sábado, 13 de fevereiro de 2010


MARACATU CAMBINDA NOVA E PIABA DOURADA, ZONA DA MATA PERNAMBUCANA
José Gomes da Silva, o mestre Zé Pequeno, do grupo Cambinda Nova, nasceu e trabalhou em engenho de cana. Está no maracatu há 47 anos e afirma que continuará participando enquanto tiver forças para carregar o surrão (suporte do chocalho). Mas não consegue mais fazer as golas, porque a vista não permite. Quando criança, enfrentava a resistência da mãe, que considerava a brincadeira pesada demais. Naquele tempo, caboclos de grupos diferentes eram inimigos, e um encontro casual entre eles invariavelmente acabava em briga feia, com ferimentos graves feitos pelas pontas das lanças. Segundo Zé Pequeno, contudo, isso não existe mais: "Hoje, o importante é brincar", diz ele, acrescentando que agora o pessoal tem mais amor pelo que faz. Opinião bem diferente é a de Antônio Francisco dos Santos, caboclo há 50 anos e diretor do Maracatu Piaba Dourada. Na juventude, seu apelido era Rochedo, por ser bom de briga. Para ele, o amor pela brincadeira é coisa de antigamente. "Naquela época, o sol raiava e a gente continuava dançando, com os olhos vermelhos e cheios de entusiasmo para brincar. Agora, antes de vestir a gola, o caboclo quer saber quanto vai ganhar", diz, desencantado. Diante de pontos de vista tão diferentes, talvez nem seja importante saber quem tem razão. A verdade é que o mundo mudou e, atualmente, quem lidava com a cana trabalha na construção civil ou está desempregado. Aquela região também não é mais a mesma: até a Capela de São Francisco Xavier, do século 18, localizada no Engenho Bonito, foi saqueada.

William Veras de Queiroz, 2010-D.C-Santo Antônio do Salgueiro-Pernambuco

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