segunda-feira, 19 de abril de 2010




  ZÉ VICENTE DA PARAIBA,SUA VIDA ERA A VIOLA  

            Ele sempre esteve a frente do seu Tempo.foi o primeiro repentista a gravar um LP,cantou e exaltou a natureza. Autor de "Quanto é grande",gravada pelo Cantor e compositor Carioca Rui Mauriti,Alceu Valença , Geraldo Azevedo,Zé Ramalho e Marilia Pera. Nasceu em 1922, em Pocinhos,na época distrito de Campina Grande,na região da chapada da Borborema,na Paraíba. Dedicou sua vida a cantoria de viola e assim viveu exclusivamente do repente,muito cedo,ainda adolescente,conheceu  os caminhos tortuosos dos aedos populares. foi de um tempo  em que o cantador ia  aonde o povo estava,e assim percorreu todo nordeste seguindo o seu caminho,ele a viola e Deus,cantando em lugarejos,fazendas e cidades grandes.Contemporâneo de outras lendas como os irmãos Batistas(Lourival,Dimas e Otacilio),Zé Limeira  e tantos outros.  Nos idos anos 50, recebeu convite para gravar "Violeiros", o primeiro disco de cantoria de viola,gravado no estúdio da Estrada dos Remédios, bairro de Afogados,no Recife,Pernambuco. Na época a Fábrica de Discos Rozenblit,que se firmava como a primeira indústria fonografica fora do eixo Rio-São Paulo. Músicos da MPB descobriram Zé Vicente no inicio dos anos 70 e virou um mito nesse segmento da música popular,conseguiu notoriedade por ter seus versos gravados pelos expoentes da música popular, o seu "Quanto é grande o autor da Natureza" foi cantado em versos e prosas pela vanguarda da MPB,porém direitos autorais,muito pouco ele viu,tanto quanto foi a badalação desse figurões com Zé Vicente. Em pouco tempo ele voltava à rotina,e ao desafio de viola. Assim como tantos outros artistas da cultura popular,Zé Vicente  estava fadado a viver o resto do seus dias no ostracismo,já que não saia mais com a viola mundo afora,foi ai que o Cantor Herbert Lucena encarou em 2005 este desafio de registrar em disco as histórias e poesias do velho cantador ,com alguns de seus improvisos célebre,e participação de forrozeiros e violeiros.Zé Vicente da Paraíba recebeu recentemente uma biografia do Jovem poeta e declamador José Mauro Alencar(Junior do Bode). Faleceu aos 85 anos,em decorrência de complicações com a diabete e um derrame cerebral, morando na cidade de Altinho ,no agreste  Pernambucano,longe das pelejas,muitos imaginavam que houvesse morrido,porém continuava com a memória mais afiada de que muitos cantadores jovens. Mas nada se perdeu no tempo ,o legado de poesia de Zé Vicente,segue com o seu rebento Wellington Vicente,que mora em Rondônia ,onde exerce a função de funcionário público e é um ativista da poesia popular. " Fiz do choro das cordas da viola o maior ganha pão da minha vida." Viva Zé Vicente da Paraíba e o inconsciente coletivo dos errantes violeiros.

William Veras de Queiroz  2010 D.C -Santo Antonio Do Salgueiro- PE.                                      

quarta-feira, 14 de abril de 2010



WILSON ARAGÃO,O CANCIONEIRO DO SERTÃO DE PIRITIBA


   Ninguém traduz  melhor a alegria e as agruras do agricultor do que Wilson Aragão. Sua música fala,principalmente,do homem do campo,suas lutas e anseios,seus amores e dissabores. Sua musicalidade passeiam por galopes,martelos,xotes,baladas e canções.  Tem o sertão Baiano,como pátria,inspiração do seu cancioneiro,sempre voltado para dignidade,humildade e sapiência do sertanejo. Wilson Aragão já faz parte do São João e cantorias pelo sertão nordestino,tornando-se parte  da vida poética da Bahia.
    Wilson Oliveira Aragão é o nome de pia(batismal) desse poeta errante,que nasceu no ano da graça de 1950 num dia qualquer de um distante e frio mês de abril da Chapada Diamantina,A verdejante cidade de Piritiba, acolheu no seu berço pobre e frio o menino Wilson,que levou o nome e a inquietação dos tabaréus da chapada vida afora. Com mais de 20 anos de carreira,4 CDs gravados, participou de várias coletâneas,autor de sucessos como "Capim Guiné," gravada por Raul Seixas e Tânia Alves,"Guerra de Facão" gravada por Zé Ramalho,Falcão ,Antonio Rocha e outros artistas brasileiros. Wilson Aragão,começou a cantar na adolescencia,cantando em corais de igreja e de escolas. Cresceu e deu pro mundo foi embora para a capital da provincia(Salvador) ,andou pela terra da garôa,Minas Gerais,Mato Grosso,Paraíba,Pará e Piaui e outros estados,fazendo shows e divulgando o sua arte em rádios e televisões. Em seu vasto trabalho,já teve parceria com grandes nomes da música brasileira,dentre tantos,está o também baiano e saudoso Raul Seixas que fez parcería na música Capim Guiné,titulo do seu primeiro LP ,que hoje foi regravado em formato CD.
      Este poeta-cantador,faz as suas andanças,sempre irreverente,levando consigo vários "causos" que, sempre bem contados,despertam,no povo,o sentido alegre da vida após um dia de batalha e é respeitado por todos cantadores pela grande luta por uma música de qualidade. tornou-se um grande interprete dos "causos" do  poeta Paraíbano José Laurentino. E no seu universo de causos e canções,o poeta de Piritiba segue a vida.

William Veras de Queiroz 2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-PE.

domingo, 11 de abril de 2010


     BIU ROQUE, E O SOM DOS CANAVIAIS


       Se eu fosse a sua/e não mais uma/as quatros luas eu lhe daría/prá me tornar sua Maria/uma canção eu cantaría/minha resposta ao que ouvi/a mais bela melodia/fui roubar pra minha história/sua poesia de outrora/não por jura ou promessa/nem perdão ou vaidade/debaixo da condesseira / sua Maria de verdade . Letra da música,Valsa para Biu Roque,da Cantora Paulista Céu. Mas a vida nem sempre foi esse céu para esse canavieiro de 72 anos,que quando menino,viu o sol nascer mais cedo nas terras dos engenhos de cana de açúcar em Condado sua     cidade,na zona da mata norte de Pernambuco, o trabalho na palha da cana e a música  andaram pelos mesmo caminhos, desde os 8 anos de idade na vida de João Soares da Silva.hoje residente em Aliança, Biu Roque,tornou-se  ou dos mestres da cultura popular mais respeitados da zona da mata por seu domínio de gêneros musicais tradicionais como o Coco de Roda,Ciranda,Maracatú Rural e as toadas de Cavalo Marinho,além de conhecedor de muitos sambas característico da região. Atualmente lidera o Cavalo Marinho Boi Brasileiro,participa do Maracatú de baque solto Estrela Brilhante de Nazaré da Mata, e integra o grupo Fuloresta, que acompanha  Siba,com o qual já gravou dois CDs independentes e participou de turnês pelo Brasil e Europa,além de exercer fortes influências em diversos grupos e artistas da cena musical de Pernambuco e do Brasil,e de contribuir para diversas pesquisas acadêmicas na área de antropologia,sociologia,etnomusicologia e artes cênicas. Na dissertação "Viva Pareia ! A arte da brincadeira ou a beleza da safadeza:uma abordagem antropológica da estética do Cavalo Marinho",defendida em 2020 no IFCS/UFRJ,pela antropóloga Maria Acselrad, ele é citado diversas vezes dada a relevância de suas informações como homem profundamente conhecedor da brincadeira do Cavalo Marinho. 
  Principal herdeiro da tradição do Cavalo Marinho do Mestre Batista,o grupo Cavalo Marinho Boi Brasileiro,liderado por Biu Roque,ainda conta com sua participação como músico. Sua atuação,sempre muito significativa,contribuiu para o bom relacionamento entre os brincantes.Estimula a participação dos mais jovens,muitos deles,seus filhos,netos e bisnetos. Respeitam o compromisso com a tradição da brincadeira,brincando por cerca de oito horas,sem distanciar da roda,com um vigor de Menino. E assim ele vive seus dias neste  universo dos verdes canaviais da zona da mata pernambucana sobre  a trilha  do banco de Cavalo Marinho,consolidando a história do seu povo e do folguedo popular. 

William Veras de Queiroz 2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-PE.       

terça-feira, 6 de abril de 2010

         ABIDORAL JAMACARÚ


         Ele nasceu na cidade do Crato,região do Cariri Cearense,cantor,compositor e pensador.Uma referência na música daquela região. Ele estudou até a 6 ª série,os pais viam com preocupação, a falta de interesse pelos estudos. Ganhou da Mãe uma bodega,mas abandonava o negocio para jogar bola e tocar violão,como se esperava a bodega faliu. O Pai seresteiro,a música era a grande paixão de Abidoral,começou a tocar como hobby,onde tocou Jovem Guarda,coisa de adolescente.foi na música que encontrou as cabeças pensantes do cariri,numa grande troca de informações,e assim ele foi ao convivio de artistas e intelectuais da região, participou intensamente  do movimento cultural da região e do salão de Outubro,onde tinha  Teatro e música. Conheceu a Bossa Nova, a música panfletária de Geraldo Vandré,Chico Buarque e o Tropicalismo. Mas,antes de tudo isso ,conheceu na infância o folguedo do Crato,Maneiro-pau e muito Luiz Gonzaga. Quando criança,ouviu de tudo nas rádios da região Jackson do Pandeiro,Gonzagão e rock. hoje carrega com ele essas influências do que viu e ouviu embaixo do sol da chapada. Participou dos tantos festivais de músicas do Crato ,no final dos anos 60. Em 1979,foi morar no Sudeste, onde viveu 3 anos no Rio de Janeiro,foi de carona,sem grana. Por lá passou por mil dificuldades,a infinita timidez atrapalhava a sua trajetória. E numa certa manhã,resolveu não sofrer mais e assim veio embora para o Crato. Voltou a Sampa e gravou o disco Avallon,em 1986,com Participações de   Tiago Araripe,Grupo Bendegó  e Xico Carlos.   A volta ao sudeste foi atribuída a falta de bons estúdios na região. Hoje com o três discos gravados,Abidoral ainda é refém da timidez,mas segue a vida com o belo trabalho e o talento que Deus lhe deu.

William Veras de Queiroz  2010 D.C -Santo Antonio do Salgueiro-PE.

domingo, 4 de abril de 2010

              A LONGA CAMINHADA DE UM VELHO CRISTO


  Em 2010, o  ator José Pimentel completa 33 anos interpretando o personagem mais comovente da história da humanidade.Nem sob tortura,ele quer dizer a idade,prefere ficar com a de Cristo,33. A cada ano,além de carregar a cruz de Jesus nos palcos da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém e do Recife,precisa responder  à capsiosas perguntas sob sua aposentadoria."Enquanto eu conseguir carregá-la,vou seguir",adianta. Faz parte do imaginário pernambucano reconhecer e questionar José Pimentel pela longevidade cênica.Esta,aliás,pode entrar no Guiness Book,o famoso livro dos Recordes. Amigos do artista cuidam de sua candidatura ao posto de ator em atividade com mais encenações da Paixão de Cristo,no papel, o principal.
    As marcas do tempo,no entanto,já se anunciam. Os cabelos compridos que usa e que já usava muito antes de fazer o papel do Cristo,e que segundo ele é  influência dos Beatles,  apontam  uma discreta falha. Em 2010,14ª edição de A Paixão de Cristo do Recife,o Cristo estará também acima do peso. Pimentel,narcisista confesso,admite   o vigor fisico não é lá o mesmo das décadas passadas. Mas não pensa em abandonar  os palcos,muitos menos o estrelato. " Só mesmo uma halterofilista para carregar uma cruz  por muito tempo," pontua. Tema de escolas de samba do Recife,Pimentel já disse ser o ator mais preparado para viver o martírio do mais importante simbolo da Igreja Católica. "Eu fico enorme no palco",defende,apesar dos seus medianos 1.70m. E assim com o peso dos anos o velho Cristo vai carregando a sua cruz para felicidade geral dos amantes da mais bela história da humanidade.

William Veras de Queiroz 2010 D.C  - Santo Antonio do Salgueiro- PE. 

quarta-feira, 31 de março de 2010

                                                                                          
NO ESTRADA DA PAIXÃO,TEM UM PARQUE DE PEDRA NO MEIO DO CAMINHO

Na estrada que nos leva a Nova Jerusalém,tem o Parque Memorial de esculturas de pedra  no meio do Caminho. O parque fica no Município de Brejo da Madre de Deus,no agreste pernambucano, a à 2 kms da cidade-teatro de Nova Jerusalém. Inaugurado no dia 2 de abril de 1981,o parque das esculturas possui origem na figura simples do artesão nordestino. Numa determinada época ,trabalhadores de Fazenda Nova,municipio de Brejo da Madre de Deus,encontravam-se sem atividades . Diante das circunstância, o Genial Plinio Pacheco,que tinha construido uma réplica da cidade de Jerusalém,resolveu aproveitar  a mão de obra ociosa e colocar mais um dos seus fantásticos projetos em ação, e assim as pedras cantaram no meio da caatinga agrestina. Munidos de ferramentas em punhos  quebraram o sono das pedras e as  transformaram em criaturas inanimadas do folclore nordestino sobre o granito.  

Através da criatividades dos artesãos,incitada pela razão de assegurar a preservação da memória pernambucana. Nos três meses que levam para confeccionar uma escultura tem expressivo significado para aqueles trabalhadores,é que eles acreditam que a figuram que produzem surge de dentro da pedra. Agrupadas em nove setores,cada uma com uma temática diferente,as 37 peças graniticas presentes no parque possuem o tamanho variável entre três e sete metros de altura. A partir da religião,da música e do folclore as esculturas contam a formação da gente nordestina. Desde a emblemática figura de Lampião até a vendedora de tapioca,muitos são os personagens apresentados no parque.  O passeio no parque pode ser realizado de carro quanto numa caminhada ao lado das esculturas. Tudo isso num cenário agrestino em meio a avelozes pedras e cactus,num contato direto com a cultura pernambucana. O parque das esculturas tem uma  área de 60 hectares e está aberta para visitação das 7h às 11h e das 13h às 17h durante toda semana. O ingresso custa 5,00 R$ para carros pequenos e 10,00 R$ para ônibus.  

William Veras de Queiroz 2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro-PE. 

segunda-feira, 29 de março de 2010

NOVA JERUSALÉM,O MAIOR TEATRO AO AR LIVRE DO MUNDO .

                  Nova jerusalém,situada no distrito de Fazenda Nova,município de Brejo da Madre de Deus,no agreste Pernambucano,a 180 kms do Recife,é lá que está o maior teatro ao ar livre do mundo,e que tornou-se internacionalmente conhecida depois que,em 1951,um grupo de amigos e parentes comemorou a páscoa de forma original,encenando o "Drama do Calvário," os atores,na maioria agricultores humildes,não poderia imaginar o sucesso em que se transformaria,com o passar do tempo,sua Paixão de Cristo. A encenação da Paixão de Cristo,passou a ser  uma tradição da familia Mendonça,que encenava a peça teatral pelas ruas do pequeno vilarejo. Com a entrada do gaúcho Plinio Pacheco na familia,em 1956,ele que era oficial da Aeronáutica e que casou com  Diva,uma das filhas de Epaminondas, o velho chefe do clã Mendonça,os sonhos não custaram a sair do papel. A iniciativa partiu do patriarca, depois de ter lido numa revista como os Alemães da cidade de Oberammergau encenavam a Paixão de Cristo.Já a idéia de construir uma réplica da cidade de Jerusalém partiu  do genial Plinio Pacheco,que levou doze anos para concretizar o seu projeto. Em 1968,foi inaugurada a cidade -Teatro de nova Jerusalém. Uma obra monumental  cercada por uma muralha de pedras com 100 mil metros quadrados e 70 torres.A grandiosidade do espetáculo também estão nos números:  são  550 atores e figurantes,400 profissionais que formam equipes de som,luz,maquilagem,penteados,contra-regras,guarda-roupa,hospedagem,alimentação,atendimento médico,segurança,administração,produção e coordenação;24 mil refeições são fornecidas a atores,equipes técnicas e administrativas durante a temporada de ensaios e de espetáculos;são 9 dias de espetáculos;860 refletores são utilizados para  iluminar cenários e platéias,num total de,aproximadamente 1,29 milhões de watts de potência;som de última geração com um sistema individualizado em cada um dos nove palcos-platéias da cidade- teatro com potencia total de 154 mil watts de potência;800 peças de figurinos fazem parte do guarda-roupa principal e roupas reservas; 13 catracas eletrônicas são colocadas para o acesso do público.  Os atores tomam cerca de duas horas para percorrer toda a área de encenação;sim,em vez  dos cenários serem alterados a cada cena,como em um teatro convencional,são os atores que se locomovem pelos cenários. Mais recentemente,atraída pela   fama   adquirida ao longo de anos pelo espetáculo de Nova Jerusalém, a Rede Globo se interessou em patrociná-lo e empresta-lhe a participação de atores do seu elenco,Suzana Vieira ,é a mãe do Salvador, Eriberto Leão,encena Jesus Cristo,Paulo Cezar Grande encena pilatos,Mauro Mendonça é Herodes,Dig Dutra encena Maria Madalena.  Isso deu maior visibilidade na mídia às encenações,mas a fama e o prestigio do espetáculos encenado anualmente ali são mais antigos. Em 2009, a estimativa é que 72 mil pessoas assistiram ao espetáculo,proviniente de 23 estados brasileiro e de 11 paises.  

William Veras de Queiroz  2010 D.C  Santo Antonio do Salgueiro- PE 

sábado, 27 de março de 2010

  
                                     MATINGUEIROS
     Eles  representam a mais pura tradução da cultura popular   no vale do São Francisco,traduzindo-se numa interlinguagem didaticamente globalizada ,incorporando elementos contemporâneos sem descaracterizar os folguedos tradicionais,grandes fontes de inspiração,recriação e farol que guia a linha de trabalho dos Matingueiros. Fundado no distante mês de Maio de 1999,em Petrolina, por um ex- Professor de literatura e redação,o recifense, Wagner Miranda.  Que trocou as praias do litoral pelas águas do  rio São Francisco,Ele veio para a região para dar uma sacudida no combalido movimento cultural da década de noventa,trouxe com ele  a influência do Mangue-beat que imperava na capital Pernambucana e do maracatú Nação Pernambuco. Reuniu artistas de vários seguimentos e montou um espetáculo de música e dança,com um rico figurino. Dentre os folguedos apresentados pelo grupo estão samba de véio,xaxado,maracatú,afoxé,maculelê,ciranda,caboclinho,côco,frevo,xote e baião e muitos outros que torna a cultura nordestina do Brasil numa das mais diversificadas do mundo. O grupo Tem três CDs lançados,que tiveram o auxilio luxuoso de grandes nomes da MPB como Geraldo Azevedo,Quinteto Violado,Hermeeto Pascoal,Dominguinhos,Genival Lacerda,Naná Vasconcelos,Siba,Jorge Mautner,Lia de Itamaracá,Jessier Quirino entre outros nomes de expressão da música Brasileira,que contribuiram para o engrandecimento do trabalho do grupo. O espetáculo traz toda essa riqueza musical,somadas aos movimentos e evoluções do balé Matingueiros que ao longo do show vestem mais de trezentas peças de um exuberante figurino composto a partir de manifestações folcloricas tradicionais: os bordados  e as cores dos maracatús. as canções e os figurinos são criados e produzidos pelo próprio grupo;sem esquecer que os elementos primordiais do sincretismo e da alquimia Matingueira tem suas origens sobre tudo além ponte,unindo Pernambuco e Bahia,Petrolina e Juazeiro .E para perpetuação do gênero,os Matingueiros oferecem oficinas e workshops didáticos de dança popular,percussão,adereçamento,fabricação de instrumentos,literatura de cordel  e composição musical,onde pessoas de qualquer idade deixam de ser apenas admiradores da cultura popular para serem criadores agentes propagadores. O espatãculo já levou a nossa cultural ao brasil e exterior. Foi o primeiro a levar a cultura Pernambucana a China,em 2002,onde fizeram 40 apresentações,de lá trouxeram além da experiência,alguns instrumentos que incorporaram aos que já tocam. Os Matingueiros pretendem comemorar os dez anos de carreira com shows,discos e um longa-metragem,pondo em evidência esse trabalho tão artesanal que numa profusão de sons, imagens   e expressõe celebram a identidade do nosso povo e mostram a grandiosa  arte de ser MATINGUEIROS.


William Veras de Queiroz 2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro-PE.    

quinta-feira, 25 de março de 2010

                                    Sobreviventes do massacre

CALDEIRÃO DE SANTA CRUZ DO DESERTO, UMA CANUDOS NO SERTÃO DO CEARÁ  

                                                            FINAL


                Padre Cicero resolveu alojar o Beato e os romeiros numa grande fazenda denominada de Caldeirão dos Jesuítas,situada no Crato,onde recomeçaram o trabalho comunitário,criando uma sociedade igualitária que tinha como base a religião. Toda a produção do Caldeirão era dividida igualmente ,o excedente era vendido e,com o lucro,investia-se em remédios e querosene. Em  pouco tempo, a organização e disciplina do beato e seus seguidores transformaram aquela terra abandonada,situada a 20 kms do Crato e com 900 hectares em terra produtiva. Lá a terra era de todos  e a terra era de ninguém. Esse era um conceito naquela comunidade. Os homens plantavam e colhiam coletivamente,mas não eram impedidos de cada um ter seu lote de terra,para plantar ,criar gado e outros animais.Uma espécie de comunismo primitivo reinava no Caldeirão,onde todos tinham trabalho,comida e felicidade terrena. No Caldeirão todos tinham sua casa e os orfãos eram afilhados do beato.Para a comunidade eram enviados,por Padim Ciço,Ladrões,assassinos e miseráveis,enfim,pessoas  que precisavam para trabalhar e obter sua fé.Havia práticas religiosa que assustava a vizinhança,tais como penitencias e rituais nas orações,mas não passava disso. Na fazenda também tinha um cemitério e uma igreja,construídos pelos próprios membros. A comunidade chegou a ter mais de mil habitantes. Com a grande seca de 1932,esse número aumentou,pois lá chegaram  muitos flagelados. após a morte de Pe.Cicero,muitos nordestinos chegaram a considerar o beato Zé Lourenço  como seu sucessor. Devido a muitos grupos de pessoas começarem a ir para o Caldeirão e deixarem seus trabalhos árduos,pois viam aquela sociedade como um paraíso,os poderosos,as classes dominantes,começaram a temer aquilo  que consideravam ser uma má influência.  O beato e sua comunidade eram caluniados pelos poderosos e pela imprensa da época.  A comunidade foi taxada de uma nova Canudos Comunista, e não tardou a primeira intervenção policial bater na porta do Caldeirão,foi em 1936, a frente das tropas estava o Tenente José Góis de Campos Barros,lá não encontraram o beato que foi avisado previamente,e que ficou presenciou um espetáculo de barbarie movido pelo anticomunismo,suspeitando haverem armas escondidas com os menbros da comunidade,a tropa invadiu casas,saqueou-as tentando encontrar o pretenso arsenal .Ameaçaram todos de morte. Ao fim atearam fogo nas casas,uma moça revoltada ateou fogo no corpo. Nada encontraram a não ser os instrumentos de trabalho. As tropas policiais ficaram por lá um mês,torturando e prendendo a população num curral a espera do lider da comunidade.em 1936, um dos lideres da comunidade Severino Tavares foi preso e levado para Fortaleza  por suspeita de participar do levante comunista de 1935.Fugindo da ação policial e acompanhado de cerca de mil pessoas o Beato organiza  outra comunidade conhecida como Mata dos Cavalos. em 1937,Severino Tavares é libertado, com o coração tomado de ódio e vingança  volta para o Caldeirão.no dia 10 de abril,outra expedição parte para o Caldeirão para o encontro com Zé Lourenço, as forças oficiais não contava com uma emboscada do grupo de Severino Tavares,um grande combate foi travado entre os grupos. No embate acabaram sendo mortos o Capitão José Bezerra e Severino Tavares.As manchetes não tardaram a surgir condenando ainda mais a comunidade. E os poderes públicos foram novamente acionados e o então Ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra pôs uma esquadra de três aviões a postos  para por fim ao Caldeirão. Em mais um espetáculo de barbarie os aviões sobrevoaram a região, dando rajadas de metralhadoras,segundo alguns mesmo jogando bombas, e matando um cem número de camponeses. Segundo depoimentos,levaram trens de cargas carregados de gente para Fortaleza. Após a dura chacina o beato ainda tenta erguer uma nova comunidade em 1938,porém, em apenas dois anos,são expulsos por mandato policial.neste mesmo ano Zé Lourenço segue para Exú,Pernambuco onde compra um terreno com poucos seguidores e organiza a comunidade União,baseada na liberdade e igualdade longe da perseguição policial,e no sossego que sempre buscou, ele passa seus últimos dias em terras Pernambucanas,onde veio a falecer em 14 de fevereiro de 1946,vitimado pela peste bubônica e, sem a sua figura a comunidade se dispersaría. Seu corpo foi carregado por cerca de setenta quilometros até Juazeiro do Norte,onde ainda hoje é possivel ver fiés visitando seu túmulo. o beato representa ainda hoje uma saída ao latifúndio. Ele morreu,mais suas idéias ainda estão vivas nos movimentos de luta pela terra no país.

William Veras de Queiroz   2010 D.C  - Santo Antonio do Salgueiro-PE.

quarta-feira, 24 de março de 2010

 CALDEIRÃO DE SANTA CRUZ DO DESERTO,UMA CANUDOS NO SERTÃO DO CEARÁ


                                                       TERCEIRA PARTE

                    Nos idos de 1920,um episódio traduziria de forma especial essa campanha desencandeada contra Zé Lourenço: a história do boi mansinho,tudo começou quando,por volta de 1900,Pe. Cicero recebeu de presente,do industrial Alagoano Delmiro Gouveia,um boi da raça zebu. Não tendo onde criar o animal, e demostrando confiança no seu discipulo,ele deixa o boi sobre os cuidados  de  Zé Lourenço. Pelo seu temperamento calmo,logo passa a ser chamado de mansinho. Como  se tratava de um presente do Padim Ciço,os moradores de Baixa D'antas tratavam com grande apreço o animal.Além disso,por ser um gado de raça,em pouco tempo mansinho,usado como reprodutor,melhoraria o rebanho local, até então formado por gado "pé-duro",ou seja, um gado resistente,mas de pouca categoria para a produção de leite e carne.
                 Depois da sedição de Juazeiro,os adversário politicos de Floro Bartolomeu e  Pe. Cicero se aproveitaram de um boato surgido do boi mansinho para divulgar a idéia de que José Lourenço era um fanático e adorava o animal como um santo. Circulou um boato de que os moradores de Baixa D'antas considerava o boi mansinho como milagreiro,usava a urina para cura de doenças e a raspa do casco como amuleto. O bispado do Crato,incomodado com a influência desse padre na região,ajudou a propagar essa idéia e passou a pressionar Floro Bartolomeu para dar fim àquele "antro de fanáticos,"novamente,como na "sedição do Juazeiro," uma disputa politica alheia ao povo da comunidade de Baixa D'antas  ,interfiriria  na tragetória de José Lourenço.Ele passou a ser o principal acusado de fetichismo  em torno do " Boi Santo",
             Em 1923,chega a Baixa D'antas ordem  para prender o Beato.Esse resolve, então, apresenta-se voluntariamente ao politico.  Ao apresenta-se o beato é preso.Não bastasse a prisão sem um crime,Floro ainda manda matar o boi Mansinho em frente à prisão. A carne foi oferecida ao beato José Lourenço,que recusou a comê-la. Depois da perseguições religiosa a Pe. Cicero, começaram a fazer circular que Zé Lourenço, não tendo mais vida de penitente,abusava da crendice do povo,apresentando o touro como  autor de milagres. Então se dia que a urina do animal era por ele distribuída como eficaz  medicamento para toda moléstia; que do seu casco era extraído fragmentos para, em pequenos saquinhos,serem pendurados no pescoço,como relíquias, à moda do santo Lenho;que todos se ajoelhavam em adoração ao touro e lhe davam de beber mingaus e papas;enfim,tudo que uma alma perversa possa conceber. Zé Lourenço ,tornou-se o foco das desavenças de Floro Bartolomeu,Pe. Cicero e o bispado. Com a prisão do beato e a morte do boi ,o deputado Floro quis acabar com a fama de apoiar cangaceiros e fanáticos. Somente com a intervensão de Pe. Cicero e de pessoas influentes do Crato,Zé Lourenço foi solto e retorna a Baixa D'antas. Apesar de tudo que passou na prisão e com a morte do boi Mansinho,Zé Lourenço não guardava ressentimentos e ficou amigo do político quando esteve preso,passando, e depois de solto, a almoçar  na residência dele quando ia ao Juazeiro. De volta ao Baixa D'antas ,o beato encontrou as lavouras destruídas,pois haviam soltado uma boiada na roça. Zé Lourenço  e a comunidade,ignoraram o ato de vandalismo e reconstruiram e replantaram o que foi perdido. Mas todo esforço foi  interrompido em 1926,quando João de Brito,proprietário do sitio arrendado pelo Beato,resolveu vender a propriedade, o comprador não aceitou a permanência da comunidade nas terras. Sem resistir, o beato,acompanhado dos seus seguidores,rumou,então, para Juazeiro do Norte. Reconhecendo a importância da experiência liderada por  Zé Lourenço, o Pe.Cicero autorizou a se assentar em outro sitio próximo do Crato,que seria de sua propriedade,conhecido como o Caldeirão dos Jesuítas. Ali, o beato iniciaria uma nova aventura, através da comunidade do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto.    

William Veras de Queiroz  2010 D.C   - Santo Antonio do Salgueiro -PE.
          

terça-feira, 23 de março de 2010


CALDEIRÃO DE SANTA CRUZ DO DESERTO,UMA CANUDOS NO SERTÃO DO CEARÁ 


                                                    SEGUNDA PARTE


        Baixa D' antas,era  mesmo o chão sagrado do Beato José Lourenço,apesar de árida e imprudutiva a terra , como sempre acontece na caatinga dos sertões nordestino,ele aceitou o desafio de fazer a terra produzir. E assim tratou de organizar os trabalhadores que o seguiram em busca do El Dourado de Zé Lourenço, que se manteria até o ano de 1926. Logo os frutos do trabalho coletivo e da disciplina ,apareceriam. O sitio Baixa D' antas se tornara um belo pomar,com milhares de pés de laranjeiras,coqueiros,mangueiras,mamoeiros,abacateiros,limeiras e cafeeiros,ao lado de uma bem cuidada cultural de algodão,cereais e de outras qualidades de hortaliças.
       A liderança do Beato Zé Lourenço era inquestionável na comunidade, não somente pelas habilidades que tinha com  o trabalho com a terra,mais também como guia espiritual daquela gente. O beato ia periodicamente ao Juazeiro e mantinha estreitos laços com o Pe. Cicero. Os moradores de Baixa D'antas passaram a vê-lo como um conselheiro.Tranformara-se no "padim Lourenço".  Seu espirito caridoso atraia cada vez mais romeiro que vinha para o Juazeiro buscando a benção do Pe. Cicero. Em Baixa D'antas não havia propriedade todos trabalhavam e colhiam os frutos. A comunidade já tinha quase  2000 mil habitantes, a mesa era farta e de orações. Não havia critérios para fazer parte da comunidade,bastava que estivesse disposto a levar uma vida pautada no trabalho e na fé. O sitio prosperou com relativa tranquilidade até o ano de 1914.  Nesse ano  Juazeiro do Norte virou palco de batalhas entre tropas enviadas pelo governador Franco Rabelo e jagunços liderados por Floro Bartolomeu. O conflito ficou conhecido como " Sedição do Juazeiro" ou guerra de 1914. Pe. Cicero, forte aliado politico de Floro Bartolomeu,convoca seus fiés para a defesa do Juazeiro. José Lourenço também foi para essa região durante o conflito, mas não se envolveu diretamente com os combates . Como em Baixa D' anta havia fartura, o beato limitou-se a fornecer alimentação para os jagunços que lutavam em nome  de Floro Bartolomeu e Pe. Cicero. as tropas rebeldes foram derrotadas em Juazeiro. Mas não deixaram de fazer estragos e causar destruição nas redondezas. O sitio Baixa D'antas,foi invadido enquanto o beato encontrava-se em Juazeiro . As benfeitorias que permitiam a opulência da comunidade foram destruidas. As casas foram incendiadas. foram muitas as atrocidades cometidas por lá. Zé Lourenço retornaria a Baixa D'antas  após o fim dos combates e não se abalaria com a destruição encontrada. Reorganizou a comunidade e, em pouco tempo,  a fartura voltou a reinar no local. Fartura essa que tornou o beato em uma figura pública. Os coronéis da região se incomodavam com a comunidade liderada pelo beato. Isso porque Baixa D'antas passou a absolver a mão-de-obra que antes era destinada aos latifundiários. Começaria então uma campanha para diminui o prestigio de José Lourenço, e as acusações de fanatismo e fetichismo não tardariam a tomar as páginas dos jornais Cearense.  

William Veras de Queiroz   2010  D.C  - Santo Antonio do Salgueiro- PE.

segunda-feira, 22 de março de 2010


CALDEIRÃO DE SANTA CRUZ DO DESERTO, UMA CANUDOS NO SERTÃO DO CEARÁ
  
                                                                      INICIO


         José Lourenço Gomes da Silva, nasceu em 1872, na cidade de Pilões de Dentro, cidade do sertão paraibano.Era filho de negros alforriados.Dedicou sua infância ao trabalho nas terra do latifúndio Paraibano. Por volta de 1886,o ainda jovem,fugira de casa com medo de uma surra prometida pelo Pai. A severa pedagogia do cipó e do marmelo utilizada pelo Pai ,incomodara  Zé Lourenço, e ele decidira tomar seus próprios rumos.Após sair de casa esteve na cidade de Serraria,também na Paraiba, onde trabalhou  como vaqueiro e amansando  burros e jumentos, as condições de trabalho não eram das melhores,porém conseguia escapar,ganhou dinheiro, comprou um bom cavalo bem arreiado,boas roupas e um terno. Alguns anos mais tarde resolveu voltar a Pilões de Dentro para rever seus familiares,lá chegando não os encontrou, e teve noticias de que haviam partido para Juazeiro do Norte,Ceará,assim como milhares de nordestinos,em busca das benção de Padim Ciço.Com o efeito,após os supostos milagres ocorridos naquela região por volta de 1889,ela se transformou numa meca para os nordestino. José Lourenço,determinado a reencontrar a familia,partiu numa manhã com romeiros de Pilões de Dentro. Durante a viagem encomodava-se com os benditos cantados pelos romeiros. Chegando em Juazeiro,logo separa-se dos romeiros e vai a procura dos familiares.Sem grandes dificuldades consegue encontrar a casa  onde seus  pais moravam. encontrou a cidade em rebuliço.o misticismo e a religiosidade popular fervilhavam através da figura do Padre Cicero Romão Batista.Foi pouco tempo para fazer amizade com um grupo de beatos. contrariando mais uma vez a vontade do pai,Zé Lourenço tornou-se beato.fez uma opção por uma vida simples e de penitencia,vestia-se a maneira de um frade,com uma batina de algodão tinto de preto,uma cruz nas costas,um cordão de São Francisco amarrado às  cintura. Ao assumir a condição de beato.José Lourenço tornou-se celibatário e passou a viver de esmolas e caridade. Além disso, pouco tempo depois ingressou  numa ordem de penitentes. Esses se reuniam à noite- em capelas,cruzeiros,cemitério ou em cruzes nas estradas  -e praticavam rituais de auto-flagelação como forma de purificação do espirito. Imbuído do espirito religioso do Juazeiro,em pouco tempo tornou-se amigo de Pe. Cicero,dele teve o aconselhamento para oculta-se em penitências para purifica-se. Assim o beato Lourenço fez, não se sabe quantos anos permaneceu oculto. No convivio com Lourenço, Pe. Cicero percebera sua capacidade de liderança e sua vocação no trato  com a terra. Aconselha,então,o beato a largar a penitência oculta e voltar  a trabalhar nas   roças. Em 1895 o beato Lourenço larga as penitências ocultas e volta para o Juazeiro. Mas tanto o beato quanto sua familia não se adaptaram a vida naquela cidade,haviam sido criados nas fazendas,trabalhando tanto com a terra ,e cuidando do gado e não se acostumavam com a vida urbana de Juazeiro. Com a ajuda de seu Padim, o beato consegue arrendar uma porção de terra no vale do Cariri,no municipio do Crato.

William Veras de Queiroz 2010 D.C  Santo Antonio do Salgueiro-PE.

sábado, 20 de março de 2010

EDUARDO ABRANTTES, O MENESTREL DA CAATINGA


    Competente  músico  que é,podería ter trilhado por  outros caminhos,e dessa forma,conhecer de perto as luzes e o glamour do showbizz nacional,mas ele não amava os Beatles e nem tão pouco os Rolling stones,e para o bem de todos e felicidade geral da nação; Ele afinou seu instrumento de corda pela violinha pulo de bode dos errantes cantadores do semi-árido nordestino,num verdadeiro pacto de orgulho e compromisso com a cultura popular.E assim, ele 
dedicou a seu Deus um canto novo, com suas trovas,puluxias e incelenças. Tornando o maior seguidor da obra  de Elomar Figueira Melo,o bardo das barrancas do Rio Gavião.
     Eduardo Abranttes,Paraibano,da cidade de Souza.municipio  encravado na mesoregião do sertão do estado que durante o ciclo das entradas no sertão,pertenceu ao dominio da casa da torre da Bahia,de Teodósio e Francisco Oliveira,donos das terras que constituia os vales dos Rios do Peixe e Piranhas,região que um dia também foi morada dos Dinossauros e que hoje tem um dos maiores sitios Arqueológico de pegadas preservadas do mundo.Foi no convivio  desse ambiente de tantos contos e histórias  que o menino Eduardo viveu sua infância e seguindo o fado de Cantador, num dia distante, colocou a viola no saco  e sobre as bençãos de Nossa Senhora dos Remédios foi prá terra da garôa,e,entre São Paulo e o Paraná ele fez história nos festivais de músicas de Toledo,Maringá,Sampa e tantos outros,defendendo a sua música e a cultura nordestina. Eduardo,móra a 28 anos,entre Olinda e Recife. Em 2005,gravou o CD,Cantigas do Sertão,um grande registro para a música regional,também no mesmo ano,integrou como cantor e compositor, o grupo de música experimental A Uzina. no ano de 2008, ele lançou o projeto " Do Sertão à Conquista " onde fazia uma leitura dinâmica e musical da obra do Mestre Elomar.   Eduardo Abranttes,segue a vida,soltando a voz na estrada,seguindo a sina dos cantadores. Ele tem um  público fiel  ,com  um trabalho autoral refinado e de muito bom gosto. Tem um repertório com base na MPB, com inserções de forró,maracatú e cantoria. Viva o Menestrel da Caatinga, viva a música popular.

William Veras de Queiroz 2010 D.C - Santo Antonio do Salgueiro-PE.   

quinta-feira, 18 de março de 2010















ANTÔNIO BARRETO-UM HOMEM CORDELISTA E CORDIALISTA, A HISTÓRIA (1ª PARTE)
O menino Toinho de Mariinha cresceu brincante entre animais e plantas no ambiente bucólico de comunidade rural do sertão onde, apesar da paisagem árida, havia presença de rios. O pano de fundo da cena era uma esplendorosa serra de morros. Marco divisório entre os municípios de Tanquinho e Santa Barbara, sua terra natal. Já desde criança Antônio Barreto gostava de assistir e participar, quando possível, das brincadeiras do lugar. Corrida de Saco, Bumba-boi, Tiração de Argola, Cantoria de Viola, Trezena de Santo Antônio, entre outras tradições locais. Aos 13 anos, mudou-se para a sede do município, onde pôde se aproximar de mais uma de suas paixões. Para ele, os ambulantes e os vendedores de livretos de cordel eram verdadeiros artistas das feiras-livres de Santa Bárbara. O fascínio era tal que ele só parava de apreciar a atuação dos mascates quando “convocado” pela a avó, com um puxão de orelha, a ir de volta para casa. “Me encantava a maneira como o camelô vendia o seu produto na feira. Como ele seduzia o comprador. E isso o cordelista também fazia para vender o seu folheto de cordel. Ele tinha de ser muito lúdico, muito brincalhão. Aquilo me encantava”. Assim lembra o cordelista, com certa dose de saudosismo. Antônio Barreto só não deve sentir saudades da maneira hostil que era tratado por alguns conterrâneos à época. Filho do comunista Pedro Barreto, o garoto sofria os preconceitos dos tempos de exceção. Nem sequer sabia o que era comunismo, mas não lhe agradava os chamados de “filho de comunista!” “Eu não tô entendendo, meu pai é uma pessoa boa, é de partilhar tudo que ele tem, por que ele é chamado assim?”. Hoje a auto-indagação é lembrança de uma questão sem resposta para a mente do menino Barreto à época. A Igreja de Santa Barbara também censurou e, para não ficar pagão, o menino Toínho Barreto precisou ser batizado em Feira de Santana. O Padre local não deixou o dono da padaria (Jaime Azevedo), que seria o padrinho do menino, entrar na Igreja. Antônio Barreto recorda que o pecado do padrinho era ser negro, comunista, espírita e intelectual auto-didata. Tom Zé diria que é contraversão demais para um homem só. Então, só cantando para espantar os males. Aos 14 anos, Antônio Barreto atuou nos programas de calouros do auditório público da cidade. No roteiro, a apresentação de sucessos interpretados por Jerry Adriane e Vanderlei Cardoso. Só mais tarde, descobriu Raul Seixas e, embalado pelas músicas do “maluco beleza”, aprendeu a tocar vilão. Nos anos 1980, já morando em Salvador, para onde foi, devido a necessidade de estudar o ensino médio, filiou-se ao Raul Rock Clube. O fã clube oficial do artista baiano era sediado em São Paulo e dirigido por Sylvio Passos. Através de Cartas, Barreto se mantinha atualizado sobre a carreira do artista. A imagem da carteira dele (sócio 10093/83) foi reproduzida na contracapa do cordel “O Encontro de Raul Seixas com Zé Limeira no avarandado da lua.” Na capital baiana, Barreto trabalhou no Pólo Petroquímico por 23 anos. Hoje está aposentado do emprego de alta periculosidade, onde exercia a função de Operador de Processo, trabalhando com benzeno e volume sonoro acima de 90 decibéis. Emprego de alta responsabilidade. Corria-se risco de explosão e vazamento letal. Um contemporâneo de Barreto acidentou-se e faleceu no hospital. O trabalho de Antônio Barreto, no Pólo, não foi resumido à responsabilidade e tragédia. Naquela época, em que já dava aula no turno noturno, lançou o “Cordel da qualidade de vida” e se apresentou na empresa. Só que ainda “não levava o cordel a sério”. Só depois da aposentadoria, em 1999, começou a praticar mais. Os amigos foram incentivando, incentivando... A esta época já havia escrito dois livro de poesias, Rimas e Loucuras (1985) e Uns Versos Outros (1995). Só dez anos depois, ao concluir oficina com Maria da Conceição Paranhos, publicou Flores de Umburana (2006), pelo selo Letras da Bahia - Fundação Cultural do Estado. No ano de 2004, Barreto fez uma oficina de cordel com Jotacê Freitas, a quem considera uma alma de luz, um irmão, um mestre. Daí não parou mais de fazer cordéis. E segue levando sua vida extrovertida, no seu papel de cinqüentão-solteirão, pai de três filhos. Após conviver com a mãe de sua primeira filha, hoje com 23 anos, partiu para “carreira solo” e teve o segundo filho (22 anos) e o terceiro (13 anos). E que Antônio Barreto siga fazendo seu cordelismo, com todo cordialismo.

Rosemary Borges Xavier, 2010-D.C-Cajueiro-Recife-PE