quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


COMPANHIA CARROÇA DE MAMULENGO



 Foi  em  Brasília, em  1975, que Carlos Gomide começou a trabalhar com artes  junto ao diretor Humberto Pedrancini  em  um  grupo  chamado Carroça. Participou de duas montagens: “Pedro Malazartes” - texto de Maria  Helena  Kuhner,  e  “Cidade  que  não  tinha rei” - montagem coletiva.Com o dissolvimento do grupo Carroça,  Carlos   herdou   o   nome   “Carroça”   e   começa   a   traçar   um   caminho    próprio.
Em 1976 Carlos conheceu a poética do mamulego através do espetáculo “Festança no reino da mata verde” do   grupo  Mamulengo  Só Riso,  onde  o saudoso Nilson    Moura  brincava  o personagem principal - Tiridá,    com    direção    de    Fernando   Augusto.
Em   1977,  já  encantado com a força do teatro de bonecos,  linguagem  que se tornou base de criação de   seus   trabalhos, montou   um   espetáculo com bonecos     de   sucata  “As  Bravatas do Professor Tiridá   na  Usina do Coronel de Javuna” - texto do mamulengueiro pernambucano Januario de Oliveira. Com   essa   brincadeira  começou a viajar o Brasil tornandoCarroça um grupo itinerante.
Em   1978,  participando  de  um festival no SESC Madureira  (Rio de Janeiro),  conheceu  o  mestre  Antônio  Alves Pequeno (Antônio do Babau), brincante de   uma  espetacular  originalidade  da  cidade de Mari - PB. Em 1979 Carlos  viajou ao encontro de Seu Antônio do Babau para conviver como “discípulo” de um mestre. Para Seu Antônio foi enaltecedor receber uma pessoa “de fora” com desejo de aprender e valorizar sua arte. Após um ano e meio de convivência no roçado, nas festas e nas brincadeiras, Carlos terminou de completar seu terno de mamulengo (conjuntos de bonecos de uma brincadeira) e teve a permissão de levar essa tradição mundo afora.
Esse aprendizado norteou o caminho do Carroça de Mamulengos, pois a partir daí sempre esteve junto aos mais  diversos  mestres  e  brincantes  das  mais  variadas  manifestações  populares. Convivendo, com uma relação  de  amor,    respeito e cumplicidade, Carlos Gomide foi lapidando uma linguagem estética única pra o grupo.
Schirley França começou a trabalhar com teatro em 1980  com  o Grupo Retalhos, tendo como foco de trabalho  a  criação  de espaços para apresentações artísticas  e  a  formação  de  platéia.  Participou  de vários  espetáculos  circulando  por  Brasília e pelas cidades do entorno.
Em   1982,   na    passagem  da  Cia.  Carroça  por Brasília,    Schirley,    então   com  dezessete   anos, conhece    Carlos  Gomide. Tornou-se sua esposa e integrante do grupo, deixando para trás Brasília, sua companhia  de teatro, universidade de artes Dulcina de  Moraes  e   a   família,  para  seguir um caminho completamente  diferente:  a construção de uma arte vivida   no   dia a dia, o desafio de criar uma família na estrada, educar, cultivar a fartura, tornar todo espaço um lar que aconchegue a grande família que a Cia. Carroça formou em todos esses anos rodados.
                                                                                    Com   o   nascimento   dos   filhos:   Maria  -  1984, Antonio  -  1986,  Francisco  - 1988, João - 1990, Pedro   e   Mateus  - 1995,  Luzia  e Isabel -1998, houve  a   necessidade  de  criar   uma   concepção cênica que possibilitasse a participação das crianças dentro    de   uma  consciência de que vida e arte se complementam. Assim, de forma orgânica, Carlos e Schirley    foram    integrando    conceitos  de arte e educação    na   formação   dos   filhos   que, desde sempre, acompanham seus pais  em  sua  itinerância pelo  país. Em  cena  transformam  arte em vivência.

É assim que em função do amadurecimento de cada filho,   naturalmente,  a   dança,  a  música,  o  canto os bonecos e os elementos circenses foram incorporados às brincadeiras. O picadeiro, para essa família, é sagrado, é a extensão do próprio lar. Hoje, a Companhia    Carroça   de   Mamulengos   apresenta   suas   brincadeiras   por praças, feiras, ruas, teatros e festivais.  Trilha  um  caminho  de   fé,    acreditando   na   vida   e   na   arte   como   meio   capaz   de tocar profundamente os corações de homens, mulheres e crianças. Abraça o Brasil e por ele é abraçado.

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