Bigelow(Zero Dark Thirty).
O longa estréia dia 4 de janeiro de 2013 em cinemas do Recife,São Paulo e Rio de Janeiro. A Vitrine,distribuidora da película no Brasil,recebeu convites de salas de projeção em Brasilia e Porto Alegre interessadas em exibir o filme. O longa mostra o cotidiano de uma rua de classe média na Zona Sul do Recife que ganha novo rumo após a chegada de uma milícia. O filme está em cartaz na Holanda e nos Estados Unidos. A estreia na Polônia também será em janeiro. Em 2013,já tem participação confirmada em festivais na Suécia,Turquia,Finlândia e Trinidad e Tobago.
O Som ao redor ganhou prêmios nos festivais de cinema do Rio de Janeiro(Melhor Filme),São Paulo(Melhor filme),Gramado(Melhor Filme pela critica,Melhor filme pelo público e Melhor Diretor),Roterdã,(Melhor critica) e Copenhague(Melhor Filme). Em janeiro, o longa ainda concorre no festival Cinema Tropical Awards,em Nova Iorque,nas categorias Melhor Filme,Melhor Diretor e Melhor Primeiro Filme.  O Som ao redor é um drama orçado em R$ 1,8 Milhões,valor considerado baixo para os padrões dos grandes sucessos brasileiros. A produção foi gravada na capital pernambucana.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012




                                                VÉIO



Cícero Alves dos Santos, o Véio, é um artista sergipano que utiliza a madeira para representar o seu olhar inusitado sobre o homem e a vida no sertão nordestino. Nascido no município de Nossa Senhora da Glória em 12 de maio de 1947, o artista recebeu o apelido de Véio, por que desde criança gostava de ficar junto aos mais velhos escutando suas conversas. Hoje, Véio é um nome dos mais destacados na arte popular brasileira, tendo participado de importantes exposições no Brasil e no exterior. Suas obras ainda fazem partem do acervo de muitas galerias dedicadas à arte popular, assim como de muitas coleções particulares.
Véio começou a expressar sua admiração pelo sertão nordestino utilizando a cera de abelha, mas logo que “descobriu” a madeira, deixou a cera de lado e começou a expressar sua visão do sertão através da escultura em madeira: Eu comecei bem criança. Aos 5 anos, já fazia coisinhas com cera de abelha, que parece uma massa de modelar, mas, com o progresso chegando, as abelhas manduri foram embora. Depois tentei o barro. Não achei que era bom, porque tem que levar no fogo e aí deixa de ser barro. Então tentei a madeira. Aqui tem muita. A gente vai pegar nos loteamentos que abrem, nas derrubadas que fazem por aí, conta Véio. O Sítio Soarte, Museu do Sertão, criado por ele ao lado de sua casa, recria a vida do sertanejo e traz para os visitantes, esse universo do sertão nordestino através de obras como, a Casa de Farinha, a Casa de Profissões, a Igreja e o Sítio Caduco. O Soarte se localiza na BR 206, entre os municípios sergipanos de Nossa Senhora da Glória e Feira Nova, na altura do Km 8. Quem passar pelo lugar vai se deparar com um cenário curioso, formado por esculturas em madeira bruta que representam manifestações socioculturais criadas pelo olhar de Véio. São peças grandes, médias, pequenas e minúsculas. São noivas, grávidas, seres imaginários, chapéus de couro, utensílios domésticos, máquinas rústicas, roupas e acessórios que fazem parte da vida do sertanejo. Autodidata, Véio conta que a inspiração para sua obra foi dada por Deus: Quando a inspiração chega, posso criar qualquer coisa que esteja na mente do povo, desde a Marquês de Sapucaí às lendas e realidades do homem sertanejo. Vou em busca do material e deixo a imaginação tomar conta, pois temos muita riqueza a nível de história e cultura, conta o artista. Em suas obras, o artista tenta fazer uma espécie de alusão ao ciclo da vida: Digo que as peças novas trazem o valor da juventude e as velhas, já frágeis, que vão se destruindo pela ação da natureza, trazem a parte final da vida, explica Véio. Assim, suas peças, expostas a sol e chuva, têm vida curta, adoecem, envelhecem e morrem.

Além do seu museu particular, Véio tem peças espalhadas em vários lugares do mundo e do Brasil. No Brasil, suas obras podem ser encontradas no Memorial de Sergipe e no Museu da Gente Sergipana (Aracaju, SE). no Museu do Folclore Edison Carneiro (Rio de Janeiro, RJ), na Galeria Estação (São Paulo, SP), Museu do Homem do Nordeste (Recife, PE), na Galeria Pé-de-boi (Rio de Janeiro, RJ), entre outros. Além de livros de arte, a obra de Véio já foi retratada em cinco documentários. São eles: “Véio - Tradição e Comtemporaneidade”, “Nação Lascada de Véio”, “A Glória do Sertão”, “Véio – O filme”, “O Universo Simbólico de Véio” e a “Cavalhada de Poço Redondo”.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Foto: O casamento de Meirinha | #Gonzaga100

Tudo estava sob a meia luz do candeeiro: a noiva toda pronta, o pai, ansioso; na igreja, se remexiam as sombras desenhadas pela chama das velas. O caminho da casa para o altar era demasiado curto. Não havia caminho. Sair de casa era dar de cara com a Igreja de São João Batista. Mas o combinado era que o trajeto fosse feito com a energia elétrica ligada. Seria a primeira vez que a Fazenda Araripe veria as lâmpadas acesas. E justo no dia do casamento de Meirinha.

Leia aqui o quarto texto da série "Encontro com Luiz", especial da Secult-PE, assinado pelo repórter Chico Ludermir, em homenagem ao centenário de Gonzaga: http://bit.ly/Vyacui


 O CASAMENTO DE MEIRINHA

Tudo estava sob meia luz do candeeiro: a noiva toda pronta,o pai ,ancioso;na igreja,se remexiam as sombras desenhadas pela chama das velas. O caminho da casa para o altar era demasiado curto. Não havia caminho.Sair de casa era dar de cara com a igreja de São João Batista.Mas o combinado era que o trajeto fosse feito com  a energia elétrica ligada. Seria a primeira vez que a Fazenda Araripe veria lâmpadas acesas. E justo no dia do casamento de Meirinha.
Faltava somente uma autorização vinda de Serra Talhada para acionar a chave. E veio.Uma efusão em massa ecoou dentro da igreja,onde estavam aglomerados todos os moradores da região. Acenderam-se as luzes. Era a hora. Meirinha abraçou-se com o pai e adentrou naquele momento tão aguardado,ao som da marcha nupcial tocada na sanfona por Luiz Gonzaga ao lado de Dominguinhos. O Rei do Baião escolhera que este seria o presente para a conterrânea que ele vira crescer. O ano era emblemático 1968,que ficou marcado na cidade do Exu como o ano do centenário do Araripe. Depois do casamento,ainda houve duas semanas de festas que Meirinha e o marido Osmar não chegaram a ver,pois saíram em lua-de-mel.Mas,Luiz Gonzaga,o filho mais célebre da região,não só esteve presente como fez questão de levar música.
 Levou a composição  "Meu Araripe",que tocada até hoje como hino naquela terra. A letra singela fala dos "grandes" do lugar,como a heroína Barbara de Alencar e o Barão Gualter Martiniano Araripe. Dessa história lendária,Rosimeire guarda cada detalhe. Aliás,não só desta. Prestes a completar 70 anos,Meirinha sai puxando com naturalidade os fios de sua memória impressionante e compartilha,na sua forma bonita de contar. Com cada erre puxado,sertanejo,vai emaranhando as lembranças.Muitas delas divididas com Gonzaga. Trinta anos mais nova que o mestre Lua, Rosimeire Aires de Alencar,em verdade,faz parte da família dos donos da fazenda.Terra que passou do seu avô,Manoel Aires de Alencar(Coronel Manelaires,prefeito duas vezes da cidade do Exu),para o pai,Clóvis,e seus filhos. Mesmo morando longe,em Petrolina,Rosimeire e seus irmãos ainda mantêm casas ali. Seu Januário e Madrinha Santana eram "agregados",como se chamavam os trabalhadores que também moravam na fazenda. E todo mundo se tratava por compadre e comadre.Quando nasceu Meirinha,Gonzaga já tinha ganhado o mundo depois de ter perdido um amor. Ouvia falar do "parente" nos bates papos nas calçadas,muitas vezes ao lado de uma fogueira para acalentar o frio das noites do Sertão. "Gonzaga tinha ido embora,porque tinha arranjado uma namorada e os pais achavam que havia uma disparidade social. Não queriam que Gonzaga levasse avante o namoro com essa moça que se chamava Nazarena,diziam". E Meirinha escutou essa história muitas vezes. Foi só em meados de 1940 que tiveram noticias concretas de Luiz.Certa vez,chegou uma carta dele avisando que estava para assinar contrato com uma rádio no Rio de Janeiro,e que tocaria duas vezes por semana. Na casa dos Alencar,tinha um rádio de pilha que o compadre Clóvis movimentava os ponteiros todas as terças e quintas. O programa começava com um aboio e a gente logo identificava. O que ele cantava depois era a essência do ser humano daqui do Nordeste.Saudade,alegria,tristeza,fauna e flora,tudo isso Gonzaga cantou. E cantou despejando todo um sentimento de exílio ",conta Rosimeire. A primeira volta de Luiz Gonzaga pro Araripe aconteceu quando Meirinha era criança. A vontade que ela tinha era de ir pra casa de comadre Santana e não sair mais de lá. "Mamãe dizia: ' O pouco parece bom e o muito sempre aborrece ",lembra. Mas é que ele pegava a sanfona e aquilo deleitava a gente",justifica. A admiração de criança se mantém junto a recordações de uma vida inteira,com momentos bons e ruins. No tempo da "guerra do Exu",conflito entre as famílias Alencar,Sampaio e Saraiva,uma pessoa conhecida como Coronel Chico Romão arrebentou toda a casa de Rosimeire:portas,janelas .mesas ,camas.Levaram joias,dinheiro. " A sorte é que não tinha ninguém em casa,porque era tempo de levar o gado para serra(do Araripe)". Mas nessa passagem,eles pegaram Seu Januário e arrastaram pelo chão,o que desgostou muito Gonzaga e foi um dos principais motivos de ele ter levado toda a família para o Rio de Janeiro(como conta Joquinha Gonzaga). "Mas você sabe que não se transplanta uma árvore velha. Januário e Comadre Santana passavam uma temporada por lá,mas logo dava urgência de voltar",explica. Numa vinda de Minas Gerais,Luiz Gonzaga sofreu um acidente de carro que lhe cegou um olho e arrancou três dedos de sua mãe. Para se recuperar,o rei fez promessa para Nossa Senhora da Penha e daí veio uma de suas composições bonitas. " Isso tudo toca muito a gente,porque vivemos esses momentos. Os apuros da vida dele... "
A última lembrança marcante que Meirinha tem do amigo também vem em forma de canção. No dia do seu último show no Recife,quando Gonzaga tocou o " Xote ecológico",Rosimeire chorou por duas horas. " Eu não assimilei os problemas ecológicos naquele dia. Assimilei o problema de Gonzaga. Achei que quem tava morrendo,se acabando e que não podia respirar era ele. Eu pensava nele se acabando e a gente ficando sem ele. Dói,né ? Afinal de contas,ele foi um rei,mas um rei amigo,querido e estimado por todos nós."

Chico Ludermir

domingo, 16 de dezembro de 2012

Foto: #Gonzaga100

Salve, Mestre Lua! A festa aqui no Exu ainda não acabou e o forró não para! Hoje, com direito a chuva! Embaixo do famoso pé de juazeiro, no Parque Aza Branca, o povo continua celebrando a arte de Gonzagão. 

Foto: Marcelo Soares


Salve,Mestre Lua ! A festa em Exu não acabou e o forró não para !  Hoje,com direito a chuva ! Embaixo do famoso pé de juazeiro,no Parque Aza Branca,o povo continua celebrando a arte de Gonzagão.

Foto: #Gonzaga100

Sob o juazeirinho do Parque Aza Branca, acontece agora a Missa em homenagem ao Centenário de Luiz Gonzaga.

Em Pernambuco, acompanhe pela TV Globo.

Ou pelo G1 Pernambuco: http://g1.globo.com/pernambuco/centenario-de-luiz-gonzaga/videos/v/transmissao-ao-vivo/1815366


Sob o juazeirinho do Parque Aza Branca,aconteceu às 5h,deste domingo,Missa em homenagem ao Centenário de Luiz Gonzaga,celebrada pelo Bispo da Diocese de Salgueiro, Dom Frei Henrique Magnus
Lopes.


Foto: #Gonzaga100

Ontem, no dia em que o Rei do Baião completaria 100 anos, o povo do Exu assistiu ao filme "Gonzaga - De pai pra filho" e acompanhou na telona a história do filho ilustre da cidade. A exibição gratuita aconteceu no Parque Aza Branca e emocionou o público. 

Foto: Eric Gomes


Depois de três dias de muito forró pé-de-serra, o Palco Gonzagão, no Exu, se despede hoje com shows a partir das 21h. No último dia de festa, dois projetos foram preparados especialmente para a ocasião. 

O primeiro deles, Sanfona de Január
io, é formado por oito forrozeiros e sanfoneiros. São eles: Genaro, Beto Hortis, Agostinho do Acordeon, Camarão, Zé Bicudo, Mahatma, Cezzinha e Dudu do Acordeon.

Já o projeto Xote das Meninas reunirá um time feminino formado por Cristina Amaral, Edilza Aires, Irah Caldeira, Liv Moraes, Nádia Maia, Patrícia Cruz, Terezinha do Acordeon e Walkiria Mendes.

A noite conta ainda com os shows de Novinho da Paraíba e Jorge de Altinho.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Gonzagão 100 anos | Shows 12/12

Foto: #Gonzaga100

Hoje, a cidade do Exu recebe Elba Ramalho, no Palco Gonzagão!  Além dela, ainda tem shows com Joãozinho de Exu, Amazan e Waldonys. 

O Parque Aza Branca, também no Exu, e a Praça do Arsenal, no Recife, também recebem grandes nomes do forró. Veja a programação completa no site: www.gonzaga100.com

Hoje, a cidade do Exu recebe Elba Ramalho, no Palco Gonzagão! Além dela, ainda tem shows com Joãozinho de Exu, Amazan e Waldonys. 

O Parque Aza Branca, também no Exu, e a Praça do Arsenal, no Recife, também recebem grandes nomes do forró.







Por Dora Amorim
Também subiram ao palco principal do Exu Dominguinhos e Daniel e Joquinha Gonzaga
No dia 13 de dezembro de 1984, Gilberto Gil estava no Exu para celebrar o aniversário de Luiz Gonzaga, ao lado de nomes como Gonzaguinha, Dominguinhos e o sanfoneiro Waldonys, que só tinha 10 anos na época. À noite, quando foram para o sítio de Seu Lula, o baiano observou os sapos saltitando, o barulho dos trovões de longe e escreveu um das suas maiores homenagens ao Rei do Baião: a música “Treze de dezembro”. Quando Gilberto Gil cantou esta mesma canção na noite desta quinta-feira (13/12), 26 anos depois, o público do Palco Gonzagão acompanhou a homenagem, entoando os versos: “E a treze de dezembro nasceu nosso rei/ O nosso rei do baião/ A maior voz do Sertão”.
Quando Gonzagão completaria 100 anos, Gilberto Gil estava mais uma vez presente na terra natal do seu mestre, deste vez como um dos grandes nomes da festa do centenário. Durante a apresentação, o cantor baiano celebrou Seu Lula durante quase duas horas e incluiu no seu repertório canções significativas do sanfoneiro pernambucano, como “Óia eu aqui de novo”, “Xote das meninas”, “Respeita Januário” e “Vem morena”. E também fez toda a plateia dançar com músicas de sua autoria, como a canção “Vamos fugir”, uma das mais celebradas da noite.
Seguidor de Luiz Gonzaga, Gilberto Gil não escondeu o entusiasmo por estar participando da festa do centenário. Ele comentou sobre a sua relação com Gonzaga e disse que considera o sanfoneiro um pai musicalmente. “Foi ele e a música dele, o alumbramento dele, o seu espírito elevado que me influenciaram na infância e me ajudaram a compreender a música”, lembrou. “Ainda é pouco tudo que a gente faça para homenageá-lo”, completou.




A abertura da noite ficou por conta de Daniel Gonzaga, neto de Seu Lula que animou o público do Palco Gonzagão. “Quero cantar no pé da serra, nesta cidade que sempre me acolheu tão bem”, lembrou antes de entoar os versos de “No meu pé de serra”, uma das canções mais significativas do avô. Emocionado, Daniel ressalvou a importância de Luiz Gonzaga para a música e a história do País e cantou ainda “Vida do viajante”, “Xote das meninas” e “Riacho do navio”.
Dominguinhos, parceiro de Gonzaga e um dos maiores responsáveis por divulgar o seu legado até hoje, também fez parte do dia oficial do centenário. Ele começou o concerto afirmando que o centenário é apenas um número e que Seu Lula deve ser louvado independente das datas comemorativas. Num dos momentos mais significativos da noite, cantou “Asa Branca” e falou da seca: “Nunca foi tão necessário tocar ‘Asa branca’ novamente. A seca está muito grande e está matando tudo, mas não vai demorar muito para a água voltar a bater por aqui e nós vamos parar de tocar um pouco esta canção”.
O sobrinho de Gonzagão, Joquinha Gonzaga fechou a noite e não deixou de homenagear o tio, com um repertório repleto das suas canções. Esta sexta é é a vez de Joãozinho do Exu, Amazan, Elba Ramalho e Waldonys celebrarem o centenário no Palco Gonzagão, também a partir das 21h.



No dia 13 de dezembro, a cidade do Exu acordou diferente. Desde cedo, várias pessoas foram para as ruas celebrar o Rei do Baião e cantar as suas músicas. Há nove anos, Mira Vilas-Boas vem ao Exu, com um grupo de amigos, celebrar o aniversário de Seu Lula, na sua terra natal. No ano do centenário não podia ser diferente. “Somos um grupo que gosta e faz forró, então, para todos nós Luiz Gonzaga é tudo. É mais que uma inspiração”, lembrou. Para José Manuel Filho, natural do Exu, Luiz Gonzaga mudou a cidade: “Ele foi uma astro do mundo. Ele fez a cidade do Exu ficar conhecida e maravilhosa para todos.  Cheguei a conhecê-lo, foi rápido e muito significativo”, completou.






EXU
PALCO GONZAGÃO 
Módulo Esportivo -
A partir das 21h 
Quarta-feira, 12/12 
(Abertura às 19h30)
- Orquestra Sinfônica de Teresina com João Cláudio 
-
- Zénilton
- Chambinho do Acordeon
- Santanna
Quinta-feira, 13/12 
- Daniel Gonzaga
- Dominguinhos
- Gilberto Gil 
- Joquinha Gonzaga
Sexta-feira, 14/12
- Joãozinho de Exu
- Amazan
- Elba Ramalho
- Danilo Pernambucano
- Waldonys
Sábado, 15/12 
- Sanfona de Januário
Genaro, Beto Hortis, Agostinho do Acordeon, Camarão, Zé Bicudo, 
Mahatma, Cezzinha e Dudu do Acordeon 
-  Xote das Meninas
Cristina Amaral, Edilza Aires, Irah Caldeira, Liv Moraes, Nádia Maia, 
Patrícia Cruz, Terezinha do Acordeon e Walkiria Mendes
- Novinho da Paraíba
-  Jorge de Altinho
PALCO AZA BRANCA
Parque Aza Branca -
A partir das 20h 
Quinta-feira, 13/12
- Taís Nogueira e João Silva (com participação especial de Dominguinhos)
- Josildo Sá
- Alcymar Monteiro 
- Adelmário Coelho 
Sexta-feira, 14/12
- Luizinho Calixto, Zé Calixto e Truvinca
- Trio Nordestino 
- Quinteto Violado 
- Flávio Leandro 
Sábado, 15/12
-  Bia Marinho / Em Canto e Poesia
- Maria Lafaete (com participação de Sérgio Gonzaga)
- Projeto Meu Araripe 
Os Gonzaguinhas, Fua Carvalho, Zezinho de Exu, Forrozeiros do 
Gonzagão, Ana Paula Nogueira, Maurício Jorge, Leonardo Luna, Edgar 
do Cedro, Baião Mais Eu, Sarah Leandro, Sotaque Nordestino
- Maciel Melo 
PALCO JUAZEIRO
Parque Aza Branca
Domingo, 16/12 
5h – Missa em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga 
Celebrada por Dom Magnus Henrique Lopes (bispo da Diocese de 
Salgueiro) e padre Domingos Pedro da Silva (administrador paroquial de 
Exu) 
A partir das 15h
- João do Pife e Banda Dois Irmãos
- Ivan Ferraz
- Bel Lima
- Jaiminho de Exu
- Claudiana di França
- Toinho do Baião
- Dijesus
PALCO ARARIPE
Fazenda Araripe
Quinta-feira, 13/12 (a partir das 9h)
- Seguidores do Rei 
- Os Cabas de Gonzaga
- Chá Cutuba 
- Vital Barbosa 
- Epitácio Pessoa 
- Donizete Batista 
- Leninho de Bodocó 
- Tárcio Carvalho 
- Coral de Aboios de Serrita
- Flávio Baião 
- Antônio da Mutuca
- Os Três do Cariri 
AUDIOVISUAL
Quarta-feira, 12/12 
19h - II Cine Exu – Mostra Sertões do Estado de Pernambuco 
Local: Parque Aza Branca
Quinta-feira, 13/12
17h30 - Exibição gratuita do filme “Gonzaga, de pai para filho”
Com a presença do diretor Breno Silveira
Local: Parque Aza Branca 
Dias 14 a 15/12 
19h - Mostra Itinerante Cinema na Estrada
Programação: 
- Boi Ventania (ficção, 14 minutos, PE, 2010), de Marcos Carvalho, Ednéia
Campos e Herbert Santos
- Até o Sol Raiá (animação, 12 minutos, 2008), de Fernando Jorge e 
Leandro Amorim
- Zé Monteiro – O Homem que venceu as 5 mortes (documentário, 20 
minutos, 2012, PE), de Wilson Freire
- Dia Estrelado (animação, 17 minutos, 2011), de Nara Normande
- Exu de Gonzaga, (documentário, 20 minutos, 2012, PE), de Guida Gomes
Locais:
14/12 - Praça de Eventos de Bodocó  
15/12 - Distrito de Tabocas (Exu)
CULTURA POPULAR 
Quarta-feira, 12/12 
17h – Apresentação do grupo “Caboclinho 7 Flexas” 
Local: Parque Aza Branca
DANÇA
Quarta-feira, 12/12 
18h – Apresentação “Xaxado, Meu Bem Xaxado – O Centenário de Luiz 
Gonzaga” 
Grupo de Xaxado Cabras de Lampião (Serra Talhada-PE)
Local: Palco Juazeiro (Parque Aza Branca)
CULTURA LIVRE NAS FEIRAS
Terça-feira, 11/12 
8h - Apresentações na Feira Livre de Timorante
Ivonete Ferreira, Forrozeiro Léo Barros, Hellen e Mistura Nordestina
Quarta-feira, 12/12
8h - Apresentações na Feira Livre de Granito 
Poetisa Socorro Oliveira, Grupo Pisando no Terreiro (dança), Encontro de 
Aboiadores (Pedro Brígido e Antônio), Forró Raízes do Brígida 
Sábado, 15/12 
Apresentações na Feira Livre de Exu 
7h - Roda de Contos e Prosa com Amigos do Araripe
8h - Saída em Caravana no Pau de Arara com os sanfoneiros de Exu 
(William Sanfoneiro, Jonnes, Serginho Gomes, Boiadeiro Franco, Ed 
Carlos do Exu, Clebson, Mauro Sanfoneiro, Dijesus, Epitácio Pessoa, Vital 
Barbosa, Elmo Oliveira e Januário)
9h - Causos contados por amigos exuenses de Luiz Gonzaga
10h - Cortejo com a Banda Cabaçal Exuense, Grupo de Flautista Sabiás e 
a chegada no Pau de Arara com os Sanfoneiros de Exu
11h – Forró de encerramento com Joãozinho de Exu e convidados
FEIRAS DE CULTURA
Sábado e domingo, 15 e 16/12
9h às 17h - Culminância do projeto Feiras de Cultura das Escolas Públicas, 
com participação de alunos de Araripina, Exu, Granito, Ouricuri e 
Trindade. Exposição de pesquisas sobre os patrimônios culturais de cada 
município e produções dos estudantes das redes públicas de ensino. 
Local: Praça da Catedral de Exu
FORMAÇÃO CULTURAL - EXU 
OFICINAS 
Xilogravura 
Facilitador: José Lourenço 
Data: 11 a 14/12  
Horário: 14h às 18h
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar


FORMAÇÃO CULTURAL - EXU 
OFICINAS (cont.)
Cineclubismo
Facilitador: Natália Lopes e Marlova  
Data: 11 a 13/12                                                                                                           
Horário: 14h às 18h
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 
Cinema de animação e lançamento da animação “A volta da Asa 
Branca”
Facilitador: Lula Gonzaga 
Data: 10 a 14/12                                                                                                         
Horário: 14h às 18h
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 
Oito Baixos (Iniciação)
Facilitador: Luizinho Calixto  
Data: 05 a 14/12                                                                                                         
Horário: 14h às 18h
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 
A ressignificação da indumentária de Luiz Gonzaga.
Facilitadoras: Rebecca 
Menezes e Roberta Duarte
Data: 10 a 14/12                                                                                                         
Horário: 14h às 18h
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 
Patrimônio e Preservação
Facilitadores: Diomedes Neto e Mário Gouveia 
Data: 12/12                                                                                                                                       
Horário: 9h às 17h 
LOCAL: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 
Nas Teias do Patrimônio
Facilitadores: Diomedes Neto e Mário Gouveia 
Data: 10 a 11 /12
Horário: 9h às 12h
Local: Escola de Referência de Exu
WORKSHOP 
Xaxado
Facilitadores: Integrantes do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião
Data: 12/12 
Horário: 14h às 17h        
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 
COLÓQUIO – 100 ANOS DO REI DO BAIÃO
Dias 12 e 13 de dezembro, em Exu-PE e no Crato-CE




           DE TIO PARA SOBRINHO


A memória de Joquinha Gonzaga está cheia de retratos não tirados e objetos não guardados. O sobrinho de Luiz Gonzaga nasceu no núcleo nordestino que o tio construiu no Rio de janeiro,lugar onde remontou uma realidade sertaneja,muito parecida com a de Exu. Tudo isso para ter os familiares por perto. Mesmo tendo vivido toda infância e adolescência ao lado de Gonzagão, Joquinha nunca se preocupou de guardar nada material. Achava que o tio ia ficar para sempre. A trajetória do sobrinho está completamente entrelaçada à  de Luiz. E muito antes de vir ao mundo. Do lugar onde nasceu  à escolha da sua profissão. desde quando ganhou seus primeiros trocados,Gonzagão planejou levar toda familía para o Rio de Janeiro. E assim fez. Logo que pode,levou Santana e Januário,seus pais, e as quatro irmãs para viverem perto dele.Doido que os parentes ficassem,Luiz Gonzaga resolveu o problema.Adaptou a realidade aos seus conterrâneos. Comprou uma casa em Duque de caxias,em um lugar chamado Santa Cruz da Serra. E os sertanejos lá prepararam a terra,começaram a plantar,criar animais e viver a vida como gostavam. " Quem for se casando,eu vou dando  um pedaço de terra " prometeu o artista as irmãs. E a primeira que se casou foi Muniz. E o primeiro a nascer foi João Januário de Maciel,Joquinha. Ali conviveram irmãos ,primos,tios e avós.Casando e morando lado a lado,numa grande vida em comunidade,em família. " Foi na fazenda,no Rio de janeiro,onde eu comecei a viver o nordeste ", conta Joquinha, lembrando da fase da qual sente muitas saudades. Dos tempos difíceis de Exu, o sobrinho mais velho de Gonzagão só ouviu falar. Viveu uma infância pacata no Rio de Janeiro.
"Tio Gonzaga era uma pessoa perfeita.Fez o possivel para adquar sua vida como artista a de um cidadão comum ",conta Joquinha. " E não tinha ganância.Vivia da música.Tinha um coração enorme". O engraçado,para joquinha,é que,o hoje mítico Luiz Gonzaga,era apenas seu tio. Por isso mesmo,nem ele nem ninguém da familia se preocupava em guardar nada dele. Nem retrato,nem objetos. " A gente só atentou para isso depois que ele faleceu."
Gonzaga no auge da carreira,viajava muito. Passava meses fora,mas sempre voltava para Santa Cruz da Serra para visitar as irmãs. Levava não só noticias do Exu,mas também pequi,carne de sol,bode seco,feijão de corda,e fazia farras tocando sanfona e contando história. Vez ou outra,levava também algum conterrâneo para visitar e comer buchada e galinha de capoeira.Dominguinhoa,Trio Nordestino,Marinês,Jackson do Pandeiro,Noca do Acordeon tocava forró no Rio de janeiro como se fosse em Pernambuco. foi naquele núcleo nordestino-carioca que nasceu e se criou Joquinha.Estudando,tinha pouco interesse pela tradição familiar da música. Mas um dia,perto dos 14 anos,o tio chegou com uma sanfoninha de presente. " Eu penso que ele achou que eu tinha cara de sanfoneiro e me escolheu. Aí me deu uma sanfona de oito baixos. E eu comecei a tocar",Conta.
Um ano depois, Joquinha já desenrolva bem a sanfona. E ganhou do tio um acordeon. Foi aprendendo cada vez mais,até nascer como sanfoneiro. Mais um na família. O único dos sobrinhos. A partir daí,todas as vezes que Gonzaga ia dar um presente uma sanfona a alguém,primeiro perguntava se Joquinha queria trocar. " Se você gosta mais dessa do que da sua,pode ficar pra você ", dizia Lua. 
"Aprendi vivendo. Tio Gonzaga me ensinando,me puxando,me cobrando e procurando me orientar.E depois que ele notou que eu tava tocando,ele começou a me levar pros shows ". Foi só após de servir quatro anos no exército que  Joquinha entrou mesmo no circuito. A primeira viagem oficial com o tio foi em 1975,aos 23 anos. Joquinha era chamado para um momento de show de Luiz.
Mas em 1989 Tio Gonzaga se foi e ele ficou. Como representante da família, o sobrinho procura fazer  aquilo que o tio ensinou. Há 16 anos,tomou a decisão de morar no Exu. Uma forma também de continuar conectado com a tradição. " Tenho um carinho muito grande poe essa terra que foi tão cantada pelo meu tio. É daqui que eu venho.Gosto do sertão,do povo,da maneira que o povo vive aqui. E aqui vou ficando..."
Assim como Joquinha,um dos seus filho parece ter tido um destino traçado antes de nascer. Luiz Januário,de 6 anos,dorme ao som de um mantra recitado pelo pai: "Você vai ser sanfoneiro,você vai ser sanfoneiro". " Já comprei até uma sanfona. Tá danado de ele não ser ",brinca, E quando alguém pergunta a Luiz Januário sobre seu futuro,ele responde sem dúvida: " Eu quero ser baterista."

"Que baterista ,filho da égua ? Você tem que ser sanfoneiro ",debocha o pai.

Por Chico Ludermir

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Foto: http://www.gonzaga100.com/especial/

Esse é o especial que fiz pela Secretaria de Cultura. É uma homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga. Como não sei fazer biografia, nem sou especialista em música, fiz o que sei melhor. Escutei com carinho essas cinco pessoas. E narrei, com todo cuidado o que ouvi. 

Encontro com Luiz

A história de um se faz com a de muitos. Raimunda, Joquinha, João, Meirinha, Dijesuis, Dominguinhos e Priscila são alguns dos nomes que ajudam a dar sentido a uma vida chamada Luiz. Se é no outro que nossa existência se amplia, se prolonga, ganha significado, então estes encontros entre Gonzaga e seus conterrâneos, compadres, comadres e conhecidos, narrados aqui pelo repórter Chico Ludermir, só alumiam a ideia de que um mito também se constrói com vidas comuns. No caso de Gonzagão, isso parece ser ainda mais verdade, já que sua existência passa pela ideia de um Nordeste tão próximo da gente. Que a leitura do especial “Encontro com Luiz” leve você, então, pra bem junto dele, como são estes narradores achados por Chico.

Olívia Mindêlo (editora)



 A SORTE DE RAIMUNDA


Em 1912,na noite de 13 de dezembro,dia de Santa Luzia,caiu uma estrela que clareiou o quarto de Madrinha Santana.  A mulher que tinha acabado de parir ficou com o fato na memória. Era sinal de que seu menino teria sorte na vida. O nascido ganhou o nome de Luiz,como tantos que vêm ao mundo no dia santo,e cresceu numa vida tipicamente sertaneja da primeira metade do século 20. Vida igualzinha à de Raimunda Souza,narradora desta história com ares de realismo fantástico. Aos 77 anos,Raimunda ainda mora na Fazenda Araripe,no Exu,onde durante boa parte da vida viveu Januário e Santana,além do próprio Luiz Gonzaga,filho do casal. " Deus deu uma boa sorte a ele. E graças a Deus a vida dele foi boa ", conta a senhora baixinho,como que em segredo. O tom de sussurro revela muito: uma voz fraquinha,cansada,própria da idade; uma vergonha casada com humildade que quase impediu que ela subisse o olhar;uma calma dos que vivem na zonal rural da pequena Exu,silenciosa,tranquila; e até um pesar por não ter tido a mesma sorte. Raimunda  nasceu na Fazenda Águas Belas,administrada por Sincinato Sete,que também era dono da Araripr. Naquele regime hibrido,Seu Sincinato era,ao mesmo tempo,patrão e parente. Ele era o chefe,mas da família também ", explica. De lá, ela se mudou para Monte Belo até que chegou à casa  em frente à de seu Januário e Santana. Viveu a vida inteira da agricultura:roça das terras dos outros,plantando e colhendo milho,feijão,algodão e no duro trabalho de fazer corda de caroá. Hoje em dia, aposentada,é a cuidadora da igreja da fazenda da qual ela mostra a chave,toda orgulhosa. 


"Eu nem sabia que tinha esse pessoal por aqui", começa ela  se justificando,se referindo à reportagem. " Eu moro ali do lado do armazém", aponta,sinalizando que vive também na frente de uma rosa,para onde Luiz Gonzaga voltou em 1946,depois de 16 anos distante de casa.
Por morar ali, a senhora lembra com riqueza de detalhes do seu conterrâneo mais célebre.
" Recordo de tudo como se eu estivesse vendo ", assegura,ao mesmo tempo em que revela seu parentesco com o Rei do Baião. Januário era primo legítimo de Manuel Jerônimo,pai dela.
"Eu digo que sou prima não é pra juntar,não. É porque ele me considerava mesmo. E não é nada demais, "  afirma quase com medo de ser desacreditada. Além disso,Júlia,mãe de Raimunda,e Luiz Gonzaga eram compadres. " Vocês não sabem não,nas na época de São João,tem essa história de um tomar outro por compadre enquanto a fogueira tá queimando ",explica,bem explicado,falando da tradição de batismo nos festejos juninos. No dia em que Luiz Gonzaga voltou pro Exu,episódio relatado na gravação da música " Respeita Januário ", Raimunda estava na roça,apanhando feijão. " Minha filha,se arrume pra ir pro Araripe que compadre Gonzaga chegou", disse Júlia pra filha.Quando as duas chegaram na Fazenda Araripe,Luiz Gonzaga estava sentado numa cadeira de Bodocó,tocando.Quando ele viu Júlia,foi logo se animando: " Comadre Júlia ! Comadre Júlia ",e começaram a palestrar,como se diz por lá. Essa é a lembrança de Raimunda. De um Luiz Gonzaga feliz de ter voltado depois de um longo tempo longe da terra natal.  E chegava cheio de novidades. Desde que saiu,já tinha servido às forças armadas,no Ceará,e depois feito fama no Rio de Janeiro. " Em frente aquela casinha rosa,eu o vi tocando durante muito tempo.Ele era novo e eu achava ele bonito ", conta com um sorriso tímido.
Casa onde morou a família de Januário - Fazenda  Caiçara(Araripe) Exu- Pernambuco


Por Chico Ludermir



VIVA A CHEGANÇA E O MESTRE JUVÊNCIO



Em junho de 1940,Juvêncio Joaquim dos Santos dava início à trajetória da Chegança Cruzador São Paulo. Nascido em São Miguel dos Campos,cidade do estado de Alagoas,reside no município de Rio Largo desde 1937. Foi nesta  segunda cidade onde teve contato com os folguedos populares e conheceu os primeiros mestres. Mestre Juvêncio seguiu durante seis décadas a frente da nau que leva o nome da maior cidade do Brasil. Em homenagem a terra da garôa,numa comparação com a grandeza e importância da Chegança. Conhecido por sua elegância e educação,mestre Juvêncio poderia ser confundido com alguma autoridade da Marinha. Na figura do mestre patrão,ele guiou em tempos gloriosos a nau da Chegança Cruzador São Paulo.Por seus trajes bonitos e bem elaborador e pelo porte altivo de seus integrantes,o folguedo sempre recebia elogios por onde passava. Ele explica com cuidado a composição da brincadeira e a formação do folguedo natalino em Alagoas. " Dança do século VXIII ou folguedo popular na festa natalina,onde é armado em praça pública grande barco ou nau de guerra e onde seus folgazões ou marujos figuram uma expedição naval." O mestre que teve reconhecimento  do Governo do Estado,por meio do Registro do Patrimônio Vivo,conta que no período natalino a Chegança sempre foi um dos folguedos mais requisitados. acompanhado por pandeiristas,o grupo dança e canta -  músicas que  em coro puxado pelo mestre -  música que demonstra a vida do homem do mar,sobretudo dos marinheiros das embarcações a vela que só viajavam sobre a força do vento e do remo. Em meados da década de 80,preocupado com a situação dos grupos de folguedos,mestre Juvêncio procurou a Secretaria de Estado da Cultura(Secult) e conheceu o professor Ranilson França.Deste encontro,surgiu,em 1985,a Associação de Folguedos,onde ocupa o cargo de presidente de honra.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Por Montserrat Bevilaqua


 O FREVO PERNAMBUCANO É PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE


Durante a 7ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, realizada na sede da Unesco, nesta quarta-feira (05), a candidatura do Frevo – Expressão Artística do Carnaval do Recife como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade foi aprovada. A ministra da Cultura, Marta Suplicy,  a presidenta do IPHAN, Jurema Machado e autoridades brasileiras estiveram presentes na solenidade.

Marta comemorou o resultado: “É extremamente importante a escolha do frevo. Ele é uma força viva. Para nós, o frevo junta dança, música, artesanato. É um enorme orgulho, ter todas estas capacidades reconhecidas.”. A ministra ressaltou, também, que “ter essa possibilidade de reconhecimento em nível internacional, ajuda manter e preservar nossa riqueza.”.

Anunciada a aprovação, a ministra discursou em agradecimento e valorização da importância do reconhecimento que o Frevo obteve. Marta também mencionou o prefeito de Olinda, Renildo Calheiros, que estava presente e foi bastante aplaudido.

Jurema Machado explicou que o Frevo foi inscrito pelo Iphan no Livro de Registro das Formas de Expressão em fevereiro de 2007. Esse é o primeiro passo para todo o trâmite que se encerrou com a aprovação do Frevo como Patrimônio Imaterial da Humanidade no dia de hoje: “Toda tramitação de candidatura é baseada na convenção existente, um conjunto de normas divididas em categorias. O país interessado prepara um dossiê dentro das regras, há uma análise técnica por órgãos que assessoram a Unesco, depois vai à plenária para votação”.

“O reconhecimento da UNESCO sempre dá maior visibilidade e salvaguarda de proteção para os bens, tantonacional quanto internacionalmente.” completou Jurema.

Entre os países membros do Comitê presentes em Paris, além do Brasil, estiveram Albânia, Azerbaijão, Bélgica, Burkina Faso, China, República Checa, Egito, Espanha, Grécia, Granada, Indonésia, Japão, Quirguistão, Letônia, Madagascar, Marrocos, Namíbia, Nicarágua, Nigéria, Peru, Tunísia, Uganda e Uruguai.

É uma forma de expressão musical, coreográfica e poética, enraizada no Recife e em Olinda, no Estado de Pernambuco.

Trata-se de um gênero musical urbano que surgiu no final do século XIX, no carnaval, em um momento de transição e efervescência social como uma forma de expressão popular nessas cidades.

O Frevo é formado pela grande mescla de gêneros musicais, danças, capoeira e artesanato. É uma das mais ricas expressões da inventividade e capacidade de realização popular na cultura brasileira. Possui a capacidade de promover a criatividade humana e também o respeito à diversidade cultural. As bandas militares e suas rivalidades, os escravos recém-libertos, os capoeiras, a nova classe operária e os novos espaços urbanos foram elementos definidores da configuração do frevo. Do repertório eclético das bandas de música, composto por variados estilos musicais, resultaram suas três modalidades, ainda vigentes: frevo de rua, frevo de bloco e frevo-canção. Desde suas origens, o frevo expressa protesto político e crítica social em forma de música, dança e poesia, constituindo-se em símbolo de resistência da cultura pernambucana e expressão significativa da diversidade cultural brasileira.
O Frevo se concentra nos bairros centrais do Recife (considerados o território embrionário do frevo), no Sítio Histórico de Olinda e bairros olindenses de Águas Compridas, Bairro Novo, Caixa D’água, Jardim Atlântico e Peixinhos. O frevo ocorre, também, em outras cidades brasileiras: Brasília – DF, Campina Grande – PB, João Pessoa – PB, Maceió – AL, Rio de Janeiro – RJ, São Paulo – SP e Salvador – BA.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Por Dalton Costa






          BARCO-MUSEU SANTA MARIA




Um ano depois,o barco-museu Santa Maria volta a navegar nas águas do Rio São Francisco no trecho entre as cidades  Piranhas e Pão de Açucar,no sertão de Alagoas.A embarcação chegou nesta sexta-feira(7/12/2010) e vai até a próxima terça-feira(11/12/12),a antiga embarcação de passageiros passa pelos povoados Ilha do Ferro e Entremontes realizando oficinas de fotografias,videos e cinema de animação para crianças,adolescentes e adultos. As ações culturais são gratuitas e contam com arte-educadores de Maceió e artistas da própria região.
 O time é reforçado com a participação de diretor de curtas Ricardo Elia,do Rio de Janeiro e o professor do Anima Escola. Enquanto estiver ancorado,o barco-museu oferece visitas dirigdas com explicações sobre dezenas de esculturas que fazem parte do acervo da embarcação.

 Para a maioria dos moradores dessas cidades ribeirinhas,será o primeiro contato com expressões artísticas como fotografias e produção de vídeos. " Nossa missão é justamente possibilitar o acesso à arte para centenas de crianças e adolescentes afastados do centro cultural de Maceió e que nunca tiveram experiência artísticas", explica a artista Maria Amélia Vieira,idealizadora do projeto chamado "Cinema no Balanço das Águas " do Museu Coleção Karandash de Arte Popular e Contemporânea. De acordo com ela,foram feitas vários reparos na embarcação para garantir a segurança da tripulação e dos visitantes. 
Numa viagem cultural.A equipe de professores é formada por Pedro Otavio brandão(cinema),Juarez Cavalcante(fotografia),Rejeny Rocha(artes),Maria Amélia Vieira(artes),além de Ricardo Elia,da oficina de stop motion(a técnica que permite o filme de animação).Além destes,outros profissionais participam do projeto,como Dalton Costa, o diretor de cinema Glauber Xavier ;o desenhista Jorge Santos;o instrutor de artes Ricardo Lima;o fotógrafo
 Pablo Lucas; o designer gráfico Daniel Macedo; o diretor do Museu Casa do Velho Chico(PE),Antonio Jackson Borges Lima; o assistente de arte Eduardo Faustino e o assistente de produção Elson Madureira.

O Projeto " Cinema no Balanço das Águas" já está na segunda edição e é patrocinado pelo Programa de Cultura do Banco do Nordeste e BNDES.






sábado, 8 de dezembro de 2012







     SAMBA DE LATA DE TIJUAÇU                                     



    A comunidade de remanescentes Quilombola do distrito de Tijuaçu,municipio de Senhor do Bonfim,na região norte da bahia ,tem muito mais para mostrar dos seus costumes e cultura, além dos acarajés nossos de cada dia da praça nova do congresso em Bonfim. Tem o Samba de lata, uma manifestação que virou patrimônio cultural e nasceu da labuta diária misturada com a alegria das mulheres negras. Uma lata basta para levar a muitas gerações a dança das matriarcas. À sombra da barriguda, uma árvore nativa do sertão baiano, mulheres e crianças varrem o chão, molham a terra, num ritual que prepara a festa. O único instrumento: uma lata. O figurino caprichado e os adereços completam o visual das sambistas. Com pés no chão batido, apenas dois homens fazem parte do grupo e a música sai da palma da mão. Valdelice puxa o samba, acompanhando as batidas da lata. 
Essa é a mais forte expressão cultural de Tijuaçú, comunidade quilombola de senhor do Bonfim, no norte da Bahia, fundada em 1750.Buscar água de lata na cabeça, a pé, percorrendo todos os dias 18 quilômetros. a rotina de crianças, mulheres e homens negros de Tijuaçú. para transformar o sacrifício da falta d´água em diversão, nasceu o samba de lata. Samba de lata de Tijuaçú, único no Brasil, é patrimônio cultural reconhecido e multiplicado nessa comunidade de raízes negras. Valdelice puxa o samba. repete os versos que aprendeu com os avós. O resto do grupo se reveza no centro da roda. Para que as crianças aprendam cedo o valor da cultura negra, foi criado o 'latinha da mamãe', reproduzindo um movimento antigo, que também nasceu no quilombo.  Uma magia que atravessa gerações. Dona Julieta, ou melhor, Dona Menininha, como é chamada, aos oitenta e um anos, começou no samba aos dez, não consegue viver longe da roda. Em Lage dos Negros, velhos costumes sobrevivem à evolução dos tempos e as parteiras ainda são autoridade no velho quilombo. Fé e devoção aos orixás. A religião que veio da África é preservada pelos descendentes. Dos festejos das senzalas vêm a cantoria e as danças que atravessaram os séculos".