sábado, 4 de setembro de 2021

MOSTRA CULTURAL DOS DISTRITOS COMEÇA NESTE SÁBADO(4), EM SERRA TALHADA.

O mês de setembro celebrará a força e a tradição da cultura popular do sertão do Pajeú. Com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funculura, começa neste sábado (4) a programação da Mostra Cultural dos Distritos, ação que promoverá circulação com uma trupe de artistas pelos distritos e comunidades da zona rural de Serra Talhada. O evento contará com exibição de filmes em curta-metragem, apresentação de xaxado, capoeira e percussão. A produção da Mostra Cultural dos Distritos é da Fundação Cultural Cabras de Lampião. O projeto conta ainda com apoio da Prefeitura Municipal, através da Fundação Cultural de Serra Talhada. Entre as atrações destaca-se a participação do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, o grupo Capoeira Muzenza e a percussão do Mestre Nilsão. Além das apresentações, serão exibidos os filmes Papo Amarelo – O Primeiro Tiro, Lampião e o Fogo da Serra Grande e Lampião e a Cadeia de Vila Bela. Para mais informações e contatos acesse o site: www.cabrasdelampiao.com.br ou pelo e-mail: cabrasdelampiao@gmail.com. As apresentações serão realizadas em espaços abertos, seguindo o calendário abaixo: Dia 4 de setembro de 2021 (sábado) – Xiquexique Dia 9 de setembro de 2021 (quinta-feira) – Santa Rita Dia 11 de setembro de 2021 (sábado) – Bernardo Vieira Dia 15 de setembro de 2021 (quarta-feira) – Tauapiranga Dia 16 de setembro de 2021 (quinta-feira) – Logradouro Dia 18 de setembro de 2021 (sábado) – Água Branca Dia 21 de setembro de 2021 (terça-feira) – Caiçarinha da Penha Dia 23 de setembro de 2021 (quinta-feira) – Varzinha Dia 25 de setembro de 2021 (sábado) – São Miguel Dia 28 de setembro de 2021 (terça-feira) – Poço da Cerca Fonte: portalculturape.

EM SUA SEGUNDA EDIÇÃO, FESTIVAL COCO DE ENGENHO GANHA PROGRAMAÇÃO VIRTUAL

André Pina/DivulgaçãoAndré Pina/Divulgação O evento vai reunir grupos da Zona da Mata e do Agreste Tendo como grande anfitrião o grupo Coco da Mata, o 2º Festival Coco de Engenho ganhará uma versão virtual neste ano. Agendado para acontecer entre os dias 8 e 12 de setembro, o evento cultural conta com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, e é dedicado à poesia, dança, arte e preservação da tradição da cultura popular do coco de roda de origem dos antigos engenhos de cana de açúcar da região da Zona da Mata Norte pernambucana. Durante cinco dias, o público vai poder assistir, festejar e curtir vários shows de grupos culturais de coco de roda, de importantes cidades de Pernambuco, como Nazaré da Mata, Aliança, Goiana, Lagoa de Itaenga, Tracunhaém e Limoeiro. A transmissão será realizada por meio do canal do festival no Youtube, de forma gratuita. Para assistir, acesse: www.youtube.com/channel/UC4lllgpQTLGfQe9s0JjpAyg. Entre as atrações, estão dez grupos de coco de roda: Flores do Coco, da Associação das Mulheres de Nazaré da Mata (Amunam), Coco Luz do Sol, Coco da Yá, Coco de Roda Canavial e Mestre Zé de Teté. Também integra a grade cultural, o Coco de Derval, Coco Mano de Baé, além do Mestre Biu do Coco e o grupo cultural Biu Caboclo. Serviço 2º Festival Coco de Engenho Quando: 8 a 12 de setembro de 2021

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

CIRANDA DO NORDESTE RECEBE DO IPHAN O TÍTULO DE PATRIMÔNIO IMATERIAL DO BRASIL

Cristiana Dias/Secult-PECristiana Dias/Secult-PE O Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) da Ciranda do Nordeste identificou 28 grupos em Pernambuco O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, na manhã desta terça-feira (31), o registro da Ciranda do Nordeste como Patrimônio Imaterial do Brasil. A decisão aconteceu durante a 97ª reunião do Conselho, transmitida pelo canal do Iphan no YouTube. Durante a reunião, que segue pela tarde, também será apreciada a renovação do Frevo como Patrimônio Imaterial por mais dez anos. O pedido para registro da Ciranda do Nordeste no Iphan foi feito pelo então governador Eduardo Campos, em 2014, por meio da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), responsáveis pela produção do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC). Os documentos foram elaborados entre novembro de 2012 e maio de 2014 e envolvem grupos de todo o Estado. Pesquisadores qualificados e com conhecimento prévio sobre o tema da Associação Respeita Januário foram os responsáveis pela construção do INRC, que é composto por um relatório analítico, um vídeo documentário, fichas de identificação, registros audiovisuais e um dossiê. Como resultado da pesquisa, foram localizadas informações sobre 28 grupos de cirandas em Pernambuco. Em 2019, a Secult-PE/Fundarpe realizou outra ação para o registro da Ciranda do Nordeste como Patrimônio Imaterial do Brasil, com coleta de assinaturas durante a Fenearte – que naquele ano homenageou a ciranda.
Jan Ribeiro/ Secult PE - FundarpeJan Ribeiro/ Secult PE - Fundarpe Secult/Fundarpe foi a responsável pela solicitação do registro da Ciranda do Nordeste como Patrimônio Imaterial “Com o registro, a Ciranda do Nordeste fica inscrita no Livro das Formas de Expressão e têm garantido o reconhecimento, a valorização e a salvaguarda de um conjunto de bens culturais, saberes, fazeres e formas de expressão que representa. O registro deste bem contribui para o apoio, o fomento e a apreensão de sua importância para a identidade e história do povo pernambucano e brasileiro”, destaca Gilberto Freyre Neto, secretário de Cultura de Pernambuco. “As informações referentes às recomendações de salvaguarda dos bens registrados, como melhoramento de sede, espaços para apresentação, oficinas, entre outras ações que o fortaleçam, estão contidas nos inventários. Isto é um instrumento que o Estado, e os próprios grupos, possuem a partir de agora para trabalhar pela permanência e fortalecimento dos grupos”, afirma Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe. O INRC da Ciranda do Nordeste ficará disponível para consulta na biblioteca da Fundarpe e também compõem o banco de dados do Patrimônio Cultural Imaterial do Iphan. REUNIÃO DO CONSELHO - Durante a reunião, o Conselho Consultivo do Iphan decidiu também sobre a revalidação do Frevo (PE), do Tambor de Crioula do Maranhão (MA) e o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras (ES). Antes do encaminhamento para deliberação do Conselho, os processos de revalidação dos três bens culturais passaram por consulta pública e os pareceres de reavaliação foram apreciados pela Câmara Setorial do Patrimônio Imaterial do Iphan. A revalidação deve ser realizada pelo menos a cada dez anos e tem como finalidade tanto investigar sobre a atual situação do bem cultural, como levantar informações, averiguar a efetividade das ações de salvaguarda, verificar mudanças nos sentidos e significados atribuídos ao bem, entre outras questões. Além disso, a revalidação também visa subsidiar as ações futuras de proteção e valorização do patrimônio imaterial.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

6º CINE JARDIM ANUNCIA FILMES VENCEDORES DE SUAS MOSTRAS COMPETITIVAS.

Miguel Vassy/DivulgaçãoMiguel Vassy/Divulgação Dirigido por Geraldo Sarno, o filme “Sertânia” é o grande vencedor da sexta edição do festival de cinema Dezenas de filmes passaram pela sexta edição do Cine Jardim – Festival Latino-americano de Cinema de Belo Jardim, que anunciou os premiados no último sábado (28). As atividades do festival, sediado originalmente na cidade de Belo Jardim, no interior pernambucano, começaram no dia 9 de agosto com oito oficinas voltadas ao audiovisual, em sua maioria remotas. Segundo Leo Tabosa, diretor do festival, o Cine Jardim já faz parte do calendário cultural da cidade e, mesmo com as restrições impostas pela pandemia, a programação ofereceu experiências de cinema diversas para o público.
O júri da Mostra Competitiva de Longas-metragens Brasileiros, formado pelo diretor e roteirista Allan Ribeiro, pelo cineasta e professor Bertrand Lira e pela atriz, roteirista e diretora Fernanda Chicolet, consagraram SERTÂNIA, dirigido por Geraldo Sarno, como o melhor filme do ano. A coprodução Bahia/Ceará também recebeu os prêmios de melhor montagem para Renato Vallone, melhor concepção de som e melhor atuação para a dupla Julio Adrião e Vertin Moura. O longa-metragem pernambucano CASA, de Letícia Simões, saiu com os prêmios de melhor direção e melhor trilha sonora. Também foram premiados o roteiro de VERMELHA, de Getúlio Ribeiro, e a imagem de VIL, MÁ, de Gustavo Vinagre. O longa A MULHER DA LUZ PRÓPRIA, de Sinai Sganzerla, recebeu o Prêmio Especial do Júri Oficial e o Prêmio do Júri Popular. Já a Mostra Competitiva de Curtas-metragens Latino-americanos teve como jurados o diretor e roteirista Eduardo Mattos, a pesquisadora e produtora executiva Gabriela Saldanha e a atriz, curadora e produtora Majeca Angelucci. O troféu de melhor filme foi para animação pernambucana NIMBUS, de Marcos Buccini, que também conquistou o Prêmio Edina Fujii no valor de R$ 6 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinária da empresa Naymovie. Outras sete obras dividiram os demais prêmios da competição. O Júri Jovem, formado por participantes da Oficina de Crítica de Cinema do festival, reconheceu o curta-metragem CADEIA ALIMENTAR, de Raphael Medeiros, que recebeu também o prêmio Mistika Post com R$ 4 mil em serviços de pós-produção. A votação do Júri Popular consagrou MEMÓRIAS DE QUINTAL, de Lorena D’Avila e Simony Leite Siqueira.
Além das mostras principais, o VI Cine Jardim também organizou outros cinco programas paralelos. O júri oficial da Mostra Diversidade de Voos, formada por filmes que contribuem para a humanização dos corpos trans em espaços de poder na nossa sociedade, foi formado pela atriz e performer Divina Núbia e pela realizadora audiovisual Mariana Luiza, que concederam o Troféu Roberta Gretchen Coppola de melhor curta-metragem para PIU PIU, de Alexandre Figueirôa. Para o júri popular, o destaque ficou com o paraibano BATOM VERMELHO SANGUE, de R.B. Lima.
As Mostras Rotas de Imigração, Voo Livre, Revoada e Passarinho foram avaliadas pelo público por meio de votação nas plataformas de exibição do Cine Jardim. Os vencedores foram, respectivamente, ELEVADOR (PB), de Heleno Florentino; AZUL (PE), de Tauana Uchôa; HOJE SOU FELICIDADE (PE), de João Luís e Tiago Aguiar, e VENTO VIAJANTE (CE), realizado pelos Alunos do Projeto Animação Ambiental, Escolas Municipais de Icapuí – CE. Por fim, o Prêmio de Aquisição Elo Company, que se compromete a representar o filme comercialmente em território nacional pelo período de 12 meses, ficou com o curta-metragem mineiro ANGELA, de Marília Nogueira.
PREMIADOS – VI CINE JARDIM MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS MELHOR FILME: SERTÂNIA (BA/CE), de Geraldo Sarno PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI: A MULHER DA LUZ PRÓPRIA (SP), de Sinai Sganzerla MELHOR DIREÇÃO: CASA (PE), de Letícia Simões MELHOR ATUAÇÃO: JÚLIO ADRIÃO e VERTIN MOURA em SERTÂNIA (BA/CE) MELHOR IMAGEM: VIL, MÁ (SP), de Gustavo Vinagre MELHOR ROTEIRO: VERMELHA (GO), de Getúlio Ribeiro MELHOR MONTAGEM: Renato Vallone por SERTÂNIA (BA/CE) MELHOR TRILHA SONORA: CASA (PE), de Letícia Simões MELHOR CONCEPÇÃO DE SOM: SERTÂNIA (BA/CE), de Geraldo Sarno JÚRI POPULAR: A MULHER DA LUZ PRÓPRIA (SP), de Sinai Sganzerla MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS LATINO-AMERICANOS MELHOR FILME: NIMBUS (PE), de Marcos Buccini PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI: 23 MINUTOS (MG), de Rodrigo Beetz e Wesley Figueiredo MELHOR DIREÇÃO: REBENTO (BA), de Vinícius Eliziário MELHOR ATUAÇÃO: TEUDA BARA em ANGELA (MG), de Marília Nogueira MELHOR IMAGEM: EPIRENOV (Argentina), de Alejandro Ariel Martin MELHOR ROTEIRO: BAILE (SC), de Cíntia Domit Bittar MELHOR MONTAGEM: ATORDOADO, EU PERMANEÇO ATENTO (RJ), de Lucas H. Rossi dos Santos e Henrique Amud MELHOR CONCEPÇÃO DE SOM: EX-HUMANOS (PE), de Mariana Porto JÚRI POPULAR: MEMÓRIAS DE QUINTAL (ES), de Lorena D’Avila e Simony Leite Siqueira JÚRI JOVEM: CADEIA ALIMENTAR (RJ), de Raphael Medeiros MOSTRA DIVERSIDADE DE VOOS JÚRI OFICIAL: PIU PIU (PE), de Alexandre Figueirôa JÚRI POPULAR: BATOM VERMELHO SANGUE (PB), de R.B. Lima MOSTRA ROTAS DE MIGRAÇÃO JÚRI POPULAR: ELEVADOR (PB), de Heleno Florentino MOSTRA VOO LIVRE JÚRI POPULAR: AZUL (PE), de Tauana Uchôa MOSTRA REVOADA JÚRI POPULAR: HOJE SOU FELICIDADE (PE), de João Luís e Tiago Aguiar MOSTRA PASSARINHO JÚRI POPULAR: VENTO VIAJANTE (CE), dos Alunos do Projeto Animação Ambiental, Escolas Municipais de Icapuí – CE SOBRE O CINE JARDIM O Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim é uma janela destinada à divulgação da produção cinematográfica latino-americana, à profissionalização de jovens por meio do audiovisual e à democratização dos bens culturais. O Festival de caráter competitivo e visa premiar filmes latino-americanos de curtas-metragens e longas-metragens brasileiros das mostras competitivas. É importante ter esta janela aberta no interior, especialmente para compreender e apreciar outros mundos reais e possíveis, que na mágica tela branca projetam-se infinitas possibilidades de encontros e intercâmbios com um único compromisso, fazer deste mundo um mundo mais humano e mais perto de todos nós.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

História das Batalhas, Serra Grande se consolidou como a maior vitória.

por Fernando Maia - Repórter
Na casa para onde os feridos na batalha de Calumbi foram levados, se vê a Serra Grande, local em que Lampião obteve a sua maior vitória no cangaço Calumbi (PE). O enfrentamento motivou o ex-policial, pesquisador e colecionador Lourinaldo Teles a escrever, após seis anos de pesquisa, o livro “A maior batalha de Lampião- Serra Grande e a invasão de Calumbi”, o que valeu na época para Virgulino Ferreira o título de Imperador do Sertão. Para se ter uma ideia do material conseguido por Lourinaldo, ele coleciona mais de 300 projéteis retirados da serra onde foi travada a luta, além de cartuchos vazios, a maioria encontrados com um detector de metais. Nos cálculos do escritor, pelo menos cinco mil tiros foram deflagrados no evento no qual Lampião demonstrou toda a sua condição de estrategista.
Lourinaldo Telles (Foto Blog Cariri Cangaço) Quando tomou conhecimento que o major Theófiles Torres seria nomeado comandante geral das forças volantes do interior pernambucano, Lampião, já sabendo que o principal objetivo do militar era prendê-lo ou matá-lo, buscou uma maneira de desmoralizá-lo. No dia 24 de novembro, sequestrou Pedro Paulo, o Mineirinho, representante da Shell na região. Seguiu para a Serra Grande, entre os municípios de Flores, de quem Calumbi se emancipou em 1964, e Serra Talhada. No local, além de ser acostumado a acampar, tinha no entorno vários coiteiros.
Lampião enviou uma carta para as autoridades de Serra Talhada exigindo uma quantia em dinheiro para liberar Mineirinho. A Polícia foi até o local do sequestro para levantar pistas. Enquanto isso, o cangaceiro e seu bando praticavam ataques e sequestros na região, numa indisfarçável tentativa de levar as volantes ao local onde cerca de 116 homens estavam entrincheirados. Segundo o pesquisador, oficialmente a Polícia contava com 296 soldados, mas o número real seria 350, contra 116 cangaceiros. Num confronto que começou às 8 horas da manhã e foi concluído às 17 horas, o saldo foi o seguinte: 10 mortos e 14 feridos entre as forças policiais. Nenhum cangaceiro saiu ferido. “Esse é o relato oficial. Entretanto, consegui encontrar pelo menos mais um outro policial que faleceu, conforme depoimento de seus familiares. Foi uma batalha extraordinária. Lampião estava armado até os dentes com o arsenal que recebeu em Juazeiro do Norte. Do outro lado, estava toda a elite da Polícia de Serra Talhada. É considerada a maior batalha de Lampião, pelo número de envolvidos, de mortos e feridos e munição deflagrada, pelo menos uns cinco mil tiros, se contarmos em torno de dez balas por homem”. Na companhia de Lourinaldo, visitamos a casa de Zé Braz, no Sítio Tamboril, onde os feridos ficaram. “Sete dos mortos foram enterrados numa cova coletiva, depois que os três primeiros foram colocados em sepulturas individuais. Os 14 feridos vieram para cá. Esse pilão aqui é o original. Aqui os pintos eram jogados e o pilão era usado para triturar as aves junto com água. O preparo era dado aos feridos. A crendice popular indicava que aqueles que bebessem e não vomitassem escapavam; do contrário, morreriam. O certo é que todos os pintos do sítio foram sacrificados nesse dia”. De cima da linha férrea da Transnordestina, Lourinaldo aponta para a região onde os homens de Lampião se entrincheiraram. “O local é conhecido até hoje como Serrote de Lampião. Era o ponto perfeito. Do alto da serra, se via tudo o que se passava embaixo. Além disso, existiam olhos d´água e muitos animais para a caça. Outro fator importante: vários amigos de Virgulino, antes de ele entrar para o cangaço se tornariam seus coiteiros. Por ali, quando adolescente, ele levava e trazia mercadorias para negociar em Triunfo e outras cidades com os irmãos, conhecendo cada centímetro daquela terra. Enfim, ele escolheu o território ideal para desafiar as forças oficiais”. Polêmica Embora reconheça em Lampião um “homem astuto, extremamente estrategista e inteligente”, Lourinaldo contesta o entendimento de que o Rei do Cangaço, capaz de práticas cruéis contra seus inimigos, jamais abusou de mulheres. “No meu primeiro livro, já citei um caso envolvendo uma mulher casada. A pedido da família, o nome não foi mencionado. Entretanto, brevemente lançarei outra publicação, intitulada “Lampião, o Imperador do Sertão”, no qual narrarei dois outros abusos, também de mulheres casadas. Já recebi a autorização das famílias para citar os nomes e o farei”. Lourinaldo destacou que o que mais lhe impressionou na história do Rei do Cangaço “foi sua capacidade de liderar mais de cem bandidos da pior espécie”. Sobre o fato de policiais utilizarem os mesmos métodos de tortura praticados pelos cangaceiros, o pesquisador disse não haver a menor dúvida disso e tem uma explicação. “Muitos personagens estiveram dos dois lados. Quelé do Pajeú, por exemplo, foi inspetor de Polícia em Triunfo (PE). Saiu da Polícia para se tornar cangaceiro de Lampião, com quem se desentendeu. Abandonou o bando e foi ser sargento na Polícia da Paraíba. Corisco era soldado do Exército. Quando saiu, entrou para o cangaço”.
Coleção O pesquisador possui em sua coleção particular, além de centenas de balas e cartuchos encontrados na Serra Grande e até em Angicos, punhais que pertenceram aos cangaceiros Joaquim Teles de Menezes, Meia-Noite e Félix Caboge. Mas uma arma tem um valor inestimável. É a que Luiz Pedro, considerado braço direito de Lampião, matou acidentalmente Antônio, irmão de Virgulino. O fuzil é o mesmo com o qual Antônio pousa em suas pernas para a famosa foto de Lampião e o restante da família, em Juazeiro do Norte. O escritor e colecionador conta que todos estavam bebendo e jogando baralho no acampamento, quando Antônio bateu na rede onde Luiz Pedro estava deitado com o fuzil engatilhado. A arma disparou um tiro certeiro em Antônio. Tal era a confiança de Lampião em Luiz Pedro que poupou sua vida, mesmo ele tendo tirado a do próprio irmão. O fuzil foi deixado por Luiz Pedro na casa de uma irmã, chamada Elvira, que, muitos anos depois da sua morte, entregou a arma a Lourinaldo. Publicado originalmente no Jornal Diário do Nordeste Postado por Kiko Monteiro às 01:27

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Webdocumentário “Camará Cantará” retrata cena musical da cidade de Camaragibe

A música de Camaragibe, município situado na Região Metropolitana do Recife, entra em evidência no webdocumentário “Camará Cantará: música enquanto elemento de articulação e brincadeira ancestral”, que estreia no Portal Embrazado, na próxima segunda-feira (30). O trabalho é resultado da convocatória Correspondentes Embrazado, que elegeu a jornalista e artista Kalor como representante pernambucana. Ela convidou o arteducador e músico Bicicastelo e o editor Gabriel Araújo (Gibxlv) para fazer uma verdadeira viagem pelas sonoridades do território onde os três vivem. O curta-metragem reúne entrevistas de mais de dez trabalhadores da música, entre grupos e artistas solo, intérpretes, compositores e instrumentistas: Lia de Camaragibe, Brenda Guimarães, Mestre Ligeirinho e o Boi dos Dendê, formado junto à sua família: a mãe Cícera, seu irmão Sandro, seu filho Dimas e o sobrinho, Pedro. Há também depoimentos de Maicão, poeta Malunguinho, Cidra, Jack, Rick e PL, além de contemplar registros disponíveis na internet de Mestre Zé Negão, Mestre Dudé, Urso Mimoso de Camaragibe, Alex Monte, Z Alterado e MC Reino. Perspectivas diversas em gênero, faixa etária e cenas musicais dialogam entre si, a partir das perguntas elaboradas por Kalor e Bicicastelo sobre a relação da música com ancestralidade, território, brincadeiras e articulações. Ficou a cargo de Gibxlv dar a liga na montagem do vídeo, que conta também com imagens de arquivo encontradas nas redes sociais dos artistas e produzidas pela cena audiovisual agregada às produções musicais. Todo o processo foi acompanhado por Rodrigo Édipo, editor do portal Embrazado, e Igor Marques, um dos fundadores do projeto e também responsável pela finalização do vídeo. “A gente está próximo de fechar o ciclo do projeto do Portal Embrazado com a Petrobras como patrocinadora. Com esse filme, sinto que o projeto está se encerrando em expansão”, destaca Édipo, que foi responsável por coordenar editorialmente os conteúdos trabalhos em quatro capitais do Brasil, sendo Camaragibe a única cidade suburbana contemplada na convocatória. “É valioso perceber que a periferia é o novo centro, a partir do momento que nos colocamos como eixo e passamos a valorizar a trajetória de artistas que transformam com a música suas próprias realidades e consequentemente a realidade da nossa cidade”, finaliza Kalor, que mora em Camará desde que nasceu. Para conferir o vídeo, acesse: www.portalembrazado.com.br. Serviço Lançamento do filme “Camará Cantará: música enquanto elemento de articulação e brincadeira ancestral” Quando: 30 de agosto de 2021 (segunda-feira) às 18h

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

SOCIEDADE DOS BACAMARTEIROS DO CABO REABRE O MUSEU OLIMPIO BONALD

Após uma pausa nas atividades, por conta das restrições impostas pela pandemia da Covid-19, o único museu de bacamarteiros do mundo reabre suas portas para visitação. Trata-se do Museu Olímpio Bonald de Bacamarte (MOBBAC), localizado no centro do Cabo de Santo Agostinho, administrado pela Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo (SOBAC), Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco. Aberto em 2016, o MOBBAC foi reconhecido em sua iniciativa, por meio de uma Menção Honrosa por Preservação da Memória Cultural de Pernambuco, no Prêmio Ayrton Almeida de Carvalho, em 2017, realizado pela Secult-PE/Fundarpe. O museu detém um acervo iconográfico que remonta os primeiros anos do bacamartismo no século passado, além de objetos relacionados ao movimento, como bacamartes de várias épocas, pilão de pólvora e ronqueira, e conta com a mediação dos próprios bacamarteiros e bacamarteiras, afirmando seus objetivos de museu comunitário. ATIVIDADES - Além da reabertura do Museu Olímpio Bonald de Bacamarte, estão abertas as oficinas de pífanos, que já formou mais de trinta pifeiros no município, bem como a de Canto Coral Regional, que alimenta o Coral Boca de Bacamarte da SOBAC. Os interessados em participar podem se inscrever pelo número: (81) 99750-3564.
“Queremos que o visitante tenha contato direto com nossa expressão, podendo captar não só o visível aos olhos, mas o que permeia nossa paixão po
este folguedo sesquicentenário”, conta Ivan Marinho, que coordenas as atividades da SOBAC. O MOBBAC reabre com incentivo, através de Termo de Fomento, da Secretaria de Cultura do Cabo de Santo Agostinho. Serviço Reabertura do Museu Olímpio Bonald (MOBBAC) Funcionamento: de quarta-feira a sábado, das 09h às 16h, com intervalo de 12h às 13h para almoço; e domingo, de 8h às 12h. Endereço: R. Vigário Batista, 157, Centro – Cabo-PE (em frente ao antigo Mercado de Farinha). Contato pelos números: (81) 9.9451-9085 ou (81) 9.9750-3564

AULA-ESPETÁCULO SALVE OS CABOCLOS DE LANÇA ! CIRCULA POR SEIS CIDADADES PERNAMBUCANAS

Para comemorar 50 anos de sua resistência cultural, o Maracatu de Baque Solto Leão de Ouro, fundado em 10 de dezembro de 1970, no município de Condado, na zona da Mata Norte, irá realizar uma circulação por seis cidades com o projeto Aula-Espetáculo Salve os Caboclos de Lança!. Durante a Semana do Folclore, as comunidades escolares da Rede Estadual de Ensino das quatro macrorregiões (Metropolitana, Mata, Agreste e Sertão) receberão apresentações gratuitas que possibilitará o contato direto com a riqueza da diversidade cultural do Estado. O projeto conta com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura.
A aula-espetáculo contará com uma apresentação de terreiro, interação com o público presente e explanação dos elementos que compõem a manifestação cultural: personagens principais, trajes, manobras e musicalidade. As figuras representativas do Maracatu de Baque Solto, o Caboclo de Lança, personagem central nas apresentações; o Mestre entoando loas em marcha, sambas e galope acompanhado do Terno (orquestra de sopro e percussão); e com os caboclos, dama do paço, rei/rainha, baianas e arreiamás exibirão suas manobras numa apresentação emocionante e cheia de surpresas
O projeto, na perspectiva de promover um intercâmbio artístico, irá em cada município visitado contar com a participação de um grupo cultural local, além de garantir a acessibilidade às pessoas com deficiências a participarem efetivamente da atividade. Em tempo de pandemia da Covid-19, é importante salientar que as escolas e instituição que irão receber a circulação estarão respeitando todos os protocolos de segurança sanitárias, inclusive, os integrantes do Maracatu assim como a equipe de produção, estão todos vacinados. Programação da Aula-Espetáculo Salve os Caboclos de Lança!, com o Maracatu de Baque Solto Leão de Ouro Escola Santa Cristina / Assentamento Luiza Ferreira Condado – Zona Rural / Mata Norte Interação artística: Repentistas / Andrade Pessoa e Manoel Miguel 23/08/2021 – segunda-feira / 16h EREM Santos Cosme e Damião Igarassu / Metropolitana Norte Interação artística: Boi de Carnaval / Grupo Ariano Suassuna 23/08/2021 – segunda-feira / 19h EREM Pedro Tavares Camutanga / Mata Norte Interação artística: La Ursa / Grupo Recreart 24/08/2021 – terça-feira / 10h Apresentação Especial: Contrapartida Social Instituto Padre Luis Cecchin Limoeiro / Agreste Setentrional 24/08/2021 – terça-feira / 15h ETE Maria José Vasconcelos Bezerros / Agreste Central Interação artística: Papangu / Grupo de Dança Folcpopular 25/08/2021 – quarta-feira / 10h EREM Alfredo de Carvalho Triunfo / Sertão do Pajeú Interação artística: Caretas / Treca Alto Astral 26/08/2021 – quinta-feira / 10h

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

SITE REÚNE ACERVO DE ARTESÃOS DE GOIANA.

Está no ar o site Homens de Barro que, por meio dos recursos do Funcultura, reúne o acervo de artistas da cidade de Goiana, localizada na Zona da Mata Pernambucana: Adilson Vitorino, Edvaldo Manoel, Gersino Santos, Luiz Carlos e Tog.
A página é fruto de uma pesquisa desenvolvida pela produtora 9 Oitavos que ao longo de três anos realizou um recorte do universo de ceramistas do município e selecionou cinco artistas e suas obras. ”A proposta inicial era realizar residências observacionais nos ateliês dos artistas e através disso traçar um relato sobre a vivência próxima aos processos de produção dos artistas, mas com a pandemia, foi necessário diminuir o tempo de presença e estabelecer o diálogo e aproximação por outros meios”, afirma Saulo Ferreira, coordenador da pesquisa. ” A ideia é que em uma próxima edição da pesquisa possamos adicionar mais informações de outros artistas da cerâmica figurativa de Goiana ao site, o universo é muito amplo e com artistas de várias gerações, nosso objetivo é ampliar o máximo espectro”, diz Caio Dornelas, produtor do projeto.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

PAULO RAFAEL

Lamentamos a morte do músico Paulo Rafael, de 66 anos. Sua passagem ocorreu na madrugada desta segunda-feira, dia 23 de agosto, por complicações no fígado causadas pelo câncer. Paulo Rafael foi um dos maiores representantes da geração udigrudi do Estado. Instrumentista inquieto e extremamente técnico, ele fez parte da formação original da banda Ave Sangria, referência do rock psicodélico brasileiro, e acompanhou por décadas o cantor Alceu Valença, além de participar de inúmeros projetos artísticos em quase 50 anos de carreira.

CAIS DO SERTÃO INTEGRA - SE À PROGRAMAÇÃO DA 14ª SEMANA DE PATRIMÔNIO CULTURAL DE PERNAMBUCO

Chico Andrade/Setur/EmpeturChico Andrade/Setur/Empetur O Centro Cultural Cais do Sertão celebra nesta semana o afeto e a memória, tema da 14ª Semana de Patrimônio Cultural de Pernambuco, organizada pela Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) e Fundarpe. As ações continuam, por enquanto, centradas nas plataformas digitais do Cais. O museu oferta, para a vivência do tema, o lançamento da websérie “Afetos do Cais”, que contará com depoimentos de artistas e acadêmicos, além dos webinários, lives temáticas e homenagens aos patrimônios vivos do Estado. A nova websérie “Afetos do Cais” abordará a importância da arte e dos equipamentos culturais para a manutenção afetiva da sociedade. “Afetos” contará com três episódios e participações especiais. No primeiro episódio, o pesquisador da obra e vida de Luiz Gonzaga, Paulo Vanderley, analisa a importância do Rei do Baião para a cultura nordestina. A série segue explorando os afetos e memórias com depoimentos da produtora cultural Karina Hoover sobre Cafi e do cineasta Marcelo Gomes sobre o cinema e o filme produzido para o Cais, “Um dia no Sertão”. Os vídeos podem ser assistidos no perfil do Instagram @caisdosertao.
Já a série “Patrimônios Vivos de Pernambuco” homenageia o trabalho afetivo do fotógrafo e artista plástico pernambucano, Cafi. O artista, entre as décadas de 1970 e 1990, colaborou com inúmeros músicos nacionais (Alceu Valença, Milton Nascimento, Nana Caymmi entre outros) na criação de capas de discos – ao todo, Cafi clicou mais de 260 álbuns. Para o Cais, o trabalho de Cafi pode ser contemplado na exposição fixa “O Sorriso do Sertão”. O especial pode ser conferido no perfil do Instagram do museu @caisdosertao. “O afeto e as memórias nos guiaram durante toda a vida. Neste período de pandemia, foi crucial reviver todos os sentimentos e trazer as lembranças para o presente. A cada debate virtual, playlists e vídeos especiais sobre o acervo do Cais do Sertão, reacendeu em nós a necessidade de discutir o poder da arte, da cultura, da memória e dos afetos, além de promover ao turista que visita o museu, acolhimento, reconhecimento e esperança”, pontua a gestora do Cais, Maria Rosa Maia. faixa semanal Papo de Museu, que recebe museólogos e gestores museais, dá continuidade à missão de refletir e analisar sobre a importância dos espaços culturais na contemporaneidade. Sob o tema “O afeto na concepção do Museu Luiz Gonzaga de Dom Quirino”, o quadro recebe o idealizador do espaço dedicado ao Rei, Pedro Lucas Feitosa. O bate-papo terá mediação do educador do Cais Sandro Santos e será transmitido via Instagram, a partir das 17h. O debate sobre os afetos e as memórias para a produção artística se estende para webinário transmitido no canal do YouTube do Cais. A repórter fotográfica Priscilla Buhr, a mestra em design e diretora do Proa Cultural, Maria Chaves, e a jornalista Roberta Guimarães analisam os encontros entre a fotografia, a memória e o afeto em debate promovido pelo museU.
Para adentrar à narrativa proposta pelo Cais nas plataformas digitais, o museu estende os conceitos de afetividade cultural em visitação ao acervo, que remonta a música de Luiz Gonzaga e a vida no Sertão de Pernambuco. O centro cultural segue aberto ao público nas quintas e sextas-feiras, das 10h às 16h, e sábados e domingos, 11h às 17h. Os ingressos custam R$10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). O Cais do Sertão é um equipamento turístico-cultural gerido pelo Governo do Estado de Pernambuco, Secretaria de Turismo e Lazer e Empetur. Fonte:Portalcultura PE

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

A RESISTÊNCIA FISICA DOS HOMENS DO CANGAÇO

Artigo de Luiz Luna, publicado no Diário de Notícias (RJ) em 09/07/1961 O que impressiona nesses homens (tanto soldados como cangaceiros) é a extraordinária resistência física. Levando vida de nômade, vencendo quilômetros e quilômetros na caatinga adusta, subindo e descendo serras e tabuleiros, enfrentando e dominando a hostilidade violenta dos carrascais agressivos, resistiam a tudo. Não consta (procuramos, inclusive, investigar o caso, através de depoimentos de participantes e contemporâneos) que um só cangaceiro ou soldado das “volantes” houvesse morrido de outra enfermidade, a não ser em consequência de bala. Muitos, porém, entre eles o próprio Lampião, diversas vezes alvejado, sobreviveram aos ferimentos, alguns graves, sem contudo receberem assistência médica adequada.
Os meios de tratamento e as condições de higiene eram, como se pode imaginar, os mais precários e rudimentares. Na época, desconhecia-se o poder das sulfas e dos antibióticos e os cangaceiros, por sua vez, não se davam ao luxo de procurar médicos ou mesmo farmacêuticos para curar as suas feridas. O tratamento fazia-se entre eles, com o conhecimento que tinham de medicina caseira e outros que as necessidades ensinavam. Para estancar o sangue, usavam pó de café, mofo e até excrementos de gado empregavam para fazer sarar os ferimentos. Ervas ditas medicinais, que brotam espontaneamente nos baixios e vazantes, eram largamente usadas. Havia também as rezas, invocadas profusamente para curar todos os males do corpo e da alma. Os curandeiros proliferavam por toda a zona sertaneja, como de resto acontecia em todo o Nordeste, sempre desprovido de assistência médica. Curiosos, dotados de extraordinário dom de improvisação e imitação do homem nordestino, encontram-se com facilidade em todos os recantos da região. Lampião mesmo era um deles. Servia de parteiro às mulheres do bando, como já assinalamos neste trabalho, e também encanava braços e pernas, fazia pequena cirurgia e tratava dos ferimentos dele e dos companheiros.
Eram, pois, fisicamente fortes os homens envolvidos nas lutas do cangaço e isso está comprovado pela resistência orgânica que demonstraram em tantos anos de campanha cruenta. Tanto os cangaceiros como os soldados das “volantes” eram, em geral, tipos longilíneos, magros, mas de compleição atlética. Os tipos brevilíneos do litoral e da zona da mata, quando alistados na Polícia Militar, nunca eram destacados para as forças “volantes”, integradas de preferência por homens da área sertaneja, mesmo porque muitos deles se tornavam soldados com o fim deliberado de perseguir cangaceiros, por motivos de vingança, decorrentes, da maioria das vezes, de brigas entre famílias. Muitos desses soldados, homens bravos e decididos, atingiram o oficialato, como é o caso do coronel Manuel Neto, major Manuel Flor, capitão Guedes e tantos outros, cujas promoções se deram sempre por atos de bravura. Naturalmente que a alimentação sóbria e mais sadia do que a dos nordestinos das demais zonas, influiu de modo considerável na resistência orgânica do homem do sertão. Talvez repouse nisso o segredo da resistência física do cangaceiro e do soldado das “volantes” ao enfrentarem condições tão adversas em suas constantes lutas e andanças.
Não nos consta que houvesse um cangaceiro ou um soldado (pelo menos nunca os vimos nem os soubemos assim) que apresentasse o tipo adiposo que geralmente encontramos na área do açúcar ou que apresentasse, como é comum na faixa verde dos canaviais, sintomas de certas doenças, que costumam deixar as marcas da sua destruição nas pernas inchadas, no ventre empanzinado (a chamada “barriga” d’água) ou nas feridas, como “boba” e “boqueira”, enfermidades facilmente encontradas na população do Nordeste açucareiro. No sertão, não se vê o tradicional homem pequeno e amarelo do litoral e da zona da mata, de pernas bambas e barriga grande, que o folclore glosou na faixa rural do município de Goiana, em Pernambuco: “Amarelo de Goiana Come sapo com banana.”
O sertanejo é um tipo delgado e enxuto e assim foram os homens que se envolveram nas campanhas do cangaço. Soldados e cangaceiros comiam a mesma comida do sertão, na base do milho e da carne, do leite e da rapadura. Fruta quase não entra na dieta dos sertanejos e muito menos verdura, que ele mesmos costumam dizer que “homem não é coelho para comer folhas”. Os cangaceiros, mais do que os soldados, em vista da ilegalidade da vida que levavam, lutavam com maior dificuldade no setor da alimentação. Como verdadeiros nômades, hoje aqui, amanhã acolá, carregavam o alforje de alimentos, juntamente com o rifle e o bornal de balas. No alforje, levavam carne de sol, geralmente de bode, carne de charque, farinha de mandioca e rapadura; café, bolachas, milho pilado e requeijão, que comiam cru ou assado. Associando o milho ao leite, faziam o cuscuz e o angu e, ao fruto do umbuzeiro, a “umbuzada”, alimento muito apreciado no sertão nordestino.
Nos armazéns e nas feiras, das vilas por onde passavam, nas casas-grandes das fazendas e nos “coitos”, que os acolhiam, faziam a provisão para a boca e para o rifle. Nos bons “coitos”, regalavam-se.
Parte da histórica milícia Nazarena: Gervásio de Souza Ferraz, Raul Ferraz, Manoel Concordio, Manoel Ferraz, Antonio de Belo, Olegario Pereira na Fazenda Curral Novo, Floresta-PE. Comiam carne fresca de boi, de cabrito ou de carneiro e secavam ao sol o restante para o sustento nas caminhadas incertas. Das vísceras do cabrito ou do carneiro, preparavam as deliciosas “buchadas”, que comiam acompanhadas de alguns tragos de aguardente, vinho e cerveja quando encontravam. Mas, com moderação, pois cangaceiro não podia se exceder em bebidas, diante dos perigos a que estavam expostos e que exigiam de sua parte toda atenção e precaução. Lampião, que era infenso ao álcool, mantinha os cangaceiros no regime de pouca bebida e punia severamente os que se excediam.
Com carne e leite frescos, queijo e coalhada, comidos nas fazendas amigas, durante os dias de descanso, os cangaceiros restauravam as energias para novas caminhadas e novos combates. Curioso é que muitos preferiam o leite de cabra ao de vaca e alguns até o de ovelha, que diziam “dar mais sustança e disposição ao corpo”. Acontece que com uma alimentação, aparentemente sem substância, cangaceiros e soldados das “volantes” conseguiram sobreviver às enfermidades que a carência alimentar provoca. Nas fases de maior perseguição, quando não conseguiam se locomover com a relativa facilidade rotineira completavam a dieta com raízes e frutos silvestres, especialmente o piqui e o umbu, sendo que a raiz do umbuzeiro ainda lhes mitigava a sede, dada a grande porcentagem de água, que contém. Não comiam tanto açúcar nem se empanturravam de gordura como os homens do Nordeste açucareiro. Com alimentação enxuta, pobre dos molhos que dão sabor especial à cozinha das casas-grandes dos engenhos, mas capaz de equilibrar, relativamente, o metabolismo basal, o cangaceiro, como acontece com todos os sertanejos, conservava o organismo em condições de resistir às constantes perdas de energias, que as suas ingentes atividades provocavam.
Ao pressentirem a época das grandes estiagens, procuravam locais mais favorecidos, principalmente na região sanfranciscana de Sergipe, onde a seca custa a chegar e, assim, nos “coitos”, que consideravam seguros, aguardavam melhores dias para novas investidas no coração sertanejo. Foi depois de um descanso desses, que Lampião e seus cabras entraram em Queimadas, no sertão da Bahia. Transcritopor Antonio Correia Sobrinho Fonte:Kiko Monteiro-Lampiaoaceso.

sábado, 21 de agosto de 2021

DAÚDE

Maria Waldelurdes Costa de Santana Dutilleux (Salvador, 23 de setembro de 1961), artisticamente conhecida como Daúde, é uma cantora, atriz e modelo brasileira. Filha do tenente do Exército Waldemiro Guilherme Santana (Seu Vavá) e de Maria de Lurdes Costa de Santana. Até aos 11 anos de idade residiu em Salvador, mudando-se então para o Rio de Janeiro com os pais e os três irmãos mais novos. Aos 18 anos, começou a estudar canto no Instituto Villa-Lobos e teatro na Escola Martins Pena.
Formou-se, mais tarde, em Letras - Português e Literatura, pela Universidade Santa Úrsula, do Rio de Janeiro. Atuou em diversos musicais teatrais. Participou do programa "Viva o gordo", na TV Globo. Com seu disco homônimo de estréia (1995) recebeu três prêmios como cantora revelação: "Prêmio Sharp", "Prêmio APCA" e o "Prêmio dos Leitores do Jornal do Brasil". Em 1996 apresentou-se no "Summer Stage Festival", em Nova York. Lançou seu trabalho também no Japão e realizou sua primeira turnê internacional na Europa. Neste mesmo ano, participou do CD do duo 2Toiévsky (Chico Costa e Alexandre Santim) "2Toiévsky canta Caetano", pelo Selo Visom Digital. No ano de 1997 lançou "Daúde "2". Percorreu, com este trabalho, 25 cidades brasileiras e importantes festivais de música da Europa. Em 1999, lançou o CD "Simbora", remix feito a partir das canções de seus dois discos anteriores.
No decorrer de sua carreira, lançou quatro videoclipes e teve 10 músicas executadas em emissoras de rádio de todo o Brasil. Realizou várias turnês pelo Brasil e exterior. Em 2001 foi convidada pelo grupo paulista Funk Como Le Gusta para participar do projeto "Humaitá Pra Peixe", do Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro. No ano de 2002 finalizou em Londres seu novo CD. O disco, produzido por Will Mowatt, traz em seu repertório clássicos da MPB, tais como "Canto de Ossanha" (Baden Powell e Vinicius de Moraes) e "Crioula" (Jorge Benjor). FONTE: http://www.dicionariompb.com.br/daude