domingo, 19 de fevereiro de 2017

       

              CARNAVAL DE PETROLINA

Localizada nas margens do famoso Rio São Francisco, no Sertão do estado de Pernambuco,a cidade de Petrolina tem um carnaval agrega todos os gostos. O genoino samba de véio é uma tradição da cultura popular do município e se faz presente nos festejos locais,trazendo um pouco das raízes seculares das matrizes indígenas e africanas. A programação carnavalesca de Petrolina se divide entre desfiles,cortejos e manifestações de chão,além de atrações de palco.A festa acontece nos horários vespertinos e noturnos com grande concentração na Praça Sete de Setembro. Para chegar a Petrolina partindo do Recife,o visitante deve seguir pela BR 232 até Cruzeiro do Nordeste e depois pegar a PE 360 até Floresta,posteriormente pegar a BR 316 seguindo pela BR 428 e finalmente ter acesso à BR 122. Também a vôos diários para lá Petrolina fica a 722 km da capital pernambucana.

PEno carnaval
Salgueiro: Tabacaria começa a esquentar os foliões com prévia marcada para hoje.

Uma das agremiações mais queridas de Salgueiro (PE), no Sertão Central, A Tabacaria começa a esquentar os foliões neste domingo (19), a partir das 16h, numa prévia que mostrará toda a animação prevista pela troça para o Carnaval deste ano, cuja abertura oficial acontecerá no próximo dia 24 de fevereiro. A concentração será na Praça da Bomba e deve atrair uma multidão de adeptos da Folia de Momo.

Há 17 anos homenageando o poeta português Fernando Pessoa, transformado em boneco gigante, a Tabacaria vem conquistando a cada ano um número maior de seguidores. O desfile sairá em direção à Avenida Agamenon Magalhães, com uma pausa na estátua do Cristo e um dos seus idealizadores, o médico olindense radicado em Salgueiro, Radson Dias de Souza, recita Tabacaria. "Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo".

Esse, também é o momento em que o Mestre Jaime, criador da Bicharada (o bloco de bonecos gigantes que é um dos carros-chefes do Carnaval de Salgueiro), em sua versão olindense, também gigante, encontra-se com Fernando Pessoa.

O som dos músicos das orquestras Cultura Pernambucana, Imperial e do Maestro Paixão aumentarão o alcance do toque do frevo para a coreografia dos passistas da Cia Soul Dance e do público. O Maracatu Baque Virado Nação Salgueirense enriquecerá mais ainda o cortejo, com toda a sua corte: rei, rainha, súditos, lindas baianas e o ritmo marcado das alfaias.




      Cobra Jararaca/Carnaval de Alagoas

Grupo constituído de dez a quinze pessoas que trajando shorts, lambuzam-se com tintas e pós e brincam durante o carnaval amarrados por uma corda. A brincadeira foi criada em 1998 ,em Maceió no Pontal de Coruripe por um pescador chamado Mané do Balaio a muitos anos passados.
               

                  CARNAVAL DE OLINDA

Famoso e conhecido por suas ladeiras,blocos,troças e bonecos gigantes.
A tradição,beleza e criatividade tomam conta da folia olindense.


Desfile de agremiações famosas como Pitombeira dos Quatro Cantos,Vassourinhas,Elefante,Marim dos Caetés e Homem da Meia Noite agregam charme e tradição a festa.


A criatividade e irreverência carnavalesca podem ser encontradas em cada canto da cidade alta,levando foliões de todas as partes do Brasil e do mundo a cair no passo junto a blocos como o Eu Acho é Pouco,Enquanto Isso na Sala de Justiça.


Na terça-feira, o desfile de bonecos gigantes é uma das grandes atrações,transformando as ladeiras em uma grande passarela,que encanta público de todas as idades.

Não é atoa que Olinda tem o carnaval mais popular do Brasil.
Vista sua fantasia e caia na folia.

 PEnocarnaval


FOLIA DE CULTURA POPULAR EM PAUDALHO

Paudalho se transforma no carnaval. Terra do Frevo,Bumba-Meu- Boi,Maracatu Rural,dos Ursos e Caboclinhos,totalizando mais de 120 agremiações.
À margem da BR 408,na Zona da
Mata Norte do Estado de Pernambuco,o município habita clubes antigos,como o centenário Clube dos Lenhadores,que desfila desde 1907 na cidade.





Cultura popular,cortejos e expressões carnavalescas vão fazer parte da festa. Paudalho fica a 40 km do Recife

sábado, 18 de fevereiro de 2017




                Boi de Carnaval de Alagoas

Boi feito com armação de madeira e coberto com tecido vistoso ou chitão. Sai às ruas durante os três dias de carnaval fazendo pedincha de dinheiro, de bebida ou vendendo o boi. Sua origem é européia, africana e ameríndia. Os bois que surgem em Alagoas recebem influência dos bumbas, reisados e guerreiros.

‘A Mulher da Sombrinha’ movimenta festejos pré-carnavalescos na Mata Sul

Agremiação sairá da frente do Cemitério Sagrada Família neste sábado (18), a partir da meia noite.


Foto: Priscilla Buhr
Foto: Priscilla Buhr
Tradição pré-carnavalesca comemora 34 anos de existência.
A tradicional agremiação alusiva a uma lenda fantasmagórica conhecida por mulher da sombrinha, originada em Catende, na Mata Sul de Pernambuco, integra a programação pré-carnavalesca da cidade. Com apoio do Governo do Estado, através da Secult-PE e da Fundarpe, a 30ª edição do bloco ‘A Mulher da Sombrinha’, Patrimônio Imaterial de Pernambuco, estará novamente envolvendo o mistério do traje que a boneca gigante veste, o qual só é revelado durante a realização do cortejo.
Possuindo como tema ‘Vou danado pra Catende, com vontade de pular!’, o pré-carnaval da cidade conta no aquecimento para a Folia de Momo, com a animação de atrações como o trio e banda Asas da América, Gil Bala e DJ André, bloco Os Atrevidos, Igor Kannario, Trio da Huanna, bloco Os Vagabundos e a banda Virados do Forró.
No sábado (18), o cortejo do bloco ‘A Mulher da Sombrinha’ estará saindo pontualmente à meia noite, da frente do Cemitério Sagrada Família, localizado no centro da cidade, contando com apresentações dos cantores Marcos Catende e Geraldinho Lins, além das bandas Peões Elétrico e Harmonia do Samba. A Prefeitura de Catende, responsável pela realização do cortejo da agremiação, estima que este ano cerca de 10 mil pessoas estejam participando da programação, que se estende até o domingo (20).
A lenda da mulher da sombrinha, que é cercada de mistério e que permanece até hoje nos comentários da população da cidade, também envolve o desaparecimento da mulher em frente ao portão do cemitério, na presença das vítimas seduzidas, como também de homens que terminaram acordando em cima de uma cova. O bloco foi criado no ano de 1983, pelos carnavalescos Tomires e Jorge Benjamim, com incentivo de um grupo de amigos. Atualmente, a agremiação é mantida pela prefeitura local.
Programação do pré-carnaval 2017 de Catende:
- Quinta-feira, 16 de fevereiro21h | Centro da cidade
Atrações: Trio e Banda Asas da América
- Sexta-feira, 17 de fevereiro
21h | Centro da cidade
Atrações: Gil Bala e DJ André, bloco Os Atrevidos e Igor Kannario
- Sábado, 18 de fevereiro
Meia noite | Cortejo do bloco ‘A Mulher da Sombrinha’
Saída do Cemitério Sagrada Família
Atrações: Marcos Catende, Geraldinho Lins, Peões Elétrico e Harmonia do Samba
Domingo, 19 de fevereiro
21h | Centro da cidade
Atrações: Trio da Huanna, bloco Os Vagabundos e Virados do Forró


NAZARÉ DA MATA E OS MARACATUS RURAIS

O município de Nazaré da Mata tem um grande diferencial,que atrai vários admiradores e foliões durante o carnaval: Os maracatus rurais,que são uma forte tradição.
O grande encontro de maracatus de baque solto acontece na segunda feira de carnaval e reúne 32 grupos,com destaque para o Cambinda Brasileira,
Estrela de Ouro de Aliança, Coração Nazareno(composto só por mulheres)e o  Leão Misterioso. Além do dia do encontro,em Nazaré da Mata o carnaval acontece também no domingo e na terça-feira de carnaval e não pára por aí. Importantes artistas passam pelo palco de Nazaré e também nas ruas da cidade.
Com animação de grupos como o Bloco do Jacaré que percorre a cidade durante os quatros dias de folia,arrastando mais de 10 mil pessoas por dia.
Localizada a 50 km do Recife,o acesso para a cidade,na Zona da Mata Norte,se dá pela BR 408.
             

CARNAVAL DE JABOATÃO DOS GUARARAPES

O carnaval da Região Metropolitana do Recife é tradicional e muito animado. Com shows,cortejos e trios elétricos que agitam os dias de folia. As atrações da semana pré carnavalesca de Jaboatão dos Guararapes se concentram na orla do bairro de Piedade,onde os trios elétricos circulam e animam os brincantes.
Já no carnaval,a folia é descentralizada,com shows de atrações locais e nacionais acontecendo em diferentes  pólos,ao mesmo tempo. Além de todas as atrações nos  palcos,o carnaval de Jaboatonense também é de rua, com a irreverência de 380 agremiações,entre troças e blocos,num grande evento que favorece o povo e a cultura popular.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017



Bacanal do Bandeira espalha poesia e lirismo pelas ruas do Recife

Além do tradicional desfile, o Bloco Bacanal do Bandeira oferecerá uma oficina gratuita de interpretação teatral, com Ana Nogueira. As inscrições começam nesta segunda-feira (6)


Alexandre Lucena/Divulgação

O bloco é conhecido por levar poesia às ruas recifenses durante o período momesco
A poesia de Manuel Bandeira vai tomar conta das ruas do centro do Recife, no próximo dia 17/2 (sexta-feira), com a saída do Bloco Bacanal do Bandeira. Criado há seis anos, a agremiação foi inspirada no livro Carnaval, do poeta Manuel Bandeira, lançado em 1919, que marcou uma espécie de libertação do artista em relação à herança parnasiano-simbolista e consolidou o nome de Bandeira entre os grandes expoentes do Modernismo. A concentração acontecerá às 17h, na frente do Espaço Pasárgada, e contará com a participação do bloco lírico Flabelo Encantado.
Nessa sexta edição, o Bacanal do Bandeira ganhará um novo hino, composto pelo presidente do Flabelo Encantado, Ricardo Andrade. “A letra é a mesma, o que há de inovação é a melodia que dessa vez ganhará um ritmo mais lírico para combinar com a proposta da agremiação”, contou Marília Mendes, gestora do do Espaço Pasárgada. Outra novidade desse ano é a saída do boneco de Manuel Bandeira irá desfilar pelas águas do Capibaribe, nesta segunda-feira (6), a partir das 15h, dentro da programação do Catamaran Tours. “Durante o percurso, o catamarã passará próximo às ruas imortalizadas pelos poemas de Bandeira, como Rua da União, Rua da Aurora e Rua da Saudade”, disse Cláudia Heráclio, gerente de Marketing e Comunicação do Catamaran Tours.
Oficina
De 13 a 17 de fevereiro, o Espaço Pasárgada oferecerá ainda a oficina gratuita de interpretação teatral A Poética do Carnaval, com a atriz e arte/educadora Ana Nogueira, que irá trabalhar a dramaturgia das poesias de Manuel Bandeira reunidas no livro Carnaval (1919). Ao final, os participantes da oficina irão compor o cordão poético-teatral da Troça Carnavalesca Mista Bacanal do Bandeira, com declamação e interpretação de cenas curtas, durante seu já tradicional desfile na sexta-feira da semana pré-carnavalesca. Além da análise dramatúrgica dos poemas de Bandeira, os participantes irão treinar técnicas de leitura, respiração e interpretação.
Daniela Nader/Divulgação
Daniela Nader/Divulgação
Ana Nogueira é atriz, palhaça e arte/educadora licenciada em Artes Cênicas pela UFPE e graduada em Jornalismo pela UNICAP. Participou como atriz e produtora em diversos grupos teatrais no Recife, Rio de Janeiro e Brasília. Acumula experiências em performance, palhaçaria e interpretação
Os encontros serão realizados à tarde, das 14h às 17h, no Espaço Pasárgada e no Teatro Arraial. As apresentações serão realizadas ao longo do desfile da troça que fará paradas em três locais: a primeira na concentração da Troça, na rua da União, em frente ao Espaço Pasárgada, a segunda na rua Mamede Simões e a terceira na escultura de Manuel Bandeira, na rua da Aurora. Serão oferecidas 25 vagas, e os interessados poderão se inscrever através do telefone (81) 3184.3165 e (81) 99981.8343 ou pelo e-mail: pasargada.fundarpe@gmail.com. As inscrições começam nesta segunda-feira (6) e seguem até a próxima sexta-feira (10).
“Esse projeto é uma integralização do estudo da obra do poeta com ações educativas que envolvem oficinas, recital de poesias e o desfile da Troça Carnavalesca Mista Bacanal do Bandeira pelas ruas citadas no poema Evocação do Recife, livro Libertinagem, de 1930, com paradas durante o percurso para recital de poesias e apoteose na estátua de Manuel Bandeira, localizada na Rua da Aurora”, disse a gestora do equipamento cultural.
Serviço
Bloco Bacanal do Bandeira
Quando: sexta-feira (17/2), às 17h
Onde: Espaço Pasárgada (R. da União, 263 – Boa Vista, Recife – PE)




 Hoje tem a poesia do Frevo de Bloco no Mercado da Ribeira! O Bloco Flôr da Lira de Olinda realiza a 17ª edição do Baile Monumental, a partir das 20h, com o cortejo das agremiações líricas Eu Quero Mais, Trovadores em Folia e Seresteiros de Salgadinho, e shows do cantor Paulo Pecado e da banda Batuketu. Também ocorrerá a entrega do prêmio Amigos da Cultura, e a coroação da Garota Monumental.
O evento é gratuito. Vem cantar com a gente:
"Se Duarte Coelho soubesse
Dos carnavais de Olinda
Pediria ao criador
Para voltar ao Alto da Sé
E dançar um frevo rasgado
Na cidade que ele fundou
Vem, vem, vem Dudu
Venha ver Flor da Lira passar
Pois o frevo está em Olinda
E chegou para ficar!"
 🎼🎺

           


        CARNAVAL DA ILHA DE ITAMARACÁ

  A Ilha de Itamaracá fica situada no Litoral Norte de Pernambuco e cerca de 40 quilometros do Recife. Como não poderia deixar de ser, a sua maior representante é a cirandeira Lia de Itamaracá.
Cercada por cenários paradisíacos,com águas mornas,coqueiros e piscinas naturais, a folia na ilha acontece com 38 blocos de frevo,trio elétricos e 4 cortejos,que percorrem 2,5 kms,em um percurso de Jaguaribe a Pilar.
Na terça-feira de carnaval o bloco " As Catraias " toma conta da ilha,bloco irreverente que reúne 500 mil foliões atrás de seis trios elétricos. O carnaval da ilha tem se consolidado como um dos grandes carnavais  do estado de Pernambuco.


Fonte: PEnocarnaval
                               

                            CARNAVAL DE IPOJUCA

Ipojuca é lembrada pelas famosas praias paradisíacas de Porto de Galinhas,Muro Alto,Cupe Maracaípe,Serrambi e Toqui,destino muito procurado por turistas e pernambucanos durante todo ano. Ipojuca é conhecida por ter um carnaval descentralizado,onde vários momentos merecem destaque,como o Bloco da Sucata,considerado o "Galo da Madrugada do Ipojuca",sempre arrastando uma multidão de foliões.
Em Porto de Galinhas o carnaval é marcado pelas autênticas espressões da cultura pernambucana,com a presença de maracatus,caboclinho e afoxés,além dos blocos e troças tradicionais do balneário,que desfilam pelas ruas da Vila Serrambi,Nossa Senhora do Ó e Camela acompanham a diversidade dos ritmos pernambucanos.
O turismo é um dos pontos mais fortes da economia de Ipojuca,por isso a cidade vai receber cortejos durante os quatros dias de folia ! O acesso a Ipojuca é feito pela BR 101 e PE

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017


Uma usina, um cemitério e um bloco de Carnaval

O terror (e a perdição) dos foliões notívagos e seresteiros de Catende


Por: Julya Vasconcelos
Ainda na estrada, uma visão já entrega o espírito do lugar que se aproxima: vemos ao longe a fumaça grossa e cinza-escura que a Usina Catende, cravada entre casas coloridas, joga acima da pequena cidade de mesmo nome, situada na Zona da Mata Sul pernambucana, a 142 km do Recife. Depois, com o carro já passeando pelas ruas, subidas e descidas íngremes revelam uma cidade ladeiriça, que acumula em varandas e calçadas uma poeira preta de carvão. “Tão gostando do carvão de Catende? Tem que varrer o dia inteiro, de dez vezes pra mais”, diz uma moça de vestido e óculos, empunhando uma vassoura e jogando as cinzas pra fora de casa.
São apenas oito e meia da manhã e o sol já reflete forte nas muitas antenas parabólicas e no asfalto das ladeiras de Catende. “Pra onde a gente vai?”, pergunta Seu Edvaldo, nosso motorista. “Pro cemitério”, respondemos arrancando-lhe um olhar incrédulo e um meio sorriso, daqueles de quem estranha.
A verdade é que Catende guarda uma lenda urbana que habita o imaginário dos seus pouco mais de 38 mil habitantes e acabou virando bloco de Carnaval. Absolutamente todos conhecem a história da famosa fantasma loira que seduzia operários, levava-os até o cemitério e aterrorizava-os. “O doceiro disse que viu, não foi?”, conta um morador em meio aos protestos de outro: “Isso não existe não, é lenda!”. “E uma moça, no ano retrasado, contou pra um jornalista que viu uma mulher de sombrinha passando por detrás no bloco”, alguém fala em meio à conversa coletiva. Cada um que conte a sua versão ou saiba de alguém que viu, mas é quase impossível conseguir encontrar pessoalmente com essas testemunhas oculares. O doceiro havia morrido, a moça ninguém sabe quem é ao certo. Há também alguns que são famosos por dizerem haver visto a tal mulher, como Seu Mariano. Mas não há jornalista, rede de televisão ou jornal que o faça falar. Sua memória é guardada a sete chaves.
O primeiro registro dessa história é do ex-prefeito Renato Buarque de Macedo, que escreveu, nos anos 1940, sobre a aparição de uma mulher que assustou um ferreiro chamado José Leandro: “… lenda ou cousa que valha de uma certa visão que aparecia à noite no povoado, e que foi o terror dos notívagos e seresteiros, como ele José Leandro. Tratava-se de uma figura de mulher vestida de branco, cabelos soltos que, de preferência, andava na Rua do Craveiro, hoje 15 de novembro”.

O historiador catendense Eduardo Menezes conta também que os operários do último turno costumavam ficar nas imediações da Usina Catende, por volta da meia-noite, e que então uma loira esplendorosa, com uma sombrinha na mão e uma vestimenta do século 18, passava por eles. Eles acabavam indo atrás dela até o cemitério, completamente seduzidos. Alguns dizem que eles amanheciam o dia sozinhos em cima de uma lápide. Outros, que ela desaparecia diante dos olhos deles na frente do cemitério. E há ainda quem diga que ela não passava, na realidade, de uma mulher que escolhera um cenário pouco usual e acima de qualquer suspeita para trair o marido. Fantasma ou traidora, a Mulher da Sombrinha mexe com a imaginação da cidade e faz muitos foliões aguardarem ansiosos no portão do cemitério pela sua saída – no caso, do bloco que leva seu nome.
E TUDO VIRA CARNAVAL…
Em frente ao grande portão de entrada do cemitério, no sábado de manhã, Seu Lôti Boca de Ponche (apelido de Alberto da Silva Costa) bebe cachaça e se prepara com os amigos, “os papudinhos”, para a saída do bloco da Mulher da Sombrinha. “Somos os bêbados de Deus”, diz Seu Lôti soltando uma gargalhada e enxugando o suor do rosto. Conta, empolgado, que carregou a boneca gigante durante alguns anos. “Parei, porque era muito peso e pouco dinheiro”. Frevos misturados ressoam ao fundo, vindos de dentro dos bares e das casas das pessoas. Este foi um sábado anterior à semana pré-carnavalesca, mas a cidade já vive o clima de esbórnia. O curioso é que, arrematando todo o clima, os celulares passam o dia soando o hino do bloco – composto por Marcos Catende logo nos primeiros anos de existência da agremiação – e que vira o toque por excelência de quase todos os aparelhos dos catendenses.
Seu Lôti pede licença aos companheiros de farra e nos ciceroneia até o local, próximo ao cemitério, onde está guardada a boneca gigante. Em um canto de uma sala úmida de azulejos, a Mulher da Sombrinha espera pela meia-noite coberta por um pano vermelho, com a roupa de três anos atrás (todo ano a roupa nova é um segredo). Seu Lôti, com intimidade, tira o tecido e exclama: “Olha como ela é bonita!”. E nos revela uma boneca de pele, olhos e cabelos claros. Lábios cor-de-rosa, desenhados. Uma beleza europeia, bem distinta daquela das moças bonitas de pele queimada e cabelos escuros que passeiam pelas ruas de Catende.
Uma moto com dois homens acelera na nossa frente. Dela descem um homem de cabelo grisalho e um rapaz moreno-forte-sorridente. Eles são Seu Tomires Cordeiro e Nêgo Amaral. O primeiro é um dos fundadores do bloco e homenageado do Carnaval catendense de 2012; o segundo, o atual carregador da boneca. “Amo mais ela do que a minha mulher!”, diz numa gaitada. Mas os fios dessa história são unidos é por Seu Tomires: a usina, o fantasma, o Carnaval, o cemitério e um grupo de amigos adoradores da folia momesca.
Tudo começou quando Jorge Benjamim, cunhado de Tomires e dono da loja de móveis na qual ele trabalhava, teve que retirar a porta do estabelecimento durante uma reforma. Algum funcionário precisava, toda noite, dormir na loja. Na vez de Tomires, que morria de medo da lenda da mulher da sombrinha, ele pagou para Irmãozinho ficar em seu lugar. O medo de Tomires e a gozação incansável dos amigos acabaram por virar um improvável mote para a farra. Assim, em 1983, Tomires, Jorge Benjamim, Irmãozinho, Sílvio Romero Brito, Inácio Loyola e Bibiu criaram o excêntrico bloco da mulher-assombração; o bloco da Mulher da Sombrinha.
“Era só nós seis, um pistón, um surdo e um tarol”, conta Tomires. “Vê que coisa tão linda que era”, diz em meio a uma risada irônica. Juntando-se ao sexteto, a Mulher da Sombrinha era feita de um cabo de vassoura, um vestido de pano de colchão e um mamão no lugar da cabeça com uma vela acesa por dentro. O sorriso assustador era de palito de fósforos. “A gente ainda botava um cigarro e um bico. E os braços, então! A gente catava papel no meio da rua, enchia um meião de futebol e ia dando lapada no povo na rua”. Quem carregou a fantasma no primeiro ano foi o próprio Tomires, apesar do medo que tinha da lenda. “Botaram só meu nome numa bolsinha e pediram pra um menino na rua sortear. Só deu eu na cabeça”.
Hoje em dia, 29 anos depois, a Mulher da Sobrinha de Catende é Patrimônio Imaterial do Estado, e atrai cerca de 20 mil turistas para a cidade, fazendo a maior festa da Mata Sul de Pernambuco.
Ao sairmos da cidade, Seu Lôti já estava com o rosto coberto de argila, recitando poesias de amor. O frevo tocava mais alto, as fitas coloridas caiam dançantes na frente das casas e os carros começavam, devagar, a tomar a Av. Presidente Vargas, que os moradores insistem em chamar pelo antigo nome: o de Rua da Saudade.