quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017




 GOIANA A TERRA DOS CABOCLINHOS.


Distante da cidade grande, já na Zona da Mata Norte de Pernambuco, no município de Goiana, pode encontrar as bandas de frevo mais antigas da América Latina Saboeira e Curica. As duas são conhecidas, além dos longos anos de história, pela rivalidade nascidas na época do Império no Brasil.
Outra grande curiosidade da terra no período carnavalesco é a "caçada de bode", o ritual é realizado pelo grupo Caboclinhos Caetés. Eles saem na madrugada do sábado para o domingo de Carnaval e correm atrás do bode mata adentro, em um ritual que ressalta o sagrado e o profano da festa da carne.
Durante todo o ano, o grupo pratica a jurema, ritual realizado em terreiros, invocando entidades religiosas e tomando um chá alucinógeno a base de uma planta Jurema,
e no Carnaval sai cantando juremas carnavalizadas. Goiana é a terra dos caboclinhos,com 13 dos 35 grupos de caboclinhos da região,a cidade é considerada a terra  dessa manifestação folclórica de matriz indigena.


PEnocarnaval

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Cariri Olindense faz festa nesta 4ª feira para celebrar 96 anos

A mais antiga troça de Olinda vai sair com orquestra e passistas pelas ruas do Sítio Histórico hoje à noite.
Para marcar o aniversário de 96 anos, Cariri Olindense levará orquestra de frevo e passistas pelo Sítio Histórico nesta 4ª feira / Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
Para marcar o aniversário de 96 anos, Cariri Olindense levará orquestra de frevo e passistas pelo Sítio Histórico nesta 4ª feira
Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
Margarida Azevedo
Tem festa hoje em Olinda. É aniversário de 96 anos do Cariri Olindense, a troça mais antiga do município e que, tradicionalmente, abria o Reinado de Momo na Cidade Patrimônio da Humanidade, na segunda década do século passado. É com frevo que foliões e fãs da agremiação vão celebrar a data nesta quarta-feira. Orquestra e passistas desfilarão pelas ruas do Sítio Histórico a partir das 19h. Uma hora mais cedo haverá o parabéns pra você com corte de bolo na sede da troça, localizada ao lado da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe.

Além de festejar a idade nova, o Cariri exaltará o título de Patrimônio Vivo, conquistado ano passado e concedido pelo governo do Estado. “Estamos muito felizes com esse reconhecimento. Por isso, a comemoração será dupla, pelos 96 anos e por sermos agora Patrimônio Vivo de Pernambuco”, ressalta o tesoureiro da troça, Romildo Canuto. Ele é neto de Augusto Canuto, funileiro que fundou o Cariri em 15 de fevereiro de 1921 com um grupo de amigos.

Uma das marcas da troça, garante a direção, é ter orquestra de frevo da melhor qualidade. Então, prepare as canelas e coloque um sapato confortável na noite de hoje. Caberá aomaestro Oséas, famoso por estar à frente de um afiado time de músicos, comandar o cortejo.

A saída é da sede rumo aos Quatro Cantos, passando pelo Largo do Amparo e Rua do Amparo. “Até os Quatro Cantos o trajeto é esse. De lá em diante, não sei. Vai depender da empolgação do público. Se tiver animado, a gente estica o desfile”, afirma Romildo.

Como presente de aniversário, o Cariri pede alimentos não-perecíveis ou produtos de higiene. As doações serão entregues ao Abrigo Imaculada Conceição, que atende 21 idosas e fica no bairro de Guadalupe, no Sítio Histórico. “Toda contribuição é sempre bem-vinda. É maravilhoso saber que tem gente preocupada em nos ajudar”, comenta a administradora do abrigo, Sueli Costa.

CHAVE

O símbolo do Cariri Olindense é uma chave, confeccionada pelo funileiro Augusto Canuto. No início do século passado, o Carnaval só começava oficialmente no domingo e é por isso que a troça diz que abre a folia, embora dezenas de blocos lotem atualmente as ruas olindenses no Sábado de Zé Pereira. A agremiação sai às 4h.
Durante quatro horas percorre o Sítio Histórico, sendo muito aplaudida. Um dos momentos mais emocionantes é a saudação que o Homem da Meia Noite faz ao Cariri quando o calunga passa na sede da agremiação antes de encerrar seu concorrido desfile.

JC ON LINE

            


             PAPANGUS DE BEZERROS

A festa de Bezerros ocupa do 3º lugar no ranking do Carnaval mais procurado e visitado de todo o estado de Pernambuco. Sua comemoração remete no final do século 19, quando os escravos se fantasiavam, completamente coberto, para entrar na Casa Grande e comer os melhores banquetes. Estes criativos e astuciosos personagens ficaram conhecidos como “os Papangus”.


O nome foi escolhido porque uma das principais comidas desses foliões era o angu e, na época,  quem comia muita uma coisa, usava-se o prefixo  “papa”, junto ao nome da comida para apelidar a pessoa.


Nesse caso, ficaram conhecidos como papa-angu. A cidade de Bezerros fica situada no Vale do Ipojuca,no Agreste Pernambucano.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

         


BONECOS  DE  BELÉM  DO  SÃO FRANCISCO

Conhecido como o berço dos famosos bonecos gigantes, que já viraram ícone do Carnaval e indispensáveis na folia das ladeiras de Olinda, Belém de São Francisco é também uma região considerada como um dos principais pólos carnavalescos  do estado.



 O município ribeirinho fica situado na região do Médio São Francisco,no Sertão do Estado de Pernambuco.Durante os festejos da época, o casal  de bonecos  Zé Pereira e Vitalina são atrações garantidas e super esperadas durante a festa. O sábado de Zé Pereira, por exemplo,  é bastante animado, com os foliões aguardando o casal de bonecos que chegam de barco na orla fluvial da cidade,e assim dando inicio os festejos de momo com  desfile de bonecos e agremiações fazendo a alegria dos foliões locais e turistas. 





os bonecos gigantes surgem na europa,provavelmente na idade média,sob a influência dos mitos pagãos escondidos pelos temores da minquisição. Chega em Pernambuco através da pequena Belém do São Francisco no Sertão do estado.

Os bonecos surgiram da vontade de um jovem sonhador que ouvia relatos de um Padre Belga sobre o uso de bonecos nas festas religiosas da europa. O primeiro boneco foi às ruas de Belém no carnaval de 1919 com o surgimento do personagem Zé Pereira,confeccionado em corpo de madeira e cabeça em papel machê,somente no ano de 1029 resolveram criar sua companheira, uma boneca batizada com nome de Vitalina.


A tradição de bonecos gigantes,iniciada em Belém do São Francisco,ganhou as ladeiras de Olinda em 1932,com a criação do Homem da Meia Noite,confeccionado pelas mãos dos artístas plástico Anacleto e Bernardino da Silva,em 1937 surgiu  a Mulher do Dia,em 1974 foia vez do Menino da Tarde pelas mãos do artista plástico Silvio Botelho,que popularizou a tradição com criação do Encontro dos Bonecos Gigantes,onde vários bonecos de diversos artistas se encontram para um grande desfile pelo sitio histórico de Olinda na terça-feira de carnaval.



Cultura afro-brasileira anima as terças-feiras no Pátio de São Pedro

Edições especiais, que começam nesta terça (31) e se repetem até o dia 7 de fevereiro, terão na programação maracatus, afoxés, cocos e outras atrações.

Costa Neto/Secult-PE
Costa Neto/Secult-PE
O Afoxé Omô Nilê Ogunjá é um dos grupos culturais na programação das Terças Negras de Carnaval
Com a chegada do Carnaval, a Terça Negra vai dar ainda mais destaque aos ritmos da cultura afro-brasileira, tão presentes nas festas de Momo. Serão quatro edições especiais a partir desta terça (31) e que seguem até o dia 21 de fevereiro, sempre a partir das 20h e com acesso gratuito. O evento é realizado no Pátio de São Pedro, pelo Movimento Negro Unificado (MNU), em parceria com a Prefeitura do Recife.
Participam da programação as manifestações afro da capital pernambucana, como maracatus, cocos e afoxés, entre outras atrações. Quem dá início a programação nesta terça (31) são os tambores do Maracatu Nação Encanto do Pina, seguidos da Banda Afro Oba Nijé e do Coco das Estrelas. A noite encerra com o Afoxé Oba Iroko.
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Nação do Maracatu Encanto do Pina
De acordo com Demir da Hora, representante do MNU, a programação foi montada com grupos culturais que participaram gratuitamente da Terça Negra em 2016. “Durante todo o ano passado essas agremiações se apresentaram no Pátio de São Pedro sem nenhum cachê. Agora eles vão ter uma oportunidade de serem remunerados. A gente faz isso todo ano, numa espécie de rodízio”, explica Demir da Hora.
Segundo Alzenide Simões, gestora do Núcleo de Cultura Afro-Brasileira da Prefeitura do Recife, “todos os grupos que estão na programação da Terça Negra de Carnaval participaram e tiveram a inscrição habilitada na Convocatória do Carnaval do Recife 2017”.
Demir da Hora ressalta a importância da Terça Negra para a manutenção dos grupos da cultura afro. “Antes estes grupos só se apresentavam durante o Carnaval e agora eles têm oportunidade de se apresentar durante todo o ano com este projeto”, explica o representante do MNU. A Terça Negra acontece há 17 anos, quinze deles no Pátio de São Pedro, com apoio da Prefeitura do Recife, que cede a estrutura para a realização do evento.
Ainda de acordo com Demir da Hora, em edições normais, a média de público da Terça Negra é de aproximadamente mil pessoas. “Mas como a edição é de Carnaval, a gente calcula uma média de três mil pessoas passando pelo local”, aposta. As edições especiais de Carnaval acontecem, além desta terça (31), nos dias 7, 14 e 21 de fevereiro.
Confira a programação da Terça Negra de Carnaval:
31 de janeiro
20h – Maracatu Nação Encanto do Pina
21h – Banda Afro Oba Nijé
22h – Coco das Estrelas
23h – Afoxé Obá Iroko
7 de fevereiro
20h – Maracatu Nação Leão da Campina
21h – Banda Afro Oju Obá
22h – Coco de Pareia
23h – Afoxé Exu Elegbará
14 de fevereiro
20h – Maracatu Nação Oxum Mirim
21h – Banda Afro Abé Odulofé
22h – Coco dos Pretos
23h – Afoxé Omo Nilê Ogunjá
21 de fevereiro
20h – Maracatu Nação Cambinda Africano
21h – Coco Bojo da Macaíba
22h – Maracatu Nação Almirante do Forte
23h – Afoxé Omo Badê

CARNAVAL FOLIA DE BOIS DE ARCOVERDE

Arcoverde,cidade situada na Micro Região do Sertão do Moxotó de Pernambuco comemora seu Carnaval com muito estilo e resgate a cultura da década da colonização, reis e rainhas.
O local é conhecido como o berço dos grupos de o Coco Raízes de Arcoverde, o Reisado de Caraíbas e, principalmente, do Cordel do Fogo Encantado, banda que tornou o poeta e cantor Lirinha conhecido mundo afora. O município recebe durante o período de momo a tradicional festa de rua, 
Carnaval Folia de Bois, onde os grupos

Boi Furioso, Bola de Fogo, Chifre de Ouro desfilam embelezando a cidade
.


Fonte: PEno carnaval

        Águas Belas            


           CARNAVAL DE ÁGUAS BELAS

O município de Águas Belas, localizado no Vale do Rio Ipanema no Agreste de Pernambuco, é marcado pela forte presença indígena, preservando os traços desses povos em sua cultura. Nos dias de Carnaval, eles também entram em cena e caiem na folia. Um dos destaques é o Fethxa, grupo formado por 15 integrantes da aldeia Fulni-ô e que apresentam, durante os festejos carnavalescos, o tradicional e conhecido, samba de coco. Outra presença confirmada na folia de Águas Belas é a Banda Fulni-ô, formada por nove irmãos que dançam e cantam músicas típicas dos povos indígenas. Ainda ganham as ruas da cidade, na terça-feira Gorda, os blocos carnavalescos: O Berrados, O Zumbi e O Beija-Flor. Águas Belas está localizada a 315 km da capital pernambucana e o acesso à cidade pode ser feito através da BR-232 ou da BR-432.

Fonte: PEnocarnaval

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

‘Fusca Cultural’ faz prévia carnavalesca em Camaragibe

Programação incentivada pelo Funcultura, aconteceu neste sábado (11) o bloco A Boneca do Boy, Orquestra 100% Camará, Coco do Ilê e Tambores do Ilê.

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Boi Camarás, atração homenageada da 7ª edição do projeto cultural.
O bairro do Alberto Maia, em Camaragibe, contou neste sábado (11) com uma animada edição do projeto Fusca Cultural. Já no clima das prévias carnavalescas, o projeto  homenagou a tradicional agremiação Boi Camarás, tendo ainda as apresentações do bloco carnavalesco A Boneca do Boy, Orquestra 100% Camará, Grupo Coco do Ilê e Grupo Percussivo Tambores do Ilê. Incentivada pelo Governo de Pernambuco, através do Funcultura, a programação começou às 20h, na Rua Getúlio Vargas, localizada nas proximidades da Padaria Nossa Senhora do Carmo.
Iniciando a noite, o Coco do Ilê e o Grupo Percussivo Tambores do Ilê fezeram uma apresentação conjunta, tocando e cantando ritmos como afoxé, coco, samba, ciranda, samba reggae, maracatu e manguebeat. Em seguida, as demais atrações se apresentam individualmente, destacando ritmos carnavalescos. O ‘Fusca Cultural’ tem como objetivo agraciar grupos populares de Camaragibe, promovendo intercâmbio cultural, resgate e preservação da memória destas manifestações, nas comunidades onde predominam as diversas formas de expressão popular da cultura local.
De maneira inclusiva, o projeto também acontece buscando promover uma atenção toda especial às pessoas com deficiência e portadoras de necessidades especiais, além de estimular a participação das mesmas nas cerimônias – fazendo com que elas possam conhecer um pouco mais da cultura do município.


Kapinawás ressignificam a cultura ancestral através do design

Povoado indígena recebeu no último mês duas etapas do projeto 'Ocupação, Estamparia e Grafismos Kapinawá', que incentiva a criação de uma estampa inspirada na etnia.


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o objetivo deste trabalho é desenvolver, num processo colaborativo junto aos Kapinawás, uma série de estampas têxtis inspiradas na etnia
O povo indígena Kapinawá, cujo atual território fica localizado no sertão pernambucano, próximo ao município de Buíque, viveu nos últimos dias uma experiência de resgate dos símbolos e de sua cultura ancestral através da arte. Entre os dias 30 de janeiro e 4 de fevereiro, a designer Zzui Ferreira e a artista visual Lia Letícia estiveram na aldeia Mina Grande para oferecer uma oficina de estamparia manual, que integra a segunda parte do projeto Ocupação, Estamparia e Grafismos Kapinawá, que conta com incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura.
De acordo com Zzui Ferreira, idealizadora do projeto, o objetivo deste trabalho é desenvolver, num processo colaborativo junto aos Kapinawás, uma série de estampas têxtis inspiradas na etnia local em diálogo com os símbolos ancestrais deste povo. “Em todas as atividades nós ouvimos e orientamos os participantes com o propósito de colocarmos eles em contato com as pinturas e gravuras rupestres da região, através de uma reapropriação dessa identidade. Decidimos fazer tudo juntos, dentro de um conceito chamado de Design Social, que basicamente é trabalhar com comunidades tradicionais”, explica. Ainda segundo ela, a escolha dos Kapinawás se deu pela presença dos sítios rupestres que existem no entorno das aldeias e por manterem a tradição de se aplicarem pinturas corporais em rituais e encontros..
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De acordo com a artista visual Lia Letícia, sua oficina foi basicamente sobre o conhecimento em torno da pintura
A artista visual Lia Letícia, que tem 20 anos de experiência em pintura e estamparia, conta que a sua oficina foi basicamente sobre o conhecimento em torno da pintura. “Exploramos o universo da cor, do espaço, das linhas e da composição e trabalhamos em diversos suportes têxteis, desde o algodão até a lona. Tudo utilizando a construção gráfica e simbólica que eles vinham adquirindo e criando. Além disso, compartilhei uma técnica de serigrafia caseira, e que pode ser aplicada com baixo impacto de químicos”.
Lia Letícia conta também que se impressionou com o grau de coletividade do povo Kapinawá. “Para mim, que sou educadora, sentir esse impacto real, sem firulas, é incrível. Principalmente no momento atual em que a arte está sendo banida do currículo das escolas. Eram pra ser 20 pessoas, acabou que na oficina tivemos 23 participantes, entre adultos, adolescentes e crianças, um auxiliando o outro. Algo muito bonito de se ver, principalmente pra quem vive na cidade onde essa união e companheirismo são tão raros”, conta. “Outro momento emocionante foi quando uma das lideranças da comunidade falou ‘que de agora em diante eles não precisariam mais mandar pra gráfica da cidade as suas camisetas, porque eles mesmos iriam imprimir’”, revela a artista.
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As aulas exploraram o universo da cor, do espaço, das linhas e da composição em diversos suportes têxteis, desde o algodão até a lona
A terceira e última etapa do projeto será uma mostra expositiva do conjunto de símbolos criados pelos indígenas, com curadoria de Zzui Ferreira. “A gente está numa perspectiva de realizar esta exposição entre abril e junho deste ano, mas depende muito deles. Precisamos ainda conversa sobre como os Kapinawás querem expor estes trabalhos. Além disso, essa última fase é mais demorada porque eu vou fazer outra imersão para finalizar todas as estampas produzidas”, explica a designer, ressaltando que algumas informações relacionadas ao projeto estão disponíveis na internet. A equipe conta ainda com a produção executiva de Daniela Azevedo.
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Nos dias 16 a 20 de janeiro o grupo realizou visitas a vários sítios rupestres da região
Antes das oficinas, foi realizado o primeiro contato com o povo indígena, uma imersão aos sítios arqueológicos que ocorreu durante os dias 16 a 20 de janeiro. “Tivemos na ocasião o auxílio de um profissional da arqueologia e escolhemos, em conjunto com os participantes, alguns sítios próximos às aldeias para visitarmos. A imersão durou quatro dias, um destinado à roda de conversa para combinar com eles como seria as visitas, e os outros três para os trilhas. A pesquisa gráfica foi muito importante para ficarmos mais entrosados e, assim, pudemos identificar símbolos ancestrais, como rodas e círculos, aos quais vinculamos muitos hábitos que eles ainda mantêm até hoje, como os movimentos circulares tão presentes no Toré, por exemplo”.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

Maestro Forró e OPBH "Frevando em Paris"





CARNAVALCarnaval 2016: Como Francisco virou Maestro Forró e levou o frevo para o mundoHomenageado do Carnaval do Recife 2016, Maestro Forró revela por que está sempre de óculos escuros, como iniciou a carreira e quais os próximos
 projetos

Não há, em todo o Largo da Bomba do Hemetério, Zona Norte do Recife, quem não saiba apontar o caminho para a casa do Maestro Forró. Aos 41 anos, o músico mudou de endereço uma única vez, para duplex construído na mesma rua onde nasceu e foi criado pelos pais, a professora aposentada Maria da Penha e o artista popular Zé Amâncio do Coco, dos quais é vizinho. 

Homenageado do Carnaval do Recife deste ano, vivendo o que considera seu melhor momento, ele até gosta quando lhe perguntam se planeja deixar a comunidade ou mesmo o país: “Nunca cogitei.” Orgulhoso, reforça que vem, ao contrário, fortalecendo as raízes, com novo CD e episódios inéditos do programa Andante (estreia dele na televisão), previstos para serem lançados ainda neste semestre. Ambos, como todos os projetos concebidos por ele, nasceram no terraço de casa. 

Foi na Bomba que Francisco Amâncio da Silva, nome registrado nos documentos, absorveu as primeiras influências musicais. “Desde a infância, vejo a comunidade ferver com ritmos distintos em harmonia. A periferia é assim. Enquanto um coral se apresenta na igreja, os toques da umbanda soam mais à frente, com ecos de ensaios do coco, dos caboclinhos e dos maracatus”, conta o instrumentista. Filho de mestre do coco e irmão de pianista erudito, aos cinco anos de idade ele já tocava zabumba. Na adolescência, teve as primeiras aulas de música na Escola de Referência em Ensino Médio Dom Vital, em Casa Amarela. É para essa fase que a memória aponta quando o Maestro Forró busca a gênese do que se tornou sua missão: eruditizar o popular e popularizar o erudito.

Maestro Forró recebeu o apelido numa festa junina. Foto: Ricardo Fernandes/DP
Maestro Forró recebeu o apelido numa festa junina. Foto: Ricardo Fernandes/DP

Do professor de música Tenório, Francisco Amâncio recebeu o apelido de “Forró”, aos 12 anos - quando, numa festa junina, foi o único a apresentar canções de nomes tradicionais como Azulão e Luiz Gonzaga, enquanto os colegas cantavam lambada, moda nos anos 1980. Do mestre paraibano Naílson Simões, recebeu as primeiras lições de trompete. Ao designer pernambucano de calçados Jailson Marcos, encomendou as sandálias com as quais sobe ao palco, sempre vestindo bermuda e camisa de botão. E, assim, surgiu o personagem Maestro Forró. “Faça sol ou chuva, seja dia ou noite, o Maestro Forró usa sempre óculos escuros. É o principal adereço do personagem, criado para desburocratizar e desmitificar a figura do maestro”, explica o músico. 

Há 14 anos à frente da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, criada por ele como desdobramento da Escola Comunitária de Música da Bomba do Hemetério - coordenada pessoalmente até hoje -, Maestro Forró rege 21 músicos e seis técnicos em palcos do Brasil e do exterior. Todos são moradores da comunidade onde vive o regente. “Não queremos ser somente frevo, nem somente mangue, nem maracatu. Não queremos ser bregas, nem chiques. Apesar das inúmeras referências, criamos algo único, sem rótulo. Somos nossa própria raiz.”

>> MultiProjetos

Carnaval
“Para o Baile Municipal, no próximo dia 30, convidei Lenine, Geraldinho Lins e Gerlane Lops para homenagear comigo Chico Science, que neste ano faria 50 anos, e lembrar os 40 anos da morte de Nelson Ferreira. No show de abertura do Carnaval do Recife, no dia 5 de fevereiro, no Marco Zero, recebo no palco Lenine, Naná Vasconcelos, Cannibal, Fred 04, Lirinha, Chico César, Otto, Johnny Hooker, Luiza Possi e o Maracatu Nação Pernambuco. Serão duas horas de show.”

Mercado
“Não se pode falar nem usar a palavra ‘mercado’, que logo mencionam a Bahia, a proteção de mercado, a dominação do sertanejo… Penso que tudo que tem qualidade requer trabalho. Fazer sucesso e se manter no mercado requer trabalho. Essas pessoas estão trabalhando. Eu também. É preciso reduzir a qualidade musical para penetrar o mercado? Na minha opinião, não. Só se pode viajar em turnê com número reduzido de músicos? Também não. Embarco muitas vezes com a orquestra inteira. Quero continuar disseminando o frevo, o maracatu, o nosso folclore pelo mercado.”


Televisão
“Com a estreia da primeira temporada do Andante na tevê aberta (Rede Globo), em dezembro, falei sobre minha relação com a Bomba do Hemetério. Os outros nove episódios foram gravados na Turquia, na Bulgária e na Romênia. A segunda temporada está sendo finalizada e foi gravada em Cuba. O programa, dirigido por Alessandro Guedes, trata das semelhanças culturais entre os povos. Os cânticos mulçumanos, por exemplo, lembram o aboio nordestino. Os temperos do Leste europeu são iguais aos nossos. Todos somos muito parecidos.”

Disco
“Desenvolvemos, há dez anos, o projeto Fole Assoprado, que neste ano será transformado em disco homônimo, em comemoração a essa década na estrada. Fazemos turnês pelo país, principalmente no período junino, tocando forró sem sanfona. Escrevi os arranjos para que os metais substituam a sanfona. As pessoas nem percebem. Nesse projeto, me apresento vestido de Lampião, e os músicos da orquestra, de personagens das quadrilhas juninas. Parte do repertório é autoral, parte é releitura de Gonzaga, Sivuca e outros mestres.”


Fonte: DP