sexta-feira, 7 de julho de 2023
Terreiro Ilê Axé Talabi realiza, com incentivo do Funcultura, o projeto Articula Matriz Africana.
Entre as mudas frutíferas que serão produzidas estão a manga, o abacate, a jaca, a carambola, entre outras
O Terreiro Ilê Axé Talabí, localizado em Paulista, realiza, neste sábado (8) e domingo (9), o projeto Articula Matriz Africana: Cultura, Territorialidades e Ecossistemas. Produzida com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura, a iniciativa tem o objetivo de promover transmissões de saberes, fazeres e métodos tradicionais de cultivo e manejo da terra resguardados pelas comunidades de matrizes afro-indígenas de Pernambuco. A entrada é gratuita.
Com produção do Núcleo de Mídia, Comunicação e Tecnologia Social do terreiro, o projeto irá promover vivências orais, gastronomia tradicionais dos orixás, além da produção de uma horta comunitária de ervas medicinais e produção de mudas de árvores frutíferas e sagradas para compartilhamentos com outros terreiros da Região Metropolitana do Recife.
Entre as mudas frutíferas que serão produzidas estão a manga, o abacate, a jaca, a carambola, entre outras. Dentro do campo sagrado serão plantadas o Igi Opé (Dendezeiro), Jurema Preta, Akoko, Obí e Iroko.
Na gastronomia, o público e a comunidade irão se alimentar das comidas tradicionais, como: Èwà Obaluaiê (feijão do senhor rei da terra), Àgbàdo Funfun – milho branco (mungunzá), Fèsélù Òbúko – Pirão de bode e Isu – inhame.
Uenni Mirelli/DivulgaçãoUenni Mirelli/Divulgação
Evento é promovido pelo Núcleo de Mídia, Comunicação e Tecnologia Social do terreirp
Os dois dias de atividades serão oportunidades para sensibilizar as pessoas sobre os conhecimentos oriundos da ancestralidade afro-indígena no campo do uso sustentável dos recursos naturais e da alimentação. O momento será coordenado pela RAE – Rede de Autogestão em Ecossistemas da Comunidade Tradicional do Terreiro Axé Talabi, e valoriza os territórios terreiros enquanto espaços de preservação do ecossistema natural e da biodiversidade.
“Sem natureza não há orixás, os orixás são as próprias manifestações e vitalidades dos elementos naturais. Não há cultura, cultivo e continuidade sem água, sem terra, sem ar. E é neste sentido que nossas comunidades de terreiros atuam como espaços de envolvimento para preservação de um legado, um sentido de mundo que relaciona espiritualidade, cuidados e vida”, explica o babalorixá e juremeiro Pai Júnior de Odé, membro do conselho religioso do Terreiro Axé Talabi e idealizador do projeto.
Confira a programação completa abaixo:
Sábado (8)
9h - Acolhida dos participantes e vivência Ilè ògérè: a Mãe Terra
10h – A ciência das folhas: apresentação das espécies e tratamento da terra
12h às 14h – O alimento que nos une: preparação e refeição coletiva do Èwà Obaluaiê – feijão do senhor rei da terra
15h às 17h – Produção da horta: processos de plantio das espécies na horta comunitária de ervas medicinais
18h – O alimento que nos une: refeição coletiva do àgbàdo funfun – milho branco (mungunzá) e fechamento do primeiro dia de atividades
Domingo (9)
9h - Vivência as folhas têm segredos
10h - Sementes de Jurema: apresentação das sementes, narrativas ancestrais e produção das mudas de árvores e ervas sagradas
12h – O alimento que nos uni: preparação e refeição coletiva do fèsélù òbúko – Pirão de bode
15h – Vivência corpo templo, morada da natureza
17h – Vivência ensinamentos que vêm da terra: memórias do território de Paratibe
18h – O alimento que nos une: refeição coletiva do isu – inhame; fechamento do segundo dia de atividades com a entrega dos certificados para todos os participantes
quarta-feira, 5 de julho de 2023
Governo de Pernambuco anuncia as datas do 31º Festival de Inverno de Garanhuns
Tradicional evento cultural de Pernambuco e considerado um dos maiores e principais eventos de cultura e arte do Brasil, o Festival de Inverno de Garanhuns teve suas datas anunciadas: será realizado este ano de 21 a 30 de julho. Em sua 31ª edição, o festival deve atrair milhares de visitantes à cidade e reunirá uma diversidade de atividades artístico-culturais, como shows, cortejos, performances, intervenções artísticas, recitais de poesia, contação de histórias, concertos, vivências criativas, espetáculos, desfiles, exposições, mostras culturais, além de manifestações artísticas oriundas das culturas periféricas, tais como hip hop, grafitti, brega-funk e passinho.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (26) pela governadora Raquel Lyra. “Venho aqui para anunciar o Festival de Inverno de Garanhuns. Vai acontecer este ano em julho, entre os dias 21 e 30. Os homenageados são Gonzaga, que é um ícone do Reisado, e o nosso grande empreendedor Cyro Ferreira da Costa, que nos deixou em fevereiro deste ano. Vamos gerar emprego e renda para nossa gente”, adiantou a chefe do Executivo estadual.
O secretário de Cultura, Silvério Pessoa, adiantou que a cultura popular terá um espaço de destaque este ano. “A data do 31° Festival de Inverno de Garanhuns já está definida e foi anunciada pela governadora Raquel Lyra. As equipes da Secretaria de Cultura e da Fundarpe já estão trabalhando na elaboração das grades da programação”, destaca.
“A cultura da periferia vai estar presente e ganha um olhar especial, assim como a cultura popular, o artista pernambucano que foi classificado na convocatória, a primeira etapa na construção do FIG 2023. O festival vem aí para aquecer quem gosta de cultura, de diversidade. Em breve, começa a inscrição para as oficinas, que reforçam a vocação do FIG para a pedagogia da cultura, a formação do artista cidadão. Vem muita coisa boa por aí”, afirma o secretário de Cultura, Silvério Pessoa.
Segundo o secretário de Turismo Lazer, Daniel Coelho, o Festival de Inverno de Garanhuns é um evento aguardado pelo povo pernambucano. “Mais uma vez, a festa ocorrerá com muito sucesso. Festival que é muito aguardado por todos nós desde o começo do ano. O Governo de Pernambuco não se furtará de fazer um dos mais belos Festivais de Inverno que Garanhuns já viu”, frisou.
FIG 2023 – O Festival de Inverno de Garanhuns encanta moradores e turistas por ter uma vasta programação cultural, que vai muito além dos grandes shows. Durante a realização do evento, são contempladas várias formas de expressão popular, como o teatro e o cinema.
Outro artista que será homenageado durante o FIG será o poeta Miró da Muribeca, que batizará a Praça da Palavra do 31º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), numa reverência à vida e a obra do artista.
segunda-feira, 3 de julho de 2023
FRANCISCA RODRIGUES DE MATOS E AS INCELENCIAS
Dona Francisca era a mais velha do grupo e seguiu à risca a tradição. Ela foi incelença desde os oito anos de idade. Faleceu em 30 de março de 2023,aos 81 anos,deixando seu importante legado cultural.
Tudo começou com o padre Ibiapina,no século 19, que trouxe penitentes da Europa para catequizar os indios do Cariri,no sul do estado do Ceará. Os penitentes eram religiosos que há até pouco tempo se autoflagelavam para livrar a alma dos pecados. Com o passar do tempo,as mulheresque antes eram limitadas a cantar em velórios,passaram a levar adiante a tradição dos penitentes na região.
O grupo de incelenças já existe na comunidade de Cabaceiras,na cidade de Barbalha, há mais de um século,esta tradição é passada de geração em geração. Em 1987 foram convidadas para participar dos festejos de Santo Antonio na cidade de Barbalha,na época eram 16 mulheres e o anjo( criança simbolo do grupo) tendo Dona Terezinha(Maria Rodrigues de Lima) a chefe( mestra) onde fazia a primeira voz e conduzia os benditos. Com o passar do tempo algumas foram saindo por motivo de doença e falecimento.
Em 2009 foram contempladas com o reconhecimento de tesouro vivo. Dona Terezinha passou a responsabilidade para sua sobrinha Sueli de Matos, que era integrante do grupo como anjo,tendo com isso, a confiança por sua experiência de muitos anos e o auxilio da sua mãe Francisca Rodrigues. Hoje o grupo é composto de 12 mulheres e o anjo, totalizando 13 integrantes e todas da mesma familia, entre mãe,filhas,netas,primas e sobrinhoas. O grupo tem a finalidade de cantar em velórios e sepultamentos.
Descrição culta
Na comunidade de Cabaceiras,avó,mãe e filha mantêm a tradição das " incelênça " - ou " excelência, na lingua culta - na ala feminina dos penitentes. "
Fonte: Pau da bandeira
sexta-feira, 30 de junho de 2023
Festival Cultura Viva será realizado em Nazaré da Mata
Neste sábado, 1º de julho, a cidade de Nazaré da Mata – Capital Estadual do Maracatu Rural, localizada na Zona da Mata Norte do Estado, abre as portas para receber o 1º Festival Cultura Viva. O evento, que tem o apoio do Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), acontece no Parque dos Lanceiros, um dos principais cartões postais da cidade, que fica às margens da BR – 408, no acesso ao município. Para fazer a festa, o festival recebe um time de artistas ligados à cultura raiz, de várias cidades da região. A programação é gratuita e acontece a partir das 19h.
Uma das atrações é o show do Côco de Fulô com Ricco Serafim. Oriundo dos engenhos e canaviais da Mata Norte, o grupo representa a cidade de Nazaré da Mata com sua musicalidade tradicional do autêntico coco rural. A atração, que é marca presente nas festividades onde o ritmo do coco anima as festas e brincadeiras, se destaca pela dança ligeira e o trupé no chão, acompanhado das fortes batidas do terno percussivo e da rica oralidade de rimas, versos e poesias.
DivulgaçãoDivulgação
O festival traz, ainda, a Ciranda Bela Rosa, do Mestre Bi, de Nazaré da Mata.
A lista de atrações traz, ainda, apresentação cultural de Aldo Lourenço Guerra, o Baixinho dos 8 Baixos, da cidade de Vicência. Considerado um importante ativista cultural, o artista promete botar o público para dançar muito forró pé de serra, xote e baião. A programação musical terá também Nailson Vieira, de Nazaré da Mata, fazendo um som, ao vivo, que mescla poesia popular, dança e a sonoridade do maracatu rural, ciranda e cumbia.
Buscando imprimir uma identidade musical com foco na cultura popular, o festival traz, ainda, a Ciranda Bela Rosa, do Mestre Bi, de Nazaré da Mata. Renomado cantor e compositor, apresenta, no palco, sua personalidade carismática e toda a poesia que bebe na fonte canavieira. Quem também vai se apresentar é João Paulo Rosa e o Eito. A aposta do cantor é um repertório genuinamente autoral, que enfoca suas vivências culturais e da região da cana-de-açúcar.
“Este é um momento para, juntos, celebrarmos a musicalidade da cultura popular produzida por artistas independentes da Zona da Mata. Queremos levar para o público apresentações que exaltam à força, beleza e poesia que há no coco de roda, ciranda, maracatu rural, forró pé de serra, entre outros” explica o artista Ricco Serafim, uma das atrações do evento.
Serviço:
Festival Cultura Viva é realizado em Nazaré da Mata
Sábado (1º de julho), 19h
Parque dos Lanceiros, Nazaré da Mata
Gratuito
quinta-feira, 29 de junho de 2023
DIA DO CAVALO MARINHO TERÁ APRESENTAÇÕES CULTURAIS NO MUNICIPIO DE CONDADO
Jorge Farias - Secult PE
Celebra-se, nesta quinta-feira (29), o Dia Estadual do Cavalo Marinho, Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Para comemorar o brinquedo típico da Zona da Mata pernambucana, a Associação dos Grupos de Cavalo Marinho de Pernambuco realiza o 2º Encontro Estadual de Cavalo Marinho. A programação contará com música, dança, poesia e tradição rolando na Praça São Cristóvão, em Condado, a partir das 19h, com entrada aberta ao público.
Jorge Farias/Secult-PEJorge
O Cavalo Marinho Estrela de Ouro, de Condado, também é Patrimônio Vivo de Pernambuco
Participam da programação os grupos Cavalo Marinho Estrela de Ouro (Condado) e Cavalo Marinho Boi Pintado (Aliança), ambos Patrimônios Vivos de Pernambuco, além do Cavalo Marinho Boi Matuto (Olinda), Cavalo Marinho Boi da Luz (Olinda), Cavalo Marinho Estrela Brilhante (Condado), Cavalo Marinho do Mestre Batista (Aliança).
O evento é uma realização conta com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), e apoio da Prefeitura Municipal de Condado.
Serviço:
2º Encontro Estadual de Cavalo Marinho
Quinta (29), a partir das 19h
Praça São Cristóvão, Centro, Condado
Gratuito
Em Vicência, Mestre Calú inaugura espaço cultural
Mestre Calú foi diplomado Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2022 e imaginou a criação de um espaço para transmitir seus conhecimentos, fazeres e saberes para as novas gerações, como uma forma de contrapartida pela valorização que tem recebido do Governo de Pernambuco.
Com recursos próprios e ajuda de familiares e amigos, Calú reformou a sede de seu mamulengo, onde funcionava uma antiga barraca. O pequeno espaço em frente à sua casa agora conta uma vivência cultural única para os visitantes, que podem visitar a história do Mestre ao longo das décadas, além de interagir com os bonecos e com o próprio Mestre. O espaço ainda conta com uma pequena biblioteca cultural com publicações cujo tema é o mamulengo.
INAUGURAÇÃO - Prevista para iniciar às 14h, a inauguração terá uma série de atrações. A Associação de Mamulengos Flor de Jasmim, entidade cultural criada para gerir a carreira do Mestre Calú, bem como de seu espaço, será a mediadora das falas iniciais, onde pessoas que contribuíram para a reforma e estruturação do espaço poderão dividir suas experiências com o público e o Mestre. Depois, uma faixa será cortada, abrindo oficialmente o espaço para a primeira visita guiada.
O público poderá acompanhar atrações culturais a partir das 16h. O primeiro grupo a se apresentar será Presépio Mamulengo Invenção Brasileira, que conta com Antônio Neto, neto do Mestre Calú, que junto com Edson Bolinho e Eliel Silva, fazem uma releitura da obra cultural de Calú. O Mestre atua como orientador desses jovens num processo de transmissão de conhecimentos.
Na sequência, às 17h, Mestre Calú apresenta o seu Presépio Mamulengo Flor de Jasmim, com quase 6 décadas de cultura, o grupo é um dos mais tradicionais de Pernambuco e mostra toda a vitalidade, conhecimento e alegria de Calú, que dentro da torda vira um menino.
Às 18h, a Quadrilha Junina Luar, da cidade de Vicência, mostrará o brilho junino com uma apresentação que vem sendo destaque por onde passa. A Banda Saulo Dinis se apresenta a partir das 19h, botando o público para dançar o autêntico forró pé-de-serra. Às 20h, Johnny Lemos, traz o forró romântico para encerrar com chave de ouro o evento de inauguração do Espaço de Memória dedicado ao Mestre Calú.
A realização do evento é pela Associação de Mamulengos Flor de Jasmim, que conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Vicência. O incentivo é da Fundarpe e do Governo do Estado de Pernambuco.
Serviço
Inauguração do Espaço de Memória Mestre Calú
Quando: 24 de junho de 2023 (sábado), a partir das 14h
Onde: Rua Daniel Florêncio Dias, nº 14, Centro, Vicência-PE
Aberto e gratuito
Fonte: Portalculturape
quarta-feira, 21 de junho de 2023
VIVA SÃO JOÃO DO ARARIPE
Este ano a Igreja de São João Batista do Araripe completa 155 anos. A professora Thereza Oldam de Alencar é a autora do livro Igreja de São João Batista do Araripe, Exu-Pernambuco (Sesquicentenário 1868-2018) que revela a história de fé que envolve a Igreja, localizada no município de Exu, Terra de Luiz Gonzaga. A Igreja está localizada cerca de 20 km distante da sede do município.
Este ano mais uma vez a fé é renovada com a realização da Noites de Novenas Juninas. O evento é repleto de beleza e cultura, aliada a fé e esperanças. Conforme mostra foto acima, a Banda de Pífe é presença marcante. De acordo com a escritora Thereza Oldam, "o grupo de zabumbeiros e pifeiros pontuam historicamente os festejos juninos da Igreja de São João Batista do Araripe e é tradição familiar, contemporÂneo da inauguração em 1868".
Lourival Neves de Souza, Seu Louro do Pife, é octogenário, e até hoje é presença dos festejos juninos na Fazenda Araripe.
A Igreja de São João Batista do Araripe, conforme relato do livro remonta a trajetória do Barão de Exú, bisavô da autora, que construiu a igreja como pagamento de uma promessa ao santo, e relembra as tradições e festejos até os dias atuais. Também traça a história da família Alencar, importante na política da região.
Vivendo em Exu, Thereza Oldam revela que escreveu o livro à mão, durante quatro anos de pesquisas e entrevistas.
“Fui juntando peças e ouvindo a voz da tradição. Entrevistei octogenários que guardavam importantes informações e fui vendo se formar, diante de mim, uma linda história de amor e fé. Foram quatro anos de pesquisa e peleja, andando, trabalhando e trabalhando. E, também, me baseei em o que minha mãe – nora do Coronel João Carlos, criado pelo Barão – escreveu”, conta Thereza.
A história começa com a chegada dos Alencar, vindos de Portugal, ainda no século XVII, e vai até o Barão de Exú, Gualter Martiniano de Alencar Araripe, nas fazendas Araripe e Caiçara. Com o “caos de dor” trazido pela epidemia de cólera no Crato, vizinho a Exu, entre 1862 e 1864, o Barão fez uma promessa a São João, para que a doença não se alastrasse por seu povo. Com a graça alcançada, o fazendeiro iniciou a construção da igreja, inaugurada na véspera do Dia de São João em 1868.
Em seu testamento, deixou expresso que seus descendentes cuidassem da igreja.
Os 155 anos do Araripe também se entrelaçam com a vida de outro conhecido morador de Exu: Luiz Gonzaga. A bisavó do Rei do Baião se abrigou na Fazenda Caiçara, também do Barão, durante a peste de cólera. Foi na igreja que os pais de Gonzagão, Januário e Santana, se casaram. Gonzaga eternizou os 100 anos da igreja na canção “Meu Araripe”. Foi Thereza, a autora do livro, quem escreveu, inclusive, a apresentação do disco “São João do Araripe”, em 1968.
“Meu sonho é que a história dessa igreja seja disseminada por todos. Pelos devotos, pela nossa família, por Exu, por Pernambuco, pelo Brasil. É uma história simples e verdadeira e não pode ser esquecida. É um santuário de fé, patrimônio histórico e cultural do povo de Exu. Não é só um prédio bonito. Sua argamassa é feita de amor e fé”, conclui a autora.
Dividido em 12 capítulos, “Igreja de São João Batista do Araripe, Exu-PE – Sesquicentenário (1868/2018)” faz um passeio detalhados sobre esses 150 anos, misturando a história dos Alencar, dos Gonzaga, do município de Exu e do povoado do Araripe. Sua última parte, intitulada “Memorial Idílico do Araripe”, conta com depoimentos de 33 personalidades da região ou que têm uma relação de carinho com o lugar. Entre eles, o jornalista Francisco José e Dominique Dreyfus, biógrafa francesa de Luiz Gonzaga.
O livro tem prefácio escrito pelo advogado Dario Peixoto, filho de Thereza, e orelha da capa escrita pelo ator e humorista piauiense João Claudio Moreno. A contracapa tem autoria do marido da autora, Francisco Givaldo Peixoto de Carvalho, também escritor. E a orelha da contracapa, com perfil biográfico da autora, foi escrito pelo poeta e escritor cearense José Peixoto Júnior.
ZÉ PRAXEDES: A Igreja tem entre os devotos fiés um grupo de amáveis pessoas que, de tão assíduas, de tão abnegadas, tornaram-se conhecidas e queridas. José Praxedes dos Santos, seu Zé Praxedes e a Banda de Pífanos são bons exemplos.
Zé Praxedes nasceu no dia 5 de janeiro 1932 e agora tem 90 anos.
Ano passado, auge da pandemia Covid-19, numa conversa com José Praxedes dos Santos, este é o nome de batismo, ele não conseguiu responder a pergunta se Exu já tinha vivido um momento assim, de isolamento social: Seu “Zé Praxedes chorou.
Zé Praxedes possui nestes 90 anos de vida, uma caminhada marcada pelo vínculo com a família de Luiz Gonzaga. Vaqueiro. Durante décadas trabalhou prestando serviços a “Seu Januário”, pai de Luiz Gonzaga. Praxedes é citado como sendo um “exímio dançador de forró e homem justo”, no livro da professora Thereza Oldam Alencar, “Igreja de São João Batista do Araripe-Exu, Pernambuco-Sesquicentenário (1868-2018).
“Seu Praxedes é um dos Patrimônios Vivos da Cultura Gonzagueana. Seu universo é Exu, o Parque Asa Branca, o Araripe de São João Batista, o Sítio Ubatuba e Monte Belo, a Fazenda Caiçara, a Igreja de São João Batista, o Parque Aza Branca…”Seu Praxedes ” está presente em todos os momentos. É amor explícito, sem palavras. Sua presença tem voz. Cada pedaço desse mundo é Exu, os mistérios encantados da Chapada do Araripe”.
Redação redeGN Texto e Fotos Ney Vital
terça-feira, 20 de junho de 2023
VAI TER REISADO NO CÉU
Grande perda para cultura popular com o falecimento de Luiz Gonzaga de Lima, o conhecido mestre Gonzaga de Garanhuns, um dos ícones do reisado no nosso Estado.
Com uma trajetória toda dedicada à cultura popular, Mestre Gonzaga escolheu dois elementos da cultura popular, para se dedicar: o reisado e a literatura de cordel. Foi através do reisado que conseguiu maior reconhecimento, tendo em vista a sua marcante atuação para a difusão e formação desta arte que ele aprendeu a gostar, desde adolescente no sítio de seu avô, Valdivino Lopes, onde conheceu a brincadeira, através de uma apresentação bem peculiar do Reisado de Mestre José Lopes, no ano de 1954.
Do Sítio, Gonzaga levou a manifestação para a cidade, que ainda não tinha grupos urbanos, e ele começou a introduzir seu talento ao ritmo e aos poucos foi se firmando, como uma das maiores referências na arte do reisado em todo o Estado.
Sob a sua influência e dedicação, o reisado conseguiu se expandir pela cidade. Fundou oito grupos de reisados, participando atualmente de cinco, na cidade de Garanhuns, dois deles formados por idosos, um por adolescentes e outro infantil.
Obstinado pela transmissão do saber, desenvolveu uma série de trabalhos nas escolas, num exitoso processo de educação patrimonial, para garantir às novas gerações o acesso à cultura popular.
Na tentativa de perpetuar sua obra na memória coletiva de seus conterrâneos e visitantes, investiu firme na criação de um Espaço Cultural Gonzaga de Garanhuns, onde se ensina a folia de reis e também aglutina uma exposição permanente de seus mais de 350 cordéis.
Como ser humano, foi contemplado de um espírito nobre, fazendo o tipo de converter suas experiências em acontecimentos, construindo, porque ama. Um verdadeiro exemplo de alegria, calma, tranquilidade e liberdade.
Cinco anos após realizar seu sonho de entrar pro seleto grupo de Patrimônio Vivo de Pernambuco, e construir um grande legado na arte de Reisado e Poesia Popular, recebeu, aos 79 anos, o convite irrecusável de morar no mundo espiritual, deixando um mar de saudades para seus parentes, amigos e apreciadores de sua arte popular.
Por todo seu legado de serviços prestados ao patrimônio cultural do Estado, o CEPPC expressa suas sinceras condolências aos familiares, amigos e à comunidade de detentores do Reisado de Pernambuco que sofreu uma baixa irreparável de um dos seus maiores valores no ofício deste bem imaterial.
Idealizado pelos produtores Daniel Filho, Duda Cordeiro e Gabriel de Lisboa, o Cineclube Velho Chico está com inscrições abertas para seleção de filmes que serão exibidos quinzenalmente na cidade de Petrolândia, no Sertão de Itaparica.
As sessões, que contam com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, acontecem no Centro Cultural Hildebrando Menezes e tem como foco a difusão da produção audiovisual de filmes produzidos no Estado, em especial nas obras que abordem temas sociais e valorizem tanto a produção audiovisual de grandes produtoras como de inciativas de pequenos produtores de Pernambuco.
Os encontros são gratuitos e contam com rodas de conversas após a exibição com os produtores do projeto e especialistas nas temáticas dos filmes. Para participar das próximas sessões, preencha o formulário disponível aqui. Para mais informações, acesse o perfil do Instagram: @cineclubevelhochico.
Oficina Francisco Brennand oferece 10 bolsas de residências culturais e artísticas
Com objetivo de estimular a criação entre agentes culturais a partir de um espaço de reflexão e experimentação, a Oficina Francisco Brennand lançou recentemente as Chamadas Públicas da Residência Cultural, na capital pernambucana, e da Bolsa Residência Internacional em Nantes para artistas moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR). As inscrições seguem abertas até o dia 31 de maio (quarta-feira), propondo a convivência e o intercâmbio entre diferentes agentes profissionais para o desenvolvimento de processos de pesquisa, reflexão e criação nas áreas de arte, cultura e educação, tomando como base a cidade do Recife e a Oficina Francisco Brennand. O regulamento e formulários de inscrição estão disponíveis no site: www.oficinafranciscobrennand.org.br/residencias.
Para a chamada referente às atividades em solo recifense, serão selecionadas nove pessoas, distribuídas em dois grupos de residentes, com duração de cinco semanas em formato presencial. O programa, com acompanhamento curatorial da artista visual Lia Leticia, é estruturado como uma metodologia de formação, sendo voltado para profissionais das artes em suas inúmeras linguagens e transversalidades (visuais, sonoras, corporais, audiovisuais, cênicas, etc) – tendo intuito de não selecionar apenas artistas, mas trabalhadores da cultura, como educadores/as, pesquisadores/as, curadores/as entre outros ofícios no campo da produção cultural. Também entre os pré-requisitos para a inscrição estão ter mais de 18 anos e ter nascido no Brasil ou estar radicado em território brasileiro há pelo menos cinco anos.
A Residência Cultural oferecerá nove bolsas no valor de R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) líquidos para o período de residência. A Oficina Francisco Brennand também oferecerá auxílio de hospedagem para as pessoas residentes fora do Recife e Região Metropolitana, bem como alimentação e transporte local quando necessário.
Em 2021, a instituição promoveu dois projetos do tipo, a “Residência Cultural Moldar o Existir: Vivências Mediadas pelo Barro”, com coordenação de Renata Felinto, e a “Residência Processos de Criação em Educação”, conduzida por Gleyce Kelly Heitor.
As chamadas públicas têm realização da Oficina Francisco Brennand. A bolsa para Nantes está sendo oferecida juntamente com o Consulado Geral da França no Recife, contando com a parceria do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), Prefeitura do Recife, Usina de Arte, Prefeitura de Nantes, Galerie Paradise e Embaixada da França no Brasil.
Recife-Nantes – Para os candidatos que desejam concorrer à Bolsa Internacional para Residência em Nantes, França, precisam trabalhar dentro do âmbito artístico em suas inúmeras linguagens e transversalidades (visuais, sonoras, corporais, audiovisuais, cênicas, etc), sendo maiores de 18 anos de idade. Além disso, precisam dispor de 36 horas semanais para participação nas atividades síncronas e assíncronas, individuais e coletivas do programa.
O programa é fruto do termo de cooperação, estabelecido em 2003, entre a cidade de Recife e a cidade de Nantes, possibilitando diversos intercâmbios culturais e científicos entre esses dois territórios. Será selecionado um artista do Recife e/ou Região Metropolitana para residir seis semanas na cidade de Nantes e este receberá uma bolsa no valor de €2.500,00 (dois mil e quinhentos euros) líquidos para o período de residência.
Serviço
Chamada Pública da Residência Cultural na Oficina Francisco Brennand e da Bolsa
Residência Internacional Recife/Nantes
Período de inscrições: de 12 a 31 de maio
Regulamento: www.oficinafranciscobrennand.org.br/residencias
Formulários para inscrição: forms.gle/8nJeD9TJKeMay6dE9 (Residência Cultural) e forms.gle/mHy24nrsVDd8NPcNA (Residência em Nantes);
Resultado dos selecionados: 16 de junho
quarta-feira, 31 de maio de 2023
Cine Marim Festival de Cinema de Olinda oferece oficinas gratuitas
Estão abertas as inscrições das oficinas gratuitas oferecidas pelo Cine Marim Festival de Cinema de Olinda, evento que conta com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura. O público interessado pode escolher entre a oficina Documentado com Marlom Meirelles, que acontece entre os dias 14 de junho e 5 de julho de forma on-line, e a oficina Rápida de Cinema Ligeira A RÁPIDA DE CINEMA LIGEIRO com Eva Jofilsan, que será realizada de forma presencial nos dias 14, 15 e 16 de junho de 2023.
As inscrições devem ser feitas até o dia 13 de junho, por meio do link disponível na bio no perfil do Cine Marim, no Instagram: @cine_marim. As vagas serão preenchidas por ordem de inscrição. Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail: cinemarim.contato@gmail.com.
Na oficina DOCUMENTANDO, o público vai conhecer todo o processo de realização de um documentário e os elementos fundamentais para a construção de um roteiro, produção, captação e edição de um filme. As aulas acontecem de forma síncrona e assíncrona, através das plataformas Google Meet e Google Classroom, e são voltadas para pessoas residentes no estado de Pernambuco, com idade a partir dos 15 anos.
Já na OFICINA RÁPIDA DE CINEMA LIGEIRO, que acontecerá no Centro Cultural Grupo Bongar – Nação Xambá, das 14h às 18h, o público terá a oportunidade de aprender na teoria e na prática a roteirizar, produzir, editar e exibir obras audiovisuais de até 1 minuto. A oficina é destinada a adolescentes residentes no estado de Pernambuco, com idades entre 13 e 15 anos, e 50% das vagas serão reservadas para estudantes da Rede Municipal de Olinda.
A cultura popular está de luto com o falecimento do Mestre Zé Duda, aos 84 anos de idade, no município de Aliança. O velório e sepultamento do artista devem ser realizados nesta quinta-feira (1º) de junho, na cidade de Goiana.
Batizado como José Bernardo Pessoa, mas conhecido como Mestre Zé Duda, nasceu em Buenos Aires (PE), no dia 5 de março de 1939. Formado mestre no Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, brinquedo com quem esteve durante 41 anos e um dos Patrimônios Vivos de Pernambuco, Zé Duda levou a cultura popular pernambucana para várias regiões do Brasil, numa delas com Jorge Mautner, no projeto Maracatu Atômico Kaosnavial, e outros países, como a França, além de parcerias outros artistas como Jorge Mautner, entregando de corpo e alma sua voz e sua poesia inigualáveis.
“Zé Duda, Zona da Mata Norte de Pernambuco. Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, em que estive tão recente. Encantou-se. Com ele vai toda uma história da cultura pernambucana, principalmente desses mestres valiosíssimos da Zona da Mata Norte. Fica também a memória e o seu legado, da sua poesia, da sua dança, da sua brincadeira, da sua iconografia. Que cada vez mais possamos valorizar e ao mesmo tempo construir um caminho de hereditariedade para que todos esses brincantes sejam eternizados através da continuidade de suas brincadeiras”, comentou o secretário de Cultura de Pernambuco, Silvério Pessoa.
Como dizia Mestre Salustiano, Zé Duda foi o peito de aço do Maracatu de Baque Solto. Que seu legado inspire tantos outros mestres em formação e que sua poesia seja eterna. Mestre Zé Duda era casado com a Mestra de Maracatu Gil, do Maracatu Feminino Coração Nazareno. Deixa esposa, três filhos, onze netos, doze bisnetos e um tataraneto.
Cepe reedita a tetralogia poética de Marcus Accioly
Um dos principais nomes da poesia contemporânea, com obra traduzida para o espanhol, francês e alemão, admirado por nomes como João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, Antônio Houaiss e Jorge Amado, o pernambucano Marcus Accioly (1943-2017) terá quatro de seus livros seminais – Sísifo, Íxion, Narciso e Érato – reeditados pela Cepe. As segundas edições chegam décadas depois de publicados e esgotados, marcando os 80 anos de nascimento do escritor.
O lançamento acontece no próximo dia 25 de maio (quinta-feira), a partir das 19h, no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe). O evento também abrirá espaço para um bate-papo sobre o legado do escritor, voz potente da Geração 65, reunindo a viúva do poeta, a arquiteta Glória Dalla Nora; o jornalista e presidente do Conselho Editorial da Cepe, Fábio Lucas e o doutor em Literatura e Cultura, professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) Robson Teles.
Apesar de publicados em momentos distintos, Sísifo (1976), Íxion (1978), Narciso (1984) e Érato (1990) são considerados uma tetralogia. “O próprio Marcus já considerava em vida esses quatros livros como parte de um projeto maior, tendo como eixo o diálogo com a poesia clássica. São formalmente livros diferentes, mas que têm em comum esse fio condutor dentro de uma perspectiva de revisitação do mundo grego; sem saudosismos, mas sim uma atualização desse discurso. Uma reconfiguração daquela poesia clássica utilizando elementos pós-modernos tão presentes na poética de Marcus Accioly”, destaca o editor associado Wellington de Melo.
O projeto editorial da tetralogia, que contou com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, e foi abraçado pela Cepe, partiu da iniciativa de Glória Dalla Nora. Guardiã da obra literária deixada pelo companheiro, ela tem concentrado esforços para reeditar títulos e publicar inéditos deixados pelo poeta. Wellington de Melo, então editor da Cepe, coordenou as edições, convidando o artista visual e ilustrador pernambucano Raoni Assis para assinar as capas.
CONTEMPORANEIDADE - Na tetralogia, o poeta revisita os mitos tendo como horizonte o homem contemporâneo. Lançado há 47 anos, Sísifo (430 páginas) é um longo poema épico em dez cantos e quase 12 mil versos. É considerado um dos mais experimentais de Marcus Accioly. Situa a tragédia daquele que foi considerado o mais inteligente dos mortais que, por enganar e desafiar os deuses, foi condenado a rolar uma pedra montanha acima num eterno e improdutivo esforço. Simboliza a condição humana em suas tentativas de superação: presos a uma vida sem sentido, ainda assim tendo a liberdade de buscar um propósito em meio ao absurdo. Ao ler os originais, Carlos Drummond de Andrade assegurou ser a obra uma “fonte inesgotável de leitura, surpresa e admiração”.
Considerada pelo autor como “Mais que um poema dramático e menos que uma tragédia grega, (…) uma tragédia à grega”, Íxion (135 páginas) sintetiza a dualidade entre o bem e o mal na infindável batalha interna que marca a existência. Reelabora a lenda do rei dos Lápitas, um dos maiores vilões da mitologia grega que, apaixonado pela filha do rei Dioneu (Dina), mente e mata para atingir seus propósitos. Invadido pelo remorso, é acolhido pelos deuses, mas volta à condição abjeta ao tentar seduzir Hera, a mulher de Zeus , sendo condenado a girar eternamente no inferno, atado a uma roda de fogo. A obra de Accioly relata os sofrimentos de Íxion em momento posterior à sua morte e prisão. “É possível imaginar, para o avanço ou recuo dos anos, a vida anterior de Íxion porque já o vimos entre os mortais e entre os deuses. Agora (o que se torna mais fantástico e mais real) é imaginá-lo entre os demônios”, destaca o poeta em texto que integra o título.
“Dos três personagens – malditos e mitológicos sobre os quais escrevi -, este é o mais marginal”, disse certa vez o poeta sobre Narciso (304 páginas). É marginal porque convive com uma absoluta solidão, falando apenas consigo próprio. Vencedor do Prêmio de Poesia concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Artes, e do Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, Narciso se destaca como um “estranho realismo-lírico”. “Narciso é um ser completo, que se autodeseja e que se basta, logo, está longe de buscar um-outro: ele-procura-ele e se satisfaz”, escreve o poeta.
Na obra dedicada à musa Érato (128 páginas), a quem os gregos viam a fonte de inspiração da poesia lírica ou erótica, o poeta pernambucano traz “69 poemas eróticos e uma ode ao vinho”. Em uma das estrofes do poema 66, ele fala da tetralogia e define bem o que são a essência dos poemas de Érato: “Primeiro Sísifo / segundo Íxion / depois Narciso / e agora Érato / (ó musa) o abismo / é um sexo aberto”. Ao prefaciar a publicação, o professor, diplomata, filólogo, ensaísta e crítico literário Antônio Houaiss (1915-1999) lembra que Érato é a única obra da tetralogia baseada em um personagem feminino. “A beleza deste livro é que, sem façanhices nem arreganhos agressivos e pedantes, Marcus Accioly nos oferece o amor erótico na plenitude – sem medos e sem ofensas, como se eternamente jamais se tivesse revestido de falsos pudores ou de ostensivos rancores”, afirmou.
Glória Dalla Nora/DivulgaçãoGlória Dalla Nora/Divulgação
AUTOR - Marcus Moraes Accioly nasceu em Aliança, município da Zona da Mata Norte pernambucana, em 21 de janeiro de 1943. Formado em Direito e pós-graduado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi vice-presidente da União Brasileira de Escritores (UBE) e professor de Teoria Literária e Literatura Brasileira na UFPE. Ocupou a cadeira de nº 19 da Academia Pernambucana de Letras, recebendo ao longo da carreira 12 prêmios literários, entre eles o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras. Publicou 14 livros e cerca de 30 inéditos. Além da trilogia, a Cepe Editora tem em seu catálogo a obra Don Juan-Don Giovanni: Peça em dez jornadas (2018); Marcus Accioly foi ainda presidente do Conselho Estadual de Cultura e secretário-executivo do Ministério da Cultura (Governo Itamar Franco), na gestão de Antônio Houaiss. Faleceu em 21 de outubro de 2017, aos 74 anos, vítima de um infarto fulminante.
Fonte: portalculturape
quarta-feira, 24 de maio de 2023
A VIDA APÓS O CANGAÇO
João Maria e Zé Rufino?
Por Moisés Reis
Em carta escrita pelo padre Renato Galvão no dia 4 de outubro de 1954 endereçada ao deputado João da Costa Pinto Dantas, encontramos o curioso dia em que João Maria de Oliveira, adversário político do padre naquela ocasião, quase precisou se entender com o famoso matador de cangaceiros, o tenente José Osório de Farias, conhecido com Zé Rufino.
Zé Rufino, em imagem de Thomas Farkas
Coronel João Maria de Carvalho
Para entender o contexto, é preciso lembrar que naquele ano (1954) o cangaço já havia acabado e Zé Rufino gozava de enorme prestígio pelos seus feitos durante os tempos do combate ao banditismo. Naquela data, acontecia a eleição para prefeito de Cícero Dantas, pleito vencido por João Batista de Andrade Souza, da UDN com 1374 votos, e a seção eleitoral de Fátima, que funcionava no atual Colégio Estadual N. S de Fátima, era famosa pelas confusões entre os grupos políticos rivais.
Sabendo disso, o Padre Renato buscou se precaver e solicitou junto às autoridades a presença de ninguém menos que Zé Rufino, a fim de garantir que os trabalhos corressem dentro da normalidade.
Acontece que o famoso oficial, por alguma razão, não atendeu ao chamado do Padre e a problemática seção eleitoral ficou sem a autoridade policial desejada pelo vigário.
O que se segue, de acordo com o relato do religioso na dita carta é um caos promovido pelo então soldado João Maria e um certo subdelegado João Neves. Ainda de acordo com o relato da carta, Dona Ludi era a presidente da mesa e João Maria teria usado isso em seu favor, coagindo eleitores adversários e espalhando boatos de pânico provocado o retorno antecipado de eleitores que não votaram.
Eram 600 votantes naquela seção que, devido aos contratempos provocados por João Maria e o Subdelegado, tiveram apenas três horas para concluírem a votação em cédula da época o que, naturalmente, provocou alta abstenção em uma seção que tinha muito mais votos para o candidato do Padre. Diante disso, O vigário finaliza a carta pedindo a intervenção do deputado no sentido de anular a votação e realizar novo pleito.
O fato a ser registrado aqui é um quase encontro entre a mais famosa liderança política de Fátima e um personagem importante da história do cangaço. Encontro que só não aconteceu (ao menos não dessa vez) pela ausência de Zé Rufino.
Obviamente esse texto não visa atacar a imagem de nenhum dos personagens envolvidos nessa história, o que busco, tão somente, é trazer o relato aos leitores do blog e deixar o registro de mais um episódio da nossa história.
Pescado em Blog História de Fátima
Postado por Kiko Monteiro às 11:47 Nenhum comentário:
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Marcadores: A vida após o cangaço, Bahia, Cícero Dantas/BA, João Maria de Carvalho, Zé Rufino
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