quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


A HISTÓRIA DE UM DOS “FARAÓS DO REPENTE” -LOURIVAL BATISTA PATRIOTA, O LOURO DO PAJEÚ E A ÁRVORE DA POESIA (PRIMEIRA PARTE)

No dia 05 de abril do ano de 1887, no sítio Angico Torto, município de São José do Egito, banhado pelo rio Pajeú, Pernambuco, nascia o Rei dos Cantadores ou a Águia do Sertão, codinomes de Antonio Marinho do Nascimento, o primeiro da dinastia dos “Faraós do repente”, pertencente ao “Reino dos Cantadores de São José do Egito”, Em 13 de novembro de 1891, no sítio Jatobá, Itapetim, São José do Egito, veio ao mundo Antonio Pereira de Moraes, O Poeta da Saudade. Já no final do século XIX, nascia em Monteiro, no Cariri paraibano, Severino Lourenço da Silva Pinto, mais conhecido como Pinto do Monteiro,A Cascavel do Sertão. Aos 12 dias do mês de maio do ano de 1912, em São José do Egito, era apresentado à luz o poeta João Batista de Siqueira, o conhecido Cancão. Em 30 de junho de 1920, outro grande nome da poesia apresentava-se ao mundo no sítio Cacimba Nova. Era o segundo gigante da dinastia dos “Faraós do Repente”, com o nome de Rogaciano Leite, em Itapetim, de São José do Egito. Também em Itapetim, no dia 01 de janeiro de 1929, no sítio Cacimbas, nascia Job Patriota de Lima, o Jó Patriota. No dia 13 de outubro do ano de 1930, foi a vez da cidade de Afogados da Ingazeira agradecer ao céu, por ter o privilégio de haver nascido ali, na fazenda Taboado, povoado de Jabitacá, o grande vate Manoel Filomeno de Menezes, mais conhecido como poeta Manoel Filó. E mais e mais. Todos da mesma região, destacando-se São José do Egito. Todos frutos da árvore maior da poesia que brotou no sertão nordestino a partir da inspiração divina. A partir daqui vamos narrar uma das mais belas e grandiosas histórias do nascimento de um repentista. No final do ano de 1914, respirava-se uma certa expectativa. Os acontecimentos tendiam parecer dentro da normalidade, mas algo diferente estava por acontecer. Os anjos do natal daquele ano pareciam mais sorridentes. A expectativa só aumentava. Chegou o novo ano da graça de Nosso senhor Jesus Cristo. 1915, veio trazendo novas e boas venturas para os pastores de cabras e para os demais habitantes, mas ao invés das coisas voltarem ao normal, algo pairava no ar, prenunciando a bênção que aconteceria a qualquer momento. Passava-se o sexto dia do mês de janeiro, Dia de Reis, quando em Umburanas, que depois tornou-se Itapetim, à época, distrito de São José do Egito, deu-se o grande acontecimento. O céu transformou-se num grande arco-íris de um lado ao outro do horizonte, por sobre as coisas sem vida e sobre os seres viventes. Casas, cercas, mourões, objetos, homens, plantas, animais e tudo que mais havia. Os cabritos do sertão inteiro resolveram berrar e pular, imitando o milho da pipoca na panela da família dos Batista Patriota. O gado alegremente mugia. Numa cena rara de se ver, o sol e a lua apareceram no céu para ninguém perder a festa. Ao mesmo tempo era noite e era dia. As criaturas mais diversas moviam-se como quem anunciava: vai ser agora! Vaga-lumes agitavam-se acendendo e apagando suas “lanternas”, enquanto os jumentos, animais sagrados, ininterruptamente repetiam todo o abecedário: Aaahh!, Ehhhh! Iiihh, Ooohhhh! Uuuhh! Ypsilone! Ypsilone! Ypsilone!...As plantas pareciam mais viçosas, chuva de pétalas de todas as cores. Os peixes, reluzentes e saltitantes cruzavam o Rio Pajeú e seus afluentes numa velocidade nunca vista. Os vaqueiros, movidos por uma força maior e incontrolável, cantavam um aboio em uníssono por todos os recantos do sertão, formando um grande coro regido do céu, por um anjo visível apenas por eles, que intuitivamente faziam vênias na direção da casa dos Batista Patriota, sobre a qual flutuava o anjo-regente, em louvação ao acontecimento. Ouviam-se acordes de violas mágicas que vibravam plangentes, harmonizando-se à melodia angelical. Repentistas improvisavam em agradecimento a Jesus, referindo-se ao fenômeno. De repente tudo parou. Silêncio total, quando ouviu-se um choro de criança que acabara de chegar e ser presenteada à luz. Mágico apresentado à magia envolvente daquele recanto de mundo, no sertão de Pernambuco. Um choro forte, grave, másculo. O que eu chamo aqui de choro, na verdade era um solfejo em DO, RE, MI, FA SOL, LA, SI. Todas as notas, em todos os tons, em várias escalas. Magia divina. Naquele momento, foi apresentado ao mundo aquele que veio para completar a dinastia dos “Faraós do Repente”, do “Reino dos Cantadores de São José do Egito”, que inspirou o poeta, compositor e artista plástico Karoba Nunes a projetar o memorial, em homenagem aos “Faraós do Repente” para ser edificado à entrada da terra natal dos três. Assim, veio a nós um dos maiores poetas que já andou sobre a face da terra: LOURIVAL BATISTA PATRIOTA, O Louro do Pajeú, O Rei do Trocadilho, referência da sua geração e das gerações vindouras. Um homem grande como o sertão. E por ser tão grande, simples e humilde. Menino que gostava de brincar com palavras. Improvisador de uma rapidez de raciocínio estupenda. Comparável a poucos, em todas as épocas. Seu pai, Raimundo Patriota, mais conhecido como Raimundão e sua mãe Severina Patriota, que teve veemente influência sobre a veia poético-repentista de Louro, e dos outros filhos, ainda presenteariam ao mundo, mais dois gigantes da poesia, irmãos de Lourival, para formarem A Tríade Batista, com louro no cabeçalho: Lourival, Otacílio e Dimas Batista. Em 1930, ainda com 15 anos, enfrentou o seu primeiro desafio como cantador. No ano de 1932, não fosse pela intervenção de sua mãe, que o retirou das colunas do pelotão ao não autorizar, teria ido, aos 17 anos, lutar na revolução constitucionalista, em São Paulo. Em 1933, enfrentou uma empreitada de 97 dias andando do Recife até Itapetim, em São José do Egito, distante 422 km do Recife. Antes, porém, cruzou a Paraíba e esteve no Rio Grande do Norte, para depois seguir ao seu torrão natal. Como cantador, fez um caminho ao contrário dos que chegam à capital. Começou a cantar no Recife e depois partiu para o interior, quando o mais comum é inverter-se o fluxo. A partir de então, não parou mais. Levou poesia aos 4 cantos do mundo. Participou de muitas cantorias, ganhou muitos festivais, muitos prêmios, muitos amigos e o respeito de todos. ASSIM DE REPENTE SE IMPROVISA OS FARAÓS DO REPENTE! QUE SE FAÇAM SEMPRE PRESENTES NO REINO DOS CANTADORES DE SÃO JOSÉ DO EGITO E POR TANTOS OUTROS LUGARES.

Texto adaptado por: Rosemary Borges Xavier-2010 D.C-Cajueiro-Recife-Pernambuco

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