sábado, 7 de agosto de 2010

 

ANTONIO DA MUTUCA

Bem distante,na virada da serra do cruzeiro,tem uma pequena comunidade rural,de humildes casas separadas,e moradías de taipas,algumas abondonadas,formando uma típica ribeira. A estrada serpenteia pelo chão batido,numa atmosfera ressequida e de poeira,até onde o olhar alcança, segue a estrada.Uma sensação profunda de solidão,uma música ao longe.Uma casa de terreiro bem varrido,baixo teto,porta e janelas se abrindo para uma pobre paisagem de cinza e sequidão. No centro da sala,um jovem queimado do sol do sertão,uma sanfoninha e o legado.Nenhuma placa,nenhum sinal,nenhum aviso.A vida por lá não tem pressa nem horário,as léguas  sucessivas separam a cidade de Salgueiro ao Sitio Mutuca.Esse é o nome do mundo e do céu de Antonio Pedro Silva,22 anos,tocador de fole de oito baixos,ainda bem moço, declara juras de amor pelo pequeno instrumento,que aprendeu a tocar com o  pai,Pedro Manú. Ele revela que foi um verdadeiro alumbramento na infância ver seu pai tocar uma velha sanfoninha pé de bode.Aos oito anos de idade ele teve o primeiro contato com o complexo  instrumento  de origem germânica.Mudaram as estações e quatro anos foram bastantes para ter noções e alguns dominios do instrumento. Aos doze anos ,ele não se fez de rogado,e assim,soltou os bichos no pé de bode pelos sitios da vizinhança.Passou a ser presença constante nos sambas e festividades da região do sitio mutuca. Antonio da Mutuca,é considerado um dos grandes nomes do fole de oito baixos, no Sertão Central de Pernambuco.Com uma modesta agenda,ele é festejado por onde anda.O seu trabalho teve notoriedade,quando da sua participação no 1° Festival da Sanfona do Salgueiro,evento promovido pela Secretaría de Cultura do município,que nesse intuito vem atingindo o objetivo de preservar, resgatar e promover novos talentos desse segmento artistico. Pelo segundo ano consecutivo Antonio da Mutuca e os tocadores de sanfona de oito baixos da cidade do Salgueiro,participam da noite dos oito baixos,no grande evento junino da Estação do Forró.Foi notória a evolução desse músico nos últimos doze meses, prova disso, foi o resultado no 2° Festival da Sanfona do Salgueiro,quando foi ovacionado e classificado em segundo lugar.Antonio acalenta um velho sonho de gravar um CD e DVD com convidados que só toquem pé de bode." Perdemos espaço para o forró eletrônico,mas estamos cada vez mais firmes fazendo boa música nordestina.Não é qualquer um que consegue tocar um pé de bode.É muito dificil,desafia Antonio,ressaltando que jamais trocaría sua sanfona,por um instrumento banhado a ouro." Hoje, Salgueiro,é uma das cidades do interior do estado de Pernambuco,com maior número de sanfoneiro de oito baixos em atividade.Graça a esse trabalho de resgate do poder público municipal.E Antonio da Mutuca,segue a vida,com sua sanfoninha sorridente,pelas festividades do sertão,tocando e encantando com o legado que recebeu de Pedro Manú,seu velho Pai. 

William Veras de Queiroz  2010 D.C - São José de Piranhas-Paraíba.   

sábado, 31 de julho de 2010

Ceguinhas de Campina Grande




"A   PESSOA É PARA O QUE NASCE "




Esmolando por  décadas vida a fora, pela  agonia e alegria das feiras livres de pequenas cidades e  arruados ,sobre o sol inclemente dos sertões,elas levaram  sua música e sua arte mambembe aos  também necessitados e pobres mortais do semi-árido nordestino. Elas  não  conhecem o alegre coloridos das feiras,  limitações que as  levaram a mergulhar  num mundo de sonoridades, e assim enchergaram a arte que ajuda a sobreviver.  São três vozes,três Marias e  três canzás,num ritimado coco de embolar. Maria das Neves(Maroca),Maria Regina(poroca) e Maria Francisca da Conceição(Indaiá). Elas já nasceram cegas,em Campina Grande,na região da Chapada da Borborema, na Paraíba. A vida nunca foi fácil para elas. Para sobreviver,sua mãe fazia artesanato,seu Pai  trabalhava como mão-de-obra temporária  para os grandes proprietário de terras e as três muito cedo foram cantar nas feiras e portas de igrejas em troca de esmolas. Quando seu pai morreu,vitima do alcoolismo,o talento das cantoras cegas passou a ser a única fonte de renda da família. Houve um tempo em que as esmolas arrecadadas pelas três irmãs tinha que sustentar 14 pessoas,entre irmãos,sobrinhos ,a Mãe e o novo marido,que violentou uma das enteadas. Maria das Neves(Maroca), a única que casou,teve dois maridos e ficou viúva dos dois. O último deles foi assassinado a facadas. A filha de Maroca ficou em poder de uma tia distante que se recusava a devolvê-la. Quando o cineasta Carioca Roberto Berliner as conheceu, em 1997,elas viviam praticamente sós,numa casinha em Campina Grande e não cantavam. Elas nem tinham mais os seus ganzás,espécie de chocalho de metal  hermético cheio de areia,instrumento que marca o ritmo de sua cantoria e que sem o qual  elas não se sentem a vontade para cantar. Fascinado pelo trio,Berliner providenciou a compra de novos ganzás e as pôs de volta ao antigo oficio. Ele filmou as três cantando e contando sua história, o que foi exibido num pequeno programa de TV. Em 1998,ele transformou esse material num curta-metragem chamado " A pessoa é para o que Nasce,"  sentença que elas não se cansam de dizer. O filme ganhou diversos prêmios no Brasil e exterior,em festivais de curtas-metragens. Elas já haviam aparecido no "Programa Legal ",de Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães,mas a repercussão não tinha sido tão grande quanto a do curta. Através do filme, a música das três irmãs cegas chegou até os ouvidos de Gilberto Gil e Naná Vasconcelos,que as convidaram a se apresentar no festival de música  PERCPLAN.Foi a primeira vez que elas receberam um cachê para cantar. Mais tarde, elas fariam a sua primeira turnê. Em 2004,depois de passar  sete anos acompanhando as cantoras,filmando sua vida conforme os parcos recursos permitiam,Berliner  concluiu um documentário de longa-metragem sobre elas. O filme,que também se chama " A pessoa é para o que nasce," levou as três irmãs a Brasilia,onde elas  receberam a Ordem do Mérito Cultural. No 15° Cine Ceará,o filme ganhou o prêmio principal do festival.Em 2005,o longa fez uma bela carreira nos cinemas do país. E agora elas são respeitadas como artistas e seres humanos,com direito a aparição em novela global no horário nobre. A vida delas nunca mais foi a mesma,participaram do programa "Som da Rua" da TVE e de  diversos festivais de cunho cultural pelo país.

William Veras de Queiroz  -2010 D.C  -  Santo Antonio do Salgueiro-Pernambuco.


terça-feira, 27 de julho de 2010

 A  RESISTÊNCIA DE MOSSORÓ

O fatidico dia 13 de julho de 1927,não foi o dia do caçador , tão pouco dos cangaceiros Jararaca e colchete. A tarde de céu de chumbo e chuva da  prospera cidade de Mossoró,confirmaram os maus precentimentos de Virgulino,que concordava com o ataque a cidade no aspecto financeiro.Porém,estrategicamente tinha restrições, a cidade tinha no centro  uma igreja de cinco torres; para Virgulino,as igrejas de pequenas cidades e vilarejos,serviam de fortaleza para a resistência dos sitiantes. Mas,os dividendos que a cidade Potiguar daría ao bando,foi uma tentação para o grupo. Virgulino,como não tinha fama de covarde e traiçoeiro,mandou um prévio aviso ao chefe do executico municipal,que iria invadir e saquear a cidade.Também solicitou ao Prefeito Rodolfo Fernandes,a quantia de 400 contos de réis para deixar a cidade em paz. A negativa do prefeito serviu de afronta para Lampião,que mesmo contrariado com o cenário da luta,resolveu atacar Mossoró. A cidade tinha um efetivo policial de 20 Macacos(soldados).O prefeito resolveu organizar a resistência,usando como defensores da cidade,membros da sociedade local,que se dividiram estrategicamente por todas as entradas e artéria,usando trincheiras e barricadas com  sacas de algodão e areia. Os bacamartes potiguares cuspiram fogo por toda tarde e noite daquele historico dia,que hoje enche de orgulho os moradores daquele municipios. Nos combates,o bando de Lampião teve duas baixas importantes: a prisão do Cangaceiro Colchete e Jararaca que foi ferido e preso. A madrugada não encontrou Virgulino e seu bando, onde o crepusculo o deixou. E sabiamente o grupo saiu em retirada, como estratégia de recomposição, tática usada por João Abade e pelo cangaceiro Pajéu,que faziam parte da Guarda Católica de Antonio Conselheiro em  Canudos. Essa tática(tática de guerrilha) usada em Canudos foi consagrada em grandes conflitos mundias.Muito usada pelos Sandinistas na Nicarágua e pela  FMLN em El salvador. Lampião não se fez de rogado e "Deu no pé no mundo," deixando para trás dois grandes combatentes:Colchete que virou prisineiro e  Jararaca,que alguns dizem que morreu de sede,clamando por um copo d'agua após ser baleado.Mesmo depois de oito décadas da sua morte,seja pelos diferentes rumos que a história toma,seja pela religiosidade pura e simples do povo,Jararaca é venerado por milhares de pessoas  que acreditam que o cangaceiro é milagroso,seu túmulo virou um centro de romarias,durante os dias de finados, e o eterno prefeito do povo Mossoroense Rodolfo Fernandes ,é o grande herói da resistência,que mesmo 83 anos depois ainda dá cenários e protagonistas para uma história imortalizada no imaginário daquela gente que vive o orgulho da resistência de Mossoró ao bando de Lampião.

William veras de Queiroz  2010 D.C -São José de Piranhas-PB.     

segunda-feira, 26 de julho de 2010


SERTÃO REZOU NA SANTA MISSA
REZAS DE SOL PRÁ TERRA SEM BEM SERVIDA
SERTÃO FALOU COM JUSUS CRISTO
E A FALA SE FEZ MENSAGEM
NAS MARCAS DA ESTIAGEM
E A IMAGEM TÃO REPETIDA
PLANTARAM SEM CHUVA O VAZIO
A TERRA, EU VOU REGAR DE ORAÇÃO.
A GARRANCHEIRA,A POEIRA
A MORTE NO CHÃO,
O FIM QUE CHEGA NA SECA
FECUNDA A FÉ QUE DOMINA
ENQUANTO A MISSA TERMINA
DE LONGE EM LONGE UM CHOCALHO
PEDE UM CUIDADO UM TRABALHO
NUM MUNDO CINZA A TOCAR.
TOCA POR VAQUEIRO
TOCA O MUNDO INTEIRO
AFINADO NUM ABOIO SEM SUAVIZAR
ESTE MEU PARCEIRO
MUNDO COMPANHEIRO
IRMÃO DE ESPERANÇA E DE PELEJAR.

Canto de despedida (Rezas de Sol)
Janduhi Finizola




sábado, 24 de julho de 2010




                                                        MISSA DO VAQUEIRO

        A Missa do Vaqueiro,teve sua primeira celebração,em 1971. Idealizada por Luiz Gonzaga(Rei do Baião),que era primo legitimo de Raimundo Jacó,pelo Padre-Vaqueiro João Cancio e pelo repentista Pedro Bandeira. O local da celebração foi exatamente onde encontraram o corpo do vaqueiro assassinado(em 8 de Julho de 1954),no meio da caatinga, no sitio Lajes,a 32 kms da sede do municipio  de Serrita,no sertão de Pernambuco. A missa inicialmente era um grito ,um protesto pelo assassinato impune do  humilde  vaqueiro Raimundo Jacó. E com o passar dos anos ganhou grandes proporções pelo Norte/Nordeste. A liturgia da missa ganhou uma bela versão,adaptada para "Rezas de Sol," pelo poeta e médico Caruaruense,Janduhy Finizola e Interpretada durante a missa pelo grupo de  música regional "Quinteto Violado," Que em 1976, lançou em  registro fonográfico,através do LP Missa do Vaqueiro,pela gravadora Phillips/Poligran.A Missa do Vaqueiro é celebrada todo ano,durante o terceiro domingo de julho e tem como cenário o Parque Estadual do Vaqueiro.Um espaço à feição de um anfiteatro em forma de ferradura,onde se postam os vaqueiros,vestidos de gibão e montados em seus cavalos,num semicirculo. De um altar de pedra,o celebrante utiliza o linguajar sertanejo em toda liturgia. O evento tornou-se um encontro sócio-cultural com aspectos originais dos mais interessantes da cultura pernambucana,onde predominam o folclore,o artesanato do couro,os festejos e a fé do homem sertanejo.

William Veras de Queiroz  2010 D.C- São José de Piranhas -Paraíba.

sábado, 17 de julho de 2010


 A MORTE DO VAQUEIRO

" Quis o destino tão ferino,desalmado fez finado,o maior vaqueiro desse mundo..."  Raimundo Jacó estava enfrentando  mais um desafio na sua profissão,desta feita no sertão Central de Pernambuco,no sitio Lajes,em Serrita. Era o mais novo contratado daquela propriedade rural,vaqueiro afamado,a noticia  da chegada de Raimundo ao sertão central correu caatinga afora. Jacó não contava  em ter como companheiro de trabalho um  desafeto,Miguel Lopes.Mas seguiu  superando os problemas pessoais e desempenhando um reconhecido trabalho.Raimundo era responsavel pela guarda do rebanho do patrão e Miguel  pelo rebanho da patroa. Entre os dois já havia uma forte rixa,pois Miguel sentia inveja das qualidade do companheiro. E Assim quis o destino que os dois partissem juntos com as últimas horas daquela madrugada  fria do dia 8 de julho do distante 1954, num  mesmo desafio, à procura de uma rês perdida  na caatinga e de estimado valor e famosa por suas astúcias animais. a rês pertencia a patroa e enconta-la era a palavra de ordem do dia,decretada pelo sisudo patrão. Com os primeiros sinais do novo dia,a rês foi alcançada por Raimundo Jacó. Miguel chegou logo depois e se deparou com ele calmamente fumando o seu cigarro e sentado próximo do açude do Sitio Lajes, a rês amarrada e seu fiel companheiro cachorro ao seu lado.Vendo aquela cena Miguel não se conteve e num ataque de fúria,desferiu um golpe com uma pedra na cabeça de Jacó. Pontificando a breve história do maior vaqueiro do sertão nordestino.Naquele dia o sertão estremeceu de pranto e dor. O cavalo partiu em disparada e chegou na sede da fazenda sozinho para o espanto dos patrões. O companheiro e fiel cachorro guardou o corpo do vaqueiro até ser encontrado,em seguida fez todo trajeto do sepultamento e lá ficou até sua morte por sede e fome guardando o túmulo do seu amigo Jacó. Quanto a Miguel Lopes houve o processo mais foi arquivado pela justiça dos homens por falta de provas.O acusado alegou ser incocente e assim o caso do acidente nunca foi esclarecido. Hoje, em todo sertão, cresce o mito em torno do seu nome,consagrado como protótipo do vaqueiro,simbolo de dedicação e coragem.  Tudo que agora eu conto,eu ouvi um dia do meu povo no sertão.

PRÓXIMA EDIÇÃO: A  MISSA DO VAQUEIRO.

William Veras de Queiroz  2010 D.C - São José de Piranhas -PB


  

terça-feira, 13 de julho de 2010

    RAIMUNDO JACÓ,O MAIOR VAQUEIRO DO SERTÃO

      Severino era seu destino,como de tantas outras almas no sertão nordestino.Ele se chamava Raimundo, como tantos  pelo vasto mundo. Só um Raimundo foi o maior vaqueiro dos sertões,Raimundo Jacó. Uma verdadeira lenda no universo caatingueiro. Nasceu num pé de serra da Chapada do Araripe,no municipio de Exú,no Sertão Pernambucano. Menino pobre,logo cedo esqueceu a infância sofrida e  foi trabalhar nas terras do  minifúndios sertanejo,plantou sementes e fez germinar os sonhos e o milagres do pão que a terra resseguida nos dá.Com o  passar dos dias descobriu que seus dotes não estavam no cultivo da terra,e que,definitivamente  seu trabalho estava no campo. Foi na pecuária,no trato com o gado que encontrou sua paixão e oficio. E assim ,tornou-se vaqueiro. Não tinha um serviços fixo,vivia pelas fazendas do Araripe a desempenhar  seu  trabalho e talento. Contam no sertão; que,quando aboiava seu canto atraia o gado para perto de si,de maneira impressionante.Era capaz de advinhar onde dormia e comia cada cabeça de gado sob sua reponsabilidade,pelo badalar do chocalho sabia destinguir o animal. Essas e tantas outras histórias corre pelos grotões, sobre  a genialidade de Jacó no desempenho do seu trabalho. No inicio dos anos 50,desceu a chapada e partiu para o sertão central,onde foi trabalhar  no Sitio Lajes,Municipio de Serrita,cidade ,então comandada pelo Coronel Chico Romão. Lá trabalhava com outros vaqueiros, o seu talento era motivo constante de invejas,por parte de companheiros de profissão. Lendário,a história de Raimundo Jacó,confundi com a do próprio vaqueiro do semi-àrido.Ele,era primo legitimo de Luiz Gonzaga(Rei do Baião).  
 VEJA NA PRÓXIMA EDIÇÃO: A MORTE DO VAQUEIRO

William Veras de Queiroz  2010 D.C -São José de Piranhas-PB

domingo, 11 de julho de 2010

O VAQUEIRO DO SEMI-ÁRIDO

 Sobre a mesma estrela incandescente onde o prenuncio de um novo dia vem com os primeiros raios acordar o vasto mundo de casas e arruados,na inóspita caatinga nas últimas horas da madrugada o sol nasce mais cedo no universo do vaqueiro nordestino que partiu para um novo dia de lutas e impossibilidades na lida com o gado. Perneiras(calças),Gibão(jaqueta),Chapéu(de couro),Peitoral(Avental),Luvas e Botas,São indumentárias do oficio desse impávido trabalhador,que também pode ter seu rebanho próprio,mas o comum é ver esses profissionais como "morador" das fazendas. O mesmo tem como pagamento do seu trabalho um salário especifico ou "tirar a sorte" na produção,onde ,de forma previamente acertada com ooo fazendeiro,um percentual dos filhos que nascerem,serão propriedades do vaqueiro;por exemplo: a cada  quatro filhotes um é propriedade do vaqueiro,podendo este,criar,vender trocar ou fazer qualquer outro negócio negócio com a sua produção.A cada ano o gado é separado, contado e tirado o que para uma das partes.Este evento é conhecido popularmente como "festa da apartação."
Uma das caracteristicas do vaqueiro é que,além de ser um homem  muito trabalhador,também tem que ser um homem destemido na luta com os animais. Muitas vezes,para arrebanhar o gado,é necessário amarrar a rês desgarrada ou prender ou prender alguns dos animais que estejam postos a venda,sendo necessário,para isto,a "pega do boi na caatinga" utilizando apenas o cavalo e usando a indimentária apenas acima referida. Estando montando o cavalo,ao encontrar  a rês desgarrada,corre atrás  desta por entre a vegetação da caatinga e puxando o boi pelo rabo(cauda) o derruba ao solo  e rapidamente o amarra. Após "arreiar o boi"(por arreios) com uma careta(peça feita de couro  colocada  na frente a cabeça da rês para só permitir que a mesma enxergue com a visão lateral),uma peia(amarrar uma corda unindo uma pata  dianteira à pata traseira do mesmo lado impedindo oassadas largas) e colocando um cambão(tora  comprida de Madeira medindo aproximadamente 1,5m de comprimento e 15 cm de diâmentro que,ao ser amarrada no pescoço se posiciona entre as patas dianteiras) impedindo que o boi possa correr e o  leva para o curral da fazenda. Esta prática expõe os vaqueiros a muitos  acidentes na lida com o gado. da  "pega de boi na caatinga" é  que o originou o Esporte Vaquejada,onde hoje,não só os vaqueiros propriamente ditos,como  também vaqueiros  esportistas  o praticam em arenas apropriadas. 

William Veras de Queiroz  2010 D.C - São José de Piranhas-PB   

segunda-feira, 5 de julho de 2010

TRIO VIRGULINO

Num dia perdido do ano da graça de 1980,Adelmo resolveu não puxar mais cobra para os pés,largou a enxada e deixou para trás a sua pequena Parnamirim,cidade encravada as margens do Rio Brigida,no sertão central de Pernambuco. E assim levou no seu matulão:sonhos e incertezas, para a terra da garôa. Nada de mais aconteceu na sua partida. Na sua chegada no sudeste,na prospera cidade de Americana,micro região de campinas,o destino,Jaime e Enock Virgulino o aguardavam. Os três descobriram que cantar era melhor que chorar,descobriram que é com  pau na zabumba  que o couro come. E seguiram tocando,o quadro já era irreversivel,quando resolveram participar de um programa de calouros da Rádio Clube de Americana,que oferecia uma cesta básica ao ganhador.Na seleção o violeiro que acompanhava todos os calouros,não conseguiu acompanhar o tom,de repente, mais que de repente,Enock pegou sua sanfona e acompanhou os calouros. O radialista Geraldo Pinhanelli ficou tão feliz que o Trio Virgulino ganhou a cesta básica e um salário para participar dos programas. Em apenas três dias ficaram conhecidos na cidade de Americana.Conseguindo destaque em todo interior de São Paulo. No final de 1982  Jaime retornou para o sertão pernambucano e foi ai que Roberto, amigo de Infância de Enock,passou a integrar o grupo. Aos poucos o sonho foi tornando realidade,em 1986 gravaram o primeiro trabalho independente o disco "Beijo Moreno" e dez anos depois gravaram "Trio Virgulino Ao Vivo." No inicio dos anos 1990 o grupo recebeu convite para se apresentar em universidades. O primeiro show foi na UNICAMP, o sucesso foi tão grande que receberam convite para se apresentar  na PUC e USP. A cada dia o público universitário ia se  tornando mais fiel, acompanhando todos os shows. Foi assim que nasceu o "forró universitário" grande responsável pelo surgimento de grupos como: Falamansa,Bicho de Pé e Rastapé. Na época seus integrantes eram universitários que curtiam os shows do  TRIO VIRGULINO. Não é atoa que o TRIO VIRGULINO hoje é o padrinho destas bandas. Com o reconhecimento de público e das casas especializadas neste segmento o TRIO gravou mais dois trabalhos: " Forró e Paixão(1998) e o "Beijo que você me deu "(1999). Com o estouro o TRIO VIRGULINO,pode levar o melhor da nossa música para a França, EUA,Espanha e Inglaterra,despertando assim o interesse da gravadora Deck-Disc-Abril Music,que os contratou e lançou em Junho de 2010 "Coração Feliz",produzido por João Augusto com participação de Dominguinhos e Falamansa.Retratando de forma clara a alegria e espontaneidade desses três Pernambucanos que conquistaram o país. E no ano de 2005 a banda entra com o pé direito lançando o sexto trabalho, "Forró do Futuro," fruto de um esforço coletivo entre a banda e a produtora FS Eventos.Em clima de comemoração pelos 26 anos de estrada e muito forró. Entre as 14 faixas deste trabalho,9 são do grupo e 3 contam com a participação de amigos conquistados nestes 26 anos de forró como: Tato(Falamansa,Elba Ramalho e Dominguinhos. O grupo é formado por  Enock Virgulino(sanfona), Roberto Pinheiro (Zabumba),Adelmo Nascimento (triangulo). O TRIO VIRGULINO faz parte da história do forró. Com seus 26 anos de carreira foram responsavel pelo resgate do ritmo tipicamente brasileiro :forró pé de serra. O grupo faz em media 20 apresentações por mês,e já contaram com as participações ilustres de Caetano Veloso,Elba Ramalho,Moraes Moreira,Dominguinhos e Osvaldinho do Acordeon. Este ano fizeram uma apoteotica apresentação durante os festejos juninos  de Parnamirim,onde boas atrações como Clã Brasil e tantas outras desfilaram pelos palcos da terra de Adelmo e dos Virgulinos.

 William Veras de Queiroz 2010  D.C - São José do Rio Piranhas-Paraíba. 


quinta-feira, 1 de julho de 2010

SODADE DE ZÉ DO NORTE

A vizinha cidade de cajazeiras,no vale do rio piranhas,sertão paraíbano,viu nasceu em 1908, Alfredo Ricardo do Nascimento(Zé do Norte),um cara que jogava nas onze(posições),era cantor,compositor,poeta,folclorista , escritor,radialista e cineasta.mas antes de desenvolver tantas atividades intelectuais,ele viu o sol nascer mais cedo nos roçados da Paraíba.O menino Alfredo Ricardo,orfão de pai e mãe,teve uma infancia muito pobre,e trabalhou exaustivamente desde os nove anos de idade. Foi tropeiro e apanhador de algodão.Ele sempre mentia  sua dor,e cantava para não chorar,mas não imaginava que isso tornaría um oficio. No distante ano de 1921,foi para Fortaleza,alistou-se no Exército e acabou indo servir na Outrora Guanabara,morando mais tarde, próximo ao morro da mangueira.Convidado por Joracir Camargo,atuou no show Aldeia portuguesa,obtendo grande sucesso com uma imbolada de sua autoria.acabou sendo levado para a Rádio Tupi,onde terminou adotando o pseudônimo de Zé do Norte,em 1940,no ano seguinte foi para a Rádio Transmissora Brasileira(atual Rádio Glogo) e participou de programas,como Faz Favor,Hora Sertaneja e Desligue.Depois passou pelas rádios Fluminense,Clube do brasil,Guanabara(onde teve como sanfoneiro o iniciante João Donato),atuando como declamador,animador,organizador e cantor. Também  esteve  na rádio Tamoio. Nessa época Zé do Norte Lançou em programa de rádio o sanfoneiro Pernambucano Luiz Gonzaga,o futuro rei do baião. Publicou o livro Brasil Sertanejo,em 1948 e cinco anos depois atuou como consultor do linguajar nortista e compositor no filme O Cangaceiro, de Lima Barreto, (1953). Sua música "Mulher Rendeira" (sobre motivo atribuida a Lampião) ficou conhecida em Oropa,França e Bahia,após ser incluida na trilha sonora do filme. Com mais de cem composições,a segunda mais famosa é Sodade Meu Bem Sodade,(1955) Gravada por uma dezena de cantores,entre tais,Maria Bethania e Nana Caymmi. Zé do Norte tem vários classicos que ele próprio registrou em disco como Lua Bonita,Meu Pinhão,e assim continuou compendo até meados dos anos 70. Daí em diante foi caindo no esquecimento popular,embora,vez por outra, fosse lembrado por artista s como Caetano Veloso(que usa trechos de sodade,mau bem sodade,no disco Transa, de 1972),Geraldo Azevedo, que gravou Meu Pinhão(disco Bicho de Sete Cabeças,1979) ou Lua Bonita, por Raul Seixas(no disco Pedra do Genesis,1988 ). A obra de Zé do Norte,não cairá no esquecimento,recentemento através de um projeto Cultural do Banco do Nordeste,a Cantora Paraibana, de Brejo do Cruz,conterranea de Zé Ramalho,Socorro Lira,gravou o CD Lua Bonita. Com  várias participações. A prefeitura de Cajazeiras,criou através da Secretária de Cultura do Municipio,o Prêmio " Zé do Norte de Cultura Sertaneja". O Prêmio se divide em Onze Categorias: Música,Teatro,Cinema,Produtor Cultural,Dança,Imprensa Cultural,Gestor Público,Entidade Cultural,Literatura e Prêmio Especial e Cultura Popular. Numa grandeza de ação,no intuito de imortalizar a obra do multiartista Cajazeirense,já que a nivel de cultura a Sodade é evidente.

William Veras de Queiroz 2010 D.C - São José do Rio Piranhas-Paraíba.

segunda-feira, 28 de junho de 2010


CÁTIA DE FRANÇA

As letras das canções desta Paraíbana,me transporta a Rua da Aurora,mais precisamente ao laboratório de literatura do velho Ginásio Pernambucano(onde o bonde passava rumo ao farol de Olinda). Foi lá que um dia estudei na capital da provincia Pernambucana e descobri autores nordestinos fantásticos:João Cabral de Melo Neto,José Lins do Rêgo,Guimarães Rosa e Manoel de Barros.Ouvir as canções do LP Vinte Palavras ao Redor do Sol(1979),é ter a trilogia do ciclo da cana(Menino de Engenho/Moleque Ricardo / Banguê) ,do Também Paraíbano José Lins do Rêgo,em áudio. Estão nas canções deste discos personagens como o Coronel Zé Paulino,o Moleque Ricardo,Mané de Tião,João de Joana, Paisagens verdejantes dos canaviais da zona da mata paraíbana,O bonde da rua da Aurora(Recife), Poço da Pedra,o trem,a feira de Itabaiana e tantas outras do imaginário de Zé Lins. Maria Catarina de França Carneiro((seu nome de pia),desde menina aprendeu a dominar instrumentos como piano,sanfona e o violão.Mais tarde se interessou pelos acordes da flauta e pela percussão.Foi professora de música por algum tempo,até começar a compor em parceria com o Poeta Diógenes Brayner. Participou de festivais de música popular na década de 60,época em que viajou  por "Oropa,França e Bahia" com um grupo folclórico.De volta a pátira amada,foi para São Sebastião do Rio de Janeiro,onde deixou o seu talento e registro instrumental em discos de Sivuca,Zé Ramalho,Amelinha e Elba Ramalho.Teve canções suas gravadas por Elba Ramalho e Xangai,destaque para Kukukaia e tantas outras e outros que gravaram suas composições. O primeiro LP solo,Vinte Palavras ao Redor do Sol, Foi lançado em 1979,Uma música da cantora foi trilha sonora do filme Cristais de Sangue,de 1975. Foi parceira de Jackson do Pandeiro durante a primeira versão do Projeto Pixinguinha,em 1980. Em cerca de 40 anos de carreira,Cátia gravou três LPs: Vinte Palavras ao Redor do Sol,Estlhaços e feliz demais, e dois CDs:Avatar(que teve a participação de Chico César e Xangai) e Cátia de França Canta Pedro Osmar,no qual ela demostra a força criativa da música Paraíbana. A multiartisca que é,Cátia de França Também adentrou pelo mundo da literatura e das pláticas,com destaque para os livros Zumbi em Cordel, Falando de Natureza Naturalmente(infatil) e Manual da sobrevivência,um resgate de sua tragetória pessoal e profissional. A cantora,celebrada em todo o país,residia até pouco tempo em sua terra natal João Pessoa desde meados dos anos 1990,recentemente Cátia voltou ao RJ e é frequentadora assidua dos barzinhos da Lapa,local frequentado pelos boêmios,artistas e loucos da cidade maravilhosa, Lá, também expõe o seu belo trabalho músical.

 William Veras de Queiroz 2010 D.C (Durante as festividades de São Pedro) - São José do Rio Piranhas -PB

domingo, 27 de junho de 2010


 BANDA DE PIFANOS  ESQUENTA MUIÉ

" Êi,lá vem o esquenta muié, é som,é gente,é vida e pó...  Carapeba bandinha quente,abrindo frente,alegrando vai,pife,pratos,tarol,zabumba,é tumba,tumba ,e a folia sai... Carapeba por onde passa,faz som de graça prá se brincar..." Na sensibilidade tão peculiar a Luiz Gonzaga do Nascimento(Gonzagão),com os elementos da natureza, as tradições, e tudo que Deus deixou no semí-árido  nordestino,ele um dia também homenageou através da música,as bandas de pifanos,hoje tão escassa nos nossos dias no sertão,com a música Carapeba de Luiz bandeira e Julinho.A banda de pifano,é um conjunto instrumental de percussão e sopro,dos mais antigos,e importantes da música folclorica brasileira.Historicamente o pifano remonta à  época dos primeiros cristões,que tinham no pifano,pifes ou pifora,uma maneira de saudar a Virgem Maria nas festas natalinas.Na feição nordestina a banda de pifano é uma criação do mestiço brasileiro,que com sua criatividade e intuição adaptou o instrumento,dando-lhe  a forma tipica pela qual é conhecida no folclore brasileiro. No estado de Alagoas,além dos instrumentos básicos acrescenta-se um par de pratos e em certos grupos um triângulo e até um maracá para maior sonoridade.É na cidade de Marechal Deodoro, naquele estado,que  há mais de trinta anos os Irmãos Zé Cicero e Franklin,comanda  o grupo Esquenta Muié. Essa paixão pela música da banda de pifano virou oficio para os dois irmãos,que conseguiram criar os filhos com as atividades artistica do grupo,daí do seu rigor e determinação em manter a banda pronta para qualquer apresentação.  O grupo percorreu o país representando Alagoas na década de 70 e 80. Foi a Brasilia,São Paulo,Rio de Janeiro,Belo Horizonte,Salvador,Goiânia,Aracajú e João Pessoa. As viagens eram viabilizadas pela antiga  Ematur,hoje Secretária Executiva do Turismo,que divulgava o estado  país afora.Nas idas e vindas a São Paulo,o grupo participou do programa Som Brasil,que era apresentado aos domingos por Rolando Boldrin,pela Rede Globo de Televisão no final dos anos 70. A esquenta muié chegou a gravar  em meados dos anos 70,um LP duplo,em São Paulo.Porém, um exemplar se quer restou,para contar a história do grupo.
Nas comemorações dos 25 anos do grupo,e para ajudar a preservar e difundir  essa manifestação da cultura popular,o grupo gravou um CD " Sonho de Criança",um trabalho autoral,onde foram gravadas 20  músicas, todas de autoria de Zé Cicero. E dessa forma os ventos que sopram nos verdes canaviais de Marechal Deodoro,terão prenúncio de bons tempos,e voltarão a soprar nos pifanos de Alagoas. Em 2008 foi gravado um video em homenagem aos 30 anos de existência do "Esquenta Muié" pela Tudomais Produções, a direção e produção desse video é do Jornalista e produtor cultural Keyler Simões,que também produziu o CD " Sonho de Criança." 

William Veras de Queiroz  2010 D.C - São José do Rio Piranhas-PB

sexta-feira, 25 de junho de 2010


Entrevista a TV Atalaia e site Pais do Forró.Aracajú-SE

POR ONDE ANDA ZENILTON ?

 Ês a pergunta que não quer calar,por onde anda o caçula do baião? No ano passado durante os festejos juninos,na Estação do Forró,em Salgueiro,a pergunta foi feita por Domingos de Moraes(Dominguinhos). Este ano durante o Festival da Sanfona,a interrogativa veio através de Osvaldinho do Acordeon,por onde anda O Bom Zé ?Nas comunidades das páginas do site de relacionamento(Orkut),onde o mesmo possui várias comunidades criadas pelos fãs,muito se perguntou pelo paradeiro de José Nilton Veras de Moraes,Pernambucano,de Salgueiro,porém,poucos sabem.Esse que vos escrevem, bem que poderia mostrar o caminho das pedras e desvendar o silêncio e o anonimato do primo Zé. Cresci ouvindo e vendo a cada ano a chegada daquele cabeludo de roupas coloridas e extravagantes,que trazia das terras do sudeste,a bordo dos impalas americanos,rabo de peixe ,ou, o que havia de moderno no segmento automobilistico daqueles tempos de outrora, boas novas e boas conversas no centro da sala da casa da minha Mãe.Ainda guardo comigo,as histórias de travessuras do moleque Zenilton,na ilha da Assunção,contadas por Dona Davina Veras.Meu tio Cazuzinha,pai de Zenilton,passou pelo mesmo drama nos idos anos de 60,quando viu sucumbir  o seu tormento de preocupações, porém, com o sumiço do inquieto e irreverente rebento, .  O distinto só deu o ar da graça,anos depois, quando do lançamento do seu primeiro LP "Namoro no Escuro",pela finada gravadora Chantecler.Em São Paulo,Zenilton,não parou mais,e todo ano,lançava um albúm pela gravadora Copacabana,onde ao lado de Trio Nordestino e Genival Lacerda,eram campeões de vendagens de discos,por seguidos anos.Zenilton,trouxe o humor e as letras de duplo-sentido para o baião,e assim foi o precussor desse segmento na música regional,onde fez escola e teve seguidores por décadas.Tinha na figura do nosso tio Juviniano Veras(Tio Jovem),que foi errante violeiro pelos sertões e que deu uma reviravolta na sua vida compondo letras de duplo sentido para o sobrinho Zenilton.O caçula do baião, (como  o batizou o velho Gonzagão),conquistou a terra da garôa, naqueles distantes anos de 70.Zenilton,tinha um contrato com uma das grandes gravadora   da época,onde era campeão de vendas e tinha um palco,a casa de show Forró da Móoca,de sua propriedade,em Sampa,empreendimento que foi local de encontro dos nordestinos por longos anos, e que depois,vendeu ao baiano de Serrinha,Pedro Sertanejo(Pai de Osvaldinho). após a bonança na sua carreira,Zenilton,consolidou sua carreira no estado de Sergipe,e tinha ,em Aracajú o seu palco predileto.Porém,veio a Fulerage-music(forró eletronico das bandas),e como tantos outros artista do forró tradicional,Zenilton,não encontrou espaço para seu trabalho.Mas,nos idos de 90, o grupo de hardcore candango,Raimundos.Que tinha na sua formação filhos de nordestinos,fez uma fusão de forró de duplo sentido com punk-rock.E nesse projeto da banda candanga(de Brasilia) Zenilton era Régua e compasso,e, o compositor predileto dos Raimundos,e assim fizeram shows juntos brasil afora e não deixaram pedra sobre pedra por onde passaram . Dessa forma aconteceu a volta inesperada desse sertanejo brabo,aos palcos e na midia nacional a reboque de Raimundos.o Grupo acabou com a saída de Rodolfo.e mais uma vez Zenilton,saiu de cena.O último registro que se tem através da midia de aparição de Zenilton nos palcos,foi durante o ROOTSTOCK 2008,festival,que tem artistas e grupos tradicinais do forró e que aconteceu em São Paulo,onde apresentou um memoravel show,que contou com um grande número de fãs que foram matar a saudade do sanfoneiro.Em 2005, a RV Produções,lançou uma coletanea com 22 sucessos de Zenilton,na prévia de comemoração dos 50 anos de carreira  do artista.

William Veras de Queiroz  2010 D.C - São José de Piranhas-PB


      

sábado, 19 de junho de 2010


DE ONDE VEM O BAIÃO ?

Em tempos de fulerage-music,dança da bicicletinhas,Aviões do "forró," Saia rodada e outras perolas,não custa parafrasear o poeta:de onde vem o baião?Vem de baixo, do barro, do chão? José Ramos Tinhorão,estudioso da música popular brasileira,diz que o baião teve a sua origem em um tipo de batida de viola dos repentistas chamado exatamente de baião. O dito cujo diz que,provavelmente o baião nasceu de uma forma especial dos violeiros da zona rural do Nordeste tocarem lundus,que por lá chegaram com o nome de baiano.De baiano à baião foi um pulo de vários acordes e notas. A opinião do pesquisador é reforçada ao lembrar de um depoimento prestado por Luiz Gonzaga,O Rei do Baião,à revista Veja,em 15 de março de 1972:"Quando toquei o baião para ele(Humberto Teixeira),saiu a idéia de um novo gênero.Mas o baião já existia como coisa do folclore.Eu tirei do bojo da viola do cantador,quando faz o tempero para entrar na cantoria e dá aquela batida,aquela cadência no bojo da viola. A palavra também já existia. uns dizem que vem do baiano,outros que vem de baia grande.Daí o baiano que saiu cantando pelo sertão deixou lá a batida e os cantadores do nordeste ficaram com a cadência.O que não existia era uma música que caracterizasse o baião como ritmo. Era uma coisa que se falava: "Dá um baião aí..." tinha só o tempero,que o prelúdio da cantoria.É aquilo que o cantador faz,quando começa a pontilhar a viola,esperando a inspiração."
Para reforçar a sua opinião,o pesquisador cita ainda a folclorista Marisa Lira,em um artigo intitulado Maião I,da série Brasil sonoro,publicado no jornal Diário de Noticias do RJ,em 1° de março de 1958,onde afirma:"O baião é de um modo geral o ritmo da viola sertaneja.Tanto que no Ceará,Pernambuco e Paraíba,tocar baião significa marar na viola o ritmo alegre  com que se acompanha os cantadores nos desafios, improvisos e pelejas."Ou seja,Tinhorão confronta opiniões de duas fontes distintas,ambas abalizadas,e confirma a coincidência de informações.
Seguindo essa linha de raciocínio e procurando chegar às condições que propriciaram a aceitação do baião no meio urbano brasileiro,Tinhorão destaca ainda a contribuição dada a esse processo evolutivo pelo maestro Cearense Luro Maia.Precocemente falecido em 1950,aos 37 anos de idade,ele percebeu a opulencia melódica dessa fonte da música regional,criando um ritmo chamado de balaceio,que já não era mais o ponteio das violas,embora  dela aproveitasse o ritmo chamado de balanceio,que já não era mais o ponteio das violas,embora dela aproveitasse o ritmo,e nem era ainda o baião estilizado da forma como o organizaram Gonzagão e Humberto Teixeira. A música Baião,lançada em 1946,por Gonzagão e Humberto Teixeira,onde,segundo Tinhorão," o novo gênero se apresentava ,de maneira muito feliz,com uma letra em que,além de acentuar essa novidade,ainda revelava claramente o seu propósito de servir com ritmo de dança." E assim o baião ganhou popularidade rapidamente,pela vitalidade do seu ritmo,e conquistava o Brasil e o exterior em meados  da década de 1940.

William Veras de Queiroz  2010 D.C -São José do Rio Piranhas-Paraíba.