quinta-feira, 17 de junho de 2010


       O MASSACRE DA PEDRA DO REINO

                                   ( FINAL  )

    
          Dia  14 de Maio de 1838, a loucura toma conta dos moradores do reino.Parecia que de repente todos teriam perdidos a razão... como se fosse um sinal combinado,os guardas do "rei" puxaram seus facões e deram inicio a uma grande matança,executando mulheres,crianças ,velhos e animais,o que foi prontamente seguido pela maioria dos presentes,que assassinaram suas companheiras,filhos e pais,e lambuzavam as pedras com o sangue das vitimas. Começava então o periodo sangrento do Reino Encantado da Pedra Bonita. O vaqueiro apavorado fugiu a procura da fazenda do Major,gastando três dias,escondendo-se no mato para não ser pego pelos guardas do Reino Encantado. Ao final do terceiro dia de matança,o "rei" João ferreira tinha lavado com o sangue a base das duas pedras da serra do catolé e terrenos subjacentes. Além das dezenas de corpos de homens,crianças e mulheres(entre os quais,seu pai,sua mãe e uma cunhada),foram sacrificados 14 cães,cujos corpos foram colocados aos pés das pedras em grupos simétricos,conforme sexo,idade e qualidade dos mesmos. Estava disposto a continuar a carnificina,quando no dia 17,pela manhã,Pedro Antonio(seu cunhado),indignado com a morte de suas irmãs e julgando-se com mais direito ao reino por ser irmão do 1° rei da Pedra do Reino,disse ao povo que Dom Sebastião cercado de sua corte lhe aparecera na noite antecedente e reclamara a presença do "rei" João Ferreira,única vitima que faltava para operar-se o seu completo desencanto. E assim foi feito.
Nascia então o terceiro e mais curto reinado,sob o dominio do novo " rei " Pedro Antonio. Antes disso,o povo foi forçado a quebrar a cabeça do rei anterior,a extrair-lhe as entranhas e atar os pés e as mãos do seu cadáver naquelas árvores,por causa dos berros,das roncarias e dos sinistros movimentos que ele depois de morto executava com a boca.  A primeira medida do novo "rei" foi transferir-se,juntamente com os seus para outro local um pouco mais adiante das duas torres,no qual deviam desencantar D.Sebastião,visto que a fedentina era imensa,devido aos corpos alastrados pelo chão e já em estado de putrefação.
    Distante dali devia encontrar-se,no dia 18,com Simplicio Pereira,o Major Manoel Pereira da Silva,para juntos marcharem sobre a Pedra do Reino.Contudo,ao chegarem lá surpreendem-se com a mudança dos fanáticos e inicia-se grande combate entre as duas forças,não dando condições dos homens de Manoel Pereira utilizarem nem se quer suas espingardas. A luta foi de corpo a corpo com o grupo de loucos,cuja idéia era o martírio e a morte para ressurreição e vida eterna feliz no reino de D.Sebastião. Terminada a luta após duas horas do seu inicio,com fuga dos fanáticos e exterminio do Reino Encantado,restavam sobre o campo 22 cadáveres: o do "rei" com 12 dos seus seguidores,inclusive 3 mulheres e os de Cipriano e Alexandre Pereira da Silva-irmão do major-fato este que abalou profundamente.Ainda após a luta o Major e seu grupo,chega ao local,como havia combinado, o Capitão Simplicio Pereira,que travou novo combate com os fugitivos,desta vez,perdendo os adeptos do "Reino Encantado",mas oito companheiros. Em villa Bela,realizou-se o sepultamento dos irmãos do Major Manoel Pereira. Embora o primeiro "rei" da Pedra Bonita,tivesse abandonado a região,todos,principalmente a familia do major,atribuiram-lhe a responsabilidade pelas mortes acontecidas na região. Então,o Major enviou homens de sua confiança para trazerem o farsante,porém,na viagem de volta os emissários adoeceram gravemente de malária,e temendo que João antonio fugisse,matam-no,havendo quem diga que trouxeram as orelhas do "cabra" para a Fazenda Belém. Outras fontes contam que a viagem de volta,ao passarem perto das "Pedras do Reino", o fanático começou a entoar cânticos estranhos que atordoaram os guardas,que temendo morrerem ou permitirem a fuga do distinto,acabaram com a vida dele,livrando definitivamente toda a região da influencia do farsante,pontificando a trágica história do movimento Sebastianista no sertão central de Pernambuco. O sentido mistico-religioso do sebastianismo também contribuiu para o aparecimento de manifestações folclóricas no Brasil. Há registros de lendas sobre o retorno de Dom sebastião,como as do Touro Encantado e a do Rei Sebastião.

William veras de Queiroz  2010 D.C - São José do rio Piranhas- PB   

terça-feira, 15 de junho de 2010

    O MASSACRE DA PEDRA DO REINO 


                                                      PARTE  2



                  A prolongada estiagem  castigava o Sertão Central de Pernambuco. O Reino de Dom João Antonio,estava com os dias marcados.O sofrido sertanejo mais uma vez foi buscar no campo mistico respostas e soluções para os  problemas do cotidiano,o tal  dia da redenção daquela gente parecia distante e a impaciencia tomava conta daquele reinado,Dom João,que circulava entre seus súditos com uma corôa feita de cipó,encontrou na beberagem, um chá a base de manacá com jurema,um é raiz; e a outra erva,ambos,fortes alucinógenos,servidas durante as cerimônias por João Ferreira,o herdeiro do trono, a paz que a inquietude daquela gente reclamava. O Rei continuava prometendo o chão sagrado do semi-árido sem pobreza,a comunidade vivia nos moldes socialista,onde todos produziam para coletividade.Nos domingos, realizavam-se casamentos,oficializados pelo bispo frei Simão,investido pelo próprio "rei" e depois todos eram obrigados a ouvirem as pregações do "soberano, que dizia que em sonho  Dom Sebastião" tinha dito que somente regando as pedras com sangue humano é que ele desencantaría junto com seu reinado e sua catedral. Só assim todos ficariam ricos e todos pretos se tornaríam brancos e velhos tornaríam jovens novamente. E todos que tivessem morridos no sacrificio pelo reino,retornariam ricos,belos e imortais.Com a pressão externa da igreja Católica,fazendeiros  e da sociedade, e mais uma vez Dom João Antonio foi convencido pelo Padre Francisco José Correia de Albuquerque a deixar aquela loucura e assim o "rei " atendeu o apelo do Padre e partiu,  passando a coroa de rei para seu cunhado João Ferreira, que se torna o mais fanático e cruel rei da pedra bonita. E assim, em 14 de maio de 1838, João Ferreira informou que a noite tivera com Dom Sebastião e este estava muito triste com todos por não realizarem sacrificios para a restauração do seu reino(com muito sangue de humanos e animais tingidos sobre as pedras,caso contrário jamais ressucitaría).O clima de desconfiança era geral entre aqueles miseraveis,que tinham deixado tudo para traz na esperança de uma vida melhor e que agora teriam que pagar com a própria vida o custo de ter uma prosperidade futura e desconhecida,dias de tensão e silêncio habitaram por aquelas terras da velha comarca de vila bela.

William Veras de Queiroz  2010 D.C -São José do Rio Piranhas-Paraíba.

                             

quarta-feira, 2 de junho de 2010


                      O MASSACRE DA PEDRA DO REINO
                                             PARTE 1

          Em luta contra os mouros em alcácer-Quibi, na África,em 1578,tomba morto o Rei de Portugal ,Dom Sebastião. O corpo do rei no entanto não foi reconhecido entre os que morreram no combate,fazendo circular em Portugal a noticia que o rei não estava morto,e sim tornara prisioneiro dos Mouros,sendo enfeitiçado,e logo que o feitiço fosse quebrado o Rei retornaría a Portugal para restabelecer a grandeza do reino português. as lendas criadas em torno do rei morto chegara ao Brasil através dos imigrantes,fazendo nascer no brasil,principalmente no Nordeste, vários focos do movimento Sebastianista,destacando o da Pedra Bonita,na serra do catolé,em São José do Belmonte,outrora comarca de Vila bela(Serra Talhada)Pernambuco. E assim durante tres anos de 1835 a 1838,em Pernambuco,uma comunidade com cerca de mil pessoas morou  próximo as pedras de 30 e 33 metros de altura. as crenças eram baseadas no Sebastianismo,pregada pelo jovem mameluco,João Antonio e por seu possivel sucessor João Ferreira. João Antonio apareceu nas ruas de vila bela com duas pedras brilhantes na mão,que afirmava trata-se de diamante que tinha encontado na lagoa azul,perto do sitio onde morava. Segundo João Antonio o local da mina foi revelado a ele por Dom Sebastião, e ficava perto de duas pedras em formas de torres,que na verdade era uma catedral encantada,que juntamente com o rei desencantaría para se fazer o tão desejado reino. Dizia  para que desse inicio o processo de desencantamento do reino,tería que ser cumpridas algumas profencias,entre elas casar com Maria,que era a moça mais bonita da redondeza e dessa forma aconteceu atraindo um grande número de seguidores da região. Junto com Maria,ele se muda para a pedra bonita,que já estava sendo procurada por moradores daqueles sertões,fazendo nascer em volta um grande acampamento nos moldes de um reino. Devido ao êxodo das cidades em busca do reino de Dom João Antonio e da Rainha Maria,as autoridades locais se preocuparam e comunicaram ao Padre Francisco Correia de Albuquerque, que convocou  João Antonio a comparecer a comarca local para prestar alguns esclarecimentos e assim conseguiu apreender os supostos diamantes,sem que houvesse qualquer resistência. E assim as autoridades acreditaram que tudo foi resolvido. Em 1838,em Vila Bela, um vaqueiro sumido da região de Floresta, e que dizia que seu sumiço era atribuido a  o encanto da pedra do reino e de João Antonio. A lenda do reino de dom sebastião e da pedra bonita percorria os sertões,para desespero das incredulas autoridades sertaneja.

William Veras de queiroz 2010 D.C -São José do Rio Piranhas - Paraíba.  

quinta-feira, 27 de maio de 2010

                             AUGUTO JATOBÁ

        Poeta,Escritor,Cantador,Publicitário,Artista Plástico,Design Gráfico,Produtor Artístico e outras coisas mais.Estes são alguns dos oficios do universo do multiartista,Augusto Jatobá,nascido na  minha querida,brejeira e pacata cidade de Campo Formoso,onde a Chapada Diamantina,manda os primeiros sinais naquele brejo de altitude do norte do Estado da Bahia. Jatobá,desde muito cedo,ainda criança,descobriu no verso e na prosa,razão da sua existência: A arte.Esta, em iatu sensu,posto que,em sua trajetória,passeou,com muita propriedade,pela diversas facetas do exercício da sua criatividade.
       Seu talento "sui generis" e genealidade criativa pode ser facilmente reconhecida em sua produção artística. Seu dominio na escrita  transcende a criatividade,sendo ambidestro(curiosamente,escreve de trás prá frente como se fosse natural)conseguindo escrever simultaneamente com as duas mãos.
       Na Música Popular Brasileira,teve músicas interpretadas por Elba Ramalho,Geraldo Azevedo,Elomar Figueira Melo,clever Jatobá,Ton Ton Flores,Edgar Mão Branca,Eugenio Avelino(Xangai) entre outros. Reve grande destaque ao produzir o premiado LP  de Xangai "QUÉ QUI TÚ TEM CANÁRIO", o qual se tornou icone do cancioneiro com sua música " MATANÇA."  Augusto Jatobá ,vive na cidade do Rio de Janeiro.

William Veras de Queiroz  2010  DC Santo Antonio do Salgueiro- PE

terça-feira, 25 de maio de 2010

CANGACEIRO ADOLFO MEIA-NOITE

Conterrâneo  de Antonio Silvino e de Mariano,ambos nasceram em Afogados da Ingazeira,no sertão do Pajéu  no Estado de Pernambuco. Em 1877, Quando Adolfo Meia-Noite aterrorizava no Sertão na companhia dos seus irmãos Manoel e Nobelino, Antonio Silvino Tinha dois anos de idade,e Adolfo comandava toda região. Por uma questão de honra, tiveram que se armar contra o desafeto conhecido como Padre Quaresma( apelido de padre,não se sabe porquê)-um comissário de policia,subdelegado naquela época. A razão dessa animosidade: uma paixão amorosa.  Adolfo,boa pinta que era,foi considerado o galã da vila em que morava com a familia,disputado pelas garotas da comunidade e,por inveja, o subdelegado o prendeu traiçoeiramente no povoado de Varas,enviando-o para Ingazeira,então Distrito de Afogados da Ingazeiras. Como nos dias de hoje, não havia segurança nas cadeias daquela época,ai o subdelegado radicalizou e colocou o distinto num tronco por longos quinze dias,sem que os familiares tomassem conhecimento do fato,Adolfo ficou incomunicavel por esses dias e só através de um conhecido o ocorrido chegou aos parentes,que tiveram a desagradável noticia de que o subdelegado tinha o fichado como ladrão de cavalo e que, se não o libertassem,ele iria morrer. A essa altura Adolfo não sabia o motivo por que estava  preso,até que o tenente responsável por sua prisão o informou que a prisão e a surra que levou com uma vara de espichar couro, foi a mando do Padre Quaresma. Sem nada dever e passando por todo esse sofrimento,o sentimento de vingança tomou conta do homem que foi preso e torturado porque era um galã e conquistador. Daquele dia em diante a ira de Adolfo foi extrema e a primeira vitima foi o comissário e sua familia teve que arribar daquela região. Por mais de cinco anos Adolfo e seus cangaceiros dominaram o pajéu. O trio infernal dos irmãos tinha a participação especial de Oiticica-cangaceiro de destaque -que também era seu parente,e que tombou em combate com os Quicés que moravam no sitio Tamanduá e que foram testemunhas contra Adolfo,quando da sua prisão.Nesse combate os "Quicés" perderam dois membros da familia. Eram parentes de Praxedes José Romeu,muito valente. Sob o comando de Praxedes,cercaram a Fazenda volta,não encontrando Adolfo,assassinaram o irmão Pacifico que alám de criança era doente mental.Dai por diante o granadeiro falou mais alto por aqueles sertões. Adolfo chegou a comandar dez cangaceiros no seu bando e não existe registro de vila e cidade que não foram saqueadas por seu bando.No distrito de Jabitacá, ainda se vê as tradicionais trincheiras de pedras soltas como também na Serra do Brejinho edificadas por seu bando. Pouco se sabe do nome dos seus cangaceiros, ha não ser de "Manoel do Gado",antigo marchante; e de Almeida,filho natural da serra da Colônia,assassino frio que matou um primo  no Sitio Extrema por  uma simples rapadura. Adolfo não estava presente e censurou ação do seu comandado. Almeida era da confiança do chefe,porém  pediu para fazer uma viagem para visitar a familia no retorno tentou matar Adolfo.Mas, foi mal sucedido,ganhando a morte pela infelidade. O cangaceiro era neto do Inglês Richard Breitt,embarcadiço que chegou ao Recife aos 11 anos,no inicio do século XIX,internou-se no interior num povoado por nome Volta e não mais regressou.Ligou seu destino a uma sertaneja,da Familia Siqueira Cavalcante. Foi convidado a regressar a Londres para receber uma fortuna de herança,porém no porto do Recife,recusou deixar a familia no sertão do Pajéu. Chegou a decadência devido a um dos seus netos-o temido Adolfo Rosa Meia-Noite,filho de sua filha Riqueta,que também virou cangaceiro.Adolfo Meia-Noite morreu no Estado  da Paraíba, em confronto com a policia.

William Veras de Queiroz  2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-PE.


segunda-feira, 24 de maio de 2010


 POETA CHICO PEDROSA,A VERTENTE PURA  DAS NOSSAS TRADIÇÕES POPULARES

Ele é um dos mais autênticos poetas do nordeste,um poeta errante,vive percorrendo o país mostrando a sua arte,sua poesia matuta,com declamações que faz o público delirar.Chico faz  poesias com a alma,nelas,flui  temáticas sertaneja,  relata o homem e a terra,como tem poesias sobre fatos cômicos do nosso folclore nordestino,ele é a viva poesia nordestina, nela relata o riso e o desastre do Brasil popular. Esse paraíbano de Guarabira,que nasceu no Sitio Pipiri,no dia 14 de Março de 1936(Dia da poesia e aniversário de Castro Alves)  tem poesia no DNA , seu pai  Mestre Avelino, era cantador de coco e agricultor de oficio,Sua Mãe era prima legitima do grande cantador Josué  Alves da Cruz. E assim, como deu prá perceber,a arte tá no sangue de  Francisco Pedrosa Galvão, nome de pia bastismal. O encontro de Chico com as letras,aconteceu muito cedo,na escola do sitio em que nasceu no sertão da Paraíba,por lá estudou até a 3° ano primário, o fatidico motivo da saída esta relatado no poema "  Revolta dum Estudante." Chico Pedroza começou a escrever folhetos de cordel aos 18 anos de idade e vendia-os cantando em feiras livre do sertão nordestino. no seu vasto curriculum consta a função de camelô e  representante comercial. Hoje dedica-se exclusivamente a poesia. As andanças do poeta pelo Brasil lhe renderam um  prestigio de poucos, a ponto de participar de quase  todos os festivais de cantorias e eventos poeticos pelo nordeste. Como os trovadores medievais,Chico anda de cidade em cidades-conhece o nordeste  na palma da mão-recitando e encantando platéias de todas as idades,como seus discos,folhetos e livros. O poeta Chico Pedrosa mora atualmente na Veneza Brasileira,no Recife,onde participa de todo circuito de poesia da cidade.Chico Pedrosa tem alguns livros  entre os quais Sertão Caboclo"-Antologia poética,algunns  CD's  na praça, destaque para os registros fonográficos ,"Sertão Caboclo,"No Meu Sertão é Assim",  "Paisagem Sertaneja ," Raizes do Chão Caboclo " e  " No Meu Sertão " em Duo com o poeta também Paraíbano Zé Laurentino.

William Veras de Queiroz   2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro- PE.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

VITAL FARIAS, O CANTADOR DE TAPEROÁ

Quis o destino na sua benevolente grandeza,que a pequena Taperoá,cidade encravada no Cariri Paraíbano,fosse o berço de Ariano Suassuna e Vital Farias.dois grandes expoentes da cultura popular. Foi no sitio Pedra D'agua ,num  23 de janeiro de 1943,num cenário verdejante do brejo do cariri,que Vital Farias deu o ar da graça e encerrou o ciclo produtivo do clã dos Farias, ele, foi o  último da prole de quatorze irmãos. Foi no sitio onde nasceu que Vital fez os primeiros estudos ,alfabetizado pelas irmãs mais velhas,lendo folhetos de cordel.Logo depois, começou seus contatos com a cidade de Taperoá,onde cursou o primário no grupo Escolar Felix Daltro,Fez exame de admissão e parte do Ginásio na Escola Professor Minervino Cavalcante,viveu em Taperoá até a conclusão do ginasial. Aos 18 anos foi para a capital da provincia(João Pessoa),onde sentou praça na infantaria,no 15°  Regimento do Exército. Quando do  término do serviço militar ,ele continuou em JP,e foi estudar no Lyceu Paraibano em plena ditadura militar. Nesse periodo começou a estudar violão por conta própria e logo  estava compondo e se sentia um cantador,pois suas origens reclamavam  da cultura e do seu povo,e trazia na suas memórias desde criança,muitas cenas em Taperoá e nos sertões vizinhos da profunda covardia do sistema capitalista que esmaga e oprime o trabalhador. Mas,por força das circunstâncias "Lei da sobrevivencia" formou um conjunto de Iê-Iê-Iê com Floriano,Cecikio Ramalho e Golinha ao estilo Beatles,que na época incendiou com suas canções o mundo inteiro. Apesar disso,Vital não esqueceu as cantigas do seu povo,das ladainhas,incelenças e cantilenas e paralelamente desenvolvia um trabalho onde contenplava suas origens. Vital foi professor do estado ,na década de 70, no Conservatório de Música de João Pessoa ,onde ministrou aulas e teorias  de violão por música. Participou no Teatro Santa Rosa de vários trabalhos teatrais:ora como músico,ora como ator ,ora criador. Realizou alguns trabalhos de cinemas,  com essa experiência,anos depois  já no eixo Rio-Sampa, participou do premiadissimo filme O HOMEM QUE VIROU SUCO(1° lugar no Festival de Moscou - 1981) atuou como diretor musical e roteirista poético. Em 1975,"partiu prá cidade garantida/proibida, prá arranjar meio de vida,Margarida",e assim, ele aportou na cidade  de São Sebastião do Rio de Janeiro. Onde participou de vários e importantes eventos artísticos, participou da peça do diretor Luiz Mendonça,  A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO  juntamente com  Pedro Osmar companheiro de viagem e ex-aluno,Elba Ramalho,Cátia de França,Tânia Alves,Tonico Pereira,Imara Reis,Madame Satã,Hélio Guerra,Joel Barcellos e outros.A primeira canção gravada de Vital Farias foi É MÃE,em parceria com Livardo Alves e gravada por Ari Toledo.Por outro lado seguia seu sonho de poeta-cantador ,compondo e participando das questões politicas e sociais do seu país,chegando a participar da peça GOTA D'AGUA  de Chico Buarque de Holanda e Paulo Pontes. Foi aprovado no vestiblar da CESGRANRIO,onde foi aprovado para o curso da Faculdade de música,onde se formou em 1981. Teve orientação de arranjos e regencia de Radamés Gnatali.Vital,por ser um cantador bisexto,nunca teve muitas parcerias. a não ser com Liverdo Alves e Jomar Souto, com a obra Eu sabia,sabiá,ainda na Paraíba e depois no Rio de Janeiro com Salgado Maranhão,com que morou na casa do estudante universitário em Botafogo.  Sua obra sofreu censura da ditadura militar,pelo compromisso de suas canções com a verdadeira arte cidadã. Em 1978,grava seu primeiro LP VITAL FARIAS.Laureado por toda critica brasileira,inclusive por a maior autoridade da critica especializada no país José Ramos Tinhorão- historiador e critico do Jornal do Brasil O segundo LP,surgiu dois anos depois,TAPEROÁ.  Vital resolveu parar de gravar por algum tempo para se dedicar aos estudos,durante todo esse tempo,Vital continuou lendo,debatendo,fazendo palestras e cantorias. Em 2002,produziu o disco de estréia de sua filha Giovana,com 15 composições de sua autoria e lançou o disco VITAL FARIAS AO VIVO E AOS MORTOS  VIVOS,nesse  mesmo ano recebeu o titulo de cidadão do Rio de Janeiro,Em 1982,gravou o LP SAGAS BRASILEIRAS,dois anos depois,participou do LP CANTORIA,com Elomar,Geraldo Azevedo  e Xangai,gravado ao vivo no Teatro Castro Alves em Salvador. Em 1985,participou do CANTORIA 2,com os mesmo companheiros de palco do disco anterior,nesse mesmo ano gravou  DO JEITO NATURAL.   O trabalho desse  tipico cantador Caririzeiro ,como é do conhecimento de todos nós é um trabalho polêmico no que concerne ao humano.politico,social , e ecologico

WILLIAM VERAS DE QUEIROZ 2010 D.C- SANTO ANTONIO DO SALGUEIRO-PE.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

   J.BORGES , O  CARA DA XILOGRAVURA
 Aos oito anos de idade,o menino Zé Francisco,trabalhava na roça com o pai. Aos dez,já fabricava e  vendia  na feira colheres  de pau. Foi oleiro, e confeccionou brinquedos artesanais e vendeu livros de cordel. aos 29 anos, José Francisco Borges,resolveu que iria escrever cordel,foi  quando fez " O Encontro de dois  Vaqueiros no Sertão de Petrolina" com xilogravada de Mestre Dila,que vendeu mais de cinco mil exemplares em menos de dois meses. Como não tinha dinheiro para pagar um ilustrador,J.Borges foi a luta e resolveu ele mesmo fazer a parte gráfica da obra ,e começou  entalhar a fachada da igreja matriz de Bezerros,sua terra natal na madeira, que usou em " O Verdadeiro aviso de Frei Damião." Desde então,começou a fazer matrizes por encomendas e também para ilustrar os mais de duzentos cordéis que lançou ao longo da vida.  Descoberto por colecionadores e marchands,viu seu trabalho ser elevado nos meios acadêmicos do país. Na década de 1970, J.Borges desenhou a capa de " As Palavras Andantes, de Eduardo Galleano, e gravuras suas foram usadas na abertura da telenovela " Roque Santeiro " da Rede Globo. Nessa época,começou a gravar matrizes dissociadas dos cordeis,de maior tamanho. Isso permitiu expor no exterior: em 1992, na Galeria Stahli,em Zurique, e no Museu Popular de Santa Fé,Novo Mexico. Depois, novas exposições, na Europa e nos Estados Unidos. J.Borges foi condecorado com a  comenda da Ordem ao  Mérito,pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, recebeu o prêmio UNESCO  na categoria Ação Educativa/Cultural,em 2002,foi um dos artistas escolhidos para ilustrar o calendário anual das Nações Unidas. Sua xilogravura  " A Vida na Floresta abre o ano no calendário. Em 2006,foi tema de  reportagem no The New York Times. O escritor Ariano Suassuna o considera o melhor gravador popular do nordeste. Suas xilogravuras são impressas,em grande contidades, e em diversos tamanhos, e vendidas a intelectuais,artistas e colecionadores de  arte. Dono de uma técnica própria de colorir as imagens,atende pedidos para representar  o cotidiano do pobre,o cangaço,o amor ,os castigos do céu, os mistérios,os milagres,crimes e corrupção,os foguedos populares,a religiosidade,a picardia,sempre ligado ao povo nordestino. Em Bezerros,sua cidade natal,no Agreste Central Pernambucano,foi inaugurado o Memorial  J.Borges, com exposição de parte de sua obra e objetos pessoais
William Veras de Queiroz.

terça-feira, 18 de maio de 2010

     GRUPO BONGAR,CHÃO BATIDO COCO PISADO

             O Grupo Olindense Bonga lança seu segundo CD "Chão batido coco  pisado",o disco que tem a direção musical de Juliano Holanda(Orquestra Contemporanea de Olinda),o CD conta com 15 faixas autorais e colaboração de diversos músicos convidados. O Grupo Bongar,foi fundado em 2001 ,em Olinda.
 o Grupo Bongar tem um trabalho voltado preservação e divulgar a cultura Pernambucana. A formação dos integrantes tem origem no universo popular,especificamente da Comunidade religiosa Xambá. O Bongar mostra em suas apresentaçõestoda musicalidade do Coco Xambá,uma vertente desse ritmo tão presente no nordeste brasileiro, além de ciranda,camdoblé ,matacatú entre outros ritmos da cultura  de raiz. O Bongar também realiza oficinas de percussão e dança popular,confecção de instrumentos,aulas-espetáculos e palestras. O público ,através do show do Bongar terá a oportunidade de conhecer,não só a música ou a dança deste coco tão peculiar,mas compreender a formação historica e cultural  desta nação. O Bongar tem uma musicalidade muito forte de diversas influências musicais.Vivenciadas nos cultos afro-brasileiros,principalmente da linhagem Xambá. Os integrantes do grupo herdaram toda essa musicalidade desde a infância,ouvindo os mais velhos e aprendendocom eles os toques,as loas e danças,durante as festas da casa Xambá.

William Veras de Queiroz  2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro -PE.

quarta-feira, 28 de abril de 2010


                                                  DIA NACIONAL DA CAATINGA

                   Instituído por decreto pelo presidente Lula em 20 de agosto de 2003.Desde  28 de abril de 2004,  essa data  que é o dia do nascimento do professor ,e pesquisador  pernambucano João Vasconcelos Sobrinho, virou o  Dia Nacional da caatinga.Vasconcelos Sobrinho,pioneiro nos estudos ambientais no país,que primeiro nos alertou sobre  o processo de desertificação no semi-árido  brasileiro e,sobretudo,já em meados do século  passado quem começou a difundir compreensão de compromissos socioambiental.
è mais um momento oportuno para se debater ações e programas que possam associar a recuoeração,conservação e desenvolvimento da caatinga,ùnica en suas caracteristicas e exclusiva do território brasileiro.segundo o mapa de biomas do brasil, a caatinga ocupo 844.453 km²  de área(9,92 % de território nacional),com uma população estimada em de 28 milhões de pessoas,sendo 39%  no campo. A caatinga é a região semi-árida mais rica em fauna e flora do mundo. Nos dias de hoje, em que em que se amplia a consciência ambiental,a caatinga é ainda um dos biomas mais ameaçados do planeta. As principais causas da degradação  na região são os desmatamentos,extração de madeira,queimadas,  agropecuária , degradação dos solos e desertificação. Neste  contexto , os principais desafios para as politicas públicas voltadas  á caatinga passam pela ampliação do reconhecimento de suas especificações e potencialidades,a  implantação de programas de convivência com o semi -árido. Muitos dos bons e intencionados projetos já em execução pelo projeto Dom Helder Câmara,com a proposta de  estruturar e desenvolver ações para a reforma agrária e e agricultura familiar. O projeto também atua na valorização da biodiversidade, e na conservação e gestão dos recursos hidricos;contenção e reversão  de processos de degradação do solo. Essa abordagem do Projeto Dom Helder Câmara tem trazido ganhos para valorização do bioma caatinga,que passa  a ser visto não mais como hostil como outrora ,ao contrário seus  recursos são tomados como elementos centrais nas estratégias de  desenvolvimento sustentavel para a região. Os primeiros cincos anos do Dia Nacional da Caatinga demostram a necessidade de avançarmos nessas políticas  e colocam o desafio da articulação social e institucional,com integração de programas,projetos e ações para que nossa caatinga seja tão generosa em gente feliz como é sua biodiversidade.

Fonte:Instituto Dom Helder Câmara
William Veras de Queiroz 2010 D.C   Santo Antonio do Salgueiro-PE.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

     MOCINHA DE PASSIRA É UM CONDOR,NOS DES PÉS DO MARTELO ALAGOANO

     Aos nove anos de idade, ela se encontrou com o mundo da viola,bastou duas cantorias para aprender o idioma do repente. Aos 12 anos ganhou uma viola do pai,quando participou de um baião com o poeta Zé  Monteiro. Desde então se profissionalizou e o vasto mundo abriu as porteiras para aquele menina de apenas 16 anos de idade. e seguiu vida afora seguindo sua sina de violeira,fugiu da casa dos pais,foi morar na casa de Pinto do Monteiro em Caruarú,Pinto é considerado um dos maiores nomes da história do repente,ela considera Pinto ,um pai,um rei,um mestre. Maria Alexandrina da Silva,continua sendo uma das poucas presença feminina no mundo do repente e a única a viver exclusivamente da sua profissão. Mocinha,65 anos, boêmia incorrigivel,não dispensa um uisque por nada,namoradeira,fala palavrões e bate de frente com os marmanjos nos desafios de viola. Mocinha,escandalizou a sociedade agrestina na sua juventude,quebrou tabus nos anos 50, enfrentou as rígidas normas nordestinas estabelecida para as mulheres,foi a Leila Diniz do agreste.Teve muitos homens,mais poucos a tiveram,casou uma única vez com o Sanfoneiro Duda da Passira. acabou o casamento com o forrozeiro e viajou pelo pais inteiro,sempre enfrentando o preconceito e o machismo,desviando-se de cantadas,amor a primeira vista de homens com os quais não afinava e a misoginia dos colegas de profissão,fez o poeta Ariano Suassuna chorar  emocionado com os improvisos feito por ela,durante uma cantoria na pracinha do diário no centro do Recife. Em Salvador,encontrou com Jorge Amado,esse pediu um mote:"Se você casar comigo/vai ficar de Gravidez/vai acabar parindo/três menino de uma vez Mocinha na ponta da língua respondeu: Eu posso ter todos os três/são filhos tudo meu/o primeiro é do padeiro/o segundo do Ricardão/o terceiro de Oliveira/nenhum dos três é teu."  Jorge Amado Também chorou,porém,de rir.  A vida mundo afora,não foi fácil para a violeira,mas levou tudo em prosa e versos. Numa cantoria em Campina Grande,um delegado de policia se encantou-se por ela,que foi contratada por um empresário para tocar numa churrascaria,com a chegada do contratante entre carinhos e afagos,a autoridade atirou para cima e demarcou terreno,que ela era dele e de mais ninguém. na cidade de Chã Grande,quase foi sequestrada por um vereador  da cidade,apaixonado.foi salva por um cabo da PM  e o prefeito desafeto do edil,quando já estava sendo puxada para o carro.Essa Pernambucana da pequena cidade de Passira,terra de rendas e rendeiras,que trás das mãos habilidosas o sustento,tal qual a conterranea no dedilhar do pinho.Passira é encravada no agreste central do estado.Mocinha,tem muita história para cantar e encantar.diz ter verdadeiro orgulho pela profissão que abraçou ainda criança,ela nunca teve a sua  CTPS assinada,pois sempre viveu da sua arte,foi testada  na aurora da sua vida,e está aí para contar a história porque passou no teste que a vida impôs.

William Veras de Queiroz 2010 D.C  Santo Antonio do Salgueiro-PE.

sábado, 24 de abril de 2010


TÁCYO CARVALHO, O GAROTÃO DE OURICURI


    Cabelo ao vento,violão em punho,vagando pelas ruas de pedras da sua cidade,cumprimenta velhos amigos, tira alguns acordes, e some na esquina do passado. Esta era cena comum no inicio dos anos 80,quando o garoto Tácyo na inquietude da sua juventude,despontava para  o  sertão do araripe com suas inclinações artísticas,ele respirava musica 24 horas,apareceu nos palcos da vida,ainda menino,fazendo vocais e tocando um ritmado triângulo no grupo do saudoso Severino Januário(irmão de Luiz Gonzaga,o rei do baião). E no ímpeto da sua juventude,ele não deu por satisfeito e num dia agora distante, ele pegou um tribus da viação Itapemirim e partiu entre juras ,choros e despedidas. Ele seguiu o destino tão comum e pertinente aos pobres mortais do semi-árido nordestino, na cidade do Rio de Janeiro,também terra de São Sebastião. Onde foi recebido de braços abertos pelo Cristo redentor e por sua "madrinha musical" Chiquinha Gonzaga.nas terras do sudeste ele não parou,logo deu as caras num programa de televisão em rede nacional da TVE,era um programa de musica regional. E assim ele não deu trégua para o azar,esteve em todos os lugares aonde a musica nordestina tinha boa receptividade, deixando seu recado e o registro do seu trabalho naquelas terras. Mas por lá que a vida não é fácil,quis o destino mandar de volta este sertanejo brabo.porém ,ele não se fez de rogado e caiu literalmente no forró. Hoje carrega consigo um legado do forró de pé-de-serra,fruto do convívio com o clã dos Gonzagas,de onde veio a alcunha de "O Garotão de Ouricuri," batizado carinhosamente por Luiz Gonzaga. Fiel a suas origens,este pernambucano da cidade de Ouricuri,canta a alegria ,a dor e o sentimento do seu povo.Tácyo Carvalho carrega na bagagem artística o registro fonográfico de 14 álbuns:1 compacto,4 LPs e 10 CDs,que tiveram as participações e o auxilio luxuoso de artistas reginais tais como:Targino Gondim,Terezinha de Jesus,Flávio José,Chiquinha Gonzaga,Flávio Leandro,João Silva e Edson Lima. Tácyo,passou uma temporada na cidade baiana de Alagoinhas,onde deixou a marca do seu trabalho e da sua arte nos festejos daquela região.Ele tem na música "Patchuli" o seu grande sucesso que foi bem executada nas rádios do nordeste,música que na sua letra relata os amores adolescentes das cidadezinha do interior nordestino,esta canção também fez sucesso na voz do poeta cantador Flávio Leandro,que gravou na coletânea "Tô Feliz. " O Garotão de Ouricuri" já encontra-se em fase de aquecimento para a turnê nordestina de Junho,onde levará sua música e sua arte aos mais distantes rincões do nordeste,com o compromisso de preservar e cultuar o forró de pé-de-serra.

William Veras de Queiroz 2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-PE.  
       CENAS DA GRAVAÇÃO DO FILME " LUNETA DO TEMPO", FILME DE ALCEU VALENÇA,COM GRAVAÇÕES NO AGRESTE PERNAMBUCANO.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

cabeças de Mariano,Pai véio e zepelin

   MARIANO,O ROBIN HOOD DO CANGAÇO


      Filho de um conceituado fazendeiro do Alto Sertão do Pajéu, o cangaceiro Mariano,era conterrâneo de Antonio Silvino( O Governador do Cangaço),ambos nasceram no município Pernambucano de Afogados da Ingazeira. Mariano Laurindo Granja,  nasceu em 1898.  Entrou para o cangaço,no ano de 1924. Era negro,muito forte,andava carregado de adornos  e jóias caras,e acompanhado da inseparável  palmatória de baraúna  dependurada na cintura,com a qual surrava suas vitimas e desafetos.Acompanhou Lampião por muito tempo,sendo uns dos poucos que cruzaram o Rio São Francisco,em agosto de 1928 com destino à Bahia. Esteve com Lampião na visita de Juazeiro do Norte,no estado do Ceará,quando Virgulino foi visitar o Padim Ciço e pedir sua benção; participou do massacre na cidade baiana  de Queimadas,onde foram mortos 7 macacos(soldados).Também participou do massacre em mirandela,distrito de Ribeira do Pombal,no Sertão Baiano.  Participou do ataque a cidade Sergipana de Aquidabã,em outubro de 1930. Depois,que aprendeu o caminho das pedras com Virgulino,resolveu,digamos,fazer carreira solo, e passou a chefiar o seu próprio bando. No primeiro combate com seu grupo ,enfrentou a ira do Tenente José Rufino no Raso da Catarina,num  dos combates mais célebres que se tem lembranças na campanha de repressão   ao cangaço. Nesse combate, o Tenente Zé Rufino e sua volante conheceram o Árabe abraão Benjamim,um cineasta amador libanês,possuído da mania de filmar um combate real e autêntico,entre as volantes e o grupo de Lampião. Abraão,movia o louvável desejo de fazer um documentário histórico,com a ambição comercial de ganhar dinheiro com a exibição do filme em cinemas de várias cidades. O Libanês recebeu a negativa do Tenente Zé Rufino  que não permitiu o registro dos combates.Após os duros combates, Mariano bate em retirada e segue com seu bando para o estado de Sergipe a procura da fazenda Cangaleixo de propriedade do coiteiro Pai véio que ficava entre os municipios de Porto da Folha e Garuru. o Tenente Zé Rufino e o soldado Ben-ti-vi ,que teve o seu pai assassinado por Mariano,desencandeavam uma ação implacável de perseguição ao cangaceiro e seu bando.E assim,seguiram as pegadas de Mariano. Depois de alguns dias de procura,localizam o grupo na Fazenda de Pai véio,onde encontram o bando acampado em barracas no meio da caatinga. na hora do ataque da volante, os cangaceiros do  bando de Mariano encontravam-se na jogatina,tão comum nas horas de descanço do cangaço.E não houve tempo para  reação, Mariano foi surpreendido e baleado. Bem-te-vi,como um louco,saca do punhal e escancha-se no quase cádaver  do cangaceiro e desfere dezenas de golpes,brutais. Era a vingança do filho estraçalhando o corpo daquele que abatera friamente,o autor da sua vida,sobre a recomendação do Tenente Zé Rufino de que tivesse cuidado com a cabeça,pois ele precisaría dela.Era a lei, terrivel e inflexivel das caatingas. Poucos acreditavam que Mariano fosse o autor da morte do Pai de bem-te-vi,diziam que era um dos mais humanos e benevolentes ,afirmam que era incapaz de uma crueldade,distribuía com os pobres os produtos de saques dos ricos e abastados. O Tenente José Rufino,com seu costumeiro sadismo,cortou as cabeças de Mariano,do coiteiro Pai Véio e de Zepelin,e expôs pelos sertões por onde passou,convencido de que a tirania levaria para o semi-árido nordestino a tão sonhada paz de que aquela gente tanto ressentia. 

William Veras de Queiroz  2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-PE