sábado, 15 de junho de 2013

                             



                                                                                 MOVIMENTO ARMORIAL





Qual é a cultura verdadeiramente brasileira?
Negra, portuguesa, indígena?
    No dia 18 de Outubro de 1970, na Igreja São Pedro dos Clérigos em Recife, iniciou-se oficialmente o movimento, no qual se busca trazer a resposta a essa pergunta. O idealizador foi e é o dramaturgo e romancista pernambucano Ariano Suassuna, que naquela data lançou o concerto-pedagógico, com a Orquestra Armorial, entitulado ”Três Séculos de Música Nordestina: do Barroco ao Armorial”, no qual a pintura, escultura e xilogravura se uniam à música para lançar as ideias do escritor.
   Em meio à forte entrada dos valores culturais americanos no nosso país nos anos 70, o movimento, diferente do Tropicalismo, se focou integralmente na busca das origens da cultura nacional, a fim de se criar uma arte sólida e verdadeiramente brasileira, com ênfase no Nordeste.
     A Arte Armorial se baseia na ideia de que a cultura brasileira genuína é resultado dos intensivos processos imigratórios que ocorreram no país desde a chegada dos portugueses, e da cultura indígena anteriomente já presente. Com isso, o movimento assume uma arte de formação técnica européia (erudita) e com base na tradição nacional, além de englobar diversas expressões artísticas como a música, o teatro, a poesia, a dança, a pintura, xilogravura, escultura e até o cinema.
   A Orquestra Armorial, com a qual lançou-se o movimento, foi logo convertida em um grupo menor para melhor se adequar à estética pretendida, e formou-se então o Quinteto Armorial, que foi um dos maiores expoentes do movimento, formada pelos (na época) jovens músicos: Antônio Madureira, Antônio Nóbrega, Egildo Vieira, [Jarbas Maciel], Edison Eulálio Cabral e Fernando Torres Barbosa. O grupo obteve um excelente alcance da estética pretendida, é fácil entender do que se trata o movimento ouvindo seus quatro álbuns gravados: Do Romance ao Galope Nordestino (1974);  Aralume (1976); Quinteto Armorial (1978); Sete Flechas (1980);
    Também inspirado nos ferros marcadores de gado, A. Suassuna desenvolveu um trabalho tipográfico ligado à sua heráldica sertaneja: o Alfabeto Armorial.
                                                                                  Quinteto Armorial

  Também inspirado nos ferros marcadores de gado, A. Suassuna desenvolveu um trabalho tipográfic.TIPOGRAFIA ARMORIAL
    Quanto ao nome ”Armorial”, que é um substantivo que dá nome ao livro que contém os antigos brasões e bandeiras das famílias, foi usado como adjetivo por A. Suassuna, por idealizar um sertão quase que medieval à maneira brasileira, comparando os cangaceiros aos cavaleiros, os donos de fazenda aos rei e condes e suas filhas a princesas; sendo assim, os símbolos dos armorias trariam a principal inspiração para a estética e aspiração ao mundo sertanejo que A. Suassuna sonhara.
    Este mundo pode ser vivenciado em seus autos e peças de teatro, porém a sua maior obra em termos armorias é o seu primeiro romance escrito em 1971, e que se tornou imprescindível a quem quer conhecer o movimento; chama-se ”O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”, sendo o primeiro da trilogia ainda inacabada “A Maravilhosa Desventura de Quaderna, o Decifrador, e a Demanda Novelosa do Reino do Sertao”, da qual A. Suassuna escreveu a primeira parte do Segundo livro ”A História d’o Rei Degolado nas Caatingas do Sertão; Parte I – Ao Sol da Onça Caetana”. Baseada no primeiro livro, de grande sucesso, foi feita uma minissérie pela rede Globo em junho de 2007, que tem excelente produção e expressa muito bem a estética do movimento.
     a pedra do reino
    Em 2000 foi lançado o filme baseado no livro ”Auto da Compadecida”, o qual fez enorme sucesso e ganhou muitos prêmios, sendo o principal expoente da estética armorial ligada ao Cinema.
   Atualmente A. Suassuna executa seus concerto-pedagógicos junto a um grupo de dançarinos e músicos entitulado ”Circo da Onça-Malhada”, apresentando-se em diversas cidades do país, divulgando as ideias e estética do movimento.
    O Movimento Armorial, em sua escência, não é ligado a dogmas e não supõe regras: Foi, e ainda é, uma tentativa de mostrar ao nosso país a sua própria cara. Nasceu na fase do ínico da crítica supressão da nossa cultura tradicional e popular, e é um alerta de que nossa cultura está sendo substituída por padrões exteriores, tão pouco ligados às nossas verdadeiras tradições. Ariano Suassuna é, porque não, um profeta: o seu mundo fantástico é um portal para o que há de mais real na nossa cultura.
     É, para quem não sabe por onde começar, uma ótima introdução à cultura tradicional e popular brasileira!
                                                                                   Gilvan Samico

    Nas Artes Plásticas, os principais percurssores da estética armorial foram os pernambucanos Gilvan Samico (xilogravura) e Francisco Brennand (escultura). Tomando por base a arte tradicional e de traços tortos da xilogravura e dos ferros marcadores de gado do Nordeste, puderam dessa forma, dar cores e formas ao universo mítico do Sertão que Ariano Suassuna idealizara.
                                                           Atelier de Francisco Brennand -Recife-


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Castelo Armorial -Sao Jose do Belmonte-PE





O LUGAR E SUA MISSÃO


O complexo da antiga RFFSA (Estação de trem do Crato), inaugurado em 1926, hoje denominado Centro Cultural do Araripe é um patrimônio histórico e arquitetônico que precisa cumprir sua missão de servir ao desenvolvimento sociocultural e turístico de nossa cidade, proporcionando entretenimento, lazer, arte e cultura.

Três prédios antigos lá existem. Um, a Casa do Agente, sedia a Secretaria de Cultura; o principal, onde havia embarque e desembarque de passageiros, está, segundo me consta, destinado acertadamente a ser um espaço cultural multifuncional (para exposições, cursos, oficinas, intervenções artísticas diversas etc.), mas também poderia ser o Museu de Arte Vicente Leite; e o terceiro, aquele que era o depósito de material trazido e levado pelo trem cargueiro, possui um auditório/teatrinho bem simpático e, em parte de suas dependências, funciona um bar/restaurante sem ênfase cultural.

O TEATRO MARIA FUMAÇA

Penso que o restaurante deva funcionar naquela parte alta na qual existe uma pracinha, onde muitos jovens se reúnem pra fumar maconha, crack e outros delitos, espalhando-se livremente pelo gramado. Esse equipamento seria entregue à iniciativa privada mediante licitação e regras claras de funcionamento e segurança, coibindo a prática de ilícitos. .

Já o prédio do auditório/teatrinho passaria a ser chamado TEATRO MARIA FUMAÇA, em referência à sua história, todo ele explorado com fins culturais por ONG local escolhida igualmente via ato licitatório. 

O novo teatro, com cerca de 90 ou 100 lugares, espaço para cursos e oficinas, além de área reservada estudo das artes circenses e folguedos (a que fica atrás do prédio).

O Ponto de Cultura Sociedade Cariri das Artes, a Cia. Brasileira de Teatro Brincante e o Circo-Escola Alegria se interessam pelo espaço, garantindo funcionamento permanente de atividades de teatro, dança, circo, cinema, música e folclore, além de ações de formação e intercâmbio. 

Gostaríamos, portanto, de conversar com a secretária Dane de Jade e o prefeito Ronaldo Mattos a respeito dessa ideia. 

sexta-feira, 14 de junho de 2013



                                            COCO DE PAREIA


 O grupo surgiu do desejo de resgatar as linhagens de antigos mestres de coco do municipio de Goiana,na Zona da Mata Norte,de  Pernambuco.O grupo resgata  o Coco de Ganzá, Coco de Melê, Coco de Umbigada e Coco de Terreiro. Parêa é o apelido de Tacio, que se aproximou do estudo do coco a partir do mestre Sebastião Grosso, em 2004, e vem, desde então, preservando e difundindo essa manifestação popular pela Zona da Mata.    

quinta-feira, 13 de junho de 2013





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SANTO ANTÓNIO DE LISBOA.




Santo António (português europeu) ou Antônio (português brasileiro) de Lisboa, também conhecido como Santo António de Pádua1 , OFM (Lisboa, 15 de Agosto de 1191-1195 ? — Pádua, 13 de Junho de 1231), de sobrenome incerto mas batizado como Fernando, foi um Doutor da Igreja que viveu na viragem dos séculos XII e XIII2 .

Primeiramente foi frade agostiniano,Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, indo posteriormente para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde aprofundou os seus estudos religiosos através da leitura da Bíblia e da literatura patrística, científica e clássica. Tornou-se em 1220 e viajou muito, vivendo inicialmente em Portugal, depois na Itália e na França. No ano de 1221 passou a fazer parte do Capítulo Geral da Ordem de Assis, a convite do próprio Francisco, o fundador, que o convidou também a pregar contra os albigenses em França. Foi transferido depois para Bolonha e de seguida para Pádua, onde morreu aos 36 (ou 40) anos.

A sua fama de santidade levou-o a ser canonizado pela Igreja Católica pouco depois de falecer, distinguindo-se como teólogo, místico, asceta e sobretudo como notável orador e grande taumaturgo. Santo António de Lisboa é também tido como um dos intelectuais mais notáveis de Portugal do período pré-universitário. Tinha grande cultura, documentada pela coletânea de sermões escritos que deixou, onde fica evidente que estava familiarizado tanto com a literatura religiosa como com diversos aspetos das ciências profanas, referenciando-se em autoridades clássicas como Plínio, o Velho, Cícero, Séneca, Boécio, Galeno e Aristóteles, entre muitas outras. O seu grande saber tornou-o uma das mais respeitadas figuras da Igreja Católica do seu tempo. Lecionou em universidades italianas e francesas e foi o primeiro Doutor da Igreja franciscano. São Boaventura disse que ele possuía a ciência dos anjos. Hoje é visto como um dos grandes santos do Catolicismo, recebendo larga veneração e sendo o centro de rico folclore.3
Índice




Santo António nasceu em Lisboa em data incerta, numa casa, assim se pensa, próxima da Sé, às portas da cidade, no local onde posteriormente se ergueu a igreja sob sua invocação. A tradição indica 15 de agosto de 1195, mas não há documento fidedigno que confirme esta data. Também foi proposto o ano de 1191, mas, segundo um seu biógrafo, o padre Fernando Lopes, as contradições em sua cronologia só se resolveriam se ele tivesse nascido em torno de 1188. Tampouco se sabe com certeza quem foram seus pais. Nenhuma das biografias primitivas os citam, e somente no século XIV, a partir de tradições orais, é que se começou a atribuir ao pai o nome de Martim ou Martinho de Bulhões, e à mãe, o de Maria Teresa Taveira.2 4 5 Fixando-se esses nomes na memória popular, e com a crescente fama do santo, não custou a biógrafos tardios atribuírem também aos seus pais uma dignidade superior. Do pai foi dito ser descendente do celebrado Godofredo de Bulhões, comandante da I Cruzada, e da mãe, que descendia de Fruela I, rei de Astúrias, mas tal parentesco nunca pôde ser comprovado. A forma de seu nome de batismo é igualmente obscura, pode ter sido Fernando Martins ou Fernando de Bulhões.2 6 7

Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), sob a direção dos cónegos da Ordem dos Regrantes de Santo Agostinho. Como era a prática da ordem, deve ter recebido instrução no currículo das artes liberais do trivium e do quadrivium, o que certamente plasmou seu caráter intelectual. Ingressando ainda um adolescente como noviço da mesma Ordem, no Mosteiro de São Vicente de Fora, iniciou os estudos para sua formação religiosa. A biblioteca de São Vicente de Fora era afamada pela sua rica coleção de manuscritos sobre as ciências naturais, em especial a medicina, o que pode explicar as constantes referências científicas em seus sermões.8 9

Poucos anos depois pediu permissão para ser transferido para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, a fim de aperfeiçoar sua formação e evitar distrações profanas, já que era constantemente visitado por amigos e parentes. Coimbra era na época o centro intelectual de Portugal, e ali se deve ter envolvido profundamente no estudo das Escrituras e nos textos dos Padres da Igreja. Nesta época entrou em contato com os primeiros missionários franciscanos, chegados em Portugal em 1217, e que estavam a caminho do Marrocos para evangelizar os mouros. Sua pregação do Evangelho no espírito de simplicidade, idealismo e fraternidade franciscana, e sua determinação missionária, devem ter tocado o sentimento de Fernando. Entretanto, uma impressão ainda mais forte ocorreu quando os corpos desses frades, mortos em sua missão, voltaram a Coimbra, onde foram honrados como mártires. Autorizado a juntar-se a outros franciscanos que tinham um eremitério nos Olivais, sob a invocação de Santo António do Deserto, mudou seu nome para António e iniciou sua própria missão em busca do martírio.10
A sua missão
Aparição do Menino Jesus ao santo.

Por essa altura, decidiu deslocar-se ele também a Marrocos, mas, lá chegando, foi acometido por grave doença, sendo persuadido a retornar. Fê-lo desalentado, já que não havia proferido um único sermão, não convertera nenhum mouro, nem alcançara a glória do martírio pela fé. No regresso, uma forte tempestade arrastou o barco para as costas da Sicília, onde encontrou antigos companheiros. Ali se quedou até a primavera de 1221, dirigindo-se com eles então para Assis a fim de participarem do Capítulo da Ordem - o último que seria feito com a presença do fundador11 . Em Assis encontrou-se com São Francisco de Assis e os seus primeiros seguidores, um evento de grande importância em sua carreira. Sendo designado para um eremitério em Montepaolo, na província da Romagna, ali passou cerca de quinze meses em intensas meditações e árduas disciplinas.12

Pouco depois aconteceu uma ordenação de frades em Forlì, quando deixou o isolamento e para lá se dirigiu. Até então os franciscanos não sabiam de sua sólida formação, mas faltando o pregador para a cerimónia, e não havendo nenhum frade preparado para tal, o provincial solicitou a António que falasse o que quer que o Espírito Santo o inspirasse. Protestou, mas obedeceu, e dissertando para os franciscanos e dominicanos lá reunidos de forma fluente e admirável, para a surpresa de todos, foi de imediato destinado pelo provincial à evangelização e difusão da doutrina pela Lombardia. Entretanto, a prática franciscana desencorajava o estudo erudito, mas em novembro de 1223 o papa Honório III sancionou a forma final da Regra da Ordem Franciscana, onde uma formação mais aprimorada se tornou autorizada, desde que submissa ao trabalho manual, à prece e à vida espiritual. Recebendo a aprovação para a tarefa pastoral do próprio Francisco, fixou-se então em Bolonha, onde se dedicou ao ensino da teologia na universidade e à pregação. Deslocando-se em seguida para a França, ensinou nas universidades de Toulouse e Montpellier, passando também por Limoges.13 14

Em 1226 assistiu ao Capítulo de Arles, e em outubro do mesmo ano, após a morte de Francisco, seviu como enviado da Ordem ao papa Gregório IX, para apresentar-lhe a Regra da Ordem. Em 1227 foi indicado provincial da Romagna e passou os três anos seguintes pregando na região, incluindo Pádua, para audiências cada vez maiores. Nesse período colocou por escrito diversos sermões. Em 1230 solicitou ao papa dispensa de suas funções como provincial para dedicar-se à pregação, reservando algum tempo para a contemplação e prece no mosteiro que havia fundado em Pádua. Sempre trabalhando pelos necessitados, envolveu-se também em questões políticas, a exemplo de sua viagem a Verona para pedir a libertação de prisioneiros guelfos feitos pelo tirano gibelino Ezzelino, e em 1231 persuadiu a municipalidade de Pádua a elaborar uma lei que impedia a prisão por dívidas se houvesse a possibilidade de compensação de outras formas.15
Tumba e altar do santo na sua basílica de Pádua

Pouco depois da Páscoa de 1231 sentiu-se mal, declarou-se hidropisia e ele deixou Pádua para dirigir-se ao eremitério de Camposanpiero, nos arredores da cidade. Seus companheiros ergueram-lhe uma cabana no alto de uma árvore, onde permaneceu alguns dias. Percebendo que a morte estava próxima, pediu para ser levado de volta a Pádua, mas apenas tendo alcançado o convento das clarissas de Arcella, subúrbio de Pádua, ali faleceu, em 13 de junho de 1231. As clarissas reclamaram seu corpo, mas a multidão acabou sabendo de seu passamento, tomou-o e o levou para ser sepultado na Igreja de Nossa Senhora. Sua fama de santidade era tamanha que foi canonizado logo no ano seguinte, em 30 de maio, pelo papa Gregório IX. Os seus restos mortais repousam desde 1263 na Basílica de Santo António de Pádua, construída em sua memória logo após sua canonização. Quando sua tumba foi aberta para iniciar o processo de translado, sua língua foi encontrada incorrupta, e São Boaventura, presente no ato, disse que o milagre era prova de que sua pregação era inspirada por Deus. E incorrupta está até hoje, em exposição na Capela das Relíquias da Basílica. Foi proclamado Doutor da Igreja pelo papa Pio XII em 16 de janeiro de 1946 e é comemorado no dia 13 de junho.16
Sua pregação, seus escritos e a presença contemporânea de sua obra

Entre suas várias qualidades, chamou a atenção de seus contemporâneos seu admirável dom como pregador. Muitas descrições de época referem o fascínio que sua fala exercia sobre as multidões de pessoas simples e também sobre clérigos doutos, e embora o efeito de sua oração a viva voz não possa mais ser recuperado, seu estilo e os conteúdos que abordava podem ser conhecidos em parte através dos 77 sermões que sobreviveram e constam em sua obra publicada em edição crítica, Sermões Dominicais e Festivos, e que são considerados autênticos, conforme disse José Geraldo Freire. São textos eloquentes, persuasivos, cheios de zelo messiânico, sendo frequentes a defesa do pobre e a reprimenda do rico, e o combate às heresias de seu tempo, como as dos albigenses e valdenses, com uma eficácia tanta que lhe foi dado o apelido de malleus hereticorum (o martelo dos heréticos).2 15

Embora a tradição atribua seu dom à inspiração divina, não é possível deixar de considerar o importante papel que sua formação erudita desempenhou neste aspecto de sua vida e obra. A análise das referências que fez em seus escritos, junto com o levantamento das fontes literárias presentes em seu tempo nas bibliotecas que frequentou, especialmente a de Santa Cruz, atestam sem sombra para dúvidas que sua preparação intelectual foi ampla e profunda.17 Além de um conhecimento detalhado da Bíblia, dos escritos dos Padres da Igreja e outros escritores cristãos, são encontradas citações de clássicos como Aristóteles, Cícero, Catão, Sócrates, Dioscórides, Donato, Eliano, Escribónio, Euquério de Lião, Festo Solino, Filão de Alexandria, Tibulo, Sérvio, Públio Siro, Juvenal, Plínio, o Velho, Varrão, Sêneca, Flávio Josefo, Horácio, Ovídio, Lucano e Terêncio. Seu conhecimento das ciências naturais ultrapassa em muito o currículo regular das artes liberais medievais, aprofundando-se em áreas como a medicina, a física, a história natural, a cosmografia, mineralogia, zoologia, botânica, astronomia e óptica.3 18 Nas palavras de José Antunes,
Santo António em pintura de Alvise Vivarini

"Santo António de Lisboa, embora muito festejado e venerado como santo pelo povo, é menos conhecido como um homem de cultura literária invulgar e como um verdadeiro intelectual da Idade Média. Reveladora dessa cultura ímpar, é a sua obra escrita, cheia de beleza e densidade de pensamento, como nos testemunham os seus Sermões, autênticos tesouros da Literatura e da História. Vasta, profunda, extraordinária, a respeito da Sagrada Escritura. Ampla, variada e bem apropriada nas transcrições dos Padres da Igreja e dos Autores Clássicos. Impressionante, para o tempo, não apenas pelo conhecimento que revela das ciências naturais e das humanidades, mas igualmente pelo erudito discurso sobre noções jurídicas, como Poder, Direito e Justiça".19

Naturalmente, era fiel à ortodoxia cristã. Apesar de sua extensa cultura profana, considerava a Escritura sagrada a fonte da ciência superior, da verdadeira ciência, da qual todas as outras eram meras servas e simples coadjutoras no trabalho da Salvação. Por isso deu grande importância a uma boa exegese do texto sagrado, privilegiando a extração do seu sentido moral. Nota-se ainda em sua obra alguns dos primeiros sinais de um progressivo abandono do pensamento medieval, que apresentava o homem e o mundo como desprezíveis e fontes do pecado, abrindo-se a uma apreciação mais positiva da vida concreta e do relacionamento humano, entendendo o ser humano como uma maravilhosa obra divina.20 Na análise de Pedro Calafate,

"Santo António não olvidará a excelência da contemplação, mas sublinhará não obstante a circunstância terrena do homem como corpo e alma, sem deixar de considerar que a abertura à exterioridade não transforma o amor aos outros e às criaturas no apego à posse das coisas, estando neste caso o culto da pobreza, nomeadamente as críticas severas que dirigiu aos prelados e dignatários eclesiásticos, por se comprazerem nos luxos do século. Tratando-se de uma espiritualidade que não olvidou a dimensão prática e vivencial, equacionou também a relação entre a ação e a contemplação no quadro da mística. Filha da vontade e do amor, numa alienatio mentis que supera o plano estritamente racional para que a alma, inteiramente conduzida pela graça, contemple Deus como em espelho ou em enigma, a mística tampouco representará uma renúncia à vida ativa, nem às exigências da vertente racional do homem, porque a alma volta e regressa à vida ativa para a realizar com maior perfeição, numa confluência entre o entender e o contemplar, o saber e a sabedoria".20

Contudo, é de dizer que na forma como chegaram, os ditos sermões são antes um manual didático para os noviços do que transcrições de sermões verdadeiramente proferidos. Foram produzidos para seus alunos, para instruí-los na arte predicatória, a fim de que depois eles pudessem converter com sucesso os pecadores e infiéis à fé cristã. Apesar disso, eles possuem em seu conjunto pouca ordem sistemática.21

Os sermões são ainda um precioso documento de época, muitas vezes fazendo alusões às transformações sociais e económicas que ocorriam durante aquele período, atestando o crescimento das cidades, o florescimento das atividades artesanais e do comércio, o surgimento das corporações de ofícios, as diferenças de classes. Além dos conteúdos sacros, que ainda preservam seu caráter inspirador, tais alusões - onde surge aguda crítica social na condenação da avareza, da usura, da inveja, do egoísmo, da falta de ética na administração pública, dos falsos moralistas e hipócritas, dos maus pastores de almas, do orgulho dos eruditos, dos ricos ensimesmados em sua opulência que oprimem e excluem os pobres do tecido social - são responsáveis pelo valor perene e atual de seus escritos, sendo passíveis de imediata identificação com muitas circunstâncias e contradições da vida contemporânea.22
Tradição taumatúrgica e iconografia
Ticiano: O milagre da cura do pé amputado, 1511, Scuola del Santo, Pádua

Diz a tradição que em sua curta vida operou muitos milagres, como seguem alguns exemplos.7 15

Certa feita, meditando à beira-mar sobre a frequente aparição da imagem do peixe nas Escrituras, os peixes teriam se reunido a seus pés para escutá-lo.
Teria restaurado um campo de trigo maduro para colheita que fora estropiado por uma multidão que o seguia; teria protegido milagrosamente seus ouvintes da chuva que caía durante um sermão, e uma mulher impedida pelo marido de ir ouvi-lo pôde escutar suas palavras a quilómetros de distância.
Quando em disputa com um herege albigense sobre a presença ou não do Deus vivo na hóstia consagrada, o herege, chamado Bonvillo, disse que se uma mula, tendo passado três dias sem comer, honrasse uma hóstia em detrimento de uma ração de aveia, ele acreditaria no santo. Segundo a história, assim que a mula foi liberta de seu cercado, faminta, desviou-se da ração e ajoelhou-se diante da hóstia que António lhe mostrava.
Restaurou o pé amputado de um jovem.
Soprou na boca de um noviço para expulsar as tentações que sofria, confirmando-o em sua vocação.
Quando alguns hereges colocaram veneno em sua comida para verificar sua santidade, o santo fez o sinal da cruz sobre o alimento, comeu-o e nada sofreu, para o vexame dos seus tentadores.
Outro milagre famoso trata-se da aparição do Menino Jesus ao santo durante uma de suas orações, uma cena multiplicada abundantemente em sua iconografia.

Também é bastante citado um milagre ocorrido durante sua pregação num consistório diante do papa, inúmeros cardeais e clérigos, e gentes de várias nações, quando, discorrendo com sutilíssimo discernimento sobre intrincadas questões teológicas, cada um dos presentes teria ouvido a pregação na sua própria língua materna.23 Na ocasião, diante de tão assombroso fenómeno, que parecia uma reedição do Pentecostes bíblico, o papa o teria chamado de "a arca do Testamento, o arsenal da Sagrada Escritura".24

A sua representação iconográfica de longe mais frequente é a de um jovem tonsurado envergando o hábito dos frades franciscanos, segurando o Menino Jesus sobre um livro ou entre os braços, a quem contempla com expressão terna, e tendo uma cruz, ou um ramo de açucenas, na outra mão. Esses atributos podem ser substituídos por um saco de pão, que distribui entre pobres ou idosos.25
Veneração
Estatueta popular de Santo António e o Menino, Museu Municipal de Caxias do Sul

É considerado padroeiro dos amputados, dos animais, dos estéreis, dos barqueiros, dos idosos, das grávidas, dos pescadores, agricultores, viajantes e marinheiros; dos cavalos e burros; dos pobres e dos oprimidos; é padroeiro de Portugal, e é invocado para achar-se coisas perdidas, para conceber-se filhos, para evitar naufrágios, para conseguir casamento.15

A devoção popular o colocou entre os santos mais amados do Cristianismo, cercou-o de riquíssimo folclore e lhe atribui até os dias de hoje inúmeros milagres e graças. Igrejas a ele consagradas se multiplicam pelo mundo, tem vasta iconografia erudita e popular, a bibliografia devocional que ele inspira é volumosa, e em sua homenagem uma quantidade incontável de pessoas recebeu o nome António, além de inúmeras cidades, bairros e outros logradouros públicos, empresas e mesmo produtos comerciais em todo o mundo também terem seu nome.26

Na tradição lusófona Santo António está acima de todos em prestígio. Sua veneração foi levada de Portugal para o Brasil, onde enraizou rápido e também dominou o coração do povo. Era tanta a familiaridade que o santo inspirava, que passou a ser uma espécie de "propriedade privada" de todos. Como relatou Grillot de Givry, "não há casa que o não venere no seu oratório e não satisfeita ainda com isso, a comum devoção dos fiéis, cada um quer ter só para si o seu Santo António". Estava em toda parte: "nos nichos de pedra, pintado em azulejos, a guardar as casas, em caixilhos de seda à cabeceira da cama a vigiar-nos o sono, nos escapulários e bentinhos junto ao peito, a acautelar-nos os passos, esculpido e pintado para preservar dos perigos, pintados nas caixas de esmola, nos santuários e oratórios". Também era invocado pelos senhores para recuperar escravos fugidos.27

A mesma familiaridade criou práticas esdrúxulas no culto popular. Se um pedido não era atendido, a imagem do santo podia ser submetida a torturas e castigos. Deitavam-na de barriga para o chão e punham-lhe uma pedra em cima; escondiam-na num poço escuro, retiravam-lhe o Menino Jesus dos braços, ou arrancavam-lhe o resplendor. Acreditava-se que o castigo acelerava a concessão da graça, e explicavam a violência dizendo que em sua juventude o santo desejara morrer martirizado em nome da fé.27 Luminares do clero, como o padre Vieira, também de certa forma reforçavam essas crenças. Num sermão disse:
Ex-votos dedicados ao santo em Antuérpia

"Não haveis de pedir a Santo António como aos outros, nem como quem pede graça e favor, senão como quem pede justiça. E assim haveis de pedir a Santo António: não só como a quem tem por ofício deparar tudo o perdido e demandado como a quem deve e está obrigado a o deparar. E senão dizei-me: por que atais e prendei esse santo, quando parece que tarde em vos deparar o que lhe pedis? Porque deparar o pedido em Santo António não só é graça, mas dívida. E assim como prendei a quem vos não paga o que vos deve, assim o prendeis a ele. Eu não me atrevo nem a aprovar esta violência, nem a condená-la de todo, pelo que tem de piedade".28

É um dos santos honrados nas popularíssimas Festas Juninas e diversos costumes folclóricos estão ligados ao santo. a título de exemplo, no Brasil moças casadoiras retiram o Menino Jesus das estátuas e só o devolvem quando arrumam casamento; uma prece especial, os "responsos", são feitas para que ele ajude a encontrar objetos perdidos; no dia de sua festa muitas igrejas distribuem um pão especialmente abençoado, os "pãezinhos de Santo António", que deve ser guardado em uma lata de mantimentos para que não falte alimento na casa.29

Ele teve inclusive uma brilhante carreira militar póstuma. Inúmeras cidades da Espanha, Portugal e Brasil lhe conferiram títulos militares, condecorações, insígnias e outras honrarias, iniciando-se o curioso hábito quando o regente Dom Pedro ordenou em 1668 que ele fosse recrutado e assentasse praça como soldado raso no II Regimento de Infantaria em Lagos, sendo promovido sucessivamente a capitão e coronel. Com o posto de tenente-coronel, sua imagem foi levada pelo XIX Regimento de Infantaria em Cascais à frente dos combates da Guerra Peninsular, recebendo depois uma condecoração. D. João VI, após o feliz desembarque no Brasil em sua fuga da invasão napoleónica, o nomeou sargento-mor, promovendo-o depois a tenente-coronel. No Brasil foi onde recebeu mais títulos, recebendo inclusive soldo em vários locais até depois de proclamada a República. Em Igarassu foi nomeado oficialmente Protetor da Câmara de Vereadores.30
Festividades
Portugal
Santo António pregando aos peixes, em Guimarães.
Estátua missioneira do santo na Igreja Stº António do Partenon em Porto Alegre

Em Portugal, Santo António é muito venerado na cidade de Lisboa e o seu dia, 13 de Junho, é feriado municipal.

As festas em honra de Santo António começam logo na noite do dia 12. Todos os anos a cidade organiza as marchas populares, grande desfile alegórico que desce a Avenida da Liberdade (principal artéria da cidade), no qual competem os diferentes bairros.

Um grande fogo de artifício costuma encerrar o desfile. Os rapazes compram um manjerico (planta aromática) num pequeno vaso, para oferecer às namoradas, as quais trazem bandeirinhas com uma quadra popular, por vezes brejeira ou jocosa. A festa dura toda a noite e, um pouco por toda a cidade, há arraiais populares, locais de animação engalanados onde se comem sardinhas assadas na brasa, febras de porco (fêveras), caldo verde (uma sopa feita com couve galega, cortada aos fiapos, o que lhe confere uma cor esverdeada) e se bebe vinho tinto. Ouve-se música e dança-se até de madrugada, sobretudo no antigo e muito típico Bairro de Alfama.

Santo António é o santo casamenteiro, por isso a Câmara Municipal de Lisboa costuma organizar, na Sé Patriarcal de Lisboa, o casamento de jovens noivos de origem modesta, todos os anos no dia 13 de Junho. São conhecidos por 'noivos de Santo António', recebem ofertas do município e também de diversas empresas, como forma de auxiliar a nova família.
Brasil

No Brasil, onde o santo tem muitos devotos, é também frequentemente reverenciado como Santo Antônio, o Casamenteiro. O arraial de Santo Antônio do Leite, no Estado de Minas Gerais, Brasil, tem em sua igreja uma imagem de Santo António de Lisboa, trazida de Portugal em finais do século XVII.


RANCHINHO
Sebastião Theodoro Paulino da Silva, mais conhecido como Ranchinho, é um dos mais importantes e celebrados pintores populares que o Brasil já teve. Ele nasceu no dia 7 de janeiro de 1923 no município de Óscar Bressane, SP. Ranchinho era filho de bóias-frias e mudou-se com a família para Assis após a morte do pai em 1925. Deficiente mental desde a infância, não falava nem ouvia direito, engatinhou até os quatro anos de idade e, quando começou a andar, o fez de maneira desajeitada. Foi expulso da escola, já que não conseguiu acompanhar as aulas e só aos 24 anos conseguiu o primeiro trabalho, como auxiliar de João Romero (ou João Garapeiro). Com a morte do irmão mais velho e da mãe, em 1948, o Ranchinho se vê inteiramente só. Seu João Garapeiro leva-o para morar com a família e lhe confia novas funções. Até 1954 Ranchinho viveu assim. Os filhos de João Garapeiro o abasteciam de cadernos velhos e tocos de lápis e desde essa época ele não parou mais de desenhar. Desenhava as coisas que via e 'contava histórias' através dos seus desenhos. Com a morte do seu patrão e protetor, passa a sobreviver como catador de papéis, latas e garrafas, e mora em ranchos abandonados, o que lhe vale o apelido de Ranchinho. Completamente marginalizado e hostilizado pela sociedade local, é incentivado pelo escritor José Nazareno Mimessi a aprender técnicas de guache e de acrílica sobre eucatex.

Marcado por hábitos, como freqüentar a missa duas vezes por dia, além de acompanhar velórios e casamentos, Ranchinho ganhou a fama de artista exótico, repleto de manias, que decorriam, provavelmente, do fato de essas ocasiões solenes serem as únicas em que o artista podia estar presente sem ser expulso ou humilhado, marginalizado que foi na cidade por fugir aos padrões de normalidade comumente aceitos, tanto em termos de aparência como de atitudes. Em missas, enterros e casamentos, Ranchinho teve a sua única oportunidade de se inserir numa sociedade que tendia a excluí-lo.


Ranchinhocatedral, pintura. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Ranchinhomaria-fumaça, guache s/ papel. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

 título desconhecido, óleo s/ tela. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP.

Sua pintura possui uma variedade de cores e intensidade criativa semelhantes ao do pintor holandês Vicent Van Gogh. A comparação não foi feita por nenhum entusiasta da arte naif. A interpretação de que Ranchinho se equipara ao gênio holandês, em talento e qualidade, é de Oscar D’Ambrosio, crítico da Associação Internacional de Críticos de Artes. O que mais impressiona na obra de Ranchinho é que ele retrata uma Assis que não existia na época que ele passou a desenvolver suas telas. A catedral que ele imprime nas telas não é a de hoje, que qualquer pessoa que visita a cidade observará. É a anterior, nas décadas de 1950 e 1960, conta D’Ambrosio. A comparação de Ranchinho e Van Gogh está na obra escrita por D’Ambrosio, ‘O Van Gogh Feliz – Vida e Obra do pintor Ranchinho de Assis’, publicado pela editora Unesp.




casinha no campo, óleo s/ tela s/ duratex, Acervo da Pinacoteca de São Bernardo do Campo, SP.

A obra de Ranchinho tem a capacidade de organizar uma visão totalizante, numa fluência que é difícil de encontrar em pintores e em artistas em geral. Sua pintura não se parece em nada com a pintura naif tradicionalmente conhecida. Muitas vezes se pensa na pintura popular como algo espontâneo, mas na verdade o que se vê são pinturas muito esquemáticas e Ranchinho escapa completamente disso. Ele tem um universo e um jeito de pintar completamente sui generis e peculiar.
plantio, óleo s/ tela. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Ranchinho fez mais de 2.000 obras entre guaches, desenhos, acrílicos e óleos. Ele expôs pela primeira vez três de seus trabalhos na 1ª exposição de Artes Plásticas de Assis em 1971, quando recebeu Menção Honrosa. Participou de outras exposições individuais e coletivas de grande importância, como Bienal de São Paulo de 1976. Nesse mesmo ano foi tema de uma crônica de Lourenço Diaféria editada no caderno Ilustrada do Jornal Folha de São Paulo. Em 1977 foi objeto de análise de Américo Pellegrini filho em seu livro Crônica Informativa de Cinco Pintores Folclóricos. Também foi apreciado por uma das maiores crítica de arte do país, Radha Abramo, numa matéria editada no caderno ilustrada do Jornal Folha São Paulo em julho de 1985. Participou também da exposição Brasil 500 Anos na Bienal de São Paulo. Seu trabalho foi tema de uma matéria escrita por Rui Moreira Leite para a revista Veja de 30 de julho de 1986. Desde então, participou de mais ou menos 20 exposições. Ele faleceu no dia 2 de fevereiro de 2003 na cidade onde viveu a maior parte de sua vida, Assis, interior de São Paulo.
ela de Santo Antonio, pintura. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.


ulo desconhecido, pintura. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

 caminhão do leite, óleo s/ cartão. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP. Foto: João Liberato©


seminário São José, óleo s/ tela. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

 calhambeque no picadeiro, óleo s/ cartão. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP.

antigo fórum de Assis, guache s/ duratex. Acervo da Pinacoteca de São Bernardo do Campo, SP.


figura na rede, óleo s/ tela. Acervo da Galeria Estação, São Paulo, SP.




terça-feira, 11 de junho de 2013




PAU DA BANDEIRA DE SANTO ANTONIO


Realizada oficialmente há 84 anos, a Festa do Pau da Bandeira está em processo de tombamento como patrimônio imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – que já concluiu um relatório a favor.

A festa foi oficializada em 1928 em homenagem ao padroeiro da Cidade, Santo Antônio. Segundo historiadores, a devoção pelo santo é anterior à fundação de Barbalha e remete a mais de 300 anos atrás, mantida pelos moradores da região.
Nos anos 1970, apostando na importância cultural do festejo, o então prefeito Fabiano Livônio Sampaio convidou grupos folclóricos, brincantes de reisados e outros folguedos tradicionais e artistas a participarem da festa, transformo-a em uma das mais importantes manifestações populares da região.

Segundo a tradição, no primeiro dia da Festa de Santo Antônio, às 5 horas da manhã, os devotos vão a um sítio localizado no pé da serra, há 6 km de distância da Igreja Matriz, de onde acompanhados por uma multidão carregam o tronco nos ombros para ser erguido em frente à igreja com a bandeira de Santo Antônio. Os festejos duram duas semanas e são encerrados com procissão em homenagem ao santo.
Considerada uma das mais tradicionais festas populares do País, a Festa do Pau da Bandeira de Barbalha, devotada a Santo Antônio, atrai cerca de 350 mil pessoas ao município do Cariri cearense, ficando atrás na região somente da Romaria de Padre Cícero, que mobiliza 500 mil romeiros.
São quase duas semanas de festejos, de 3 a 13 de junho, que incluem cerimônias religiosas, brincadeiras com a fama casamenteira do santo, apresentações de grupos folclóricos, shows, além da missa de abertura e do tradicional cortejo e hasteamento do Pau da Bandeira.