sexta-feira, 4 de novembro de 2016


                                                                                              MESTRA BERTU

A mestra Bertulina Nunes Barbosa, mais conhecida como Bertu,Nasceu no ano da graça de 1952,em Marechal Deodoro,no Leste do estado de Alagoas,precisamente no dia 8 de setembro. Bertu é coordenadora do Pastoril Mensageiros da Fé, criado desde 1994 com um grupo de alunos da Escola Municipal Jonas de Oliveira Pinto, onde lecionava, no Povoado Riacho Velho. Na continuidade, o grupo contou com o apoio e a participação das pessoas da comunidade, estando em atividade até os dias de hoje. 

Ainda muito jovem Bertulina se encantou com a graciosidade da dança: “Quando conheci o Pastoril ainda era menina, mas me encantei completamente e e sempre participava, dançando e cantando” – relembra a mestra. 
Natural de Marechal Deodoro, morou durante anos em Maceió e depois se mudou definitivamente para Riacho Velho, onde, há várias gerações, incentiva os jovens e crianças da região a dançar o Pastoril. “O povo daqui nunca tinha visto um Pastoril, não sabia o que era. Formei o grupo em 94 e o organizei ainda na escola, depois continuei à frente do grupo com as pessoas da comunidade, sempre com entusiasmo” – conta.

O pastoril Mensageiro da Fé é formado por 19 integrantes e se apresentam em Maceió e Marechal Deodoro, inclusive nos povoados da Massagueira e Barra Nova. 
Além de ensinar a dança e as músicas tradicionais do folguedo natalino, executando todas as suas jornadas – que é a história cantada em louvor ao nascimento do menino Jesus – muitas já conhecidas, e outras criadas por ela, a mestra, além de professora, também se dedica a costura, confeccionando para as meninas toda a indumentária dos cordões, o azul e o encarnado. “Faço com muito gosto. Tenho muito prazer em cuidar de cada detalhe, desde as roupas aos adereços, como o pandeiro com cabo enfeitado de fitas utilizado pelas pastoras”.

Em 2014, a mestra de Pastoril recebeu através da Secretaria de Estado da Cultura o título de Patrimônio Vivo, em reconhecimento aos seus méritos e contribuição à Cultura Popular de Alagoas.“Recebi o comunicado e fiquei muito emocionada. Não esperava, foi uma surpresa grande. É maravilhoso ter sido reconhecida desta forma. O Pastoril é tudo para mim, sou realmente apaixonada por isso. Quando vejo uma apresentação do Pastoril, tenho uma satisfação imensa.”
 Fonte: Ascom Secult

quinta-feira, 3 de novembro de 2016


                      Jorge Alves Siqueira (Zeus)

Jorge Alves Siqueira, mais conhecido como Zeus, nasceu no município sergipano de Itabaiana no dia 08 de abril de 1959. Seus primeiros contatos com a arte ocorreram ainda em Itabaiana, na década de 1970, por influência de Caã e de seu irmão Jorgevaldo. Saiu de lá aos 15 anos e diz que as imagens quase idílicas, ainda que sofridas, não lhe saem da cabeça. O riacho era limpo, tinha a casa de farinha, tinha passarinho e liberdade, conta o artista.
Começou a trabalhar com a arte juntamente com o irmão, ajudando-o a esculpir imagens de ex-votos: Tudo começou com meu irmão, que sofreu um acidente e um pintor amigo acabou levando-o a entalhar. Eu comecei ajudando a lixar as suas peças. Mas um dia ele me deu a faquinha e disse para eu cortar uma bola com um pedestal, que era muito fácil. Depois riscou a bola e pediu para gastar as laterais. Saiu assim uma espécie de bochechas num rosto. Aí quando fiz o olho, foi como se o olho ficasse olhando para mim, saltado. Acho que a arte entrou assim dentro de mim, como um olho me olhando. Então terminei de fazer a cabeça, que era de um ex-voto, conta o artista. Quando começou a esculpir suas próprias peças, passou a assinar Zeus.

ZeusCristo, madeira. Reprodução fotográfica www.acasa.org

O irmão do artista não seguiu o caminho da arte, mas Zeus permaneceu em Aracaju dedicando-se à arte da escultura. Morou em outras cidades sergipanas e por fim estabeleceu-se em Areia Branca, onde mora atualmente. Trabalha com a madeira (cedro, jacarandá, imburana), mas também com a pedra e o concreto.Eu tinha esse destino. Há 20 anos tentei fazer outras coisas, mas não funcionou. A gente não procura a arte, a arte é que procura a gente. Eu sempre fui honesto com a arte, nunca procurei fugir do meu estilo e tenho uma característica própria, conta Zeus.

ZeusSão Francisco, madeira. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Zeusmulher, pedra calcárea. Reprodução fotográfica www.acasa.org

Zeus expôs pela primeira vez individualmente em 1984 na Galeria J. Inácio em Aracaju. Desde então intensificou sua participação em exposições no seu Estado e em outros lugares do Brasil.

Contato com Zeus:
Rua São João, 15, Centro
Areia Branca, SE,
CEP: 49580-000
Tel: (79) 3288-1437/ 1745

ZeusCristo, madeira. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Zeusbusto de Sto. Antonio, pedra calcárea. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Zeusoratório de Padre Cícero, madeira. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Zeustítulo desconhecido, pedra calcárea. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

ZeusSto. Antonio, madeira. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.
Poderá també

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A ROMEIROS DE UNIÃO EM JUAZEIRO

Clemilda - Romaria a Joazeiro {MSDS}

bendito de juazeiro do norte

Bendito de Romaria: Maria Valei-me (Rezada) - Diego & Diogo // Maceió-AL






                  ROMARIA DO JUAZEIRO


Por: Nathan Xavier
Fotos: Adriana Costa

A vida do padre Cícero Romão Batista foi intensa e cheia de reviravoltas, mas se os documentos e cartas estudados hoje, com certa distância no tempo, podem ajudar a reconstituir os verdadeiros fatos, algo muito mais forte atesta sem dúvida a importância de padre Cícero: a fé dos romeiros e os frutos das romarias. Uma fé impressionante e perseverante, que esperou mais de 80 anos, para, enfim, ver seu padrinho reconciliado com sua Igreja. “Se não existisse essa teimosia que veio de baixo para cima, padre Cícero seria apenas uma folha de papel nos livros de História do Ceará”, afirma irmã Annette Dumoulin, que há 40 anos desenvolve um trabalho junto aos romeiros. “É fundamental perceber essa realidade que fez com que a Igreja não tivesse condições de esquecer.”
A partir das diversas solicitações que, por anos, chegavam ao Vaticano pedindo uma reavaliação do caso, o cardeal Joseph Ratzinger (futuro papa Bento XVI), na época prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, escreveu ao então bispo do Crato uma carta perguntando da possibilidade de abrir os documentos da Cúria diocesana para um estudo e esclarecimento dos fatos acontecidos. Como o bispo já estava de saída da diocese, a tarefa recaiu sobre dom Fernando Panico, que assumiu em 2001. A posse do novo bispado foi motivo de alegria para os habitantes de Juazeiro, pois uma antiga história falava que padre Cícero só seria reconhecido quando um bispo estrangeiro assumisse a Diocese do Crato. Mero acaso ou não, dom Fernando, italiano, é o quinto bispo da diocese e o primeiro não brasileiro. Foram quatro anos de pesquisas em arquivos, documentos históricos e cartas em diversas cidades do Brasil: “Recolhemos tudo em nove volumes e, no dia 30 de maio de 2006, acompanhado por uma turma de romeiros, fui a Roma para entregar a documentação”, afirma contente dom Fernando. “Foram anos de muita expectativa e de tensão, mas Deus tem seus momentos e sabe o que faz e quer o que faz.”

O Romeiro ─ Do meio da multidão se vê, após uma breve oração, o pai, alto, de roupas simples, chinelos de dedo nos pés e com o corpo e pele castigados por muito trabalho braçal sob o sol, repousa o terço de plástico no túmulo de padre Cícero aguardando alguns segundos, diante do olhar ansioso e sorridente de seu filho. Retira o terço e o entrega ao garoto, que não conseguia conter a felicidade ao segurar o objeto, como quem segura uma esmeralda, um terço de plástico verde. Diante da ansiedade, encontra dificuldade em passá-lo pela cabeça, mas o pai pacientemente o ajuda. Os dois saem da Capela de Nossa Senhora do Socorro, em Juazeiro do Norte (CE). O pai pouco à frente do menino, que não tirava os olhos de seu precioso terço, abençoado pelo padim Ciço. Até se perderem de vista no meio da multidão de fiéis.

“Desde criança tenho essa devoção. Eu tinha 14 anos e vinha com meu pai, que era romeiro de padre Cícero”, revela Ana Maria Cavalcante, 64 anos, que veio com o marido, Ivo Antônio Cavalcante 61 anos. Ana Maria mostra que sua devoção passa longe de fanatismo: “Primeiramente Jesus Cristo e depois meu padrinho, que é um padrinho muito forte”, contando as graças já recebidas por intercessão de padre Cícero. Pergunto a vários romeiros de onde veio a devoção por padre Cícero, já que por anos a Igreja não deu qualquer apoio, e a resposta é quase sempre a mesma: “É tradição da família. Eu vinha com meus pais, e incentivo hoje meus filhos também”, conta Francisco de Assis da Costa, 62 anos, que levou 12 horas e meia de ônibus desde Boca da Mata, (AL). “Eu vinha quando menino com meus pais. Fretava o pau de arara e vinha”, relembra com carinho Antonio Cristóvão da Silva, 48 anos, de fala serena e jeito simples, que trabalha na roça e é dono de sua própria terra, na cidade de Viçosa (AL). “Terra que Nosso Senhor Jesus Cristo me deu e vivo nela, plantando, trabalhando e colhendo o que Deus me dá.” Ele afirma que participa ativamente na paróquia dele, rezando o terço e levando a Palavra de Deus aos outros e que fica ansioso para a romaria em Juazeiro. “A fé é importante pra mim, uma Graça! A gente fica o ano todo trabalhando, esperando que chegue logo o dia da viagem. E a gente traz o padim Ciço como um pai respeitado por nós.” E completa com aquele jeito de gente que conta sempre com a ajuda do céu: “Estou bem contente que choveu na minha roça. Meu menino ligou e avisou. Eu tinha plantado lá e deixei por causa da romaria, na volta eu resolvo, porque Jesus disse que bem material não é tudo. O que é tudo é nosso Pai Eterno. Deixei tudo pra eu vir na festa de Nossa Senhora das Candeias”. 

Um padre do povo 
– “A figura, a pessoa, o trabalho pastoral e missionário de padre Cícero tem influência sobre todo o Nordeste”, explica padre Cícero José da Silva, pároco da Basílica Nossa Senhora das Dores, responsável por acolher os fiéis que acorrem a Juazeiro todo ano. “A Igreja pode não reconhecer em sua estrutura hierárquica, mas ele é santo no coração do povo.” E qual o segredo de padre Cícero Romão? “Ele fazia essa ligação entre fé e vida, não ficava só na vida espiritual, descia da montanha e com o povo desenvolvia sua ação pastoral”. E continua: “Se nós, hoje, padres ordenados pós-Concílio Vaticano II, com essa missão de sair ao encontro do povo, imaginarmos, que há mais de 100 anos, um padre já tinha essa habilidade pastoral, que acolhia, que apontava, fazendo uma real opção preferencial pelos pobres, então, ele incomoda”.
Se na época de padre Cícero Romão a Igreja local havia proibido qualquer padre de batizar uma criança com nome de “Cícero”, já há alguns anos a regra caiu por terra. Não é a toa que, assim como o pároco Cícero José, existem mais oito padres com nome de “Cícero” apenas na Diocese do Crato (CE): “Todas as famílias tem que ter um Cícero ou uma Cícera, em reconhecimento ao padim”, afirma padre Cícero, o José.
Padrinho – 
A a força de padre Cícero para a cidade de Juazeiro e todo o Nordeste vai além do ministério sacerdotal. Ele é um padrinho, e padrinho  aconselha, instrui e acompanha na pratica da fé, protege e intercede por seus afilhados, não por acaso, um significado muito próximo do que é ser santo. Aliás, entre o povo do Nordeste, não há ninguém que não afirme convicto: “Padre Cícero é santo!”. O processo, que iniciou em 2001, resultou na histórica reconciliação, através da carta escrita pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin a pedido de Papa Francisco, e enviada à Diocese do Crato em dezembro de 2015, passado sendo lida por dom Fernando durante uma missa, na frente de milhares de emocionados fiéis. E o destaque da carta foi justamente os frutos das romarias iniciadas por padre Cícero e as devoções ao Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora das Dores: “Devoções que ele transmitiu e que o povo por sua vez passa de geração em geração. E aí está o valor da Tradição, com T maiúscula, de uma fé verdadeira, que não nasce do acaso, mas tem raízes, e é a família que propaga e difunde essas raízes no coração dos filhos”, afirma dom Fernando.
Rosalva da Conceição Lima, uma ativa senhora que não aparenta ter 95 anos, embora tenha, conheceu pessoalmente padre Cícero e lembra de muita coisa. “Aqui é terra de trabalho e de oração, era o que ele falava.” Morando numa pequena e organizada casinha na Rua do Horto, uma grande ladeira que leva até a famosa estátua de padre Cícero. Ela relembra que o sacerdote tinha o respeito de toda a região, mesmo com seus ensinamentos rígidos. “Meu pai pediu a ele que o ajudasse a vir para Juazeiro, e padre Cícero disse a ele que trabalhasse em sua terra. Ele não disse a meu pai para vir viver de esmola, não”, relembra. E é taxativa sobre a condição do mundo hoje, usando os próprios ensinamentos do padrinho: “Precisam aprender a trabalhar e rezar. Se rezassem e trabalhassem, fossem contritos, o mundo era outro. Tanto os rapazes como as meninas”. E compara com sua época: “O tempo tá muito bom hoje. Tem escola e a moçada não quer, joga tudo no mato. Hoje tá todo mundo rico, não tem pobre não”, narrando a infância com muitas dificuldades. Dificuldades, aliás, que padre Cícero conhecia muito bem: “Pra mim ele é santo”, atesta dona Rosinha. “Nasceu santo, viveu santo e morreu santo. Ele sofreu essa dor todo o tempo e sofreu junto de nós nesta terra. E, apesar disso, nunca quis que falasse mal de nenhum padre ou bispo.” E termina com uma frase do próprio padre Cícero, resumindo o que, como ela, muitos levaram para a vida inteira: “Você reze como quem vai morrer hoje e trabalhe como nunca há de morrer, porque quem trabalha tem para si e para dar a quem precisar”.

Romarias – A Romaria de Nossa Senhora das Candeias está associada, no calendário litúrgico, ao dia da Apresentação do Senhor, e foi criada por padre Cícero. Hoje, a romaria começa numa missa campal em frente à Capela de Nossa Senhora do Socorro, onde padre Cícero está enterrado, e segue até a Basílica de Nossa Senhora das Dores, em cujo local se dá a adoração e bênção do Santíssimo Sacramento, finalizando com fogos de artifício, num bonito espetáculo onde a luz tem papel de destaque, simbolizando Cristo, luz do mundo, apresentado no Templo, por Nossa Senhora.
Dom Fernando afirma que o próprio papa Francisco lhe disse que vê nas romarias, iniciadas por padre Cícero Romão, o caminho para a Nova Evangelização e instrumento para uma igreja em saída: “É uma fé enraizada na vida, nos pobres, nas pessoas simples, que se deixam plasmar, transformar e iluminar pelos valores da Palavra de Deus”, explica. Além dessa romaria das Candeias, os fiéis costumam participar das outras quatro que acontecem ao longo do ano em Juazeiro. Segundo o bispo do Crato, são 2 milhões e meio de romeiros todos os anos na cidade. Francisco de Assis da Costa, 62 anos, participa de todas elas, enfrentando 12 horas e meia de viagem de ônibus desde Boca da Mata, em Alagoas: “Eu gosto demais da romaria, pra mim é uma maravilha. É tradição da família. Eu vinha com meus pais e incentivo hoje meus filhos também”. 
Benildes Alves Oliveira participa das romarias há 37 anos: “A primeira vez que vim só tinha estrada de terra e levei três dias. Agora está ótimo, a gente sai e chega no mesmo dia”, fazendo pouco caso dos 570 quilômetros desde o município de Nossa Senhora da Glória (SE). Quando ele percebe minha cara de surpresa, conta que seu bisavô fazia o mesmo percurso a pé: “Essa devoção veio do meu bisavô, chamado Craveiro. Eu não sabia, vim por curiosidade em 1978, e, quando vim, minha mãe me contou. Ele ia com um jumentinho que trazia as tralhas, as roupas, e ele a pé”. Pergunto o motivo de tanto esforço e me responde de forma enigmática: “Venho porque é um mistério. Qual eu não sei, mas você vem, peregrina, sofre e acha bom”. E emenda: “Uma vez estava com problema de próstata e precisei usar sonda. As pessoas diziam pra eu não vir (pra romaria), e eu vim com aquela bolsa (bolsa coletora)grande em mim. Quando cheguei, as pessoas ficavam impressionadas e pediam que eu deixasse tocar em mim, e eu dizia pra não só tocar, mas abraçar também, e a gente se abraçava! E isso foi minha cura também, porque as pessoas oravam por mim. Quando cheguei em casa o médico disse que eu não precisava mais operar, só tomar uns remédios. Faz dois anos e estou ótimo”.
Graças alcançadas por intercessão de padre Cícero e as romarias, como a do senhor Benildes, são abundantes entre os romeiros. Telma Alves dos Santos pediu por seu neto, hoje com 13 anos, que não andava. “Agora já tem 11 anos que ele caminha direitinho”, diz afirmando que se sente muito feliz em ir a Juazeiro. “A minha mãe me trouxe pra cá, e eu gostei, tinha uns 18 anos. Meu filho, que desde pequeno me acompanha, e agora meu neto. mostrando que os ensinamentos do padre Cícero, mesmo sem o incentivo da Igreja, foram passados adiante: “Deus é nosso Pai criador, sem ele não somos nada. Quando a gente pede pra vir aqui é como um alívio no Céu”. 
A romeira Margarida Paixão dos Santos, 65 anos, afirma que teve um problema na cabeça, com dores fortes que não passavam. Foi médicos de variadas especialidades, mas os remédios receitados não surtiam nenhum efeito: “A agonia era muito grande na minha cabeça, e eu não dormia direito, foi quando eu pedi a padre Cícero e à Mãe das Dores que intercedessem a Jesus para me curar, porque eu não aguentava mais”. Ela conta que no momento da oração, sentiu como se padre Cícero tivesse tocando nela, e ela adormeceu. Quando acordou, no dia seguinte, tossiu muito e colocou o muco que restringia as vias aéreas para fora. Na mesma hora, a dor de cabeça passou: “Voltei para o meu médico, o doutor Marco Melo, e disse que estava curada. Ele perguntou quem tinha me curado, e eu disse que tinha sido meu padrinho Cícero e a Mãe das Dores. Ele pediu novos exames para confirmar minha certeza. Depois dos exames, ele disse: ‘Continue com sua fé que você não tem mais nada’”. Como afirmou dom Fernando e o padre Cícero José todas as pessoas com quem conversei vão à missa e rezam o terço, muitas, diariamente, “como meu padim sempre pediu”, ensinou uma romeira. Também possuem um pequeno altar em casa com imagens de santos, entre eles, o de Maria, o Sagrado Coração de Jesus e, claro, padre Cícero Romão.
“O Papa Francisco disse que não há santo sem passado e nenhum pecador sem futuro”, afirma padre Cícero José. “O que é de Deus permanece, o que não é, desaparece. A história, missão e ação pastoral de padre Cícero, sem sombra de dúvida, é coisa de Deus. E a prova está aí: passados 82 anos de sua morte, o povo ainda acorre a ele, pedindo sua intercessão.”

Bendito - A Luz Que Mais Alumeia

A barca Romaria Juazeiro do norte

segunda-feira, 31 de outubro de 2016



foto: Flavio de Barros 1897

DESPEDIDA

A Última Prédica
Antônio Conselheiro

Praza aos céus que abundantes frutos produzam os conselhos que tendes ouvido; que ventura para vós se assim o praticardes; podeis entretanto estar certos de que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, nossa luz e força, permanecerá em vosso espírito: Ele vos defenderá das misérias deste mundo; um dia alcançareis o prêmio que o Senhor tem preparado(se converter-des sinceramente para Ele) que é a glória eterna.
Como não ficarei plenamente satisfeito sabendo da vossa conversão, por mim tão ardentemente desejada. Outra cousa, porém, não é de esperar de vós à vista do fervor e animação com que tendes concorrido para ouvirdes a palavra de Deus, o que é uma prova que atesta o vosso zelo religioso. Antes de fazer-vos a minha despedida, peço-vos perdão se nos conselhos vos tenho ofendido. Conquanto em algumas ocasiões proferisse palavras excessivamente rígidas, combatendo a maldita república, repreendendo os vícios e movendo o coração ao santo temor e amor de Deus, todavia não concebam que eu nutrisse o mínimo desejo de macular a vossa reputação. Sim, o desejo que tenho da vossa salvação (que fala mais alto do que tudo quanto eu pudesse aqui deduzir) me forçou a proceder daquela maneira. Se porém se acham ressentidos de mim, peço-vos que me perdoeis pelo amor de Deus. É chegado o momento para me despedir de vós; que pena, que sentimento tão vivo ocasiona esta despedida em minha alma, à vista do modo benévolo, generoso e caridoso com que me tendes tratado, penhorando-me assim bastantemente! São estes os testemunhos que me fazem compreender quanto domina em vossos corações tão belo sentimento! Adeus povo, adeus aves, adeus árvores, adeus campos, aceitai a minha despedida, que bem demonstra as gratas recordações que levo de vós, que jamais se apagarão da lembrança deste peregrino, que aspira ansiosamente a vossa salvação e o bem da Igreja. Praza aos céus que tão ardente desejo seja correspondido com aquela conversão sincera que tanto deve cativar o vosso afeto.




quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Reedição na praça

Cicinato relançou "A Misteriosa Vida de Lampião"
 

Já está disponível a nova edição revista e ampliada do livro "A Misteriosa Vida de Lampião" de Cicinato Ferreira Neto. agora em capa dura e papel pólen.

Virgulino Ferreira, o Lampião, teve uma vida – e uma morte – cheias de mistérios.
 Por que entrou no cangaço ? Como conseguiu resistir a mais de vinte anos de perseguições policiais ? Como estabelecia a sua rede de colaboradores ? Como a polícia conseguiu chegar ao seu esconderijo? 

São indagações que tornam cada vez mais apaixonante tudo o que se refere à Lampião e ao mundo dos cangaceiros. No livro “A Misteriosa Vida de Lampião”, a trajetória do rei dos cangaceiros é acompanhada com detalhes, ano a ano, desde a sua entrada no cangaço até o massacre de Angico.

Episódios são apresentados em versões diferentes, informando e estimulando o leitor à análise do que realmente pode ter ocorrido.

352 páginas. Valor R$ 40 (Quarenta reais) com frete incluso Para adquirir, basta entrar em contato com o autor através do e-mail cicinatoneto@zipmail.com.br ou através do Perfil do autor no Facebook

Lampião aceso.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Aprenda mais sobre o folclore brasileiro


Em 1965, o Congresso brasileiro oficializou o dia 22 de agosto como o Dia do Folclore, numa justa homenagem à cultura popular brasileira. A palavra folclore tem origem no inglês antigo, sendo que "folk" significa povo e "lore" quer dizer conhecimento, cultura.

O folclore brasileiro, portanto, é a cultura de nosso povo e não há nada mais nacional do que ele. Afinal, ele é precisamente o conjunto das tradições culturais dos conhecimentos, crenças, costumes, danças, canções e lendas dos brasileiros de norte a sul. Formada pela mistura de elementos indígenas, portugueses e africanos, a cultura popular brasileira é riquíssima.

Saiba mais sobre o folclore

Na área musical, por exemplo, são inúmeros e muito variados os ritmos e melodias desenvolvidos em nosso país. É o caso do frevo, do baião, do samba, do pagode, da música sertaneja... Há ainda as danças típicas das festas populares, como o bumba-meu-boi, o forró, a congada, a quadrilha e - é claro - o próprio carnaval, um verdadeiro símbolo de nosso país.

Um dos aspectos mais interessantes do folclore brasileiro, porém, são os seres sobrenaturais que povoam as lendas e as superstições da gente mais simples. O mais popular é o Saci, um negrinho de uma perna só, que usa um barreta vermelho, fuma cachimbo e adora travessuras, como apagar lampiões e fogueiras ou dar nó nas crinas dos cavalos.

Mas há vários outros seres fantásticos em nosso folclore: o Curupira, um anão de cabelos vermelhos, que tem os pés ao contrário; a Mula-sem-cabeça, que solta fogo pelas narinas; a Boiúna, cobra gigantesca cujos olhos brilham como tochas; e o Lobisomem, o sétimo filho homem de um casal, que vira lobo nas sextas-feiras de luas cheias; o Bicho-Papão é uma figura monstruosa criada geralmente por contadores de histórias e pelos pais, com objetivo de inibir e persuadir a criança.


Mais personagens de nosso folclore:
Comadre Fulozinha
CaiporaBoitatáIaraNegrinho PastoreioPapa Figo

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

                           
Touro presenteado ao Padre Cícero pelo Coronel Delmiro Gouveia.

A MORTE DO BOI MANSINHO POR DR. FLORO BARTOLOMEU DA COSTA

Certo amigo (Delmiro Gouveia) ofereceu ao Padre Cícero um bonito garrote, mestiço de zebu, por ser raça ainda não conhecida naquele meio. Na impossibilidade de criá-lo dentro da cidade, confiou o tratamento do animal a um negro, de nome Zé Lourenço, residente no sítio "Baixa Dantas", do município do Crato.
Esse preto, quando ali chegou, já era "Penitente em sua terra", isto é, fazia parte de uma associação oficiosa, fundada pelos antigos missionários e ainda hoje tolerada por um ou outro padre.
Depois das perseguições religiosas ao Padre Cícero, começaram a fazer circular que Zé Lourenço, não tendo mais vida de penitente, abusava da crendice do povo, apresentando o "touro como autor de milagres".
Então se dizia que a urina do animal por ele era distribuída como eficaz medicamento para todas as moléstias, que dos seus cascos eram extraídos fragmentos para, em pequenos saquinhos serem pendurados ao pescoço, como relíquias, à moda do Santo Lenho; que todos se ajoelhavam em adoração diante do touro e lhe davam a beber mingaus e papas; enfim, tudo que uma alma perversa possa conceber.
Quando se procurava apurar a verdade, ninguém sabia informar, a começar pelos proprietários do sítio onde Zé Lourenço residia e trabalhava como rendeiro.
Os padres, não sei sob que fundamento, repetiam essas banalidades. O Padre Cícero, não obstante estar convencido da mentira, por diversas vezes tentou vender o animal; mas, não só Zé Lourenço, como também cavalheiros respeitáveis o impediam, fazendo sentir que além de ser inverdade o que espalhavam, o animal era um bom reprodutor e estava melhorando a raça do gado ali. Por isso mesmo todos os grandes e pequenos, o tratavam com carinho, mesmo porque era muito manso, donde veio a ser conhecido por "Mansinho".
Aconteceu que em um dos meses do ano atrasado, na ladeira do Horto, se deu um conflito entre um doido e alguns indivíduos conhecidos por "Penitentes" e o inspetor policial do quarteirão.
Havendo ferimentos, foram presos os implicados por crime de natureza leve.
De acordo com o Padre Cícero, procurei, por meios brandos, conseguir acabar com a prática dos atos dos "Penitentes".
Os próprios "Penitentes" concordaram com a minha resolução entregando-me, para serem queimadas, as vestes apropriadas que ainda possuíam e as respectivas cruzes, as quais mandei queimar no cemitério.
Eles me informaram que às vezes, praticavam aquele ritual pelo hábito de suas terras, com o consentimento dos vigários e na intenção de sufragarem as almas do Purgatório, o que realmente não me era estranho.
Alguns amigos aconselharam-me nessa ocasião que eu desmascarasse os que acusavam Zé Lourenço de prática de feitiçaria. Respondi-lhes nada poder fazer, em virtude de ser ele morador no município do Crato.
Não sei quem informou o mesmo Zé Lourenço de que eu ia mandar prendê-lo. O negro, supondo exata a notícia, no terceiro dia apareceu em minha residência. Foi quando o conheci pessoalmente.
Mandei prendê-lo, e, apesar das suas declarações, dele obtive a promessa de ir morar no Juazeiro, para evitar os boatos.
Ao mesmo tempo fiz vir o touro, e, de acordo com o padre, vendi-o para o corte, sob a condição de ser abatido pelo comprador em frente à cadeia.
Abatido o touro em frente à cadeia, em plena rua, às duas horas da tarde, perante centenas de pessoas, de acordo com o Padre Cícero, foi a carne conduzida para o açougue público, onde também foi vendida toda ela, não chegando para todos que quiseram comprá-la, visto ser da melhor qualidade.
Ao chegar a notícia, no Crato, de que Zé Lourenço não mais voltaria ao sitio Baixa Dantas, indo fixar residência no Juazeiro, recebi diversos telegramas, cartas e visitas de homens respeitáveis daquela cidade vizinha, empenhando-se para que eu não retirasse Zé Lourenço do seu sítio, tal a falta que ele fazia aos proprietários, pelo auxílio que lhes prestava nos trabalhos de agricultura, e em outros préstimos.
O pedido, porém, que calou mais no meu espírito foi o do capitão João de Brito, cunhado do nosso colega Deputado Hermenegildo Firmeza, o dono da terra da qual ele, Zé Lourenço, era rendeiro.
Consenti na volta do negro ao seu sitio, e assim terminou a história "das mil e uma noites" do touro "Mansinho".
Interrogando esses cavalheiros que se empenharam pela volta do negro, pelo motivo de não desmentirem os que o caluniavam, me responderam todos sempre assim terem procedido; mas que os boatos eram para desmoralizar o Padre Cícero e, dessa maneira, não podiam evitá-los.
Zé Lourenço que não frequentava o Juazeiro, depois disso começou a frequentá-lo aos domingos para ali fazer sua feira, e, durante o tempo que eu lá estive, nesses mesmos dias, almoçava comigo, em minha casa, onde se hospedava.
(Extraído do seu livro Juazeiro do Padre Cícero –Depoimento para a história).

sábado, 22 de outubro de 2016





                  CINEMA NA ESTRADA

Mais de 2 mil moradores, de 15 municípios do estado de Pernambuco, já conferiram os curtas metragem produzido na terra dos altos coqueiros que estão seguindo viagem com o projeto Cinema na Estrada.
A iniciativa do Governo do estado, por meio da Secretaria de cultura e da Fundarpe, ainda vai alcançar outras 10 cidades até o fim de novembro. Saiba mais sobre o projeto: https://goo.gl/VYNX9A
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Próximas sessões: 20/10 - Lagoa dos Gatos (Praça. da Rua do Comércio)
21/10 - São Bento do Una (Praça. Cônego João Rodrigues)
22/10 - Belo Jardim (Praça de Alimentação Celestino Conserva)
Foto: Ricardo Moura