sábado, 1 de dezembro de 2012





CEGO  ZÉ OLIVEIRA E A LUZ DA RABECA


  Zé Oliveira,faz parte de uma estirpes de cegos cantadores que esmolam pelas feiras livres de arruados e pequenas cidades nordestina. Filho de país alagoanos,que como tantos um dia vinheram em devoção ao "Padim Ciço" e não retornaram mais para sua terra. A prole dos Oliveiras aportou no sertão do cariri,em 1904,foram morar no sitio Baixio Verde. Zé Oliveira,foi batizado em Juazeiro do Norte,pelo então paroco local,Cicero Romão Batista. Nasceu cego e na pobreza,muito cedo conheceu o sofrimento.Um  certo dia pediu aos céus,uma luz uma guia para afastar o sofrimento de pedir esmola de porta em porta,e num verdadeiro milagre enxergou a música e a arte para aliviar o sofrimento. No ano de 1929,ganhou de um generoso Tio um presente inesquesivel e  que mais tarde se tornaría   um instrumento de trabalho,uma rabequinha. Dedicou-se ao instrumento,enquanto o único irmão alfabetizado fazia leituras dos versos de romances de cordel e assim Zé ia decorando as quadras , passou mais de 75 "rumance",entre tantos O Romance do Pavão,Princesa Rosa,João de Calais,O Capitão do Navio,Coco verde e Melancia,A peleja de Zé Pretinho com o Cego Aderaldo,O Preguisoso,Zezinho e Mariquinha,Negrão André Cascadura,Juvenal e o Dragão e tantos outros, para os frequentadores das feiras,com a trilha sonora da inseparável rabeca, nessa época viveu num mundo de poesia,apesar do cartão de memória visual está sempre vazio num mundo sem animação e imaginário que povoa a realidade dos cegos. Zé  Oliveira, tocou por muitos tempo nos reisados do vale do cariri,na companhia de um dos filho que era brincante,com a morte do filho perdeu o gosto pelo folguedo e deixou de tocar em reisados.  Era apaixonado pelo som das bandas Cabaçais,resolveu aprender a tocar pifano,  numa certa ocasião tocou um dia e uma noite,mas, a paixão de Oliveira era a rabeca. Com a rabeca fazia cantorias,particpava de festas de casamentos,batizados,renovações de santos,aniversários e em sentinelas,tocando "incelenças". Acredita que as emissoras de rádio ajudaram a minguar a farta agenda  dos   cantadores, diz que hoje só toca em romarias. Já tocou no Rio de Janeiro,São Paulo e Fortaleza,tocou na televisão,e diz que isso atrapalhou a carreira, pois muitos se recusa a dar uma contribuição acreditando que "por ter tocado na televisão o cego está rico". Em 1992,lançou pelo selo Cariri Discos,um LP duplo,Cego Oliveira,Rabeca e Cantoria. Considerado  um patrimônio vivo da cultura Cearense, Zé Oliveira segue a vida num vasto mundo de Privações além da luz dos olhos.

William Veras de Queiroz D.C -2010 - Santo Antonio do Salgueiro-PE.

  

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