terça-feira, 9 de dezembro de 2025
O Grupo de Reisado de Maria Jacinta, nasce como um brinquedo popular, no terreiro da casa de Maria Jacinta e seu Pedro Belo, a mais de cinquenta anos. Juntando cantigas e “partes” que “assuntava” de outros reisados vistos desde sua infância, ela, na década de 60, montou com suas filhas, um cortejo. Saiam da igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, e de porta em porta acordavam as famílias desfiando as cantigas de saudação, “Me abra essa porta por nossa senhora”.
No ano de 2017 a Mestra Maria Jacinta foi contemplada no Prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura, e em 2021 recebe o Titulo de Patrimônio Vivo de Pernambuco.
A transmissão dos saberes relacionados a esse brinquedo esteve presente em toda história da mestra, realizou encontros em escolas, grupos jovens, universidades. Em 2019 iniciou o projeto Sementeira de Reis em parceria com o programa AABB Comunidade, em 2022 em parceria com a EREM Padre Maurilo Sampaio realizou oficinas de iniciação com estudantes do ensino médio, deste ciclo de atividades nasce o Reisado Juvenil. Outro exemplo da transmissão é o grupo juvenil “ Reisado da Irmandade” que bebe da fonte da mestra pra fazer uma homenagem aos reisados da região.
Cinco gerações dos “Belos” cultivam essa tradição. Existe um sentimento religioso muito grande entorno do Reis de Maria Jacinta, segundo ela “o Reisado anuncia a vida, o milagre do nascimento” fala da bondade, respeito, solidariedade, valores caros e necessários em nossos dias.
O Reisado da Mestra Maria Jacinta é resistência, sinal de esperança, atualizou-se todos esses anos com a força de vontade dos participantes e eventuais apoios de instituições. Importante lembrar o papel da mestra e do grupo no Movimento Viva Reis. Em 2010 o grupo era praticamente o único em Santa Maria da Boa Vista que continuava suas atividades, articulado com entidades culturais e com o sentimento de fortalecer essa tradição nasce o Encontro de Reisados do Sertão do São Francisco que começou pequeno com dois grupos apenas, já em 2019 recebeu 14 grupos de diversas cidades. Nesse mesmo ano as mestras se reuniram com o secretario de cultura Gilberto Freyre, pra sugerir e cobrar ações de valorização do ciclo natalino, como retorno a Secult criou o Natal das Tradições e Santa Maria da Boa Vista foi polo desse ciclo.
Hoje o grupo é composto por trinta pessoas. Donas de casa, agricultores, aposentados, estudantes, se transfiguram em personagens deste espetáculo. Três gerações se encontram neste espaço, Avó mãe e neta, dos treze aos oitenta e seis anos, também os amigos e mais chegados. Constroem seu figurino, aprendem de ouvido a tocar seus instrumentos. Reinventando a tradição a cada apresentação.
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