terça-feira, 23 de março de 2010


CALDEIRÃO DE SANTA CRUZ DO DESERTO,UMA CANUDOS NO SERTÃO DO CEARÁ 


                                                    SEGUNDA PARTE


        Baixa D' antas,era  mesmo o chão sagrado do Beato José Lourenço,apesar de árida e imprudutiva a terra , como sempre acontece na caatinga dos sertões nordestino,ele aceitou o desafio de fazer a terra produzir. E assim tratou de organizar os trabalhadores que o seguiram em busca do El Dourado de Zé Lourenço, que se manteria até o ano de 1926. Logo os frutos do trabalho coletivo e da disciplina ,apareceriam. O sitio Baixa D' antas se tornara um belo pomar,com milhares de pés de laranjeiras,coqueiros,mangueiras,mamoeiros,abacateiros,limeiras e cafeeiros,ao lado de uma bem cuidada cultural de algodão,cereais e de outras qualidades de hortaliças.
       A liderança do Beato Zé Lourenço era inquestionável na comunidade, não somente pelas habilidades que tinha com  o trabalho com a terra,mais também como guia espiritual daquela gente. O beato ia periodicamente ao Juazeiro e mantinha estreitos laços com o Pe. Cicero. Os moradores de Baixa D'antas passaram a vê-lo como um conselheiro.Tranformara-se no "padim Lourenço".  Seu espirito caridoso atraia cada vez mais romeiro que vinha para o Juazeiro buscando a benção do Pe. Cicero. Em Baixa D'antas não havia propriedade todos trabalhavam e colhiam os frutos. A comunidade já tinha quase  2000 mil habitantes, a mesa era farta e de orações. Não havia critérios para fazer parte da comunidade,bastava que estivesse disposto a levar uma vida pautada no trabalho e na fé. O sitio prosperou com relativa tranquilidade até o ano de 1914.  Nesse ano  Juazeiro do Norte virou palco de batalhas entre tropas enviadas pelo governador Franco Rabelo e jagunços liderados por Floro Bartolomeu. O conflito ficou conhecido como " Sedição do Juazeiro" ou guerra de 1914. Pe. Cicero, forte aliado politico de Floro Bartolomeu,convoca seus fiés para a defesa do Juazeiro. José Lourenço também foi para essa região durante o conflito, mas não se envolveu diretamente com os combates . Como em Baixa D' anta havia fartura, o beato limitou-se a fornecer alimentação para os jagunços que lutavam em nome  de Floro Bartolomeu e Pe. Cicero. as tropas rebeldes foram derrotadas em Juazeiro. Mas não deixaram de fazer estragos e causar destruição nas redondezas. O sitio Baixa D'antas,foi invadido enquanto o beato encontrava-se em Juazeiro . As benfeitorias que permitiam a opulência da comunidade foram destruidas. As casas foram incendiadas. foram muitas as atrocidades cometidas por lá. Zé Lourenço retornaria a Baixa D'antas  após o fim dos combates e não se abalaria com a destruição encontrada. Reorganizou a comunidade e, em pouco tempo,  a fartura voltou a reinar no local. Fartura essa que tornou o beato em uma figura pública. Os coronéis da região se incomodavam com a comunidade liderada pelo beato. Isso porque Baixa D'antas passou a absolver a mão-de-obra que antes era destinada aos latifundiários. Começaria então uma campanha para diminui o prestigio de José Lourenço, e as acusações de fanatismo e fetichismo não tardariam a tomar as páginas dos jornais Cearense.  

William Veras de Queiroz   2010  D.C  - Santo Antonio do Salgueiro- PE.

2 comentários:

  1. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA...



    "As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!" Otoniel Ajala Dourado



    O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA


    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi o MASSACRE praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato "JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA", paraibano de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.



    O CRIME DE LESA HUMANIDADE


    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.


    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS


    Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é considerado IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, por isto a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos



    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO


    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.



    AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5


    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;



    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA


    A SOS DIREITOS HUMANOS, igualmente aos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA


    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do "GEOPARK ARARIPE" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?



    A COMISSÃO DA VERDADE


    A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    Paz e Solidariedade,



    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br

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  2. Vejam matéria e fotos do making off das filmagens para o documentário sobre CALDEIRÃO DA SANTA CRUZ DO DESERTO, a comunidade que foi aniquilada, a exemplo de Canudos, por balas e bombardeios aéreos. Leia, Comente e divulgue: http://valdecyalves.blogspot.com/2010/09/caldeirao-de-santa-cruz-do-deserto.html

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