sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

16º FESTIVAL DE CINEMA DE TRIUNFO ANUNCIA ATIVIDADES FORMATIVAS Programação formativa do festival valoriza a formação, o diálogo entre territórios e o fortalecimento das políticas culturais, com oficinas, masterclasses e ações voltadas a diferentes públicos e linguagens
Entre os dias 14 e 20 de dezembro, o município de Triunfo volta a se tornar o epicentro do cinema pernambucano. Realizado pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), em parceria com o Sesc Pernambuco, o 16º Festival de Cinema de Triunfo chega em 2025 reafirmando seu caráter plural e descentralizado, com uma programação formativa que aproxima o audiovisual dos territórios e das pessoas. Mais do que um evento de exibição, o festival se consolida como um espaço de aprendizado, partilha e construção coletiva, articulando diferentes olhares sobre o cinema, a memória e as identidades culturais do Estado. Ações formativas como oficinas, workshops e masterclass ampliam o alcance do festival, estimulando a reflexão crítica, o protagonismo das comunidades e a valorização da diversidade. “O Festival de Cinema de Triunfo tem um papel fundamental na política cultural do Estado. Ele consolida o Sertão como território de produção e reflexão audiovisual, levando formação, oportunidades e debate para dentro das comunidades. É um festival que conecta o cinema às pessoas, e as pessoas às suas histórias. Essas oficinas representam o nosso compromisso com uma cultura acessível, plural e descentralizada, que forma, transforma e projeta novos olhares sobre o mundo”, ressalta a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula. Para a presidente da Fundarpe, Renata Borba, o Festival de Cinema de Triunfo fortalece as políticas públicas estaduais que valorizam os territórios e ampliam o acesso ao audiovisual. “Ao promover capacitação, difusão de metodologias e qualificação técnica nos territórios, reforçamos o compromisso da gestão Raquel Lyra com o desenvolvimento do audiovisual em Pernambuco. Essas iniciativas ampliam a capacidade produtiva das comunidades, fortalecem a participação social nos mecanismos de financiamento e ajudam a construir um ambiente cultural mais forte, mais participativo”, afirma. Workshop “Territórios de afetos: roteiros LGBT’s e cinemas negros” No dia 16 de dezembro, das 9h às 12h, na Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho, o roteirista e cineasta Rafael Nascimento conduz um workshop que propõe uma imersão criativa nas narrativas negras e LGBTQIAP+ ambientadas no Sertão. Com abordagem prática e sensível, a oficina estimula a escrita a partir da experiência afetiva, explorando o cinema como linguagem de pertencimento e resistência. Com 15 vagas disponíveis, o processo seletivo prioriza pessoas negras, indígenas, LGBTQIAP+ e estudantes da rede pública, com inscrições via formulário on-line. Oficina de portfólio cultural e elaboração de projeto Em uma ação inédita de descentralização e valorização dos territórios tradicionais, o festival leva formações para os quilombos Águas Claras (17/12) e Santa Rosa (18/12), em parceria com a Gerência de Educação e Direitos Humanos (GEDH/Secult-PE). Nos dois dias, das 9h às 12h30 e 13h às 16h, acontecem as oficinas “Da Ideia ao Projeto: Modelagem Criativa e Escrita de Projetos Culturais, ministrada por Sandra Silva; e “Da Trajetória à Apresentação: Organização e Construção de Portfólio Cultural”, ministrada por Iyadirê Zidanes. Ambas abordam temas como representatividade, escrita de projetos culturais e fortalecimento das identidades quilombolas. As ações buscam promover o acesso a ferramentas de elaboração de projetos, estimular a autonomia criativa e ampliar a presença das comunidades nos editais de fomento. Masterclass “Um novo cinema indígena? Reflexões sobre produção audiovisual e autoagenciamento dos povos originários” No dia 17 de dezembro, das 9h às 12h, na Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho, a artista, realizadora e pesquisadora Fulni-ô Feane Monteiro conduz uma masterclass sobre o surgimento de um novo cinema indígena, baseado na autoafirmação e no autoagenciamento dos povos originários. A atividade propõe uma reflexão sobre o cinema como instrumento de resistência, educação e reconstrução da memória coletiva. A entrada é gratuita e não requer inscrição prévia. Roteiro cultural com alunos da Escola Municipal São Vicente de Paulo e Escola Governador Eduardo Campos Nos dias 17 e 18 de dezembro, das 14h às 16h, a museóloga Rosélia Adriana irá acompanhar alunos das escolas municipais São Vicente e Governador Eduardo Campos, em uma visita guiada aos museus, equipamentos culturais e às casas de mestres da cultura popular de Triunfo. Oficina: Estratégias de Retomada de Cinemas de Rua na Atualidade No dia 19 de dezembro, das 10h às 12h e 13h às 16h, na Fábrica de Criação Popular, as realizadoras Priscila Urpia e Bruna Tavares, do Coletivo #CineRuaPE, ministram a oficina voltada a gestores e agentes de salas de cinema. A atividade discute o papel contemporâneo dos cinemas de rua e suas possibilidades de reocupação como espaços culturais vivos, dialogando diretamente com a história do Theatro Cinema Guarany, símbolo da resistência da exibição cinematográfica no interior pernambucano. Serão apresentadas experiências de gestão comunitária, programação colaborativa e sustentabilidade no circuito exibidor independente. PROGRAMAÇÃO FORMATIVA COMPLETA – 16º FESTIVAL DE CINEMA DE TRIUNFO 16/12/2025 Workshop de roteiro |Territórios de Afetos: Roteiros LGBTs & Cinemas Negros Ministrante: Rafael Nascimento Local: Espaço Cultural Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho (Sesc Triunfo) Horário: 09h às 12h Público-alvo: pessoas negras, indígenas, LGBTs, estudantes da rede pública e interessados em cinema, audiovisual, escrita criativa e diversidade. Vagas: 15 Carga horária total: 3h Inscrições no link: https://forms.gle/wFri2VVJKaUWkdn97 17/12/2025 MASTERCLASS | Um novo cinema indígena? Reflexões sobre produção audiovisual e autoagenciamento dos povos originários Ministrante: Feane Monteiro Duração: 3h Horários: 09h às 12h Local: Espaço Cultural Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho (Sesc Triunfo) Aberto ao público, não é necessária inscrição prévia Da Ideia ao Projeto: Modelagem Criativa e Escrita de Projetos Culturais Ministrante: Sandra Silva Local: Quilombo Águas Claras Horário: 09h às 12h30 Da Trajetória à Apresentação: Organização e Construção de Portfólio Cultural Ministrante: Iyadirê Zidanes Local: Quilombo Águas Claras Horário: 13h às 16h Roteiro cultural com alunos da Escola Municipal São Vicente de Paulo Com: Rosélia Adriana Local: Visitas mediadas aos museus, equipamentos culturais e às casas de mestres da cultura popular de Triunfo Horário: 14h às 16h 18/12/2025 Da Ideia ao Projeto: Modelagem Criativa e Escrita de Projetos Culturais Ministrante: Sandra Silva Local: Quilombo Santa Rosa Horário: 09h às 12h30 Da Trajetória à Apresentação: Organização e Construção de Portfólio Cultural Ministrante: Iyadirê Zidanes Local: Quilombo Santa Rosa Horário: 13h às 16h Roteiro cultural com alunos da Escola Governador Eduardo Campos Com: Rosélia Adriana Local: Visitas mediadas aos museus, equipamentos culturais e às casas de mestres da cultura popular de Triunfo Horário: 14h às 16h 19/12/2025 Oficina: Estratégias de Retomada de Cinemas de Rua na Atualidade Ministrantes: Priscila Urpia e Bruna Tavares Data: 19 de dezembro de 2025 Horário: 10 às 12h e 13h às 16h Local: Espaço Cultural Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho (Sesc Triunfo) Público-alvo: Gestores culturais, gestores de salas de cinema e representantes de equipamentos de exibição. Menu CulturaPE “O Festival de Cinema de Triunfo tem um papel fundamental na política cultural do Estado. Ele consolida o Sertão como território de produção e reflexão audiovisual, levando formação, oportunidades e debate para dentro das comunidades. É um festival que conecta o cinema às pessoas, e as pessoas às suas histórias. Essas oficinas representam o nosso compromisso com uma cultura acessível, plural e descentralizada, que forma, transforma e projeta novos olhares sobre o mundo”, ressalta a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula. Para a presidente da Fundarpe, Renata Borba, o Festival de Cinema de Triunfo fortalece as políticas públicas estaduais que valorizam os territórios e ampliam o acesso ao audiovisual. “Ao promover capacitação, difusão de metodologias e qualificação técnica nos territórios, reforçamos o compromisso da gestão Raquel Lyra com o desenvolvimento do audiovisual em Pernambuco. Essas iniciativas ampliam a capacidade produtiva das comunidades, fortalecem a participação social nos mecanismos de financiamento e ajudam a construir um ambiente cultural mais forte, mais participativo”, afirma. Workshop “Territórios de afetos: roteiros LGBT’s e cinemas negros” No dia 16 de dezembro, das 9h às 12h, na Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho, o roteirista e cineasta Rafael Nascimento conduz um workshop que propõe uma imersão criativa nas narrativas negras e LGBTQIAP+ ambientadas no Sertão. Com abordagem prática e sensível, a oficina estimula a escrita a partir da experiência afetiva, explorando o cinema como linguagem de pertencimento e resistência. Com 15 vagas disponíveis, o processo seletivo prioriza pessoas negras, indígenas, LGBTQIAP+ e estudantes da rede pública, com inscrições via formulário on-line. Oficina de portfólio cultural e elaboração de projeto Em uma ação inédita de descentralização e valorização dos territórios tradicionais, o festival leva formações para os quilombos Águas Claras (17/12) e Santa Rosa (18/12), em parceria com a Gerência de Educação e Direitos Humanos (GEDH/Secult-PE). Nos dois dias, das 9h às 12h30 e 13h às 16h, acontecem as oficinas “Da Ideia ao Projeto: Modelagem Criativa e Escrita de Projetos Culturais, ministrada por Sandra Silva; e “Da Trajetória à Apresentação: Organização e Construção de Portfólio Cultural”, ministrada por Iyadirê Zidanes. Ambas abordam temas como representatividade, escrita de projetos culturais e fortalecimento das identidades quilombolas. As ações buscam promover o acesso a ferramentas de elaboração de projetos, estimular a autonomia criativa e ampliar a presença das comunidades nos editais de fomento. Masterclass “Um novo cinema indígena? Reflexões sobre produção audiovisual e autoagenciamento dos povos originários” No dia 17 de dezembro, das 9h às 12h, na Fábrica de Criação Popular José Manoel Sobrinho, a artista, realizadora e pesquisadora Fulni-ô Feane Monteiro conduz uma masterclass sobre o surgimento de um novo cinema indígena, baseado na autoafirmação e no autoagenciamento dos povos originários. A atividade propõe uma reflexão sobre o cinema como instrumento de resistência, educação e reconstrução da memória coletiva. A entrada é gratuita e não requer inscrição prévia. Roteiro cultural com alunos da Escola Municipal São Vicente de Paulo e Escola Governador Eduardo Campos Nos dias 17 e 18 de dezembro, das 14h às 16h, a museóloga Rosélia Adriana irá acompanhar alunos das escolas municipais São Vicente e Governador Eduardo Campos, em uma visita guiada aos museus, equipamentos culturais e às casas de mestres da cultura popular de Triunfo. Oficina: Estratégias de Retomada de Cinemas de Rua na Atualidade No dia 19 de dezembro, das 10h às 12h e 13h às 16h, na Fábrica de Criação Popular, as realizadoras Priscila Urpia e Bruna Tavares, do Coletivo #CineRuaPE, ministram a oficina voltada a gestores e agentes de salas de cinema. A atividade discute o papel contemporâneo dos cinemas de rua e suas possibilidades de reocupação como espaços culturais vivos, dialogando diretamente com a história do Theatro Cinema Guarany, símbolo da resistência da exibição cinematográfica no interior pernambucano. Serão apresentadas experiências de gestão comunitária, programação colaborativa e sustentabilidade no circuito exibidor independente.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

VINGANÇA, NÃO: A FATALIDADE HISTÓRICA DERROTADA ÂNGELA BEZERRA DE CASTRO
Editado em 1960, pela Livraria Freitas Bastos do Rio de Janeiro, "Vingança, não" foi um livro marcante. Recuperava um episódio da história do cangaceirismo por uma ótica duplamente original: pela mensagem de perdão e pelo envolvimento emocional do autor, na sequência dos fatos. Com a beleza de sua palavra, com a coragem de expor as entranhas de um drama que poucos ousariam passar a limpo, com a severa imparcialidade que se impôs, padre Chico Pereira Nóbrega conquistou o público. Principalmente a juventude estudantil, tanto secundarista quanto universitária, de quem ele se tornou um líder. cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdao
Éramos todos seus leitores e corríamos para ouvi-lo em conferências inesquecíveis. Trazia uma pregação inovadora, questionamentos que vinham ao encontro de nossas inquietações. Não falava de céu, nem de inferno, nem de castigos ameaçadores. Falava da construção do ser, da vida e do amor, tema de sua predileção. E nos ensinava a pensar, a duvidar das verdades sacramentadas, das verdades ditas inquestionáveis. O sucesso do livro trouxe logo a segunda edição, no ano seguinte ao lançamento. E, depois, as reedições permaneceram suspensas por quase três décadas. Era a consequência de revelações que alteravam substancialmente a história contada pelos vencedores. Por fim, a terceira edição veio em 1989 e a quarta, em 2002, patrocinada pela FUNESC. O autor segue a clássica distinção aristotélica de que a história narra o que realmente aconteceu em determinado tempo e lugar. A arte, o que poderia ter acontecido, o possível de acontecer em qualquer tempo e lugar. Define seu livro como depoimento e não, romance. Sendo categórico na Introdução: "Poderia escrever em forma de romance, mas não quis. O real constrói mais que o imaginário". É uma declaração de princípio que se completa com outras duas afirmações: "Tomo, agora, a imparcialidade de quem não tem partido. Não é o filho, é o historiador quem fala".
cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoChico Pereira Francisco Pereira Dantas (1900—1928) Fonte ▪ Lampião Aceso Ler com atenção o preâmbulo é pré-requisito para a compreensão do livro, na perspectiva do autor: como "trabalho de precisão histórica". Essa precisão ele construiu, recolhendo a pluralidade dos pontos-de-vista através dos quais lhe foi contada a história, ao longo de muitos anos. Retirando da tradição oral a parte lendária. Buscando a confirmação dos fatos, através da pesquisa em processos criminais de seis comarcas, pertencentes a três Estados, e confrontando as versões com os jornais da época. Também lhe serviu de subsídio um folheto autobiográfico, deixado pelo pai. Além da carta do Tenente Coronel da Reserva da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Genésio Cabral de Lima, relatando a execução de Chico Pereira, da qual ele participou, com outros policiais daquele Estado, em 28 de outubro de 1928, perto de Currais Novos. Espancaram, até a morte, o prisioneiro algemado. Desfiguraram-lhe o rosto. E simularam um acidente de automóvel para esconder O crime. Esta carta constitui o documento de maior impacto, pela crueldade dos detalhes rememorados e pelo convencimento do Tenente, afirmando-se, ainda, um benfeitor da coletividade. Nele, o filho encontra a resposta para o mistério que envolveu, por mais de trinta anos, o desaparecimento do pai. Pode, enfim, ler o atestado de óbito e visitar a cova. Simbolicamente, consegue sepultar o pai. cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoJardaJardelina Esmerina Nóbrega Esposa de Chico Pereira e mãe do padre Chico Pereira Nóbrega
Fonte ▪ Mulheres do Cangaço É o objetivo do depoimento: reconstituir os fatos, preencher lacunas, restaurar a memória que as paixões deformaram. Sem fazer de Chico Pereira um herói. A heroína é Jarda, a mãe que soube compreender, amar, resistir, perdoar e educar para o perdão. A mulher sábia e forte que se opôs ao que parecia fatalidade histórica, encaminhando os filhos para um outro destino. Localizado no espaço e no tempo, o relato inclui as pessoas com os nomes próprios. Presidentes, coronéis, juiz, delegados, comerciantes, famílias, cangaceiros, etc., cada um com seu papel no tempo sociológico que o autor metaforiza pela semelhança com a geologia: "A era em que tudo era fogo, larvas devoradoras, explosões contínuas, desagregações. Era dos vulcões vomitando maldições". E logo se impõe a correlação: nas entranhas da sociedade, o sectarismo da política partidária, gerando o arbítrio, promovendo a impunidade e a injustiça, com a mesma força destruidora das explosões, do fogo e das larvas. Começa a história com o assassinato do Coronel João Pereira, avô do autor, provocado dentro de seu estabelecimento comercial. Era o tempo das obras contra as secas, na Presidência de Epitácio Pessoa. O sertão encontrava, no atendimento aos operários das construções, um mercado consumidor significativo. E foi a disputa de poder político e financeiro, entre os proprietários de dois barracões, que originou o conflito. cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoCoronel João Pereira Pai de Chico Pereira e avô de Chico Pereira Nóbrega, autor do livro "Vingança, Não" Fonte ▪ Blog do Mendes Afirma o autor que "não é imaginação nem exagero". Depois da luta, o sangue "descia o batente, fazendo burburinho de água corrente". O Coronel João Pereira morreu, pedindo aos filhos Chico, Aproniano, Abdias e Abdon que entregassem à Justiça. Vingança, não. Mas a Polícia, a serviço da política partidária, não prendeu o criminoso, sempre com desculpas evasivas que revelavam a cumplicidade. Então Chico Pereira, num gesto inusitado, pede permissão ao Delegado para trazer Zé Dias. E entrega o assassino do pai à Polícia. Dentro de uma semana, recebe a notícia de que Zé Dias está em liberdade. Era a deformação do Estado de Direito na provocação insuportável. Chico Pereira passa a não enxergar outra saída, além da vingança. E, meses depois, Zé Dias é achado morto no meio da estrada. Perseguido pela mesma Polícia que favoreceu o assassino de seu pai, Chico Pereira se fez cangaceiro. "Vingança, não" reconstitui a trajetória dessa vida que, como tantas outras, as circunstâncias históricas e a injustiça precipitaram no desespero, na loucura da violência extrema. cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoChico Pereira
Fonte ▪ Cariri Cangaço O filho, padre e escritor, recupera os fatos. Com o poder da linguagem, atualiza episódios, diálogos, gestos que agora se perpetuam para o julgamento da história. O domínio da linguagem permitiu ao historiador que utilizasse em seu depoimento todos os recursos da narrativa de ficção. Fazer viver os personagens, imprimindo-lhes identidade. Dar força e movimento às ações. Reconstituir a intensidade dramática dos fatos. Recuperar o tempo.
Rachel de Queiroz identificou essa qualidade do livro. E, no prefácio, registra, como ninguém mais poderia, o mérito do autor que escreve história, literariamente. Afirma a grande escritora: cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdao Rachel de Queiroz "É um depoimento que impressiona pela honestidade. — e se às vezes, como obra de arte que é, se alça às puras alturas da beleza, nunca perde a severa imparcialidade que representa sua marca principal". Pelos recursos da expressão, se fazem inesquecíveis para o leitor: os tocantes diálogos e monólogos interiores dos personagens; o desassombro dos homens, na violência das lutas; a insólita entrega de Zé Dias à polícia; a invasão de Sousa pelo bando de Lampião; a falta de saída, o isolamento, a desgraça e a resistência do cangaceiro; a deformação do aparato policial do Estado; a reação silenciosa e heróica de Jarda. E que dizer do cavaleiro misterioso, em seu cavalo branco, aconselhando o perdão e desaparecendo para sempre no pingo do meio-dia? E do grito desesperado da mãe de Chico Pereira, ecoando à noite nos descampados e nas serras, cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoD. Maria Egilda Dantas Pereira Esposa do coronel João Pereira, mãe de Chico Pereira e avó do padre Chico Pereira Nóbrega Fonte ▪ Blog do Mendes chamando pelo filho que ela não sabia já executado e enterrado no Rio Grande do Norte?
Há muito se coloca a impossibilidade do limite entre a realidade e a ficção, sob a forma do questionamento repetido: se é a vida que imita a arte ou a arte que imita a vida. Constatando-se muitas vezes que a realidade vivida se apresenta bem mais fantástica e surpreendente do que a imaginação. O depoimento do professor Francisco Pereira Nóbrega reitera esta conclusão. E não é sem motivo que tantos leram essa narrativa, como se fosse um romance, apesar de todas as explicações do historiador e do ponto de vista adotado. A evidência é que, entre a história e a ficção, os núcleos temáticos se correlacionam. De tal modo que, lendo Vingança, não somos naturalmente impelidos a lembrar Pedra Bonita e Cangaceiros de Zelins. E a constatação é de que a história vivida ratifica, em muitos aspectos, a verdade romanesca. Comparando Aparício, o cangaceiro criado por Zelins, com Chico Pereira, grandes semelhanças podem ser apontadas entre os dois, desde a entrada no cangaço por imposição das circunstâncias. cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdao
Casarão da Fazenda Jacu, em Nazarezinho ▪ Paraíba, onde Chico Pereira nasceu e cresceu / Imagem de 1930 / Local atualmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba Fonte ▪ Tok de História A partir daí, a vida nômade, o isolamento, a solidão, o desespero sem saída. Não existe caminho de volta para o cangaceiro porque o poder de polícia se exerce como vingança e a justiça está morta. Outro aspecto relevante nos dois enfoques é a humanização do personagem de ficção e do personagem histórico. Uma visível contestação à ideologia que reduz o cangaceiro a um ser monstruoso, a um bandido sanguinário. Esse livro é único. Em parte reconstitui a tragédia de um cangaceiro, mas não se encontra aí o seu tema. Na verdade, é um livro sobre o perdão. E mais que isso. Sobre a felicidade de perdoar.A profunda relação com a família é o argumento incontestável. O cangaceiro amoroso, solidário, preocupado com os seus. O que mais é realçado na ascendência da mãe sobre o filho. O confronto com a polícia reforça essa perspectiva pela descrição da perversidade como são tratados os cangaceiros, deixando sempre para o leitor a indagação: quem é o bandido? O desassossego que recai sobre a família dos cangaceiros é outro ponto de convergência entre a ficção e a realidade. Ser irmão, filho, parente de cangaceiro é não ter lugar no mundo. É ser proscrito.
Na ficção de Zelins, é pela ótica da mãe de Aparício que esse problema se caracteriza como maldição. Personagem trágica, cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdao sinhá Josefina vai do desespero à loucura, matando-se, enforcada, por não poder mudar a sina da família. Se os dois escritores se assemelham na colocação dos núcleos temáticos, são diametralmente opostos na visão-de-mundo que conduz o tratamento das questões. Zelins, filiando-se à tradição da tragédia grega, submete seus personagens à fatalidade. Ninguém se salva, todos são vítimas do destino impiedoso e absoluto. O livro do padre Chico Pereira Nóbrega pertence a outra família do espírito. É uma contestação à fatalidade histórica. A comprovação de quanto pode a consciência humana. É preciso dizer que o subtítulo não corresponde à dimensão do livro. E me perdoe a ilustre prefaciadora que tanto admiro. É uma injustiça classificá-lo de "mais uma história do Nordeste".
Esse livro é único. Em parte reconstitui a tragédia de um cangaceiro, mas não se encontra aí o seu tema. Na verdade, é um livro sobre o perdão. E mais que isso. Sobre a felicidade de perdoar. cangaco cangaceiro paraiba chico pereira jarda vinganca perdaoJarda Fonte ▪ Cariri Cangaço Evitando que os filhos se tornem produto do meio violento, Jarda se torna o símbolo de um poder para o qual o mundo ainda não despertou. O poder da mãe na educação dos filhos. O poder da "professora rural de esmolada mensalidade" capaz de evitar a desgraça e mudar o Destino. No Brasil conflagrado de hoje, quando as grandes cidades se transformaram em "sertões", "Vingança, não" ganha atualidade e faz pensar. É, ao mesmo tempo, a palavra que convence e o exemplo que arrasta. Deveria chegar a todas as escolas e a todos os presídios, patrocinado pelo Estado e pela Igreja. Postado originalmente no carlosromero.com.br

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

O sertão pernambucano volta a ser cenário e protagonista do audiovisual com a realização do 16° Festival de Cinema de Triunfo, promovido pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco (Fundarpe). Entre os dias 14 e 20 de dezembro, o município serrano recebe uma programação intensa e inspiradora, que reafirma a força do cinema como linguagem de imaginação, poesia e transformação. Com o tema “No sertão o cinema já nasceu encantado”, a edição de 2025 propõe um mergulho no poder simbólico da imagem e na potência criadora do território. O festival reconhece o Sertão como espaço de encantamento, onde a arte se entrelaça com a oralidade, a música, a memória e a ancestralidade. É desse encontro entre o real e o imaginário que o cinema sertanejo se reinventa, devolvendo a poesia aos olhos e a sensibilidade ao olhar. “Triunfo é um território de criação e resistência, onde o cinema pulsa como espelho da nossa diversidade e das histórias que o povo nordestino tem para contar. Quando o Estado investe na produção e na difusão audiovisual em todas as regiões, ele reafirma o cinema como direito, expressão e patrimônio vivo da nossa cultura”, destaca a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula.
A programação reúne seis mostras – longa-metragem nacional; curta e média-metragem nacional; curta e média-metragem pernambucano; curta e média-metragem infantojuvenil; curta e média-metragem dos Sertões; e filme experimental – contemplando produções de ficção, documentário, animação e videoclipes realizadas entre 2023 e 2025. Entre os destaques, estão obras que entrelaçam ancestralidade, território e imaginação, como o longa “Originárias”, de Marcilia Cavalcante Barros, que abre a mostra nacional com uma potente narrativa sobre as vozes indígenas e femininas silenciadas pela colonização; “Timidez”, de Susan Kalik e Thiago Gomes Rosa, que aborda as delicadezas das relações humanas; e “Gravidade”, de Leo Tabosa, longa pernambucano que encerra o festival em tom de mistério e renovação. As mostras de curtas e médias-metragens revelam a pluralidade das narrativas sertanejas e brasileiras: de “Pé de Chinelo”, da diretora petrolinense Cátia Cardoso, à videodança “Afluir”, de Gabi Holanda; do documentário “Ô Celina, Ô Celina – Biu Neguinho”, sobre o mestre do samba de coco de Arcoverde, à ficção “Boiuna”, de Adriana de Faria, que mistura mitologia e resistência feminina amazônica. Renata Borba, presidente da Fundarpe, reafirma o papel do Estado na valorização do audiovisual e na ampliação do acesso à cultura em todo o território pernambucano. “O Festival de Cinema de Triunfo fortalece a produção audiovisual em todas as regiões. Ao apresentar uma programação que valoriza a diversidade de narrativas que emergem dos territórios, o festival consolida Triunfo como um polo estratégico para a difusão e a circulação do cinema pernambucano”, pontua.
Outros títulos reforçam o caráter diverso e sensível do festival: “Encruza”, filmado em Salgueiro, retrata o sincretismo religioso do Sertão Central; “Noé da Ciranda”, dirigido por João Marcelo, celebra a força da cultura popular pernambucana; e “Jamary”, de Begê Muniz, traz a floresta amazônica e seus encantados para o centro da narrativa. Cada sessão do festival foi pensada como um ato poético: “As encantarias movem os olhos do cinema”, “Cinemas que soam como águas”, “Cinemas para encadear outros mundos”, “Fabricando imaginações do futuro” e “Toda terra guardará nossas vozes”. Juntas, essas curadorias reafirmam o compromisso do evento com um cinema que emociona, provoca e transforma. Mais do que exibir filmes, o Festival de Cinema de Triunfo é um convite à escuta, à partilha e ao encantamento. No alto da serra, o cinema encontra sua morada ancestral, e o público, a oportunidade de redescobrir o mundo através da arte.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA DE FILMES – 16° FESTIVAL DE CINEMA DE TRIUNFO: 14/12/2025 (domingo) ABERTURA 16h Natália do Espírito Santo (Curta-metragem, Triunfo-PE, Livre), dirigido por alunos do EREM Alfredo de Carvalho. 15/12/2025 (segunda-feira) 13h30 às 15h – Theatro Cinema Guarany Natália do Espírito Santo (Curta-metragem, Triunfo-PE, Livre), dirigido por alunos do EREM Alfredo de Carvalho. A Moreninha (Ficção, 2025, Triunfo-PE, Livre), dirigido coletivamente pelos estudantes da Escola Alfredo de Carvalho. Sinopse: A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, conta a história de Augusto, um estudante que faz uma aposta com os amigos: ele afirma que nunca se apaixonará. Durante uma visita à ilha onde mora Carolina, uma jovem encantadora apelidada de “A Moreninha”, Augusto acaba se apaixonando por ela. No final, ele descobre que Carolina é a mesma menina por quem havia prometido amor eterno na infância. Dom Quixote (Ficção, 2025, Triunfo-PE, Livre), dirigido coletivamente pelos estudantes da Escola Alfredo de Carvalho. Sinopse: Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, conta a história de um homem chamado Alonso Quixano que enlouquece de tanto ler livros de cavalaria e decide se tornar cavaleiro, adotando o nome de Dom Quixote. Ao lado de seu fiel escudeiro Sancho Pança, ele vive várias aventuras, imaginando enfrentar monstros e gigantes que, na verdade, são situações comuns. A obra mistura humor e crítica, mostrando a diferença entre sonho e realidade. Senhora (Ficção, 2025, Triunfo-PE, Livre), dirigido coletivamente pelos estudantes da Escola Alfredo de Carvalho. Sinopse: Senhora, de José de Alencar, conta a história de Aurélia Camargo, uma jovem bela e rica que compra seu antigo amor, Fernando Seixas, em um casamento por interesse. Ela faz isso para se vingar, pois ele a abandonou no passado por ambição. Com o tempo, porém, os dois enfrentam o orgulho e o ressentimento até redescobrirem o verdadeiro amor. Auto da Compadecida (Ficção, duração variável, 2025, Triunfo-PE, Livre), dirigido coletivamente pelos estudantes da Escola Alfredo de Carvalho. Sinopse: Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, é uma comédia ambientada no sertão nordestino que mistura humor, fé e crítica social. A história acompanha João Grilo e Chicó, dois amigos pobres e espertos que usam a inteligência para sobreviver. Após várias confusões, João Grilo morre e enfrenta um julgamento no céu, onde a Compadecida (Nossa Senhora) intercede por ele. SESSÃO: AS ENCANTARIAS MOVEM OS OLHOS DO CINEMA 17h30 às 19h | Mostra de curtas, médias-metragens e filmes experimentais Ressonância (Drama, 20 min, 2025, Caicó-RN, Livre), dirigido por Anna Zêpa Sinopse: O desejo de liberdade ainda ressoa em Margarida e a ideia de ficar presa em uma rotina cotidiana a deixa sufocada. Plantis da Vida – Frevo Rural (Musical, 5 min, 2025, Upatininga-Aliança-PE, Livre), dirigido por Clarissa Azevedo Sinopse: Obra vibrante à resiliência e à força vital da cultura do frevo rural, nova modalidade do frevo criado pela Orquestra de Frevo Zezé Corrêa, em Upatininga Aliança – PE, conectando as raízes da brincadeira popular da terra dos canaviais com a efervescência da festa do frevo. A narrativa se desdobra em um manifesto, costurando a metáfora do plantar e colher da cana-de-açúcar com a cultura popular pulsante em Upatininga, celebrando o nosso frevo, o frevo rural. Akaîutĩ (Documentário, 17 min, 2025, João Câmara – RN, Livre), dirigido por JP Mello, Kaline Cassiano e Sylara Silvério Sinopse: Entre o fogo que torra a castanha do caju e os cantos sagrados, Akaîutĩ narra a trajetória do povo Mendonça Potiguara. Guiado pelas vozes entoadas que cuidam da terra, o filme mostra uma ciência viva – onde cada gesto é resistência, cada melodia, proteção. Pé de Chinelo (Ficção, 19 min, 2024, Petrolina-PE, Livre), dirigido por Cátia Cardoso Sinopse: Antônio, conhecido como Burrego, é um menino de doze anos, sonhador e resiliente, que vive com sua avó, Dona Toinha, em uma pequena comunidade ribeirinha. Em suas travessias de barco para vender verduras ao lado da avó e nas longas caminhadas até a escola, Burrego se depara com escolhas e tentações que testam sua determinação em realizar seu maior sonho. Encruza (Videoclipe, 11 min, 2024, Salgueiro-PE, Livre), dirigido por Guilherme Cavalcante e Rafael Costa Sinopse: O projeto visa apresentar a cidade de Salgueiro, sertão central de Pernambuco, através do recurso audiovisual, exibindo o seu entroncamento geográfico e a ligação ancestral com a religiosidade. Exibindo desta forma um recorte espiritual de sincretismo religioso, onde Santo Antônio é Exu, o orixá da comunicação e senhor das encruzilhadas. 20h | Mostra longa-metragem Nacional Originárias (Documentário, 72 min, 2025, Salvador-BA, 12 anos), dirigido por Marcilia Cavalcante Barros Sinopse: “Originárias” é uma refabulação contracolonial que entrelaça ancestralidade, feminismo e luta indígena. O filme propõe uma retomada simbólica das vozes silenciadas pela colonização, evocando a mitologia e a força espiritual das mulheres que resistem. 16/12/2025 (terça-feira) SESSÃO: CINEMAS QUE SOAM COMO ÁGUAS 17h30 às 19h | Mostra de curtas, médias-metragens e filmes experimentais Afluir (Videodança, 16 min, 2025, Olinda-PE, Livre), dirigido por Gabi Holanda Sinopse: Afluir é um cine-dança que entrelaça corpo, água e memória em uma narrativa sensorial entre o real e o onírico. Em meio à crise hídrica, uma mulher vivencia o reencontro com a água como alívio e encantamento, acionando gestos cotidianos, mitos e memórias ancestrais. O filme evoca a presença mítica das mulheres d’água e reflete sobre a desigualdade no acesso à água, destacando a centralidade das mulheres no cuidado com esse bem comum. Um mergulho poético na existência aquática da humanidade. Salam (Documentário, 10 min, 2025, Afogados da Ingazeira-PE, Livre), dirigido por Bruna Tavares Sinopse: Uma jovem tem seu encontro de fé no sertão de Pernambuco. Ô Celina, Ô Celina – Biu Neguinho (Documentário, 21 min, 2025, Arcoverde- PE, Livre), dirigido por Jadson André e Sheilla Moreno Sinopse: Ô Celina ô Celina -Biu Neguinho, narra um pouco dos 95 anos de Severino Amaro dos Santos ou simplesmente mestre Biu Neguinho, o criador e introdutor da batida do surdo do samba de coco de Arcoverde. O filme percorre sua jornada desde sua passagem pelo futebol, sua contribuição para o carnaval arcoverdense com as escolas de samba, suas dificuldades até a revolução cultural que nasce da sua batida imortalizada pelos grupos de sambas de coco de Arcoverde. Mal Sagrado (Drama, 24 min, 2025, Petrolina-PE, 12 anos), dirigido por Tandie Sogo e Pedro Lacerda Sinopse: “Mal Sagrado” acompanha a jornada de Ciça, lavadeira que encontra no rio Velho Chico sustento e também a essência de sua existência. Quando sua vida é atravessada por um acontecimento doloroso, ela precisa enfrentar a situação e buscar reconciliação com o rio que sempre a sustentou. Uma narrativa que une silêncio, inspiração na dança contemporânea e simbolismo para refletir sobre luto, identidade, espiritualidade e reconciliação com a natureza. O céu não sabe meu nome (Drama, 20 min, 2024, Salvador-BA / São Paulo-SP, Livre), dirigido por Carol AÓ Sinopse: Uma neta ressignifica a morte de sua mais velha através das memórias antes não ditas. 20h | Mostra longa-metragem Nacional Timidez (Drama, 83 min, 2025, Rio de Janeiro – RJ, 10 anos), dirigido por Susan Kalik e Thiago Gomes Rosa Sinopse: Jonas, mora com seu o irmão, Nestor, com quem tem uma relação afetuosa, mas, por vezes, abusiva. Porém, esta noite, Lúcia, a vizinha, virá para o jantar e Jonas precisa enfrentar seu irmão e o fantasma de sua “Timidez”, se quiser viver esse amor. 17/12/2025 (quarta-feira) SESSÃO: CINEMAS PARA INCANDEAR OUTROS MUNDOS 17h30 às 19h |Mostra de curtas, médias-metragens e filmes experimentais Sertão 2138 (Ficção, 19 min, 2024, Recife-PE, Livre), dirigido por Deuilton B. Junior Sinopse: Em uma Terra distópica, uma brilhante cientista tem finalmente sua entrada liberada na Estação Espacial. Quando está tudo pronto para a tão sonhada partida e nova vida, uma misteriosa missão interrompe seus planos. Quando em tuas veias (Experimental, 9 min, 2025, Garanhuns-PE, Livre), dirigido por Roberta Laleska e Felipe Espíndola Sinopse: Três personagens vagam por uma cidade em dissolução. Suas histórias, fragmentadas por ausências e afetos partidos, se entrelaçam enquanto a própria urbe, viva e pulsante, se insinua como quarta presença — íntima, sufocante, reveladora. Cana queimada de desejos (Videoclipe, 4 min, 2025, Carpina-PE, Livre), dirigido por Sávio Sabiá e Ricardo Sékula Sinopse: Em seu primeiro videoclipe, Sávio Sabiá, cantor e compositor da Zona da Mata Norte pernambucana, faz um registro poético de sua trajetória enquanto artista LGBTQIAPN+ da cultura popular, apresentando-se como um sujeito que resiste através da arte. Um dia de todos os dias (Experimental, 8 min, 2024, Belo Horizonte-BH, 10 anos), dirigido por Fábio Narciso Sinopse: O racismo é um dia comum. Boiuna (Drama, 20 min, 2025, Belém-PA, 14 anos), dirigido por Adriana de Faria Sinopse: O filme acompanha Mara (Jhanyffer Santos) e sua mãe, Jaque (Naieme), em uma jornada marcada por mistérios e encantamentos que atravessam a floresta e as mulheres ribeirinhas. Com uma estética profundamente ligada ao universo amazônico, “Boiuna” constrói uma atmosfera de encantamento e ancestralidade. Entre memória, território e imaginação, “Boiuna” reafirma o protagonismo nortista e feminino no audiovisual brasileiro. Recife – Enquanto os monstros dormem (Documentário, 9 min, 2023, Recife-PE, 16 anos), dirigido por Widio Joffre Sinopse: O que acontece nos primeiros minutos de cada manhã em uma cidade grande como Recife? Quais jornadas começam quando suas ruas ainda estão quase vazias? Que segredos e magias seus elementos escondem? Recife – Enquanto os Monstros Dormem é um documentário experimental que faz da cidade sua protagonista, explorando-a para além dos clichês habituais. Inspirada por uma linguagem contemplativa e sensorial, a obra transita entre a ficção e o documentário, evocando momentos de introspecção sobre espaços que se tornaram parte do cotidiano. Ao revelar uma Recife rara e silenciosa, a obra nos conduz a um território de transição — entre o real e o imaginado. Ecos do Tempo (Experimental, 10 min, 2025, Recife-PE, 16 anos), dirigido por Renato Izaias Sinopse: No coração do Ibura, em Recife, um jovem se vê entre dois tempos: o presente marcado pela luta cotidiana e um futuro distópico em que inteligências artificiais controlam narrativas e silenciam comunidades inteiras. Ecos do Tempo costura afrofuturismo, poesia e ancestralidade para revelar a potência da memória coletiva e da espiritualidade periférica como forças capazes de atravessar séculos. Entre o real e o onírico, o filme é uma fábula sobre resistência, identidade e a urgência de preservar nossas vozes diante do esquecimento imposto. 20h | Mostra longa-metragem Nacional Uma estrada que corta o território do Xerente (Documentário, 72 min, 2025, Palmas-TO, 10 anos), dirigido por Túlio de Melo Sinopse: “Uma estrada que corta o território do Xerente” é um documentário indígena que tem como objetivo provocar uma reflexão sobre o conceito de território a partir da realidade do povo indígena Xerente, cuja terra, o seu território é cortado por uma estrada que é utilizada durante a narrativa do documentário como um chamado para reflexão sobre o conceito de território indígena. 18/12/2025 (quinta-feira) SESSÃO FABRICANDO IMAGINAÇÕES DO FUTURO 15h30 – 16° Festival de Cinema de Triunfo Convida CineSesc – Mostra Infantojuvenil Menina Semente (Aventura, 10 min, 2023, Caruaru-PE, Livre), dirigido por Túlio Beat Sinopse: Numa cidade poluída e repleta de contrastes, brota uma semente singular: uma menina indígena do passado. Lá na frente (Drama, 10 min, 2024, Recife-PE, Livre), dirigido por Márcio Andrade Sinopse: Quando Pedro e sua mãe recebem a notícia de que Raula não vai mais chegar, ambos encontram seus meios de atravessar a perda. Queimando por dentro (Drama, 16 min, 2024, Recife-PE, Livre), dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias Sinopse: Nascido em uma família evangélica neopentecostal, Samuel cresceu no coração de uma religião que ganhou grande influência no Brasil nas últimas décadas. Enquanto começa a explorar sua sexualidade e abraçar sua identidade queer, seu mundo é abalado quando seu pai, de forma abrupta, o proíbe de dançar na igreja. Um ponto de virada em sua vida é iminente. Babalu é carne forte (Ficção, 18 min, 2025, Recife-PE, Livre), dirigido por Xulia Doxágui Sinopse: Diana retorna à comunidade onde cresceu durante a festa de São Cosme e Damião. Uma criança misteriosa a convida para brincar. Catarse (Drama, 4 min, 2025, São Paulo-SP, Livre), dirigido por Nicole Carvalho Fukushima e Théo Álan de Sá Bugelli Sinopse: Preso em uma rotina sem cor, Théo abandonou sua paixão pela arte, vivendo uma vida corporativa e solitária. Mas, ao se deparar com A Noite Estrelada, uma onda de sentimentos reprimidos transborda, rompendo as barreiras entre sonho e realidade. 20h | Mostra longa-metragem Nacional Jamary (Ficção, 94 min, 2025, Manaus-AM, Livre), dirigido por Begê Muniz Sinopse: Ane, uma influenciadora de 12 anos, passa as tardes brincando na vila Jamary, na região Amazônica. Desafiada por seus primos, ela entra na floresta e acaba encontrando o Anhangá, um “encantado espírito” indígena que luta pela preservação da floresta. 19/12/2025 (sexta-feira) SESSÃO: TODA TERRA GUARDARÁ NOSSAS VOZES 17h30 às 19h |Mostra de curtas, médias-metragens e filmes experimentais Mar de dentro (Documentário, 8 min, 2024, Recife-PE, Livre), dirigido por Lia Letícia Sinopse: A incansável insubmissão ao poder de Preto Sérgio e sua busca pela história do que não foi revelado, desamarrando os nós a partir dos bons ventos que o levam ao mar de fora e ao mar de dentro. Areias do céu (Documentário, 17 min, 2024, Santa Cruz do Capibaribe-PE, Livre), dirigido por Virgínia Guimarães Sinopse: “Areias do céu” é um documentário que mergulha nas comunidades serranas da Vila do Pará e Palestina, em Santa Cruz do Capibaribe, revelando as conexões entre esses dois lugares. As duas faces de Eva (Documentário, 19 min, 2025, Itacuruba-PE, Livre), dirigido por Coletivo Cinema no Interior Sinopse: Na aldeia indígena Tuxá Campos, na margem pernambucana do rio São Francisco, duas mulheres com o mesmo nome compartilham lembranças de um tempo que se perdeu nas águas da represa de Itaparica. Noé da Ciranda (Documentário, 12 min, 2024, Surubim-PE, Livre), dirigido por João Marcelo Sinopse: O filme celebra a vida e a obra de Mestre Noé da Ciranda, um ícone da cultura popular pernambucana. Agricultor, poeta e cirandeiro, Noé transforma o cotidiano em arte, improvisando versos entre os passantes de uma feira livre no interior. Através de causos vividos e memórias afetivas, sua música transcende o simples entretenimento, consolidando-o como um dos grandes nomes da arte popular do Nordeste. Uma jornada que une poesia e ritmo, revelando a ciranda em sua forma mais pura: dançante, comunitária e cheia de vida. Iluminação Especial 7.0 (Documentário, 19 min, 2025, Santa Cruz do Capibaribe-PE, Livre), dirigido por Mayara Bezerra Sinopse: Por meio de um olhar ensaístico em voz off e de depoimentos, o filme retrata o significado da emancipação de uma cidade movida a trabalho, e que é atravessada por uma identidade cultural intimamente ligada à economia da região. Essa narrativa sobre o trabalho e os trabalhadores é entrecortada pela tradução dos desejos desta classe através da arte, essa expressão simbólica que faz nascer e retomar identidades. Presente de Aniversário (Documentário, 15 min, 2025, Afogados da Ingazeira-PE, Livre), dirigido por Uilma Queiroz Sinopse: O cantador de viola e repentista Anízio Queiroz está perdendo a memória. Como um presente de aniversário, sua filha, então diretora de cinema, remonta, junto com ele e com a família, suas lembranças e sua poesia através deste filme. 20h | Mostra longa-metragem Nacional Gravidade (Ficção, 72 min, 2025, Recife-PE, 12 anos), dirigido por Leo Tabosa Sinopse: Durante uma tempestade solar que ameaça colapsar a gravidade da Terra, quatro mulheres confrontam mistérios enterrados numa mansão à beira do fim. Entre segredos, memórias e rancores, nasce uma nova chance de reordenar o mundo

domingo, 30 de novembro de 2025

LÔ BORGES
Salomão Borges Filho,nasceu no dia 10 de janeiro, ano da graça de 1952,em Belo Horizonte, mais conhecido como Lô Borges, foi um cantor e compositor. Foi um dos fundadores do Clube da Esquina, um grupo de artistas mineiros que marcou presença na música popular brasileira nas décadas de 1970 e 1980. É co-autor, junto de Milton Nascimento, do disco Clube da Esquina, de 1972, um dos álbuns mais aclamados da história da música contemporânea.
Entre suas composições mais famosas destacam-se "Clube da Esquina", "Feira Moderna"; "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo"; "Paisagem da Janela"; "Para Lennon e McCartney"; "Clube da Esquina nº 2"; "O Trem Azul"; "Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor", "Dois Rios", entre outras. É considerado um dos compositores mais influentes da música brasileira, tendo canções gravadas por Tom Jobim, Elis Regina, Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, Nenhum de Nós, Ira!, 14 Bis, Skank, Nando Reis, Os Paralamas do Sucesso, entre outros.
Nos anos 60, se reunia com outros garotos no encontro das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, para conversar, tocar, cantar, falar dos Beatles, da MPB, do jazz. Na esquina ficava a residência do casal Borges (Maricota e o jornalista Salomão Magalhães Borges) e seus 11 filhos (Marílton, Márcio, Sandra, Sônia, Sheila, Lô, Yé, Solange, Sueli, Telo e Nico), todos ligados à música. Aos 18 anos, Lô Borges já havia raspado a cabeça para servir no Exército em Belo Horizonte. Foi Milton Nascimento quem o tirou da esquina de Santa Tereza, onde tocava violão sem parar. Os dois já tinham parcerias gravadas no álbum Milton, de 1970 – quando o compositor, 10 anos mais velho, chegou para Lô, então menor de idade, para convidá-lo para morar no Rio de Janeiro e dividir um álbum. Após mudanças mensais de apartamento, arrumaram uma casa paradisíaca em Piratininga, Niterói. «"Queríamos fazer uma obra de arte", diz Lô Borges sobre "Clube da Esquina", lançado há 50 anos». GZH. 25 de maio de 2022. Consultado em 9 de junho de 2022 «Lô Borges chega aos 70 anos com a chama viva». G1. Consultado em 9 de junho de 2022 «Opinião: Leonardo Rodrigues - 'Clube da Esquina' é eleito o melhor disco brasileiro; você concorda?». www.uol.com.br. Consultado em 9 de junho A gravadora Odeon reconheceu o poderio de Lô ao ouvir as músicas que ele havia composto – "O Trem Azul", "Tudo Que Você Podia Ser" e "Um Girassol da Cor do seu Cabelo" entre elas – e não hesitou em lhe propor uma estreia solo, no mesmo ano. O famoso "disco do tênis" foi seu primeiro trabalho solo, chamado desse modo por conta da foto de um par de tênis na capa. Quando terminou o disco, saiu do Rio e abandonou momentaneamente a carreira. Foi de ônibus para Porto Alegre, onde passou dez dias, e depois de carona em caminhão para Arembepe, na Bahia. Virou hippie, ficou uns meses rodando, até voltar para Belo Horizonte.
Voltou a aparecer somente em 1978, no álbum duplo Clube da Esquina 2, já sem ser o coprotagonista, como no disco de 1972. Em 1979, Lô lançou enfim o segundo álbum solo, A Via Láctea, com músicas como "Equatorial" (Lô Borges, Beto Guedes e Márcio Borges, 1979) e "Vento de Maio" (Telo Borges e Márcio Borges, 1979). Nas décadas de 80 e 90 a produção do compositor diminuiu; foram quatro discos ao total. A mudança no ritmo veio quando ele se aproximou dos 50 anos, perto da transição de 1999 para 2000. Com o sucesso da canção "Dois Rios" em 2003, parceria com Samuel Rosa e Nando Reis lançada pelo grupo mineiro Skank, Lô começou a dar novamente as caras no mercado.Depois de um hiato de sete anos, retornou com o lançamento do álbum Um Dia e Meio. Em 2007, Lô Borges concedeu uma entrevista ao Museu da Pessoa, intitulada Mistura Musical, em que relembra da sua infância e seu primeiro contato com a música. Também conta como conheceu Milton Nascimento e sobre a criação do Clube da Esquina. Ainda em 2007, a revista Rolling Stone Brasil classificou o Clube da Esquina na 7ª posição na lista dos 100 maiores discos da música brasileira. Já em 2011, lança o álbum Horizonte Vertical, com o patrocínio da Natura, com participações vocais de Fernanda Takai, Milton Nascimento e Samuel Rosa. E também participam nas composições das faixas: Nando Reis, Márcio Borges, Ronaldo Bastos e Patrícia Maês.
o, amigo da época do Clube da Esquina e do "disco do tênis". O qual havia se afastado, em virtude de sua amizade com a ex-mulher do compositor, Joyce Moreno, porém tomou a iniciativa de se aproximarem novamente e lançaram o álbum Rio da Lua. Nesse lançamento de 2019, as letras escritas por Nelson, foram enviadas por WhatsApp e e-mail. Em 2020, lança novo álbum de inéditas chamado Dínamo, que contou com a colaboração do poeta piauiense Makely Ka, em que a faixa título, intitulada com o mesmo nome do álbum, contempla a participação de Samuel Rosa. Este álbum teve desenvolvimento análogo ao "disco do tênis", já que a produção das músicas foi extremamente dinâmica, como ressalta Lô Borges: "Fiz dez músicas em três meses. Toda semana chegavam letras, e aquelas (de) que eu gostava mais eu passava para o meu caderno, com minha caligrafia. Então, eu pegava o violão, começava a inventar acordes e melodias e em 40 minutos já estava tudo pronto. Foi muito intuitivo". Em 2021, a canção "O Trem Azul" entrou para a trilha da série Station Eleven, da então HBO Max. No mesmo ano, lança o álbum Muito Além do Fim, que retoma sua parceria com seu irmão Márcio Borges, em que sua última parceria havia sido em 2011, em Horizonte Vertical. Nessa obra, que tem a participação de Paulinho Moska, Lô reacende sua pegada rockeira. Já em 2022, lança o álbum Veleiro, com participação de Patrícia Maês, Paulinho Moska e também seus parceiros de Clube da Esquina: Milton Nascimento e Beto Guedes. Em 21 e 22 de dezembro do mesmo ano, subiu ao palco da Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, para fazer duas apresentações de show sinfônico com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e com o quinteto de baixistas DoContra. O concerto gerou registro audiovisual lançado gravadora Deck em 1º de dezembro de 2023, em álbum e em vídeo, denominado 50 anos de música – Ao vivo na Sala Minas Gerais. Em janeiro de 2023, lança o álbum Não Me Espere na Estação, com dez músicas inéditas, em parceria com o letrista mineiro, César Maurício. O trabalho foi indicado ao Grammy Latino 2023, na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa. Ainda em 2023, tem a trajetória documentada em filme do cineasta Rodrigo de Oliveira, o documentário Lô Borges – Toda essa água.
Em junho de 2024, participou do evento As Cores do Clube da Esquina, que reuniu grandes nomes do movimento Clube da Esquina em um grande concerto no Palácio das Artes. O show de lançamento de seu disco, Tobogã, ocorreu em 9 de novembro, também no Palácio das Artes. O álbum teve letras da poeta Manuela Costa e foi lançado no dia 23 de agosto. A faixa-título foi lançada dia 2 de agosto, com a participação de Fernanda Takai. Em agosto de 2025, o artista lançou seu último álbum em vida, Céu de Giz, em parceria com Zeca Baleiro. O trabalho, divulgado no dia 22, reuniu dez faixas inéditas compostas pelos dois músicos, que dividem os vocais em cinco delas. Antes de morrer, Lô deixou prontos quatro álbuns de músicas inéditas. Lô era pai do publicitário Luca Arroyo Borges, nascido em 1998. O artista foi casado com a escritora Patrícia Maês, que colaborou como letrista em alguns de seus álbuns. Foi internado no dia 17 de outubro de 2025 em função de uma intoxicação medicamentosa acidental, de origem não divulgada, no hospital Unimed de Belo Horizonte. Durante o período, teve constantes pioras em seu quadro, sendo encaminhado para a UTI, passando eventualmente por uma traqueostomia para emprego de ventilação mecânica e, dias depois, por uma hemodiálise. Lô morreu na noite do dia 2 de novembro de 2025 aos 73 anos, em decorrência de falência múltipla de órgãos. A família tornou pública a morte do artista apenas na manhã do dia seguinte, 3, por meio das redes sociais do mesmo. A notícia de sua morte teve repercussão internacional. No mesmo dia, centenas de fãs homenagearam o artista e deixaram flores no encontro das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, na região Leste da capital, onde surgiu o Clube da Esquina na década de 1960. O corpo de Lô foi velado no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. DISCOGRAFIA
Álbuns de estúdio 1972: Clube da Esquina 1972: Lô Borges 1979: A Via-Láctea 1980: Os Borges 1981: Nuvem Cigana 1984: Sonho Real 1996: Meu Filme 2001: Feira Moderna 2003: Um Dia e Meio 2006: Bhanda 2009: Harmonia 2011: Horizonte Vertical 2019: Rio da Lua 2020: Dínamo 2021: Muito Além do Fim 2022: Chama Viva 2023: Não Me Espere na Estação 2024: Tobogã 2025: Céu de Giz Álbuns ao vivo 1987: Solo 2008: Intimidade 2016: Samuel Rosa & Lô Borges: Ao Vivo no Cine Theatro Brasil 2018: Tênis + Clube - Ao Vivo no Circo Voador 2023: 50 Anos de Música - Ao Vivo na Sala Minas Gerais Coletâneas 2014: 2003–2013

sábado, 29 de novembro de 2025

O Maracatu Infantil de Baque Solto Sonho de Criança, criado em 1997, e que está em atividade há pelo menos 27 anos em Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte do Estado, deu início a um novo projeto anual de manutenção e salvaguarda que coloca crianças e adolescentes no centro da preservação de uma das tradições mais antigas do patrimônio cultural imaterial pernambucano. O projeto é realizado pela Coco da Mata Produções Artísticas e pela Azulyne Correntes Culturais, e conta com incentivo da Fundarpe e da Secretaria de Cultura de Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura. Formado por estudantes do ensino fundamental, o grupo reúne meninos e meninas de 7 a 16 anos que ocupam lugar de protagonismo dentro da brincadeira, aprendendo na prática os saberes que estruturam o maracatu rural, como o toque dos instrumentos, o canto improvisado, a dança, os personagens e a confecção das indumentárias. O projeto vem sendo realizado na sede provisória da agremiação carnavalesca instalada dentro do Espaço Cultural Mauro Mota, equipamento público da Prefeitura, e prevê a realização de uma série de atividades ao longo de um ano, com o objetivo de fortalecer a continuidade da tradição, garantir a transmissão de saberes e estruturar ações de salvaguarda capazes de documentar, difundir e sustentar a memória do maracatu mirim. Entre as ações programadas estão uma aula-espetáculo, a formação de mestres mirins, a promoção do Sambadinha Mirim, o restauro completo das indumentárias do grupo e um cortejo no período carnavalesco, momento em que as crianças se apresentam em sua plenitude, reafirmando o elo entre a tradição e as novas gerações. A manutenção das indumentárias é uma etapa fundamental. Ao longo do ano, serão restauradas golas, chapéus, vestidos das baianas, o sombreiro da corte e o estandarte principal do maracatu. O processo envolve artesãos, bordadeiras e costureiras locais, fortalecendo também a economia criativa ligada ao maracatu rural. Cada peça recuperada carrega valor estético e simbólico, permitindo que as crianças vivenciem integralmente o ritual da brincadeira e compreendam o significado cultural de cada elemento que vestem. Vestir o maracatu é, para elas, tanto um aprendizado quanto uma forma de pertencimento. A oficina de formação de mestres possui um significado especial dentro do projeto. O responsável por conduzir as aulas é o mestre Anderson Miguel, um dos primeiros integrantes do próprio Maracatu Sonho de Criança. Ainda criança, ele recebeu sua formação de base dentro da cultura popular expressa no grupo, aprendendo canto, ritmo, improviso e condução de cortejo ao lado de mestres e brincantes mais velhos. Hoje, retorna ao maracatu mirim como formador, ministrando uma oficina de 12 horas destinada a crianças e adolescentes, na qual ensina técnicas de puxada, afinação, liderança e expressão vocal. Sua presença reforça a dimensão geracional do projeto e evidencia que a salvaguarda do patrimônio imaterial depende da continuidade desses laços entre mestres, aprendizes e comunidade. A dimensão educativa também se manifesta na realização de uma aula-espetáculo na Universidade de Pernambuco (UPE), ação que aproxima o universo do maracatu mirim de espaços formais de ensino e pesquisa. Ao apresentar seu trabalho diante de professores, estudantes e público em geral, as crianças ampliam a compreensão sobre o valor cultural da brincadeira e evidenciam a potência educativa da tradição. A iniciativa fortalece vínculos entre universidade e comunidade, estimulando pesquisas, intercâmbios e novas formas de aproximação entre saberes populares e instituições de ensino. MARACATU INFANTIL DE BAQUE SOLTO SONHO DE CRIANÇA INICIA PROJETO DE SALVAGUARDA DO PATRIMÔNIO IMATERIAL Iniciativa prevê a realização de uma série de atividades culturais, gratuitas, ao longo de um ano, com o objetivo de fortalecer a continuidade da tradição, feita por crianças e adolescentes, estudantes de escolas públicas e que integram a agremiação carnavalesca
Com função semelhante, o Sambadinha Mirim promove o encontro entre a comunidade e os jovens brincantes, criando um ambiente de celebração e reafirmação cultural. A atividade ocorre nas imediações do Espaço Cultural Mauro Mota e oferece aos participantes a oportunidade de transformar em performance o que aprenderam durante as oficinas. A prática reforça laços comunitários, incentiva a participação das famílias e contribui para ampliar o reconhecimento do maracatu mirim como expressão legítima e estruturante do território. O cortejo de Carnaval, programado para o dia 16 de fevereiro de 2026, no centro de Nazaré da Mata, é a culminância do projeto anual de manutenção. O desfile marca o fortalecimento do maracatu mirim como expressão comunitária e reafirma que a tradição segue viva graças ao empenho das crianças e adolescentes que a conduzem. Oficina de Formação de Mestres Mirins 27 a 30 de janeiro de 2026 – 9h às 11h30 Com o mestre Anderson Miguel Espaço Cultural Mauro Mota – Nazaré da Mata Sambadinha Mirim 31 de janeiro de 2026 – 15h Espaço Cultural Mauro Mota – Nazaré da Mata Cortejo de Carnaval 16 de fevereiro de 2026 – Centro de Nazaré da Mata Realização Coco da Mata Produções Artísticas, Maracatu Sonho de Criança e Azulyne Correntes Culturais Incentivo Funcultura, Fundarpe, Secult-PE e Governo do Estado de Pernambuco Mais informações: www.instagram.com/maracatusonhodecriança

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Artur Pereira
Artur Pereira é o mais famoso escultor de Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana, Minas Gerais, lugar em que nasceu em 1920. A localidade tem uma longa tradição artesanal ligada, sobretudo, à produção de peças em pedra sabão e de tapetes de pita. Cachoeira também é conhecida pelos vários escultores da madeira que lá vivem e que tem no mestre Artur Pereira sua principal referência. O mestre Artur Pereira começou a trabalhar desde cedo na roça, ajudava seu pai no trato da tropa de burros. Foi pedreiro, lenhador e carvoeiro. Autodidata, começou a produzir artisticamente em 1960, mas desde pequeno modelava pequenas figuras em barro, em geral presépios. Quando começou a esculpir na madeira, ele colava as partes da peça, como braços e pernas. Mais tarde, em 1968, começou a esculpir em bloco único. Suas obras eram formadas por estranhas composições de homens e animais, cujo estilo se aproximava ao dos ex-votos. Foi nessa época que começaram a surgir os grandes grupos, onças caçadas, presépios, esculpidos no miolo macio troncos de cedro, monoblocos sem emendas. Em 1971, ele ganhou um concurso de presépios realizado em Ouro Preto e sua obra começou a ter uma maior projeção. As peças de Artur Pereira começaram a ser comercializadas nas lojas de artesanato das cidades históricas mineiras, mas aos pouco foi ganhando notoriedade entre os galeristas que trataram de difundir a obra dele por todo o país. Eram peças que apresentavam um estilo próprio e que foi mantido por Artur Pereira durante toda sua vida; um estilo que foi seguido por vários outros escultores de Cachoeira do Brumado, como seu filho José Pereira, Miramar Borges e Adão de Lurdes.
A inspiração para suas obras certamente vinha do meio rural em que viveu. Ele era um homem simples, mas com uma visão muito objetiva sobre o que fazia. Transcreveu para a madeira a sua vivência na roça, o contato com a gente simples e os bichos que habitavam as matas da região e o imaginário do seu povo. Na talha da matriz de Nossa Senhora da Conceição de Cachoeira do Brumado e a forma única de suas colunas devem ter saído, de maneira bastante inconsciente, das colunas barrocas e habitadas por vários personagens desta igreja do século dezoito.
A primeira exposição do artista foi realizada em 1989 no Espaço Cultural Companhia Vale do Rio Doce, Rio de Janeiro-RJ. A partir de então sua obras fez parte de várias exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, como a exposição Brésil Arts Populaires (Paris, França, 1987), a Mostra do Redescobrimento (Fundação Bienal de São Paulo, 2000), a exposição Artur Pereira – Esculturas (Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro-RJ, 2009) e a exposição Artur Pereira – Esculturas (Centro de Arte Contemporânea e Fotografia – Palácio das Artes, Belo Horizonte-MG, 2010). Possui obras nos acervos das de várias instituições como: o Museu de Folclore Edison Carneiro, RJ; o Centro Cultural de São Francisco, PB e a Casa do Pontal, RJ. Artur Pereira faleceu em 2003 na mesma localidade onde nasceu.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Espetáculo “Memórias de Carnaval” é encenado no Teatro Hermilo Borba Filho Montagem cênica foi inspirada nas lembranças de foliões
O espetáculo “Memórias de Carnaval” convida o público a mergulhar em uma experiência sensorial e afetiva, onde dança e memória de entrelaçam. O Carnaval é feito de passos, encontros e histórias que não se apagam. E, com inspiração nas lembranças de foliões e trabalhadores da festa, o público poderá assistir à apresentação no próximo dia 19 de novembro, quarta-feira, às 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho. Entre risos e lágrimas, amores e despedidas, resistência e celebração, o espetáculo revisita as múltiplas camadas da festa popular que pulsa em cada corpo. Uma viagem coreográfica por nostalgias coletivas e íntimas, evocando a alegria, a saudade e a intensidade que só o Carnaval é capaz de revelar. Ficha técnica: Concepção, direção, produção e Intérprete : Aldeline Silva Direção e criação de movimento: Marcos Teófilo Dramaturgia e Direção de Artes: Álcio Lins Figurinos e adereços: Francis de Souza, Álcio Lins, Aldeline Silva Iluminação: Natalie Revorêdo Áudiovisual e publicidade (pode mudar se quiser): Arthur Chaves, Maju Lima Preparação física: Filipe Lopes Acompanhamento nutricional: Tales Rego Assessoria de comunicação: Talis Ribeiro Convidado: Fernando Gomes (como papangu)

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Transcrição do texto: SÃO PAULO (CS) — O ex-caçador de cangaceiros, Euclides Marques da Silva, vulgo “Manoel Velho”, que integrava a volante que liquidou Lampião e seu bando, em carta enviada ao seu advogado, ameaça suicidar-se caso seja adiado, mais uma vez, seu julgamento, marcado para a próxima segunda-feira, perante o 1.º Tribunal do Júri. Na ocasião, será julgado também seu irmão, Josafá Marques da Silva. Ambos são acusados de coautoria de duplo homicídio qualificado, o que os sujeita à pena máxima de até 60 anos de reclusão cada um. O CRIME Por ordem de Euclides, que pagou 30 cruzeiros novos pela empreitada, Josafá, de encomenda, por volta das 13 horas do dia 13 de junho de 1966, na rua Piratiningui, assassinou a tiros de revólver a esposa e a filha do mandante, Maria Bosco da Silva e Jovina Marques da Silva. Euclides estava se separando da esposa e mandou matar as duas mulheres por entender que elas estavam onerando o seu orçamento. Há vinte e dois anos, em Jeremoá, na Bahia, eliminara a primeira esposa a tiro de fuzil por suspeitar de sua fidelidade. Permaneceu foragido até a prescrição do delito. QUATRO ADIAMENTOS O julgamento dos dois irmãos já foi adiado 4 vezes, principalmente por falta de número regulamentar de jurados. Tudo indica, porém, que tal fato não voltará a se repetir agora. Na carta que enviou ao advogado Flavio Markman (que deverá requerer cisão do julgamento, a fim de que seu constituinte seja julgado separadamente), Euclides, referindo-se aos sucessivos julgamentos diz que “aos poucos já me mataram quatro vezes”. Afirmou que “isso não é modo de tratar um homem que ajudou o povo a se ver livre dos cangaceiros. Se não for julgado desta vez, eu dou cabo da vida. Eles vão ter que arrastar meu cadáver para o tribunal”. Adendo Lampião Aceso

domingo, 23 de novembro de 2025

MARTINS
Thiago Emanoel Martins do Nascimento,nasceu no Recife, 25 de agosto de 1990, é um cantor, intérprete e compositor brasileiro.
A trajetória musical de Martins teve inicio nas tradições folcórica, tendo influencia dos repentistas, da poesia e da viola regional. Aos dezoito anos de idade começou a tocar Rabeca. Como cantor e compositor, Martins foi uma das revelações do chamado Coletivo Reverbo, que é um grupo de cantautores e cantautoras entre 20 e 40 anos de idade, vindos das diversas microrregiões de Pernambuco. Antes de lançar-se em carreira solo, Martins participou de bandas e grupos musicais. Atuou como rabequista na banda Sagarana. também estava como integrante da banda forrozeira Forró na Caixa, em 2015. Em 2016 fez parte do lançamento de Circular Movimento, o primeiro álbum de rock da Banda Marsa que foi realizado através da premiação obtida, em 2015, no Festival Pré-AMP, organizado pela Articulação Musical Pernambucana.
Em 2019, marca sua trajetória em carreira solo com o álbum titulo Martins, lançamento este que contou com onze faixas compostas com suas próprias músicas autorais; com o qual foi considerado uma das voz emergentes do Recife e ganhou maior visibilidade no mercado musical do país. Em 2022, lança "Almério e Martins ao Vivo no Parque". O álbum, gravado ao vivo numa apresentação no Teatro do Parque (Recife) em 2021, conta com a participação do também pernambucano Almério, de quem Martins é amigo e com quem ele acabou desenvolvendo uma parceria que inclui apresentações em diversas cidades pelo Brasil. Tal parceria gerou inclusive uma apresentação no Rock in Rio em 2024. Em 2023 lançou o seu segundo álbum, com o título Interessante e obsceno, e que teve um texto de apresentação assinado pela Zélia Duncan. O trabalho acabou recebendo boa aceitação da crítica musical especializada tais como Augusto Diniz e Mauro Ferreira. A composição “Jardim da Fantasia” esteve entre as dez músicas mais tocadas em rádio no Brasil no mês de maio de 2024. Tal canção, composta por Paulinho Pedra Azul, foi regravada por Martins e inserida na trilha sonora do reboot da novela Renascer, da Rede Globo, fato este que deu maior visibilidade nacional ao trabalho de Martins, agora atuando como intérprete.[13][14] Ainda interpretaria a canção Na paz, composta por Orlando Morais. Como compositor, Martins já teve suas composições gravadas por artistas musicais de renome, tais como Daniela Mercury, Simone ("A Gente Se Aproveita"), Margareth Menezes, e Ney Matogrosso.