terça-feira, 23 de abril de 2019


Gestores se reúnem para discutir a elaboração da XII Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco

Em 2019, o evento terá como tema “Territórios Educativos e Culturais: diálogos possíveis” e, pela primeira vez, irá abrir um chamamento público para que a comunidade proponha atividades nos equipamentos culturais do Estado.


Jan Ribeiro/Secult-PE

Encontro contou com a participação de parceiros importantes da Semana do Patrimônio, como gestores de equipamentos culturais do Estado, representantes do Iphan, Compaz, do Conselho de Preservação do Patrimônio, Patrimônios Vivos (como o Mestre Zé Lopes, Homem da Meia Noite e Clube de Boneco do Seu Malaquias), além de secretários municipais de Cultura, dentre eles os de Bezerros, Águas Belas, Recife, Igarassu, Gravatá e Condado, e outros gestores públicos
Por Marcus Iglesias
Foi realizada na manhã desta última terça-feira (16), no Teatro Arraial Ariano Suassuna, a reunião de elaboração da XII Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco. Em 2019, a Semana do Patrimônio terá como tema “Territórios Educativos e Culturais: diálogos possíveis” e, pela primeira vez, irá abrir um chamamento público para que a comunidade possa sugerir ações e atividades nos equipamentos culturais do Estado voltadas à área da preservação do patrimônio cultural. Os detalhes deste chamamento público serão divulgados em breve.
O encontro contou com a participação de parceiros importantes da Semana do Patrimônio, como gestores de equipamentos culturais do Estado, representantes do Iphan, Compaz, do Conselho de Preservação do Patrimônio, Patrimônios Vivos (como o Mestre Zé Lopes, Homem da Meia Noite e Clube de Boneco do Seu Malaquias), além de secretários municipais de Cultura, dentre eles, os de Bezerros, Águas Belas, Recife, Igarassu, Gravatá e Condado, e outros gestores públicos.
Jan Ribeiro/Secult-PE

Encontro foi realizado na manhã desta última terça-feira (16), no Teatro Arraial Ariano Suassuna
A Semana do Patrimônio tem como objetivo comemorar o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, no dia 17 de agosto, com uma programação que conta com seminários, rodas de diálogo, celebrações, exposições, oficinas educativas, mostras, entre outras atividades.
De acordo com o secretário estadual de Cultura, Gilberto Freyre Neto, esse momento de reflexão é um momento de mudança de comportamento. “Estávamos debatendo mais cedo sobre o desenrolar do incêndio que aconteceu na Catedral de Notre-Dame, em Paris. Podemos estar bem distantes daquela realidade, mas hoje percebemos que a preservação é fruto de uma construção coletiva e o nosso desafio é sensibilizar a sociedade como um todo para o tema da preservação”, disse o secretário.
Jan Ribeiro/Secult-PE

De acordo com o secretário estadual de Cultura, Gilberto Freyre Neto, esse momento de reflexão é um momento de mudança de comportamento no que diz respeito à preservação do patrimônio cultural
Para o presidente da Fundarpe, Marcelo Canuto, “a Semana do Patrimônio é uma iniciativa coletiva, que tem como ponto de partida estabelecer espaços de diálogos e debates sobre as diversas formas de compreensão, valorização, reconhecimento e preservação dos patrimônios culturais materiais e imateriais de Pernambuco”.
Secretário de Cultura, Turismo e Meio Ambiente de Águas Belas, Izaquiel Braz ressaltou que a Semana do Patrimônio vem justamente reforçar essa necessidade da preservação, de tudo aquilo que pertence ao povo. “Eu diria que a Semana é mais um processo educativo, porque através disso as futuras gerações vão poder usufruir do seu patrimônio e aquilo que lhe pertence. Em Águas Belas, nós temos um exemplo belíssimo que é a cultura indígena Fulniô, a maior nação indígena a nível Nordeste, que até hoje preserva sua língua materna”.
Jan Ribeiro/Secult-PE

Quem também esteve presente na reunião foi Deborah Echeverria, gerente-geral da Rede de Bibliotecas pela Paz, ligada ao Centro Comunitário da Paz (Compaz)
Quem também esteve presente na reunião foi Deborah Echeverria,  gerente-geral da Rede de Bibliotecas pela Paz, ligada ao Centro Comunitário da Paz (Compaz). “Temos participado nas últimas edições da Semana do Patrimônio com as projeções de filmes no Cinema São Luiz. A partir dessa provocação do chamamento público, acredito que podemos fazer uma parceria mais consistente. Estamos à disposição para que atividades ligadas à Semana possam acontecer nessas bibliotecas e na rede do Compaz”, destacou a gestora.
“Um espaço que também pode receber atividades durante a Semana do Patrimônio é o Sítio Histórico do Cavalo-Marinho do Mestre Zé de Bibi, que também é Patrimônio Vivo de Pernambuco”, comentou o Mestre Zé Lopes, de Glória do Goitá, prometendo amadurecer a ideia com Zé de Bibi.


Um espaço que também pode receber atividades durante a Semana do Patrimônio é o Sítio Histórico do Cavalo-Marinho do Mestre Zé de Bibi, que também é Patrimônio Vivo de Pernambuco”, comentou o Mestre Zé Lopes, de Glória do Goitá
A gestora do Museu do Barro de Caruaru (Mubac), Amélia Campello, revelou que há quatro anos trabalha com a questão da memória e patrimônio com estudantes da rede pública. “Fico feliz com a escolha deste tema porque nosso trabalho é levar os jovens a conhecerem os mestres e a partir desse contato produzirem suas próprias peças, que ficam em exposição no Mubac. Quando elas se enxergam dentro do museu, expondo ao lado de Vitalino, um mestre que expôs ao lado de Picasso, acontece uma transformação nessas crianças que só quem convive com elas no dia a dia que sente”.
Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco – Encaminhando-se para sua 12ª edição, o evento atualmente inclui várias políticas públicas na sua programação, como apresentações dos projetos contemplados no Funcultura na linguagem do Patrimônio; a utilização dos equipamentos culturais do estado, como Cinema São Luiz; a instituição, em 2015, do Prêmio Ayrton Almeida de Carvalho – que está na sua quarta edição e com inscrições abertas até 22 de abril – cujos vencedores são anunciados durante a Semana do Patrimônio; bem como o anúncio dos novos Patrimônios Vivos de Pernambuco.
Outras ações são a Semana de Educação Patrimonial, voltada para professores estaduais e na sua quarta edição; e a parceria com o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio. Em 2018, a Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco recebeu o 31º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, na Categoria 2 – Iniciativas de Excelência no campo do Patrimônio Cultural Imaterial.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Serra Negra recebeu mostra de cinema nordestino nesta Semana Santa

O espetáculo teve início neste sábado e foi até o domingo.
O espetáculo está na sua segunda edição e terá entrada gratuita para o público / Foto: Divulgação
O espetáculo está na sua segunda edição e teve entrada gratuita para o público
Foto: Divulgação


O Agreste Pernambucano recebeu neste feriado da Semana Santa o 'Curta Na Serra – Mostra de Cinema ao Ar Livre', uma mostra de cinema nordestino. O evento tem início neste sábado (20) e foi até o domingo (21), no povoado de Serra Negra, há nove quilômetros de Bezerros. Além da exibição de filmes independentes feitos na região Nordeste, o evento contará com shows musicais.
O espetáculo está na sua segunda edição e teve entrada gratuita para o público, no anfiteatro do Mirante de Serra Negra . No evento, foi exibidos curtas-metragens nordestinos, abraçando a pluralidade de linguagens audiovisuais produzidas na região, como ficção, documentário, videoclipe, entre outras categorias.
Segundo a organização do evento, foi exibidas obras com temáticas como empoderamento feminino, a importância da arte para a construção da sociedade, a resistência da cultura e das boas tradições do Nordeste, além de respeito à diversidade sexual e de gênero. Ao todo, foi cerca de 3h30 de programação audiovisual gratuita durante os dois dias.



Shows

O evento também contou com shows artísticos, no Polo Cultural de Serra Negra. No sábado (20), após a sessão de filmes, a Som Na Rural recebeu o projeto Corre-Campo, formado pelos artistas Marcello Rangel, Ágda Moura e Luiza Fittipaldi, com direito a festa posteriormente com os DJs Clássico dos Clássicos.
Já no domingo (21), a programação começou à tarde: às 16h teve o espetáculo “Histórias da Caixola”, com contação de histórias por Alexandre Revorêdo e Stephany Metódio; às 16h30 foi a vez do espetáculo “TrupeÇando”, do palhaço Allan Barros; às 17h, o Som Na Rural recebeu show da caruaruense Gabi da Pele Preta.

Confira a programação completa:

Sábado (20):
Panorama 1: Nossa Arma é o Cinema – Anfiteatro de Serra Negra, 19h.
Cerimônia
de abertura;
Homenagem
a Marcélia Cartaxo;
Exibição
de filmes:
Ultravioleta (PB)
O Poeta do Barro Vermelho (AL)
Julian, Sem A, Sem O (PB)
Tempo Circular (PE)
Não Te Quero Mais Mizéra (PE)
Desyrrê (PE)
Impávido Colosso (PE)
Eu o Declaro Meu Inimigo (PE)
Quanto Craude no Meu Sovaco (PE)
Avalanche (AL)
Revólver (PE)
Shows – Polo Cultural de Serra Negra, 22h:
Som Na Rural recebe o projeto Corre-Campo: Marcello Rangel, Ágda Moura e Luiza Fittipaldi + Festa com DJs Clássico dos Clássicos.
 DOMINGO (21):
Encontro do Panorama Nordeste – Casa das Flores, 10h. 
Shows e Espetáculos – Polo Cultural de Serra Negra, 16h.
Histórias da Caixola - Contação de histórias com Alexandre Revoredo e Stephany Metódio;
Espetáculo TrupeÇando, com o palhaço Allan Barros;
Som Na Rural recebe Gabi da Pele Preta.
Panorama 2: Segura Minha Mão – Anfiteatro de Serra Negra, 18h.
Homenagem a Lula Vassoureiro;
Exibição de filmes:
Família Tropa Trupe – O Circo Enquanto Vida (RN)
Guaxuma (PE)
Nova Iorque (PE)
Clandestino (SE)
Terra (PE)
O Som do Silêncio (BA)
Bala Perdida (PE)

Fonte: JC on line

domingo, 21 de abril de 2019

Flor d'Água - Banda de Pau e Corda

BANDA DE PAU E CORDA


A banda foi formada no Recife em 1972 sob a liderança do compositor e estudioso da cultura popular Roberto Andrade.

Tinha como integrantes, Oswalter Martins de Andrade Filho, o Waltinho - Recife, PE - 1954 -(violão e voz); Paulo Fernando, o Paulo Cirandeiro - Recife, PE - (viola e vocal); Paulo Sérgio Guadagnano Resende Braga, o Paulinho - Recife, PE - 1954 - (Contrabaixo); Matias - Recife, PE - (Flauta); Roberto Rabelo de Andrade - Recife, PE - 1947 - (Bateria e percussão); Sérgio Rabelo de Andrade - Recife, PE - 1955 - (Percussão e voz); José Severino de Oliveira Neto, o Netinho - Recife, PE - 1954 - (Viola); Alberto Johnson da Silva, o Beto Johnson - Recife, PE - 1959 - (flauta) e Zezinho Franco - Recife, PE - (Baixo, voz, arranjos).


O grupo atuou inicialmente no Bar "Olho Nu" na cidade de Recife, freqüentado basicamente por um público universitário. O trabalho do grupo tornou-se rapidamente conhecido da crítica especializada do Nordeste.

Em 1973, foram para São Paulo, onde gravaram seu primeiro disco, "Vivência" pela RCA, com apresentação na contracapa do sociólogo pernambucano Gilberto Freyre. Com produção de Osmar Zan e arranjos da própria banda, o disco contou com composições do próprio grupo como "Vivência", "Lampião", "Banco de feira" e "Vida de vaqueiro", de Roberto Andrade e Waltinho, entre outras, além da regravação de "Voltei Recife", de Luiz Bandeira. Com a repercussão do disco, o grupo apresentou no mesmo ano um show com o mesmo nome do disco, com direção de Lúcio Lombardi e textos da poeta Zezé Andrade, mãe de Waltinho, Sérgio e Roberto Andrade, componentes do grupo. O espetáculo estreou no Recife, sendo apresentado posteriormente em todas as capitais do Nordeste. Foi apresentado ainda no Teatro Municipal de Santo André em São Paulo.

Em 1974, lançaram o LP "Redenção", com diversas composições do grupo como "Flor d'água", "Crendice" e "Têmpera", de Waltinho e Roberto Andrade, além de "Mestre mundo", de Luiz Bandeira e Julinho, entre outras composições. Lançaram em seguida espetáculo com o mesmo nome, com direção de José Pimentel. Fizeram depois o show "Alegoria", uma viagem alegórica através do Nordeste, com textos de grandes poetas nordestinos, como João Cabral de Melo Neto, Carlos Pena Filho e Zé Limeira, e que foi apresentado no Recife, Fortaleza e no circuito universitário do Rio de Janeiro.

Em 1976 lançaram o disco "Assim...amém", com a Banda passando a contar com as participações de Netinho e Beto Johnson. Estão presentes nesse trabalho, além de outras, as composições "Areia", "Me diga, homem" e "Atrás da morte", todas de Waltinho e Sérgio Andrade. Em 1979, lançaram "Pelas ruas do Recife", novamente com produção de Osmar Zan e com capa de Elifas Andreato, onde o grupo faz uma homenagem à capital pernambucana, interpretando diversas composições refenciadas na chamada "Veneza brasileira", como "Pelas ruas do Recife", de Novelli, Marcos e Paulo Sérgio Valle, "Nos cabelos da Rosinha", de Capiba, "Evocação nº 1" de Nélson Ferreira, "Recife é linda demais", de Archimedes Messina, "Hino dos Batutas de São José", de João Santiago, e outras composições. Nesse período passou a integrar o grupo Zezinho Franco, no baixo, voz e arranjos.

Entre outros discos, a banda lançou ainda, "O maior forró do mundo", pela Eldorado e "o outro lado da banda", pela Polydisc. Em fins dos anos 90, somente os irmãos Andrade, Roberto, Sérgio e Waltinho permaneciam como membros permanentes da banda, que passou a acrescentar músicos contratados para apresentações e gravações.

FORMAÇÃO DA BANDA DE PAU E CORDA:

Sérgio Andrade (voz solo e compositor)
Waltinho (violão, compositor e diretor)
Sérgio Eduardo (contrabaixo)
Beto Johnson (flauta)
Júlio Rangel (viola)
Evandro Natividade (bateria)
George Rocha (percussão)
Roberto Andrade (compositor)

LP’s





Vivência (1973) – RCA Victor
Redenção (1974) - RCA Victor
Assim, Amém (1976) - RCA Victor
Arruar (1978) - RCA Victor
Pelas Ruas do Recife (1979) - RCA Victor
Nossa Dança (1980) - RCA Victor
Coisa de Gente (1982) - RCA Victor
O Maior Forró do Mundo (1986) -Eldorado
O Outro Lado do da Banda (1990) -Polydisc

CD’s

Cristalina (1992) – Polydisc/Sony
Acervo Especial – Banda de Pau e Corda (1994) – BMG Ariola

Areia - Banda de Pau e Corda

sexta-feira, 19 de abril de 2019


Mais um filme pernambucano, desponta novamente entre as grandes produções internacionais. O longa " Bacurau", dos cineastas Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, foi um dos selecionado para a 72º edição do Festival de Cannes. Esta é a segunda vez que uma produção do diretor Kleber Mendonça  a Palma de Ouro. 



Em 2016, " Aquarius", também integrou a mostra competitiva do festival. Nomes como Pedro Almodóvar,Jim Jarmush, Os irmãos Dardenne e Terrence Malick,também disputam a competição principal deste ano. "Bacurau", foi desenvolvido desde 2009, sendo escrito pela produção como " um filme de aventura ambientado no Brasil ". É tanto orgulho que nem cabe no peito ! parabéns a toda equipe, essa Palma de Ouro parece que em breve vai desembarcar  por aqui. 


quinta-feira, 18 de abril de 2019

                       

            PENITENTES  DO CARIRI CEARENSE


                                                  
         Ameaçada de extinção, seita religiosa do Interior do Ceará luta para manter viva uma tradição de mais de um século

Barbalha. As chuvas de março transformam a região do Cariri cearense, no extremo sul do Estado e já nas divisas com Pernambuco e Piauí, num verdadeiro oásis de fertilidade. Caminho pela zona rural da cidade de Barbalha a procura de um negro de voz calma que atende pelo nome de Joaquim Mulato e carrega sobre seus ombros de quase 90 anos a responsabilidade de representar uma das mais antigas e intrigantes seitas religiosas do interior nordestino. Mulato é o Decurião da Ordem dos Penitentes do Sítio Cabeceiras, um grupo de agricultores único no Brasil que, infelizmente, parece estar com os dias contados. Chegar ali — um bucólico recanto cercado por canaviais escondidos no sopé da Floresta do Araripe — é razoavelmente fácil. Desvendar os mistérios que se escondem por trás da secular tradição religiosa, por sua vez, exige algo mais que a simples curiosidade.  Sou recebido por Joaquim Mulato e seu Severino — os dois membros mais antigos da Ordem — na sala simples da pequena casa de barro e madeira. Toda a mobília está resumida a uma pequena mesinha onde reina absoluto o oratório repleto de santos católicos. Na parede, Expedito, São João e outros santos oficiais dividem o espaço com os ícones da religiosidade popular nordestina. Frei Damião e Padre Cícero merecem lugar de destaque. No canto esquerdo, erguido no alto e sustentado por um prego, descansa o símbolo maior da tradição messiânica, uma cruz de madeira, talhada artesanalmente há mais de um século e que resguarda a essência da manifestação religiosa. “Esse Cruzeiro é o sofrimento de Jesus, a luta dele pra salvar a humanidade”, diz Mulato. Na peça, chama a atenção a riqueza de detalhes. Partindo de uma lua azul, 16 espadas prateadas com um coração em cada ponta dão a idéia de um sol. No centro, o Sagrado Coração de Jesus se destaca em vermelho. Escrito à mão, em cada um dos braços da cruz lê-se “viva jezus para cempre”.



 ÚLTIMOS CAPITULOS
A louvação à eternidade, no caso, bem que poderia estar diretamente ligada ao grupo. Liderada essencialmente por gente acima dos 70 anos, a Ordem pode estar vivendo os últimos capítulos de uma história iniciada na segunda metade do século XIX e que tem o mérito de ter atravessado o tempo sem perder as características originais. Com apenas 15 discípulos, Joaquim Mulato não vê muita perspectiva quanto ao futuro da tradição. “Os jovens não querem saber de penitência. Preferem as festas”, reclama o velho soldado, demonstrando o cansaço típico do final da batalha.
Para Severino, o segundo na ordem hierárquica, até mesmo entre os que já abraçaram a missão é possível identificar os sinais da mudança. “Têm deles que a gente marca uma reunião para as seis horas e eles acham ruim, pois só querem vir depois da novela das sete”, critica.
Criada pelo Padre Ibiapina, um ex-advogado, ex-deputado federal e ex-delegado de Polícia, a Ordem possui alguns rituais que a diferencia das demais seitas populares do interior nordestino. O principal deles é o autoflagelo, ou simplesmente “disciplina”. Pode ser feito de diversas maneiras, desde longas caminhadas pedindo esmolas, até a martirização do corpo com instrumentos próprios para esse fim.



Joaquim me mostra um “cacho”, instrumento de suplício formado por lâminas de ferro e diz que o objeto pertenceu ao fundador da seita. A autoflagelação deve ser realizada junto aos cruzeiros, nas portas das igrejas ou nos cemitérios, sempre de madrugada e longe da visibilidade. Em função da idade, Joaquim não se açoita mais. Para os estudiosos do tema, é exatamente nisto que se nota com mais clareza as mudanças trazidas pelo tempo.  Alguns grupos de penitentes do Nordeste já abriram mão dos rituais de autoflagelo há muito tempo, concentrando suas atividades nas caminhadas, nas esmolas e nas preces. Deixar o sacrifício em segundo plano ou substituí-lo por outras práticas, a propósito, preocupa quem luta para preservar a originalidade da tradição. “Penitente sem disciplina, não é penitente”, enfatiza Severino, que também foi obrigado a deixar o flagelo de lado por já ter passado dos 80 anos de idade.  Com roupas escuras que destacam listras e cruzes brancas, os integrantes da Ordem usam capuzes semelhantes às burcas usadas no Oriente Médio, com uma abertura em formato de tela para enxergar. A única cor em toda indumentária é o vermelho do Sagrado Coração de Jesus, o mesmo ostentado no Cruzeiro que é carregado na frente do grupo durante as raras aparições em público. Para Severino, a religiosidade o acompanha desde cedo.



VOTOS DE CASTIDADE
Eu já tinha oito anos, meu pai era penitente e eu não sabia. Ninguém sabia, só minha mãe”, diz o agricultor numa referência ao clima de mistério que caracterizava originalmente as atividades do grupo. “Penitente não podia ser visto não. Só caminhava de noite, sem ninguém ver e só andava pelos sítios, nunca nas cidades”, lembra Joaquim. Nem Mulato — que até hoje mantém o voto de castidade — nem Severino, possuem filhos dentro da Ordem.
O anonimato, característica marcante durante as primeiras décadas da tradição, também parece escoar pelas veredas do tempo. Hoje, durante algumas “apresentações”, os penitentes se juntam a dezenas de outros grupos culturais, em plena luz do dia, fazendo a festa dos fotógrafos e cineastas que visitam a região para documentar as tradições que fazem desse pedaço do interior nordestino um relicário das mais autênticas manifestações do povo sertanejo. Na Festa de Santo Antônio, por exemplo, a maior da cidade, reisados e bandas cabaçais dividem espaço com lapinhas, pastoris, karetas e vaqueiros vestidos a caráter. Um espetáculo multicolorido que atrai a atenção de pesquisadores e que há alguns anos despertou, ainda que tardio, o reconhecimento dos órgãos governamentais. A escolha dos chamados “Mestres da Cultura Popular” é feita anualmente e busca valorizar os que lutam pela tradição nas diversas áreas, como a xilogravura, o artesanato, o folclore e a religiosidade. Joaquim é um desses Mestres.
Seguindo as orientações dos mais antigos, os Penitentes de Barbalha seguem a caminhada espiritual cruzando as estradas empoeiradas da Chapada do Araripe, cantando benditos (já gravaram até um CD) e levando sua doutrina para os moradores da verde região sul do Ceará. Em alguns momentos os homens recebem a companhia das mulheres, que cantam suas “incelências” e embelezam ainda mais o singelo ritual de fé.
Eles já receberam a visita do bispo diocesano do Crato, dom Fernando Panico, que pela primeira vez foi conhecer de perto a manifestação. A visita foi uma promessa feita pelo líder religioso e simbolizou a tendência de uma aproximação entre a Igreja formal e as manifestações da religiosidade popular numa terra onde o Padre Cícero é, para o povo, tão importante quanto qualquer santo oficialmente canonizado.

AUGUSTO PESSOA.

quarta-feira, 17 de abril de 2019


Pela primeira vez, um grupo de penitentes de Farias Brito,no Cariri Cearense decide conceder entrevista e revelar mistérios
Farias Brito. Remanescentes de um antigo grupo de penitentes do Cariri mantêm viva a tradição de venerar a Deus, martirizando o corpo contra os pecados. Eles varam a madrugada, nas estradas ermas e poeirentas do sertão, a procura de cruzes e cemitérios abandonados. Em Farias Brito, dois agricultores de um antigo grupo de oito penitentes cumprem um ritual que foi iniciado no ano de 1955.

De um lado, a Serra do Quincuncá que, segundo os moradores, abriga lobisomens e caiporas. Do outro, a Vila Nova Betânia, cujo nome foi inspirado na aldeia israelense de Betânia, nas cercanias do Monte das Oliveiras, perto de Jerusalém, onde, segundo a Bíblia, Jesus Cristo transmitiu alguns de seus ensinamentos antes da sua crucificação.

O clima ficou mais místico, quando, em uma foto feita pela reportagem, apareceu um sinal estranho, parecido com uma lua cheia, do lado direito da fotografia. A imagem foi mostrada pelo visor da máquina aos presentes, que ficaram surpresos, uma vez que o céu estava limpo. Não havia nenhum sinal de Lua. Os professores Eldinho Pereira e Miralva Guedes, que acompanharam a reportagem e mais um grupo de moradores da localidade, testemunharam o que eles classificaram de fenômeno inexplicável, mesmo porque, segundo os moradores, a Lua tem uma trajetória diferente na localidade rural.

A foto foi feita entre 18 e 17 horas do último dia 29. Era Lua nova, quando, segundo o calendário lunar, o hemisfério da lua voltado para a Terra não reflete nenhuma luz do Sol. A Lua nova só é visível durante os eclipses do Sol que, aliás, só acontecem durante esta fase lunar. Neste período, o ângulo entre Sol, Terra e Lua é praticamente zero. A Lua nova nasce por volta das 6h da manhã e se põe às 18h, ou seja, ela transita pelo céu durante o dia.

Entre os moradores do Sítio São João, onde foi feita a foto, em frente à capela de Nossa Senhora Aparecida, foi levantada a suspeita de que era um objeto não identificado que teria cruzado a Serra do Quincuncá. Apareceu a versão de que poderia ser um “fogo fátuo”, uma luz azulada que pode ser avistada em cemitérios, pântanos ou brejos. A ciência explica que o fogo fátuo é a inflamação espontânea do gás dos pântanos (metano), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente natural.

É neste ambiente, cercado de crenças, lendas e misticismo, que os dois eremitas dão continuidade a uma prática religiosa fundamentada na adoração, obediência, oração e penitência, tudo isso corporificado em ritos estranhos que chegam a beirar o limite do racional, pelos menos sob a ótica da sociedade contemporânea que acredita viver a plenitude da pós-modernidade.

Um dos seus rituais é a auto-flagelação que só ocorre na Semana Santa. Açoitam-se com três lâminas de ferro bem amoladas medindo cinco por quatro centímetros, amarrados numa tira de couro, até escorrer sangue das costas. Acreditam que é uma forma de purgar os pecados. O agricultor Cícero Rosendo diz que vai cumprir esta penitência até o fim de sua vida. “Foi uma promessa que fiz para não faltar inverno. Tenho que cumpri-la”, promete.

Segredo

A irmandade, como eles próprios gostam de ser chamados, ainda mantém o segredo, “guardado a sete chaves”, de não identificar os seus integrantes. Antigamente, ninguém, nem mesmo a família, sabia quem participava daquela confraria secreta que se reunia nas caladas da noite e andava nas estradas com o rosto coberto, vestido com roupas medievais, portando instrumento de auto-flagelação, entoando benditos e amedrontando as crianças com o seu cantochão característico.

A indumentária dos penitentes se compõe ainda das seguintes partes: o hábito santo, cacho-disciplina (carregada ao pescoço) e o cordão de São Francisco amarrado à cintura. Há uma “liberalidade” no que se refere ao colorido dos seus hábitos. Alguns grupos se utilizam do preto, do azul e do vermelho sendo que, especificamente em Farias Brito, o vermelho é a cor escolhida pela maioria dos seguidores.

O mistério começa a ser desvendado. Por solicitação do historiador Eldinho Pereira da Silva, que mostrou a importância que eles têm para a cultura popular, o líder do grupo, Pedro Tenório, resolveu receber a reportagem do Diário do Nordeste. Pela primeira vez, eles mostram a cara, antes era coberta com mantos brancos e, também, quebraram o silêncio sobre o que eles consideram mais sagrado: a devoção. 

ORIGEM DO GRUPO
Tradição começou no século passado
Penitente-decurião rememora a origem do grupo, no ano de 1955 do século passado, na zona rural do Cariri
Farias Brito. O decurião, líder do grupo, Pedro Tenório, conta que em meio à seca de 1955, ele e outros camponeses foram aconselhados por Eduardo Freire, um proprietário residente no Sítio Riacho da Roça, a formar um fervoroso grupo de oração. Com a morte de Freire, e a aceitação dos sacrifícios por alguns membros, os trabalhos doutrinários continuaram na localidade.

Com o correr dos anos, os integrantes foram morrendo. Outros se entregaram à bebida. Restaram somente os primos e compadres Pedro Tenório e Cícero Rosendo, irmanados no sofrimento, na devoção e na esperança de encontrar o que não conseguiram na terra: “um mundo de paz e alegria, junto a Deus”, segundo destacam.

“Hoje, na classe de hoje, ninguém quer penitência, meu amigo. Quer saber é de um forró, é de uma tertúlia, é disso e daquilo outro”, lamenta Pedro Tenório, complementando: “Na Semana Santa, não respeita nem a sexta-feira, que nem o senhor sabe que em dia de sexta-feira tem é bares aberto, com o povo bebeno pinga, botano boneco”. Ao fazer o desabafo, o velho penitente lamenta o comportamento da juventude que, segundo afirma, “está totalmente voltado às coisas mundanas, ao pecado”.

O velho decurião, com 77 anos de idade, já não acalenta mais a esperança de conseguir outros companheiros de penitência. O seu sectarismo religioso é demonstrado num pedido: “Quando eu morrer, quero ser enterrado com a roupa de penitente, o cacho-disciplina e o cordão de São Francisco”.

O Dia de Finados, para eles, não é um dia de penitência. É um momento de reflexão, de rezar pelas almas. Por isso, eles não se auto-flagelam nesta data. A auto-flagelação é praticada, com mais intensidade, na Semana Santa.

Trata-se de um ritual marcado pela autodisciplina imposta ao corpo, como forma de “salvar cruzes” pertencentes a almas sofredoras e de se aproximar do Criador celeste por meio da devoção. A interrupção da súplica cristã acontece já ao entardecer, com o grupo ajoelhado diante de uma cruz, um chicote de couro com navalhas à mão e o sangue correndo pelas costas dilaceradas durante o ritual.

No fim de semana anterior, pela passagem para o Dia de Finados, eles fizeram o ritual de “salvar as cruzes”, que consiste em rezar e cantar nos pés das cruzes de beira de estrada. Os penitentes cumprem também a tradição de pedir esmolas nas casas dos sítios. Num ritmo dolente, eles cantam: “Se alevanta pecador/ Faz o teu sinal da cruz/ Se tiver dormindo acorde/ E ouça o pranto de Jesus/ Se os teus pés já resistiu/ E alguém já acendeu a luz/ O irmão nos dê uma esmola/ Pela chaga de Jesus”.

O professor e historiador, Eldinho Pereira da Silva, analisa que nesse cântico há um discurso explícito e recorrente sobre o sofrimento de Jesus em prol da salvação da humana. Ainda que de forma subjetiva, no mesmo texto, também é disseminada a idéia de jejum como uma virtuosa representação, uma continuação do sofrimento necessário para o pagamento dos pecados. Todavia, essa busca espiritual por meio do sofrimento físico, constitui uma prática do tipo pessoal e disjunta das propostas de libertação social, coletiva. Mesmo assim, o tempo passa e seus adeptos não desistem do chamado sagrado.

Quando o dono da casa demora a se levantar, na intenção de cansar Pedro Tenório e os demais pedintes, eles cantam o seguinte: “Jesus quando andou no mundo/ Dizia a São Pedro assim/ Jesus quando andou no mundo/ Dizia a São Pedro assim/ Quem não quer pobre na porta/ Também não quereis a mim!”’. Ao relembrar as pregações de Jesus os penitentes colocam o proprietário sonolento em situação difícil, até que apareça e dê a esmola. 

SAIBA MAISMedieval

Considerada uma manifestação religiosa inerente ao Dia de Finados e uma das mais importantes relacionadas à Semana Santa, a procissão de penitentes é uma tradição de origem medieval e ibérica. Trazida pelos conquistadores portugueses, o cortejo espalhou-se por diversos lugarejos do sertão nordestino.

Benditos
Normalmente, os devotos apresentam-se cantando antigos benditos, adaptados conforme costumes e linguajar locais. No entanto, estimulado pelas secas, epidemias e atrocidades que marcaram o final do século XIX, ou mesmo, por um intenso misticismo que atribuía toda desgraça às transgressões humanas, a auto-flagelação ganhou fôlego novo.

Extinção
Foi assim que a idéia de penitenciar o corpo para purificar a alma chegou até os místicos dos dias atuais. A prática religiosa, no entanto, tende a desaparecer, já que não há novos seguidores.

O QUE ELES PENSAM
Ritual lembra comovente peça teatral.
Em meio aos sons de cânticos, chicotes e gemidos, eis que surge o sangue humano. Para os devotos, o sangue simboliza o martírio de Cristo em prol da salvação humana. O ritual de penitência lembra uma comovente peça de teatro ao ar livre. Mas logo se percebe que o fervor religioso evoca a mais rústica e tradicional das formas de religiosidade popular em nosso meio. Evoca as dificuldades de sobrevivência dos camponeses em uma sociedade injusta e complexa. O fenômeno é uma prova da resistência aos novos padrões culturais da sociedade moderna. 

Eldinho Pereira da Silva
Historiador

Mesmo vistos por alguns membros da Igreja como o resultado de um “desvio da interpretação bíblica”, os penitentes do Cariri continuam firmes em sua árdua missão. Herdeiros de uma tradição que hoje o próprio clero desaprova, porque os sacrifícios diminuem o homem ao invés de valorizar a sua relação com Deus, eles se inserem no contexto da religiosidade popular enraizada na região. Atualmente, os padres já não levam mais ao pé da letra o livro do Apocalipse, escrito pelo apóstolo João e se preparam para uma nova evangelização e ardor missionário. 
Miralva Guedes
Professora e pesquisadora


Público de estreia da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém cresce 64%


A temporada 2019 da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém começou no sábado (13) registrando um alta de 64% no número de expectadores. Foram 9.700 contra 5.900 na estreia do ano anterior. O espetáculo, realizado no município do Brejo da Madre de Deus (PE), vai até o próximo sábado dia 20.
Os organizadores do evento atribuem essa ampliação significativa no público a redução do valor dos ingressos mais caros de R$ 140,00 para R$ 120,00 (meia-entrada R$ 60,00), intensificação das campanhas nas redes sociais e massificação da publicidade na TV.
“O País ainda sofre com as consequências da crise econômica enfrentada nos últimos anos, em razão disso, resolvemos reduzir o valor dos ingressos como forma de atrair o público”, afirma Robinson Pacheco, coordenador geral do espetáculo. Ele conta que, historicamente, o público da Paixão de Cristo sofre reflexos diretos da conjuntura econômica nacional. “A alta do público pode também está sinalizando que as coisas estão melhorando”, argumentou.
Procurando se adequar aos novos tempos nos quais as mídias socias ocupam lugar de destaque entre os meios de comunicação de massa, a Sociedade Teatral de Fazenda Nova ampliou seus investimentos na divulgação por meio de veículos como Instagram, Facebook, Whastapp e Blogs.
Para isso, não sou dinamizou as postagens em suas páginas e aumento os recursos investidos em impulsionamentos, como também lançou mão do prestígio de influenciadores digitais que possuem grande capacidade de penetração junto aos seus seguidores.
Como resultado disso, já na pesquisa de opinião realizada no primeiro dia, a participação do público que tomou conhecimento do espetáculo por meio da Internet cresceu de 3% para 15%. Outro reflexo disso é que aumentou de 5 para 8% a participação de pessoas vindas do Sudeste, região alcançada apenas pela Internet uma vez que a campanha publicitária convencional é feita no Norte e Nordeste por meio de 2.500 chamadas na TV, rádios e outdoors.
Além disso, este ano a Paixão de Cristo conta em seu elenco principal com artistas com número significativos de seguidores no Instagram como Juliano Cazarré (848 mil), Ricardo Tozzi (1,1 milhão) e Priscila Fantin (800 mil).

terça-feira, 16 de abril de 2019



A 11ª edição da Semana Manuel Bandeira vem ai cheia de novidades no Espaço Pasárgada. A poesia, claro,será o eixo central das ações que contará com recitais,vivências artísticas,palestras,performance,mediação cultural e roda de diálogos. Tudo isso entre os dias 15 e 18 de abril com a programação totalmente gratuita. Essa é aquela oportunidade de colocar as visitas aos equipamentos do estado de pé.


                    PENITENTES DO SÃO TOMÉ


 São Tomé,é uma comunidade quilombola,situada a 90 kms da sede do município de Campo Formoso,norte do estado da Bahia. É neste povoado que durante a Semana Santa,onde segundo a tradição judaico-cristão começa o sofrimento e martírio de Cristo. No São Tomé um grupo de homens simples há décadas seguem à risca a penitência da dor e sofrimento,na própria carne. Num gesto de remissão perante os pecados do mundo dos homens e, ainda aplacar as agruras de Jesus diante do seu calvário. Discretos  nas suas estranhas ritualísticas religiosas,eles são bastantes conhecidos. Frequentadores do próprio imaginário popular dos pobres mortais do São Tomé.Conhecidos como seres lendários e quase mitológicos.Mas não pela identidade dos seus integrantes,mas pela existência das suas manifestações,que remontam a décadas. Pertencentes à ordem da Santa Cruz fundada na Itália no século XII por São Francisco;os adeptos da chamada igreja rural laica primitiva conhecidos por uma expressão quase mitológica de  " Penitentes ".Estas manifestações ganharam força com o padre Ibiapina ,padre Cicero e Frei Damião.



  Estranha e Inusitada para os padrões da pós-modernidade o sertanejo conseguir que em pleno século XXI encarnar no corpo e na alma essa crença. Detentores de uma fé inabalável e incodicional ante o sagrado,por isso mesmo revestida de muita entrega e doação espiritual.Prática que,segundo relatos históricos,é originária da idade média nos mosteiros do continente europeu. Os penitentes,trata-se,portanto ,de uma tradição religiosa que por muito tempo marcou profundamente a história do sertanejo e nordestino.E que infelizmente agora,corre sério risco de desaparecer para sempre.Uma manifestação hermética e popular que compõe o cenário da nossa cultura popular.   

segunda-feira, 15 de abril de 2019



Mubac destaca a produção artística de Caruaru durante a Semana Santa

O equipamento cultural abre exposição de louças de barro de artesãs da cidade nesta sexta (12); e recebe o projeto “Curta mais Caruaru na Paixão”, entre os dias 15 e 19 de abril.


Divulgação

Louças de barro de 70 artesãs do grupo “Em busca da sabedoria” estarão expostas no Mubac
Artistas de Caruaru estarão sob os holofotes do Museu do Barro de Caruaru (Mubac) neste mês de abril. A partir desta sexta-feira (13) até o dia 30 de abril, o equipamento cultural abre a primeira exposição de louças de barro, que promete movimentar o espaço durante a Semana Santa, quando também acontece a mostra de cinema “Curta Mais Caruaru na Paixão”, entre os dias 15 e 19 de abril. As duas iniciativas têm suas programações compostas exclusivamente por artesãs e cineastas da cidade, localizada no agreste do Estado.
“Através da exposição, queremos dar visibilidade ao trabalho das mulheres do grupo ‘Em busca da sabedoria’, que vivem desse trabalho, mas estão praticamente no anonimato. Reconhecer o trabalho delas é importante também para valorizar o artesanato da cerâmica utilitária”, comenta a gestora do Mubac, Amélia Campello. Peças de 70 artesãs caruaruenses – entre elas Socorro Rodrigues, Driele Silva, Terezinha, Marliete Rodrigues, Nerice e Maria Otilha – integram a mostra, que também conta com louças de 10 artesãos homens, que participam da iniciativa homenageando as mulheres.
Realizado através de um edital da Fundação de Cultura de Caruaru, o projeto Curta Mais Caruaru na Paixão contará com três ações no Mubac. O evento tem início com a formação de atores “Oficine”, entre os dias 15 e 17 de abril, das 8h às 12h, que será ministrada pelo ator e produtor cultural Luciano Torres. A atividade resultará na gravação de um curta-metragem com os participantes da oficina usando a Semana Santa como temática. O material será exibido como parte da mostra de filmes do projeto, que acontecerá no Sexta da Paixão (19), às 15h.
Alex Costa

“Nova Iorque”, de Leo Tabosa, é um dos curtas que serão exibidos na mostra de filmes, na sexta (19)
A mostra exibirá curtas-metragens de diretores naturais de Caruaru, sendo eles “Mestras do Barro”, de Evandro Lunardo; “Jesus também foi menino”, de Edvaldo Santos; “Sonho de um romeiro com Padre Cícero Romão”, de Paulinho Silva; “Imerso”, de Eder Deó; “Menino Pontilhado” e “Nova Iorque”, de Leo Tabosa. Ainda serão incluídos na programação mais outros três títulos, que serão selecionados através do concurso “CineMão”, que busca escolher curtas de até 3 minutos, gravados em qualquer formato, com tema relativo à Semana Santa.


Os interessados em participar da “Oficine” ou concorrer ao “CineMão” já podem enviar um e-mail para curtacaruaru2019@gmail.com, solicitando a ficha de inscrição para o evento específico. Todas as atividades do “Curta Mais Caruaru na Paixão” acontecerão no Mubac e são gratuitas. “A proposta é valorizar os diretores daqui da cidade, que não têm tanto espaço de exibição. O mercado de audiovisual tem crescido em Caruaru, mas ainda precisa se desenvolver e, para isso, é preciso incentivar os estudantes. Temos o plano de dar continuidade ao projeto em outras datas comemorativas, como o São João”, conclui Luciano Torres, que produz o evento.
Serviço
Semana Santa do Museu do Barro de Caruaru

(Praça Coronel José de Vasconcelos, 100 – Centro/ Caruaru)
Exposição de Louças de Barro
Visitação: de 13 a 30 de abril
Curta Mais Caruaru na Paixão
Programação
Oficine: de 15 a 17 de abril, das 8h às 12h
Mostra de filmes: 19 de abril, às 15h
Inscrições para Oficine e CineMão: curtacaruaru2019@gmail.com